História Encruzilhada - Interativa - Capítulo 3


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Palavras 5.743
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Fantasia, Ficção, LGBT, Luta, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Pansexualidade, Spoilers, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá! Primeiro, desculpem-me! Esse capítulo deveria ter o dobro do tamanho... Contudo, Enem. Eu estou sem tempo para revisar mais cinco mil palavras. Se não sair agora só em duas semanas...

Espero que gostem!

Capítulo 3 - Apenas um treino...


Estava no Laharl. O café, localizado no centro de Leeds, era mais um daqueles lugares orgânicos e famosos por seu atendimento. Não era uma franquia de cafés de máquina, sim um local dedicado a arte de se fazer cafés artesanais. E era ali que Euros trabalhava, atendendo os clientes de forma rápida e simpática. Ali gastava a maior parte de suas habilidades sociais. Tudo para ganhar gorjeta. Não era exatamente algo que gostava de fazer, mas a sensação de liberdade, de poder ter seu próprio dinheiro, isso fazia o rapaz sorrir. Ainda sim, ser um bom barman era cansativo.

Mesmo naquele caos, onde pessoas, lugares e até mesmo países inteiros haviam sumido ou surgido sem explicação; o café nunca estava vazio. Estar ali era escutar todas as fofocas da cidade. Muitos dos casos sobrenaturais em que Euros trabalhou chegaram ao conhecimento do jovem mago através das conversas de seus clientes. E naquele momento, o assunto era o tremor. Relatos de mães que pareciam não conhecer seus filhos, famílias cuja as casas desapareceram, maníacos incendiários surgindo do nada, pessoas que se machucaram durante o abalo e super-heróis desconhecidos. Todo tipo de loucura imaginável. Felizmente, algumas coisas não haviam mudado... Café ainda era café e, bem... O do Laharl ainda era o melhor da cidade.

— O que vai querer? — perguntou para a próxima da fila, uma moça alta e bonita, de cabelo azul escuro e olhos acinzentados. Como sempre, vestida em jaqueta de couro e pulseiras cheias de tachinhas pontudas de metal. Elly era seu nome. Talvez a cliente mais assídua do café. Ela estava lá todos dias, e nunca passou despercebida por Euros. Sem dúvidas uma pessoa interessante de mais para não ser notada. — Não, espera... É... Expresso duplo! Nas quartas é sempre um expresso duplo, acertei?

— É! Você acertou! — surpresa, ela retribui a atenção que parecia ter ganhado do garoto com com genuíno sorriso. — Eu venho tanto assim aqui?

O mago rapidamente pegou a xícara e preparou o café. A única coisa que saía de uma máquina era a água quente. Uma pequena peneira era posta com o pó do café sobre a xícara e o Constantine ia derramando o líquido fervente gentilmente sobre este. Logo, uma xícara de café artesanal perfeita estava mais uma vez pronta. Um espetáculo que os clientes, incluindo a própria Elly, não se cansavam de assistir. Era um processo que transmitia calma. E calma era uma coisa muito estimada em uma cidade cheia de estudantes universitários, preocupados em se graduar acima de tudo.

— Pergunte a mim — começou, pegando a xícara em suas mãos para então entregá-la à moça —, e você não está vindo o suficiente.. — Novamente, ela lhe retribuiu com um sorriso. Não sabia muito bem como responder àquilo, logo resolveu apenas se sentar em uma mesa qualquer com vista para a rua.

— Ora, ora... — Jade, a dona do estabelecimento, saiu da cozinha, segurando uma forma com biscoitos, bem a tempo de presenciar a cena. A simpática e divertida chefe do rapaz.

— Flertando com a clientela de novo, Euros? — Em sua voz havia um tom de brincadeira. Ela se divertia em acompanhar as aventuras românticas do rapaz. Ao mesmo tempo que pegava no pé do mesmo para que fizesse ao menos um relacionamento durar.

— A senhora me conhece, eu tenho muito amor para dar.

— Hm... Se fosse mesmo amor... — comentou enquanto arrumava os biscoitos de açúcar, que ela mesma havia feito, nos expositores do balcão.

— Dona Jade... — dando ênfase no nome dela, sua voz soou como se a chamasse a atenção. — Por incrível que pareça, eu não estava flertando. Ou ao menos não era a intenção.

— Sei... Faça me um favor e ofereça os biscoitos, por conta da casa.

— Me mandando seduzir alguém? A senhora está se sentindo bem? — ironizou.

