História English classes - Capítulo 1


Escrita por: e Bownie

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Tags Bownie, Bts, English Classes, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Suga, Vmin, Vminstar, Vms
Visualizações 503
Palavras 10.048
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Fluffy, Lemon, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá estrelinhas, como estão?
Fico imensamente feliz de ser capaz de aparecer aqui novamente com mais uma fic e dessa vez com um gênero completamente contrário ao anterior!!
Tive essa ideia há muito tempo e não sei explicar o quão bom foi poder colocar ela em prática <3
Eu gostaria de agradecer aos lindos @parkyoonbi e @jimiel pela betagem e pela capa e banner incríveis!
Sem mais delongas, boa leitura e nos vemos nas notas finais.

Capítulo 1 - Único: Faça disso nosso segredo


Jimin havia pesquisado sobre aquela estranha mania de necessitar “se sentir bem” o tempo todo. Já havia buscado em uma quantidade imensurável de sites sobre até onde fazer aquilo poderia ser considerado normal, questionado a si mesmo o motivo de precisar daquilo naquela intensidade e até mesmo conversado sobre o assunto com um ex-vizinho formado em psicologia.

Se diagnosticado, aquilo seria dado como vício comportamental. E obviamente teriam inúmeras raízes de coisas ruins as que lhe tornaram o que era hoje: Um adolescente de dezesseis anos, que foi adiantado dois anos por ser extremamente inteligente, mas que tinha dificuldade em se comunicar com qualquer pessoa pelo simples medo de que elas lhe fizessem mal e lhe interpretassem mal.

E, ah, seu vício? Masturbação.

No começo, as coisas eram melhores que atualmente. Era comum, uma prática normal entre os pré-adolescentes. O problema foi quando seus pensamentos estavam sempre em torno daquilo, que nem sempre era preciso um estímulo visual ou de outra pessoa, e que os químicos liberados no momento de euforia eram literalmente a única coisa que o fazia feliz.

O ato se tornou tão indispensável, que nos intervalos o Park optava por passar sozinho na sala. Ele se tornava ainda mais prazeroso junto à sensação de perigo, e como nenhuma das pessoas que dividiam os aposentos consigo se importava de verdade — no começo haviam tentado bullying, mas pelas inúmeras demonstrações de que as agressões verbais e físicas não o atingiam a ponto de balançar seu psicológico, optaram por apenas deixa-lo de lado — não seria estranho aos olhos de ninguém que um estudante sem amigos ficasse isolado de todos.

Naquele dia, Jimin repetiu seu ritual diário. Assim que o sinal tocou e os lecionandos amontoaram-se na saída da sala para correr para o pátio, fingiu estar espreguiçando-se e preparando-se para tirar um merecido cochilo nos longos trinta minutos que todos ficariam fora.

Passado pouco tempo, exatamente no instante em que nenhum passo no corredor podia ser ouvido e que os únicos sons fossem os de gritaria na parte exterior do prédio, o moreno deitava-se sobre a mesa. Muitas das vezes as luzes eram apagadas, o que tornava ainda mais fácil aproveitar e esconder-se caso algo desse errado.

Jimin sempre fechava seus orbes. Ele sabia que era errado, mas o átimo de serenidade e seus impulsos eram muito mais fortes do que qualquer moralidade social que era imposta a si.

Como de habitual, escorregou sua mão por seu ventre e desabotoou o botão da calça. Desceu o zíper vagarosamente, permitindo-se desfrutar de cada pequena ação que exercia sobre o próprio corpo.

Sua respiração alterou-se assim que alcançou seu membro ainda um pouco flácido. A partir dos movimentos de vai e vem sentiu-se finalmente endurecer. Os poucos toques que dispôs foram quase que suficientes para que chegasse ao ápice, e ele chegaria, se uma risada abafada de alguém que não fosse si mesmo tivesse interrompido o momento.

— Oh. — a voz soou em um misto de surpresa e deboche. — É por isso que você fica aqui nos intervalos?

A cabeça de fios negros se levantou com rapidez. Piscou algumas vezes sem acreditar que havia sido descoberto bem com as mãos na massa. Ou melhor, com as mãos dentro da calça.

Não tardou para que Jimin identificasse a figura parada a uma fileira de cadeiras de distância. O cabelo loiro de franja cortada reta era o que mais se destacava entre todos o da sala, além do uniforme de botões abertos no começo, gravata afrouxada e meias altas e coloridas que ficavam evidentes pelos shorts de verão que a maioria usava naquela época do ano.

Por pior que pudesse parecer, sua visão não o enganava. Quem estava ali era Kim Taehyung, e de todos seus colegas de classe, ele era o que menos esperava receber atenção, ainda mais para aquilo.

— Surpreso, baixinho? — sorriu de canto e deu uma demorada mordida na maçã que retirara da mochila. — E-eu... — Jimin franziu as sobrancelhas e ajeitou suas vestes envergonhado.

O loiro caminhou em passos lentos até a carteira a dianteira do Park e se sentou sobre a parte superior. Os orbes estreitos do mais velho o fitavam com certa curiosidade, ou talvez fosse desprezo, era difícil dizer.

— Isso é muito ridículo! — Taehyung riu após um minuto de silêncio. — Você é burro ou coisa do tipo? Têm uns cinco banheiros diferentes nessa escola e você faz uma coisa dessas justamente onde alguém pode te pegar?! Ah!

Jimin baixou seu olhar e encolheu os ombros. Seu semblante certamente deveria estar muito vermelho a aquele ponto, sequer sabia como reagir, perante aquele que era tanto a testemunha de sua compulsão, quanto o autor da atenção que recebia de um segundo pela primeira vez em dois anos.

Era péssimo em manter uma conversa ou argumentar em uma discussão.

— Vai ficar calado igual todas as vezes? O gato comeu sua língua, baixinho? — provocou o loiro para conseguir alguma reação.

Engoliu a seco, ainda sem saber como responderia o mais velho. A influência de Taehyung na escola era alta, e era certo que, se ele optasse por contar a algum de seus amigos marginais, todos os estudantes saberiam da verdade por trás do rosto inocente e mente brilhantes de Park Jimin.

— As pessoas vão rir tanto quando souberem que o nerd sério na verdade tem hormônios de um garotinho de treze anos. — deu outra mordida na maçã. — Qual será que vai ser seu apelido de agora em diante?

— Por favor... — o moreno encarou o que estava a sua frente brevemente. — Não conte a ninguém.

O mais velho franziu a testa.

— Não escutei. — tentou aproximando-se.

— Por favor, não conte a ninguém! — implorou em um meio grito. — Eu não quero que ninguém saiba disso, então, por favor.

Taehyung concordou mais para si próprio. Um suspiro soltou-se dos lábios molhados pelo suco da maçã, e ele os lambeu, considerando a hipótese de atender a súplica do menor.

Jimin por outro lado, suava frio e engasgava-se com sua saliva. Faltava pouco para o fim do ano, pouco para que recebesse seu diploma e fugisse de sua realidade definitivamente, seu único desejo era que os meses que se seguiriam fossem indiferentes como todos os outros. A escola era um abrigo, e apesar de ruim, era muito melhor que sua casa. Caso esta também se transformasse em um inferno vivo, não haveria mais refúgios para se esconder.

— O que vai me dar em troca se eu aceitar ficar quieto? — tombou a cabeça e estreitou os olhos.

— Qualquer coisa. — disse, insistindo na oferta.  — Eu faço qualquer coisa que quiser se prometer que isso vai ficar entre nós.

— Isso é verdadeiramente tentador. — sorriu maldoso. — Ainda que eu não saiba o que vou querer de você, vou aceitar isso em troca.

Um peso pareceu sair dos ombros do Park.

— Faça disso nosso segredo então. — Taehyung articulou em um sussurro e saiu em seguida, no caminhar desajeitado e nem um pouco elegante que era sua marca registrada.

