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História Encoraja-me. - Capítulo 5


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Notas do Autor


Oi gente!
Tudo bem?
Eu sei que demorei a postar e peço desculpas, mas é que essa semana eu tava meio esquisita e preparando o capítulo avançado, porque pra quem não sabe eu tenho ela no wattpad, mas já está bem mais na frente. Está no capítulo 15 e preciso adiantar algumas coisas. Enfim, aproveitem!

Boa leitura 🖤

Capítulo 5 - Capítulo V


Fanfic / Fanfiction Encoraja-me. - Capítulo 5 - Capítulo V

Há dois anos atrás...

Era de manhã quando o navio dos Slowyn desembarcou em terras O'Harianas. Nele haviam apenas o rei Leônidas, Darius e o duque Jasper. Fizeram a viagem para uma apresentação um pouco incomum para que os noivos se conhecessem, sugerido pelo rei Sirius. Pai da princesa Anastasia.

O rei Leônidas havia conversado com Jasper sobre o pedido do rei de O'Hara e assim confirmaram através de cartas que iriam para o encontro deles imediatamente, pois faltava apenas um tempo para que o selo fosse oficializado. Sendo assim, os reis ficariam mais tranquilos.

A verdade era que por trás da idéia de Sirius, tinha a princesa Anastasia. A jovem de dezoito anos implorou ao pai que permitisse que ela conhecesse o futuro marido antes do casamento, pois faltava apenas seis meses para que ela completasse dezenove anos. Idade prevista para o casamento, mesmo que o acontecimento fosse contra o que ela queria.

Anastasia pensava como seu irmão mais velho, o duque e chefe de guarda Connor. Ela não era a favor do casamento ser visto como um selo de paz, já que o rei Leônidas tinha optado primeiro por pedir ajuda no reino dos Blackwood ao invés de O'Hara. Ainda que os conflitos tivessem diminuído, não tinham parado completamente.

Ao chegarem no palácio de O'Hara, foram imediatamente para a sala do trono, onde Sirius os receberia juntamente com Richie, já que Connor não queria participar da reunião, tendo em vista que não concordava com o casamento da irmã com um sangue puro de Slowyn.

Enquanto o encontro ocorria entre reis, no quarto alto, na parte de cima do palácio, Anastasia se arrumava e Jude ajudava ela a por o espartilho que a princesa havia escolhido para aquele dia. A menina havia escolhido um vestido cinza claro, que deixava sua pele mais brilhosa e acendia seus olhos.

— Connor saiu logo cedo, disse que não participaria disso. — Anastasia falou, sentindo culpa por ir contra o que o irmão havia lhe dito. — Você acha que se o pai não deixar isso de lado, meu irmão irá que perdoar?

— É claro! — A governanta sorriu. — Seu irmão está tentando lhe proteger, mas no futuro, ele entenderá tudo isso.

O silêncio se fez presente depois que Jude acalmou a princesa. Depois de ajudar a menina a se arrumar, a porta do quarto se abriu com força. Era Alena, a caçula dos O'Hara. Suas bochechas estavam vermelhas e seus olhos brilhavam junto ao enorme sorriso que iluminava seu rosto.

— Não tem educação? — Anastasia repreendeu a irmã que revirou os olhos para a ignorância da mais velha. — O que está fazendo aqui?

— Bom... Eu vi o duque. Queria lhe contar, mas acho que não está interessada. — Deu de ombros e andou na direção da porta.

Anastasia correu até ela, pegando-a pelos braços e a olhando com desconfiança. Sabia que a irmã era uma bisbilhoteira e não mentiria sobre isso. Absolutamente tudo que acontecia nas redondezas do palácio ela sabia e sempre que era levada a cidade, chegava com novidades sobre tudo e todos.

— Fale! Como ele é? — Perguntou a irmã, ainda segurando-a. — Alena!

— Lindo! — Levantou as sobrencelhas com um sorriso assanhado. — Incrivelmente lindo. Lindo demais para você. — Debochou da irmã.

— Lhe socarei a fuça se continuar com isso. — Apertou os braços da irmã, sendo separada apenas por Jude que se colocou no meio das duas.

— E olha que ainda nem virou duquesa.

— Chega! Vocês não são nenhum lutador de guerra para agirem dessa forma. — Repreendeu as duas meninas que se fuzilavam com o olhar. — Diga Alena, o que viu?

