História Engano - Capítulo 1


Escrita por: e HopeInVhope

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jung Hoseok (J-Hope), Kim Taehyung (V), Personagens Originais
Tags Betada, Hopev, Seoktae, Taehope, Taeseok, Vhope
Visualizações 201
Palavras 2.530
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Proibido chorar


Fanfic / Fanfiction Engano - Capítulo 1 - Proibido chorar

Ofegante, trêmulo, suado, desesperado, seu peito subia e descia, sua mente estava em um completo caos, suas mãos desistiram do aparelho celular, que jazia no chão, tão ou mais destruído do que ele. O choro era livre, o sentimento de abandono e medo também. O desejo de sair correndo era apenas um, mas a vontade de ficar era maior. A porta estava aberta, aquela mesma porta que lhe dava acesso a quem ele mais amava na vida, mas ele não podia entrar por ela. Não mais. Era irônico o fato de que aquele portal de madeira fosse sua eterna “amiga” durante anos e mais anos.  Passar por ali era quase uma necessidade fisiológica sua, se comparando com as demais que condiziam em comer, dormir, ter direito à cidadania, trabalhar, poder exercer suas vontades, ter segurança e o que mais fosse que o caracterizasse como um humano.

Hoje em dia aquele pedaço de madeira não passava de sua inimiga, como se fosse a porta de uma cela.

E o fiel carrasco era a pessoa a quem ele mais amava em sua vida. O ser que ainda fazia com que o coração dele estivesse batendo. Mas ele sabia que isso não duraria muito tempo. Hoseok não entendia o porquê dos gritos, o motivo pelo qual suas roupas estavam espalhadas por aquele chão sujo da calçada da casa de seu namorado. Ou quer dizer ex-namorado? Quem lhe garantia que ainda tinham alguma coisa? Ele não se dignou a apanhá-las, não se preocupou se eram as suas prediletas ou até mesmo se tinham qualquer valor sentimental. Para ele, nada mais importava do que a sensação ruim que sentia ao ver o homem de sua vida jogando tudo o que era seu para fora do local onde eles dividiam uma vida, onde moravam com a mãe do Kim.

Kim NaYoung observava tudo de longe com um olhar sério, mas se ela pudesse, ela riria. Na realidade, ela quase aplaudia a cena que via de sua janela, a única que ficava no segundo andar da casa, e que dava para a rua, a mesma rua aonde ela podia ver seu filho fazendo uma das coisas que ela mais queria que ele fizesse e que, até então, ele não o fazia. Se não fosse tão evasivo, a Kim comemoraria com fogos de artifício: o momento que mais esperou durante cinco longos anos de sua vida, finalmente havia chegado. 

A separação de seu filho.

 Aquela mulher não apoiava o fato de seu filho ser homossexual, também não era a favor do homem que “destruiu” a vida de seu menino morar com eles sobre o mesmo teto. Na realidade, aquela casa foi comprada pelos dois. Hoseok acolheu gentilmente aquela viúva que o tratava tão mal, como se ele fosse um pedaço de fezes que caminhasse por aí. E nem com a insistência de Taehyung para que ela mudasse um pouco o seu jeito de ser com o seu homem, a Kim cedia, na realidade, ela fazia pior, fazendo Hoseok querer morrer de raiva sempre que sua sogra lhe destratava.  Fosse fazendo a pior comida, fosse jogando as roupas dele de qualquer jeito na máquina de lavar, ás manchando, fosse rasgando suas roupas de propósito, fosse inventando coisas feias para o seu filho, para que ele se separasse dele.

Ás vezes, ela trocava os remédios dele, quase conseguindo o matar uma vez. E mesmo com as ameaças de TaeHyung de deixá-la sozinha, a Kim não mudava. NaYoung era a pior sogra do mundo, seu filho entendia. E agora, depois de um tempo, ela podia se parabenizar como vencedora, já que HoSeok estava sendo expulso de casa por TaeHyung. 