O Kim o olhou uma última vez antes de fechar a porta, e logo que o fez, Jimin respirou tão fundo que achou que seus pulmões não suportariam tamanha quantidade de ar. A partir dali, estaria preso a Taehyung de alguma forma ainda desconhecida, e ele tinha certeza de que seus dias seriam mais difíceis na instituição pelo desenrolar do tempo.



▪▪▪



Na manhã seguinte, Jimin demorou mais do que o habitual para levantar-se e ir à escola. Estava um tanto quanto receoso em relação a aparecer como se nada houvesse acontecido, já que algo, de fato, havia acontecido.

Assim que colocou seus pés dentro do instituto, sentiu como se os olhares de todos estivessem indo diretamente para si, o que só poderia ser fruto da insegurança a respeito de alguém ter conhecimento do seu segredo, posto que Taehyung não perderia tão facilmente a oportunidade de lhe usar.

Após percorrer todo o corredor e chegar até sua sala, arrastou a porta com cautela para que não fizesse barulho. Ainda era cedo – graças à mania de Jimin de adiantar uma hora e meia qualquer compromisso seu que fosse para não se atrasar –, portanto poucos alunos estavam em suas cadeiras.

Os grupos de terceiranistas conhecidos da escola estavam sentados no lugar do Park, e o mesmo optou por se direcionar até o fundo da sala, na direção oposta que geralmente escolhia.

Um erro.

— Ei criança, o que acha que está fazendo aí? — alguém perguntou, e o moreno interrompeu o que fazia só para ver quem se direcionava a si.

Um adolescente de cabelos verdes o encarava de cima. Sua expressão carrancuda era comum a muitos por ali, e não tardou para que reconhecesse Min Yoongi bem no seu enlaço.

Não muito atrás dele estava Taehyung totalmente inexpressivo. O mais alto tinha as mãos dentro dos bolsos do short do uniforme escolar e a mochila quase vazia pendurada em um só ombro, em razão de o outro estar sendo ocupado por um cotovelo, e este era de outra pessoa afamada, este por ser filho do diretor do estabelecimento de ensino, Jung Hoseok.

— Você é surdo? — Yoongi chutou a carteira. — Sai daí, agora.

— Não vale a pena, Yoon. — Hoseok pronunciou o apelido manhoso. — Vamos escolher outro lugar.

— Eu sinceramente não me importo. — sorriu cínico e encarou o Park irritadiço. — Eu vou contar até três para você dar o fora daí criança.

Jimin agarrou sua mochila com força, temeroso pelo que poderia lhe acontecer, mas ainda sem pronunciar uma palavra sequer.

— Um. — o esverdeado contou.

O mais novo respirou fundo.

— Dois. — continuou.

O Park fechou os olhos rapidamente, imaginando que apanharia do outro.

— Três. — finalizou, e Jimin pressentiu um movimento, mas nada além de um leve tapa em sua cabeça aconteceu.

Ao reabrir seus orbes, o Kim estava cara a cara consigo, com um semblante maroto e um olhar de desaprovação. Sem entender muito bem o ocorrido, tocou a parte em que Taehyung tinha o atingido e tateou entre seus fios, sentindo uma textura grudenta. Chiclete?

Hoseok gargalhou com a reação desagradável de Jimin, que meramente tomou seus materiais de volta e levantou-se possesso, contudo sem proferir qualquer xingamento ao loiro, pois infelizmente estava na palma de suas mãos.

— Agora ele realmente vai ter que sair! — debochou o Jung e Yoongi não reagiu, analisando o sucedido de braços cruzados.

O mais novo baixou o olhar e seguiu para fora da dependência, com a bolsa jogada de qualquer jeito em suas costas e os passos apressados. Se corresse, talvez ainda existisse esperança para seu cabelo.

Por sorte ou azar do destino, o banheiro era próximo. O sinal que daria início a primeira aula bateu assim que adentrou a divisão, e ele sequer se deu conta disso, preocupado com o estrago que Taehyung havia feito.

O doce, branco pelo mascar prolongado, agarrara-se em uma parte lateral. Jimin abriu a água da pia e deixou molhar seus dedos com intensidade, para em seguida passar na área e soltar um pouco do que estava grudado, o que com clareza, fora em vão.

A goma de mascar esticou-se até o seu máximo e desgrudou o centro. Partes e pedaços permaneceram grudados nos fios escuros, e o Park apoiou-se na bancada com o maxilar tensionado, furioso por tamanha infantilidade do loiro. Em que ano estavam? No fundamental um? Aquilo era um absurdo.

— Ah. — um tom conhecido soou. — Aí está você.

A figura esbelta de Taehyung se aproximou, e Jimin somente estalou os lábios em desgosto.

— O que você quer? — indagou com raiva.

— Eu pensei que receberia um “obrigado” de joelhos  por ter vindo até você. — expôs.

— Por que eu deveria te agradecer? — riu soprado pelo comentário.

— Eu te salvei de um olho roxo, baixinho. — apontou para a região descrita. — Se não fosse por mim, você estaria na enfermaria, não no banheiro.

— Isso não te torna melhor que eles. — rebateu, tentando entender o quão enorme era o ego de Taehyung.

Taehyung riu soprado.

Jimin ignorou a presença alheia e abaixou-se para colocar sua mochila no chão e procurar por algo que cortasse a porção danificada. No banheiro estavam apenas os dois, e por mais que aquilo parecesse péssimo, era muito melhor do que se houvesse um público para presenciar seu estado de derrota.

Concentrado em localizar seu estojo em meio à bagunça de livros, mal percebeu o loiro agachar-se a sua frente e puxar seu queixo na direção em que se situava.

— Eu poderia ter feito bem pior. — constatou Taehyung e contorceu o rosto. — Vai cortar?

Jimin deu os ombros. Independentemente do estilo peculiar que escolhia se vestir, o mais velho era inegavelmente bonito. Seus traços eram finos, o que contrastava com os lábios carnudos e a pele um tom mais escuro que a maioria dos coreanos que conhecia; o coração do moreno disparou pela proximidade.

— Trouxe uma tesoura, caso precise. — o Kim apalpou o bolso dos shorts e entregou o objeto pequeno nas mãos do mais novo. — Me arrisquei muito vindo até aqui, então espero ser bem recompensado.

O Park engoliu a seco e piscou algumas vezes para fugir dos encantos de Taehyung.

— Era o mínimo que você podia fazer. — soltou-se dos dedos longos e ergueu-se para ficar de frente ao espelho.

— Sinceramente, como é possível que seja tão malcriado? — suspirou. — Eu deveria ser tratado tão bem por...

— Ah! — Jimin interrompeu impaciente. — Obrigado. É isso que queria ouvir? Pode voltar para a aula.

Taehyung sorriu minimante.

— Tente não arrumar problemas por aí, não vou estar por perto sempre. — estapeou o ar em um sinal. — Te vejo na biblioteca no final da aula.

— Biblioteca? — o Park repetiu desentendido.

— Nós temos um acordo, lembra? — advertiu sobre o dia anterior.



▪▪▪



Eram quatro e meia quando o professor de inglês anunciou que o período de aulas estava encerrado. Muitos comemoraram pela chegada final de semana, as sextas eram as mais animadas, e Jimin comumente não estava entre os eufóricos, porém  estava naquela sexta em específico. Qualquer destino - por mais que aquilo se tratasse de sua casa propriamente dita - era melhor do que estar na companhia de Taehyung, e, apesar de amar livros, odiava o Kim. O cenário para o qual seguiria não estava muito bem equilibrado.

Moveu-se arrastado até o dito ponto de encontro e hesitou milhares de vezes antes de entrar. Passara todos os períodos pensando no que teria de fazer para que o loiro se mantivesse quieto, e nenhuma das inúmeras possibilidades, por mais diversas que fossem, lhe pareceram boas.

