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História Encoraja-me. - Capítulo 8


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Notas do Autor


Oi gente, tudo bem?
+1 capítulo pra vocês!
Essa na capa é a mamis da nossa duquesa. A rainha Cecília Elizabeth Westcott O'Hara. Charmosa, né?

Eu simplesmente amo! Se tem uma pessoa que a Anastasia herdou a coragem, eu posso afirmar que é dessa mulher!

Bom, espero que gostem do capítulo! 🖤

Capítulo 8 - Capítulo VIII


Fanfic / Fanfiction Encoraja-me. - Capítulo 8 - Capítulo VIII


Há quatro anos atrás...


— Anastasia, espera! 

Connor gritava atrás da irmã que corria em direção ao lago com velocidade. Antes mesmo que ela pudesse adentrar a água, o irmão já havia pego a garota pela cintura com força e correu para água com a garota pendurada em seus braços. 

Anastasia sorria como nunca antes. Não havia outra pessoa no mundo com quem ela se sentisse mais segura do que com o irmão mais velho. Ela amava definitivamente estar o tempo inteiro com Connor. Ele era o único que não a julgava por suas escolhas. O irmão não a julgava por querer estudar, aprender outras línguas, por querer entender sobre os investimentos dos reinos e o principal, apreder tudo sobre guerras, soltados e seus respectivos parlamentos. Connor fazia questão de passar por cima da ordem de seus pais, para fazer o que fosse necessário para alimentar a essência da irmã. 

Anastasia deu o primeiro golpe no irmão, colocando a cabeça dele embaixo da água e o deixando lá até sentir falta de ar. Ela sabia que o irmão além de ter o dobro de sua força e de sua altura, não a deixava perder para ele. Fazia questão de fazê-la acreditar que podia vencer a quem quisesse nas brigas pelo simples fato de acreditar. 

Eles se batiam dentro da água, se estapeavam até, mas em um ato de raiva, Anastasia agarrou na blusa de banho do irmão e puxou para si, pronta para lhe bater. Mas algo deu errado. Ao puxar o ele para si, Connor travou com o olhar mel em sua direção. Estava tão irada, tão cheia de ódio que poderia afoga-lo ali mesmo. Aquilo deixou Connor perdido e com o coração acelerado. Sabia que era errado sentir tamanho desejo pela garota a sua frente. Sua irmã. 

Anastasia percebeu a tensão que pairou no ar e sua única reação foi ficar parada com o olhar do irmão para ela. Connor se aproximou lentamente dela, ficando tão próximo de seu rosto, que suas respirações se misturavam e a garota não sabia o que fazer com toda aquela estranheza que estava passando por todo seu corpo. Connor passou a mão no rosto de Anastasia com delicadeza, fazendo-a respirar acelerado por conta do jeito que ele estava agindo. 

— Acho que nunca haverá uma garota como você. Quer dizer, você é extraordinária. — Sorriu para ela, que não conseguiu retribuir. 

— O que está fazendo, Connor? 

— Te admirando. Você é tão perfeita. — Ele encarava Anastasia como se não tivesse nada além dela e ela estava assustada com tamanha intimidade que Connor havia estabilizado. — Eu queria que tudo fosse diferente, para poder fazer o que eu queria. 

— E o que você queria?

— Ana, eu... Eu...

Aproximou ainda mais o rosto, quase arrastando o lábio no dela, mas Anastasia o empurrou e saiu correndo da água, caminhando de volta para o palácio. Passou por Jude e Richie como um trovão, sem responder aos gritos dos dois, que ficaram em silêncio quando Connor passou pela porta apressado. 

Assim que entrou em seus aposentos Richie atravessou a porta logo atrás, com a feição preocupada e rígida. 

— O que aconteceu no lago? — Se aproximou da irmã que ainda usava roupa de banho completamente molhada. 

Richie encarava os olhos da menina com preocupação. 

— Nada. — Olhou em direção a janela, não conseguindo encarar-lo.

— O que o Connor fez? — Sussurrou. 

— Já disse que nada. — Se soltou dos braços de Richie. — Me deixe sozinha. 

— Ana...

— Sai Richie. — Endureceu a voz e a feição. — Preciso ficar sozinha. 

— Se ele fez alguma coisa, você precisa me falar, porque...

— Já disse que nada aconteceu. Agora me deixe! — Gritou. — Por favor...

Richie saiu do cômodo batendo a porta com força, deixando Anastasia no quarto assustada com o ocorrido e pensando que tinha que manter distância de Connor até que pudesse o encarar de novo. 

Anastasia abriu os olhos devagar e percebeu que a cama estava vazia. Jasper já não estava mais lá. Uma dor de cabeça forte a atingiu com força. Levantou lentamente. Percebeu que a água da banheira já havia sido trocada para que tomasse um banho e em cima da poltrona estava um vestido, com um papel escrito: 


"Escolhi o vestido preto porque sabia que seria sua escolha para o seu primeiro dia como duquesa O"Hara Slowyn. 

Suas jóias estão na caixinha ao lado da cama e tem um chá gelado para amenizar sua dor de cabeça, na mesa de espelho.

Espero que você esteja bem e não se preocupe, nada aconteceu entre nós ontem. 

Jude deixou tudo arrumado em seu novo aposento. Fiz o que me pediu e pedi um aposento para você, no mesmo corredor que o meu. 

A tulipa vermelha ao lado do vestido é para você, já que sei que gosta de flores. 

Duque".


