História Encruzilhada - Interativa - Capítulo 2


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Palavras 4.259
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Fantasia, Ficção, LGBT, Luta, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Pansexualidade, Spoilers, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi! A quanto tempo! Finalmente, o primeiro capítulo. Eu tive alguns problemas na escola para resolver e não tinha tempo para editar. Estava pronto desde o dia 28, mas eu não gosto de postar sem revisão.

O título do capítulo é o nome de uma música do Ramones. Eu não pretendo colocar títulos em inglês, é só pela referência.

Eis aqui algumas informações antes de seguir, coisas que vocês podem não conhecer, mas vão precisar.

♧ Glossário:

• Shostakovich: compositor clássico russo.

• Quinjet: os jatos usados pelos Vingadores e pela S.H.I.E.L.D, pode chegar a velocidades absurdas.

• Mocha: um tipo de bebida, um café. Contém três camadas, na sequência de cima para baixo: leite, café e chocolate.

• Proudhon: Pierre-Joseph Proudhon foi um filósofo político e econômico francês, também membro do Parlamento de seu país. É considerado um dos mais influentes teóricos e escritores do anarquismo, sendo também o primeiro a se autoproclamar anarquista. Até então o termo era considerado pejorativo entre os revolucionários. Foi ainda o líder intelectual dos anarquistas norte-americanos naquele século.

Capítulo 2 - "I wanna be sedated"


Um ano depois...

O sol havia acabado se por. Porém não deveria, não para o relógio biológico de Euros, nem para o digital. Em seu pulso, a máquina de ponteiros marcava vinte e três horas e alguns minutos. A beleza do fuso horário. Seus olhos pesavam após um longo dia de estudos e trabalho, mas não conseguia dormir. A cabeça que latejava e o medo que tentava controlá-lo o impossibilitavam relaxar o bastante para pegar no sono. Poucas eram as coisas que realmente davam medo no mago. Infelizmente, voar era uma delas. Suas mãos se agarravam firmemente ao cinto que o prendia ao seu assento. Seu orgulho, contudo, o fazia tentar disfarçar. Não se permitia demonstrar uma fraqueza tão ridícula. Um exorcista com medo de voar? Céus, ele podia voar! Ou ao menos, sua mãe podia. O medo talvez nunca o permitisse saber. 

Tentou relaxar, mesmo que um pouco. Seu pensamento vagou direto para o fim de tarde daquele dia, quando estava feliz e sem dor ou fadiga, se preparando para tomar uma deliciosa xícara de cappuccino com Jade, sua chefe. Quase podia sentir o cheiro dos grãos torrados e especiarias que sempre estava no ar no Laharl. Euros colocou seus fones de ouvido, vendo que não conseguiria se acalmar por esforço próprio, plugando-os no celular e selecionando uma música. I wanna be sedated, do Ramones, parecia a escolha mais apropriada, mas sua cabeça ainda doía. Algo mais calmo seria melhor. Por esse motivo acabou escolhendo uma playlist das músicas de Shostakovich. Belas músicas clássicas. A primeira foi Nocturne, op 97; uma de suas favoritas, perfeita para relaxar um pouco. E foi exatamente isso que fez. Fechou os olhos e se esqueceu do mundo ao redor, apenas reparando nas notas da melodia clássica que escutava. 

Chegou a esquecer que estava no quinjet, e até mesmo que ao seu redor haviam pessoas. Seu mundo se tornou música. Só notou quando os joelhos, seu e do garoto de cabelos castanhos ao seu lado, se embarraram devido uma breve turbulência. Levou um pequeno susto. Seus olhos se abriram e afastou a perna rapidamente da que invadia seu espaço.

— Desculpe... — O outro pediu um tanto quanto constrangido. O inglês, saindo de seu breve estado de susto, relaxou os músculos novamente. 

— Tudo bem, acontece. — disse sem tirar os fones de ouvido. Voltou a se desligar após um momento, embalado pelo som do cello. Contudo, para o outro, não havia música alguma. Apenas um silêncio muito desconfortável e várias pessoas desconhecidas. 

— Eu sou Nathaniel, a propósito, mas me chamam de Nathan. — Voltou a falar, em uma tentativa de quebrar o gelo. 

