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História Encoraja-me. - Capítulo 6


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Notas do Autor


Oi gente!
Mais um capítulo pra vocês!
Espero que gostem 🖤

Capítulo 6 - Capítulo VI


Anastasia já estava acordada olhando para o teto de seu quarto, pensando que em poucas horas estaria se casando com Jasper e que há apenas alguns anos atrás essa idéia parecia excelente, mas tudo desabou. A imagem de seus irmãos não saía de sua cabeça e durante toda a noite sonhou com Connor, dando todos os seus discursos sobre esse casamento repetidas vezes.

A princesa conseguia ouvir nitidamente a voz do irmão brigando com seu pai para que não permitisse que esse selo acontecesse, pois temia que a entrega de Anastasia ao reino de Slowyn traria problemas e uma possível destruição de O'Hara. Também se lembrava de como seu pai ria do discurso do filho o deixando sempre irritado e estressado, sendo acalmado apenas por ela.

Estava perdida em pensamentos quando Jasper invadiu o quarto com sua roupa de dormir faltando. Usava apenas sua calça de pano e tinha uma taça de vinho na mão. Subiu em cima da sua cama e fez uma pose esquisita, erguendo a taça para o alto. Analisou a imagem a sua frente devagar e percebeu que o duque estava o dobro mais musculoso do que quando se conheceram e o viu desnudo em uma situação não muito agradável.

Anastasia se apoiou nos cotovelos olhando todos os músculos que Jasper escondia embaixo das fardas que usava com frequência. Seu peito era totalmente definido, e sua barriga havia mais divisões do que conseguia contar. Os braços de Jasper eram tão musculosos que faziam algumas veias saltarem, junto ao belo par de ombros largos. Ele não se virou muito para ela, mas ainda assim, ela conseguiu ver algumas cicatrizes nos dois lados de seu corpo, mas não as das costas.

A cena deixou Anastasia completamente incrédula.

— O que está fazendo?

— Bom dia futura duquesa! — Gritou com animação e um enorme sorriso. — Levanta que hoje é nosso dia. Dia que juntaremos nossas tralhas! Você terá que cortar minhas unhas dos pés e terá permissão para usar meu corpo do jeito que quiser.

— Isso não é sério. — Bufou e deitou na cama, cobrindo a cabeça com o lençol. — Vai embora, Jasper. Não tem nada para comemorar.

Sentiu o colchão macio afundar ao seu lado e sabia que ele estava a encarando. Não queria olhá-lo, não queria vê-lo, nem queria ter visto toda sua animação para concretizar um ato que ele sabia que ela abominava. Respirou fundo várias vezes, mas estava ficando sufocada embaixo do lençol, então manteve seus olhos fechados e retirou o pano do rosto.

— Ana? — O duque a chamou pelo apelido que tanto odiava, mas ela apenas resmungou. — Primeiro: não estou bêbado. E bom, achei que uma surpresa pela manhã poderia ao menos amenizar toda essa tensão de casamento.

— Saiba que apenas piorou. E fico ainda mais irritada por saber que você invadiu meus aposentos. — Falou com pesar na voz, ainda com as lembranças dos irmãos e olhos fechados. — Dá azar ver a noiva antes do casamento, sabia?

— Não me lembro de você ser uma pessoa superticiosa.

— Nao sou. Só quero que saia daqui. — Grunhiu de raiva. — Não temos motivos para festejar.

— Bom, talvez, vir até aqui e contradizendo a supertição, nosso casamento possa ter o efeito contrário. — Jasper observava Anastasia que permanecia com os olhos fechados ao seu lado. — Como tudo começou errado, pode ser que dê certo.

— Não tenha essa esperança sobre esse selo. Porque o que estamos fazendo é apenas isso. Um selo entre povos. — Anastasia finalmente abriu os olhos e encarou o duque com cabelos soltos e feições entristecida a sua frente. — Esse casamento é apenas um acordo, desde o início.

— Precisa começar a considerar que teremos que conviver mais que o necessário e em algum momento, você precisará de paz.

— Depois da noite no quarto de núpcias, que não temos como escapar de dormirmos no mesmo ambiente, me prometa que dormirei em um quarto longe e separado do seu. — O duque engoliu a seco, olhando para as feições rígidas de Anastasia. — Pode fazer isso, duque?

