História Encruzilhada - Capítulo 1


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Categorias Star Trek (Jornada nas Estrelas)
Personagens Hikaru Sulu, James T. Kirk, Personagens Originais, Spock
Tags Ficção Cientifica, Kirk, Spock, Star Trek
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Palavras 1.820
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção Científica, Romance e Novela, Sci-Fi
Avisos: Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Um Breve Retorno


 

Diário do Capitão, data estrelar: 8621.49

“Recebi uma mensagem prioritária do Almirante Nogura, ordenando que eu me apresente o mais depressa possível no quartel general da Frota Estrelar (1), em São Francisco. Ele não quis me adiantar qual é o assunto, mas garantiu que está relacionado à segurança de toda a Federação Unida de Planetas (2). A urgência desta convocação me deixou um pouco intrigado, mas por outro lado fico contente de ter a oportunidade de rever a Terra. Sei que será ótimo para todos nós que servimos na Enterprise voltar para casa por algum tempo, depois de quase cinco anos realizando missões em espaço profundo. A satisfação de toda a tripulação é visível e o moral está elevado – em parte por causa da festa planejada para a noite em que atracarmos. O único que parece não estar muito entusiasmado é o meu primeiro oficial. Talvez eu consiga descobrir o motivo do seu incômodo antes do desembarque.”

 

O capitão James T. Kirk se recostou na cadeira e esfregou os olhos com as pontas dos dedos. Sentia-se bastante cansado e adoraria se deitar em sua cama e desfrutar de algumas horas de sono, mas havia muito trabalho a ser feito antes de chegarem à Terra. Como de praxe, vários oficiais seriam transferidos da Enterprise. Spock, seu imediato, já havia lhe entregado a lista dos postos que ficariam em aberto, e era necessário que ele solicitasse à Frota a reposição destes tripulantes. Kirk também se reuniria com o Sr. Scott, seu engenheiro-chefe, para que ele lhe passasse o planejamento relativo a todos os reparos e ajustes que deveriam ser feitos na nave, supervisionados por sua equipe de engenharia enquanto estivessem na doca espacial. E ele próprio, como capitão, teria de organizar e preparar os diários de bordo e relatórios da Enterprise para serem entregues no Almirantado para que fosse feita a análise e documentação da missão até aquele momento. E como estavam viajando em velocidade de dobra (3) alta, havia bastante serviço para ser feito em pouco tempo.

Ele estava olhando desanimado para a pilha de discos de memória e “pads” (4) contendo os relatórios dos chefes de seção e oficiais seniores quando o apito suave da campainha da sua porta tocou.

- Entre – disse o capitão.

A porta automática deslizou para o lado o seu primeiro oficial vulcano (5) entrou, parando em pé perto da mesa de Kirk, rígido como uma tábua. Assim que o capitão olhou para ele, informou:

- Todos os preparativos para nossa chegada à Terra estão praticamente concluídos. Estaremos atracando em 4.065 horas.

- Muito bem – disse o capitão – também já estou quase acabando de arrumar a minha bagunça. Assim que desembarcarmos na Estação Espacial 01, vou tomar um banho e me transportar ao QG da Frota para me encontrar com o Almirante Nogura. Obrigado Spock.

O vulcano porém continuou parado onde estava, em uma postura tensa.

- Você tem mais algum assunto que queira discutir comigo, Spock? – perguntou Kirk.

O oficial ficou calado por instantes, como se estivesse pensando o que dizer. Finalmente falou:

- Na verdade capitão, gostaria de pedir permissão para continuar a bordo da Enterprise quando chegarmos. Tenho que revisar alguns bancos de dados do nosso computador central e preparar o treinamento dos novos tripulantes que vamos receber.

James Kirk olhou para o seu imediato e amigo. Já conhecia Spock o suficiente para saber que estes não eram os reais motivos para ele querer permanecer na nave.

