História Enigma - Capítulo 5


Escrita por:

Postado
Categorias Naruto
Personagens Shikamaru Nara, Temari
Tags Shikamaru, Shikatema, Temari
Visualizações 241
Palavras 5.142
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


FALA, GALERA!
Esse capítulo foi escrito ao som de muita música dos anos 70/80/90. Teve David Bowie, Rolling Stones, Led Zeppelin, The Cure... Enfim, vocês entenderam hahahah Eu inclusive recomendo colocar umas musiquinhas assim pra entrar no clima do capítulo, que tá maravilhoso e grande pra vocês.
Boa leitura ♥

Capítulo 5 - Capítulo cinco - Pontos de luz


Processar tudo que aconteceu foi difícil. Primeiro: eu nunca fui de muita atitude, e o fato de eu ter me interessado por poucas pessoas na vida não colaborava muito com isso. Segundo: era Temari, meio bêbada e indecifrável. Eu só sei que, quando nós paramos de nos beijar, eu estava todo manchado de batom vermelho, assim como ela. Sua voz soou baixa e sedutora “quer ir pra minha casa?” e eu disse que era melhor não porque ela havia passado da conta na bebida. O resultado não foi dos melhores, porque ela se sentiu rejeitada e fechou a cara para mim. Além disso, a visita de Ino na manhã seguinte para me importunar não facilitou em nada.

- Você perdeu a aposta, VOCÊ PERDEU A APOSTA! - Ela grita assim que eu termino de contar tudo. - E, oh meu deus, eu não vi isso… Você vai ter que repetir, Shikamaru, porque eu quero ver essa cena.

- Eu não sei se vai ter repetição. - Franzo as sobrancelhas e coço a nuca, desconcertado. - Ela me chamou pra ir pra casa dela e eu recusei.

- Eu não acredito que você recusou! - Ino esbraveja, jogando uma almofada em mim. - Puta que pariu, Shikamaru!

- Ela tava bêbada, Ino! - Tento me explicar, mesmo sabendo que Ino não vai ver da mesma forma que eu. - Além disso, você sabe como essas coisas funcionam pra mim.

Ela se aproxima, os olhos azuis estão brilhando, e segura minhas mãos entre as dela.

- Você está se apaixonando? - Ela me pergunta, séria.

Respiro fundo e desvio o olhar. A verdade é que nem eu sei direito o que está acontecendo. Tudo foi muito rápido e eu mal conheço Temari.

- Acho que sim. - Respondo baixinho. - É a única explicação pro que aconteceu comigo fisiologicamente.

Ino dá um sorriso sacana.

- Falando nisso, tracei o irmãozinho dela.

- Ah, eu sabia que isso ia acontecer. Quando você me disse que não voltaria comigo, ficou bem claro. E aí?

- Hmmm… - Ela faz um biquinho. - Foi muito bom, de verdade. Mas não sei… Ele não é meu tipo.

- Sem detalhes dessa vez? - Pergunto, estranhando o quanto ela foi concisa.

- Ai, Shika… - Ela suspira. - Foi gostoso, foi bruto, teve puxão de cabelo e muita mordida. Mas ele parece ser possessivo e eu não gosto disso.

- Possessividade é um bom motivo pra dar um pé na bunda de alguém.

Ela se joga na minha cama e seus cabelos se espalham, contrastando com o lençol verde. Ino está pensativa e isso é um pouco raro nela. Para alguém que costuma guiar as ações pelos sentimentos, pensar demais é incomum e, por isso, ver a ruga entre suas sobrancelhas me inquieta.

- Aconteceu mais alguma coisa, Ino?

- Ele usa drogas. - Ela responde de uma vez, sem pestanejar. - Drogas pesadas.

- Mais um motivo pra se afastar.

- Você está certo. - Um pequeno sorriso surge em seus lábios e, então, ela volta o foco da conversa para mim. - Você tem o número dela, certo?

- Sim.

- E você quer vê-la de novo?

- Quero. - Confesso, suspirando. - Mas não sei se ela quer me ver de novo.

