1. Spirit Fanfics >
  2. Endless >
  3. .03

História Endless - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Olá!
Eu estive trabalhando nesse capítulo desde o final de janeiro, mas estava tendo MUITA dificuldade. O plot estava apresentando furos e a escrita não estava fluindo bem, consequentemente, eu desanimei.
Porém, essa quarentena me rendeu 6 páginas em três dias (mais do que escrevi nos últimos 3 meses kk), e aqui está o resultado!
Antes de tudo, preciso explicar algumas coisinhas:
Como eu disse, o plot estava inconsistente, então vocês provavelmente vão notar que os primeiros parágrafos parecem bem diferentes dos últimos (os primeiros são bem densos, e a narrativa parece um pouco pesadinha...), mas isso provavelmente não irá prejudicar o plot (ao menos é o que eu espero).
Enfim, espero que tenham lido essa nota kk

Boa leitura! <3

Capítulo 3 - .03


Caminhando sob irreprimível chuva, uma alma perdida e desolada se deixava ser embebida pelo temporal. Guiada pelos instintos que, por sua vez, originaram-se de dores tão irreprimíveis quanto a chuva que banhava seu rosto aflito. Simultaneamente, sua respiração descompassada trazia à tona memórias que eram inevitavelmente bloqueadas antes de sequer serem recuperadas.

Passou a mirar, não muito distante dali, sua suposta salvação. Para agarrá-la, seu instinto o advertia: teria de caçá-la. A adaga encontrava-se envolvida firmemente por seu punho; seus dedos estavam rígidos, tensos como a rocha sobre a qual apoiava sua perna deficiente. Por um instante, jurou ouvir uma respiração ao pé de seu ouvido. Aquele sussurro que parecia advertir e suplicar, mas, certo de que aquilo não passava de mera ilusão — tal como as que vinha tendo há anos —, ignorou.

Tinha seu pé apoiado no chão com firmeza considerável, planejando correr assim que o alvo estivesse suficientemente vulnerável, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, o mesmo desfecho de sempre veio assolá-lo: o chão sobre seus pés tornou-se irregular, perdendo o equilíbrio e sendo sugado para uma realidade que, apesar de jurar nunca ter vivido, lhe era extremamente familiar.

Os gritos obstinados e o choro alucinado, suas mãos banhadas por sangue e a carne dilacerada aos seus pés. Todos os sons foram abafados por seus próprios batimentos cardíacos, logo a dor da perda foi enterrada em seu peito como uma faca perfurando seu coração. Aqueles olhos negros aparecem diante de si como um agouro, e finalmente foi sugado para dentro deles, em uma queda que não teria fim.

 

Não passava das três horas da manhã quando Heechul despertou. Tocou seu próprio rosto, percebendo-o embebido de suor, em seguida levou as mãos até suas roupas, também úmidas. Seu peito subia e descia freneticamente e seus lábios estavam rachados, e levemente cortados. Apesar de seu estado, suspirou, aliviado. Ciente de que se tratava de um pesadelo, levantou-se da cama e foi até o banheiro.

Sabia que não seria capaz de retomar o sono, logo optou por lavar-se e trocar as roupas que estavam presas à sua derme. Colocou-se debaixo da água que caia uniformemente do chuveiro aquecido, reduzindo a tensão que o geria. Molhou os cabelos, e enquanto massageava os fios tomados por espuma, lembrava-se do sonho de instantes atrás. Nada daquilo lhe era novidade; uma vez que tinha o mesmo pesadelo há quase uma década. No entanto, a frequência não amortecia o assombro que afligia seu coração.

Frente ao espelho acima do lavabo, alisava os fios compridos e massageava a derme da face, constatando que não importava a quantidade de anos que vivesse, jamais deixaria de possuir aquela beleza tão jovial. Tal pensamento lhe provocava uma reação de impossível interpretação, e o mesmo ocorria quando era surpreendido por situações que, aos olhos alheios, pareciam absurdas.

