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História Encoraja-me. - Capítulo 4


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Notas do Autor


Oi gente! Tudo bem???
+1 pra vocês.

Boa leitura! 🖤

Capítulo 4 - Capítulo IV


Fanfic / Fanfiction Encoraja-me. - Capítulo 4 - Capítulo IV

O reino estava eufórico na véspera do casamento. Os criados corriam de um lado para o outro, os empregados tinham trabalho em dobro, os cerimonialista estavam grudados nas duas rainhas, fazendo exatamente aquilo que elas mandavam. Para onde se olhava no castelo, se viam as preparações para o tão esperado momento do selo feito há anos atrás. 

Anastasia se afastou da loucura das duas rainhas que estavam a ponto de colapso com as arrumadeiras do casamento. Passou mais da metade da manhã prendendo o riso com as viradas de olhos de sua mãe para a rainha Anya. A cada dez palavras, nove a rainha Cecília queria expulsa-la do recinto. 

Quando chegou ao corredor, desviou de alguns criados que arrumavam os móveis, quadros, estátuas, cortinas e tudo que havia para concertar. Todos que a viam, curvavam-se, mesmo que ela ainda não fosse a duquesa de Slowyn. A princesa estava acostumada com reverência, mas ao lembrar que seria reverenciada como a duquesa Slowyn, ela tinha vontade de por todos seus órgãos para fora. 

Andou ainda mais rápido para que não visse mais ninguém cumprimentá-la e acabou esbarrando em Freya, quase a derrubando. Segurou a menina pelos braços, que riu da situação. 

— Me desculpe! — Anastasia falou ainda segurando nos braços da menina. — Você está bem?

— Zonza, mas bem. — Freya ainda sorria e a olhou de cima abaixo. — Para onde estava indo com tamanha pressa?

— Quarto. Meu quarto. 

— Fugindo, no caso. — Freya andou, rodeando a princesa. — Certamente não estava confortável com a briga de rainhas.

— São todos iguais. Por Deus! — Anastasia revirou os olhos. 

— Todos? 

— Os irmãos Slowyn. — Segurou a menina pelos ombros quando passou a sua frente, ficando de cara a cara com a garota. 

— Gosto de imitar a postura de Jasper. — Deu de ombros. — Meu irmão adora rodear as pessoas. Ele diz que... Espera. Foi rodeada por Adrian? 

— Não. — Respondeu rápido demais, quase na defensiva e se arrependeu do tom que usou. — O vi rodeando um soldado. — Mentiu. 

— Ah sim! — Freya confirmou com a cabeça, mas não acreditou nas palavras que ouvira. — Fazem isso para mostrar comando. Acostume-se. 

— Tentarei. 

— Preciso fazer a prova do vestido, antes de seu casamento. Mas adoraria passar um tempo com você. — Disse animada e olhou Anastasia com certa admiração. — Ouvi algumas histórias sobre você e meu Deus! Como estou animada para ser oficialmente sua cunhada. 

A princesa sorriu com a menina a sua frente. Sempre julgou todos da família de seu futuro marido como arrogantes e prepotentes, mas estava se surpreendendo com a gentileza de Freya, Adrian e a forma respeitosa com que Jasper a tratava, mesmo com todas as provocações que os dois costumavam fazer. Ela ainda queria vingar a morte dos seus irmãos e não poderia se dar ao luxo de apegar-se ou nutrir afeição por qualquer um que fosse. 

Anastasia já tinha um grande conflito interno, que não demonstrava a ninguém. Seu coração estava balançado com a proximidade de Adrian. Por muito pouco ela não o havia beijado no jardim do castelo, cometendo a maior burrice da sua vida e dando um rumo, talvez, sem volta. 

Do outro lado desse conflito havia Jasper. Por mais que o odiasse pela morte de seus irmãos, seus sentidos ficavam alerta sempre que ele estava perto. Seus olhos negros, seus cabelos loiros em um tom quase branco sempre com uma das parte presa, dava um ar de autoridade inegável. O duque mexia com ela, causava arrepios por todo corpo e sentia todo seu corpo responder as suas provocações e mesmo quando ela se esforçava para negar, não conseguia conter o impulso de vê-lo perder a compostura por ela. 

