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História Encontros de família - Capítulo 3


Escrita por: e Typewriter


Notas do Autor


Desculpem a demora 😞

Capítulo 3 - Uma pergunta


Estava com dor de cabeça e o barulho do motor do avião não estava colaborando muito.

3 horas de viagem que mal tinha começado e ela já queria que acabasse.

Tinha perdoado a mentira de Mitsuki embora ainda não estivesse totalmente feliz com tudo isso. O senador era um homem bastante polêmico em suas entrevistas, citando opiniões controversas sobre família, religião, sexualidade, conteúdos racistas, além de alguns escândalos envolvendo o partido dele com corrupção. Praticamente o presidente.

O cara agora seria seu futuro sogro.

E a dor de cabeça aumentaria ainda mais convivendo com ele.

No entanto, Mitsuki não era tão próximo assim do pai, como havia explicado. Ainda assim, não achava correto esse tipo de comportamento entre familiares.

O estômago embrulhou de novo. Arrependeu-se de ter começado de novo uma dieta maluca pra emagrecer alguma coisa antes do casamento, e agora estava com fome. Agarrou um croassaint no aeroporto como se fosse sua vida, mas tanto tempo tinha ficado sem comer antes que agora o pão de origem francesa dançava can can no seu estômago.

Procurou o remédio contra enjoo que pensou ter colocado na bolsa de mão antes de embarcar mas não achou.

-Que foi? Você tá pálida! -disse Mitsuki, ao seu lado, observando que a namorada estava muito inquieta e pálida.

-Eu... coloquei o dramin... dentro da mala lá embaixo! Era pra ter... colocado na bol....

Não terminou de dizer a frase. Uma onda embrulhou seu estômago e mal teve tempo de pegar o saquinho na poltrona do avião.

Colocou tudo pra fora. Duas vezes.

-Melhorou? -perguntou ele, evitando olhar diretamente pro saquinho. Ele podia enfiar sondas em pessoas, mas vômitos não era algo que ele curtia em assistir.

-Acho que sim... só vou ficar quieta... vai passar. -disse tentando recostar a cabeça na poltrona, mas a cabeça insistia em girar.

Mitsuki observava a cena sem questionar muito, afinal, muitas pessoas têm enjoo em viagens. De repente, uma coisa passou pela cabeça dele que o fez gelar. Mas e se ChoCho estivesse...? Não. Era só a falta do dramin. Ou não? Por que ela já esperava enjoar?  Ela não enjoava em viagem antes.

-Por que você tá usando dramin?

-É pra enjoo.

-Eu sei que é pra enjoo. Mas você não enjoava antes. A gente já viajou antes e você não tomava dramin na viagem.

-Porque eu sempre tomava antes. Chama a droga da aeromoça pra pegar isso! -cara de poucos amigos e a cabeça doendo.

-Isso foi só a falta do remédio mesmo né? Tipo... não tem outra coisa?

-Que outra coisa? -disse, segurando o saquinho com nojo, e com o estômago mais embrulhado ainda. Não queria falar para ele da dieta maluca.

-Sei lá... esse enjoo... a gente transa, então...vai que...

Olhou para ele sem entender mas o olhar que ele lhe dava de volta era bem estranho, levemente assustado, enquanto as mãos faziam um movimento semi circular na região do abdômen dela.

-Meu Deus, Mitsuki, não! -afastou as mãos dele rapidamente -Eu não acredito que você tá achando isso! Não! Não, tá legal. Só não. Não!

-Certeza? -insistiu. 

-Claro! Eu não estou grávida! -mas ela mesma agora enfatizava as palavras para que ela mesma acreditasse.

Certo. Ela não estava grávida! Não precisava ficar também paranóica com isso, já que até menstruada ela estava. 

Por outro lado, Mitsuki sentiu um certo alívio. Não que não quisesse ser pai um dia, mas se ela estivesse grávida ia complicar as coisas ainda mais com a família e isso era o tipo de coisa que não queria agora. Um filho, um dia, sim, não agora.

