1. Spirit Fanfics >
  2. Endless house >
  3. Endless House III

História Endless house - Capítulo 3


Escrita por:


Capítulo 3 - Endless House III


Fanfic / Fanfiction Endless house - Capítulo 3 - Endless House III

Já fazia uma semana desde a última vez em que tive notícias de Gerard. Ele não estava em sua casa e não atendia minhas ligações, eu estava a ponto de ligar para Michael e falar sobre o que estava acontecendo. Nos seis meses em que namoramos, ficamos no máximo três ou quatro dias sem nos falar, eu já estava ficando extremamente preocupado. Não havia nada fora do comum na última vez em que o vi, e assim que ele chegou a sua casa, após sair da minha, mencionou que encontrou um amigo e que iria verificar algo que o mesmo lhe contou. Naquela mesma noite eu recebi uma mensagem um pouco estranha de Gerard, mas não era de seu número.

"Casa sem fim, não venha!!

Gerard"

Essas palavras não saíam da minha mente desde o momento em que eu as recebi, e isso já estava me deixando louco. Alguma coisa errada estava acontecendo e eu iria descobrir o que era. Gerard não é o tipo de pessoa que some sem avisar, ele sempre me deixava saber onde iria. Decidi logar na conta do Messenger dele para ler suas últimas mensagens e, talvez, descobrir seu paradeiro. Suas últimas conversas foram com McCracken, seu melhor amigo desde a faculdade. Eu não o conhecia bem, sabia que ele era um viciado, mas quem sabe ele soubesse algo sobre onde meu namorado poderia estar. Iniciei a leitura, rolando os olhos aos ver Robert fazer piada sobre o passado dos dois, e após alguns minutos recebi uma nova mensagem.

[Bert McCracken]: Gerard? Puta merda, cara, você me deixou preocupado, você não foi até a aquela casa, não é?!

[Gerard Way]: O que você quer dizer com isso?

[Bert McCracken]: A Casa sem fim, eu te falei sobre ela.

Casa sem fim... Então Robert sabia o que estava acontecendo. Pensei um pouco e decidi fingir que eu era Gerard, talvez seu amigo me revelasse alguma coisa importante sobre o assunto.

[Gerard Way]: Ah, sim, eu não consegui encontrar o lugar. Talvez eu tente ir lá amanhã! Me passa o endereço de novo?

[Bert McCracken]: Você é louco? De jeito nenhum! Você já me preocupou muito, eu estive naquele lugar, acredite em mim, você não vai querer entrar.

O que poderia ter de tão ruim na casa? E se Gerard entrou lá? Continuar a fingir ser ele não iria dar certo, eu precisava o encontrar!

[Gerard Way]: Robert, aqui é o Frank.

[Bert McCracken]: Como assim? Que brincadeira é essa? Gerard, é você ai, para com isso cara, não é legal!

[Gerard Way]: Sou o Frank, e eu não sei onde ele está. Pensei que você poderia saber, mas ao que tudo indica, não sabe...

[Bert McCracken]: Merda, merda, merda! Não acredito no que está acontecendo!

[Gerard Way]: O que foi? McCracken, você precisa me explicar!

[Bert McCracken]: Certo. Eu contei a ele sobre a Casa sem fim, e eu acho que ele foi até lá. Não é longe, talvez uns 7 km abaixo de onde ele mora... Seguindo a estrada e virando a direita na primeira placa. Puta merda, ele se foi!

[Gerard Way]: Não... Eu tenho certeza de que ele não se foi!

[Bert McCracken]: E o que você vai fazer?

[Gerard Way]: Eu vou trazer Gerard de volta.

Então, naquela mesma noite, após verificar uma última vez o apartamento do Gerard, eu parti. Não havia um único carro na estrada durante toda a viagem. Eu tentava não pensar no que poderia ter acontecido na Casa sem fim. Robert ainda me ligou para pedir que eu não fosse, mas é claro que eu não iria desistir até encontrar meu namorado. Eu estava bastante distraído com meus pensamentos quando vi uma placa me direcionando para o local certo.

"Casa sem fim | Aberto 24h"

Minha respiração já estava descompassada desde o momento em que entrei em meu carro, e ver a tal casa sem fim não ajudou em nada. A luz da varanda iluminava a área circundante, e pelas janelas era possível ver que as luzes do interior estavam acessas. Estacionei o carro e caminhei até a porta da frente. O cômodo em que entrei era normal, e como previ, não havia ninguém. Olhei ao redor e avistei uma pequena placa de papelão.

Quarto #1 por aqui | Haverá mais oito quartos, alcance o final e você vencerá!