– Pode ir embora. Eu não quero mais olhar para a sua cara na minha vida. Minha mãe sempre teve razão. – o Kim não chorava, mas Hoseok sentia como se pudesse se derreter inteiro em lágrimas. – Não quero mais saber que você existiu ao meu lado durante esses anos. – o Kim jogou as últimas peças de roupa do mais velho na rua.

Suas mãos tremiam agora, o Jung tentou sentir um pingo de arrependimento vindo de Taehyung, mas nada disso poderia ser sentido. Ele estava irreversível.

– Eu te odeio. Vai a merda. – E tudo isso por causa de uma traição que nunca aconteceu.

 
Tudo era mentira. 

O Jung sentiu como se seu coração estivesse sendo arrancado do peito, sua mente não registrava nada mais do que sofrimento, do que a dor que se alastrava pelo seu ser. Ele queria morrer, se pudesse se jogaria na frente do primeiro carro que passasse pela rua, mas achava que seu azar era tamanho que ele nem ao menos conseguiria morrer. Seu mundo estava desmoronando por baixo de seus pés, sua vida não parecia que teria algum sentido agora, o homem que ele mais amava estava acreditando em sua mãe, aquela mulher havia vencido?

Será que suas mentiras destruíram cinco anos de amor? 

Taehyung entrou em casa deixando Hoseok e sua dor na rua, no frio, onde ele achou que ele merecesse estar. Fazendo de conta que não estava vendo as lágrimas do seu homem, do ser que lhe fez bem por tantos anos, mas que agora o fazia tão mal. Ele tentou se apoiar em alguma coisa, o sofá estava ali, sua mala também. Ele havia preparado ela para ir para longe, deixar aquela casa com sua mãe e colocar Hoseok para fora. Ninguém ficaria com aquele imóvel repleto de lembranças, ele nunca mais se deitaria na cama aonde um traidor se deitou. 

– Meu filho, você fez o certo, aquele homem não presta, ele não vale nem o que os animais dejetam. – a Kim não esperou nem que o filho se sentasse direito e já veio destilando o seu veneno, falando tudo o que pensava de Hoseok. – Ele nunca te mereceu, ele sempre foi aquela merda que você sabe que ele era. Ele quem te fez achar que gosta de homens. – Ela falava, mas o filho nem lhe olhava. – Agora você pode arrumar uma mulher boa, se casar, ter seus filhos e poder esquecer que aquele homem existiu em nossas vidas.

 Taehyung respirou um pouco mais, coçou os fios loiros em puro sinal de nervosismo, quase os arrancando, enquanto nem se dignava a prestar atenção no que a mãe dizia. Sabia que ela estava sorrindo. Entendia que a felicidade dela transbordava. Mas ele não estava feliz, nunca estaria. Hoseok era o único amor de sua vida, tentar ser feliz sem ele era quase impossível.

Ninguém mudaria isso, não poderiam dizer o contrário.

Ele começou a chorar, não acreditava que Hoseok tinha o traído com Jeon Jungkook, não queria acreditar. Aquela notícia que fora dada por sua mãe, para ele, nem sequer deveria existir.

 – Eu o vi de mãos dadas com outro homem, ele é um maldito demônio que só serve para estragar a vida das pessoas. – Taehyung sabia desse detalhe, não desconfiava que sua mãe estivesse mentindo. – Quem não lhe garante que ele vai fazer mal a família daquele rapaz? E se ele levou aquele homem para um motel? Ele pode ter lhe passado doenças imundas como ele, meu filho. Você precisa ir ao médico. – a mulher entrou em alerta, Taehyung soltou uma risada soprada. Doente? Hoseok não era doente, mas ninguém podia negar que ele havia lhe traído ou que ele achava que sim. 

– Eu vou embora, pode ficar com essa merda. Depois eu venho buscar o que é meu. – o Kim se levantou, finalmente, e se encaminhou até a mala que estava esperando por si.