— Eu tenho esperanças de que você um dia sossegue. — Jade entrega uma porção dos famosos biscoitos preparados por ela mesma. Pequenos discos de massa âmbar com gotas de chocolate amargo e um leve aroma de canela. A marca não registrada do Laharl. — Talvez seja com ela.

O mago agradeceu com um aceno de cabeça. Resolveu não arruinar com os sonhos da senhora, mas suas intenções não eram nada românticas. Só queria se divertir, no máximo fazer uma amizade colorida... Com sorte Elly queria o mesmo. No fundo, Jade sabia disso, mas fingia ignorância. Ela assistiu o funcionário, quem considerava um neto, ir até a mesa da garota. A moça dos cabelos azuis parecia distante, seu olhar perdido em meio ao fluxo de pessoas que podia ser visto na calçada. Tomava seu café sem realmente prestar atenção no que fazia e, entre os goles, arrancava a pele seca da boca com mordidas.

— Biscoitos? — A outra estava tão desligada do mundo que levou um pequeno susto com a pergunta. Ficou olhando para o rapaz como se não entendesse o que ele estava fazendo. Se fosse outra pessoa, não si mesmo, ele provavelmente se sentiria culpado, mas sendo Euros Constantine, só continuou a falar. — São cortesia da casa.

— Ah! — exclamou. Tomando um breve momento para recuperar a compostura. — Eu não sei se devo aceitar...

— Você está com cara de quem precisa de uns biscoitos caseiros. — sentando-se de frente pra ela, ele empurrou o pratinho com os biscoitos em sua direção.

— Você tem razão. — admitiu após um suspiro. — Eu preciso. — Se dando por vencida, ela pegou um em sua mão e o levou a boca. Agora toda a sua atenção era voltada para eles e para o café. Consumindo lentamente ambos.

— Está tudo bem? — Euros resolveu perguntar. Elly era sempre tão animada e elétrica. Sempre rindo alto de alguma conversa com colegas aleatórios que a acompanhavam esporadicamente ao café. Alguma coisa não estava certa... Teria algum familiar desaparecido? Talvez se ferido no tremor? — Há alguma coisa que eu possa fazer por você?

— Ah, não... Infelizmente. Ah, a não ser que você tenha poderes mágicos... — suspira pesado.

— Posso não ser um barman de um pub, mas eu ainda sou um barman. Acho que isso pode ser considerado um poder mágico, não? Escutar histórias e dar conselhos.

Durante alguns segundos houve uma pausa, como se ela decidisse se abriria seu coração ali ou não, mas ela enfim falou.

— São meus irmãos. Uma irmã e dois irmãos. Com tudo o que aconteceu Geo, minha irmã, resolveu nos reunir. É só que.... Nós quase não nos vemos, e eu acho melhor assim. Sem conflitos. — O rapaz odiava esse tipo de situação. Familia. Nunca sabia o que dizer... Se fosse sincero talvez ela se magoasse, se não o fosse, talvez ela percebesse — e ela com certeza ficaria chateada. Seria muito mais simples se fosse algo relacionado a estudos ou decepções amorosas. Aí sim conselhos mais práticos seriam úteis.

— Eu felizmente sou filho único, então não há muito em que eu possa te aconselhar, mas... — Dando algum tempo para pensar em uma resposta adequada. Não deveria se demorar muito, ou ficaria estranho. Optou por repetir aquilo sempre ouvia dizerem por aí. — A melhor solução para evitar conflitos em família é manter a calma. Mesmo se a outra pessoa não o fizer.

Ela ri. O concelho era vago e pouco eficiente, e ambos sabiam disso. Ambos também sabiam que "ambos sabiam". Mesmo assim, Elly se sentia feliz. Alguém se importava em a ajudar, e isso já valia por tudo.

— Obrigada... É...? — Resolveu agradecer, no meio da frase percebendo que nunca havia perguntado ou reparado o nome de seu barman favorito. Felizmente, em seu uniforme havia uma plaquinha. — Euros. Como a moeda?

— Como o deus grego do vento norte, na verdade. — comenta com humor.

— Bem, você já tem o meu. Já sabe que nome colocar nos contatos... — ela escreve uma série de números em um papel e o entrega, junto com o dinheiro para pagar pelo café e pelos biscoitos.

— Os biscoitos foram por minha conta. — devolve uma parte da quantia.

— Obrigada, de novo, Euros.

"Euros."

"Euros.."

— Euros! — Uma voz praticamente gritou. — Desligue o seu despertador, por tudo o que te é sagrado!