O pior era que esteve tão nervoso no decorrer do dia, que sequer lembrou-se de alimentar sua compulsão, e ao se dar conta disso, seu membro imediatamente latejou, implorando por um pouco de atenção.

Tentando não considerar aquilo, introduziu-se nos confins da biblioteca e logo avistou Taehyung sentado em uma das mesas nos fundos, digitando freneticamente em seu celular e com um rosto não muito contente.

— Estava me perguntando o motivo da sua demora. — falou o Kim ao que Jimin colocou sua mochila na madeira que os separava. — Pensei que estava... Você sabe. — desviou o olhar do telefone e sinalizou uma masturbação com a mão esquerda.

— O-o que!? — o moreno debruçou-se na mesa para estapear a mão do mais velho, constrangido pela insinuação.

— Estamos sós aqui, não precisa agir assim. — proferiu e guardou o aparelho móvel.

— Isso não vem ao caso. — Jimin discordou baixo, corando. — E-enfim! Vamos direto ao assunto. O que você quer de mim?

O Kim apoiou a face na palma e mirou o mais novo.

— Hmm, o que eu poderia querer de você? — divagou, mordendo o lábio inferior.

— Suponho que muitas coisas. — o moreno torceu o nariz. — Poderia me pedir para ser seu escravo em tempo integral, por exemplo.

— Oh eu gostei dessa, é uma boa ideia! — riu. — Mas isso não é muito minha cara, a do Hoseok com certeza.

Silêncio da parte de Jimin.

— Você é bom em inglês? — Taehyung demandou simplório.

— Sou. — o Park respondeu.

— Ótimo, então me ensine. — o mais velho relaxou no assento.

O moreno aguardou para que algo mais fosse dito, mas o Kim simplesmente se calou. Sua consciência demorou a processar, todavia quando o fez, os lábios de Jimin formaram um perfeito “o” e assim permaneceram por ao menos um minuto.

— Espera. — o mais novo rebobinou. — É só isso? Você quer que eu te ensine inglês?

— É baixinho. — assentiu. — Mas tem uma condição.

Claro, o moreno pensou, estava tudo fácil demais.

— Eu não quero que me dê aulas com livros e exercícios, me desinteresso muito fácil com essas coisas chatas. — revelou. — Você tem que pensar em um meio prático.

— E como vou fazer isso? — retorquiu confuso.

— Venha aqui. — Taehyung ordenou.

Por estar acomodado na dianteira do Kim, levantou-se para que pudesse se aproximar. Taehyung realmente aparentava ser do tipo que perdia o interesse em assuntos que se assemelhavam a matérias escolares ou do gênero.

Avizinhado do mais velho, curvou-se na crença de que o loiro o diria como deveria organizar as aulas de inglês, mas foi surpreendido pela mão do Kim lhe puxando pela cintura para que se sentasse em seu colo. O encaixe finalizou-se perfeitamente bem.

— T-T-Taehyung... — chamou e tentou se afastar, mas o mais velho apertou o enlace.

— Hoje eu quero aprender sobre o corpo humano. — sorriu malicioso.

— O que v-você está... — Jimin grunhiu, simulando não escutar as palavras do maior.

— Jimin. — chamou autoritário. — Nós podemos brincar um pouco nas aulas. Você me ensina e eu te dou o que você tanto gosta.

As digitais de Taehyung deslizaram até a virilha do moreno e esfregaram ali, mostrando ao Park um novo significado para a palavra “prazer”.

— Ou podemos parar e deixar toda a escola descobrir o que tem por trás desse rostinho. — provocou, acariciando o pescoço do mais novo com seus lábios. — O que me diz?

Jimin tentou pensar, mas seus sentidos estavam tomando qualquer ação consciente, a necessidade crescente da descoberta de algo novo. Cada centímetro de sua pele arrepiou-se ao ter a respiração quente do loiro batendo em um ponto tão específico e delicado. Era nova aquela sensação ainda sem nome.

— Eu vou fazer. — afirmou em um visível desespero.

— Eu sei. — soprou. — Vamos começar de baixo para cima, sim?

O Park não respondeu com palavras, mas com o olhar. Os orbes de Taehyung estavam tão carregados de luxúria quanto os seus. Ele com toda certeza havia acertado em seu ponto fraco; a persuasão do loiro era algo a se destacar.

Taehyung afastou-se minimamente para encarar o mais novo, e Jimin sentiu-se constrangido por aquilo, pela posição, pela situação e por tudo e todas as coisas que o Kim lhe estava causando naquele momento. A biblioteca vazia provavelmente fora planejada para ser o ambiente em que um primeiro passo em relação ao acordo fosse dado, notoriamente com segundas e até terceiras intenções.

— Eu vou te tocar e você vai dizer qual parte é, mas em inglês. Assim vou poder gravar cada detalhe em minha mente. — informou com a voz baixa, tirando ainda mais a pouca sensatez que sobrara no mais novo.

O indicador longo do Kim apontou para o pé esquerdo do que estava em seu colo.

Foot. — Jimin respondeu trêmulo.

A palma de Taehyung escorregou para sua panturrilha magra e então para a coxa, apertando-a com um sorriso provocante e nada prudente.

Calf and thigh. — o Park respirou fundo, contendo a ansiedade para o segundo em que deveria traduzir o pedaço de seu corpo que mais implorava por atenção.

— Hmm, não é tão difícil assim. — reconheceu divertindo-se com as reações de Jimin, e passeou pela região que antes acariciava apenas para larga-la e ir diretamente para a parte traseira do mais novo. — E aqui, como se chama?

— Depende do contexto. — ensinou sem muita vontade. — Se for em uma situação mais informal você pode se referir como ass; se for em uma linguagem menos apelativa buttocks ou butt.

— Acho que vou ficar com a primeira opção. — redarguiu dispersando-se sobre o peito que subia e descida do moreno. — Como se diz “Você está nervoso”?

Are you nervous? — recitou sem muito mais rodeios.

— Não. — entreabriu os lábios após contravir o questionamento imposto. — And you? Are you nervous?

Jimin piscou algumas vezes, sabendo que suas palavras haviam sido jogadas contra si. A forma como o tom de Taehyung mudava ao proferir sentenças em outro idioma era o que estava deixando-o nervoso, além do estado e proximidade pelo qual se encontravam.

— É-é claro! — repreendeu-se mentalmente por gaguejar. — Se alguém nos vir aqui...

— A escola está vazia. — contou seguro.

— Mesmo assim, isso ainda é... Ainda é errado! — tentou novamente se soltar dos braços do mais velho, mas foi, como anteriormente, puxado com bastante força para permanecer parado.

— Vai me dizer que não está gostando nem um pouco? — incentivou Taehyung.

— Não. — mentiu descaradamente.

— Então me explique como você teve uma ereção assim que sentou no meu colo. — apontou para o volume formado na calça do uniforme bem em meio às pernas de Jimin. — Não adianta esconder baixinho.

O Park procurou qualquer argumento que fosse válido, mas falhou. Um misto de sentimentos em relação ao loiro estava se formando nos pensamentos do mais novo, fosse raiva pelo ocorrido de mais cedo, fosse medo pelo prazer que sentia ao ser tocado daquela forma pela primeira vez, fosse gratidão por estar finalmente falando com alguém sem receios, fosse o que fosse, era bom e ruim, e naquele átimo bem ali, não sabia distinguir o que era o que.

Queria Taehyung, por mais errado que fosse, queria aprofundar aquelas carícias.

— Você pode se afastar se não quiser. — avisou ao se aproximar demais do rosto do mais novo, fazendo com que, enfim, seus lábios se tocassem.

De início, seus olhos não se fecharam. A surpresa e o desejo de contemplar a cena que era o loiro com a pele iluminada de relance pelo sol de final de tarde, com uma expressão tão serena e atos tão cheios de volúpia; talvez nunca mais presenciasse algo tão belo.  