— O duque chegou com o rei Leônidas e um chefe de guarda. Apenas os três, como havia pedido ao papai. — Sentou-se na cama da irmã e voltou o olhar para a governanta e a princesa. — Parece que Richie levará você até eles, já que Connor não voltou mais para o palácio.

— Papai deve estar furioso.

— Está sim. Colocou tio Tito para encontrá-lo, mas conhece Connor. — Revirou os olhos. — Não dará o braço a torcer e baterá de frente com o papai.

Ouviram com atenção tudo que Alena falava sobre o duque de Slowyn. O quanto ele era bonito, posudo e tinha cara de malvado sedutor, fazendo o coração de Anastasia bater cada vez mais rápido e suas mãos tremeram um pouco. Por um instante a princesa temeu gostar do duque apenas pelas descrições que irmã lhe passava, fazendo Jude rir de suas feições assustadas e tensas.

Batidas na porta fizeram a conversa cessar e Richie adentrou o quarto, vendo as três mulheres paradas. Alena e Jude sorrindo e Anastasia com o rosto mais pálido que uma morta.

— Deixei-me adivinhar. — Brincou, olhando para Anastasia. — Alena veio fofocar sobre o duque e de sua beleza amedrontadora. — Todas riram.

— Então devo acreditar que ele lhe pôs medo, irmãozinho? — Anastasia debochou.

— Se acha que o duque de Slowyn me põe medo, está enganada Ana. — Fez uma careta para a irmã. — Vou para frente de batalha e tenho Connor como chefe de guarda, isso sim me dá medo.

Todas gargalharam e ouviram também a versão de Richie sobre os homens de Slowyn. Anastasia ficava cada vez mais tensa e se questionava se tinha sido realmente uma boa idéia ter perturbado a paz de seu pai para que conhecesse o futuro marido.

Depois de muitas conversas e risadas, Richie conduziu a irmã para o jardim do palácio. Sirius pediu que deixassem homens da guarda em volta de todo lugar, vigiando o encontro da filha com o duque para caso de ocorrer algo fora de sua visão, já que Anastasia o havia pedido um pouco de privacidade para conhecer o futuro marido melhor.

Assim que chegaram na entrada do jardim e avistaram os reis, o chefe de guarda e o duque de costas, a princesa travou. Pensou em tudo que Connor havia lhe pedido, lembrou que seu irmão não concordava com toda a situação. Anastasia não queria decepcionar seu irmão que sempre fora para ela como um herói. Connor havia lhe ensinado tudo sobre conflitos, guerras, negociações, reinados e também havia ensinado a menina a lutar, escondido de seu pai. Sabia o quão importante era para o irmão mais velho mantê-la protegida, ajudando-a até nos estudos que os filhos dos reis tinham em suas próprias casas.

— Está tudo bem, Ana? — Richie perguntou com receio. — Se quiser voltar para o quarto a levarei de volta. É só pedir.

— Tenho medo que Connor não me perdoe por essa atitude. — Olhou a cena a sua frente e depois para o irmão. — Ele não concorda com nada disso, Richie. E se algo der errado? E se ele estiver certo sobre esse casamento ser um plano para o reino de Slowyn destruir O'Hara?

— Não tem como saber disso. Você nem deveria entender desses assuntos! — Repreendeu a irmã de forma doce. — E se o duque for um homem de bem? E se vocês se derem bem?

— Ele é velho? — Estreitou os olhos para o irmãos, que gargalhou com sua pergunta. — Não tem graça, Richie.

— Ele tem a idade de Connor. Não é tão velho assim. Quatro anos de diferença entre vocês. — Observou a irmã ficar pensativa por um breve momento e estendeu o braço para ela. — Está pronta?

— Não. — Sorriu. — Mas perturbei tanto o papai para que isso acontecesse, que se eu não for, ele me mandará a forca.

— Sem pensar duas vezes. Você quase enlouqueceu á todos nesse lugar com esse assunto. — Anastasia revirou os olhos e empurrou o irmão.

Depois de respirar fundo repetidas vezes, deixou que Richie a guiasse para onde estava os homens no jardim. Quanto mais perto chegava, mas suas pernas ficavam amolecidas, mais seu corpo tremia, mais seu coração acelerava. Ela estava tão nervosa que poderia facilmente desmaiar com toda a situação, mas Anastasia sempre foi forte e decidida. Não se deixava abater por nada. Era tão teimosa quanto seu irmão Connor e seu pai Sirius.