Ao terminar de ler a carta, Anastasia se permitiu sorrir e foi para a banheira aliviar o suor que havia deixando seu corpo colando. A duquesa sabia que Jasper estava mentindo sobre nada ter acontecido entre eles, mas não iria deixá-lo saber disso. Tirou a camisola de seda e entrou na água, deixando todo seu corpo relaxar. Lavou os cabelos com cuidado e depois de ficar mais um tempo na água, saiu e secou-se um pouco. Enrolou-se no roupão disponível para ela e pediu a um dos guardas na porta para que chamasse Jude. 

Ficou sentada repassando tudo que havia acontecido no dia de seu casamento com os votos de Jasper, a conversa com seu pai sobre o selo, a verdade que precisou aceitar e saber sobre Connor e o fim da noite ao qual ela quase se entregou ao duque. Apesar de ela realmente ter pensando em ir até o final com Jasper, agradeceu mentalmente por ele não ter a ouvido, pois a única coisa que a fazia não se entregar, era sempre lembrar que seu marido era o assassino de seus irmãos. 

A duquesa também estava se sentindo confusa por conta da conversa de seu pai, rei Sirius. As palavras dele sobre Jasper havia a feito pensar e repensar sobre a vingança que queria executar contra ele. Anastasia não conseguia parar de pensar que talvez, se o duque a mostrasse ainda mais atitudes respeitosas, ela poderia tentar dar á ele o que tanto queria. Paz. 

Os sentimentos da duquesa estavam completamente embolados. Pareciam fios desencapados dando choque o tempo inteiro. Era tudo intenso, extremo, sem meio termo. Internamente ela vivia uma grande batalha e sabia que teria que ser forte e corajosa para resistir aos seus próprios instintos de não ceder a Jasper e também a Andrian, que rodeava seus pensamentos mesmo quando não queria pensar. 

Viver com os Slowyn não seria uma tarefa fácil, mas ela sabia que podia conviver com isso. Mesmo que seus irmãos fossem contra tudo que já estava concretizado, ela não conseguia esquecer tudo que havia passado em sua vida. Não conseguia relevar a escolha que Jasper fez no passado, não conseguia entender seu sentimento pelo irmão de seu marido e a morte de seus irmãos. Tudo era muito confuso. Muito novo. Muito diferente. Ainda tinha que lidar com o fato de que Connor não era filho de seu pai. 

— Desculpe a demora, minha querida. — Jude entrou apressada, indo diretamente ao espartilho em cima do poltrona. — O duque pediu-me para fazer um bolo que ele gostava e acabei demorando. 

— Jasper? Fez um bolo para Jasper? — Olhou de forma indignada para a mulher que já a encarava com espartilho na mão. — Virou governanta dele, agora?

— Anastasia, por favor! — Jude gargalhou. — Foi apenas um bolo e ele está lhe esperando na mesa. 

— Você é minha, Jude. Não quero saber de você fazendo coisas para ele. — Disse brava com os braços cruzados. 

— Ora, vejam só. O que será da nova duquesa quando eu partir? — Falou em tom de brincadeira, mas Anastasia a olhou assustada. 

— Não deixarei que vá. — A duquesa estava nervosa e com palpitação. — Não pode me deixar, Jude. Não posso ficar aqui sozinha. Preciso de você! 

— Terá que falar com seus pais. Não posso ficar sem a permissão deles, sabe disso. 

— Farei o sacrifício. 

Jude ajudou Anastasia a colocar suas vestes, apertando o espartilho com forca, deixando a mulher deslumbrante com o vestido preto novo e suas jóias em ouro branco. A duquesa percebeu que havia apenas o pingente de O'Hara na caixa e sorriu ao perceber que Jasper tinha tido o cuidado de manter suas origens intactas, mesmo que agora carregasse consigo o nome dos dois reinos. 

— Esse sorriso bobo tem haver com o duque? 

— Não sei do que está falando. — Mentiu, colocando o pingente no vestido. — Estou apenas observando o pingente de O'Hara. 

— E como foi a noite de núpcias com o duque? — Olhou para Anastasia de canto enquanto colocava as vestes da noite anterior na poltrona. 

— Sendo sincera? — Sentou-se na cama e olhou para Jude com apreensão. — Foi além do que eu esperava. — Sorriu ao lembrar do beijo de Jasper. 

— É mesmo? — A governanta observou o brilho que a jovem tinha nos olhos, mas não disse nada, apenas observou. — Conte-me. 

— Jasper foi muito respeitoso comigo. Tão respeitoso que me surpreendeu. — Deu de ombros. — Se não fosse pela sanidade dele, eu teria realmente me entregado. 

— Vocês tentaram? — Jude arregalou os olhos com a informação. — Por Deus! Isso é um milagre. 

— Não desisti de vingar meus irmãos, mas não posso negar que Jasper ainda mexe comigo. — Pairou seus olhos sobre a aliança de diamante que o duque lhe dera. — Mexe mais do que deveria. Mais do que consigo controlar. E o vinho ontem me fez quase esquecer o porque não me entrego a ele. 

— O tempo mostra tudo, Anastasia. — Sentou-se ao lado dela e pegou sua mão. — O duque foi claro em seu voto no altar ontem. Devia lhe dar a chance de deixá-lo se aproximar. 

— Ainda não estou convencida de deixá-lo se aproximar, mas tive uma conversa com meu pai ontem e talvez, isso me ajude a tentar. 

— Será imensamente feliz, minha pequena. — Abraçou-a com amor. — Você tem um caminho longo, mas no final a grandeza irá além do que pode enxergar hoje. Nada acontece por acaso. Tudo tem um porquê, então não se trave tanto. 

— Sabe que levo seu dom a sério, não sabe? — Jude confirmou com um sorriso. — Eu confio em você. 