O garoto afundou o rosto no travesseiro. Havia uma familiaridade na voz, mas ela poderia esperar. — Só mais cinco minutos. — Sua voz, embargada de sono, soou abafada pelo travesseiro. Fosse quem fosse, poderia esperar só um pouquinho. Contudo, ele não conseguia mais fechar os olhos. Notou um barulho, simples e constante, absolutamente irritante. Um despertador? Sua mão direita tateou os arredores a procura de algo, mas nada encontrou. A irritação surgiu, e lá se foram seus cinco minutos. Sem paciência, ele suspirou pesado e levantou o corpo, se sustentando pelos cotovelos, apoiados no colchão. Olhou ao seu redor, até ver na parede um tipo de terminal eletrônico. Se arrastou um pouco e enfim pode alcançar a tela, pressionando a mão contra o vidro.

"Reconhecido, Euros Constantine. Alarme desligado. Tenha um bom dia." A voz robótica anunciou, pondo fim ao barulho. O inglês desabou no colchão, seu corpo ficando na beirada, a mão destra tocando o chão frio.

— Até que enfim! — Lys, na outra cama, estava com os ouvidos tapados com travesseiros, que logo foram largados na cama. — Cara, você tem um sono pesado...

— Hm... Geralmente eu não tenho.

O garoto ponderou. De fato, tinha um sono muito leve. Mais de uma vez, no apartamento em Leeds, havia perdido toda uma noite de sono quando seu colega, Argenis, tentava sair de mansinho para alguma festa. Qualquer barulho o acordava. "Talvez seja jet lag", pensou. Deveria ser isso. A diferença de fuso horário. De qualquer forma, isso poderia ser avaliado mais tarde. Tinha que se arrumar, tomar um café e ir com Lysandre conhecer sua equipe.

...

Após o café, os agentes os instruíram a vestir roupas para academia e encaminharam os futuros heróis para a sala de treinos, onde foram indicados a esperar com suas equipes até Fury chegar. Conhecer melhor uns aos outros. No local amplo, cheio de aparelhos de academia e alguns ringes e tatames, estavam as equipes formadas pelos protegidos que haviam aceitado lutar. Euros e Lys se sentaram junto a Matteo e Ethan, os outros integrantes de seu grupo, em uma parte da pequena arquibancada ao redor do ringue.

— Então... Seria bom sabermos o que cada um faz. Vamos ser uma equipe, lutar juntos. — Sugeriu Strange, quebrando o silêncio que havia se instaurado entre os quatro.

— Concordo. Vejamos... Eu não tenho poderes nem nada. — declarou o italiano. — Mas eu sei lutar.

— Bom, eu sou um feiticeiro.

— Hm! Oz também é!

— Feiticeiro e exorcista. — O inglês corrigiu. — É bom saber que meu colega de quarto é um usuário de magia também.

— E você, Shlottman? — Matt começou. — O que você faz?

O garoto de calça de moletom preta e blusa roxa escura estava quieto desde o início. Na verdade, ainda nem sequer haviam ouvido sua voz. Ele parecia ser do tipo mais recluso. Se sentara sozinho na janta e no café da manhã. — Ilusionismo. — declarou sem muito entusiasmo. O incomodava um pouco estar naquela situação.

— Se fossemos um grupo de D&D, seriamos basicamente, dois magos e dois ladinos. — observou Kane. — Grupos sem tanque não se dão muito bem!

— Suponho que você seja o nosso agora... — O feiticeiro americano disse o que já era óbvio para o italiano, e para Euros também. O preocupante era que grupos inimigos poderiam ter seres tão fortes quanto kryptonianos, mas cuja as fraquezas desconhecesse. Sendo um humano normal, não poderia competir em força com eles. Mal podia com outros humanos. — Você vai se sair bem... Magia resolve quase tudo, no final.

E essa era justamente a base da discussão da equipe dois.

— Sabe o que resolve tudo? Lâminas, ou balas e uma boa dose de poder mutante. — Wilson cortou Nora, que estava tendo uma conversa com Eleonor. — Álcool também costuma funcionar...

— Por favor... — começou Alaska. — Super-força, super-velocidade, super-sentidos e visão de calor. Isso sim resolve qualquer coisa!

— Nesse caso, eu vou ter que concordar com Ally. — Nora se pronunciou. Fazendo Jason bufar. Estava muito convicto de que suas alternativas era a melhor.

— Eu vou ter que insistir. — A garota homo magi não deu o braço a torcer. — Magia é a mais vaga, problemática e incrível solução para qualquer problema. Se bem que ter super-força ou voo seria legal...

— Viu? Eu acho que provei meu ponto.