Ino se levanta, estica o braço para o criado-mudo e pega meu celular, estendendo-o para mim em seguida.

- O “não” você já tem.

Alterno o olhar entre Ino e o celular algumas vezes enquanto me lembro das inúmeras vezes em que perdi algumas boas oportunidades na vida por falta de coragem.

- Você não vai bancar o covarde de novo, vai? - Ela sabe que está me provocando ao falar isso, que está me impulsionando a tomar uma atitude. - Lembre-se que foi por covardia que você perdeu a Yasu.

A princípio, mencionar Yasu me deixa tenso. Entretanto, ao me lembrar da primeira garota por quem me apaixonei e do quanto minha total ausência de movimento me fez perdê-la em poucas semanas, pego o telefone e disco o número de Temari sem pestanejar. Depois de oito toques, começo a achar que ela não vai me atender, mas o nono toque é cortado e a voz que me faz perder os sentidos soa do outro lado da linha:

- Alô?

- Oi, Temari.

Ela respira fundo ao ouvir minha voz.

- Shikamaru… Algum problema?

- Não sei se é bem um problema. - Respondo, sem saber o que dizer. - Isso você quem vai determinar.

- Ah é?

Eu não digo nada. Apenas encaro Ino, pensando no que fazer em seguida. Ino faz vários movimentos com as mãos e com o rosto, me apressando e me encorajando.

- Quer sair mais tarde? - Faço o convite em um ímpeto de coragem e a insegurança começa a corroer meu estômago logo depois, a demora de Temari para proferir qualquer palavra que seja apenas intensifica esse processo desagradável.

- Sair?

- É. - O silêncio se instala novamente e eu sinto que devo dizer mais alguma coisa. - Quero te recompensar pela noite passada.

- Entendo… - Ela murmura, deixando-me ainda mais tenso e ansioso. - Venha me buscar às oito em ponto, não se atrase e esteja com os cabelos soltos. Vou te enviar o endereço por mensagem.

Ela desliga logo em seguida, sem me dar a chance de falar mais nada, mas eu acho que não conseguiria formar uma frase ainda que tivesse a oportunidade de fazê-lo.

- E então? - Ino me pressiona, já roendo as unhas de nervosismo.

- Nós vamos sair. - Respondo, embasbacado. - Eu achei que ela fosse mandar eu me foder.

- Ah, claro que não! Ela quer que você foda ela. - E me dá uma piscadinha que me deixa desconcertado.

- Ora, Ino, pare com essas coisas. - Fecho a cara em uma carranca, mas, no fundo, a possibilidade de isso acontecer faz a adrenalina correr por minhas veias.

- Você não tem nenhum contato íntimo com ninguém desde a Yasu, né? - Ela me pergunta com cautela. Nós não temos problemas em tratar desse tipo de assunto um com o outro, mas Ino sempre é cuidadosa quando o tema da conversa é minha sexualidade.

- Sim.

Nós ficamos em silêncio e eu acabo me deitando na cama também, ao lado dela. O teto branco me parece uma boa atração durante um longo tempo e, em outro caso, eu até poderia me sentir sonolento, mas o fato de que sairei com Temari daqui a algumas poucas horas me deixa elétrico.

- Tenho medo de fazer alguma besteira. - Confesso a ela como quem conta um segredo imperdoável.

- Você não vai. - Ela segura minha mão e olha para mim, sorridente. - Dessa vez é diferente. Ela é sua alma gêmea.

Não posso evitar rolar os olhos, apesar de me sentir reconfortado pelas palavras de Ino.

- Ingrato! - Ela resmunga. - Eu tento te ajudar e é assim que você age.

- Só gostaria de saber como você tem tanta certeza de que é ela.

- Eu já respondi essa pergunta. Mas, se você quer saber mais, eu simplesmente sinto que vocês precisam um do outro.

- Odeio quando você banca a intuitiva. - Reclamo. - Você sabe que eu sou cético.

