História Endless - Capítulo 2


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jungkook, Suga, V
Tags Kookv, Sope, Taekook, Vkook, Yoonseok
Visualizações 1.015
Palavras 3.581
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Fluffy, Lemon, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shonen-Ai, Slash, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


YOO
Voltei :V
Nem vou enrolar aqui.
Nome do cap: Sem fio

Capítulo 2 - Cordless


Fanfic / Fanfiction Endless - Capítulo 2 - Cordless

 

 

Andei mais alguns quarteirões em direção à estação, o tempo estava nublado e cartazes de protestos políticos balançavam com o vento.

“Não deixe a corrupção continuar”

Eu estava tão perturbado com as audiências do caso da Yerin, que havia esquecido completamente os escândalos envolvendo o ministro.

 

— Hey, Taehyung! — Avistei Hoseok andando apressadamente em minha direção. — Como você está? Eu vi as notícias sobre a Yerin... Eu sinto muito... Deve ser bem difícil. — Lamentou arrumando os óculos redondos com as pontas dos dedos.

— Sim, eu não faço ideia do que fazer com a minha vida. — Falei passando as mãos pelos cabelos, voltando a andar em direção ao meu apartamento.

— Você ainda acha que ela é inocente?

— Eu sei que é loucura, mas algo ainda me diz que apesar de tudo, não foi ela que fez aquilo... — Suspirei.

— Mas o laudo não dizia qu-

— Eu conversei com o legista que fez o laudo, ele também acha que a Yerin é inocente.

— Que? Mas no laudo não tinha todos detalhes comprovando que ela é culpada? — Questionou confuso.

— Eu não sei, aquele cara era estranho. Ele só me falou “eu tenho meus motivos”. — Imitei a voz misteriosa do cara fazendo Hoseok rir. 

— E você não perguntou mais nada?

— Não, mas ele me deu o telefone dele e disse que queria me encontrar. Aquele cara é muito estranho...

— Eu li algumas coisas sobre o caso, eu não acredito que você interferiu de novo nessa historia do Akai ito... — Comentou parecendo frustrado.

— Você leu onde? Não vai me dizer que foi na internet. — Perguntei nervoso.

— Foi. Tá em todos os sites.

— Meu Deus, lá se foi a minha carreira de psicólogo...

— Calma, a mídia ta distorcendo tudo, mas duvido que alguém vai engolir essa historia de que você manipulou a Yerin. — Deu alguns tapinhas nas minhas costas.

— Espero...

— Você devia conversar com o Jin. Isso ta te deixando muito perturbado. — Sugeriu se referindo ao meu amigo e colega de trabalho.

— Eu sei, eu sei... É que é tão injusto todos estarem julgando a Yerin como assassina...

— Por que você não fala com aquele legista estranho? Se ele disse que tem motivos para acreditar na inocência dela, você deveria descobrir.

— Sim, o problema é que ele é... estranho...

— Tae, você já falou isso umas quinhentas vezes, sério, o que tá acontecendo?

— Hobi, você sabe que eu enxergo o Akai ito de todo mundo menos o meu, né?

— Sim, claro que eu sei. — Respondeu como se fosse óbvio.

— Então, eu também não enxergo o Akai ito do Jungkook e isso tá me perturbando.

— Ah, o estranho tem nome agora... — Riu.

— Eu tô falando sério, eu nunca conheci uma pessoa que eu não conseguisse enxergar o Akai ito...

— Então ele é a pessoa que está do outro lado do seu Akai ito! — Deduziu eufórico. — Isso é obvio! Se você não enxerga o dele, então é ele a pessoa que você tá procurando todos esses anos!

— Calma, vamos com calma. Eu não posso simplesmente chegar nele e falar “Oi, meu nome é Taehyung e eu sou sua alma gêmea.”

— E por que não? — Riu.

— Mas sei lá, todos casais que eu conheci com Akai ito, dizem que a primeira vez que se viram, foi algo... mágico; Que foi amor à primeira vista e tal, mas eu não senti nada disso. Na verdade ele me da até medo, sério, você devia ter visto a frieza que ele leu o laudo da Yerin e do Chani.

— Ah, ele é legista, deve fazer isso todo dia. — Deu de ombros.