— Posso tentar, mas não posso lhe prometer.

A princesa deu de ombros e voltou seu olhar para o teto, assim como o duque e mesmo que odiasse admitir, não sentia vergonha de Jasper e nem desconfortável com sua presença. Era uma profunda briga entre razão e emoção que há quase todo tempo ela vivia. Desde que havia chego ao palácio, sentia todos seus sentimentos entrarem em combustão, não apenas por conta de Jasper, mas pelo estranho sentimento que se criou dentro dela em relação ao príncipe Adrian.

Adrian ao contrário de Jasper era minucioso, estratégico, porém, não invadia seu espaço. Estava sempre disposto a fazê-la se render de alguma forma, mas ela sabia que não era certo deixar seu coração acelerar por ele, mesmo que fosse involuntário. Ainda que deixasse se levar por isso, tinha consciência que seu coração sempre seria de Jasper, mesmo que não fosse admitir em voz alta e muito menos para ele ou qualquer outra pessoa. Se concentraria apenas em vingança.

Anastasia olhou para Jasper ao seu lado e ele retribuiu o gesto. Ambos ficaram sérios, pensando em como seriam suas vidas após a cerimônia e na manhã seguinte, quando finalmente tivessem que conviver para o resto de seus dias.

— Anastasia... Óh céus! — Jude arregalou os olhos quando viu os dois deitados na mesma cama, com feições confusas. — Vocês estão loucos? Por acaso perderam completamente o juízo? Não vá me dizer que resolveram se entender nas vésperas do casamento? Não poderiam esperar até às núpcias?

Anastasia e Jasper se entre olharam e deram uma risada escandalosa do pavor estampado nos olhos da governanta, que estava a ponto de bater nos dois com tanta força, que acabaria tendo um enterro ao invés de casamento. Os dois se contorciam na cama de tanto rir e ao mesmo tempo que Jude achou tudo aquilo agradável, não podia permitir que tal ato acontecesse.

— Parem agora com essa imprudência! — Gritou, fazendo os dois segurarem o riso imediatamente. — Jasper, saía desse quarto antes que eu lhe coloque para fora. — O repreendeu.

O duque ergueu as mãos para a governanta em sinal de obediência, pegando a taça que havia posto no armário. Olhou uma última vez para Anastasia e saiu. O olhar da futura duquesa permaneceu na porta por vários instantes, repassando em sua cabeça a conversa que havia tido com ele antes de Jude entrar no quarto.

— Será que um dia irei te perdoar? — Sussurrou para si mesma, pensando em Jasper que naquela altuta, já estava quase chegando em seu quarto novamente.

Voltou seu olhar para Jude que reclama sem parar da irresponsabilidade de deixar que o duque entrasse em seu quarto no dia do casamento, que isso poderia causa uma má fama por todo palácio e pelos convidados que estavam hospedados para a festa. Anastasia estava olhando para a governanta, mas não prestava atenção em nenhuma palavra que saía de sua boca. Estava tensa demais pensando no restante dos seus dias com a família Slowyn, com Jasper, com Adrian e pensando em uma forma de se vingar de todos eles. Até mesmo de Freya.

— Está me ouvindo? — Jude deu um tapa leve na testa da princesa, a fazendo rir da cara de brava dela. — Levante, tome um banho, que chamarei as mulheres que sua mãe e sua futura sogra chamaram para lhe arrumar. — Anastasia apenas confirmou com a cabeça, deixando a mulher preocupada. — Está calada. Pensei que quando chegasse estaria explodindo de ódio e gritando por vingança aos quatro cantos desse lugar.

— Não é você que sempre diz que o que está feito, está feito? — Jude engoliu a seco as palavras tão duras da menina que tanto se preocupava. Observou a menina se levantar lentamente e sentar na cadeira de frente pra o espelho.

De todos os filhos dos Reis de O'Hara, Anastasia era a mais grudada com a governanta desde recém nascida. Fazia tudo com a mulher do lado e chorava quando não podia ficar com ela. A menina cresceu amando mais Jude do que sua própria mãe, tamanha era a ligação das duas. A princesa estava convicta de que não deixaria Jude partir para O'Hara. Não podia ficar sem ela. Não no palácio da família de Jasper. Ela não aguentaria ficar sozinha, pois já havia perdido pessoas demais em sua vida.