— Super-força não resolve problemas com imortais, mas sabe o que resolve? — Uma pausa dramática seguiu sua frase. — Álcool.

— E se o seu metabolismo for acelerado, como o de Nora aqui? — indagou Eleonor. — Cadê seu Deus agora, hm?

— Etanol puro funciona. — A velocista comentou. — Por alguns minutos. E em grandes quantidades...

— Eu não sou um especialista, mas isso soa como álcool.

— É álcool. — a feiticeira revirou os olhos.

Enquanto isso, a terceira equipe, um pouco mais afastada, havia acabado de se apresentar — uns para os outros — e tinha um curioso Nathan questionando seus colegas. A conversa sobre poderes não durou muito por ali. O jovem mutante debateu brevemente com Alec sobre as diferenças entre mutante e inumano, com Elya e Doom apenas escutando. Porém, em algum momento, a coisa se virou para nacionalidades. Alec, e até mesmo Dane, eram fáceis de entender, um estadunidense e um estadunidense também colombiano e um tanto inglês. Já Elya, embora também se considerasse estadunidense, era kryptoniana, uma alienígena; e Lennor, embora fosse deste planeta, era de um país chamado Latvéria, o qual ninguém ali ouvira falar.

— Ouvi falar que países novos surgiram do nada depois do tremor, mas nunca tinha conhecido alguém de um... — A kryptoniana disse. Já fazia um ano desde o acontecimento, mas não é como se desse para acompanhar todas as novidades. — Onde fica?

— Na fronteira sul da Romênia.

— E seus pais são heróis locais? — indagou Dane.

— Algo assim...

...

— Enquanto missões não chegam, vocês vão treinar. Para trabalhar em equipe, precisam conhecer as fraquezas e forças um do outro. — A voz de Nick Fury se fazia ouvir na sala de treinos. — Quando ouvir seu nome, entre no tatame e lute com seu oponente. Poderes serão permitidos, mas ferimentos serão punidos, entendido? — Todos pareceram concordar. — A luta acaba quando alguém desistir ou sair da área.

"Primeira luta: Lysandre Strange, magia, e Eleonor O'Connor, magia" Uma voz, mesma do despertador, anunciou. Ela saia dos alto falantes espalhados pelo lugar. Com isso, em uma tela próxima, os nomes apareceram e assim que os dois oponentes entraram na área de combate, composta por um grande quadrado de placas acolchoadas de cor cinza, eles foram substituídos pelo número 3, que desceu em contagem regressiva até o zero, quando um sinal enfim deu início a luta.

O garoto foi o primeiro, invocando cordas vermelhas que se moveram em direção a garota para amarrá-la.

— Oducse rotelfer! — Pronunciou as estranhas palavras, criando uma redoma protetora ao seu redor. Constantine reconheceu imediatamente aquelas palavras. Sdrawkcab hceeps, a fala usada por homo magis para conjurar seus feitiços.

As cordas apertaram a redoma. Eleonor não aguentaria por muito tempo. Mas felizmente era uma garota esperta. Esperou, e assim que seu escudo estava para se partir, ela proferiu mais um feitiço. — Sanimla ed ogof!

Lâminas semicirculares de puro fogo voaram na direção de seu oponente, foi obrigado a desfazer seu feitiço e conjurar um escudo de proteção. Quando Strange desfez seu escudo, ela não perdeu tempo.

— Sarefse ed zul! — Aproveitando-se que Lys, assim como o resto daqueles presentes, estava cego pela forte luz emanada das esferas azuis que ali surgiram, Leo usou um último feitiço. — Ra! — A garota de olhos azuis praticamente gritou. Uma poderosa rajada de vento jogou Lysandre Strange pelos ares, beirando o limite da arena. O erro da jovem homo magi foi ser educada o bastante para esperá-lo se levantar.

Pensando rápido, o garoto abriu um portal, se lançando nele e assim conseguindo agarrar a oponente por trás, tapando sua boca. Ele tinha uma teoria, de que o poder dela vinha de suas palavras. Se estivesse certo, era sua vitória, mas se estivesse errado, bastaria um feitiço para que ela o derrotasse. Felizmente, para ele, estava certo. O'Connor se debateu, mas o garoto era mais forte. Mesmo assim ela não desistiu. Se ele não houvesse novamente conjurado as cordas mágicas, provavelmente ela teria escapado. Mas aquele era o fim. O filho do feiticeiro supremo usou as cordas para erguê-la até o lado de fora da arena.

"Vencedor: Lysandre Strange." A mesma voz robótica anunciou.