— Não, Hoseok. Você é médico. Mesmo que você tenha que comunicar cinco mortes em um dia, você vai continuar se sentindo mal em cada uma delas, certo?

— Claro. — Respondeu sem hesitar.

— É, mas ele leu o laudo como se fosse um folheto de supermercado. Ele é muito frio.

— Ok, acho que você está exagerando. — Disse rindo.

— Eu falei só de mim até agora, desculpa. — Me repreendi.

— Não, eu entendo, pode desabafar. — Incentivou enquanto entrávamos no prédio residencial.

— Valeu, mas eu quero esquecer isso um pouco. — Suspirei. — E aí? Como foi o seu dia?

— Incrível, dei alta para três crianças. — Sorriu.

— Nossa, você ta tão feliz... — O olhei com os olhos semicerrados.

— Não, eu tô normal... — Deu de ombros e entrou no elevador.

— Não, você ta mais feliz que o normal... Você sabe que quanto mais próximo à pessoa com o seu Akai ito está, mais feliz você fica...

— Ah não. Não vem com essa história de novo, eu tô feliz porque eu to feliz. Pronto. É só isso. E de qualquer forma, você sabe que eu não gosto dessas coisas.

— O que?

— De você ver o meu Akai ito. Isso é trapaça.

— Pode ficar tranquilo, eu não vou contar para você quando eu ver. Não depois do que aconteceu com a Yerin e o Chani... — Falei cabisbaixo enquanto colocava a chave na fechadura.

— Vocês demoraram. — Seokjin falou do sofá.

— Como vocês entraram aqui? — Perguntei confuso.

— O Hoseok me emprestou a chave dele e eu fiz uma cópia. — Jin deu de ombros enquanto pulava de canal em canal.

— Legal, agora todo mundo tem a chave do nosso apartamento? — Ri questionando Hoseok.

— Sim, e eu copiei a do Jin. — Namjoon saiu da cozinha com um balde de pipoca e sentou no sofá.

— Credo, vocês não tem casa não? — Hoseok indagou sentando ao lado do Jin enquanto tentava roubar um punhado de pipoca do Namjoon.

— A gente queria ficar com o Taetae hoje. — Jin disse sorrindo.

— Valeu, hyung. — Agradeci sentando ao lado do Hoseok.

— Ok, que filme a gente vai ver então?

— Coloca algum de comédia pra tirar esse clima pesado.

Namjoon colocou um filme qualquer, porém eu fiquei vagando em meus próprios pensamentos enquanto comia a pipoca.

— Ei, casal, a gente colocou o filme para assistir. — Meu irmão arremessou uma almofada em Jin e Namjoon que já haviam esquecido da televisão enquanto se beijavam. — Tem crianças aqui. — Disse cobrindo meus olhos.

— Ah tá, o Taehyung é tudo menos criança. — Namjoon riu.

— Deixa, amor, deve ser só Hoseok na fossa por estar sozinho. — Jin falou passando o braço em volta ao ombro do namorado.

— Precisava lembrar? — Hoseok indagou fingindo estar ofendido.

— OAKAIITODOHOSEOKTÁNACIDADE. — Falei rapidamente como se fosse uma palavra só.

— O QUE? — Jin questionou espantado.

— Precisava espalhar? — Hobi me encarou.

— Tá, vamos prestar atenção no filme. — Namjoon disse pegando um punhado de pipoca.

— OTAEHYUNGTÁGOSTANDODEUMLEGISTA. — Hoseok falou de uma vez só.

— Seu traidor mentiroso... — O direcionei um olhar semicerrado.

— Como assim, Taehyung? — Jin perguntou parecendo confuso.

— Eu não tô gostando dele, é que existe uma pequena possibilidade de... Ah, esquece. — Desisti voltando a tentar prestar atenção na tv.

— Isso. Esquece e assiste ao filme. — Namjoon disse aumentando o volume da televisão.

 

***

 

Acordei após o mesmo pesadelo anterior. Notei que os créditos eram exibidos na tv enquanto todos os outros continuavam dormindo. Me levantei do sofá tentando não fazer barulho, fui em direção ao quarto e peguei meu celular para checar as horas.