Jude tinha um amor incondicional por Anastasia. Dizia que a menina não tinha saído dela, mas que era dela. Zelava pela pequena rebelde desde que aprendera a falar e estava apreensiva com toda situação que haviam colocado sobre os ombros de uma moça tão jovem como ela. Tinha visto de perto todo sofrimento da princesa, não só pela perda dos irmãos, mas também por se sentir culpada o tempo inteiro por tudo ter acontecido.

Tentava sempre convencer a Anastasia que o ocorrido nada tinha haver com as palavras de Connor para ela, mas nunca conseguiu convencer a garota a se livrar dos pensamentos de vingança contra seu futuro marido. Anastasia não aceitava que tudo não teria passado de uma falta de informação e diálogo, mas para a menina não era suficiente.

— Quer me falar algo antes que esse quarto se encha com outras mulheres? — Abraçou a princesa por trás e abriu um belo sorriso para ela, encarando-a pelo espelho.

— Não consigo parar de pensar em meus irmãos, em tudo que me falaram. Tudo que Connor falou. — Cutucou as próprias unhas. — Sinto falta deles, sabe? Falta da proteção sem limites de Connor e das piadas tolas de Richie, principalmente das brigas deles. — Arfou um sorriso triste. — Queria ao menos que o corpo do Richie tivesse sido encontrado, como o de Connor.

— Sabe o que eu acho? — Virou o rosto de Anastasia para o seu. — Acho que independente de qualquer coisa, eles iriam querer sua felicidade. Lembra-se de como Richie fez questão de lhe ajudar com as cartas para Jasper? Empenhou-se para que Connor não descobrisse. — Conseguiu arrancar um sorriso da menina, um sorriso sincero. — O duque não é um homem ruim, Anastasia. Ao menos dê um pouco de paz á ele.

— Vá chamar as arrumadeiras para que eu comece meus banhos e toda a preparação, por favor. — A princesa ignorou o pedido de Jude e olhou para o espelho, pegando um pente e desembaraçando os longos cabelos. — Quero acabar logo com isso.

A governanta se apressou em sair para que o dia de noiva de Anastasia começasse rápido, assim como a mesma exigia. Sabia que para a princesa o casamento era como um dia de luto.

Anastasia estava linda com um vestido branco todo liso. Apenas uma bela cintura marcada pelo espartilho, por baixo e os botões que mais pareciam cristais que fechavam seu vestido na parte de trás, por todo caminho da coluna. O cabelo da princesa estava soltos com cachos modelados por Jude e apenas duas pequenas mechas presa uma em cada lado da cabeça.

A rainha Cecília pegou a enorme capa branca que ficaria presa sobre os ombros de Anastasia, com couro branco nas bordas do pescoço. Sorriu para a filha quando pegou o pingente redondo de ouro branco com o as letras O'H, que era a marca do Reino de O'Hara e fechou a capa da filha com delicadeza. Deixando apenas a parte da frente do vestido liso a mostra.

Todas as jóias de Anastasia eram de ouro branco. Seus braceletes eram grossos e ficaram um em cada braço. Seu cordão de diamantes estavam escondidos sobre a capa que usava por cima do vestido. Assim que a rainha Cecília assentiu para a princesa, elas se viraram para o enorme espelho que tinha no quarto. Jude havia passado amora no rosto da futura duquesa e em sua boca também, para que ficasse mais corada e ainda mais deslumbrante.

— Nunca imaginei que seria uma noiva tão extraordinária, minha filha. — A rainha olhava a imagem da menina no espelho cheia de amor e cuidado, mesmo sabendo que todo ocorrido ia contra o que Anastasia queria. — Deixará muitas a olhando atravessado.

— Como se eu me importasse com isso. — Revirou os olhos. — A cerimônia demorará para acabar?

— Você deveria se deixar animar um pouco, não acha? — Alena falou da poltrona que estava sentada, comendo frutas. — Não é tão ruim virar duquesa de Jasper. Quer dizer, ele é lindo, perfeito e tem cara de malvado.

— E assassino de nossos irmãos, também. — Endureceu a voz para a caçula, que engoliu a seco, com o olhar frio da irmã. — Pergunto-me que tamanha lealdade é essa que você e papai tem por esse povo de Slowyn, que mesmo depois da morte de seus filhos, insistem nessa loucura de casamento como acordo de paz?