Depois de despistar a caçula dos Slowyn, chegou a seu quarto correndo. Andava de um lado para o outro pensando em várias formas de executar a boa vingança que faria com seu futuro marido. Não podia descansar um dia se quer. Ela sabia que não poderia envenena-lo, pois seria muito óbvio, já que sempre o ameaçava com tal coisa. 

Não tinha um plano em mente, só a grande necessidade de vingança. A futura duquesa sabia que sua atitude não traria seus irmãos de volta, mas aliviaria sua dor, mesmo que isso significasse passar o resto da sua vida presa. Mesmo que significasse decepcionar seus pais. 

Ainda que não tivesse um plano na sua cabeça, ela não facilitaria a vida de Jasper. Iria fazê-lo chegar ao limite. O provocaria, o diminuiria, o irritaria e passaria por cima das suas ordens sem pensar duas vezes. Seria a pior das esposas e o faria se arrepender de cumprir o acordo feito entre seus pais. 

Se assustou quando a porta de seu quarto se abriu e fechou na mesma rapidez, sendo trancada. Olhou para a direção do barulho e viu Adrian ajeitando a postura, com as bochechas coradas e prendendo o lábio inferior para não sorrir. Ele usava uma farda preta, mas estava com suas armaduras ausentes. 

— Precisa de algo, príncipe Adrian? — Perguntou um tanto confusa com a presença do homem em seu quarto. 

Mesmo sentindo que suas intenções eram boas, seu corpo ficou completamente tenso com a figura dele, trancado com ela no mesmo ambiente. Não sabia o motivo de sua chegada tão repentina e apressada. 

Ele andou até ela lentamente com os olhos fixos nos dela e curvou-se devagar, fazendo com que ela sorrisse para ele de forma automática. Anastasia não sabia muito bem como reagir perto de Adrian, principalmente depois do que ocorreu próximo as estátuas, nos fundos do jardim do castelo. 

— Sei que parece errado e creio até que seja, mas queria saber se não quer andar pelo jardim novamente? — Perguntou de forma rápida e sem respirar. 

Para conter o impulso de tocá-la novamente, Adrian colocou as mãos entrelaçadas nas costas e um nervosismo silencioso tomou conta do ambiente. Entre os dois também. A princesa sentiu seu estômago remexer por dentro e as mãos cruzadas para frente formigarem de animação, mas manteve sua postura contida. 

— Está louco? — Sussurrou, aproximando um pouco seus rostos, fazendo Adrian juntar as sobrancelhas em sinal de confusão. — Eu adoraria, mas não podemos ficar sendo vistos juntos pelo castelo. Poderão fazer conclusões erradas ao nosso respeito!

— Perdoe-me princesa. Freya disse que estava querendo fugir de sua mãe e da minha. Achei que as flores lhe fariam bem. 

— Disse a sua irmã que me encontraria? — Arregalou os olhos para ele e prendeu a respiração.

— A princesa Freya é de confiança. Não falará nada a ninguém. — Deu de ombros, suavizando a feição de confusão, deixando-a desconfiada. — Não se preocupe Anastasia, será apenas uma volta. 

— Terá que ser rápido. Não posso me demorar. — Sorriu para ele, que puxou-a pela mão e ambos sentiram o formigamento de seus toques. 

Os dois pararam ainda com as mãos dadas e se encaram, assustados por perceberem que tinham reagido do mesmo jeito quando suas peles se encontraram. Mesmo que fosse um toque inocente. 

— Anastasia! — Jude gritou do outro lado da porta de forma irritada, fazendo a princesa e o príncipe arregalarem os olhos. — Abra essa porta menina! O que está fazendo trancada nesse quarto? 

— Aí meu Deus! — Anastasia sussurrou e puxou Adrian até o armário. — Só um momento. Já vou abrir a porta! — Adrian a olhava segurando o riso e franziu a testa quando ela a empurrou dentro do armário. 

— O que está fazendo, Anastasia? — Perguntou também em sussurro. 

— Jude não pode se quer imaginar que está trancado aqui comigo. Ela me mataria e mataria você. — Ambos riam da situação. — Não faça nenhum barulho, não se mexa e não ria. É sério! 