- Por favor, sente-se Spock – disse o capitão, indicando uma cadeira.

Assim que o vulcano se sentou, ainda tenso, Kirk disse calmamente:

- Agora, por que você não me conta o verdadeiro motivo para não querer desembarcar?

Spock o olhou capitão, surpreso com a pergunta. Mas respondeu, depois de um momento de hesitação.

- Capitão, você com certeza sabe que meus pais (6) estão na Terra.

- Eu sei que Sarek está na reunião do Conselho da Federação e vai ficar lá ainda por alguns dias. Amanda provavelmente estará na Estação 01 para encontrar com você.

- E este é o problema. Não estou preparado para me encontrar com minha mãe. Não na Terra.

- Mas por que Spock? – perguntou Kirk surpreso – você não vê Amanda há quase três anos. Como a conhece bem, sabe quanta saudade ela sente e como ficará triste se não for vê-la.

- E eu sei como é difícil para mim não conseguir demonstrar o afeto que ela merece – disse Spock, num tom amargurado. – Eu a admiro e respeito demais para vê-la sofrer. Considero a felicidade dela muito importante.

- Spock, Amanda se casou com um vulcano, aceitou sua cultura, seu modo de vida e teve um filho com ele. – disse Kirk com suavidade. Colocou uma mão no ombro do amigo e continuou: - Ela não espera que você demonstre mais carinho do que é capaz. Encontre com ela. Vocês dois precisam disso.

Spock ficou calado, avaliando o que James Kirk havia lhe dito, evitando olhá-lo de frente. Por fim, suspirou profundamente e levantou-se um pouco mais relaxado.

- Como sempre, neste assunto, sua lógica foi superior à minha. Obrigado, Jim. – disse Spock.

- Dê minhas lembranças a Amanda e diga que seria um prazer encontrá-la em breve.

- Transmitirei o recado, capitão. Vida longa e próspera – disse o imediato, fazendo o sinal com os dedos característico dos vulcanos. E saiu.

O capitão Kirk sorriu, satisfeito. E voltou, resignado, para a leitura dos seus relatórios. 

*  *  *

Spock a viu logo que entrou na grande sala de convivência da Estação Espacial 01. Ela estava parada em frente a uma das imensas janelas panorâmicas, observando o espaço relaxada, com as mãos unidas em frente ao corpo. Ainda era uma mulher bonita e elegante, de traços finos e olhos azuis, que dificilmente aparentava já estar prestes a comemorar seus setenta anos. Trazia os cabelos louro-acinzentados presos em um coque simples acima da nuca e vestia um costume claro, em duas peças, típico das senhoras vulcanas, mas seu rosto sereno e o leve sorriso demonstravam que ela não era nativa daquele mundo.

- Mãe – disse Spock suavemente ao se aproximar.

Assim que ouviu a voz do filho, Amanda Grayson se virou e seu sorriso se ampliou. Andou rápido em direção a ele e segurou suas mãos com carinho, os olhos brilhando.

- Olá Spock – disse ela como uma voz emocionada – como você está, querido?

Ele sempre ficava pouco a vontade com as demonstrações abertas de afeto da mãe, principalmente quando ainda moravam um Vulcano, onde elas não eram muito bem vistas. Amanda porém nunca se importara, para desgosto do marido e do filho. Hoje isso não o incomodava tanto e ele não saberia pensar nela agindo de outra maneira.

- Estou bem, Nanda – respondeu Spock, usando o apelido que ele lhe havia dado quando ainda era criança e do qual ela tanto gostava – é muito bom ver que você também está.

Amanda suspirou, ainda sorrindo, e tocou de leve o rosto do filho com uma das mãos. E Spock voltou a sentiu fluir para sua mente, através do toque dela, aquela ligação doce entre eles, que sempre o fortalecera nos momentos difíceis por que passara, crescendo num mundo que sempre o vira como um estranho. 