Anastasia olhou para as três mulheres a sua frente, que nada disserem com o discurso indignado da princesa. Nenhuma delas havia superado a morte dos dois jovens meninos, mas não podiam fazer nada a respeito de uma decisão dos Reis e de seus respectivos parlamentos. A rainha Cecília aproximou-se da filha e a abraçou de forma doce, transmitindo o máximo de compreensão que ela poderia ter por toda a situação.

Batidas na porta fizeram com que as duas se afastassem. Olharam para a porta e ficaram surpresas ao ver a Rainha Anya passar por ela junto a uma criada. Anya estava com um belo sorriso no rosto, vestido azul claro impecável, cheia de jóias de ouro, com uma capa azul escura presa com um pingente e os cabelos que tinham a mesma tonalidade dos de Jasper, soltos. Seus fios eram tão compridos, lisos e escorridos que não pareciam reais. Anastasia sabia bem de onde vinha a beleza de seu futuro marido.

— Você está radiante, Anastasia. — Anya a olhou de cima a baixo, pensando que o filho havia tido sorte de ser prometido a uma mulher tão magestosa. — Melhor do que cheguei a imaginar.

— Obrigada, majestade. — Anastasia agradeceu e forçou um sorriso para a mulher.

A rainha Anya fez um gesto para que Anastasia não precisasse agradecer. Pegou uma caixinha que estava nas mãos da criada e a abriu, mostrando o pingente dourado, com o desenho de uma pantera de olhos de diamantes saltando do quadrado na caixa.

— Vim apenas lhe entregar isso. Posso? — Apontou para a capa da princesa que confirmou um aceno de cabeça.

A rainha se aproximou de Anastasia com delicadeza, entregando a caixa para a criada e colocando o pingente de ouro pendurado em cima do pingente de ouro branco de sua família. A menina engoliu a seco o gesto de sua futura sogra.

— Esse é o símbolo de Slowyn. — Anya falou, enquanto ainda ajeitava o pingente grande na capa da princesa. — E como você carregará o nome de nosso reino a partir de hoje, achei justo que o pingente que representa nossa família fique por cima do de O'Hara.

Anastasia controlou toda raiva que passou por seu corpo diante das palavras de sua futura sogra e apenas confirmou, deixando a cargo de rainha Cecília agradecer pelo gesto. A princesa se quer conseguia respirar diante da situação a sua frente e também não conseguia olhar o pingente de ouro que brilhava mais do que todo ouro branco de suas jóias. Aquela era a confirmação para a menina que a partir dali seria uma O'Hara Slowyn. Carregaria para todos sempre a junção dos povos e se algum dia tivesse um herdeiro, ele também carregaria o mesmo nome.

— A propósito. — A rainha Anya virou a atenção para a princesa. — Fiquei surpresa por saber que não terá votos trocados de casamento. Posso saber porque?

— Claro! — Anastasia falou com sarcasmo. — Foi um acordo entre meu pai e o duque, em meu nome. — Anya olhou para a menina com confusão nos olhos. — Acho que a rainha entende que esse casamento é apenas um selo de povos e que também não teria nada de tão agradável para falar ao assassino de meus irmãos.

— Anastasia! — Sua mãe lhe chamou atenção por a menina ter sido tão rude, mas Anya apenas sorriu.

— Tudo bem, Cecília. Não deve ser fácil estar nessa situação. — Olhou com uma dureza disfarçada para Anastasia. — Mas saiba que se meu filho fez algo de tamanha grandeza a qual o acusa, não foi motivos banais.

— Perdoe-me por isso, Anya. — Cecília disse sem graça, encarando a filha com reprovação, enquanto a mesma encarava a futura sogra. — Ela não queria lhe ofender.

— Não ofendeu-me. Bom, até mais. — Anya se virou e andou em direção a porta. A rainha estava completamente indiganda com a astúcia de sua futura nora, mas não deixaria baixo a ofensa a seu filho. — Anastasia? — Virou-se antes de sair dos aposentos, vendo todas as mulheres olharem em sua direção. — Devo lhe alertar para tomar cuidado ao andar pelo jardim do palácio. Ele tem olho, boca e ouvido.