— Me salvará de morrer sufocado dentro desse armário? — A princesa o olhou com deboche, enquanto Jude voltava a gritar por ela atrás da porta, demonstrando ainda mais irritação. 

— Minha vingança pode começar por você. — Adrian ficou sério e ela abriu um sorriso malicioso. 

Em um gesto impensado beijou a bochecha dele, corando em seguida. Assim que se afastou para fechar a porta de seu armário, Adrian a puxou pela cintura e lhe deu um selinho rápido. Ele mesmo entrou no suposto esconderijo e fechou a porta, deixando Anastasia em estado de choque, sendo despertada pelos gritos de Jude.

Se recompôs do ocorrido e foi até a porta, abrindo, vendo mude atravessar o quanto e olhar em volta, vasculhando alguns cantos. Voltou sua atenção para a princesa com os olhos cerrados em desconfiança. 

 — O que procuras, Jude? — Perguntou de forma sútil e calma. — Não tem ninguém aqui além de mim. 

— Vi o príncipe Adrian passar pelo corredor antes de chegar aqui. — Anastasia se fez de desentendida e deu de ombros. 

— E achou que ele estaria trancado comigo em meus aposentos? — Fingiu estar ofendida, mas Jude conhecia a menina e sentia que algo acontecia entre a princesa e o príncipe. — Ele é irmão do duque. Não deveria me colocar em uma posição dessas. 

— Peguei-a no colo, conheço você mais que seus pais. — Anastasia sorriu para a governanta e a abraçou. — Não gosto desse Adrian. Você precisa ser cautelosa com essa família. 

— Jude! Que isso? — A princesa assustou-se com as palavras ditas. 

A governanta nunca lhe disse quaisquer palavra ruim sobre a família Slowyn. Pelo contrário, obrigava Anastasia a aceitar seu casamento, sempre dizia que teria que se adaptar a vida de casada e ao nome que carregaria por toda sua vida. Estranhou a dureza no aviso dela. 

— Apesar de você não gostar do duque, vejo muito luz nele. Mas não vejo a mesma luz em seu irmão, portanto, tenha cuidado por onde resolver andar. 

— A viagem mexeu com sua cabeça. — Desdenhou das palavras de Jude. — Sei que tem dons, poderes, o que quer que seja, mas não conhece os irmãos para concluir tais coisas. 

— Se sabes que tenho dons, deveria ouvir-me. Nem tudo que parece é, então me ouça. — A mulher falou de forma arrogante. 

De dentro do armário que estava aprisionado, Adrian dava total atenção as palavras de Jude. Sabia exatamente do que a mulher estava falando, mas resolveu que não se deixaria abater pelas coisas ouvidas daquela conversa. 

— Veio ao meu quarto para alertar-me sobre Adrian ou tens algo a mais? — Jude respirou fundo ciente de que a princesa não lhe ouviria até a hora de saber quem era quem. 

Sabia o quão teimosa Anastasia era e preocupava-se com sua nova postura diante da família Slowyn. Ficaria se a princesa lhe pedisse, mas talvez, não pudesse impedir de acontecimentos futuros. Acontecimentos esses que Jude não sabia o que seria, mas sentia o mal pressagio a distância. 

— O duque lhe aguarda para um almoço a sós com ele. — Anastasia franziu a testa. — Parece que ele tem coisas a conversar com você, antes que se tornem marido e mulher. 

— Jasper quer que encher o juízo. — Reclamou, bufando e revirando os olhos. — Não consegue conter a ansiedade de me irritar. 

— Parece que vocês tem mais em comum do que imagina. — Jude sorriu para ela, a deixando brava. — Arrumaram um jeito de se dar bem. 

— Quando eu matar o crápula viverei em paz. 

— Não diga asneira, Anastasia! — Repreendeu a princesa, andando até o armário. — Vamos! Tenho que ajudá-la a se ajeitar. Venha escolher seu espartilho.

Jude passou a mão pela porta do armário, abrindo uma fresta, fazendo Anastasia arregalar os olhos e correr até ela, segurando seus braços. 

— Não! — Gritou com desespero, deixando a mulher desconfiada. — Não preciso de um espartilho. 

— O que é isso, menina? Me solte! — A governanta se livrou das mãos de Anastasia e encarou os olhos arregalados da menina, estreitando para o armário, voltando a atenção para a princesa e a observar engolir a seco. 