“21:13”

Não era tarde, o filme que era ruim e nos fez dormir mesmo. Voltei à sala e encontrei Namjoon e Seokjin se preparando para ir embora.

— Taetae, a gente já vai indo. — Jin avisou colocando o casaco. — Você vai trabalhar na clínica amanhã?

— Não, o Jiyong me dispensou até o fim do caso, porque até então “eu não passo uma boa imagem para Social Spirit”. Férias forçadas...

— Qualquer coisa que precisar, liga para a gente que nós viemos correndo. — Namjoon bateu no meu ombro.

— Valeu, hyung.

— Vamos? — Seokjin deu a mão para Namjoon.

— Aham.

 

Então fui até a porta e observei os dois rindo e caminhando de mãos dadas pelo corredor do prédio. Entre suas mãos, eu conseguia enxergar o fio vermelho e fino os ligando pelo mindinho. Eu os conheci logo que eu me mudei para Sokcho. Nessa época eles já namoravam, então não precisei dizer que eles tinham o Akai Ito. Mas hoje eles já sabem dessa ligação e do meu “dom”. Para mim, eles são o exemplo vivo de que o Akai ito funciona; Que quando você encontra a pessoa do outro lado da linha, você não precisa de mais nada. Eles brigam como todo casal, óbvio, porém o amor sempre prevalece.

Que inveja...

 

— Hyung, acorda! — Arremessei uma almofada em Hoseok que continuava dormindo no sofá.

— Quanto carinho com o seu irmão. — Jogou a almofada no chão.

— Te livrei de um torcicolo, você devia agradecer. 

— Ah, muito obrigado. — Ironizou.  — Cadê o Jin e o Nam?

— Já foram embora.

— Eu nem vi o final do filme...

— Nem eu.... — Suspirei.

— Eu vou tomar banho.

— Ok, não demora que eu também quero ir.

— Beleza. — Respondeu se levantando do sofá.

 

Peguei meu celular e senti o cartão que o legista havia me dado no banheiro do tribunal. Eu estava curioso e não custava nada tentar.

 

“Taehyung: Oi, sou eu, Taehyung do Tribunal”

“Visualizado”

Ok, ele visualizou e não respondeu. Não começamos muito bem.

Decidi fazer um sanduiche enquanto esperava ele responder, então outro sanduiche; Comer um pedaço de pudim, lavar a louça que estava na pia e ainda sobrou tempo para voltar a fazer nada sentado no sofá.

“Digitando”

Amém, os deuses ouviram minhas preces.

 “Online”

Ah, eu desisto, não vou ficar na frente do celular esperando ele responder. Liguei a televisão e comecei a assistir um programa de culinária.

“Essa receita parece ser fácil, vou tentar fazer qualquer dia, será que vende curry no mercado da esquina? Será que ele já respondeu? Eu acho que eu devia colocar queijo, tudo fica bom com queijo. Eu estou sendo incompreensivo, vai que ele ficou sem internet ou aconteceu alguma emergência... Mas o queijo ia queimar na frigideira.”

 

“Jungkook: Oi.”

 

“Oi”? Oi? OI?

QUARENTA MINUTOS PARA DIGITAR UM “OI”? ELE NÃO RECEBEU EDUCAÇÃO DA MÃE, NÃO?

 

“Taehyung: Tudo bem com você?”

“Jungkook: Sim. Você tá livre amanhã?

 

“Ah, eu vou muito bem sim Jungkook, obrigado por perguntar.”

 

“Taehyung: To sim.”

“Jungkook: Você pode vir até o meu apartamento?”

“Taehyung: Aham, só me passa o endereço.”

 

Ele digitou todos os dados e marcou para nos encontrarmos às 6 horas. Depois disso, ele não respondeu mais nada. Na verdade ele nem se despediu.

 

— Finalmente. Achei que você tinha morrido no banho. — Falei após notar Hoseok saindo do banheiro enquanto secava os cabelos.

— Tá, e o legista? Já mandou mensagem?

— Sim, eu vou no apartamento dele amanhã. — Coloquei as mãos nos bolsos.

— Já tá nesse nível? Achei que você já tinha passado dessa fase...

— É só para conversar, e vai ser às seis da tarde. — Rolei os olhos para cima.