Isso não me deu medo, eu estava determinado a entrar, mas o que fez sentir um arrepio por todo o corpo, foi um rabisco escrito à mão com tinta vermelha:

Você não vai conseguir salvá-lo.

Devo ter ficado em pé olhando a placa por quase meia hora. Eu estava congelado e não sabia como continuar. Deveria ir até aquela porta, mas... Não era melhor chamar a polícia antes? Eu não conseguia pensar em outra coisa. Sou um cara de estatura baixa mas não sou fraco... Apenas eu seria capaz para lutar contra um possível psicopata que está mantendo Gerard refém? Com certeza eu precisaria de reforços. Decidi que chamar a polícia seria a melhor opção, então coloquei a mão no bolso e peguei meu celular.

Sem sinal...

Isso seria algum plano do louco que está com Gerard? Um bloqueador de sinal? Ele poderia ter pensado que eu ligaria para alguém. Caminhei em direção a entrada da casa novamente, talvez andando alguns metros para longe eu pudesse realizar a ligação. Cheguei a maçaneta, a virei e... Nada. Eu sacudi com mais força. A porta estava trancada pelo lado de fora. Bati minhas mãos contra a madeira e gritei, mas ninguém poderia me ouvir. Eu sabia que era inútil, não havia mais ninguém aqui.

Eu senti uma vibração em meu bolso. Encostei na porta e fitei meu celular. Uma mensagem não lida. A principio eu fiquei feliz porque o sinal voltou, talvez fosse Gerard avisando que estava bem. Imprevistos acontecem e ele poderia ter ficado sem carregador em alguma viagem de última hora. O número era desconhecido, coloquei rapidamente minha senha e abri o texto, quase deixando o celular cair assim que terminei de ler.

Você não pode salvar nem a si mesmo.

Todo o meu corpo estava tremendo. Eu precisava sair dessa casa e procurar ajuda o mais rápido possível. Meu celular estava sem serviço em uma sala sem saída. Meus olhos percorreram a casa e pousaram na porta do outro lado da sala, onde havia um número #1. Hesitante, eu caminhei até ela. Estava a poucos centímetros quando coloquei minha orelha contra a madeira, e tudo que eu ouvia era uma distante música de Halloween. Um instrumental que você ouviria em qualquer casa mal assombrada falsa. Eu fiquei um pouco mais calmo. Sempre contava a Gerard sobre as brincadeiras que eu fazia com meus amigos no colegial. Ele dizia que um dia ainda iria fazer o mesmo comigo. Talvez esse seja o dia? De alguma forma, um sorriso se formou em meu rosto e eu abri a porta sem medo.

Assim que entrei, meus medos se aliviaram ainda mais. O quarto era uma tentativa totalmente fracassada de uma casa mal assombrada. Em cada canto da parede havia um espantalho, mas não chegavam a fazer medo, eram como aqueles das festas do colégio, com grandes rostos sorridentes. Também existiam alguns fantasmas pendurados no teto e um ventilador. Ao lado de um dos espantalhos havia uma porta com um grande número dois gravado na madeira. Eu ri e fui até ela.

Ao abrir a porta eu não podia enxergar mais que dois palmos a minha frente. O cômodo estava todo preenchido por uma névoa cinza que cheirava a borracha queimada. Caminhei lentamente para frente, eu tentava escutar qualquer barulho fora do normal, não havia nada... Então vi algo e quase soltei um grito. Eu colidi com um grande robô do Jason Voorhees. Seus olhos brilhavam na cor vermelha e ele segurava um facão de cima para baixo, como se estivesse fazendo um movimento para atacar. Meu coração estava disparado, e se alguém estivesse comigo eu ficaria totalmente envergonhado da minha reação. Cobri minha boca e fiz meu caminho passando pelo robô. O nevoeiro parecia estar cada vez denso quando finalmente encontrei a porta para o próximo quarto.

Ao tocar na maçaneta, rapidamente a soltei, ela estava quente, muito quente. Coloquei a mão na porta e confirmei que ela também não estava na temperatura normal. Eu pensei que poderia estar acontecendo algum incêndio do outro lado, isso explicaria o motivo do cheio de borracha queimada. Aproximei meu ouvido na porta, na tentaria de escutar qualquer barulho, mas estava tudo em completo silêncio. Com cuidado, envolvi a maçaneta com meu casaco, a virei o mais rápido que pude e entrei.

Não havia fogo e estava muito frio.