Por toda a terra O'Hariana a princesa era conhecida por ser diferente das outras mulheres. Anastasia sempre tinha belos discursos sobre exércitos, comércios, povos e reinados. Podia facilmente comandar uma terra sozinha se quisesse, mas a hierarquia não permitiria tal ato. Ainda assim, Anastasia sabia se impor como ninguém e quando colocava algo em mente, não havia quem tirasse dela. Era a filha que mais tava trabalho para os reis.

Quando pequena fugia para ver o treinamento dos soldados e sempre era arrastada para casa de volta pelo rei, por Jude, pelo seu tio Tito que na época era chefe de guarda ou pelos seus irmãos. Depois que cresceu um pouco mais, Connor a levava escondida para treinar com alguns soldados e assim aprendeu mais do que deveria sobre mexer com espadas, armas de fogo e como lutar mão a mão com um soldado de guerra. Tudo que seu pai temia que ela aprendesse, pois dizia que isso não era coisa para que uma princesa aprendesse. Anastasia sempre teve o dom de deixar todos de cabelos brancos.

— Fique calma. — Richie apertou a mão da irmã com segurança enquanto se aproximavam mais dos homens.

Assim que chegaram Anastasia ficou entre seu pai e seu irmão. De frente para os homens de Slowyn. O rei Sirius fez as apresentações de ambos e a princesa sentiu suas bochechas queimarem ao olhar para o duque a sua frente, que a cumprimento com um aceno de cabeça, encantado ao ver a deslumbrante beleza da moça. Ambos trocaram olhares demorados até que o pigarro de rei Sirius os despertou, fazendo Anastasia abaixar a cabeça.

— Anastasia, minha filha. — O rei a chamou e ela imediatamente virou para seu pai. — Deixarei que se falem por mais tempo. Tem guardas por todo jardim, caso precise de ajuda.

Sirius olhou para o duque com desconfiança e espremeu os olhos, passando o recado que ele mantesse distância de Anastasia até o casamento e impondo algumas regras sobre os dois, fazendo Anastasia revirar os olhos e Richie e Jasper segurarem o riso.

— Fique tranquilo, Sirius. — O rei Leônidas falou, rindo da preocupação do rei com sua filha. — Jasper é um homem de honra, não precisa se preocupar. Pode confiar, não acontecerá nada. Darius o vigiará junto com seus soldados.

Sirius olhou para sua filha com desconfiança. Sua preocupação era mais Anastasia do que Jasper. Sabia do que a menina era capaz e sabia também que se ela tentasse sumir dos olhos dos soldados, conseguiria. Encantava a quase todos e sempre recebia pedidos sobre a mão de sua filha em casamento, até mesmo os que sabiam que ela já era prometida a um homem.

— Tudo bem. — Respirou fundo. — Deixarei que conversem, tenho assuntos de negócios para tratar com o Leônidas. E você... — Apontou para Richie. — Ache seu irmão.

Depois de breves olhares em direção ao jovem casal, todos saíram, cada um para um lado. Um silêncio constrangedor se fez presente no meio de Jasper e Anastasia que pareciam se observar.

Jasper estava encantado com o olhar cor de madeira da menina, seu corpo perfeitamente modelado dentro do vestido e sua bela cintura marcada pelo espartilho extremamente apertado. Voltou ao rosto da princesa e não conseguia olhar mais nada em volta enquanto observava como seus olhos brilhavam em sua direção. O duque sentiu seu estômago se remexer e o coração acelerar, lhe dando a sensação de tensão. Ele engoliu a seco quando ela sorriu para ele e sentiu que o mundo ao redor dele havia parado totalmente. Jasper nunca havia sentido uma sensação tão instensa na sua vida, principalmente por uma mulher. Seus cabelos enormes e ondulados voavam com a brisa, o que o permitiu sentir o cheiro de flores que vinha dela, o fazendo quase fechar os olhos.

Anastasia por sua vez estava com as pernas bambas com a presença do homem. Sua farda era toda preta com detalhes de aço, duas faixas de couro atravessado em seu peito e um cordão com o símbolo de Slowyn.

Jasper era o homem mais bonito que ela havia conhecido até aquele momento. Seus cabelos eram de um tom loiro que facilmente poderia ser confundidos com brancos, e eram longos. Iam até abaixo das axilas. Seus olhos eram tão negros que pareciam que iram engolir a princesa por inteiro. Seu rosto era fechado e ele claramente parecia nervoso e incomodado com o olhar estudioso de Anastasia sobre ele.

