História Encontro Marcado - Capítulo 47


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Categorias Além do Tempo, Histórias Originais, O Privilégio de Amar
Personagens Bernardo, Emília, Personagens Originais, Vitória
Tags Alémdotempo, Bermília, Bertória, Gemul
Visualizações 6
Palavras 1.532
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 47 - Eu nao te reconheço - Parte I


Fanfic / Fanfiction Encontro Marcado - Capítulo 47 - Eu nao te reconheço - Parte I

A promotora se trancou na sala e leu cada sílaba da noticia, inclusive se espantou a com a foto em miniatura do seu exame estampado na página.

 

Sentiu-se zonza com as informações despejadas pelo jornal. Inclusive, diziam que seu casamento estava em crise e que seu marido estava fora de casa…..

 

Seu desespero fez ela desfizesse do jornal em picadinhos, como se nesse simples gesto, seu pesadelo fosse desaparecer

 

O choro veio quase de imediato quando a realidade se mostrou dura demais…

 

Não soube por quanto tempo ela ficou jogada num canto da sala amargurando a má sorte. Só foi desperta pelas batidas desesperadas de Rosa.

 

A contragosto, Emília se levantou para abrir a porta

 

ー O procurador-geral em pessoa ligou e….ー

 

E naquele momento, Emília soube.. Sua carreira tinha chegado ao fim!

 

 

—______________________________________________________

 

 

ー E o que você disse? ー

ー Disse que a senhora não estava ー

 

Emília assentiu como quem agradece, voltando a se trancar na sala.  Ela não se permitiu chorar, tinha uma carreira e um casamento em risco e ela não podia se dar esse luxo. Mas se fosse sincera, estava bem difícil raciocinar.

 

A única coisa que lhe vinha na cabeça era o que seria de Bernardo se aquele jornal chegasse em suas mãos, não havia uma pior maneira de descobrir… Ela poderia negar, dizer ser mentiras, meras fofocas.... Melhor, dizer ser nada mais que mera vingança do dono do jornal por ter sido acusado judicialmente por Emília por violência doméstica, o que acarretou uma vultosa quantia em cesta básica e indenização. Mas nada disso adiantaria, estava ali o seu exame para provar ao menos minimamente o contrário.  Aliás, ela se perguntava como seu exame podia estar ali... Como num estalo, ela foi rápida em procurar nas suas gavetas  o dito cujo, mas para sua surpresa, não o encontrou. Ficou ainda mais claro que ela estava metida numa caça às bruxas, alguém queria prejudica-la

 

Entretanto, ela não tinha muito tempo para pensar nisso, talvez o sumiço até viesse a calhar….

 

Negar não, negar não, negar não… Então o que ela faria? Ela teria que assumir, só não sabia se a história toda ou parte dela.  Sem dizer nada, ela saiu do Ministério. Só alguém podia esclarecer suas dúvidas nesse momento, o seu médico... que por sorte, estava livre para aquela manhã.

 

 

—______________________________________________________

 

ー É um absurdo estarem inventando essas coisas da sua esposa ー Comentou Marcio, logo após entregar o jornal a Bernardo ー  Será que esse médico tem alguma coisa a ver? ー

 

Raul, ao notar o quanto Bernardo estava perdido com aquela informação, deu um jeito de dispensar Marcio.

 

ー  Isso só pode ser mentira, Bernardo… Vamos, esqueça isso! ー

ー  Você lembra? Eu te disse que achava que ela estava grávida, Raul, eu te disse ー Respondeu, sem ao menos tirar os olhos do jornal ー Esse tempo todo….

ー  Não tome nenhuma atitude precipitada, Bernardo. Por qual razão Emília esconderia a gravidez de você? E pior, como você pode acreditar que Emília seria capaz de tal atrocidade? ー

ー Não sei, Raul, não sei! ー Tenso e um tanto transtornado, Bernardo já bagunçava as madeixas negras com as mãos inquietas ー Ela estava estranha, se afastou de mim… Andava  nervosa o tempo todo. E… ー

ー Bernardo, se acalma! Esse comportamento da Emília é natural. Você mesmo reconheceu isso… Ela estava estressada por estar sobrecarregada  no trabalho... A morte do pai.. Lembra que você se preocupava por ela não ter passado pelo luto? Põe a mão na consciência.. Reconheço que uma notícia assim deixa qualquer um desorientado,  mas você tem que ser racional.. ー

ー Eu quero, Raul.. Mas no fundo… ー Ele deixa escapar um soluço e uma pequena lágrima rola sobre seu rosto. Ele tenta se controlar ー  Sabe? Ela me lembra muito Gema no início da gravidez.. lembra-se da suas queixas? ー

ー Tudo bem, Bernardo ー Raul se deu por vencido ー E o que pretende fazer? Chegar na sua esposa e acusa-la desse ato vil tendo um jornalzinho mequetrefe como prova? ー

ー Você deve estar achando que estou louco, mas só eu sei, Raul ー

ー Bom, o que eu sei, é que não vai aquietar até tirar essa prova a limpo. Por que não procura o médico que assinou o tal exame? Talvez você o conheça ou quem sabe conhece o diretor do hospital…. Talvez ele confirme que esse exame é falso e que nunca viu Emília…  ー

ー Você tem razão, vou pra lá agora mesmo … ー Bernardo de imediato abandonou o  jornal sobre a mesa e seguiu porta afora.