Esse quarto não era como os outros em nenhum aspecto, e eu logo percebi que isso não era algo feito por Gerard. Eu queria fazer alguma coisa, mas não conseguia nem ver minhas mãos. Eu estava preso e tudo estava escuro. Então, naquele momento, uma luz no teto acendeu. Um único holofote apontado diretamente para baixo, iluminando uma pequena mesa com uma lanterna em cima. E mesmo que eu não conseguisse enxergar o chão onde eu estava pisando, eu segui em frente. Quando peguei a lanterna, notei uma pequena etiqueta fixada nela onde eu podia ler:

Do gerente

Para Frank

No momento em que terminei de ler, a luz acima de mim quebrou e, outra vez, fiquei no escuro. Me atrapalhei um pouco com a lanterna e quase a deixei cair antes de conseguir liga-la. Logo um zumbido que parecia vir de todas as direções me cercou. Meu coração estava acelerado e eu comecei a girar no mesmo lugar, lançando a luz ao meu redor. Não havia nada no quarto, mas depois de um tempo notei algo aterrorizante. Pode ter sido apenas minha imaginação, mas eu podia ver uma figura sempre fugindo do local onde eu colocava a luz. Comecei a entrar em pânico. Eu precisava sair desse lugar.

Fui me afastando da mesa sem saber para qual direção eu estava indo. O zumbido ficava cada vez mais alto, e depois de um tempo eu comecei a sentir a presença do que quer que fosse que estivesse desviando da luz. Minhas mãos tremiam descontroladamente enquanto eu lançava a luz para qualquer lugar. Aquilo sempre estava lá, escapando de volta para a escuridão, cada vez mais perto. Eu estava a ponto de soltar a lanterna e começar a gritar, até que a luz foi apontada diretamente para um número quatro escrito em um papel colado na porta. Eu corri, corri o mais rápido que pude, ainda com a lanterna apontada para frente. Eu podia senti-lo. O zumbido ficava ainda mais alto. Eu já podia sentir sua respiração pesada em meu pescoço. Em apenas um movimento eu soltei a lanterna, peguei a maçaneta, a virei e bati a porta atrás de mim.

Cheguei ao quarto número quatro.

O que me esperava depois de abrir a porta da sala parecia ser uma caverna. Olhei para o chão e notei algo estranho e perturbador: O chão não era feito de grama, pedra ou sujeira, eram pisos de madeira. Era o mesmo piso dos quartos anteriores, de alguma forma eu ainda estava dentro da casa. Havia tochas montadas nas paredes rochosas ao meu lado, e para além da caverna estava totalmente escuro. Caminhei até a tocha mais próxima e, com cuidado, a retirei para iluminar meu caminho.

Depois disso o zumbido se foi, não ouvi barulho algum, apenas restou uma leve brisa. A caverna parecia se estender eternamente, eu sentia como se estivesse andando há horas, até que vi uma luz fraca. Eu andei até lá, com cautela, mas um pouco acelerado. A luz era uma abertura a extremidade do túnel. Eu cheguei ao fim da caverna, não havia mais chão adiante, o fim era um penhasco, e não existia outro caminho para seguir. Fui até a borda e olhei para a queda abaixo. Eu senti um calafrio percorrer meu corpo inteiro. Era uma queda de centenas de metros, e abaixo só havia rocha.

Meu corpo todo tremeu quando percebi que as rochas formavam um número cinco.

Assustado, andei para trás. Eu odiava alturas. Andei até ser barrado por um muro que não estava lá até pouco tempo atrás. Virei, ainda mais assustado, tendo uma visão aterradora: Não havia caverna alguma, eu estava em frente a uma parede sólida. E eu continuava repetindo que eu ainda estava na Casa sem fim. Eu tinha que estar! É evidente que não havia montanhas na cidade, mas parecia tão real... Olhei novamente para o penhasco. Não podia ser real. Eu estava confuso. O que a casa esperava que eu fizesse agora era demais. Eu sabia o que aquelas rochas significavam. Essa era a entrada para o quarto número cinco, mas não havia escadas e nem algum caminho para chegar até lá embaixo. A casa queria que eu saltasse.

Caí no chão me encolhendo. Eu não podia fazer isso, não conseguiria saltar de um penhasco de centenas de metros em uma formação rochosa irregular. Minha mente estava dividida em duas. Eu sabia que ainda estava dentro da casa, mas tudo que eu via ao meu redor me dizia o oposto. Eu fiquei lá no chão de madeira por bastante tempo. Então eu finalmente levantei, fiz meu caminho andando devagar e olhei para baixo. As rochas formando o número pareciam zombar de mim. A casa sabia que eu não conseguiria evitar provocações. Então aquele zumbido retornou... Um zumbido baixo e distante que parecia vir de trás de mim, ressoando dentro das montanhas. Eu não sei o que deu em mim, mas depois de ouvir esse som, algo dentro de mim se iluminou.