Eleonor foi solta. Tanto ela, quanto Lys voltaram para seus lugares, na série de bancos ao redor. Euros não disse nada além de parabenizar o colega. A garota parecia ser bem novata com seus poderes, não sabia muito bem ainda o poder que suas palavras carregavam. Se ela soubesse, e focasse em treinar apenas isso, jamais teria perdido naquela situação. Mas mal a conhecia. Não era de sua conta. Ao menos não ainda...

Não demorou e a inteligência artificial voltou a se pronunciar. "Segunda luta: Matteo Kane, combate armado e desarmado; e Elya Vexton; super-força, visão de calor, super-velocidade, voo, visão de raio-x, sopro congelante, invulnerabilidade, super-sentidos e fator de cura."

O italiano foi o primeiro a pôr os pés dentro da área de tatame. Vê-lo se posicionar firme como uma rocha, o rosto sério e intimidador, era, naquela situação, um tanto engraçado. Ninguém parecia ter muita fé no garoto, ninguém além de Euros, que conhecia muito bem o amigo. O fato de estar usando calças de moletom cinza e uma blusa preta, com a cintura enfeitada por uma espécie de pochete lateral, nada contribuía para sua imagem. Ainda mais depois do show dado por Strange e O'Connor.

— Tem certeza de que essa é uma boa ideia, senhor? — Nora perguntou ao Fury. — Kane é, aparentemente, apenas um humano normal... Isso não é justo!

— Na vida real, combates não são justos.

Elya entrou logo em seguida. Ela tinha receio de machucar seu oponente. Não seria uma boa maneira de começar as coisas. Se não medisse sua força, poderia acabar o esmagando... A quantidade de poderes listados dava a ela um ar de imponência, mesmo de calças de moletom cinza-claro e blusa branca. Talvez a falta de um acessório totalmente inesperado marcasse pontos.

Com os dois já posicionados, um contador apareceu em uma tela próxima. O italiano parecia tenso. Sem o ar convencido que geralmente tinha em batalha. E Elya definitivamente havia percebido isso. Pela sua postura, parecia uma guerreira experiente. E realmente era. Uma comandante Sagitari. Contudo, o receio de extrapolar com seus recém adquiridos poderes ainda estava lá. Tinha que ser responsável.

O sinal para o início da luta soou. Ambos estavam em posição, prontos para atacar ou defender. Elya não iria usar de muita força. Apenas o bastante para fazê-lo voar da área marcada. Confiante, investiu contra o mais novo. O impacto foi mais duro do que esperava. Porém nenhum corpo havia voado para fora. Demorou para que, tanto ela quanto os outros, percebessem que Matteo na verdade segurava seu punho. Tudo durou menos que um minuto. O italiano não deu tempo para a outra pensar e se aproveitou para agarrar o braço de sua oponente e a puxar contra seu joelho, a golpeando nas costelas. A mais velha, recuperando-se da surpresa, tentou atacá-lo, deslizando sua perna no chão com o propósito de derrubá-lo, mas o garoto conseguiu realizar um mortal para trás, escapando, mas quase caindo no chão durante a aterrissagem. Vexton se aproveitou para investir novamente. Por sua vez, o italiano desviou e chutou a mulher pelas costas, a empurrando para fora da arena.

Elya sentia seu corpo fraco. E levemente dolorido. Talvez aquele garoto não fosse apenas um humano bom de briga, como o Arqueiro Verde... Talvez bloqueasse poderes? Não... Aquela sensação era levemente familiar.

"Vencedor: Matteo Kane." A voz robótica anunciou, com a tela brilhando em verde.

Todos ao redor estavam surpresos. Mesmo Euros não havia previsto um combate tão rápido. Os lábios de Kane se curvaram em um breve sorriso enquanto o garoto abria a palma de sua mão não dominante, a esquerda. Havia uma pequena pedra verde brilhante em suas mãos. Kryptonita.

— Isso não é justo! — protestou Alaska, dando um passo a frente. — Ter kryptonita não é uma habilidade, nem um poder.

— Engano seu, cara mia. — Matt rebateu enquanto guardava a pedra em sua pochete. — Informação é poder, e prevenção é uma habilidade. Uma muito necessária.

— Eu vou considerar. — revelou Fury.

— Mas...

— Próximos! — chamou.

"Terceira luta: Euros Constantine, magia, e Nathaniel Dane, luz e magnetismo." Ao comando do diretor, a voz voltou a soar. Elya ficou alguns segundos no chão, antes de se levantar e sentar ao lado de sua sobrinha, que olhava para Matt um tanto quanto indignada.