- Esse é seu problema! - Ela briga comigo e dá um soco de leve no colchão. - Se você acreditasse um pouquinho mais nos empurrões que o Universo nos dá, as coisas seriam mais simples.

- Eu sou um cientista, Ino. - Constato o óbvio.

- E daí?! Psicologia também é uma ciência, o que não tira a minha credulidade.

Como sei que essa conversa não vai nos levar a lugar nenhum, apenas me mantenho calado até que Ino volte a falar.

- Aonde vai levá-la? - Ela me pergunta depois de algum tempo.

- Não sei.

- Como assim não sabe?! - Seu tom escandaloso de resignação quase me ensurdece. - Você precisa fazer tudo ser perfeito, entendeu?

- Eu nem sei o que ela sente por mim, Ino. Pode ser que ela só queira curtir o momento.

- Você não precisa definir todo o seu futuro com essa garota em um fim de semana, Shika. - Ela pontua calmamente. - Aproveita essa chance que a vida está te dando de se apaixonar de novo e depois vê o que fazer a respeito.

Eu gostaria de dizer que minha mente estrategista ignorou as palavras de Ino e começou a traçar um plano para sair dessa situação sem me machucar caso Temari não estivesse sentindo o mesmo que eu. No entanto, em vez de uma atitude racional quanto a tudo isso, comecei a planejar o encontro. Fiquei impressionado com a velocidade com que tudo se desenrolou em minha mente e, para mim, o delinear daquela noite parecia perfeito.

Às oito em ponto, estacionei em frente ao pequeno prédio em que Temari morava, próximo ao campus universitário, e aguardei até que ela descesse. A vizinhança parecia tranquila, visto que já era noite e as pessoas passeavam tranquilamente com seus cachorros, as crianças andavam de bicicleta e um casal de idosos caminhava sem se preocupar com a possibilidade de algo fora do comum acontecer.

Eu a vi de longe, acho que notei sua presença antes mesmo de ela aparecer em meu campo de visão. Temari usava um vestido roxo muito escuro, meias-calças pretas e botas de cano curto. Para minha felicidade, seus cabelos caíam livremente por sobre os ombros e ao redor do rosto. Conforme ela vinha se aproximando, percebi seu rosto com uma maquiagem suave e um pequeno e contido sorriso querer escapar de seus lábios.

- Boa noite. - Abro o vidro para cumprimentá-la.

- Quanta formalidade, Nara. - Ela já entra no carro me provocando, o que me faz dar um sorriso atravessado.

- Esse é o Shikamaru sóbrio.

- E o bêbado?

Dou uma breve olhada para ela antes de dar a partida no carro, mas não respondo. Fiquei muito bêbado poucas vezes na vida e já tem algum tempo desde que bebi ao ponto de derrubar as barreiras mentais que me fazem ser mais contido no dia a dia. Não me arrependo dessas experiências, mas também não pretendo repeti-las.

- Aonde vamos? - Ela muda de assunto ao perceber que não obterá resposta.

- Pela noite de ontem e pelo dia do happy hour, você me parece ser uma pessoa mais agitada, certo?

- Sim.

- Pois bem. - Dou um sorriso confiante. - Minha proposta é o contrário: fazer alguma coisa mais tranquila.

- Um encontro intimista, você quer dizer?

A escolha de palavras de Temari me faz arregalar os olhos por um breve instante e engolir em seco. Apesar de eu não ter pensado dessa forma, é exatamente disso que se trata.

- Sim. - Concordo, prestando atenção no caminho. - Você gosta de fliperamas?

- Gosto, mas desde quando um fliperama é calmo? - Vejo pelo canto dos olhos ela cruzar os braços e me olhar de um jeito que paira entre o desafiador e o inquisidor.

- Não é, mas os desdobramentos após o fliperama serão.

Ela parece satisfeita com minha resposta, porque não me contesta - e, pelo que já conheço de Temari, ela gosta de contestar.

- Meu irmão gostou da Ino. - Ela comenta com um tom de voz malicioso.

- Ela gostou de algumas coisas sobre ele que seriam bem esquisitas de serem compartilhadas com você.