— Euros. 

Não deu certo. O mago inglês estava acabado de mais para conversar. Só queria café e um bom remédio para dor de cabeça. Assim, o silêncio gélido voltou ao ambiente. Para Nathan, que não estava com fones, somente o som dos equipamentos e dos pilotos poderia ser ouvido. E o silêncio não era uma forma eficiente de se distrair dos problemas atuais. Tentava não pensar em sua mãe, mas não conseguia. Estava morrendo de preocupação. A de cabelos verdes, Lorna, era mais uma na lista de desaparecidos. E estava ali justamente para encontrá-la. 

— Então... — Em uma nova tentativa de puxar assunto e se distrair. — Você também é um mutante ou...? — Não sabia muito bem como completar. Até dois dias atrás o garoto só conhecia duas raças, humanos e mutantes. Agora, depois de ler o pacote dado pelos tais espiões, sabia que haviam mais raças do que poderia se lembrar. 

— Não. — respondeu simplesmente. Sua dor de cabeça e irritação pela abstinência de cafeína tornavam difícil a socialização. Euros não queria ser grosso, mas não possuía paciência para explicar nada. E, se até pessoas de sua realidade tinham problemas ao entender suas habilidades, o que seria dele se o garoto fosse de algum lugar sem magia? Não... Nathan que o perdoasse, mas o gelo seria mantido. 

O garoto mutante pensou em puxar assunto com o garoto de cabelos escuros que estava sentado do outro lado da aeronave, mas algo em seus extintos disse que era melhor não. O estranho havia entrado no quinjet logo após si, quando os agentes chegaram com Euros em Londres. Desde então, o rapaz estava levando um dos agentes, o qual estava sentado ao seu lado, à loucura! Poucas eram as pessoas com tamanho talento para irritar alguém que o de cabelos castanhos conhecia. E agora ele estava quieto. Quase adormecido. Era melhor assim, pensou. 

Enquanto isso, a última musica que o mago ouviu foi Waltz No. 2. O cansaço o havia vencido e assim entrou em sono profundo. Sua mente vagueou direto para a imagem de uma garota alta de cabelos azuis. A cliente mais assídua do café em que trabalhava. Sempre vestida com jaquetas cheias de pontas de metal e pulseiras de punk. Elly, esse era o seu nome. O rapaz pensou nos mochas que havia servido para a garota, nas músicas que haviam escutado juntos e nas conversas que haviam tido. De chocolate a Proudhon, já haviam tocado em praticamente todo tipo de tema. 

Enquanto ele sonhava, aquele irritava um dos agentes, Jason, pensava em sua garota. Ver aquele espião engomadinho perder a cabeça era divertido, mas ainda sim, sua própria cabeça estava longe. Melissa... Esperava ter notícias da jovem uma vez que chegasse aos Estados Unidos. Algo para acalmar os ânimos. O ideal seria vê-la, abraçá-la e irritá-la com piadas idiotas. Porém, tudo o que podia fazer naquele momento era se distrair. Os dois garotos a sua frente não pareciam lá boas opções... Um dormia com seus fones de ouvido, o outro parecia tenso demais para qualquer coisa. Talvez estivesse esperando notícias de alguém também...

Com o clima tenso e silencioso, as horas demoraram, mas passaram. Quando Euros acordou, algum tempo depois, a voz de Nathan o chamando, nem sabia ao certo em que ponto da viagem havia adormecido, mas seu sono havia sido longo. O jatinho já estava pousado e o mutante estava segurando suas malas, assim como Jason. Esfregou os olhos com as mãos e espreguiçou-se, gemendo sonolento com o ato. Feliz por estar em terra firme, ele rapidamente se soltou do cinto. 

— Café... — murmurou. Ainda estava com sono, mas precisava se regular ao novo horário. Uma boa dose do líquido quente e marrom o deixaria acordado até a hora certa de dormir. 

— Vamos descer e descobrir se eles têm. 