— Isso já está parecendo Hogwarts, de tanto bruxo. — murmurou Wilson.

Os dois garotos entraram no tatame. O contador imediatamente iniciando.

— Nada pessoal, Nathan. Mas eu quero ganhar...

— Eu digo o mesmo.

Ninguém ali além de Nicholas Fury sabia, mas aqueles eram dois dos mais poderosos entre todos os protegidos. Um homo magi treinado e um mutante de nível alfa. Os dois se analisaram por alguns segundos. Nenhum querendo subestimar o outro. Euros pensou em como agir, já que se usasse um feitiço Dane poderia imitar Strange e calar sua boca. Teria de ser cuidadoso...

O mago foi o primeiro a atacar. — Caelum, daturum me fulgur. — O latim era reconhecível. Suas palavras fizeram surgir uma espécie de selo mágico de luz azul esverdeada. Dele saiu um raio na direção de seu oponente, que rapidamente usou sua mão direita para controlar um dos pedaços de metal que havia trazido consigo, o posicionando a sua frente, porém um pouco mais alto que sua cabeça. A descarga elétrica foi desviada para o objeto com sucesso.

Sabendo que o outro atacaria agora, o inglês não perdeu tempo e levantou uma forte proteção. — A zap oãn arub, edraug-em od euq átse rop riv. — Terminou de recitar seu feitiço, formando assim o escudo, bem tempo de se proteger do laser de luz branca que saia mão esquerda do seu oponente. Foi a vez de Eleonor de reconhecer a fala de um homo magi. Só que o inglês parecia muito mais treinado do que si. Constantine... Onde já havia ouvido esse nome?

Voltando ao combate, não estava muito claro quem iria ganhar. Nathan era poderoso, mas Euros o era também. Mesmo quando Nathan, após dois feitiços, reparou eles eram palavras de trás para frente, assim como o de O'Connor, não adiantou muito. O garoto usou a mão direita para arrancar um pedaço de metal dos bancos e usá-lo moldar uma espécie de máscara, tapando apenas a boca do homo magi. Contudo, o repertório mágico do Constantine não se limitava aos feitiços derivados de sua habilidade enquanto parte de uma espécie mágica. Também sabia outros truques. Possuía uma forma simplificada de telecinese, vinda da magia.

Pegando seu oponente de surpresa, o garoto de olhos azuis claros conseguiu fazê-lo levitar, envolto em uma aura azul esverdeada. E nesse exato momento, luzes vermelhas se acenderam e um som constante tomou o lugar.

"Empate. Luta finalizada pelo sistema. Alerta: ataque em progresso no Central Park. Indivíduo perigoso."

Euros deixou Nathan no chão e este removeu o metal da boca do primeiro. Todos estavam ansiosos, esperando alguma instrução, alguns, como Jason, já andando para fora da sala.

— Não. — O diretor prolongou a palavra ao dizê-la. — Vocês estão em fase teste. Deixem isso para os meus agentes.

Um aglomerado de vozes pedindo por explicação, revoltadas e ofendidas, preencheu o lugar. Haviam sido chamados para lutar apenas para serem rejeitados no dia seguinte? Não, isso não poderiam aceitar.

— Silêncio! — ordenou o homem negro. — Todos os que combateram até agora estariam mortos na vida real. Pequenos erros, mas são esses os mais perigosos... Agora... — Ele suspirou. — Estão dispensados. Se me dão licença, eu tenho outros assuntos para cuidar.

Pequenos grupos se formaram e seguiram cada um para um lado. Lys, Euros e Matt foram para a cozinha, conversando sobre assistir algum filme interessante no dormitório após fazer pipoca. Alaska carregou Nora, Elya, Nathan, Eleonor e até mesmo Lennor consigo afim de procurar algo de bom para fazer. No caminho, ao ver Alec sozinho, convidou-o também. Quanto mais gente melhor, em sua visão.

Contudo, duas pessoas ali não pensavam assim. Ethan e Jason foram os únicos a procurar algum canto isolado pelo complexo. O primeiro ficou em seu quarto, agradecendo mentalmente por seu colega não estar ali. Não que Matteo fosse inconveniente. O italiano era surpreendentemente reservado. Só gostava de ter um tempo só para si. Antes de realmente entrar para o quarto, pegou um café e um livro em uma biblioteca que havia visto mais cedo. Essa era sua ideia de diversão.