Seu maxilar era tão bem marcado que dava a impressão que estava de mal humor, misturado a barba que estava claramente começando a crescer. Todo seu rosto era tão perfeito que Anastasia chegou a pensar que ele não era real. Reparou no corpo do duque sobre a farda. Ele era esbelto, não tinha dúvidas que havia muitos músculos por debaixo daquela roupa, principalmente por seus ombros largos e postura perfeitamente reta, com as mãos para trás das costas. Poucos centímetros diferenciava seus tamanhos, visto que Anastasia era uma mulher alta, distanciando apenas um pouco eles dois.

— Anastasia. — Entendeu a mão para ele, empinando o nariz com um sorriso debochado e maldoso.

A fala da princesa afastou os pensamentos dele e quebrou o gigantesco silêncio que havia se feito entre eles. Jasper pegou a mão de Anastasia e achou estranho que suas mãos não era tão macias como a das mulheres que conhecia. Ela parecia ter pego em espadas por muito tempo e isso o fez sorrir. Depositou um beijo na mão da princesa, a fazendo arrepiar dos pés a cabeça, enquanto se encaravam.

Jasper abriu um sorriso para ela pela primeira vez e Anastasia piscou mais vezes que o necessário, admitindo para si mesma que mesmo que achasse tudo isso errado, tinha tirado a sorte grande por ter sido prometida a casamento a um homem lindo e sensual. Ao mesmo tempo que começou a aceitar a idéia, se repreendia por lembrar das coisas que seu irmão Connor havia lhe alertado.

— Jasper. — Respondeu a princesa, que sentiu seu coração acelerar ainda mais com o tom rouco e arrastado do duque. — Então, queria me conhecer?

— Queria. — Respondeu com firmeza, surpreendendo-o. — Queria saber quem era o homem com quem estou sendo obrigada a casar. — Sorriu com deboche.

— Eu deveria lhe pedir perdão por isso? — Respondeu no mesmo tom de deboche que ela.

— Já que perguntou, deveria sim.

— Pois não pedirei. — Sorriu e viu as bochechas da garota esquentarem de raiva, com olhar de dureza. Adorou aquilo. — Também não estou casando por vontade própria. — Deu de ombros.

— Crápula. — Revirou os olhos o fazendo abrir um sorriso ainda maior. — Você calado parecia mais agradável.

Ele a observou com cuidado e com a postura reta e mãos para trás começou a andar em volta da princesa, que se sentiu um pouco coagida, mas sabia que sua postura era exatamente para que causasse esse sentimento nas pessoas. Havia aprendido isso em um dos treinamentos que tinha tido com seu irmão.

— Então gosta do que vê?

— Se continuar a me rodear desse jeito, me causará um desmaio, duque.

Jasper parou de rodea-la, parando em sua frente, completamente deslumbrado por imaginar que não tinha conseguido intimidar a menina. Toda vez que rodeava uma mulher elas geralmente ficavam nervosas, mas Anastasia se quer tremeu com a postura adotada por ele e isso o instigou.

— Você é diferente. — Deixou o pensamento sair pela boca e se arrependeu quando a viu sorrir da sua conclusão.

— É o que dizem todos aqueles que me cortejam.

— Então é bastante cortejada? — Espremeu os olhos para ela, a fazendo bufar.

— Sou a filha do rei, o que esperava?

— E bastante audaciosa também.

— Tive boas instruções. — Desdenhou das palavras de Jasper. — Sabe, quando se é filha de um rei e pode se atrever a conhecer mais do que o permitido, nos tornamos imunes de homens como você.

— Homens como eu?

— Que tentam amedrontar mulheres.

— Não faço isso.

— Então o que acabou de fazer?

— Observei sua postura. — Tirou as mãos das costas e cruzou os braços, dando a visão dos céus para a princesa.

— Não sou um de seus soldados. — Anastasia imitou a postura do duque e sorriu de lado. — Não precisa me redear para me observar.

— Linguaruda.

— Dissimulado.

Sorriram um para o outro e Jasper começou a pensar que mesmo com um casamento forçado, ele havia tirado a sorte grande com uma princesa tão inteligente e astuta como Anastasia e talvez, isso significasse que não fosse tão ruim o acordo que seu pai havia feito com o rei Sirius em nome da paz de seus povos.

Ambos continuaram trocando farpas por um bom tempo, mas Jasper achou brechas para conversar de forma normal com Anastasia. Descobriu que a princesa tinha verdadeira adoração por jardins, flores e plantas. Descobriu que ela entendia mais de batalhas e soldados que qualquer mulher que conheceu. Em toda sua conversa com a princesa, o duque percebeu a verdadeira adoração que ela tinha por seus dois irmãos mais velhos e por uma mulher chamada Jude ao qual ela dizia ser a governanta do palácio da família.