Eu respirei fundo, fechei meus olhos e saltei.

Não tive tempo para sentir medo. Alguns segundos após perder o apoio do chão, meus braços se esticaram para agarrar alguma coisa. Mas não havia nada para se agarrar. Eu estava em queda livre, sem corda e sem ninguém para me segurar. Me perguntei no que estava pensando ao fazer isso, mas era muito tarde. Meu corpo acelerou e eu comecei a cair mais rápido. Tentei respirar, mas a força da queda comprimiu meu diafragma, expulsando o ar dos meus pulmões. Uma onda de náusea tomou conta do meu corpo e eu pensei que em qualquer momento iria vomitar.

Eu ia morrer. Eu ia colidir com as malditas pedras e morrer.

Elas iam me partir em mil pedaços.

Não me atrevi a abrir meus olhos, apenas continuava caindo desesperado. O vento forte contra meu rosto continuava e o zumbido era agora ensurdecedor.

Então tudo acabou.

Eu não estava mais em queda, eu nunca atingi as pedras. Abri meus olhos e olhei em volta. Eu estava de pé sobre os pisos de madeira familiar da casa. O zumbido se foi e o silêncio tomou seu lugar. Eu estava no quarto de número cinco. Não sei como isso aconteceu, mas eu estava lá. O sentimento de medo se foi, e eu estava incrivelmente feliz por estar vivo.

Depois de alguns momentos me recompondo e decidi olhar para o resto da sala, e então minhas felicidade acabou. O quarto estava vazio, as paredes combinavam com o chão, e o teto combinava com as paredes, e não havia portas ou janelas. Eu estava em uma caixa selada. Me perguntei se Gerard saltou do penhasco e se acabou nessa sala. E se ele fez, significa que ele conseguiu sair. Ele não estava aqui, e eu estava sozinho. Ele conseguiu sair e eu faria o mesmo.

O pensamento de que meu namorado conseguiu escapar era a única fonte de confiança que encontrei. Eu estava tentando encontrar um jeito de sair dessa sala, encontrar Gerard e tira-lo para fora daqui. Andei por todo quarto passando minhas mãos pelas paredes tentando sentir qualquer coisa diferente que pudesse revelar a saída.

Nada.

As paredes eram impecáveis, apenas alguns arranhões, mas nada de uma passagem secreta. Comecei a bater em alguns lugares aleatórios, mas tudo era completamente sólido. A confiança começou a diminuir, eu passei a ficar sem ideias.

E foi ai que alguém falou comigo.

"Frank... Você não deveria ter vindo aqui, Frankie."

Minha pele, se isso fosse possível, teria saltado de mim. Eu ainda estava de frente para a parede e a voz veio do meio da sala. Era uma voz de uma garotinha, pelo menos era o que parecia.

Eu virei lentamente.

Eu estava certo, era uma menina loira com os olhos azuis e um longo vestido branco. Ela sorriu para mim e falou novamente.

"Mas agora que você está aqui, vamos jogar um jogo."

Havia algo horrível sobre aquela menina. Ela não era assustadora como aquelas garotas de filmes de terror, ela parecia completamente normal. Se eu a visse na rua passaria despercebido. Mas olhando em seus olhos, senti um terror completo. Saltar do penhasco foi assustador, mas preferia pular de vinte vezes mais alto do que ficar sendo encarado por um minuto com aquele olhar sem alma.

"Que jogo? Quem é você?" - Eu murmurei.

"Se você perder, você morre."

"E se eu ganhar?" - Falei exasperado.

"Ele morre."

Meu coração se afundou, eu não podia acreditar no que eu estava ouvindo, mas eu sabia que ela estava dizendo a verdade. E eu sabia quem era ele.

"O que vai ser?" - Ela sorriu e passou as mãos em seu vestido.

"Nada!" - Eu não sei onde encontrei coragem para responder, mas eu não vim de tão longe simplesmente para deixar Gerard morrer.

Eu escolhi não jogar.

Mas então eu vi a razão pela qual a menina me aterrorizava. Ela era mais do que uma criança. A olhando direito eu vi o que parecia ser um homem grande e assustador. Era uma visão horrível. Eu não podia ver um sem deixar de ver o outro. A menina ficou na minha frente, e eu sabia qual era sua verdadeira forma. Foi a pior visão que eu já tinha visto.

"Péssima escolha."



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...