Heechul, que não passava de um trabalhador, solteiro e humilde, que por vezes se deparava com pessoas de olhos enegrecidos e profundos; e embora fossem criaturas carregadas por uma aura pesada, jamais lhes fizeram mal. Luzes piscavam ao seu redor, de maneira perturbadora e incomum; objetos se moviam sem serem tocados, e o cheiro de enxofre o acompanhava. Nada disso parecia incomodar o Kim, muito menos amedrontá-lo, e dessa forma se mostrava alguém bastante cético.

Passadas duas horas, Heechul retomou os preparativos da noite anterior. As malas espalhadas no chão do quarto denunciavam uma viagem de longa duração; evento anual que tornara-se tradição obrigatória. Esta época do ano trazia consigo uma carga misteriosa que circundava o Kim de modo indescritivelmente enigmático; mesmo os mais próximos de si jamais poderiam compreender tamanha complexidade de significados que tal período aparentava exprimir.

Heechul tornava-se mais apático que de costume, ainda que os olhos fossem as janelas da alma, nada era revelado através deles; apenas o silêncio e a ausência poderiam ser lidas. Incorporava uma espécie de personagem durante todo o tempo, tácito, distante e cauteloso. E foi empenhando tal papel que concluiu os preparativos, juntamente aos primeiros raios solares a despontarem por sua janela.

Olhou para seu apartamento uma última vez antes de trancar a porta, a intensidade de seu mirar pareceu, por um instante, denunciar um misto de incontáveis sentimentos. No instante seguinte, a apatia tornou-se o único estado reconhecível e a porta foi, enfim, fechada. Era possível desprender um adeus absoluto através da cena, contudo, nada vindo de Kim Heechul era suficientemente absoluto além das próprias incertezas.

 

— Heechul, você veio! — Hangeng vinha andando em direção ao amigo. Estava mancando mais do que se lembrava e também parecia ter envelhecido rapidamente no intervalo de um ano, apenas. — Já disse que não precisa fazer isso.

— Ora, cale-se de uma vez. Está mais do que claro que está feliz em me ver. — Heechul abraçou o amigo, só então percebendo que o braço deste também parecia debilitado. — Os animais te pegaram outra vez?

Hangeng afastou-se minimamente, revelando um sorriso exausto e ligeiramente constrangido.

— Você sabe… O mesmo de sempre.

— Acho que já chega de caça para você, amigo. Isso está te tornando mais velho e acabado a cada dia. — brincou, acompanhando o outro até a casa outra vez.

— Não é você quem está sempre jovem? — retrucou, recebendo um olhar apático de Heechul, que agora deixava o amigo sentado em uma poltrona.

Hangeng desistiu de se oferecer para ajudar Heechul com a bagagem, uma vez que o outro negara tantas vezes e com clara convicção. Em quinze minutos ou mais, tudo havia sido transportado para o quarto de visitas, que há alguns anos havia se tornado exclusivo para seu uso, dado que era o único a visitar Hangeng. Todos os anos o visitava e passava duas ou mais semanas ali, com o intuído de lhe dar toda ajuda possível, pois o amigo tinha a saúde demasiada debilitada. Heechul desistira de lhe cobrar explicações sinceras acerca de seus acidentes, fraturas ou feridas; sempre culpava a caça, os animais selvagens e as quedas durante as explorações.

Embora suas respostas não fossem recebidas como verdades pelo Kim, eram plenamente cabíveis. Hangeng morava próximo à uma vasta floresta, e Heechul já vira algumas de suas trilhas pelo lado externo, sem contar o depósito repleto de armas localizado na parte de trás da casa. Mirava cada local com intenso interesse, um olhar não revelava muitas coisas, mas que deixava de intrigar que o visse.

— Vou fazer o jantar.

— Não é necessário, tenho macarrão instantâneo no armário. — Hangeng apontou o local em um gesto desengonçado.

Heechul preparou a comida enquanto o outro arrumava a mesa. Quando tudo estava pronto, serviram-se. Nestes momentos, sempre conversava tranquila e amigavelmente. Eram consideravelmente próximo na visão do Kim, contudo, aquela ocasião paresia significativamente incomum.

— Você parece diferente. — comentou o chinês, sem erguer o olhar para contemplar o semblante neutro do outro.