— Trocarei apenas de vestido. Não precisa me ajudar. — Falou de forma agitada, pensando em um jeito de se livrar de Jude. — Pode ir. Assim que eu estiver pronta, deixarei que me leve até ele. 

— Porque não posso lhe ajudar com a escolha do vestido? Nunca negou minha ajuda antes. 

— Jude, não seja tão emotiva. — Revirou os olhos. — Só quero me acalmar antes de encontrar Jasper. 

— Lhe deixarei sozinha, então. — A governanta sabia que havia algo errado no comportamento da princesa, mas não a deixaria alarmada sobre isso. — Estarei próximo a entrada do jardim. Me encontre lá. 

Anastasia sorriu em confirmação e observou Jude sair de seu quarto. Assim que a mulher atravessou a porta, trancou-a e correu em direção ao armário, puxando Adrian de lá e vendo ele respirar fundo, para recuperar o ar. 

— Você está bem? — Perguntou um pouco assustada com a falta de ar do príncipe. — Adrian?

— Respirando ar fresco novamente. — Brincou e levantou o olhar para a princesa. — Foi por pouco. 

— Você precisa ir agora. Terei que almoçar com Jasper. — Falou normalmente e percebeu a postura tensa que o homem a sua frente tomou, mas ignorou. — Pelo visto nossa ida ao jardim só acontecerá quando eu for duquesa. 

Adrian a encarou sério, tentando dissolver as palavras da mulher a sua frente. Mesmo que estivesse errado em todos os sentidos, ele não estava disposto a esconder os sentimentos que a cada dia mais crescia em seu coração pela futura duquesa. 

— Duquesa... — Ela o olhava apreensiva por ver que Adrian não fazia questão de esconder que estava nutrindo sentimentos por ela. — Meu irmão é um homem de sorte. 

— Eu não diria isso. — Se permitiram sorrir, diante da situação. — Seu irmão se arrependerá, por todas as vezes que me tirou do sério. 

— Não pode envenena-lo, Anastasia. — Brincou. — Todos saberão que foi você. 

— Tenho planos para ele, mas você não saberá. 

— É claro que não. — Andaram até a porta e a princesa destrancou. — Pretende me matar também? — Olhou-a com atenção. 

— E roubar seus olhos. 

Adrian ouviu suas palavras mais como um elogio do que ameaça e inclinou-se para lhe beijar novamente. Dessa vez a princesa não recoou, mas não se demorou em seus lábios. 

Assim que Adrian passou pela porta, virou-se para a Anastasia que o encarou com curiosidade. 

— Será que se eu usar roupas mas coloridas, Jude verá mais luz em mim? — Anastasia gargalhou e fechou a porta, tentando controlar toda a ansiedade do que acabará de fazer, aceitando o beijo de Adrian. 

No canto esquerdo do corredor, atrás de uma enorme cortina escura, Jude olhava para a porta de Anastasia e viu quando Adrian saiu de lá com um enorme sorriso no rosto. Viu também que havia um soldado, saíram de perto da porta e pararam próximo a Jude, fazendo a mesma se encolher mais para não ser vista. 

— Não a convenceu de ir até o jardim com você? — O homem perguntou ao príncipe, que o olhou ainda sorrindo. 

— Meu irmão lhe chamou para almoçar. — Deu de ombros. — Parece que quer acordar algo com ela antes do casamento. 

— E você vai mesmo continuar essa loucura com a futura duquesa? Adrian, isso é suicídio e põe tudo em risco! — O homem estava claramente nervoso. 

— Elijah... — Abaixou o tom de voz, mas Jude ainda o podia ouvir. — Anastasia é inteligente. Entende de conflitos e talvez, eu a convença de nos ajudar. 

— Enlouqueceu? Ela será esposa de seu irmão. É a próxima na sucessão do trono. — Elijah falou desacreditado. — Não pode estar falando sério. 

Adrian olhou para o lado e viu a sombra de Jude entre as cortinas. Deu um pequeno sorriso e balançou a cabeça negativamente. 

— Vamos sair daqui. As paredes tem ouvidos. 


Notas Finais


Espero que tenham gostado 🖤


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