-Tá bom. Porque...ia ser mais complicado se você estivesse.

-Mais complicado o que? Tem coisa mais complicada na sua família?

-Não, eu só pensei o quão louco seria se eu tivesse que já apresentar meu filho também e...

-Não, tá ok. Para com isso, tá? Eu não tô grávida.

Ambos estavam aliviados.

ChoCho sabia que não estava mas só por desencargo de consciência que agora a imaginação dele a fazia desconfiar do próprio absorvente, iria fazer um teste de gravidez quando chegasse na ilha.

-Certo... tenta relaxar pra ver se passa mais o enjoo. Só respira fundo, fecha os olhos e relaxa.

-Posso pegar isso, senhora? -disse a aeromoça com seu sorriso habitual de quem odeia pegar vômito em saquinho dos outros mas que precisa pagar as contas.

Entregou rapidamente a ela, que lhe deu outro saco. Deitou a cabeça na poltrona e procurou relaxar como ele falou.


Ele não sabia se haveria mais algum problema com a família.

A família dele não era um amorzinho gentil como era a dela. Não se lembrava de almoços felizes de domingo, mas de reuniões políticas em que ele era arrastado obrigado a ir e que ele sempre odiava.

Os únicos momentos familiares eram quando envolviam a tia Anko. Sempre achou que o pai deveria ter se casado um dia com ela, não com as várias outras mulheres sem sal que tiveram o título de madrasta. Da atual mulher do pai, só sabia que era uma ex modelo, já que nem se dignou a ir ao casamento. Sim, com certeza era a mãe Anko que deveria ter ocupado esse lugar. Pra dizer a verdade, era só com ela que mantinha contato. Olhou a aliança de noivado. Anko ficaria com ciúmes, ela era uma daquelas mães ciumentas. Mas ia acabar feliz quando lhe contasse que estava noivo... de novo. 

Foi instantâneo se lembrar da ex. Não chegou a ser um noivado verdadeiro mas todos achavam que eles se casariam e sendo ela filha de políticos influentes do mesmo partido que o pai, a torcida era grande. Agradeceu por não ter cometido essa loucura.

Não falava muito com o irmão e foi por insistência da tia mãe que aceitou o convite de ir ao casamento dele. Log e ele não eram muito íntimos desde que haviam brigado por culpa do pai. Era advogado, vereador, e aspirante a clone político do pai, algo que Mitsuki odiava. O irmão fazia qualquer coisa para ser o centro das atenções do pai. E o pai fazia muito gosto dessa carreira do irmão.

Quando começaram os incentivos para que ele também tivesse uma carreira política, Mitsuki enfrentou os dois e tratou logo de deixar isso bem claro. Log sempre o cobrava de atitudes e posturas que não eram ele. Mitsuki nunca foi aquilo. Ele era o filho rebelde e Log era o preferido. Não sabia com quem ele iria se casar mas tinha pena da mulher que nem conhecia.

O pai tinha uma carreira cheia de escândalos políticos e umas tretas que envolviam discursos racistas. E sendo ChoChou negra, temia que ela virasse alvo de “piadinhas” por parte dele e seus assessores, principalmente Kabuto. Kabuto, que se achava um alecrim dourado de significância política e social, que se mostrava um poço de moralidade e decência mas que por trás dos holofotes da mídia, era só mais um rato traiçoeiro do congresso, esperando para abocanhar alguma propina enorme. Tal como o pai havia se tornado.

Não queria que ChoCho fosse humilhada por ninguém. E brigaria com todos quantas vezes fosse necessário para defendê-la. 


X



A mulher esperava impaciente, aguardando a chegada do seu menino no saguão do aeroporto. Finalmente avistou os cabelos cinzas que tanto afagou quando criança. Tinha um corte diferente, um jeito de homem feito, um porte de adulto que sabe o que quer, mas o mesmo sorriso de menino que a mãe sabe reconhecer a felicidade.