— Por quê diz isso?

O som do macarrão sendo deslocado em seu recipiente tornou-se mais perceptível. Hangeng sorriu pequeno, ainda sem levantar seu olhar, refletindo sobre diversas coisas que jamais traria à tona.

— Seus olhos estão inquietos, e sei que, em seu âmago, muitas perguntas sem resposta o estão corroendo. — Depositou os hashis sobre o guardanapo, após concluída sua refeição.

— Não estou entendendo.

— Sei que está atrás das respostas, Heechul. Mas... eu não posso ajudá-lo.

O silêncio dominou o recinto com a mesma velocidade em que, pela primeira vez em todos aqueles anos nublados, Heechul sentiu-se ser domado por um sentimento ao ponto de não ser capaz de ocultá-lo. Um nervosismo pulsante e incomum apoderou-se de si e seus músculo enrijeceram.

— Também sei que esse é o motivo pelo qual continua vindo até aqui, embora eu tenha procurado me convencer do contrár…

— Idiota! — Heechul levantou-se de modo abrupto, suas mãos espalmaram a mesa em um estalado golpe e seus olhos faiscaram — Somos amigos, como pode afirmar que estou usando você?

Hangeng engoliu as próprias palavras. Não esperava uma reação tão expressiva por parte do outro. Heechul não era assim, e isto provava-lhe suas suspeitas. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, no entanto, o Kim foi ainda mais rápido em marchar duramente até o quarto de hóspedes e fechar-se neste. Sentia-se furioso e deprimido em proporções iguais, invadido por intensa culpa ao pensar mais sobre o que acabara de ocorrer.

Heechul estivera sozinho desde que se lembrava. Não tinha parentes, muito menos amigos. Hangeng apareceu em sua vida de repente, propondo que fossem mais próximos, e desde então o Kim sentia-se menos solitário — embora um grande vazio ainda o residisse. Nunca ficou suficientemente claras às motivações que levaram o chinês a se aproximarem de si, mas Heechul sentia que aquilo não era um acaso, especialmente quando tinha tão acentuada impressão de que vivia uma mentira.

Por outro lado, e o Kim odiava admitir isso, sabia que o amigo, estava certo. Aproveitava-se da amizade que tinham para entender o que se passava consigo, pois sabia que havia algo a ser desvendado. Culpava-se por suas segundas intenções, mas não era capaz de afastar-se de seu real propósito. Seu remorso tornava-se maior ao constatar que, após aquela inconveniente discussão, poderia perder sua chance de descobrir quem realmente era e, além disso, perder seu único amigo.

Aos poucos, sua máscara insensível foi restabelecida à medida que adormecia. Sem lágrimas, mas repleto de infelicidade.

 

Um grito alto e o som de estilhaços cortou o ar, embalado pelo som da chuva. Uma sucessão de sons tomou conta da atmosfera até que esta se tornasse angustiante. Já sentia seus músculos enrijecerem e o peito subir inquieto em uma respiração conturbada, porém não se moveu. Não podia.

Seus olhos abriram-se de súbito, logo encontrando aquele par de orbes negras e perversas. Congelou. Um sorriso ainda mais maligno tomou conta dos lábios da criatura. Sua respiração tornou-se ainda mais acelerada, ainda mais necessitada. Lutou para mover um músculo que fosse, mas era impossível. Estava paralisado. Totalmente domado pelo horror. O coração que martelava contra as próprias costelas e os olhos que tornaram-se um pouco mais úmidos eram os sinais que a criatura aguardava, mas era raso demais para o que realmente almejava. Passaram-se três minutos infindáveis e excruciantes, tendo aquele par de orbes e sorrisos como uma silenciosa opressão. Somente os sons de respiração, grunhidos de dor e chuva eram ouvidos.

Exausto, fechou os olhos uma vez, sem deixar de lutar. Manteve-os fechados por um tempo considerável, temendo ser sugado pelo par de orbes frente a si. Ao abri-los novamente, a criatura havia desaparecido. Suspirou de alívio, vendo-se livre de uma infindável maldição ao conseguir mover um dos dedos. Foram necessários mais alguns instantes até que seu corpo estivesse suficientemente liberto das amarras invisíveis que o prendiam. Respirou fundo algumas vezes, sentindo-se ligeiramente mais calmo. As roupas ensopadas denunciavam o que considerou um sono conturbado. Por fim, decidiu sair do quarto e se hidratar, talvez, ao voltar, tomar um banho.