Contudo, ao deixar que seus orbes fossem cobertos pelas pálpebras, Jimin pode finalmente conhecer algo bem mais encantador que o visto. Os movimentos suaves da boca do Kim sobre a sua eram hipnotizantes, era a primeira vez que experimentava tal ação.

E então a realidade veio como um soco. Era seu primeiro beijo. Estava perdendo algo tão precioso com uma pessoa que provavelmente brincaria consigo um tempo e depois o jogaria fora.

Merda de desperdício.

— Eu tenho que ir. — falou depois de se afastar abruptamente.

Taehyung o fitou com as sobrancelhas franzidas, sem entender o motivo pelo qual havia sido interrompido.

Jimin limpou seus lábios como se houvesse comido algo extremamente amargo e desagradável, em seguida retirou dedo por dedo do mais velho de suas nádegas e levantou-se, agarrando a mochila com uma só mão e correndo da biblioteca. Como de costume não disse mais nada e o silêncio predominou no ambiente, assim como deveria ser.



▪▪▪



Na manhã seguinte Jimin quase não foi capaz de chegar ao trabalho. Tropeçou inúmeras vezes nos próprios pés durante o caminho, exausto pela noite que passara em claro, sem sequer cochilar por meia hora que fosse.

Memórias sobre as ameaças de Taehyung iam e vinham como um filme, principalmente sobre o maldito beijo. Não poderia escapar das travessuras do mais velho tão facilmente, uma vez que ele conhecia seu lado mais obscuro e não hesitaria em deixar que outros também o conhecessem.

Balançou a cabeça de um lado para o outro tentando espantar o Kim de sua mente. Um evento importante iria acontecer na livraria em que trabalhava naquele sábado, e ele deveria se animar, no final de contas, haveria muitas crianças em motivo de um conhecido escritor de livros infantis iria fazer sua estreia ali.

Ao virar a esquina, pode observar a enorme fila que se formava por responsáveis e seus filhos, muito animados por sinal.

— Tio, falta muito para abrir? — um garotinho perguntou alto ao que o Park se avizinhou.

— Você tem que esperar só mais um pouquinho. — sorriu, apontando para o relógio em seu pulso.

— Mas não é justo, você vai poder ver ele primeiro! — a criança cruzou os braços emburrado.

— Não seja assim. — Jimin agachou-se para ficar na altura do menor. — Se você for um bom menino e esperar pacientemente, o tio vai te dar uma cartela de adesivos da Turma Pyon Pyon, certo?

Os olhos do garotinho se arregalaram ao máximo ao escutar o dito pelo moreno, e ele assentiu freneticamente, mal podendo acreditar que ganharia algo tão legal da estreia do livro meramente por esperar.

— Muito obrigada. — a mulher que acompanhava a criança agradeceu, recebendo um sorriso do mais novo.

Jimin abriu a porta da livraria, ocasionando um sonido baixo do sino da entrada e chamando a atenção dos que estavam em seu interior. Levantou as mãos em rendição para o olhar assustado que recebeu de Jeongguk, seu amigo e atendente do local junto a si.

— Ah, eu quase morri do coração! — Seokjin, o gerente da loja, apoiou-se nas caixas dos livros da estreia. — Só hoje três crianças já entraram aqui sem que estivéssemos abertos.

— Eu não me surpreenderia muito com isso. — Jimin apontou para os enormes bonecos impressos no papelão colorido e com rostos amigáveis que estavam organizados próximos a mesa do autor. — O Pyon Pyon faz muito sucesso.

— Pro inferno esse bicho verde esquisito! — Namjoon, o funcionário que ficava no caixa, gritou do alto da escada no fundo da loja. — Eu teria medo dessas coisas se tivesse uns seis anos.

— Bem, os tempos mudaram. — Jeongguk afirmou, carregando uma caixa muito mais pesada do que aguentava. — Coloque seu avental e venha nos ajudar com isso.

Jimin fez um sinal positivo e correu para trás do balcão, alcançando a veste azul entre os brindes guardados e amarrando sobre suas roupas. Faltava em torno de vinte minutos para que abrissem as portas e deixassem que uma avalanche de crianças tomasse conta do espaço.

Na mesma velocidade que antes, foi até Jeongguk e o ajudou a retirar as pilhas de exemplares infantis das caixas, organizando alguns nas prateleiras mais baixas e entregando outros a Namjoon para que os colocasse nas mais altas.

— Acho que eu nunca trabalhei tanto! — o caixa reclamou descendo das escadas. — Eu espero ganhar um aumento esse mês Jin.

— E eu acho que tenho que começar a procurar outro para tomar o seu cargo. — brincou.

— Ei! — Namjoon contraveio.

— Por favor, vamos manter um ar de calma e alegria aqui hoje. — Jeongguk pediu, tentando reestabelecer a atmosfera de paz, mas suas palavras quase não puderam ser escutadas devido à gritaria que se deu lá fora.

As crianças na fila começaram a se amontoar ao redor de alguém que se aproximava, e de longe, Jimin soube que o Professor Kim, o autor das Aventuras da Turma Pyon Pyon, estava indo até a loja sem nenhuma segurança.

O moreno olhou para o Jeon, e em silêncio, ambos concordaram que deveriam ir até lá fora e dar um jeito naquilo.

— Com licença... — pediu em vão entre os gritos ao se intrometer em meio às crianças para puxar o homem que era abraçado de todos os lados.

Atrás do Professor Kim, uma pessoa customizada com a fantasia do Pyon Pyon era jogada de um lado para o outro devido ao porte gorducho do personagem. Ainda que não houvessem sido avisados sobre aquilo, Jimin agarrou a figura e retirou ambos da confusão, os levando com cautela até o interior da loja para que ninguém saísse machucado.

Seokjin foi o primeiro a ir até o autor e cumprimenta-lo, um tanto quanto nervoso.

— Ah, me desculpem! — o Professor se desculpou sem fôlego. — Normalmente elas não vêm em cima de mim desse jeito.

— Você está bem? — o Park indagou com as mãos sobre as costas do homem.

— Sim, estou. — sorriu o Kim, retirando seus óculos escuros para olhar melhor o atendente. — Muito obrigado por isso.

— O que é essa coisa? — Namjoon apontou para a pessoa vestida de Pyon Pyon.

— Bem... — elucidou um pouco sem graça. — Eu achei que seria mais divertido se as crianças pudessem tirar uma foto com ele, então pedi para que meu filho me ajudasse com isso. Diga oi.

O filho do Professor Kim somente acenou, com a mão sem dedos da fantasia.

— Você está bem? — Jimin demandou para o indivíduo desconhecido.

Ainda sem falar nada, o Kim mais novo balançou seu corpo para frente, com dificuldades de se mexer pela fantasia, o que arrancou uma risada de Jeongguk.

— Bem, já vamos abrir. — o gerente relembrou. — Por favor, me acompanhe até o seu assento.

O Professor Kim seguiu Seokjin em direção à mesa que havia sido montada para si na companhia de seu filho, que andava desajeitadamente nas vestes temáticas. O indivíduo ali dentro deveria ser alguém verdadeiramente desajeitado.

Jimin apressou-se em recolher os brindes atrás do balcão e distribuir igualmente entre ele e o Jeon. Os pequenos clientes ganhariam coisas exclusivas que foram desenvolvidas para a estreia do livro, e os atendentes, ao contrário de Namjoon que desempenharia sua função comum e de Seokjin que tomaria conta da fila, seriam os encarregados de se certificar que todos ganhariam algo.

Ao passo em que o gerente se dirigiu a entrada do estabelecimento, o coração de Jimin se acelerou. Mesmo que conseguisse ser simpático com seus regulares, ainda era muito difícil lidar com tantas pessoas diferentes em um dia sem que se sentisse confortável.

— Bem vindos ao mundo do arco íris, vocês estão preparados? — Seokjin cantarolou a frase de entrada da adaptação animada do livro ao abrir as portas.