Percebeu que a princesa era uma mulher estudiosa e que sonhava em viajar para conhecer outros povos, além dos reinos vizinhos que tinha e a cada palavra que Anastasia falava, ele se sentia mais encantado e atraído. Jasper não estava apenas encantado com sua beleza, mas com sua essência teimosa, linguaruda e astuta. Nunca imaginou conhecer uma mulher assim e que ainda havia tido a sorte de ser prometido á ela em casamento.

Anastasia por outro lado descobriu que apesar da cara amarrada de Jasper, ele era atencioso, respeitoso e muito intimidador. Mas por algum motivo ela se sentia bem na presença dele e começou a considerar o casamento algo bom, mesmo que tivesse que esconder isso de Connor, principalmente de Connor, já que Richie sempre era o mais calmo e sensato.

...

Jasper, o rei Leônidas e Darius passaram mais três dias no reino de O'Hara e o duque se aproximou mais do que esperava de Anastasia, ganhando inclusive, vários beijos dela, escondido de todos, claro. Ele estava empolgado com o casamento e sentia que seria algo bom, mas percebeu também que a princesa mudava completamente sua postura quando seus irmãos estavam perto. Principalmente quando esse irmão era Connor. Descobriu logo depois que Connor era contra o casamento e o acordo de paz entre os reinos, e temeu por isso, rezando para que ele não atrapalhasse seus planos com Anastasia.

Depois da partida dos homens de Slowyn do Reino de O'Hara, secretamente Jasper e Anastasia trocavam cartas para que mantivessem contato até o dia do jantar de oficialização da união deles. Jude viu Anastasia, secretamente, desabrochar como uma flor com toda situação. Richie também ficou sabendo das trocas de cartas e acobertava a irmã para que a situação não chegasse aos ouvidos de Connor, que estava sempre disposto a garantir que esse casamento não acontecesse.

Richie percebeu que toda vez que Connor falava que esse casamento era um erro e explicava as mesmas coisas de sempre para Anastasia, a irmã perdia um pouco do brilho no olhar e isso o deixava com o coração partido. Ele não podia fazer nada a respeito para ajudar Anastasia e não conseguia fazer Connor parar de pensar em dar um jeito desse casamento não acontecer. O máximo que podia fazer era torcer para que tudo desse certo e rezar para que independente de qualquer coisa, a família se mantivesse unida.

Anastasia terminou de se arrumar lentamente para encontrar Jasper. Ela pôs um vestido vermelho chamativo, com um belo decote provocante e deixou seus cabelos soltos, com as jóias em ouro branco a mostra. Deu uma olhada no espelho que havia em seu quarto e ficou satisfeita com o que viu. Uma bela mulher provocante, com sorriso triunfante e vingador.

Encarou-se por vários minutos no espelho, e por um instante se sentiu vacilar ao lembrar do duque. Jasper sempre foi respeitoso com Anastasia, nunca havia ultrapassado o limite que ela havia estabelecido há três anos atrás, quando se viram pela primeira vez. A princesa lembrou-se do quão encantada ficou com Jasper e em como seus olhos negros pareciam ver sua alma, sempre com um sorriso avassalador.

A princesa andou até uma cômoda na qual guardava uma caixa de lembranças que tinha trago de O'Hara. Andou até a cama com a caixa em mãos e a abriu, tirando de lá uma das tantas cartas que Jasper havia escrito para ela, antes da morte de seus irmãos. Apesar de todas as implicâncias e provocações que sempre trocaram, eles já haviam se dado bem antes. Ela já havia inclusive, beijado o duque escondido quando estavam em O'Hara.

Quando descobriu a morte de seus irmãos e soube que o executor era Jasper, Anastasia sofreu. Sofreu de ódio, de ranco, sofreu por o homem a quem ela se permitiu gostar, tê-la traído daquela forma. Matando seus irmãos. Ela nunca perdôo o duque por isso e dentro de seu coração, sentia que tudo isso não havia passado de um plano para enganar a família real de O'Hara. Anastasia se culpou por não ter ouvido Connor, na época em que tudo ocorreu. Se culpou por ter se deixado levar pelos sentimentos que tinha se permitido ter por Jasper.