Ao encostar na maçaneta, um arrepiou. Uma corrente de ar gélido embalou o quarto no instante em que abriu a porta. Seu pé pousou sobre algo arenoso ao dar o primeiro passo. Mirou o chão, confuso, e viu o que parecia ser um rastro desarranjado de sal e açúcar sobre a planta dos pés. Teria refletido mais sobre tal fenômeno se não fosse por uma mão envolvendo seu pulso com rispidez e o puxando para outro cômodo.

— Heechul… — Sua voz era falha pela respiração inconstante.

— Hangeng, o que houve? — Interrogou, assustado. Uma grande mancha carmesim marcava suas vestes de dormir.

— Shh! Fale baixo, eles vão voltar! — O outro pediu de imediato, alarmado pela voz demasiada elevada do Kim.

— Eles quem?

Hangeng não respondeu. Segurou o amigo pelos ombros e o direcionou à um círculo feito de sal localizado no meio do quarto. Heechul, logo após ser posicionado, focou no teto à sua cabeça, observando um desenho semelhante a um pentagrama que parecia ter sido feito a muito tempo, embora nunca o tivesse visto antes. A tinta descascada dizia que ela estivera coberta.

— Hangeng! — chamou em um sussurro aflito.

O chinês soprou o ar por entre os lábios, o dedo indicador levantado frente à boca pedindo que o outro nada dissesse. Estava fora do círculo, e pé ante pé aproximou-se da porta do quarto. Fez um novo rastro de sal rente à porta, e então foi até às duas janelas do quarto. Heechul observava cada ato com máxima atenção e, com o tempo, o absurdo tornou-se natural. Conhecia aqueles rituais, sabia como e porquê fazê-los. O sal do lado de fora de seu quarto fora uma tentativa de Hangeng protegê-lo… Perguntava-se do quê.

A chuva havia adquirido mais intensidade, porém sua orquestra não foi suficiente para abafar os ruídos do corredor. Heechul olhou diretamente para a porta, como se esperasse a entrada de alguém. Nada aconteceu. Parecia ainda mais atento, capaz de captar até mesmo o gramado amaciando sobre os passos cautelosos próximos às janelas.

— Heechul, pegue isso e esconda! — Hangeng deu um frasco ao outro que obedeceu sem questionar. — O que tem aí dentro é muito forte, use isso para para se proteger. Mas, se você enc…

A janela se partiu em mil pedaços com um golpe certeiro, logo estilhaços voaram pelo cômodo. Hangeng cambaleou para trás quando um dos fragmentos acertou-o acima da sobrancelha. Um feixe de sangue escorreu pouco depois, obstruindo sua visão do lado esquerdo. Com sorte, teve tempo de chegar ao interior do círculo antes que a segunda janela fosse quebrada.

O rastro de sal foi rompido pelo vento que adentrava violentamente pelas aberturas no vidro. Hangeng havia se colocado na frente de Heechul, protegendo-o e obstruindo a visão do que quer que estivesse entrando no instante seguinte. O ambiente tornou-se frio instantâneamente e o Kim não pode evitar encolher-se minimamente ao sentir um arrepio assombroso perpassar-lhe. Jamais fora tão expressivo quanto estava sendo naquele dia, isso o assustava e o irritava.

As respirações eram pausadas, mas Heechul estava mais focado nos passos. Estavam próximos, contornando o círculo ao seu redor. Viu quando um deles parou a apenas um metro e meio de si, e direcionou o seu olhar para que pudesse ver o rosto do ser que estava lhe fazendo demonstrar mais do que gostaria. Foi então que os viu. O par de olhos negros, encarando-o com a mesma profundidade que tinham.

Heechul finalmente notou que aquilo não era um sonho.