— Sim, estamos! — as crianças se reuniram em frente à porta e gritaram em uníssono.

— Quais são as palavras mágicas? — o filho do Professor Kim surgiu atrás do gerente em um pulo e perguntou alto de braços abertos.

— Pyon Pin Pyon Lala Pyon Tchu! — responderam na mesma intensidade.

— Venham se aventurar conosco! — o fantasiado de Pyon Pyon convidou, recebendo altas afirmações e sendo abraçado pelos primeiros que adentraram.

Jimin e Jeongguk sorriram por tamanha fofura das crianças. O Jeon se agachou perto da entrada, distribuindo pequenas pelúcias dos personagens para aqueles que já possuíam o exemplar, e o moreno afastou-se um pouco, entregando compridas cartelas de adesivos para os que seguiam para as prateleiras.

Uma longa fileira de mães e filhos se posicionou em frente à mesa do Professor Kim. O homem era muito paciente, levantando-se para tirar fotos com seus fãs mirins e conversando com cada um dos que passavam por si.

O fantasiado de Pyon Pyon optou por ficar na parte exterior da loja, já que mal conseguiu retornar para próximo de seu pai pela quantidade de crianças que se agarravam a si e pulavam em seus braços.

No caixa, outra longa fila, na qual parentes pagavam pelos livros para que seus pequenos pudessem ter a chance de falar com o Professor Kim e ganhar um autógrafo único com seu nome. Namjoon mal conseguia contar a quantidade de números que suas vias de cupons fiscais continham ao serem impressos.

A tarde por si só rendeu bem. Os brindes acabaram após algumas horas de evento, e o primeiro intervalo do dia foi um pouco depois da habitual hora de almoço, o que foi um grande alívio, pois Jimin tinha as bochechas doloridas pela quantidade de sorrisos que fora preciso dar naquele tempo que se seguiu.

— Vamos à lanchonete aqui da frente, quer vir? — Jeongguk ofereceu.

— Podem ir na frente, eu alcanço vocês. — dispensou momentaneamente.

Foi para o lado oposto que seus amigos, voltando-se para o interior da loja. Seus nervos estavam à flor da pele, e só conhecia um jeito de se acalmar perante as situações como aquelas: Praticando a sua compulsão. Mesmo que já houvesse se masturbado duas vezes durante a madrugada e mais uma de manhã cedo, teria que realizar o feito novamente para controlar seu estado.

Abriu a porta do banheiro em um baque e trancou-se na última cabine. Nunca havia alimentado seu vício no local de trabalho, nem queria, portanto não o fez. Aquilo o desabou.

Jimin escorregou pela porta do cubículo e sentou-se no chão, deixando que lágrimas grossas escorressem de seus olhos. Era tudo culpa de sua mãe, do jeito que ela havia o criado, com constantes agressões físicas dos homens que ela levava para seu apartamento sem nem conhecer bem. Era tudo culpa das brigas, da atmosfera de sexo por todos os cômodos que estava sempre impregnada no ar desde que seu pai havia falecido, das cenas explícitas que ele presenciara de desconhecidos com sua progenitora.

“Sempre tema tudo”, ela dizia quando um deles decidia voltar e lhe agredir por terminar a coisa tóxica que ela chamava de relacionamento, “O sexo é sempre uma fuga da realidade, seja com você ou com outra pessoa. Quando se sentir mal, faça”.

O moreno cresceu escutando coisas como aquela e por isso decidiu se fechar. Ainda sofria com aquilo, em razão de seus tios a internarem em uma clínica para pessoas com problemas mentais. Ela foi diagnosticada como ninfomaníaca.

O pior é que os atuais responsáveis - que por sinal eram  os mesmos que haviam jogado sua mãe em uma clínica - sobre si não toleravam nenhum tipo de distúrbio, e Jimin jamais poderia contar sobre sua compulsão para eles, mas ao mesmo tempo não fazia ideia do que fazer. Ele temia tudo, temia pessoas, suas ações, seus dizeres e sempre que se sentia ameaçado, usava a válvula de escape que lhe fora ensinada: O sexo, porém consigo mesmo.

Seria vergonhoso demais contar aquilo a alguém.

— Quem está aí? — uma pessoa de voz familiar bateu na porta da cabine e questionou, fazendo com que Jimin se levantasse imediatamente.

Pela frecha próxima ao chão, o Park enxergou pés grandes e verdes, e soube que quem estava ali era o filho do Professor Kim. Poderia ser que precisasse de alguma coisa, portanto abriu a porta vagarosamente.

— Ah, me desculpe por isso. — falou ao estar frente a frente com o fantasiado.

Os cabelos loiros molhados pelo suor de ficar por horas dentro de uma fantasia foram a primeira coisa que Jimin pode reparar pela falta da parte superior da fantasia, e logo que desceu seu olhar, se deparou com um Taehyung assustado.

— Não pode ser. — o Park entreabriu os lábios. — Você é o Pyon Pyon? Você é o filho do Professor Kim?!

— Surpresa. — Taehyung sorriu forçado e balançou a mão livre.

Jimin bateu a mão na testa, pensando no quão a presença do Kim era desnecessária naquele momento.

— Eu ouvi você chorando. — o Kim comentou cauteloso.

— Não é nada. — o moreno enxugou suas bochechas de qualquer jeito e saiu. — Não que você se importe.

— Jimin. — Taehyung chamou. — Eu sei que você está irritado comigo por ontem, mas será que nós podemos conversar?

O mais novo virou-se e conteve uma gargalhada pelo estado ridículo no qual o loiro havia sido obrigado a estar.

— Não consigo te levar a sério com essa fantasia. — apontou. — E isso oficialmente me libera do nosso acordo. Se contar sobre o que viu, eu conto que você é o Pyon Pyon.

— Oh não, isso arruinaria toda a minha reputação. — debochou. — Eu jamais te imaginaria trabalhando em um lugar assim, e justamente aqui.

Jimin deus ombros.

— Me espere lá fora, vou trocar de roupa e te levo para almoçar. — combinou o Kim, adentrando com certa dificuldade a cabine que o moreno ocupava anteriormente e precisando da ajuda do atendente para que a fantasia rechonchuda passasse.

Por mais que não quisesse e que ainda abrigasse os mesmos sentimentos de antipatia pelo Kim, assumiu para si mesmo que talvez Taehyung merecesse uma chance de se explicar, afinal, sentia-se tão culpado quanto o loiro por ter aproveitado a situação que havia acontecido no dia anterior.



▪▪▪



Jimin comeu com gosto a carne que Taehyung fritava.

— Deixe um pouco para mim! — o mais velho tapeou a mão do moreno, recebendo uma risada como resposta.

— O Pyon Pyon só come doces de pó de arco íris. — o moreno retrucou.

— Até quando vamos continuar com isso? — Taehyung revirou seus olhos, e Jimin aproveitou-se para pegar mais uma carne.

Estava um pouco mais confortável após tomar conhecimento de um segredo do Kim. Aquilo significava que o loiro não representava mais uma ameaça iminente, e que estavam isentos do acordo que fizeram na biblioteca, o que era uma ótima notícia, já que, no final de contas, estar constantemente na presença de Taehyung era perigoso. No sentido bom e no ruim.  

Haviam escolhido um restaurante tradicional que ficava na mesma calçada que a biblioteca. Como tinham pouco tempo para almoçar em resultado do demorado para que o Kim trocasse de roupa, fora a única opção rápida e disponível para os estudantes.

Taehyung vestia roupas peculiares além das que usava no ambiente escolar. Trajava uma camisa preta sem mangas com uma abertura rendada que ia até o meio de seu peitoral, shorts azul turquesa, as características meias listradas, um tênis de plataforma também preto e brincos de corrente longos que iam até o meio do seu pescoço.