— Horários nunca significaram nada para você.

— Vai dormir, vai.

— Vou mesmo porque amanhã eu entro mais cedo no hospital. Boa sorte com o legista. — Disse entrando no seu quarto.

— Boa noite.

 

***

 

“95. 95. 95 95.”

Eu procurava o apartamento entre os corredores compridos.

“Achei!”

 

Bati algumas vezes na madeira, esperando alguma resposta.

 

— Quem é? — Escutei alguém resmungar do lado de dentro.

— Kim Taehyung.

— Um segundo... — Escutei o barulho de vários trinques e correntes batendo, até finalmente notar a porta abrindo.

 

Esperei ser atendido pelo Jungkook, porém quem estava na porta era Min Yoongi, o historiador do tribunal.

 

— Desculpa, deve ser algum engan-

— Não, você veio encontrar o Jungkook, certo? — Questionou com uma xicara de chá na mão.

— Sim...

— Entra. — Saiu da frente da porta para me dar passagem. — Jungkook mora comigo. — Disse me guiando até a sala.

 

Olha; Eu e o Hoseok não somos sinônimo de organização, mas o apartamento daqueles dois parecia ter acabado de passar por uma explosão nuclear. Haviam papéis espalhados pelo chão e outras etiquetas coladas na parede com coisas escritas em japonês.

 

— Pode sentar. — Disse retirando a pilha de livros que cobria o sofá.  — Eu vou chamar o Jungkook.

 

Então eu fiquei ali... esperando...

Notei alguns papéis colados sobre a mesa de centro, os mesmos que cobriam a porta de entrada e o corredor. Me inclinei um pouco para analisar melhor e já estava quase tocando, quando fui surpreendido por Yoongi.

 

— Seu idiota, você quer um bando de Youkais tentado sugar sua alma?

— “Yuka” o que? — Repeti confuso.

 

Apenas notei ele bufar como se fosse muito trabalhoso explicar para uma criança por que dois mais dois é quatro. 

 

— Oi, Taehyung. — Jungkook apareceu com as mãos nos bolsos.

— Oi...

— Todo mundo reunido, já podemos começar. — Yoongi sentou no sofá à minha frente juntamente com Jungkook. — Taehyung, por que você contou a lenda do Akai ito para a Yerin?

— Sério que com todos os assassinatos que aconteceram, vocês estão preocupados com um conto de fadas? — Questionei ficando nervoso em precisar reviver o assunto.

— Não é um simples conto de fadas e eu sei que você também sabe disso. — Arrumou os óculos.

— Você é historiador, sabe que são só lendas e mitos.

— “Lendas e mitos” que um dia já foram verdades absolutas para uma civilização inteira. Eu sei muito bem que o Akai ito existe e sei também que você enxerga eles. A forma como você negou e desviou das perguntas só afirma ainda mais minhas suspeitas, assim como o fato de nesse exato momento você estar olhando para as minhas mãos ao invés dos meus olhos. Me diga, Taehyung, o fio é vermelho mesmo?

 

Fiquei em estado de choque, eu não tinha como rebater ou continuar desmentindo.

 

— Eu achei que só eu sabia dessas coisas...

— Então você realmente enxerga o Akai ito das pessoas? — Questionou abismado.

— Infelizmente... — Suspirei.

— Eu falei que eu tava certo, Jungkook. Eu falei!

— Olha, eu não gosto de falar sobre isso, toda vez que eu conto esse tipo de coisa para alguém, algo muito ruim acontece.

— Isso é previsível. O dom da previsão sempre é acompanhado por alguma desgraça, assim como a noiva de Apolo cometeu suicídio após receber o oráculo dos delfos e descobrir o cruel futuro que assombraria ela e o Deus, você quando conta o Akai ito de alguém, está prevendo um amor eterno.  Mas, tudo bem, eu não quero saber quem está do outro lado do meu Akai ito. Eu só me empolguei um pouco. Eu nunca tinha conhecido um filho de Lau Yue. — Disse eufórico.

— Eu sou filho de quem? — Repeti confuso.

— Lau Yue. O deus lunar casamenteiro. Ele que inventou o Akai ito, por isso que você consegue enxergar, por ser filho dele.