Ele a abraçou por longos minutos sendo recebido com muitos beijos.

-Meu Deus, como você tá lindo! E magro! Você não tá comendo bem? -disse a mãe Anko, num misto de alegria e preocupação que só uma mãe sabe ter.

-Claro que eu tô! Não tô passando fome! -riu. Sempre ria desse jeito dela de achar que ele não comia bem. Lembrava um pouco ChoCho. -Como você tá?

-Velha, gorda e cheia de dores, mas feliz!

Riram de novo. Anko era exagerada e ele gostava disso.

ChoCho manteve-se um pouco atrás, observando o encontro. Ia esperar antes de se apresentar, já que Mitsuki já havia lhe falado sobre a sua tia/mãe e do quanto ela era legal, do quanto ele sentia falta dela e do quanto elas iam se dar bem.

-Vamos, então! Seu pai não pode vir te buscar, você sabe como ele é ocupado, mas vocês podem se ver mais tarde e... -disse o agarrando já em direção à saída.

-Tia, quero te apresentar uma pessoa. Essa é ChoCho, minha noiva. -disse, pegando na mão desta.

Anko não teve uma reação imediata. Noiva? Como assim, noiva? Sabia que tinha uma surpresa mas uma noiva? Olhou a menina: era muito bonita, com seus olhos cor de âmbar que constrastavam com o tom escuro da pele. Tinha um sorriso simpático e lhe estendia a mão num “muito prazer”. Não gostou.

Ele poderia ter lhe dito antes que estava noivo. Ela não estava preparada para isso. Não estava perdendo apenas Log mas Mitsuki também!

-Noiva? -a pergunta curta saiu menos sonora do que gostaria.

-É! -ele dizia, mais sorridente do que gostaria. Havia um ar de felicidade estampada em seu rosto inteiro. 

Fechou a cara e virou as costas.

-Vamos para o carro.


X


A mulher que seria a pessoa mais incrível e maravilhosa do mundo, estava lá sentada no banco do passageiro olhando pra ela pelo retrovisor como se fosse fuzila-la com a cara de poucos amigos.

Mitsuki, por outro lado, ignorava completamente o comportamento da mãe dele, conversando animadamente com o motorista, um rapaz forte de cabelos espetados laranjas.

Ela me odeia, pensava ChoCho.

Certamente, ela seria tal qual o Senador e Mitsuki, por gostar demais dela, não percebia isso. 

A família do namorado não era boa.

Onde ela tinha se metido?

Chegaram em frente a uma casa enorme com vários carros estacionados e alguns seguranças armados que mantinham-se concentrados, atentos. 

Anko desceu do carro com certa dificuldade. Estava bem acima do peso. Mantinha-se de costas a eles e não aceitou que Mitsuki lhe ajudasse a descer do carro.

-Ela não odeia você. -disse Mitsuki, tirando ChoCho dos seus pensamentos. -Ela está com ciúmes. -De forma divertida, dizia isso, olhando pra Anko, que desviou o olhar, fazendo um leve beicinho.

-Eu não tenho certeza disso. -disse, sem saber mais de nada.

-Relaxa. Mais tarde ela tá amando você. Só dá um tempo pra ela. E o enjoo passou?

-Aham. Eu tô mel.... -não teve tempo de responder, pois foi interrompida por uma senhora chateada, que se virou, impaciente.

-Eu só acho engraçado que eu deveria ter sido comunicada sobre um novo noivado! Eu fico meses só ouvindo que “tá tudo bem, tia”, mas uma informação importante dessas eu não sou informada. Você tava pensando o que me escondendo isso?!

-Eu não escondi. Só deixei pra falar quando estivesse com você, não por telefone.

Aparentemente, parecia que Mitsuki escondia mais coisas da família do que ChoCho gostaria.

-E se você não viesse nesse casamento do teu irmão, que só veio porque eu fiquei insistindo, teria me contado quando?