Uma leve maquiagem atuava em conjunto no rosto do loiro. Seus olhos tinham as pálpebras coloridas de azul escuro, e uma pedrinha prateada havia sido colocada na maçã de sua bochecha, não muito distante de seu olho direito.

— Você não precisa ficar me olhando assim. — o mais velho expos ao se dar conta de que Jimin estava hipnotizado com seu estilo. — Eu sei que é estranho, mas eu me sinto bem desse jeito.

— N-Não é estranho... — o Park desviou o olhar. — Só é...

— Diferente? — riu. — Muitas pessoas me dizem isso. Meus pais me apoiam muito nisso e aqueles idiotas também. Aliás, ainda sinto muito pelo jeito que o Yoongi te tratou.

— Está tudo bem. — Jimin assentiu fraco. — Eu gosto do seu estilo.

Taehyung comeu um pouco de arroz e mordeu seu lábio ao terminar, sem saber como responder pelo elogio do mais novo.

— Me desculpe pelo beijo ontem. — o loiro fez uma careta arrependida assim que tomou coragem para olhar o Park.  — Aquilo sim deve ter sido estranho para você.

O moreno encostou sua face no punho e brincou um pouco com os jeotgarak¹ em sua mão, mexendo um pouco na comida em seu prato e refletindo se era uma boa ideia compartilhar o motivo pelo qual havia fugido.

— Foi meu primeiro. — cochichou.

— O que? — Taehyung se debruçou sobre a cadeira.

— Foi o meu primeiro. — pronunciou mais alto e o semblante do mais velho se contorceu em surpresa.

— Não pode ser! — gargalhou. — Foi o seu primeiro beijo?! Seu virgem!

— Fale b-baixo! — tampou a boca do outro.

— Eu tive a sorte de ter o seu primeiro beijo. — Taehyung declarou ao afastar a palma de Jimin.

— Deve estar mais para azar. — se recompôs.

— Não diga isso para o homem que está interessado de você, baixinho. — implorou manhoso.

Foi a vez de Jimin ficar em choque.

— O homem que está interessado de você. — repetiu o loiro, sílaba por sílaba. — Faz tempo que estou interessado em você, por isso inventei essa história de contar para toda a escola sobre o seu segredo, foi o único caminho que encontrei para me aproximar de você.

— Taehyung... — o Park divagou.

— Eu sempre estive de olho em você, e tinha dúvidas sobre a sua sexualidade, por isso precisava descobrir se não acharia estranha uma relação não tradicional. — continuou, em uma confissão tímida.

— Nunca me perguntei sobre isso, sempre vivi com medo. — encolheu-se.

— Medo? — reiterou confuso.

— Ah, é uma longa história e olha a hora! — disfarçou, surpreendendo-se com o fato de que realmente estavam atrasados. Quinze minutos. — Acho que vamos ter que correr.

Taehyung retirou sua carteira do bolso e colocou uma significativa quantia de dinheiro em cima da mesa quadrada, levantando-se da cadeira e pegando Jimin pelo pulso, correndo em meio os clientes do restaurante para ascender à saída.

— Você pode me contar tudo amanhã na minha casa, vamos continuar aquela aula de inglês. — convidou, equilibrando-se nos tênis de plataforma que o deixava ainda mais alto.


▪▪▪



Dezoito foi o número de vezes que o Park checou a mensagem de Taehyung com o endereço. Questionou o motorista do táxi que chamara mais três, incerto sobre ir para Gangnam sem nenhuma companhia e sem conhecer nenhuma rua ou ponto de referência.

Não poderia negar a oferta do loiro depois da declaração que recebera menos de vinte e quatro horas atrás. Conhecendo a personalidade podre do mais velho, sabia que da próxima vez que se encontrassem ele insistiria para que lhe fosse dada uma resposta, e em razão daquilo, Jimin precisasse desesperadamente solucionar a bagunça que havia se instalado em seu interior posteriormente aos beijos na biblioteca e as conversas no intervalo do evento na livraria.

Aquilo era realmente ódio? Ou um sentimento que ele mesmo reprimia por não aceitar que reconhecia ter uma atração?

Era certo que, pelo fato do pai do loiro ser o próprio Professor Kim e sua mãe ser uma dona de uma agência de eventos luxuosos – descobrira na conversa que Taehyung o insistiu em ter durante a noite por troca de mensagens – o mais velho era privilegiado a ponto de morar em uma área nobre e de classe, com prédios altos e uma vida noturna agitada.

O veículo parou em frente a uma construção mediana, de janelas espelhadas e um segurança na porta. Jimin pisou trêmulo no asfalto, logo após pagar o que estava no volante. Como esperado de algo vindo de uma ligação direta com o mais velho, a sensação foi nova e um tanto quanto inesperada.

— Eu estou aqui para ver Kim Taehyung. — avisou ao homem alto que tomava conta da entrada.

— Park Jimin? — demandou inexpressivo.

— I-Isso... — confirmou.

— O Senhor Kim me avisou sobre isso. Sua residência se localiza no quinto andar, a última porta do corredor. — informou o segurança e deu espaço para que o moreno passasse.

O hall de entrada era decorado em tons de bege e branco, com um extenso tapete quadrado adornado no centro do espaço e alguns quadros bonitos decorando as paredes.

Quando as portas se abriram, o moreno transpôs a área e apertou o botão que continha o número cinco. O citado se acendeu, e o elevador fechou-se e subiu até o andar requerido.

No corredor, Jimin andou sem muita pressa e respirou fundo três vezes antes de apertar a campainha. Sabia que indo aos aposentos de Taehyung não teria motivos e nem forças para ignorar qualquer tentativa de flerte que o loiro decidisse fazer para cima de si. Era completamente desconfortável ter plena consciência daquilo, mas era preciso para que entendesse de fato o que o mais velho representava para si.

— Oh, você chegou. — o mais velho cumprimentou sonolento coçando os olhos. — Eu acabei pegando no sono. Entre.

— Com licença. — Jimin sorriu tímido e trocou seus sapatos pelas pantufas cinza na entrada.

— Eu vou fazer café, você quer? — Taehyung perguntou tomando a frente e indo em direção à cozinha.

Devido ás condições de uma renda não muito alta que o Park detinha e de sua casa ser consideravelmente pequena comparada a todas as outras de seu bairro, surpreendeu-se com  a sala enorme a qual teve o prazer de adentrar. Os móveis escuros e tapetes peludos brancos e vermelhos estavam espalhados pela divisão. No centro, um enorme sofá preto e plano, como os de revista, em conjunto a duas poltronas e uma televisão de incontáveis polegadas.

Mais atrás, uma mesa de jantar de vidro cumprida, com oito cadeiras pelo que pôde contar e também forradas por aquele tecido de pelos dos tapetes. Um lustre oval envidraçado era o que provavelmente iluminava durante a noite. Em virtude da janela de ponta a ponta da parede, não era necessário durante o dia.

A cozinha era aberta para a sala, e os eletrodomésticos e azulejos também eram escuros. O que se destacava em meio aos tons mortos era Taehyung, que cantarolava algo e se remexia por dentro do roupão de tecido fino e verde enquanto preparava seu café.

— Gosta do seu com ou sem espuma? — indagou o Kim sem se virar.

— Tanto faz. — Jimin respondeu e se sentou na cadeira alta da bancada.

O mais velho decidiu fazer a xícara de Jimin como a sua.

— Tome. — colocou a bebida quente na frente do Park e se debruçou sobre a pedra que os separava. — Agora você pode me contar.

Jimin pegou seu café com seus dedos rechonchudos e o levou a boca dando um gole curto e limpando a espuma que ficara em seu buço com a língua.

— Contar o que? — se fez de desentendido, observando com o sol estava bem na frente da janela.

— Seu medo. — Taehyung rememorou inocente.

— Ah, sobre isso. — o moreno coçou a nuca, envergonhado. — Será que podemos deixar isso para outra hora? Eu vim aqui por outro motivo.