- Ai, que nojo! - Ela cobre o rosto com ambas as mãos, o que me faz dar risada. Ela é adorável. - Não me faça pensar nessas coisas, Shikamaru.

- É simples, não pense. - Digo como se fosse realmente fácil afastar esse tipo de imagem da cabeça.

- Vou precisar de muitas sessões de terapia pra apagar essas imagens.

- Não seja exagerada, mulher. - Eu estico a mão e, em um gesto desinteressado, afago seu joelho. - Logo, logo você esquece.

Só depois é que percebo o quanto minha ação, juntamente com as palavras que a seguiram, foram sugestivas. A ambiguidade da situação fica ainda mais clara quando a mudez envergonhada de Temari se torna palpável ao ponto de deixar a atmosfera que nos cerca densa. Felizmente, estaciono em frente ao fliperama da cidade pouco tempo depois e entrar no estabelecimento cheio de adolescentes e jovens adultos nos deixa mais à vontade.

- O que você quer jogar primeiro?

- Pinball. - Ela responde de imediato, já se dirigindo ao balcão para comprar fichas.

- Isso é bem nostálgico. - Constato. - Não jogo há bastante tempo.

Nós dois compramos nossas fichas e procuramos uma máquina de Pinball desocupada em meio a tantos jogos novos que desconhecemos. Ela coloca uma ficha e logo vemos que os recordes são bem altos.

- Eu te desafio a entrar pra essa lista. - Dou um sorriso de falso desdém, lendo os apelidos no ranking dos cinco melhores pontuadores.

- Oh, você vai se surpreender comigo, Nara.

A verdade é que não me surpreendo ao vê-la jogar tão bem. Temari não joga apertando os botões aleatória ou desesperadamente, ela tem uma estratégia de jogo, sabe exatamente onde quer que a bola caia. Percebo que começo a vibrar com ela conforme a pontuação aumenta e ela consegue alguns combos, ganhando bônus e tudo o mais. Uma pequena plateia se reúne ao redor da tela, torcendo por Temari e vibrando cada vez que ela faz uma jogada admirável ou quase perde o jogo. Quando, por fim, a bola cai e a pontuação final aparece na tela, todos comemoram ao perceber que Temari conseguiu o terceiro lugar no top 5. Ela escreve Shakira em vez do próprio nome, o que me faz sorrir e me lembrar dela dançando na festa de Itachi.

- Vai querer jogar Pinball e correr o risco de não entrar pro ranking dos melhores ou prefere escolher outro jogo, Nara? - Ela me devolve o tom provocativo que usei antes, desafiando-me.

Passo a mão pelos cabelos e reclino a cabeça, sorrindo e sem deixar de encará-la. Se eu der para trás, vou assinar meu atestado de covarde.

- Esse jogo pode ser pra dois, sabia, problemática?!

Então, eu gasto uma de minhas fichas com o Pinball. Eu sei que não sou tão bom quanto ela e é bem provável que eu fique muito abaixo na pontuação, mas perder por desistência é pior do que perder tentando. É por isso que não esquento a cabeça quando, mesmo depois de usar as três bolas, eu não fico nem perto de atingir a pontuação de Temari.

- Você é muito fraco nesse jogo.

- Eu sou bom em outras coisas, você se surpreenderia. - Mais uma vez, o duplo sentindo na minha fala me pega desprevenido. A forma como Temari me olha me deixa envergonhado, mas não tento me retratar ou me explicar.

- Tipo o quê? - Ela pergunta, curiosa, aparentemente ignorando as possibilidades de interpretação para o que eu falei.

- Super Mario, vem! - Eu a puxo pela mão, indo em direção ao que me interessa.

- Acho que posso ganhar de você nesse também.

- Vamos ver quem dura mais tempo.