-Acho que depois do meu casamento. -disse, ainda brincalhão.

-Olha, menino, você não brinca comigo! E essa menina, quem é essa menina?

Essa menina?! ChoCho era citada como se nem estivesse vendo a cena, como se não estivesse ali. E teve um leve ímpeto de socar a senhora fofinha que lhe ignorava.

-ChoCho. O nome dela é ChoCho. -repetiu Mitsuki.

-Hum. Tá. Você. -virou-se finalmente para ela. -Você, ChoCho. Você ama mesmo ele?

Não era essa pergunta que esperava ouvir. Achou que Anko fosse fazer milhões de outras perguntas a respeito talvez do seu emprego, da sua família, da sua condição social. Mas ela perguntou sobre amor.

De todas as perguntas que imaginou que alguém da família do Mitsuki perguntasse, essa era a única que sabia a resposta.

-Amo. Sim, amo. -firme, respondeu.

Anko analisou a resposta. Mitsuki estava feliz. E ela, a mãe, só podia querer e aceitar a felicidade de um filho. Abraçou então, aquela menina que estava roubando seu menino.

-Só não o faça sofrer. -disse, finalmente sorrindo.



X




Estavam todos na sala reunidos.

Mirai conversava com sua “personal wedding” no celular enquanto Log discutia assuntos políticos com o pai, Kabuto e Suigetsu. 

Suigetsu era irmão mais novo de Orochimaru e tão qual o irmão, também estava envolvido na política, sendo deputado a dois mandatos já. Veio com a esposa para o casamento do sobrinho.

A esposa, Karin, conversava animadamente com a concunhada, Mei, esposa de Orochimaru, e com Sumire, amiga da família, que também fora convidada para o casamento.

-Você está maravilhosa, querida! Vi seus vídeos no insta e amei a nova coleção de bolsas que está patrocinando você! Poderíamos fazer uma troca -dizia a ruiva.

-Ah linda, seria ótimo! Se quiser, posso ver com meu stylist pra você também participar dos nossos vídeos! -dizia a loira, sorridente.

-Eu ia amar! Vou esperar, viu! -disse Karin, tomando um gole do rosê que a empregada acabara de trazer. -Mas e você, Sumire, agora que você voltou ao Brasil, o que pensa em fazer?

-Eu ainda não pensei bem, mas já comuniquei a alguns agentes de moda que já retornei ao país. Mas acho que vocês já sabem que eu tenho outros planos primeiro... -sorriu de forma significativa, maldosamente.

As outras duas riram pois sabiam bem os planos da Kakkei.

-Anko já deve estar chegando. -comentou Mei.

-Ah sério?? Achei que vocês não tivessem mais contato algum com ela. Orochimaru não tinha discutido com ela? -perguntou Karin.

-Sim, mas Log insistiu que ela viesse ao casamento. Afinal, sendo ela gorda antipatica ou não, criou os meninos, então eles a tem como uma mãe, essas coisas...e a feminista ali do lado também solicitou, então... teremos que conviver com isso. -disse a loira, apontando para Mirai e revirando os olhos. -Aquela mulherzinha é um porre. Mas ok, pelo menos parece que ela conseguiu convencer o perfeitinho a vir no casamento. -disse Mei, levemente ressentida, já que o enteado não foi ao seu casamento.

-Mitsuki? Ah sim. Ele vem. -confirmou Karin. -Vê se coloca bom senso naquela cabeça, viu lindinha? -e virou-se para Sumire.

-Pode deixar que cuido di-rei-ti-nho! 

E uma piscadinha foi dada.


Notas Finais


Desculpem a demora! Eu não tenho palavras pra me desculpar mas eu fiquei meio desmotivada demais durante o caos de 2020. Desculpem.😞

Desculpem também por ter transformado o Orochi praticamente no Bolsonaro, mas vamos fingir que é quase: menos burro que o Bozo mas tão polêmico quanto.

Tretas irão acontecer.

Espero que curtam e de novo me perdoem!


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