A princesa ainda podia sentir a tensão que existia entre eles, mas não conseguia o perdoar. Não conseguia se quer imaginar entregar-se ao homem que destruiu sua família mais rápido do que qualquer conflito. Ela decidiu que odiaria Jasper pelo resto dos seus dias e que o mataria para vingar todo o mal estar que ele havia causado um dia.

O problema era que a princesa se via entre a razão e a emoção toda vez que o duque estava perto, e isso mexia com sua cabeça. Ela estava destinada a brigar com seu coração se fosse necessário, mas lutava para acreditar que jamais deixaria Jasper levá-la por palavras novamente.

A raiva das lembranças que ela tivera com aquela carta em sua mão deixou-a irritada. Guardou com força o papel na caixa e o levou até a cômoda novamente. Saiu do quarto apressada e andou até a entrada do jardim, onde Jude havia pedido para que ela a encontrasse.

Assim que avistou a governanta, parou ao seu lado com olhar distante e a cabeça viajando em momentos que na verdade ela queria esquecer. Jude a observou olhar o jardim arrumado para recebê-la, sem ninguém para atrapalhar o encontro do duque com a futura duquesa.

— Você está bem, pequena? — Jude passou a mão pelos braços da princesa que a olhou com os olhos um pouco brilhosos. — Anastasia? Você está bem?

— Não quero vê-lo, Jude. — Falou com a vez entristecida. — Eu não consigo olhá-lo sem pensar em tudo que aconteceu.

— O quer morto, sei disso. — Jude falou para brincar com a menina, mas não deu certo. Anastasia parecia distante. — Ainda sente algo por Jasper?

Anastasia a olhou de canto, pensando em como queria negar aquela pergunta de Jude, mas não a fez. Seu silêncio respondera mais do que precisava falar. A governanta abraçou a princesa em forma de lhe dar um pouco de força e sorriu quando se afastaram.

— Vou fazê-lo pagar, Jude. Eu juro que vou.

— Não pense mais nisso. — Repreendeu a jovem. — Apenas ouça o que ele tem a dizer e se sentir ameaçada, o que duvido muito, apenas vá para meu quarto.

— Ele jamais me ameaçaria. Não tem culhão para tal coisa. — Deu um sorriso sarcástico, fazendo Jude abrir um sorriso para ela.

A governanta explicou que o local estava restrito para o restante do pessoal do castelo e que Jasper havia pedido privacidade para ter um tempo de conversar com a princesa antes do casamento. Anastasia revirou os olhos com tamanha audácia do homem com quem iria se casar.

Adentrou o jardim, na parte reservada a eles e olhou em volta, não encontrando ninguém. Viu uma mesa pequena e redonda, com algumas rosas em cima e refeições simples como bolo, torta e biscoitos, com suco e vinho. Engoliu a seco com os cuidados que Jasper havia tido para agrada-la com toda aquela preparação, mas preferiu alimentar sua lembrança com a notícia da morte de seus irmãos e enrijeceu a postura.

— Jasper? — Chamou na intenção de saber se ele estava ali e avisar que havia chego.

O duque chegou por trás dela, pegando em sua cintura, apertando e a assustando de leve, fazendo-a olhar com o rosto vermelho de raiva. Jasper adorava definitivamente os tons que vermelho que sua pele alcançava quando ficava irritada.

— Inferno! — Socou o braço do homem a sua frente, que ria de forma escandalosa da situação. — Todos nesse lugar resolveram por meu coração a prova com sustos.

O duque se recuperou da risada e passou os olhos sobre Anastasia, que quase não conseguiu falar, quando percebeu o corpo iluminado pelo exótico vestido vermelho e um belo decote amostra. Ele tinha consciência que a princesa fazia isso para provocá-lo e por mais que mantivesse o respeito por ela, não podia negar o desejo que sempre teve pela mulher desde que se conheceram.

Se odiava por todo ocorrido que havia acontecido e pela morte dos irmãos de Anastasia que a fizeram odiá-lo com tanta força, que não conseguia imaginar outra forma de diálogo com a futura duquesa a não ser suas provocações. Jasper se encantou com a princesa assim que a conhecera, mas nunca havia contado isso á ela e depois de todo conflito entre as famílias achou que a melhor decisão era manter a postura de sempre com ela.

— Quem anda lhe assustando, princesa? — Perguntou se forma sedutora e aproximando-se dela, tirando o cabelo preso em seus olhos, baixando um pouco a guarda de Anastasia. — Fale para mim que eu o repreenderei.