Por incrível que pareça, Temari não insiste para ser o Mario e acaba optando pelo Luigi, dizendo que “verde é uma cor muito mais bonita”. Eu também gosto mais de verde, mas estar com o personagem principal me dá uma falsa sensação de controle - falsa porque Temari está no comando desde que a vi dançar Shakira e isso é inegável. Consigo passar de três fases facilmente, sem perder, até que o Mario cai em um buraco e chega a vez de Temari. Luigi passa pela primeira, pela segunda e, no começo da terceira fase, Temari sussurra:

- Vou passar de você.

Então, como se o destino quisesse puni-la, Luigi cai no mesmo buraco que o Mario e eu começo a rir. Temari faz uma carranca para mim, mas não está verdadeiramente brava, e sei disso pelo riso preso nos cantos de seus lábios.

Nós aproveitamos nossas fichas com vários jogos e a verdade é que Temari se saiu melhor do que eu na maioria deles.

- Crescer com dois irmãos é viver dentro do universo considerado masculino. - Ela explica enquanto saímos do estabelecimento. - Eu aprendi muita coisa que muitas garotas são ensinadas a não aprender.

- Ino tentou me obrigar a brincar de boneca algumas vezes. - Aproveito para contar da minha experiência. - Eu brincava, desde que ela jogasse xadrez comigo.

- Espera. - Ela para no meio da rua e me olha com uma das sobrancelhas arqueadas, aparentando confusão. - Você era uma criança que jogava xadrez?

- Sim. - Eu respondo com simplicidade.

- Sua infância deve ter sido horrivelmente tediosa. - Ela diz sem pudor algum, rindo de mim. - Enquanto você jogava xadrez com Ino, eu caía na porrada com meus irmãos.

- Eu não duvido disso. Está com fome?

- Sim.

Pego sua mão, entrelaçando nossos dedos, e atravesso a rua com ela. Há uma pequena lanchonete que eu sempre tive o costume de frequentar depois de algumas horas jogando com meus amigos.

- Eu comia bastante aqui na adolescência. - Temari comenta como se estivesse lendo meus pensamentos.

- Eu também. É estranho que nós nunca tenhamos nos visto.

- Não é tão estranho assim, eu acho que sou mais velha do que você.

Nós pegamos uma mesa e, depois que fazemos nossos pedidos, resolvo perguntar:

- Quantos anos você tem?

- Vinte e quatro.

- Três anos de diferença não é tanto assim. - Alego, recostando-me.

- Faz diferença considerando que eu frequentei muito esse lugar entre os quinze e os dezessete.

Dou de ombros, concordando com ela no fim das contas.

Nossos pedidos logo chegam e comemos conversando amenidades, trocando algumas risadas. Gosto da forma despreocupada com que Temari morde seu hambúrguer sem ligar para o molho no canto dos lábios. Ela é natural e espontânea - autêntica, como Ino disse - e isso me deixa cada vez mais interessado nela.

- Eu tava com saudade desse molho com gosto indecifrável. - Ela diz e, logo em seguida, dá a última mordida, suspirando de alegria ao mastigar.

- Acho que eles nunca lavam a panela do molho, esse deve ser o segredo deles.

Ela concorda comigo dando uma risadinha e eu me sinto um idiota por querer vê-la rir mais.

Cada um paga a sua parte, embora eu tivesse me oferecido para pagar, mas Temari negou logo de cara.

- Pronta pra terceira parte? - Pergunto assim que saímos e o vento frio da noite nos toca.

- Ainda tem mais?! - Ela indaga, surpresa.

- Preciso te recompensar por ontem. - Eu me defendo, coçando a nuca de um jeito desajeitado.

- Seu esforço está valendo a pena, Shikamaru. - Ela toma a dianteira, atravessando a rua e andando em direção ao carro. - Estou pronta sim.

Nós entramos no carro e eu ligo o aparelho de som em uma rádio. Está tocando uma música suave do David Bowie e Temari cantarola baixinho. Abro um pouco as janelas do carro e o barulho do vento faz com que Temari cante mais alto e aumente o volume do som. Não demora muito até eu estar cantando heroes junto com ela, nossas vozes se misturando ao vento na estrada.

- Eu estou me sentindo em As vantagens de ser invisível. - Temari fala mais alto do que o vento e a música.