A princesa engoliu a seco as palavras da rainha Anya, percebeu a malícia em sua voz e notou também que a mesma falava de seu encontro com Adrian e não seu almoço arruinado com Jasper. Anastasia sentiu o frio subir a sua espinha com a última olhada que recebeu de sua futura sogra, mas mal sabia a rainha que Anastasia era dissimulada demais e a encarou com nariz empinado.

— Deixarei que as flores falem por mim, então, majestade.

O rei Sirius e Anastasia estavam parados na frente da enorme porta de madeira que separava o silêncio do palácio e o burburinho dos convidados no salão que ocorreria o casamento. A princesa encarava a porta com dureza no olhar, pensando repetidas vezes que precisava ficar calma e que tudo acabaria mais rápido que um piscar de olhos.

Anastasia estava nervosa porque sabia que por trás das portas, Jasper a esperaria fardado como um soldado de alto escalão, postura rígida e o olhar negro dele estaria sobre ela, sem que ela pudesse fazer nada e nem ao menos respondê-lo. Desde a morte de seus irmãos, ela tentava não pensar em como seria o momento em que ela caminharia para o altar, sendo entregue de mãos beijada para Jasper, pelo seu próprio pai.

— Precisamos entrar, minha filha. Já estamos atrasados.

O rei Sirius ofereceu o braço para Anastasia que nem ao menos olhou para o rosto de seu pai. A princesa estava chateada por não ter conseguido convencer seu pai a parar esse casamento, e Sirius sabia que estava magoando a filha de todas as maneiras possíveis, mas não tinha escolha. Havia muitos anos de promessas nesse acordo e não poderia dar para trás por erros do passado.

— Queria lhe dizer que a amo, Anastasia e que eu jamais faria algo que fosse contra sua vida. — Sirius falou olhando para filha, vendo-a engolir a seco suas palavras e não retribuir o olhar. — Perdoe seu pai, mas eu também sou rei e preciso pensar no meu povo.

Anastasia não disse nada para seu pai, estava magoada, ressentida e nervosa. Fez apenas um gesto para que os soldados abrissem as portas para que ela finalmente entrasse no grande salão, em direção ao seu futuro. Ser a duquesa O'Hara Slowyn. O selo feito entre os dois reinos.

Assim que a grande porta se abriu, a princesa respirou fundo e caminhou para dentro do grande salão. Todos se levantaram e olharam em sua direção, vendo a multidão olhar encantada para ela. Do lado direito, o povo de O'Hara e do lado esquerdo o povo de Slowyn. Seu coração batia tão forte que ela podia sentir seu peito tremer e caminhava em modo automático.

Viu a família de Jasper posta ao lado dele e sua família posta ao lado vazio ao qual ela iria ocupar em questão de minutos. A orquestra era alta o suficiente para abafar o choro que estava preso em sua garganta e seu mente que estava a mil por hora pedindo perdão de forma repetida a seus irmãos.

Os olhos de Jasper e Anastasia se encontraram assim que ela passou pelo meio do salão. Mesmo com todo ressentimento e nervosismo, ela não podia negar que ele estava lindo. A farda azul escura com todas suas medalhas e duas correntes medianas de ouro que transpassava seu peitoral. No meio da farda tinha o mesmo pingente que ela carregava na capa do vestido, com o símbolo do povo de Slowyn. Os cabelos loiros estavam presos a um coque perfeito, sem um fio fora do lugar e o duque mantinha uma postura reta, com as mãos para trás e fisionomia fechada, como sempre.

Quando chegou a ponta do enorme altar, viu Jasper descer as escadas em direção a ela e oferecer o braço para que a mesma o acompanhasse. Anastasia travou com o gesto, fazendo o rei sorrir de forma imperceptível. Sirius sabia da história que a filha tinha com o duque e viu em silêncio, toda paixão dos dois se esvair. Se culpou por um tempo, mas sabia que Anastasia era teimosa o suficiente para lidar com toda situação.

A princesa soltou o braço de seu pai e deu o braço para o duque. Jasper estava com seu coração saindo pela boca ao ver Anastasia vestida de noiva. Ele sentiu ainda mais paixão do que já tinha por ela. Sabia que ela o odiava, mas não conseguia conter a alegria que sentia ao saber que ela seria sua esposa.