Euros assentiu. Pegou da parte debaixo do banco suas duas malas, uma para roupas e a outra para coisas realmente úteis, como livros de magia e seu videogame portátil. Saiu pela traseira do veículo, que estava aberta, tomando cuidado para não escorregar na rampa. Estava de noite. Porém o local era bem iluminado, mesmo assim, seus olhos não conseguiam focar em muito, embasados pelo sono. Já Nathan e Jason, pelo contrário, conseguiam ver muito bem. Um grande complexo branco ostentando um símbolo com a letra "A". Na porta, um pouco mais a frente, uma mulher de cabelos escuros parecia esperar por eles. 

— Acho que vocês três devem ser os últimos... — comentou a mulher. — Eu sou Maria Hill. Bem-vindos à S.H.I.E.L.D. — Houve apenas um leve movimentar das cabeças ali presentes, mas nenhuma palavra. Assim, ela continuou. - Me acompanhem, sim? 

— Espera aí, moça. Alguém está muito atrasado para a festa... — Jason, que até então não havia dito nada que não fosse para irritar o agente que o havia acompanhado, se pronunciou. 

Mais um jato chegava. Os quatro ali presentes esperaram enquanto o veículo pousava. Uns, Euros principalmente, mais impacientes que outros. Não era exatamente como o quinjetem que haviam chegado. Não apenas o modelo era diferente, mas naquele havia uma bandeira estampada, uma que nenhum dos três reconhecia. Um retângulo verde cortado por uma cruz preta com detalhes na mesma cor e também em vermelho. Quando a comporta da parte de trás abriu, um rapaz, talvez no início de seus vinte anos, saiu. Sua postura elegante e farda militar completa o tornavam uma figura imponente. Quase como uma estátua de um herói de guerra. Mesmo que fosse baixo em estatura.

Ele parou na ponta da rampa e uma mulher, que também usava farda, saiu na frente, como se verificasse o perímetro. Só então, o rapaz realmente pisou no asfalto. Fosse quem fosse, parecia ser alguém importante. 

— Eu peço perdão pelo meu atraso. — Suas maneiras eram extremamente formais. Quase chegava a ser desconfortável, e para alguns talvez fosse. - Imagino que eu deva ser o último. — O mago pode notar uma coisa. Por mais que o rapaz conseguisse reproduzir quase que completamente o sotaque estadunidense, ele não o era. Pela demora e pelo leve sotaque, deveria ter vindo de algum lugar mais ao leste da Inglaterra. Os Balcãs talvez? Não sabia dizer. 

— Sigam-me. — Hill ordenou. Ela parecia não estar com muita paciência para ter que lidar formalidades. Realmente, não estava no clima. 

Ao entrarem no complexo puderam ver alguma movimentação. Agentes da tal S.H.I.E.L.D. e alguns adolescentes andavam pelos corredores e ocupavam salas. Poucas faces soturnas que pareciam ocupadas de mais para prestar atenção nos novos convidados. O clima era tenso. Com tantos perdendo familiares, ou mesmo suas casas, era difícil encontrar um motivo para sorrir. 

A morena os guiou pelos corredores brancos. Pelo caminho, alguns funcionários pareciam reconhecer o garoto de farda, torcendo o nariz ou se afastando com um certo medo. Ele, entretanto, permaneceu inabalável. Constantine e Dane se perguntaram quem seria ele. 

— Imagino que tenham lido o pacote. — perguntou Hill, abrindo uma porta automática.

— Realidades misturadas e blá blá blá. — Jason se adiantou, interrompendo qualquer frase que se formava nas mentes de seus colegas. — É eu li. Quase dormi, mas li.

— Então não preciso explicar nada. — sinalizando para que entrassem. No espaço havia uma serie de dormitórios, todos com plaquinhas numeradas e telas ao lado das portas, fixadas na parede branca. Algumas já possuíam um ou dois nomes, outras estavam vazias. — Cada quarto comporta duas pessoas. São separados por gênero. — Ela pegou um objeto de seu bolso, como um celular todo de vidro, e nele abriu uma lista. — Constantine, quarto três; Wilson, quatro; von Doom e Dane, ficam no cinco. Perguntas?

— Amara Perera — o garoto militar deu um passo a frente, uma certa urgência velada em suas palavras —, onde ela está?