— Eu sempre soube da existência do Akai ito, mas falar que eu sou filho de  um Deus já é demais.

— Por quê? Se você já admitiu a existência de uma “lenda”, por que não pode aceitar que deuses existem? Por acaso você conheceu o seu pai? — Tomou um gole do chá.

— Não, o pai do meu irmão mais velho morreu e depois minha mãe conheceu meu pai, mas ele desapareceu um pouco antes de eu nascer...

— Ah o Lau Yue é bem esse tipo de deus. — Rolou os olhos para cima. — Aqui tem algumas pinturas dele. — Yoongi me entregou um livro com fotos de um homem com uma longa barba branca.

— Caramba, como minha mãe ficou com um cara desses?

— Deuses podem mudar a aparência. Essa é apenas uma das versões dele.

— Caralho, que demônio é esse? — Me assustei após virar a página e me deparar com uma pintura monstruosa de um ser que eu nem consigo descrever.

— Esse é o Yanluo. Yama no budismo, Enma dai-O no Japão, Shinje no budismo tibetano e Grande Rei Yŏmna aqui na Coréia. Ele é o deus da morte e governante do submundo. Ele não é um demônio.

— Imagino. Com essa carinha aqui ele deve fazer trabalho voluntário em asilos. — Ri soprado.

— Deuses podem mudar a forma, apesar de ele ser o deus do submundo, ele tem fama de ser bom com pessoas que foram boas em vida. Ele é um juiz.

— De qualquer forma eu não ia querer encontrar com ele não. — Coloquei o livro novamente sobre a mesa de centro.

— Certo, Yoongi, você já perguntou tudo que queria? — Jungkook questionou parecendo desinteressado em nossa conversa.

— Por enquanto sim. — Yoongi bufou.

— Jungkook, você disse que a Yerin é inocente, por que você acha isso?

— Eu sei, mas eu ainda não tenho como provar, por isso eu preciso da sua ajuda.

— Eu? — Repeti.

— Sim. Você conhecia a Yerin, eu não. — Deu de ombros.

— Ok, mas você tem alguma pista?

— Só me encontra amanhã, às seis horas da manhã, necrotério no centro da cidade.

— Você tá brincando né?

— Por que eu estaria?

 

Aquilo era uma loucura, mas eu precisava provar minha inocência e Jungkook foi o primeiro a me oferecer uma oportunidade de provar isso.

 

— Ok, a gente se vê amanhã então... — Me levantei.

— Até. — Jungkook disse sem olhar para mim enquanto checava algo no celular.

— Até mais, Taehyung. — Yoongi me conduziu até a porta.

— Tchau.

 

“Aqueles dois são loucos.”

Pensei enquanto descia no elevador.

Minha curiosidade agora havia sido completamente despertada, tanto sobre o fato de eu possivelmente ser filho de um deus, quanto sobre a morte da Yerin.

Comecei caminhar tranquilamente pelas ruas que me levavam até minha casa, porém o número de pessoas caminhando aumentava a cada esquina que eu virava.

“Calma, Taehyung, nem são tantas pessoas assim.”

Falei caminhando apressadamente entre os grupos de pessoas que exibiam cartazes contra o governo.

Senti o celular vibrar no meu bolso e o atendi rapidamente.

 

— Alô.

— Alô, Taehyung? — Escutei a voz do Jungkook.

— Sim.... — Respondi um pouco nervoso.

— Só para avisar, você esqueceu seu cachecol aqui no meu apartamento.

— Ah. — Falei adentrando mais alguns passos em meio à multidão.

— Você tá muito longe? Senão você pode voltar para pegar.

— Não, eu tô bem perto é que eu tô-

— Taehyung? Tá me ouvindo? Taehyung? — Jungkook me chamava enquanto eu me mantinha estático com o celular na mão.

— Jungkook.... eu tenho pânico de multidões...

— Onde você ta?

— Me ajuda... — Falei parando de olhos fechados.

 

Senti meu coração disparar, apenas notei que havia largado meu celular quando escutei o som dele se chocando contra o asfalto.

Multidão, muitas pessoas, muitas mesmo, eu nem sabia que era possível tantas pessoas andarem naquela rua.