— Hangeng, amigo… — A criatura olhou para o teto sobre o círculo de sal — Como pode ser tão tolo? — riu brevemente — Sabe que esses truques não funcionam conosco.

— Bom, eu precisava tentar. — Hangeng riu, despreocupado. Teria soado mais convincente se não fosse o estado deplorável em que se encontrava.

— Heechul… — Uma segunda voz se fez presente. Seu autor andou até que o enunciado pudesse vê-lo — Vejo que voltou à ativa. Depois de quase vinte anos… É surpreendente que sua aparência seja a mesma. — Debochou.

— Você... me conhece? — Heechul, pela primeira vez, tomou distância do amigo. Apenas o suficiente para estar totalmente visível aos olhos sedentos da criatura.

— Está brincando? Terei de arruinar a sua outra perna pra você aprender logo a lição, traidor desgraçado? — rosnou alto e ameaçador, acompanhado pela outra criatura à vista. 

— Já chega, vocês dois. Não estamos aqui para isso. — Uma terceira voz, calma e autoritária, chegou aos ouvidos de Heechul. Estremeceu instantâneamente. Perguntava-se o que era aquela sensação de familiaridade que pesava em seu estômago. — Estamos aqui para buscar uma coisa.

Hangeng riu outra vez — uma pontada de dor revelada através de um grunhido — pronto para se pronunciar.

— Espere! — exclamou Heechul de modo impulsivo. Arrependeu-se de tê-los evocado assim que os três pares de olhos recaíram sobre si. — Eu… Nós nos conhecemos? — disse à figura mais autoritária dali, o qual lhe olhou com um sorriso ímpar.

— Nunca o vi antes.

— Não, eu tenho certeza. Eu o conheço… Você é um demônio.

Hangeng congelou no mesmo instante. Heechul, apesar de aparentar estar temeroso com a situação, isso se dava pela ameaça despertada por memórias contidas, não pelo que eram de fato.

— Todos nós somos, idiota! — O mais irritado disse.

— Hyukjae, contenha-se. — O demônio mais alto ordenou com uma das mãos e o outro bufou, indo para perto da terceira figura — Hangeng, seja bonzinho e ninguém irá se machucar. Não mais… — Analisou o chinês com um sorriso discreto.

Heechul estava começando a sentir-se irritado. Sentia-se mais próximo de saber quem era como jamais sentiu. Estava frente àquele que jurava ser quem continha as principais respostas e, ainda assim, estava sendo desprezado.

— Isso não vai acontecer, Siwon. Heechul está sob minha supervisão. — Hangeng pôs-se frente ao Kim novamente, inconvertível.

O nome proferido pelo amigo acendeu-se na mente de Heechul. Saber este pequeno detalhe o amparou, mas nada se comparava a sua necessidade de saber mais. Estava ainda mais entorpecido. Tinha certeza de que o conhecia.

— E quem disse que estou aqui para levá-lo? Não, não, não, Hangeng… — Aquele sorriso maligno novamente tomou conta de seus lábios — É você quem virá conosco.

— O que disse?

— Ora, vamos. Isso já levou tempo demais. — queixou-se, impaciente.

— É… Pra um velho, você até que dá bastante trabalho.

— Estou vendo. — Hangeng riu — Até mesmo pediu reforços. — olhou para Siwon brevemente — Mesmo com todas as armadilhas que preparou para me tornar vulnerável. Que vergonha, Hyukjae…

— CALA A BOCA!

Heechul compreendeu que o amigo referiu-se a todas as vezes em que estivera machucado. Hangeng, no entanto, não parecia nervoso, mas não exibia um semblante tão impassível quanto o sustentado por Siwon. Heechul não conseguia parar de encará-lo, e lhe parecia que a criatura evitava seus olhos propositalmente.

— Não torne isso mais difícil, Hangeng…

— É, não vai querer que machuquemos ele, certo? — O demônio mais quieto ameaçou, aproximando-se minimamente do círculo.

— Não sairemos daqui. Não vivi todo esse tempo para morrer na mão de criaturas imundas como vocês. E Heechul… ele tem que viver.