— Todos. — Revirou os olhos, se livrando das mãos dele. — Sou isca fácil para vocês. Sou uma O'Hara, se esqueceu?

— Porque acha que lhe querem mal?

— Me chamou aqui para passar o tempo descrevendo as formas de me manter presa nesse casamento arranjado ou tem algo a dizer? — Cuspiu a pergunta com tanta força que Jasper deu um passo para trás.

— Tenho algo a dizer.

O duque andou até a cadeira escolhida para Anastasia e a puxou, indicando que ela deveria se sentar. Foi um verdadeiro cavalheiro, despensando os empregados e ele mesmo servindo Anastasia, que estava tensa com a situação. Sentia as mãos suarem, mas manteve a postura rígida por fora. Jasper puxou sua cadeira para o lado dela, ela apenas o olhava de canto.

— Pretende demorar? — Ergueu uma sobrancelha, encarando o olhar negro a sua frente, que a encarou da mesma forma.

Ambos trocaram olhares por vários minutos sem pronunciar uma palavra se quer e Anastasia foi a primeira a desviar, remexendo na taça com vinho que havia sido servida. Jasper permanecia a olhando com cuidado, estudando o comportamento da mulher.

— Sei que a última coisa que deseja nessa vida é me ter como marido, depois de tudo que aconteceu. — O duque finalmente se pronunciou, chamando a atenção da princesa para ele. — Sei também que a magoei demais com tudo e acredite, era a última coisa que eu queria, mas era matar ou morrer Anastasia.

— Chamou-me para explicar como matou meus irmãos? — Arfou um sorriso debochado e magoado.

— Lhe chamei para implorar para tentarmos um bom começo ou recomeço. Não sei. Como desejar ver.

Anastasia mantinha a expressão fechada, apesar de seu coração estar querendo sair do peito com as palavras de Jasper. Não demonstraria nada á ele. Não o deixaria acreditar que ela o daria a oportunidade de paz após o casamento.

O duque abaixou a cabeça, claramente pensando em algo a mais que pudesse falar para convencer a mulher que poderiam ter um pouco de paz, sem que precisasse contar a verdade á ela.

— Desejo lhe ver morto, Jasper. Desejo me vingar por meus irmãos. Já lhe disse que a pior decisão que tomou foi continuar com esse selo ridículo de paz.

Levantou da cadeira, furiosa com a situação, mas Jasper foi rápido e antes que a princesa pudesse sair, ele a segurou pelo braço.

— Anastasia, por favor. — Falou em um sussurro, ainda segurando-a e encontrando seu olhos. — Não podemos desfazer o que nossos pais fizeram.

— Você é um duque. Poderia reverter toda essa situação. Sabe disso! — A respiração dela já estava descontrolada, não só pelas palavras, mas pelo toque de Jasper. — Eu te odeio. Te odeio tanto, que você nem imagina.

— Acha que não sei? — Endureceu a voz com ela, que calou-se com a frieza dele. — Acha que não me arrependo todos os dias? Tudo seria diferente, Anastasia. Tudo seria mais fácil.

— Seu arrependimento não tratá Connor e Richie de volta. — Deixou a voz estremesser com o choro que começou a segurar. — Se eu matasse Adrian e Freya, ainda estaria aqui comigo? Ainda iria fazer de mim sua mulher?

O duque soltou os braços de Anastasia e massageou as temporas por perceber que jamais haveria acordo algum com sua futura esposa. Ela jamais perdoaria o passado.

Sabia que podia mudar todo o cenário contando a verdade para Anastasia, mas não podia fazer isso. Prometeu que não faria. Respirou fundo e voltou seu olhar para a mulher a sua frente e o doeu ver que ela estava com os olhos cheios de água.

— Não me respondeu, duque.

— Me perdoa. — Anastasia arregalou os olhos com as palavras de Jasper. Ele havia pegado a mulher desprevenida, fazendo os olhos mel tremerem ao ver a sinceridade nos olhos negros. — Mas não posso mudar o passado.

— E não mudará o presente.

A princesa deixou a lágrima cair sobre suas bochechas e antes que pudesse limpar, Jasper o fez. Aproveitou para acariciar o rosto de Anastasia, que apenas o olhava com a respiração acelerada e tentando manter a sanidade para sair dali.

Os dois tinham muita tristeza no olhar. Ela por se sentir traída todo o tempo e ele por não poder lhe contar tudo que queria.

— Anastasia...

— Para. — Falou, segurando a mão do duque e a afastando de seu rosto. — Nada do que falar mudará o que estou disposta a fazer. Não perca seu tempo.