- Se eu estou te fazendo se sentir nos anos noventa, então estou indo muito bem. - Digo, convencido, e ela ri em deboche.

- Abaixa a bola, Nara!

Nós continuamos cantando as músicas que se seguem e eu pego a autoestrada, nos levando para fora da cidade.

- Onde estamos indo? - Ela pergunta a certa altura, abaixando o volume.

- Você gosta da noite, não gosta?

- Sim.

- Então espere e verá.

Minha resposta parece bastar e Temari apenas volta a cantar. Dirijo em direção a uma colina razoavelmente alta e estaciono o carro debaixo de uma árvore. Deixo o aparelho de som ligado e saio, apreciando o vento razoavelmente frio. Temari vem até mim e nós nos recostamos no capô do carro. Daqui de cima, podemos ver todas as luzes da cidade lá embaixo.

- Se você ir fechando os olhos devagar, vai perceber que é quase como olhar para as estrelas, só que bem de perto. - Sussurro, temendo falar alto demais e acabar com o fascínio de Temari. Seus olhos verdes estão um pouco arregalados e seus lábios estão entreabertos.

- Tudo é tão bonito daqui.

Eu poderia contemplar sua expressão de encanto por horas e não me cansaria. Ela está linda. O brilho da noite não a intimida, na verdade, apenas a exalta.

- O que foi? - Ela se vira para mim, fitando-me meio por cima do ombro, e eu desvio o olhar, constrangido por ser pego no flagra.

- E então, está gostando? - Mudo de assunto, um pouco nervoso.

- Você sabe como planejar um encontro. Agora, cá entre nós, fez isso tudo sozinho ou Ino te ajudou? - Ela está perguntando a sério, mas seu tom de zombaria me faz revirar os olhos.

- Se eu dissesse que pensei em tudo sozinho, você acreditaria?

- Depende de como você diria.

Eu acabo balançando a cabeça de um lado para o outro e me calo, despertando a risada de Temari. Puxo um maço de cigarros de dentro do bolso da calça e ofereço um a Temari. Depois que eu acendo nossos cigarros e damos algumas tragadas, ela me pergunta:

- Do que você gosta, Nara?

- Xadrez, cigarro, música e jogos. - Digo de supetão, objetivo. Não tenho medo de soar rude, porque Temari não me parece ser o tipo de pessoa que gosta de rodeios. - E você?

- Música, séries, festas e viagens. - Ela resume seus gostos no mesmo padrão que eu.

- Já saiu do país?

- Nunca saí nem do estado. - Ela dá uma risada seca. - Dinheiro não cai do céu, sabe?! Mas, se eu for uma boa diplomata, como planejo ser, minhas viagens serão bancadas.

- Esperta… Viajei com minha família e a de Ino para os Estados Unidos quando eu e ela tínhamos quinze anos, não é grande coisa.

- A Starbucks vale a pena, pelo menos?

- Não. - Uso um tom de desânimo. - É bem ruim, na verdade.

Temari dá uma tragada lenta e ergue a cabeça para expelir a fumaça. Não consigo deixar de notar o quanto ela está sexy, fumando e sentada no capô do meu carro, com esse vestido roxo e as pernas cobertas pelas meias-calças pretas, os cabelos loiros emoldurando seu rosto bonito. Nós realmente parecemos estar em um filme dos anos noventa.

- Você gosta de alguma série? - Ela me pergunta sem perceber que eu a estava observando.

- Stranger Things e Game of Thrones foram as únicas que eu assisti.

- Já viu a segunda temporada de Stranger Things?

- Ainda não.

- Podemos assistir juntos qualquer dia. - Ela murmura, sugestiva, e nossos olhares se encontram. Dou um trago no cigarro para tentar disfarçar o constrangimento, mas ele apenas se intensifica, porque Temari absorve com o olhar cada movimento meu e é como se eu me sentisse despido diante dela.

- Podemos. - Concordo, por fim. - Você assiste o que?