— Sei disso. — Levantou-se. — Precisa descer para comer algo e quem sabe, conhecer um pouco o palácio. Afinal, esse é seu novo lar. 

— Nosso. — Falou com firmeza. — Não deixarei que vá para O'Hara novamente. Seu lugar é ao meu lado. A não ser que queira ir.

— Se seus pais aceitarem isso, então ficarei. — Jude afirmou com convicção. — Aliás, seu quarto novo é muito parecido com esse e sua janela dá para ver todo jardim do palácio. 

— Não achei que ele fosse cumprir com meu pedido. — Jude a olhou desconfiada, quando percebeu que a duquesa ficou desconfortável com a notícia. — Mas que ótimo. Só assim terei privacidade e não terei que dormir com aquele crápula. 

Anastasia ajeitou o longo cabelo que como sempre deixava solto. Olhou-se no espelho, vendo o vestido longo com detalhes de flores escuras, de manga comprida, modelando seu corpo e um decote levemente provocante. 

As duas mulheres saíram do aposento e andaram em direção a cozinha do palácio. Anastasia cumprimentava alguns serviçais, assim como sempre fazia em O'Hara. Acreditava que a hierarquia mantinha apenas o controle do povo, mas que todos deveriam ser tratados da mesma forma, com o mesmo respeito e a mesma educação. 

A duquesa observava tudo a sua volta com mais atenção que antes, na tentativa de se acostumar com o ambiente em que passaria sua vida. Após andarem por alguns corredores, chegaram a entrada da cozinha, onde podia se ouvir a voz de Freya, Adrian e o duque. 

Jude disse que precisava ir a seu aposento fazer algo pessoal e saiu, deixando a duquesa adentrar o lugar sozinha. Ao ver os três irmãos Slowyn conversando e rindo, se sentiu sobrar na família, mas ignorou esse fato, pois não fazia questão que a considerassem. 

— Bom dia, duquesa. — Adrian a cumprimentou com um sorriso no rosto assim que a viu passar pelas cadeiras em volta da mesa. 

— Bom dia, príncipe. — Respondeu massageando as têmporas e sentando-se ao lado de Jasper. 

— Parece que alguém acordou de ressaca. — O duque riu e deu a ela um pouco de seu café. — Tome isso, vai se sentir melhor. 

— Ela não é tão resistente ao álcool como você, irmão. — O moreno brincou, fazendo o irmão rir do outro lado da mesa. 

— Ao menos o travesseiro que ela dormiu estava macio. — Anastasia virou seu rosto para Jasper, com olhar quase mortal. — O que foi? Meu peito não é um bom travesseiro? 

Jasper gargalhou alto, deixando Adrian constrangido pelo que tinha ouvido. O moreno sentiu ciúmes da duquesa, por saber que o irmão a tinha nos braços e ele jamais poderia ter isso com ela. Sabia que não tinha direito de sentir coisa alguma que envolvesse Anastasia, mas era involuntário. Ele não conseguia controlar a situação. 

— Achei meio mole, na verdade. — O duque a olhou com surpresa e indignação, fazendo-a sorrir. — E vou matar você.

— E toda Slowyn sabe disso. — Jasper revirou os olhos. — Estou ficando ansioso por esse dia, duquesa. 

— Serei mais rápida, duque. — Debochou. 

Do outro lado da mesa, Adrian observava o mais novo casal de duques e apesar de estar feliz por seu irmão, aquilo o deixava desconfortável. Porque apesar de todos os conflitos entre o casal, conseguia perceber que ainda havia muitos sentimento e ressentimento das duas partes. A princesa Freya cutucou Adrian por baixo da mesa, para que ele parasse de encarar o casal de duques a sua frente e para que as coisas não saíssem de controle. 

— E então, meu irmão? — Jasper chamou a atenção de Adrian, que levantou os olhos para o loiro. — Não quis tomar café com os soldados hoje?

— Imaginei que após seu casamento a mesa estaria com mais opções e acertei.

— Anastasia mal se tornou uma Slowyn e já está fazendo milagre. — Freya brincou. — Não vejo Adrian sentar-se a mesa desde que começou a treinar para entrar ao exército com quatorze anos. — Explicou a situação para a duquesa. 

— Deveria voltar a dormir no palácio também. — Jasper deu de ombros. — É sempre bom tê-lo por perto. 

— Vocês falam demais. — Anastasia reclamou, colocando as mãos sobre a cabeça ainda sentindo que doía um pouco, visto que não tinha tomado o chá que estava no quarto. — Eu preciso ir até os aposentos de meus pais. Você pode me dizer onde fica? — Olhou para Jasper. 

— Levarei você até eles. — Disse, se levantando e pegando o resto do uniforme na cadeira ao lado. — Tenho reunião com o parlamento e ficarei um pouco sumido. — Jasper pegou uma corrente fina do bolso e passou a mão pelo pescoço de Anastasia, colocando a corrente sobre ele. 

— O que é isso? — Perguntou, olhando o cordão delicado, com o pequeno símbolo com a imagem da pantera com olhos de diamante.

— Presente de meu pai para a duquesa. É o símbolo do Reino, mas isso você já sabe. — Anastasia sorriu em agradecimento, mesmo ciente que nunca usaria aquilo. — Bom, tome seu café para que eu a leve nos aposentados de rei Sirius. Aliás... — Jasper chamou atenção da duquesa, que virou seu olhar para ele. — Porque não convida Jude para ficar conosco? 

— Já fiz isso. Não posso ficar sozinha neste lugar. 

— Concordo. — Jasper sorriu de lado, com deboche para a esposa que revirou os olhos. — Preciso que alguém lhe cuide, em minha ausência. 