Seu carro estava esperando lá fora, ele só estava dando um tempo ao tempo. Esperando pelo momento em que aquele homem fosse embora, que desistisse de esperar por algo que não viria e lhe desse a chance de sair daquela casa e esquecer de vez que um dia o amou.

 – Como assim, meu filho? Essa casa também é sua, se ele quiser eu posso pagar a parte dele. – a mulher emendou. – Você precisa ter um lugar para criar seus filhos, para ter sua mulher. Como me diz que vai embora? Pelo amor do pai eterno. Se separar daquele homem não é o fim, é um começo. Ele não vai mais fazer mal a você, ele vai sumir das nossas vidas. - Taehyung riu. Um riso irônico, de puro escárnio. 

– Isso nunca me importou. – a mulher tentou segurar o braço do mais novo, mas isso não foi possível. – E outra coisa, mãe, que eu não gosto de mulher. Eu nunca vou gostar e não é porque eu me separei do hyung que eu vou atrás de uma vagina. 

A mulher estava incrédula. Seu filho estava ficando louco? Aonde foi que os sentimentos por aquele homem o levaram? Era uma praga! Era isso que ela pensava, Jung Hoseok foi uma praga na vida dela e de seu filho.

 – Não faça isso meu filho. Você não pode estragar sua vida assim. – ela argumentou. – Ele foi embora porque era um traidor, eu o vi de mãos dadas com outro, eu o vi entrando no motel do centro. Você não precisa sofrer por ele. É ele quem merece a sua dor. – o Kim não deu ouvidos. 

Esperou apenas um momento, mais ou menos vinte minutos, sabia que poderia sair com seu carro, sem precisar de mais nada. Sua mãe tagarelava, mas ele não se atrelava ao que ela dizia, estava mais concentrado no que queria fazer e não no que ela argumentava. Também percebeu que logo choveria e que precisava se apressar, duvidava que Hoseok – mesmo com sua teimosia – ficaria ali para se molhar. Ele mal havia se recuperado de uma pneumonia, causada pela sua mãe, não se arriscaria sofrer de novo por aquela doença. Ver Hoseok quase morrendo por causa dessa doença lhe marcou.

 – Estou indo mãe. Seja feliz com sua ignorância. 

[…] 

Taehyung andou por alguns minutos em baixo dos respingos que anunciavam a chuva grossa que logo cairia, mas ele não estava preocupado com isso, sua única preocupação era apenas com uma única pessoa. Suspirou, se perguntando se ele estava abrigado, se não estava passando por esse frio e se tinha vestido um moletom bem quentinho. Como dito, ele havia se recuperado a pouco de uma doença séria, quase morreu por causa de sua própria mãe e não pelo efeito dos medicamentos e da patologia. Aquilo foi a gota da água para si. Por isso saiu de casa.  Não aguentava mais sua mãe se metendo em tudo, estragando o pouco que eles haviam construído, tornando um inferno, uma relação que era para ser sempre um céu. Viver sobre o mesmo teto que aquela mulher já não era mais uma opção, ele não aguentava mais estar ali, sabia que Hoseok também não. Mas o Jung continuava suportando a presença da Kim por causa de Taehyung. Ninguém merecia viver assim, ele sabia. Expulsar o Jung de casa foi uma libertação para ele, o loiro acreditava nisso, muito.

Ainda mais agora que a Kim tinha ciência de uma traição.

Taehyung caminhou até o estacionamento mais próximo, a mais ou menos duas quadras, aonde deixava o seu carro, mas no caminho pegou o seu aparelho celular e discou um número que nem ao menos estava salvo com o seu nome próprio. Tinha de ser assim, se não, nada sairia como o planejado.

– Oi, Kook, é o Taehyung. – o moreno do outro lado da linha reconheceu a voz do seu remetente. – Queria agradecer, sabe? De verdade. Espero que a gente não tenha te incomodado tanto, sim? – o Jeon disse que não, que era um prazer ajudá-los, Taehyung sorriu abertamente.