— A caminho. — garantiu. — Sendo transferida de uma instalação da costa oeste. Ela está segura, parte dos Vingadores está a trazendo, não se preocupe. 

Ele pareceu um pouco mais tranquilo. Era um pedido direto de seu pai que cuidasse daquela mulher. Não só isso, ela carregava um futuro membro da família. Nada, absolutamente nada, poderia acontecer a ela. 

Sem dar tempo para o silêncio, Jason levanta a mão. A atenção de todos foi desviada para o garoto. Todos, menos um. Euros não estava mais ali. A agente Hill, por outro lado, não tinha tanta sorte. Não podia simplesmente sumir. Sabendo muito bem que da boca do garoto não poderia sair nada de útil, ela deu um pesado suspiro antes de dizer qualquer coisa. 

— Sim, Wilson? 

— Que diabo de nome é Doom? — perguntou o rapaz, sua voz soando quase como indignada. 

— Sobrenome. — corrigiu o garoto militar, von Doom, se ajeitando dentro da farda. O orgulho de seu sobrenome era quase palpável.

— Foda-se! 

— Hm, meu sobrenome é Strange, então... — Um garoto de cabelos pretos, vindo de aparentemente lugar nenhum, diz, assustando Nathan.

— Bem, Constantine, não é? Eu também estou no três.

— Ah, na verdade, eu sou Dane. Nathaniel Dane. Constantine deve ser o garoto que veio de Leeds. Ele acabou de sair andando.

De fato, Euros já estava longe. Se aproveitando da pergunta de Jason, o mago deixou suas coisas no quarto três e tratou de procurar algum lugar onde pudesse encontrar café. Por sorte, acabou encontrando a cozinha ao perguntar um dos agentes o caminho. O cômodo estava vazio. Não querendo se demorar o rapaz pegou uma caneca no armário e uma capsula para a máquina. Escolheu um mocha. Em questão de minutos, voilà! Tinha um delicioso café em mãos. 

Logo no primeiro gole já se sentia melhor. O gosto doce e quente da bebida era como um abraço reconfortante. Porém não curaria sua dor de cabeça. Fez, assim, seu caminho até a enfermaria. Havia visto o local em sua busca pela cozinha. Ao contrário do cômodo anterior, aquele estava ocupado por talvez quatro funcionários. Nenhum paciente, mas eles estavam a postos. 

— Com licença — educadamente chamou a atenção de um enfermeiro que conversava com aquela que parecia ser a médica —, você poderia me dar um remédio para dor de cabeça? 

O homem, que estava completamente em outro mundo, demorou um pouco para assimilar a pergunta, mas assim que o fez rapidamente foi atrás do medicamento requisitado. Euros agradeceu e pegou a cartela com quatro comprimidos, traçando sua rota de volta para os dormitórios. Ao sorver novamente o líquido quente, engoliu junto o remédio, torcendo para que seu efeito fosse rápido.

Enquanto isso, o garoto Strange voltava para seu quarto. Ao ver que a porta estava entreaberta achou que seu colega pudesse estar lá dentro, porém achou somente as malas. Estava ansioso para conhecer seu colega. Seria ele alguém que pudesse ter conversar interessantes consigo? Ou seria um completo idiota? Um boneco de músculos e pouca massa encefálica... Esperava com todas as suas forças que fosse alguém interessante. Ao menos alguém que entendesse suas referências. 

Deitado de qualquer jeito na cama, ele se ajeitou rapidamente ao ouvir o clique da maçaneta. Viu um rapaz de cabelos pretos e olhos escuros cansados entrar segurando uma caneca. Sua mente pensou em mil referências, mas acabou optando pela pior. A mais vaga de todas. E por isso se arrependeu assim que as palavras deixaram sua boca.

— Está atrasado. 

Euros arqueou a sobrancelha. Seus olhos pousaram no garoto de pele clara e olhos azuis como o oceano. Tudo durou menos de um segundo, mas em sua cabeça pensava no que esse garoto estava pensando para lhe cobrar qualquer coisa. Reconhecendo que estava irritadiço pelas pontadas que sentia em suas têmporas, resolveu levar na brincadeira. Imaginou que essa era a intenção do outro, de toda forma. Curiosamente, uma frase de seu filme favorito se encaixava muito bem na situação.