— Poupe-me. — Terminou de tomar o café na xícara e se levantou. — Devo lembrar-lhe que Jude é minha governanta e eu não a divido com ninguém.

— Tudo que é meu é seu. E tudo que é seu é meu, minha querida esposa. — O duque ajeitou o cordão no pescoço de Anastasia, tentando não tampar o pingente de O'Hara.

— Jude não. Mas obrigado por permitir que ela fique. 

— Não por isso. Ela coloca juízo em sua cabeça. — Anastasia revirou os olhos, surpreendendo-se com um beijo rápido que o duque lhe roubou a deixando claramente irritada. 

— Meu sonho é ter um marido como meu irmão. — Freya falou sorrindo com a forma que seu irmão tratava sua, então, esposa. — São meu casal dos sonhos. 

— Acho que fiquei enjoado. — Adrian revirou os olhos, fazendo Anastasia encara-lo de forma assustada. — Brincadeira. — Todos riram. 

— Fala isso porque não apaixonou-se ainda, Adrian. — Jasper zombou do moreno. — Quando acontecer, não ficará enjoado.

— Não consigo imaginar Adrian apaixonado ou casando-se. — Freya ria sem parar. — Não leve-me a mal irmão, mas está mais para corromper donzelas, do que comprometer-se. Não duvidaria se trouxesse uma libertina para o palácio. — Jasper e Freya riram tão alto que acabou fazendo Anastasia rir também. 

— O que é isso? Freya! — Respondeu irritado ao cometário da irmã e também por não querer que Anastasia tivesse uma imagem errada dele. — Não corrompo donzelas e não tenho libertinas! Qual o problema com vocês? Por isso não vivo dentro do palácio! — Levantou-se da mesa, pedindo licença e se retirando, perceptivelmente irritado. 

— Ele passa tanto tempo ausente que esqueço-me o quão sentimental ele é. — A princesa bufou, fazendo Anastasia rir. 

— Talvez ele tenha se sentido ofendido. — A duquesa defendeu o príncipe. — Foi um pouco rude, Freya. 

— Adrian é como você, Anastasia. Dificilmente se ofende com algo, então, não se preocupe. — O duque piscou para ela e sorriu. 

Depois de breves conversas entre os que ficaram na cozinha e algumas farpas trocadas entre Jasper e Anastasia, o duque guiou a mulher pelo palácio, indo em direção aos aposentos de rei Sirius e rainha Cecília. Ambos estavam calados enquanto andava e pelo canto dos olhos Anastasia reparou que a aliança do duque, em ouro branco, era bem maior do que ela havia visto em seu casamento. Era grossa, chamativa e caia bem em sua pele branca. Reparou também que sua farda era em tom de cinza bem escuro, quase preto e acabou dando uma risadinha por entender que Jasper a estava tentado agradar. 

— Do que está rindo? — Jasper olhou para a mulher a seu lado claramente confuso. 

— De você. 

— De mim? O que fiz para isso? 

— Está vestindo farda escura assim como meu vestido, visto que suas fardas são sempre em tons médios ou claros. — Deu de ombros. — Não precisa me agradar, Jasper. Não conseguirá nada, independente de todas suas gentilezas. 

— Me subestima demais, Ana. 

— E o duque me subestima de menos. — Falou com sarcasmo, fazendo Jasper endurecer o rosto. — Não fique chateado, terá uma bela morte. 

— Me envenenará? 

— Não. Fácil demais. 

— Então?

A duquesa nada respondeu e os dois permaneceram andando pelos corredores cumpridos e claros do palácio, até que chegaram em uma porta de madeira escura, bem grande. Havia dois guardas ao lado da porta e dois do outro lado do corredor, de frente para a mesma. Anastasia pediu ao soldado que avisasse aos reis que ela estaria os aguardando para que falassem com ela e ficou parada junto a Jasper, esperando que o soldado retornasse e liberasse sua entrada no aposento. 

— Acha que seu pai deixará Jude ficar? — Jasper perguntou com apreensão. — Sei que ela trabalha para O'Hara desde sempre. 

— Meu pai não está em condições de me negar algo, portanto, só avisarei a minha decisão em relação a Jude. 

— Ana, seu pai é rei. O grande rei de O'Hara e ele tem voz com todo povo, principalmente com você que é herdeira direta dele. — Jasper falou o mais suave que pode, visto que a tentativa era lhe chamar atenção. — Precisa respeitar a hierarquia, precisa considerar as escolhas de seu rei. 

— Você não disse que tinha reunião no parlamento? — Perguntou na tentativa de encerrar o assunto e recebeu um olhar firme de reprovação. — Anda. Vá! Não me amedronta com essa sua carranca fechada. 

— Fico impressionado com sua teimosia. 

— Jasper, tudo em mim lhe impressionada. — Sensualizou a voz e apertou o queixo do duque, que segurou o pulso de Anastasia, observando os soldados que haviam em sua volta. — Sou uma mulher extraordinária, mas isso eu não preciso lhe dizer, pois já sabe. 

Jasper adorava quando Anastasia arrastava a voz para ele e o provocava, mas não queria que os soldados percebessem o quão cativante a duquesa era. Achava que a beleza dela já era escandalosa o suficiente para também ter que se preocupar de outros homens se sentirem atraídos por seus olhos mel e sua boca carnuda, sempre munida de seus belos decotes e um corpo moldado pelo espartilho que nunca abria mão de usar. O duque puxou Anastasia para si e sorriu quando a mesma fechou a cara para ele e espremeu os olhos. 

— Não me provoque, duquesa. Não sabe do que sou capaz. — Riu de lado quando sentiu a respiração da mesma acelerar. — Na verdade, você sabe. — Deu um beijo rápido no pescoço da mulher, que tremeu. 