— Baixinho, eu sei que você quer muito transar comigo, mas antes eu quero escutar o que você tem a dizer. — brincou malicioso.

— N-Não é isso! — o Park se defendeu.

— Jimin. — Taehyung chamou em seu tom autoritário. — Fale.

O mais novo colocou as palmas sobre as coxas e baixou a cabeça. Por mais que estudassem juntos há anos, começara a ter contato com o loiro para valer há meros três dias, sendo o anterior o único em que começaram a realmente ter uma conversa que não fosse através de ameaças. Com Taehyung as coisas eram rápidas demais, fluíam rápidas demais, e ele assumia que de um jeito um tanto quanto estranho.

Jeongguk era seu amigo há anos, e em todos os dias em que passaram juntos nunca pensou em contar sobre seus problemas e seu vício. Para o Park, aquele fardo era só seu e de mais ninguém, não dizia respeito a qualquer pessoa, viveria e morreria com aquilo.

Uma coisa tão íntima, tão pessoal, compartilhada com alguém que estava há poucas setenta e duas horas na sua vida, revirando-a de cabeça para baixo. No entanto, por mais que houvesse feito piada e tratado o descoberto como ridículo, em nenhum momento o Kim o julgara, e talvez por causa disso fosse um pouco menos doloroso e difícil falar sobre aquilo.

Taehyung aos poucos, estava tirando seus temores do desconhecido.

— Quando eu tinha seis anos o meu pai sofreu um acidente de avião em uma viagem de negócios, saiu em muitos jornais, o voo novecentos e três. — Jimin começou, pausando a cada duas palavras. — A minha mãe não soube lidar muito bem com isso, então ela começou a beber e se envolver com vários homens diferentes.

O loiro se endireitou atrás da bancada. Era uma história dolorosa de se ouvir.

— Ela os levava para casa, alguns deles batiam nela, outros em mim por eu atrapalhar “momentos”, se é que você me entende. — engoliu seco, revivendo cada minuto de agonia. — No fim, meus tios descobriram e a internaram em uma clínica. Eles têm a minha guarda agora, mas eu ainda quero tirar ela de lá, é por isso que eu estudo tanto e estou dois anos adiantado na escola.

Jimin fechou os olhos com intensidade, segurando as lágrimas que teimavam em vir.

— Minha mãe me dizia para temer tudo, que as pessoas são ruins e que elas fazem coisas ruins. Ela me ensinou que toda vez que eu sentisse medo, raiva, ou qualquer emoção que não fosse a felicidade, eu deveria me entregar a algum prazer provindo do sexo para me acalmar, e bem, eu sou solteiro desde sempre. — riu sem vontade. — Eu só a quero de volta para que eu possa cuidar dela, por mais que digam que a doença dela não tem jeito, eu quero tentar.

— Baixinho, você não precisa mais continuar. — Taehyung se esticou para tocar o rosto do moreno. — Eu não fazia ideia de nada disso.

— Você foi a primeira pessoa que eu contei isso. — uma lágrima solitária escorreu pela face do mais novo.

— E isso aliviou o peso das suas memórias? — questionou rouco.

O Park fez que sim com sua cabeça, e Taehyung contornou a bancada para abraçar Jimin, que não retribuiu, mas agradeceu em silêncio pelo ato tão zeloso.

— Eu espero que você não sinta medo de mim, já que eu sou a pessoa que teve algumas das suas primeiras vezes. — o loiro tentou zombetear. — E também que pare de seguir os ensinamentos tortos da sua mãe em relação a sentimentos e o que fazer sobre eles. Quando se sentir mal, triste ou cansado, você pode apenas se encostar em mim.

Jimin agarrou o roupão do Kim e o apertou. Seu rosto descansou no ombro do mais velho, o nariz encaixando-se na curvatura do pescoço de pele morena, sentindo o doce aroma de um perfume peculiar.

Taehyung afastou-se e olhou bem fundo nos olhos do mais novo. Pouco a pouco se aproximou, acabando com qualquer milímetro que os impedissem de se tocar e sentir o sabor do outro.

Novamente, os lábios do loiro roçaram nos seus, mas dessa vez Jimin não se afastou. A boca quente movimentou-se contra a sua, com calma e intensidade, em um beijo singelo que transmitia desejo e conforto, e era definitivamente o que o Park precisava.

Os braços de Jimin deixaram o peito do loiro e subiram para o pescoço, enroscando-se bem ali, puxando Taehyung para mais perto e aprofundando o ósculo.

As línguas se tocaram tímidas no início, mas ao se familiarizarem, enroscaram-se e exploraram a boca alheia com gosto. O mais novo nem mesmo se deu conta de que o Kim o pegara em seus braços e que arfara com a ação.

Soube que estava no quarto de Taehyung quando foi jogado em uma cama macia e de lençóis aveludados e foi preciso separar-se do mais velho. Não prestou muita atenção nos detalhes ao redor, uma vez que os do Kim retirando seu roupão, camisa e os shorts eram bem mais interessantes.

O loiro subiu em cima de si, uma perna em cada lado de seus quadris. Os lábios que antes tomavam os seus foram em direção a sua orelha, a lambendo e mordiscando com violência.

— Eu vou te mostrar o jeito certo de ter prazer. — Taehyung sussurrou.

Com a ajuda do mais novo, retirou a camisa do mesmo, oferecendo a bela visão do abdome magro do moreno, que foi território de mordidas e chupões. Sendo que, cada um que era feito, fazia Jimin se contorcer por baixo do mais velho.

O Kim beijou toda a extensão do corpo do que estava em seus lençóis. Jimin pôde sentir sua ereção latejar dentro dos shorts mesmo que com poucos beijos e carícias, o que tentou ainda mais seu parceiro, que não aparentava economizar em qualquer oportunidade que se fizesse presente para provocar o mais novo.

Taehyung passou dos beijos cálidos para selvagens. Tomou a boca do moreno sem aviso prévio e a molestou com mordidas, puxando-a vez ou outra e ocasionando delírios da parte do Park. Os dedos longos não deixavam de mostrar o quão determinados estavam a proporcionar novas sensações a Jimin, abrindo o zíper da única peça sobressalente em meio a toda aquela nudez e libertando, enfim, o membro dolorido de Jimin.

— Como você prefere que eu faça isso? — referiu-se a sua mão ao agarrar o falo do mais novo. — Mais rápido? Com força?

O Park cobriu os olhos com o antebraço e entreabriu os lábios, arfando alto. A sensação de ter Taehyung o tocando daquela maneira, de sua palma espalhando todo o pré-gozo pela extensão de seu membro e o torturando com um bombear vagaroso era demais.

— M-Mais rápido... — pediu assim que foi capaz de falar algo.

O vai e vem lento passou a tomar velocidade, e o loiro aproveitou-se para mordiscar e chupar a derme próxima à clavícula de Jimin, arrancando um gemido alto e arrastado do parceiro.

Por não estar acostumado a toda aquela novidade e estar tão nervoso diante da situação, o mais novo não demorou muito mais para se desfazer nas mãos do loiro, e, diante do ocorrido, foi ouvido um som de repreensão do mais velho.

— Mas já? Nem começamos a brincar ainda. — disse desapontado.

Jimin não respondeu, abrindo seus olhos para analisar o quanto havia sujado sua barriga constatando ser muito.

Sem notar que o mais velho prestava atenção em cada movimento seu, foi surpreendido ao que Taehyung elevou seus quadris e lambeu todo o conteúdo despejado por seu ápice, lambuzando os lábios com seu sabor e engolindo tudo com gosto.

— Você tem um sabor ótimo. — o loiro elogiou, e o moreno sentiu-se estranho por não saber lidar muito bem com aquele tipo de elogio.