— Um mago nunca se atrasa, Frodo. — começou, arrancando do outro um olhar surpreso. — Ele chega precisamente quando pretende chegar.

— Eu sou Lysandre Strange, mas Lys é o bastante. — Com um pequeno sorriso o garoto se levantou para apertar a mão do tal Constantine. — É um prazer conhecer um colega cinéfilo, ainda mais um que entende referências de O Senhor dos Anéis.

— Euros Constantine. — Apertando a mão de Lys. — O prazer é meu. 

. . .


No quarto de número cinco, as coisas não estavam tão leves. O silêncio e a formalidade nas ações de von Doom deixavam Nathan desconfortável. Deixavam qualquer um desconfortável. Claro, o rapaz era bonito. Seus traços delicados e aparência bem cuidada não passavam desapercebidos. Contudo, ele não facilitava na interação. Os dois, agora colegas de quarto, guardavam suas coisas com apenas o barulho causado pela movimentação no cômodo se fazendo ouvir. 

— Desculpe, eu acho que não sei o seu nome... — começou Dane. Talvez tivesse mais sucesso em quebrar o gelo ali do que tinha tido com o garoto no quinjet. — Eu sou Nathaniel, Nathaniel Dane. Ou só Nathan. 

— É um prazer. — respondeu o outro, sem tirar sua atenção da mala. — Meu nome é Lennor. — Não estava dando muita margem para conversa fiada.

— Lennor von Doom, certo?

Antes que Lenny pudesse dizer qualquer coisa, uma garota mais nova, talvez uns dezesseis anos, no máximo, abriu a porta. Ela sorriu doce, como um pedido de desculpas por entrar sem bater. Seus cabelos dourados a davam um ar angelical, o que tornava o pedido de desculpas eminente ainda mais passível de ser aceito. 

— Sinto muito, eu devia ter batido. — diz ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha esquerda. — É só que, como vocês acabaram de chegar, achei que seria uma boa ideia avisar que já estão servindo a janta no refeitório.

— Obrigado pelo aviso. 

— Você vem? — perguntou Nathan, já fazendo menção em seguir a garota.

— Eu já jantei. Ao invés disso, tomarei um banho.

— Tudo bem, então, eu volto mais tarde.

O mutante saiu do quarto, encontrado do lado de fora uma jovem mulher que parecia acompanhar a menina. As duas possuíam uma certa semelhança. Os cabelos loiros, alguns traços do rosto. 

— Eu sou Nathaniel Dane, Nathan. — esticou a mão para cumprimentá-las. 

— Elya Vexton — apertando a mão do rapaz —, esta é minha sobrinha Alaska Danvers. — A garota mais nova reproduziu o ato, cumprimentando Nathan.

— Vocês são mutantes? Humanas? — perguntou, quase que automaticamente. — Desculpe, é que eu estou bem curioso em relação a... Todas essas novidades.

A mais nova riu doce, enquanto a outra curvava levemente os cantos dos lábios.

— Está tudo bem. Eu também estou morrendo de curiosidade! — revelou Alaska. — Mas o que é um mutante?

— Ah... — Nunca tinha tido que responder aquela pergunta. As pessoas viviam com medo em sua Terra natal. Todos sabiam. — É meio que uma evolução da raça humana com superpoderes. 

— Que interessante... Você é um? — a menina continua com suas perguntas enquanto Vexton os encaminhava para o refeitório.


. . .


Mais de trinta pessoas conversavam divididos em diversas mesas redondas para cinco pessoas no espaço. O barulho das vozes combinadas era difícil de ignorar para Elya, que ainda se acostumava aos novos poderes. Era mvais difícil do que seus sobrinhos e sobrinha neta faziam parecer. Bem, Kal e Ally haviam passado suas vidas inteiras no planeta azul. Não conheciam outro mundo. A uma vez comandante sagitari observou aquele garoto desconhecido, Nathan, conversar animadamente com sua sobrinha e a amiga dela, Nora. Os três discutiam sobre as diferenças entre meta-humanos e mutantes. Ainda era tão estranho ver a "equipe Flash" vivendo no mesmo mundo que o seu. Nada de portais para visitar uns aos outros em suas respectivas Terras. Agora era apenas uma questão de voar até Central City. Que mundo estranho esse em que vivia. 