— Crápula! — Sussurrou entre dentes e se afastou. — Vá logo para o parlamento, antes que me vingue de você agora mesmo.

Jasper virou-se ainda sorrindo e caminhou para longe de Anastasia e a mesma percebeu que o soldado que ainda estava na porta olhava para ela com um sorriso engraçado, por toda situação com o duque, fazendo-a revirar os olhos. 

No reino de Slowyn, todos sabiam que Jasper era apaixonado por Anastasia, pois depois de conhecer a menina, ele passou a aceitar o casamento com mais facilidade, mas todos também sabiam que a duquesa queria vingar a morte de seus irmãos. Jasper nunca fez questão de esconder tamanha felicidade de casar-se com uma pessoa que se apaixonou. Todos em Slowyn sofreram quando houve a morte dos irmãos O'Hara e quando Jasper chegou machucado, com a aparência cadavérica depois de mais de cinquenta chibatadas, por assumir a culpa pela morte dos herdeiros de rei Sirius. 

O outro soldado voltou liberando a porta para a entrada da duquesa no aposento real de seus pais. Passou por uma pequena entrada, chegando ao enorme quarto e notando que mais parecia uma pequena casa do que um quarto. A rainha Cecília se levantou da mesa em que comia e andou até a filha com um enorme sorriso. Anastasia engoliu a seco quando sua mãe se aproximou, pois as palavras de seu pai lhe contando sobre Connor a atingiu imediatamente, deixando todo seu corpo tenso. 

A duquesa entendeu que sua mãe ou teria traído seu pai ou teria tido alguém antes mesmo de casar-se. Mas Anastasia ainda não estava pronta para falar sobre isso, não estava pronta para receber detalhes sobre a história. Ficaria em silêncio em relação a tudo até que se sentisse pronta para realmente entender toda a verdade por trás de tantos mistérios e segredos que estavam sendo revelados aos poucos e constantemente vinha se perguntando se havia mais coisas para ela descobrir. 

— De preto novamente, Anastasia? — A rainha repreendeu a duquesa. — Você está em seu primeiro dia de casada e demonstra luto? 

— Foi Jasper quem escolheu o vestido. E para sua informação, ele está de roupas escuras assim como eu. — Falou de forma rude e empinando o nariz. — Tamanha é a felicidade que estamos compartilhando por nos unir. 

— Você quis dizer duque. — Corrigiu a filha. 

— Não. Quis dizer Jasper. O nome dele não é duque. É Jasper. — Revirou os olhos. 

— Não seja tão íntima assim em pelo menos seis meses de casada, Anastasia. 

— Eu e Jasper temos mais intimidade do que a senhora certamente sabe. — Sorriu, fazendo a rainha arregalar os olhos ao imaginar coisas absurdas feitas por sua filha em seus encontros com o duque no passado. — Não se preocupe. O marido que escolheram para mim, sabe bem a mulher que tem ao lado. 

Sua petulância foi tanta que sua mãe bufou irritada, sabia que a filha falava por si, sem que pudesse questina-la o tempo todo. Anastasia nunca havia falado com a mãe assim antes, mas algo havia mudado dentro dela em relação a tudo. Ainda estava tentando distinguir todos os sentimentos que a rodeavam, mas como ainda não sabia como se portar, resolveu que a melhor maneira era ficar na defensiva. Avistou seu pai saindo através de uma outra porta que havia no cômodo, aproximando-se das duas mulheres. 

— O que faz aqui, pequena? Precisa de algo? — Sirius perguntou um pouco apreensivo. Tinha medo que Anastasia falasse algo de sua conversa com a rainha Cecília ali na frente. Ele ainda não havia conversado com a esposa sobre o ocorrido. — Está tudo bem?

Anastasia olhou para a figura de seus pais a sua frente e sentiu seu coração apertar. Ela já não confiava tanto assim nos dois e não sabia se deveria esperar por mais revelações vinda deles. Sua mãe sendo sempre uma pessoa mandona, escondia um segredo enorme. Seu pai sempre amoroso e justo que juntou-se a ela para guardar o segredo. Pensou que se fosse com ela, ambos não relevariam. Ambos a julgariam por tal ato, como julgaram quando descobriram que Anastasia não esperou o casamento parar entregar sua honra. Mandaram Damon levar o soldado Nicolas para o pequeno reino de Westcott, povo de sua mãe, que era mantido pelo reino de O'Hara. 

— Tudo está como deveria ser. — Anastasia quebrou o silêncio. — Na verdade, vim lhes deixar um aviso. 

— Que seria? — Sirius perguntou nervoso. 

— Jude ficará comigo. Não voltará para O'Hara com o resto do povo. — A voz de Anastasia parecia com a de uma rainha, tamanha era rigidez de seus sentimentos por seus pais. — Não levarão de volta a única pessoa que tenho. 

— Negativo. — Sirius falou no mesmo tom que a filha, atraindo os olhares indignados das duas mulheres. — Jude é governanta de meu reino. Voltará comigo para o palácio. 

— Sirius! — Cecília aumentou seu tom de voz, bem séria e desconfortável. — Temos outra governanta em O'Hara. Jude passou sua vida inteira servindo á nós, mas quando Anastasia nasceu, serviu apenas a ela. Então libere-a. 

— Não. — Sua voz era grossa e seu maxilar trincado. — Jude não ficará. 

— Mãe! — Anastasia olhou para a rainha, implorando por ajuda. 