Já o outro, Wilson, havia escapado para o terraço com uma garrafa de uísque que havia "pego emprestado" de uma espécie de mini-bar que havia no prédio. Mais um dia e nada da Melissa. Tudo bem, era o segundo dia. Mas a garota morava em Salem Center, o que fica no estado de Nova York. Como ele, vindo de Londres, poderia ter chegado primeiro? Já estava ficando impaciente. "Se ela não chegar hoje aquele carequinha vai ter que me dar uma satisfação..." pensou, enquanto dava um gole generoso do líquido âmbar.

Enquanto isso, o maior dos grupos estava no refeitório, ocupando a grande mesa que havia na lateral do espaço. Alguns tomavam café, outros nem havia pegado nada. Muito perto do almoço para arriscar perder o apetite.

— Desculpe, o que? — Lennor tinha a impressão de que haviam o chamado. Acabou se distraindo durante a conversa.

— Ah, Elya perguntou se você é militar. — repetiu Alec.

— Claro, desculpe. Eu me distraí... — disse olhando para a loira. — Sou sim.

— Isso é empolgante! — Uma chave de energia foi virada na kryptoniana mais nova. — Seus pais são super-heróis e você é um militar!

— Alaska...

— Relaxe, tia... Eu não estou te sufocando, estou?

— Não, não está. — A verdade era que estava um pouco sim. Mas sua educação não o permitia dizer. Além disso, o latveriano não era tão insensível quanto talvez parecesse. Sabia que era literalmente um ser de outra dimensão para eles, fato apenas fortalecido por ser de um país que não deveria existir para nenhum deles.

— Como é ser um herói no leste europeu? — Elya resolveu puxar assunto.

— Eu não saberia dizer. — respondeu com sinceridade. — Não temos vilões na Latvéria, não como no resto do mundo. Pelo menos, não temos mais. Meu pai age como herói pelo mundo. Cumprindo o papel de Homem de Ferro.

— Espera, você é filho do Tony Stark? — Alec parecia repentinamente ter se interessado. Coisa que os outros ali não conseguiam entender. Nunca haviam ouvido falar de um Tony Stark, afinal.

— Não. O senhor Stark entrou em coma após alguns eventos, meu pai e mais uma moça estão o substituindo.

— Mas e você, Nathaniel? — começou Nora. — Sua disputa com aquele garoto foi impressionante.

— Obrigado... — respondeu meio sem jeito.

— Hm... Constantine, né? Pode ser coincidência, mas eu conheci um outro mago inglês com esse sobrenome. — comentou Ally. — Bonito e cheio de charme, mas não pensaria duas vezes antes de entregar todo mundo para se dar bem... Eu sei lá... Não confio muito nem nele, nem no amigo. O italiano. Às vezes acho que ele me é familiar. Mas não de uma boa maneira.

— Ele usa feitiços parecidos com os seus, pelo que percebi. — Vexton se manifestou. — Estou certa?

— Eu acho que sim.

— Do jeito que as coisas estão, ele poderia ser seu tio, você não tem como saber... — O inumano comentou.

...

— Se você parar para pensar — Lys iniciou mais uma análise sobre o filme que haviam acabado de assistir, Em Ritmo de Fuga —, isso é um musical...

— Só que bom...

— Está louco? — indignado, o inglês quase derrubou seu café ao se virar para o lado e encarar o amigo italiano. — E Mary Poppings? E Rei Leão?

— Amor, Sublime Amor? O Violinista no Telhado! O nome Dançando na Chuva não te diz nada? — O outro mago também estava indignado.

— É, mas as piores coisas também vem dai. — rebateu. — High School Musical, Glee, isso para não falar de Grease 2!

— Você está generalizando. — Lys defendeu seus musicais. — Dizer isso é o mesmo que dizer que todo italiano é mafioso. — Uma breve risada de Euros foi ouvida, uma rapidamente cortada por força de vontade. — O que?

— Nada, vamos ver mais um? — Kane mudou de assunto.

— Está quase na hora do almoço... — O mais alto, Constantine, observou. — Talvez fosse melhor pararmos por aqui. Espero que de tarde eu possa retomar minha luta com o Nathan...

— Ele tem razão no final, sabe... Fury. — Matt disse com a voz baixa. — Na minha luta contra a Vexton eu dei alguns deslizes. Eu quase cai em um momento... Se ela fosse uma vilã e quisesse me matar, teria conseguido. O mesmo se aplica ao contrário. Eu poderia ter cravado um pedaço de kryptonita nela se eu quisesse. Vamos ser só nós lá fora. Sem nossos pais para nos salvar se fizermos merda...

— É... Mas nós não nos dispomos a ajudar para ficar aqui vendo filmes... — respondeu Strange. — Por mais que eu tenha adorado passar um tempo com os meus novos amigos, poderíamos estar lá fora, sendo úteis.