Primeiro havia se tornado uma imigrante ilegal interplanetária. Agora, diferentes realidades eram comprimidas até se tornarem uma. Sua mente não pode deixar de pensar se nessa nova dimensão maluca Krypton ainda existia. Em algum universo por ai ela pode não ter explodido. Em algum lugar Elya poderia ter tido uma vida maravilhosa em sua terra natal, ao lado de seus sobrinhos. Será que essa versão de si havia deixado de existir por si só, já que ela mesma era a "versão oficial" daquela dimensão agora? Será que Krypton estava esperando por si? Não sabia dizer. Só sabia que se continuasse remoendo esses pensamentos, jamais chegaria em lugar algum.

Em uma mesa próxima, muito menos melancólicos, Lys e Euros aproveitavam sua janta. Haviam passado um bom tempo discutindo filmes e referências. A dor do mago inglês estava curada e o café o tornou muito menos irritadiço. O clima na mesa era de divertimento e curiosidade. Os dois garotos pareciam animados em conhecer um ao outro.

— Então, você é inglês? — O Constantine perguntou, fazendo referência ao jeito do outro de falar.

— Não, não realmente. Eu apenas... Tenho o sotaque. — afirmou dando ombros. — Acredite, eu sou mais japonês do que inglês.

— Que? — exclamou o outro em confusão.

— Eu nasci lá. Não sou japonês de nacionalidade, mas é mais que minha ligação com a Inglaterra. — respondeu como se tivesse que explicar essa história a todo momento. E de fato, era complicado. Não parecia em nada com um japonês. E não era um, apesar de ter nascido lá. O que era uma pena, pois seria interessante. Infelizmente, existe o Jus Sanguinis. Somente quem tem sangue japonês pertence ao país. — Mas e você, é óbvio que é inglês, mas onde na Inglaterra você nasceu?

— Na verdade, eu nasci nos EUA. Eu sou inglês, mas também estadunidense... Nascido Gotham, conhece?

— Deveria?

— Acho que sua versão da Terra não devia ter... Sorte a de vocês.

— O que foi? A cidade é tão chata assim?

— Chata? Gotham é qualquer coisa, menos chata. Na verdade, o problema é que tem emoção de mais. — O olhar curioso de seu interlocutor o pedia para continuar, então o rapaz se ajeitou na cadeira, pensando em como descrever Gotham para alguém. — Pense em Nova York. Adicione muita arquitetura gótica e tons escuros. É uma cidade agitada com muitos trens suspensos e metrôs. Tem uma beleza decadente e suja.

— Agora, pense em todas as máfias imagináveis e todo tipo de maníaco fantasiado, altamente inteligente, que assustaria os corações de quaisquer pessoas. E jogue-os lá. — um garoto de cabelos castanhos completou, se sentando na mesa ao lado deles com seu prato. — Assim talvez você tenha uma ideia do que é a nossa cidade natal.

— E você é?

— Desculpe.. Sou Matteo, Matteo Kane. — apertando a mão do outro. — Sou amigo de infância do Euros. Se ele ainda for ele mesmo...— Uma piada, mas uma com um teor de verdade.

— Nunca saberemos... — brincou.

— Bem, Matteo, eu me chamo Lysandre Strange, mas só Lys é o bastante. — Os garotos apertaram as mãos ao se apresentarem. 

De repente, uma voz quase robótica surgiu dos alto-falantes. As caixas de som estavam espalhadas em todo o prédio, não havendo alma ali que não escutasse. 

"Atenção, todos os protegidos, compareçam ao auditório em uma hora. Não se atrasem." 

A voz masculina ressoou autoritária, garantindo que eles não teriam outra alternativa se não obedecer. Matteo quase conseguia ver um homem de mais ou menos 50 anos, que havia sido militar a vida toda e gritado com centenas de soldados, falando aquelas palavras em um microfone, se esforçando para não gritar. 