- Elementary, Mindhunter, Suits, Orange is the New Black…

- Você gosta de séries inteligentes. - Afirmo, soltando a bituca do cigarro no chão e pisando em cima para apagar.

- Gosto de tudo que é inteligente, Nara.

Quando ela diz essa frase e pronuncia meu sobrenome com seu timbre grave e sensual, sinto os pêlos de minha nuca se eriçarem. Eu sempre fui reconhecido pela inteligência acima da média, o que logo me leva a crer que ela está gostando de me conhecer - o que pode ser pretensão minha, mas eu não ligo, sinceramente.

- Se você pudesse ir pra qualquer lugar do mundo agora, para onde iria?

- Amsterdam. - Ela responde com um sorriso pequeno, sonhador, enquanto apaga o que restou do próprio cigarro. - É meu grande sonho.

- Alguma motivação específica?

- Não. - Ela dá de ombros e faz um pequeno bico com os lábios. - É o lugar do mundo que mais me atrai, só isso.

Nós ficamos em silêncio por algum tempo e eu percebo que está esfriando. Sem dizer nada, desço do capô e pego minha jaqueta no banco de trás do carro, oferencendo-a para Temari logo em seguida.

- Não precisa. - Ela nega, mas os pelos arrepiados de seus braços me dizem o contrário.

- Aceite logo, problemática.

- Isso virou um apelido? - Ela questiona, colocando a jaqueta ao redor do corpo.

- Virou. - Afirmo. - Porque você tem o gênio difícil.

- Você parece gostar disso. - Ela dá um sorriso superior, erguendo uma das sobrancelhas.

- É instigante.

Não penso muito no que fazer em seguida, de forma que deixo meu corpo me guiar. Em questão de instante, nós estamos nos beijando, lado a lado. O gosto de nicotina em nossas línguas acaba se misturando e nossas bocas estão quentes. Os dedos de Temari encontram meus cabelos na base da nuca, puxando-me para mais perto, e eu firmo os dois pés no chão, colocando-me entre as pernas dela. Nós nos olhamos por alguns breves segundos antes de eu passar os braços ao redor de sua cintura, aproximando-nos. A respiração de Temari se torna descompassada aos poucos, seus beijos lentos e um pouco agressivos me deixam excitado. Seus dedos se embrenham por meus cabelos e eu só consigo pensar no quão perdido estou, no quanto estou sob o domínio dessa mulher cheia de códigos que eu ainda estou aprendendo a decifrar.

Ela aperta as pernas em torno do meu quadril, obrigando-me a quebrar a pouca distância que ainda existia entre nós. Ela se reclina, quase se deitando, e eu preciso segurá-la firme para nos manter o mais perto possível. Temari me aperta com força, me beija com força e me puxa com força em direção a si - tudo que ela faz é firme e preciso. Desço uma linha de beijos passando por seu queixo e pescoço, devagar, apreciando o som baixo de sua respiração entrecortada. Ela ainda está com uma das mãos nos meus cabelos, acariciando-os, e me impulsiona em direção à sua clavícula. Subo os beijos novamente assim que chego ao limite do decote arredondado do vestido, encontrando seus lábios.

Depois de mais um beijo, nós nos separamos e nos encaramos através de olhos entreabertos. Seus lábios estão inchados e as bochechas, avermelhadas. Nossas respirações se estabilizam aos poucos, mas nós nos mantemos próximos.

- Como a atração funciona pra você? - Ela repete a pergunta que me fez no dia do happy hour, mas está sóbria dessa vez.

- Eu sou demissexual.

- Ou se apega, ou não pega. Entendi. - Ela parece estar pensando nas implicações disso, porque não diz nada por um tempo. Ao contrário do que eu achava que seria, seu silêncio não me incomoda nem me faz criar milhões de paranóias. - Você fica realmente bonito com o cabelo solto.

Não posso evitar deixar de tocar uma mecha dos meus cabelos, colocando-a atrás da orelha.

- Não tenho o costume de usá-los assim.

- Eu gostei. - Ela dá um sorriso acanhado e aproxima os lábios dos meus, dando um beijo suave. Consigo ouvir uma música dos Rolling Stones ao fundo, mas não identifico qual.