— Jude ficará sim, Sirius. Não é possível que depois de anos ainda sinta as mesmas coisas? — A rainha estava tão irritada que ficou com o rosto vermelho e Sirius arregalou os olhos para ela. — Chega disso! Jude ficará e acredito que depois de tudo, ela também queira ficar. Portanto, não me faça responder por você. 

Anastasia observou as palavras de sua mãe e ficou completamente confusa com a cena a sua frente. Nunca havia visto a rainha se opor a uma ordem do rei, nunca tinha visto os dois tão desconectados como seus olhos estavam presenciando. A tensão no olhar dos dois era quase palpável e a duquesa pigarreou, esperando que tais atitudes fossem explicadas. 

— Não que seja de minha conta, mas gostaria de saber do que estão falando. — Anastasia ainda mantinha o semblante confuso. Viu seu pai negar com a cabeça e sua mãe respirar fundo. Sabia que tinha algo errado. — Devo perguntar a Jude? 

— Não! — O rei gritou nervoso, assustando a filha que cruzou os braços, esperando uma explicação. — Nada que seja de sua conta. 

— Parece que cada dia que passa, vocês escondem mais segredos. — A rainha intercalou os olhos entre a filha e o marido, de forma tensa. — Não se preocupe, mãe. Nada que leve O'Hara para a lama. Agora me explique o motivo de papai não querer que Jude vá. 

— Conte á ela, Sirius. — A rainha andou até a poltrona, cruzou suas pernas embaixo do vestido e ficou com a postura firme. Seus olhos o encaravam com astúcia. — Conte a verdade. 

— Como encoraja-me a dizer isso á ela, Cecília? 

— Anastasia é uma mulher forte e sensata, Sirius. Ela com certeza lidará com tudo muito bem. — Foi firme em suas palavras. — Sua filha está adulta e casada. Pode saber de seu passado, visto que já saiba de outras coisas, não é mesmo? 

— Estou ficando zonza de tanta enrolação. Podem explicar algo dessa conversa sem pés e sem cabeças? — A duquesa já batia firme os pés do chão. — Se não contarem-me, falarei com Jude. 

— Não será necessário. — O rei gesticulou com a mão para que Anastasia se acalmasse, e assim fez. — O que sua mãe quer que eu lhe contei é que, como sabe, a família de Jude sempre trabalhou para nós no palácio. Sendo assim, Jude cresceu lá também e... — O rei travou ao ver os olhos de Anastasia se estreitarem. 

— E?

— E que éramos muito próximos. Então em nossa juventude, por vontade de nossos quinze, dezesseis anos, tivemos um... Tipo de... Relacionamento. 

— Teve um caso com Jude? — A duquesa arregalou os olhos completamente indignada com o que havia escutado. — Por isso Jude não fica perto de você! Por isso não fala direito com você! Eu não acredito nisso!

Em um ato inesperado por seus pais, Anastasia deu uma crise se riso profunda. Não conseguia conter que seu cérebro jogasse á ela todas as memórias que tinha do jeito que a tensão se instalava no ambiente quando Jude e o rei estavam no mesmo local. Anastasia acreditava que Jude tinha algum tipo de aversão ao rei, mas se deu conta que a governanta, na verdade, era apaixonada por seu pai. A jovem duquesa lutava para tentar parar de rir, já que sua barriga doía. Ela foi até a poltrona ao lado de sua mãe que estava séria e respirou fundo para tentar conter a ânsia de rir novamente. 

— Tudo faz sentido. — A duquesa sorriu e encarou a mãe. — Tem ciúmes de Jude, mãe? 

— Não. — Cecília respondeu com convicção. — Jude sempre foi leal e respeitosa com nossa família, por isso, acredito que ela deva ficar para cuidar de você e manter-me informada sobre tudo. Para caso, um dia, precise de ajuda. 

— Obrigada. — Anastasia sorriu e abraçou a mãe por um longo tempo. Levantando-se em seguida e olhando para o pai. — Você me surpreende cada dia mais. Só não resolvi se isso é bom ou ruim. 

— Um dia ocupará meu lugar, pequena. E nesse dia, entenderá meus motivos para tudo que precisei fazer. — Acariciou o rosto da filha com ternura, mesmo sabendo que a mesma estava chateada com ele. — Nessa vida, terá que tomar decisões tão difíceis, como as que tomei e então, lembrará de mim. 

— Um dia. — Anastasia respondeu com a voz baixa. — Um dia...

A duquesa encarou seu pai por bastante tempo, na intenção de não esquecer de sua fisionomia com os dias. Virou-se de costas para os pais e saiu do ambiente com rapidez. Passou como uma flecha pelos soldados, esbarrando em alguns criados do castelo, se desculpando e andando como se não soubesse para onde ir, mas na verdade estava procurando por Jude. 

Entrou em mais um dos longos corredores do castelo e começou a correr, quando se distraiu e trombou forte com alguém que segurou seus braços com força, para que ela não caísse. 

— Precisa ter mais cuidado, duquesa. — Jasper sorriu para ela que sacudia a cabeça para tirar a tontura. — Para onde vai com tanta pressa? 

— Você não deveria estar no parlamento? — Perguntou se livrando das mãos do duque e ajeitando a postura. — Achei que ficaria ocupado pelo resto do dia. 

— Meu pai precisou resolver algo importante com Darius sobre Acassio, então liberou o parlamento todo. — Deu de ombros. 

— Acassio? Rei de Shappard? 

— Sim. Como sabe disso? — Jasper olhou-a com surpresa e admiração. — Conhece Acassio? 

— A fama do homem não é muito boa. Já ouvi muitas histórias sobre ele. — Falou com indiferença. — Aparentemente ele não sabe respeitar territórios e desanda com a vida de todos. 