Esticou-se para pegar algo embaixo da cama e Jimin apoiou-se nos cotovelos, curioso. Taehyung tateou o chão consecutivas vezes até bater em algo e ao encontrar o que buscava, trouxe para cima do colchão. Uma pequena caixinha de madeira amarela foi colocada ao lado do mais novo, e por mais insuspeita que parecesse, lá dentro havia as mais diversas camisinhas, lubrificantes e alguns brinquedos sexuais desconhecidos pelo moreno.

— O que eu deveria usar com você hoje? — o mais velho pensou alto.

Remexeu entre seus pertences e sorriu ao pegar um pequeno frasco com um líquido laranja em seu interior. Balançou o conteúdo líquido e olhou para o Park, que parecia um pouco assustado por não se saber do que aquilo se tratava.

— Eu prometo que você vai gostar. — apontou para o produto e saiu de cima do mais novo para que o virasse de costas.

Sem saber como deveria agir, permitiu que Taehyung o guiasse durante o processo. Sua cintura foi agarrada e o loiro indicou que ele deveria dobrar os joelhos e os cotovelos para que ficasse na posição certa.

Feito isso, o loiro separou um pouco as pernas e as nádegas do mais novo para posicionar-se em sua traseira, a fim de despejar o líquido laranja por sua entrada e o espalhá-lo com suas digitais, o que sobressaltou o Park pelos toques na região nunca experimentada, mas desprendeu grunhidos de sua garganta.

— Isso vai te deixar bem quente. — Taehyung explicou.

O indicador e o médio de Taehyung foram lubrificados pelo líquido. Ele soprou de perto a parte que preparava, aquecendo o fluído, para em seguida lambe-lo e sentir o quão deliciosamente doce era.

— Taehyung... — Jimin chamou manhoso.

A língua do mais velho tratou de sua entrada por toda a extensão, ousando adentrar a abertura apertada do Park. Seu próprio membro gotejava e doía pela falta de qualquer carícia, mas se conteve por saber que algo muito melhor estava por vir.

Introduziu dois dedos de uma vez e os olhos de Jimin lacrimejaram pelo desconforto e dor. Estar naquela cama com Taehyung era definitivamente melhor do que quando estava sozinho, contudo, atentava-se até onde conseguiria ir naquela primeira vez.

Os gestos tornaram-se mais espaçados. Os dedos do mais velho entreabriam-se em movimentos de tesoura em seu interior, que queimava de maneira agradável pelo lubrificante que insistia em aumentar sua temperatura.

— Eu vou tirar meus dedos agora, então me diga se doer quando eu entrar. — o loiro pediu, e Jimin agarrou as cobertas de veludo até suas juntas se esbranquiçarem.

Taehyung lambeu seus lábios e fitou como se estivesse faminto para a imagem do moreno em uma posição tão tentadora. Colocou seu membro em direção à entrada devidamente preparada e usou o pouco que restara do lubrificante em seu próprio falo, para em seguida enterrar-se o máximo possível em seu parceiro.

Jimin contorceu cada músculo de seu rosto ao ter seu interior invadido. Os primeiros centímetros do membro do Kim o pegaram de surpresa e pareceram lhe rasgar internamente. Aquilo doía como o inferno, mas estava tão determinado a continuar que segurou o choro e os xingamentos que lhe vieram à mente.

— Se mexe. — o mais novo suplicou ao ter Taehyung todo dentro de si.

Seu corpo recebeu um solavanco para frente. Era difícil se remexer em um espaço tão estreito e justo, que parecia tentar o engolir a cada tentativa de estocada. Aos poucos, foi possível ter um desempenho melhor, e a partir daí Jimin começou a entender o que Taehyung quisera dizer com prazer.

As investidas do loiro tomaram força, e a cada saída o mais novo ansiava por mais. Era impressionante o quão experiente o Kim demonstrava ser em relação ao sexo e como teve o prazer de ser um dos que experimentava aquilo, literalmente em todos os sentidos.

O mais velho arfava, na mesma proporção em que Jimin permitia-se ser o mais barulhento possível pelo apartamento vazio. Chamava o nome de Taehyung a cada vez que sua dor aumentava e que rebolava seus quadris pedindo por mais, isso até uma estocada que lhe tocou em um ponto específico e que o fez ver estrelas. Era quase mágico.

Sem saber o motivo e nem o que exatamente era, o Park se posicionou melhor para que fosse tocado mais e mais vezes lá, deixando que seus braços escorregassem a ponto de ficar ainda mais empinado para o parceiro, que o respondeu investindo mais intensamente.

— Taehyung! — gemeu, levando a mão até seu membro.

A fricção entre os físicos e os barulhos obscenos que se decorriam do sexo produziam ainda mais calor no interior do moreno, que a aquele ponto já não tinha mais controle sobre suas ações.

E se por um lado Jimin via estrelas, Taehyung via uma constelação inteira. Já havia sim tido inúmeros parceiros, desde os mais inexperientes até os que possuiam caminhos inusitados de lhe dominar, mas com o mais novo as coisas eram extremamente mais interessantes.

Fosse por suas reações incertas, fosse pela maneira qual chamava seu nome em meio aos gemidos que lhe eram proporcionados; com o Park  o sexo era inovador e arriscava-se a dizer que até um pouco mais agradável do que com os outros que haviam compartilhado aqueles mesmos lençóis consigo anteriormente.

A atração que Taehyung sentia pelo mais novo era tão forte a ponto de o causar sensações como aquelas.    

— Jimin, eu vou... — o loiro tentou avisar, mas desfez-se antes de completar a sentença e preencheu toda a entrada do mais novo com seu orgasmo.

O moreno arranhou o colchão e permitiu-se vir logo após, com a deliciosa sensação de ter o ápice de seu parceiro escorrendo dentre o interior de suas coxas.

Taehyung retirou-se do Park e jogou-se ao seu lado, sendo cutucado pelos utensílios sexuais que espalhara e coberto pelo suor e o próprio sêmen, não muito diferente de Jimin, que se encontrava na mesma situação.

— Como você se sente? — o Kim questionou sem muito fôlego.

— Eu me sinto ótimo. — o mais novo sorriu e direcionou-se para o loiro. — Isso foi incrível.

— Sei disso. — vangloriou-se. — Mas e agora?

— Como assim? — o moreno franziu o cenho e deitou-se no travesseiro, deparando-se com um pôster de uma banda de rock no teto.

— Ainda não respondeu a minha confissão. — recapitulou emburrado. — Eu disse que estou interessado em você. Agora ainda mais.

— Não me surpreende. — riu anasalado. — Eu não posso te responder com certeza ainda, preciso de um pouco mais de tempo para me acostumar com isso.

O mais velho pensou um pouco e meneou positivamente com a cabeça, indicando que compreendia que, devido a seu passado, Jimin precisaria de mais momentos ao seu lado para se curar e entender um pouco mais sobre não temer o desconhecido.

Em um ato que visava reconfortar, Taehyung agarrou a pequena mão do mais novo e colocou-a entre as suas, beijando a ponta de seus dedos. Jamais passaria pela cabeça de alguém que o estudante que se vestia estranho e tinha uma personalidade tão arrogante quanto à de seus amigos poderia ser alguém tão encantador.

Ao lado do loiro, sentia que poderia enfrentar seus medos. Não existia nada fixo e nem um sentimento concreto suficiente para ser denominado de amor ou paixão, existia ali, entre aqueles dois colegas de classe que começaram uma relação um tanto singular o anseio de se descobrirem, se conhecerem e talvez até construir um futuro.

Juntos.


Notas Finais


Oh, chegamos ao fim!
Espero que tenham gostado e conseguido ver mais ou menos por trás da história do Jimin e os fundamentos tortinhos que ele tinha para fazer o que fazia.
Foi muito divertido desenvolver essa OS e espero que vocês tenham curtido tanto quanto eu!!
Não se esqueçam de deixar aí embaixo nos comentários seu elogio, crítica ou opinião sobre o que achou, combinado?
Nos veremos novamente em breve aqui no projeto ~~


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