— Acho bom terminar de comer logo... — sugeriu Kane. — Vamos ter muito tempo para nos conhecermos melhor.

Os outros dois concordaram. Comeram, não exatamente em silêncio, porém mais focados em terminarem. Os demais no refeitório fizeram o mesmo. 

Precisamente uma hora depois, lá estavam os três, entrando no grande auditório. Haviam menos pessoas do que Euros imaginava. Cerca de vinte pessoas se sentavam nas cadeiras mais a frente. Os três garotos se sentaram juntos. O mago inglês ao lado do corredor e Lys no meio. Não demorou muito para uma figura aparecer no palco. Um homem negro e careca, usando um tapa-olho e roupas pretas. Seus braços estavam cruzados para trás e seu olho parecia escanear os rostos a sua frente. Matt pensou se aquele não seria o homem do recado. Sua postura denunciava a necessidade de controle. Contudo, Lys sabia que não era. Aquele era Nick Fury. 

— Vocês sabem por que estão aqui. — Finalmente começou, sua voz soando calma e precisa. — Já devem ter discutido entre si as diferenças de nosso atual mundo, as estranhezas. Nossos heróis estão lá fora, seus pais, amigos ou amores. — Sua oratória era perfeita, Matteo tinha que admitir. Definitivamente não era a voz de antes. Supôs ser o tal Fury de quem ouvira falar ao chegar ali. Sua voz e autoridade, e calma, prendia a atenção de todos presentes. - Há um inimigo escondido nas sombras, um problema que eles precisam resolver. E com isso nossas ruas ficam desprotegidas. Meus agentes têm dado conta do serviço, mas mesmo alguns dos criminosos de rua deste país são demais para um humano qualquer. Então, por que continuar a sacrificar meus agentes se vocês conhecem o problema melhor do que eu? 

A pergunta pairou no ar por um momento. Cada um dos projetos de herói ali refletindo e pensado sobre o que viria a seguir. É verdade. Eles conheciam o problema. Haviam nascido em meio a ele. Alguns ali com toda certeza queriam trilhar os passos dos pais, e a maioria já o fazia.

— Eu quero a ajuda de vocês, mas não posso obrigá-los. Então peço para que todos que tenham poderes ou sejam de alguma forma extraordinários, para que permaneçam. Se assim desejarem. O resto pode se retirar. Vocês serão redesignados para uma outra instalação. 

As pessoas estavam um pouco hesitantes em sair. O discurso do homem parecia ter criado uma necessidade de ajudar nos seus interlocutores. Sua oratória era poderosa, sem dúvida. Aqueles que não tinham utilidade na situação, se sentiam inúteis como um todo. Como se devessem algo ao super-espião. Porém, aos poucos foram saindo. Afinal, o que poderiam fazer? Não eram guerreiros. Em alguns minutos, só restavam ali Vexton e os filhos de heróis. 

— Muito bom. Alguns dos protegidos ainda estão a caminho, mas vocês serão suficientes. — ele pega um papel em seu bolso antes de continuar.

"Por enquanto, dividiremos vocês da seguinte forma: equipe um, Euros Constantine, Matteo Kane, Ethan Shlottman e Lysandre Strange; equipe dois, Eleonor O'Connor, Jason Wilson, Nora Allen e Alaska Danvers; por fim, equipe três, Lennor von Doom, Alec Müller, Elya Vexton e Nathaniel Dane. Perguntas?"

Mais uma vez Jason levanta a mão. Ele não espera qualquer autorização para falar, apenas o faz. E enquanto Hill pensou que ele zombaria dos nomes mais diferentes, Doom, Euros ou Alaska, não foi isso que aconteceu. O garoto, já abaixando a mão, fez uma expressão de tédio e perguntou:

— Vamos chutar a bunda de algum vilão logo ou você quer arrumar umas roupinhas combinando para nós primeiro?


Notas Finais


Se o seu personagem não apareceu, nem foi citado, mas foi aceito, saiba que eu preparei uma entrada diferente para ele/ela. Talvez demore, talvez não. Mas eles estarão aqui.

Espero que tenham gostado! Até a próxima, pessoal!


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