O pior de tudo: Akai ito.

Os fios formavam um mosaico invisível que apenas eu enxergava.  Mesmo eu sabendo que eles não são físicos, eu tinha a sensação que iria cair se passasse através deles, eu me sentia amarrando entre eles.

Uma armadilha que só existia na minha cabeça, eu estava tendo um pesadelo ainda acordado.

Eu apenas andava no meio da multidão, sem saber onde eu estava, não importava para onde eu olhasse, não havia saída; Era um labirinto onde as paredes mudavam de lugar, eu ira morrer ali, pisoteado, ou sem oxigênio.

“Pensa no que o Seokjin te ensinou.”

Eu tentava lembrar dos conselhos do meu amigo, porém nenhum parecia fazer sentido, eu só pensava na minha morte. Meu desespero já era total, minha respiração descompassada era apenas um dos reflexos disso. Anos de terapia haviam sido jogados no lixo. Eu estava desistindo, como se eu estivesse prestes a desmaiar a qualquer momento.

 

— Taehyung! — Escutei Jungkook chamar. — Taehyung!

 

Eu não tinha forças para falar, fiquei o procurando em meio aquele mar de pessoas, porém era como se eu estivesse no fundo de um lago sem conseguir focar em som algum.

 

— Vem. — Senti uma mão segurando firmemente meu braço e me puxando pelo meio daquelas pessoas.

 

Jungkook.

Era ele.

 

Continuamos a andar até conseguirmos sair para uma rua mais isolada.

 

— Aqui tá o seu cachecol. — Me entregou a peça.

 

Eu não respondi, apenas comecei a chorar igual um bebê. Senti que toda a adrenalina de minutos atrás havia me abandonado e agora eu só conseguia chorar tudo que eu havia guardado. Jungkook estava tão próximo de mim, que eu nem me importei de conhecer ele há dois dias e ser praticamente um estranho, apenas o abracei por impulso.

Ele não retribuio o abraço e mal moveu um músculo enquanto eu chorava em seu ombro, mas eu nem me importei com aquilo na hora.

 

— Você salvou minha vida. — Me afastei dele rindo ainda sentindo as lágrimas rolarem pela minha face.

— Eu tenho que voltar para casa... — Disse checando o horário no celular.

— Ah, claro, até amanhã então... — Sequei as lágrimas com minha manga.

— Até. — Se virou caminhando na direção oposta.

 

***

 

— Meu Deus, Taehyung! — Hoseok exclamou. — Parece que você morreu, você ta bem? — Questionou enquanto eu me jogava no sofá.

— Olha, da morte eu cheguei bem perto.

— Ah, a manifestação...

— Exatamente. — Suspirei. — Eu estava no apartamento do Jungkook, e quando estava voltando para casa aconteceu tudo aquilo.

— Por que você não ligou para mim ou para o Jin?

— Ah claro, eu super parei para pensar na hora “poxa, to aqui, no meio de uma crise de pânico, acho que eu vou ligar pro meu irmão...”

— Ok, desculpa, eu esqueço como você fica. — Riu soprado. — Mas como você chegou até aqui?

— Eu estava ligando para o Jungkook na hora e daí eu falei para ele que eu tenho agorafobia.

— Opa, salvou a vida do meu irmão? Já gostei desse cara.

— Tipo isso... Mas igual achei que eu ia morrer, bem, pelo menos se eu morresse tinha um legista bem ao meu lado para assinar meu óbito.

— Mas você já ta bem?

— Sim, acho que sim...

— Mas e aí, o que o legista sabe sobre o caso da Yerin? — Questionou arrumando os óculos.

— Nada, ele só desconfia. Por isso a gente vai ao necrotério amanha.

— E eu achando os meus encontros meio “depressivos”. — Ironizou.

— Não é um “encontro”, ele só tá me ajudando a provar minha inocência.

— Taehyung... eu te conheço... Só não se apaixona por esse cara, você sabe que nunca da certo.

— Eu sei, eu sei... eu sei...

 


Notas Finais


Quem vê anime reconheceu os termos e.e
Mas fiquem tranquilos, eu vou explicar tudinho
A gente se vê daqui duas semanas, bjin <3


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