— Pelo visto já sabe que ele foi uma das causas do selo de nosso casamento... — Jasper sorriu quando a duquesa levantou o ombro. — Mas, por favor, mantenha essas informações em segredo. Quem sabe você não me ajuda com algumas coisas no parlamento.

— Mulheres não são permitidas no parlamento, Jasper. Não seja tolo! — O empurrou devagar. — Aqueles homens não admitem que nós mulheres, somos mais inteligentes e astutas que todo aquele mar de homens juntos. 

— Queria negar sua fala, mas não posso. 

— É mesmo? E posso saber porquê? — Anastasia debochou de Jasper, não levando suas palavras a sério. 

— Porque minha esposa é muito mais inteligente, astuta e minuciosa do que eu. E eu a respeito e admiro muito por isso. 

Anastasia não conseguiu esconder o sorriso que saiu de seus lábios com as palavras do duque. Ele sempre dava um jeito para deixar a mulher sem palavras e adorava fazer isso, pois suas bochechas ficavam vermelhas do jeito que ele tanto amava. Mas rapidamente a duquesa se recuperou, arregando os olhos e o puxando para o canto, surpreendendo Jasper. 

— Ai meu Deus! — Sussurou de forma engraçada e seu marido estranhou o jeito infantil que de repente ela adquiriu. — Preciso lhe contar algo, mas tem que ficar entre nós. 

— O que aconteceu com você? — Jasper sorriu ainda confuso com a mulher. — Desde quando tem esse tipo de postura?

— Cale-se e me ouça. — Mordeu os lábios com animação. — Jude ficará comigo. Mas você não faz idéia de como foi com meus pais. 

— E como foi?

— Papai não quis deixar que Jude ficasse e mamãe a liberou. Nunca vi em meus anos de vida, a rainha de O'Hara intervir em alguma ordem dada pelo rei. — Ela ainda sussurrava com medo que alguém a ouvisse e o duque lhe dava toda atenção. — Depois de um desentendimento entre os dois, meu pai contou-me que teve um caso com Jude quando ainda eram jovens. 

— O que? — Jasper arregalou os olhos e começou a rir alto. — Meu Deus, Anastasia! Como assim? 

— Acredite. Eu tive a mesma reação que você. 

— Que confusão! — O duque se recuperou da risada e voltou a atenção para sua mulher. — Deve ter sido difícil para sua mãe ter Jude ao lado todos esses anos, principalmente por você ser tão grudada com ela. 

— Difícil para minha mãe? — Olhou para o marido com desdém. — Jasper, minha mãe sempre teve uma vida excelente como rainha. Agora imagina como foi para Jude ver meu pai casar-se, ter quatro filhos, viver ao lado de minha mãe e quase não olhá-la. 

— Ora essa! E acredita mesmo que Jude não tenha se envolvido com outro homem? 

— Não acredito, eu sei. — Anastasia ficou irritada com a insinuação de seu marido. — Jude nunca teve outro homem. Não se casou, não teve filhos. Dedicou toda sua vida a trabalhar no reino para nós, da família real. — Ao mesmo tempo que falava em voz alta, imaginou todo sofrimento que a governanta deve ter passado todos os anos. — Meu pai poderia ter se casado com Jude! Ela poderia ter sido minha mãe! Tem noção disso? Meu Deus! Será que Jude ainda sofre?

— O castigo de um amor proíbido é assim, Ana. — Jasper falou com pesar ao ver a mulher abaixar a cabeça. — A pessoa passa a vida querendo o que não pode ter. E no mundo em que vivemos isso termina em morte. Na forca... Ou fogueira. 

Anastasia congelou o olhar no de Jasper quando ouviu as palavras forca e fogueira saindo de sua boca com tanta naturalidade. A duquesa levou seus pensamentos até o sentimento que estava crescendo em relação ao irmão de seu marido. Mesmo que o sentimento não chegasse aos pés do que ela tinha por Jasper, ainda assim, era algo forte e isso a assustava de vez em quando. Jasper continuou olhando para ela, vendo a mulher processar as palavras em sua cabeça com lentidão. 

— Meu pai nunca permitiria que Jude fosse para a forca ou para a fogueira! 

— Eu lhe mandaria se me traísse, duquesa. — O sorriso de Jasper se abriu completamente com a cara de surpresa que Anastasia fizera para ele. — Não sei porque o espanto, Ana. Nosso acordo envolve assuntos como esse.

— Não estou espantada. Estou pensativa sobre Jude e meu pai. — Disfarçou, dando de ombros. 

— E o que mais descobriu sobre eles? 

— Nada. Estava a procura de Jude quando esbarrei com você. Quero perguntar tantas coisas para ela. Quero saber mais sobre isso.

— Não sabia que era futriqueira, Anastasia. 

— Não sou, mas é muito... Estranho, tudo isso. Vai dizer-me que não está querendo saber mais sobre isso? 

— Viu? É tão futriqueiro quanto eu, meu marido. — Debochou. — De parecido temos todos os defeitos, não acha?

— Desculpe. Parei na parte que você me chamou de seu marido. — Jasper sorriu e levou um empurrão da duquesa, que sorriu junto com ele. — Vá atrás de Jude e descubra mais coisas. Estou curioso. 

— Pode ir ao meu quarto a noite, para que eu lhe conte o que descobri. — Rodeou Jasper, assim como ele fazia com ela, quando queria intimida-la. — E matar sua curiosidade. 

— Devo levar vinho? — Puxou a mulher pela cintura, ficando cara a cara com ela. 

O olhar dos dois se encontraram e dava para ver o desejo estampado no rosto de cada um, mas Anastasia se afastou, fazendo o duque ficar com a cabeça confusão por ela hora ceder a ele e em outra hora desdenhar até mesmo de sua existência. 