Tinha o melhor amigo do mundo.

– Estamos lhe devendo essa. Qualquer coisa, manda mensagem para o hyung para o que precisar, a gente tem prazer em ajudar. Agora eu preciso desligar, estou indo para o carro, o nosso voo sai daqui a mais ou menos duas horas e por causa do nosso teatrinho, eu espalhei algumas roupas do hyung, acho que ele deve ter trabalho de arrumar o resto. De novo, muito obrigado, não sabe o quanto nos ajudou. Agora a gente vai ser feliz, sem a minha mãe infernizando as nossas vidas, acredite Jungkook-ah, você foi o nosso salvador.

 

[…] 
 

– Me desculpa, meu amor, me desculpa. Eu não queria ter dito isso, eu não te odeio, eu te amo mais do que a minha vida, meu amor. – Taehyung pulou em cima do mais velho que estava sentado no lado do carona, depois de ter esperado o mais novo por pouco tempo. Hoseok ria, mas ria escandalosamente da forma desesperada como o mais novo lhe abraçava, lhe beijava e lhe mordia também. Manias a parte, para ele tudo o que vinha de Taehyung era bom, nem que fossem suas brincadeiras estranhas. Ele entendia o motivo daquele desespero. Taehyung nunca lhe disse nenhuma palavra áspera.

 – Tudo bem meu amor, tudo bem. – o Jung deu um jeito de colocar a mala do mais novo para o banco de trás, meio torto, já que Taehyung não lhe soltava de jeito nenhum.

– A gente precisava fazer isso, não precisava? Você sabe que não dava mais para morar sobre o mesmo teto que sua mãe. – Taehyung nem estava preocupado com isso, sua maior preocupação era beijar o rosto, pescoço e lábios do seu namorado. A ideia de ter jogado ele para fora de casa, ter dito que o odiava, tudo lhe machucava muito.

Era quase um pecado, para si. 

Hoseok se deu por vencido, acolheu o mais novo em seu colo, rindo por ele ser muito grandão para isso e lhe beijou. Era um beijo doce e demorado, os lábios se sentiam, eram mordidos, lambidos e chupados. As línguas vieram agir depois, só quando eles estavam cansados daquele beijo sem língua, sendo que eram acostumados a sentir tudo um do outro, a língua era apenas detalhe a mais. Os músculos quentes se enroscavam, se chupavam e brigavam por um espaço que eles sabiam que eram deles, que não precisavam de busca por outra pessoa. Eles estavam com saudades um do outro, por mais que não houvesse passado nem meia hora separados.

 – Não se preocupa com ela. Eu sei que nós não conseguíamos mais viver ao lado dela. Deixa a minha mãe acreditar que a gente se separou, que não nos amamos mais, que você me traiu com o Kook, deixa aquela senhora pensar que destruiu o nosso amor.

Hoseok riu, seu menino era muito louquinho as vezes. O Jung era um dos que não queria que seu namorado desrespeitasse sua mãe, mesmo que ela houvesse tentado matar o mesmo mais de uma vez.

Mas isso não importava agora.

– Nosso teatro deu certo, e isso é o que importa. Vamos ser felizes agora, meu amor. Vamos ser livres. – o Kim concordou com os dizeres do namorado.

Voltou para o banco do motorista e deu partida no carro. Eles tinham um voo para Busan, a terra natal de Taehyung. Lá eles morariam com o irmão mais velho do Kim, Namjoon, enquanto não juntavam dinheiro de novo para comprar uma outra casa. Não importava o tempo que demoraria, se tinham de abrir mão de seus empregos, faculdades. O importante era que seriam livres. 

E que toda briga e separação não passou de um engano.


Notas Finais


Fic para o projeto. Espero que tenham gostado. Unnie ama vocês.

Obrigada por lerem


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...