 

Atordoado, teria esquecido até mesmo o celular e a chave do carro se não fosse Raul a lembrar. O cunhado insistiu em leva-lo, no estado em que estava, não era confiável dirigir. Por fim, Bernardo optou por ir de táxi.

 

No momento que Bernardo desceu do táxi, seus olhos caíram sobre a mulher que acabara de entrar no hospital…. Emília Beraldini.

 

E enquanto os dois estavam no hospital, Vitória se dirigia para a casa da filha. A Ventura tinha ido até o Ministério, mas foi uma viagem perdida.

 

 

—______________________________________________________

 

 

Na hora exata da consulta com o Dr. Botelho, Emília se identificava com a recepcionista que já tinha autorização para permitir a entrada.  Bernardo ao longe observou quando a esposa entrou.

 

ー Olá, sou esposo da Sr Sartorini ー Ele sorria simpático ー Eu fui estacionar e … ー

ー Ah, sim! Veio acompanhá-lo na consulta? ー A recepcionista perguntou, retribuindo o sorriso

ー Claro, claro ー Ele concordou.

ー Dr. Botelho, a ultima sala no final do corredor a esquerda ー

 

Bernardo agradeceu e sem delongas se apressou até a sala do tal médico. Ele viu a placa de identificação na porta, Dr. Belisário Botelho; Obstreta; CRM RJ-000000.

 

Ele sentiu o coração apertar, só pelas meras conclusões que passou pela sua cabeça.

 

 

—______________________________________________________

 

 

ー Bom dia, Dona Emília!  Sabia que viria ー Apesar de simpático, o médico estava um pouco tenso ao levantar para cumprimentá-la

ー Bom dia, Doutor. ー Ela forçou um sorriso.

ー Olhe, quero que saiba que não tenho nada a ver com as fofocas no jornal. Eu não fiquei com nenhuma cópia do seu exame ー Se justificou de pronto

ー Eu sei, Doutor. O meu exame simplesmente sumiu, mas isso não convém agora ー Eles simplesmente se afastaram e o médico voltou a se sentar, mais tranquilo.

ー Ok, ok! Sente-se, Emília. O que lhe traz aqui? ー Ela finalmente se sentou.

ー Bom, antes de mais nada gostaria de reafirmar o sigilo médico-paciente ー

ー Mas é claro que sim.  Se precisar de uma conversa informal até me abstenho do diário ー Afirmou, percebendo que Emília estava um pouco nervosa

ー Agradeço muito…. Eu.. Eu nem sei.. ー Suas mãos mexiam ansiosas, ela não conseguia concluir

ー A senhora gostaria de beber uma água, suco? ー

ー Não, obrigada! Eu.. Eu vou ser direta. ー

ー Claro, sinta-se á vontade ー

ー Gostaria de saber quanto tempo depois de uso o cytotec pode ser identificado no sangue. ー

 

O médico se assustou por alguns segundos, caindo a ficha de que era verdade o que estavam dizendo no jornal.  

 

E não era só ele. Atrás da porta, alguém ouvia a conversa.

 

Os olhos marejados de tanta dor, Bernardo tentava se manter de pé e continuar ouvindo o que aquela mulher estranha dizia. Sim, estranha.. Ele não reconhecia aquela mulher como sua Emília, não podia ser. A mulher que falava era fria, calculista….. assassina. E essa, ele não conhecia.

 

ー Bom, o misoprotol, também conhecido como cytotec, só pode ser identificado no sangue até 12 horas após o uso.  É uma analise cara… ー

ー Entendi..  e ao fazer a curetagem… Teria como saber que foi provocado ? ー

ー Pra ser sincero.. Se o aborto foi medicinal com uso de cytotec e afins, é praticamente impossível. Ainda mais no seu caso, em que por um milagre, não houve graves complicações ー

ー Mas você deve ter noção do quanto foi penoso  ーResolveu falar abertamente

ー Olha, Emília, eu não estou aqui para julgar ninguém. Sou seu médico e a única coisa que posso dizer é que no minimo foi um ato irresponsável. Fora isso, é muito difícil provar um aborto, nem há exames específico para tal. Mas a senhora sabe.. Nem de provas é feito o direito penal

ー Sim, eu sei…  ー Concordou meio tensa ー Doutor, muito obrigada! O Senhor me prestou uma grande ajuda ー

ー Não quer aproveitar que está aqui e deixar eu te examinar ? ー

 

ー Não, agora não.. Tenho coisas a resolver… Juro que venho depois ー

 

Ela se despediu de modo afetuoso, sendo acompanhada pelo médico até a saída. E quando este abriu a porta… Os olhos dela caíram sobre o homem que estava estagnado ali em frente…

 

Emília se sentiu a pior das mulheres ao ver a dor nos olhos de Bernardo, que estavam ainda mais brilhantes, umedecidos pelas lágrimas acumuladas ali... ainda mais por ser ela a causadora de tanto sofrimento

 

E então, mais uma certeza caia sobre si: Tinha perdido o homem da sua vida....



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