- Também senti saudades, meu filho – disse a senhora – e quero muito saber as novidades que você tem para me contar.

- Não acho que tenha muitas outras novidades a relatar a não ser aquelas que contei nas últimas mensagens que enviei – respondeu o vulcano sério, quase formal.

Amanda deu uma risada e disse:

- Spock, isso não importa! Eu quero simplesmente estar com você, ouvir o som da sua voz. Vamos nos sentar e conversar.

Spock olhou o rosto da mulher que lhe dera a vida e tantas coisas passaram pela sua memória. Lembranças de conversas sussurradas, risadas alegres e lágrimas contidas. Ela nunca lhe pediu nada e sempre esteve presente quando ele mais precisava.  O que ele sentia por ela, apesar de não conseguir demonstrar, era algo que os vulcanos não conheciam mais, que havia se perdido num mundo de emoções reprimidas. Eles não tem nem mesmo uma palavra para definir com precisão. Mas os humanos tem, e Spock sabia que não havia palavra melhor para nomear a ligação entre eles: amor.

- Sim minha mãe – disse Spock sério – vai ser muito bom conversar com você.  

 

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(1) A Frota Estrelar é uma das divisões de segurança e pesquisa da Federação Unida de Planetas. Conta com centenas de poderosas espaçonaves e controla a navegação espacial. Fazem parte dela seus oficiais comandantes, capitães e tripulações que são essencialmente exploradores, engenheiros e cientistas.É regida por leis muito rígidas como, por exemplo, a chamada Primeira Diretriz, que proíbe qualquer interferência física, política ou ideológica em outras civilizações.

(2) A Federação Unida de Planetas é uma organização política, econômica e social, fundamentada no conceito da diversidade e seus membros não podem interferir com o desenvolvimento natural de qualquer cultura ou civilização. Seus fundadores são: Terra, Vulcano, Andor, Tellar e Alpha Centauri. É gerida pelo Conselho da Federação, órgão de maior autoridade, que constantemente se autofiscaliza e gerencia, reavaliando suas próprias decisões. Fazem parte do Conselho as mentes mais sábias da Federação de planetas, incluindo diplomatas, educadores, dirigentes e cientistas.

(3) A Velocidade de Dobra (Warp Drive, em inglês) é um conceito físico fictício que se utiliza das características métricas do espaço-tempo. Para ir de um ponto a outro de um mesmo espaço, em vez de percorrer todos os pontos entre eles, o motor da espaçonave cria um efeito que “dobra” o espaço, fazendo os dois pontos ficarem mais próximos. O fator de dobra (velocidade a ser atingida) aumenta exponencialmente, a partir da velocidade da luz. Por exemplo, quando o capitão Kirk ordena dobra um, significa que a nave viajará a velocidade da luz, em dobra dois sua velocidade será dez vezes a velocidade da luz e assim por diante. A velocidade de dobra oito representa quinhentas e doze vezes a velocidade da luz e a dobra nove seria de mil e vinte e quatro vezes a velocidade da luz.

(4) “Pad” é um aparelho usado para armazenar e exibir dados, imagens e vídeos, muito parecido com um tablet, porém não precisa ser recarregado, tem capacidade de armazenamento centenas de vezes maior, precisão e resolução absolutas e a espessura de apenas três milímetros.

(5) Os Vulcanos são uma espécie humanóide proveniente do planeta Vulcano. Conhecidos pelo seu comportamento frio e racional devido à repressão de emoções e a valorização do pensamento lógico, foram a primeira raça alienígena com quem os humanos fizeram contato em 2063. São muito parecidos conosco, exceto pelas orelhas pontudas e seu sangue verde, que tem sua hemoglobina baseada em cobre. São muito fortes fisicamente e podem escutar ultra e infra-sons e enxergar num espectro maior (infravermelho e ultravioleta).

(6) Os pais de Spock são o embaixador vulcano Sarek e a professora e diplomata humana Amanda Grayson.

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