- E aquela história de ter se interessado por mim desde que me viu? - Pergunto-me, lembrando do que ela disse na noite passada.

- É verdade. - Temari sussurra, tímida e evitando meu olhar. - Você chamou minha atenção.

Arqueio uma das sobrancelhas em um questionamento mudo, querendo saber por que eu?

- É seu olhar de falso desinteresse. - Ela esclarece, tocando com o indicador o ponto entre minhas sobrancelhas e descendo devagar até a ponta do nariz, passando pelos lábios em seguida. Eu me sinto quente e acho que ela vai me beijar, mas Temari segue falando. - Você me pareceu inteligente e, como eu já disse, gosto de tudo que é inteligente.

Dou um sorriso convencido, porque a resposta dela endossa o que eu já havia tecido como verdade dentro de mim.

- Eu achei que você ia me matar na escada. - Rio de nervoso, lembrando-me no encontrão.

- Eu fiquei nervosa. - Ela se defende, alterando um pouco a voz. - Acabei sem saber como agir naquela situação, até porque eu já tinha te olhado com outros olhos.

Nenhum de nós dois diz mais nada e dessa vez é Temari quem quebra a distância. Ela me beija com mais delicadeza, segurando meu queixo entre os dedos finos. Mordo seu lábio inferior, fazendo-a soltar um arquejo quase imperceptível, e esse é o estopim para a sutileza que ela vinha tendo. Temari volta aos beijos mais intensos, colando seus seios ao meu peito e me deixando estático por um milésimo de segundo para, logo em seguida, ser guiado por meus instintos. Eu agarro suas pernas e a deito no capô do carro, apoiando-me com uma mão enquanto a outra sobe pela coxa de Temari. O tecido fino da meia-calça aumenta minha excitação e o cheiro quente de Temari me inebria.

Nós somos surpreendidos pela luz de uma lanterna em nossa direção, fazendo-nos nos separar imediatamente. Temari ajeita o vestido e eu tento parecer menos descabelado, olhando em direção à luz.

- Tá tudo bem aqui, moça? - É um policial e ele parece um pouco preocupado.

- Está sim. - Temari responde, envergonhada, e firma os pés no chão. - Nós só estávamos…

- Tudo bem, não precisam se justificar. - O policial a interrompe, dando um sorriso compreensivo. - Me perdoem pela interrupção, mas procurem um quarto ou entrem no carro.

Temari e eu continuamos paralisados por algum tempo depois que o policial se vai. Só então eu percebo que, se tivéssemos continuado naquele ritmo, talvez tivéssemos transado no capô do meu carro.

- Está tarde. - Ela diz, passando as mãos nos cabelos. - Você pode me deixar em casa?

- Claro. - Respondo, ainda um pouco vermelho de vergonha.

Antes de nos virarmos para entrar no carro, no entanto, eu olho para Temari e a visão quase me tira o ar. Ela está de costas para as luzes da cidade, algumas estrelas surgem no céu ao fundo, de forma que ela parece estar sendo envolvida por um aglomerado de luzes douradas.

Mas Temari é muito mais brilhante do que todos os pontos de luz reunidos.


Notas Finais


E então, o que acharam?
Mais uma vez, a Ino deu AQUELE empurrãozinho e muita coisa aconteceu entre nosso casal maravilhoso. Quando eu planejei a história, perguntei pra Marcela como seria o encontro perfeito pra ela, e ela me respondeu basicamente assim: fliperama, drive thru, parar no carro em um lugar com uma vista legal (luzes, praia etc) e conversar sobre coisas malucas e íntimas. Ainda vou trabalhar mais na parte de coisas malucas e íntimas ahsahs Falando em intimidade, essa cena do capô foi um bônus da Gabi, porque a Marcela não falou nada sobre isso em um encontro ideal HAHAHAHAHAHA
Se ainda tiver algum comentário pendente, fiquem tranquilos, irei responder.
Beijos ♥


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...