— Quer saber? — Euros se levantou da cama. — Nós vamos sair. — falou com determinação.

— O que?

— De todas as suas loucuras, Oz, essa talvez seja a pior... Fugir de um prédio cheio de espiões?

— Magia... — responde Lys.

— Exatamente!

— O que você pretende? Se esgueirar por Nova York enfrentando bandidos e torcer para eles não notarem?

— Poderíamos sempre ir para Gotham... — sugeriu o italiano. — Crime é o que não falta.

— São dez horas... O submundo de Gotham está dormindo a essa hora... — zombou Oz. — Além disso, vamos arriscar sermos dedurados pelo Damian ou Alfred? Eu passo.

— Ainda acho que Nova York não é uma opção. Então podem riscar essa também.

— Sabe, eu tenho uma ideia. — Matteo se levantou também. — Oz, você não estava trabalhando um caso em Leeds?

— O incendiário? As pistas não me levaram a lugar algum...

— Três cabeças pensam melhor que uma, pode ser que encontremos algo!

— É melhor do nada. — concordou Lys. — Vai ser um bom treino. Na pior das hipóteses, nós voltamos para cá e buscamos reforços.

— Ok, então, vamos nos vestir! Eu volto em dez minutos!

Enquanto Euros vestia uma roupa normal, uma camisa cinza, calça preta e botas pretas; Lysandre ponderou se deveria usar seu traje especial. Seu pai havia lhe dado, mas ainda não tinha usado.

— Vergonha de usar essa roupinha justa? — o inglês perguntou, fazendo o outro sorrir levemente.

Ele pegou o uniforme nas mãos. Era composto de três peças, uma camiseta de manga curta e uma calça azuis com detalhes em branco e verde e uma capa vermelha de bordas irregulares.

— É bonito. Deveria usar.

— Mas e você? Não tem nenhum traje?

— Eu sou um exorcista. — O garoto disse dando ombros. — Não acho que me levariam muito a sério se eu usasse. E as pessoas já me enchem o bastante em relação ao meu nome...

— Por você ser Euros fora da Zona do Euro?

— Isso também.

Alguns minutos depois Matteo entrou no quarto vestido com um traje preto de mangas compridas, luva e bota, além de uma capa curta, que nada mais era que um pedaço de pano que estava arrumado de forma com que criasse um capuz.

— Wow.. Isso... Não é nada chamativo. — Ironizou o mago inglês.

— Engraçadinho. É feito para causar medo de noite. Não para ser usado de dia.

— Você parece um Nazgûl...

— Podemos discutir moda mais tarde. — sugeriu Strange. — Tem algum feitiço para nos levar até Leeds?

O outro assentiu. — Eu posso ligar qualquer porta do mundo às do meu quarto em Leeds e este aqui. Sempre bom ter uma rota de fuga. — Ele fechou a porta e colocou sua mão sobre a madeira. — Jano, domine ostium, ad ianuam aperire viam.

Ele abriu a porta e os três entraram. O cômodo não era grande, mas tinha bastante coisa. Ervas, pós e líquidos estavam guardados em potinhos, organizados em metade de uma estante, cujo o resto estava ocupado por livros. Action figures, vinis, pôsteres e tela estavam espalhados em uma decoração caótica, porém aconchegante. E ainda haviam as tintas. Sobre uma mesa, livros de faculdade e materiais de pintura se misturavam. Ainda sim, era tudo perfeitamente limpo, embora cheirasse a solvente para tinta a óleo. O dono do quarto fechou a porta, apenas para abri-la novamente, mostrando a pequena sala de estar, que era separada da cozinha por um balcão.

— Argenis deve estar na aula agora. Vamos, pela sacada, para evitar vizinhos.

— Ou eu posso simplesmente abrir um portal lá para cima... — Lys sugeriu, já abrindo o círculo dourado.

— É, isso também serve...

Os garotos passaram pelo portal. Logo estavam no telhado do prédio de tijolos vermelhos, o de Euros. Como era cerca de uma da tarde, logo após a hora de pico, as ruas não estavam muito cheias, mas eles havia um movimento considerável.

— Ok, o que fazemos agora? — Matt perguntou ao mais alto, Euros.

— Agora nós encontramos Elly.. 


Notas Finais


Não se esqueçam que alguns personagens, como Hope e Calíope, se encaixam perfeitamente em certas partes que eu planejei, então eu não esqueci. É só que tudo tem seu tempo. Haha

Agora eu tenho que ir, desculpe. Tenho aula amanhã!


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