Jasper apenas assentiu. Não tinha o que dizer a princesa.

— Podemos apenas tentar comer civilizadamente?

— E fingir que tudo está bem? Fingir que nada aconteceu?

— O que quer que eu faça Anastasia? Não posso desfazer as coisas! — Suspirou na tentativa de manter-se calmo. — Ainda podemos falar sobre nosso acordo?

— Sobre me deitar com você? — Debochou.

— Sobre respeito entre nós, Ana.

— Respeito? Esqueça Jasper! Não terá nada de mim a não ser desprezo. — Fechou os olhos para que se acalmasse um pouco e voltou seus olhos para o duque. — E não me chame de Ana.

— Se eu pudesse, mudaria tudo. Juro que mudaria. Mas não posso.

— Não confio em você. — Espremeu os olhos para ele.

— Ao menos pense sobre a proposta e quero lhe dar uma coisa, antes do... Do casamento.

— Me deixe em paz, Jasper.

Viu Anastasia se virar e caminhar para dentro do castelo, sem ao menos comer o que tinha na mesa. Puxou do bolso a caixinha com o anel que queria lhe dar antes do casamento, mas não conseguiu falar para ela um terço do que pretendia. Não sabia o que fazer para aproximar pelo menos um pouco a princesa, e acabou virando a mesa com tudo que havia sido preparado.

Sentia seu corpo esquentar pela raiva com todos sentimentos que guardava, que abafava. Ele não queria se sentir preso, não quero passar o resto dos seus dias aturando a frieza e a maldade de Anastasia. Não queria ter que tomar medidas para qualquer loucura que ela viesse a cometer para cumprir com a vingança que planejava. Vingança essa que ele nem sabia como seria, por onde ela começaria.

Ao longe, Adrian viu Jasper descontar a raiva nas cadeiras de madeira do palácio com chutes. Correu para ver o que havia acontecido com o plano que ele havia preparado com a futura duquesa.

Assim que Adrian se aproximou dele, o virou com força para si.

— Jasper! — Gritou para chamar sua atenção. — Acalme-se irmão! O que houve?

— Só queria saber o que fiz para que minha vida se transformasse nesse grande inferno. — Massageou os olhos, se sentindo completamente frustrado e cansado.

— Ela ainda fala em vingança?

— Matei os irmãos dela e agora vou passar o resto da vida preocupando-me com a possível idéia que ela me mate. — Sua voz era atordoada e mesmo que aquilo o machucasse, não conseguia conter a idéia de viver com um pouco de paz. — Não posso repudia-la por me odiar.

De alguma forma, ver seu irmão naquele estado o havia deixado culpado, por conseguir ter se aproximado de Anastasia com facilidade e Jasper não. Tinha medo que pudesse gerar uma situação ainda pior do que a que estava acontecendo. Adrian já não sabia o que falar para Jasper. Não por sua própria situação, mas porque se sentia no meio de um furacão.

— Jasper, eu sinto muito. — O príncipe colocou as mãos nos ombros do irmão, em sinal de compreensão.

— Está tudo bem. Já me acostumei a contar essa versão da história, Adrian.

— Com o tempo a princesa deixará essa vingança de lado. — Aconselhou o irmão, mantendo calma em suas palavras. — Um dia ela entenderá e esquecerá.

— Eu não esqueceria se fosse com você e Freya.

— Gosta dela?

— Algum dia, desde que a conheci, deixei de gostar? — Adrian engoliu a seco as palavras do irmão, dando-lhe um abraço rápido e o puxou.

— Vem. Vamos chamar alguém para arrumar essa bagunça. 


Notas Finais


⚠️ Passando pra avisar que: ⚠️

• Os capítulos dessa história a partir de agora são enormes. A maioria deles passam de 5M de palavras.

• Essa história tem muitos detalhes e ela é super complexa. Um enredo leva a outro, mas tudo começou no passado de todos os personagens.

• Detalhes bobos são os mais importantes, então não deixem passar desapercebidos.

• Cada personagem é de extrema importância para todos os acontecimentos, então TODOS são importantes para absolutamente tudo.

• Nenhum dos personagens são mocinhos. Todos tem um passado, um erro e uma cicatriz, então, mantenham o coração batendo.

▶️ Essa história possui alguns gatilhos. Se você for muito sensível, não leia ou observem o primeiro aviso lá em cima. Até o momento é isso! ◀️

Espero que tenham gostado 🖤


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