Os lábios de Siwon curvaram-se em um sorriso discreto, quase imperceptível. Hyukjae tremia, raivoso, e a terceira figura parecia copiar suas reações.

— Está bem, então. Nós o pegaremos à força. — Siwon declarou guerra e Hyukjae, não se contendo, passou a murmurar palavras estranhas. O terceiro, inquieto, fez o mesmo e Siwon apenas aguardou. Sem muita demora, um tremor gradativamente apossou-se da casa e um vento potente inundou o quarto. Hangeng nada fazia, parecia apenas aguardar. Heechul, por outro lado, sentia medo. — Fique avisado, Hangeng. Não pegaremos leve com você.

— É o que eu espero. — Deu de ombros.

O círculo rompeu-se no instante seguinte. A menor abertura invalidou a proteção que lhes garantia segurança, e Hangeng imediatamente empurrou Heechul com brutalidade, fazendo-o cair em cima de sua própria cama. Somente Hyukjae e o demônio mais baixo, que logo foi identificado como Donghae, partiram para cima do chinês. Siwon manteve-se inabalável, próximo a abertura das janelas quebradas, observando a luta com atenção. Heechul não entendia sua postura tão calma, nem mesmo porquê, em meio àquele acontecimento terrível que deixava seu amigo ocupado, não atacou a si, que estava indefeso.

— HANGENG! — Heechul bradou em agonia, vendo que o chinês estava mais machucado que nunca. Seu olho esquerdo obstruído pelo sangue, sua perna manca e seu braço machucado impediam seu bom desempenho.

— NÃO SAIA DAÍ! — respondeu o outro com a voz autoritária e ainda mais elevada que a sua.

Heechul conteve sua respiração. Sentia-se impedido de fazer qualquer coisa, mas, ao menos, Siwon estava ao seu alcance.

— Por favor… Por favor, deixe-nos em paz. — A figura não se moveu. Se quer parecia ter ouvido o pedido sincero do Kim. — Por que está fazendo isso? — Novamente, o outro não esboçou reação — RESPONDA!

— Não se meta, Heechul. — Sibilou, sem piscar.

Hangeng dava um último golpe antes de ter os movimentos impedidos pelo modo como Donghae o segurou. Tinha a estatura muito menor que a do chinês, porém seus braços eram perceptivelmente fortes. Os três ofegavam, exaustos. Heechul cogitou amparar o amigo, e até mesmo moveu-se para fazê-lo, mas parou assim que os olhos cortantes de Hangeng o encararam. Seus lábios moveram-se em um pedido silencioso para que ficasse ali.

— Ótimo. — Siwon celebrou, parecendo não mais do que apenas satisfeito — Façam o favor de levá-lo daqui, não queremos espectadores assistindo à sua morte. — Mirou o Kim de relance tão rápido que somente o alvo do olhar foi capaz de notar.

— E ele? — Donghae meneou com a cabeça na direção de Heechul.

— Deixe-o. Não podemos pegá-lo e ele não poderá nos seguir. — declarou Siwon, indiferente. Os dois outros demônios levantaram-se, escoltando Hangeng que já não tinha forças para reagir.

Heechul gritou algumas vezes, mas mesmo o chinês o ignorava agora. Deixaram a casa e partiram pelo breu da noite, tornando-se alvos da chuva que se desprendia com força ininterrupta. Quando enfim os perdera de vista, o Kim, pôs-se de pé no colchão, então dando um passo para que pudesse descer. No momento seguinte, estava estirado na cama outra vez. Tentou sair dali mais duas vezes, mas era impossível. Estava preso.


Notas Finais


IMPORTANTE: Eu não fui muito clara, mas se passaram cerca de 19 anos desde o pacto. Se tiverem qualquer dúvida, comentem aí que eu respondo (se não for dar algum spoiler uasuahs). LEIAM AS NOTAS INICIAIS!

Na minha opinião, o Ryeowook e o Yesung combinam muito mais com para serem os demônios desse capítulo, enquanto os eunhae ficariam muito melhores como o casal do primeiro capítulo. Talvez eu mude futuramente???

Beijos e muito álcool em gel! <3 Lavem suas mãos e não saiam de casa!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...