Depois que conheceu Anastasia, Jasper nunca mais se envolveu com nenhuma outra mulher, nem mesmo ia aos bordéis com Adrian ou seus amigos de corte. O sentimento que crescera em seu peito foi maior que toda necessidade que ele tinha de obter desejos carnais, aguardando apenas por sua futura duquesa.

— Cuide de minha filha duque, se não o próximo enterro será o seu. — Sirius encarou Jasper com seriedade.

— Cuidarei dela com a minha vida, majestade. — Anastasia pigarreou para que o assunto sobre proteção parasse e seguiu Jasper pelas escadas, até pararem em frente ao padre.

O padre antes de começar, sussurrou para que ambos ficassem de frente um para o outro e com as mãos unidas. Contrariada Anastasia fez o que o padre pediu. Voltou seus olhos para Jasper que a encarava como sempre fazia. Parecendo que enxergava toda sua alma. A mãos dos dois estavam suadas e o duque acariciava a parte de cima da mão da mulher a sua frente com ternura.

— Boa noite a todos! — O padre Apolo deu início a cerimônia, deixando o salão em completo silêncio e só a voz dele sendo ouvida. — Estamos aqui hoje para celebrar as melhores coisas da vida. A confiança, a esperança, o companheirismo e a união entre esse casal. Vocês foram convidados para consagrar este momento com a princesa Anastasia Marie O'Hara e com o duque Jasper II Slowyn. Vocês são parte não só da união entre homem e mulher, mas de dois povos que resolveram por fazer da paz a prioridade de seu povo. O casamento é a união, é uma caminhada rumo a um futuro, que envolve abrir mão do que somos, separados, em prol de tudo o que podemos vir a ser, juntos. Duque Jasper fará seu voto.

— O que? — Anastasia sussurrou com olhos arregalados. — O acordo era sem votos.

— Acalme-se. Só eu farei. Preciso lhe dizer umas coisas, então, ouça.

— Faça logo então. — Falou baixo e olhou para Jasper a sua frente.

— Anastasia Marie O'Hara, há dois anos atrás quando nos conhecemos as circunstâncias pareciam diferentes e realmente eram. Queria deixar claro, com todas essas testemunhas, que cuidarei de você, pretegerei com toda minha vida e mesmo que, por vezes, não acredite nisso, estou disposto a fazer tudo para que a paz não seja somente para nosso povo e sim para nós. — Anastasia não conseguiu segurar as lágrimas que começaram a escorrer pelo seu rosto copiosamente, fazendo Jasper respirar fundo, antes de continuar. — Serás a duquesa mais feliz desse mundo e não pouparei esforços para que todos seus dias nesse palácio sejam tão lindos como você. — O duque desviou rápido o olhar para o padre em aviso que havia acabado seu voto e voltou para os olhos da princesa, que ainda chorava.

Anastasia estava completamente surpresa com as palavras de Jasper. Não esperava que ele tivesse a coragem de expor seus sentimentos no meio de toda aquela multidão. Ela não podia negar que tinha ficado mexida com cada palavra que tinha saído da boca dele. Jasper por outro lado estava se sentindo aliviado por poder expressar alguma coisa para Anastasia, pois sabia que se não o fizesse na cerimônia, talvez, não tivesse outra oportunidade com ela.

Os dois permaneceram se olhando durante todo o restante discurso do padre. Na hora do sim, Jasper respondeu sem questionar e Anastasia exitou por alguns instantes, mas disse que sim quando olhar de seu pai encontrou o dela, fazendo Sirius respirar aliviado. Jasper colocou em Anastasia um anel com cravado de diamantes e uma aliança de ouro branco preencheu a dele, que escolhera ouro branco apenas porque sua mulher gostava.

— Com o poder em mim concedido, eu, padre Apolo de Slowyn, vos declaro marido e mulher. Duque e duquesa. — O padre sorriu para o casal claramente nervoso. — Pode beijar a noiva.

Anastasia tremeu com as palavras do padre, mas não demonstrou. Jasper a puxou um pouco para frente e em um passo rápido beijou os lábios de Anastasia com tanta ternura e delicadeza que a, agora duquesa, não conseguiu negar. O duque ficou aliviado e sorriu ainda com os lábios encostados no dela.

Nenhum dos dois sabia o que aquilo significava, mas não se preocuparam em saber. 



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