— Sim. A história deve ser longa. 

— Separarei um então. — Anastasia confirmou e Jasper apenas assentiu com uma confirmação de cabeça. 

O duque pediu licença com um gesto e andou para onde estava indo, antes de esbarrar com Anastasia. Jasper tinha um grande sorriso no rosto e mesmo se questionando sobre o que teria acontecido para que a duquesa baixasse a guarda para ele. Mas não importava quais fossem as intenções dela com ele, não deixaria que a oportunidade passasse. Ele queria reconquista-la e mesmo que ela tentasse algo contra sua vida, não teria medo de ir adiante com seu plano de fazê-la enxergar que eles poderiam ser felizes juntos. 

Enquanto o duque andava, Anastasia o observava se afastar e reparava em todo seu corpo, principalmente na forma rígida como andava. Ela adorava a postura firme que seu marido andava e principalmente as feições rígidas que sempre carregava, mesmo que ela soubesse que o coração do duque era mole e sempre recíproco com as pessoas. A duquesa não sabia, mas por todo o tempo que estava com Jasper próximos a parede do corredor, Elijah escutava tudo por trás de uma das lacunas do palácio. 

Anastasia andou na direção contrária de Jasper e acabou esbarrando com Elijah, que fingiu estar andando para que a mulher não descobrisse que ele estava ouvido toda sua conversa com o marido. 

— Ó meu Deus! Estou muito desligada hoje, me perdoe. — Anastasia sorriu para Elijah, meio atordoada. 

— Tudo bem, duquesa. Talvez eu que devesse ter mais atenção por onde ando. — Sorriu de volta e resolveu que seria uma boa hora para puxar assunto com a mulher de Jasper e da nova paixão de seu melhor amigo. O príncipe Adrian. — Bom que lhe encontrei. Não tive tempo de parabenizar o novo casal de duques na festa. Foi um casamento incrível. — A duquesa agradeceu com um aceno. — A propósito, chamou-me Elijah. 

— Eu sei quem você é. — O vice-conde se surpreendeu com a resposta rápida. — É um dos soldados do príncipe Adrian. Vive com ele. — Sorriu.

— O príncipe é meu melhor amigo. Mas, na verdade, trabalho no parlamento do rei Leônidas. 

— Junto a Jesper. — Elijah confirmou. — Entendo... — Deu de ombros. 

— Queria lhe dizer que foi uma cerimônia muito bonita, a de ontem. Foi um casamento excepcional. 

— Um selo, você quis dizer. — Anastasia sorriu com sarcasmo. — Apenas um selo entre povos. 

— Perdoe-me duquesa. Achei que sua relação com o duque fosse boa. — Elijah ficou curioso com o tom de desdém da mulher, já que tinha visto ela e o marido tão próximos e se provocando há minutos atrás. — Não quis ser invasivo. 

— Não foi. Mas o duque foi o assassino de meus irmãos, então não tem nada bom entre nós. 

— Sei de toda história sim. Desculpe por ser sincero duquesa, mas achei que depois da carta que o duque enviou para a senhora, após a morte de seus irmãos, tivesse feito as coisas amenizarem entre vocês. 

— Carta? — Anastasia o olhou confusa e Elijah percebeu que a duquesa não fazia idéia do que ele estava lhe contando. 

— A senhora não recebeu a carta? 

Elijah ficou observando a feição pensativa no semblante de Anastasia por um bom tempo. A duquesa parecia ter perdido completamente os sentidos por tentar achar em sua cabeça algo que envolvesse essa carta. 

— É claro que recebi. — Respondeu de forma defensiva, mas o vice-conde sempre fora inteligente e percebeu a mentira que ela estava contando. — É que... Queimei a carta antes de ler. — Deu de ombros. 

— Entendo. Peço desculpas pelo inconveniente. — Se virou de costas para ela e andou lentamente. 

— Elijah, espera! — Anastasia gritou e correu até ele. — Sabe me dizer quem foi que recebeu essa última carta em O'Hara? — A duquesa tinha esperança nos olhos quando viu que Elijah ficou em silêncio para se recordar. 

— Era um tenente. Era o... Tenente Damon, se não me engano, duquesa. 

— Damon? — Arregalou os olhos e sentou as mãos tremerem ao ouvir o nome. — Era um homem branco, com cabelos e barba ruivos e olhos verdes? Era essa aparência? 

— Sim senhora. — Respondeu e notou o nervosismo em que a mulher ficou.

— Inferno! — Sussurou. — Obrigada Elijah, mas agora preciso encontrar minha governanta. 

Anastasia saiu andando antes mesmo que Elijah a respondesse. Sua cabeça voltou a doer imediatamente com mais um informação recebida. Sabia que nunca saberia o conteúdo da carta e também sabia porque não havia recebido. Damon era o braço direito de seu irmão Connor e deve ter sumido com a carta depois da morte dele, sem que Anastasia tivesse a chance de saber o que Jasper queria com ela. Sabia que Damon era leal a seu irmão e provavelmente ao receber a carta, deve ter lido seu conteúdo e a queimado para que ninguém soubesse que ela havia existido. 


Notas Finais


✨ Espero que tenham gostado! ✨

Só pra avisar que nem sempre colocarei notas finais. PORÉM, queria avisar também que fiz um Instagram para divulgar a história e ajudar também a fazer divulgação da história de vocês. Seja no wattpad ou aqui no Spirit!

É: instagram.com/escritoramoraine (Tá lá na minha biografia também!)

Desde já, agradeço as leituras! 🖤


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