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História Enigma ou Desafio - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Capítulo dois


—Merda, merda, merda, merda!! Caralho! – eram 23:59 do segundo dia daquele “jogo”. Rafael não tinha dormido até então, sumiu completamente de todas as redes sociais, mal comia, estava destruído, mas tinha a esperança de resolver aquele enigma. Faltava só esperar a tradução do site, mas quando essa finalmente veio já era 00:00.

O celular apita, e Cellbit grunhe em desgosto, aquele manipulador estava o tirando do sério com as mensagens “carinhosas” e irônicas, sempre com algum emoji ou vocativo carinhoso. Era nojento. Sentia constantemente a invasão de privacidade, sempre com uma ponta de medo se fazendo presente em seu cérebro. Sentia-se invadido.

“Não foi dessa vez, bebê. Quase, mas não foi :c. Mas aqui tem mais uma tentativa! Boa sorte e divirta-se, meu anjo :)”

– Filha da puta! Vá para o inferno com essas merdas de mensagens!— diz levantando-se bruscamente da cadeira, que, devido às rodas, se distancia.

E outra notificação: “Que feio! Olha essa boca suja, tenho certeza que Larissa não iria gostar disso...”

— Inferno – ele já não aguentava mais, estava fraco e cansado, mas tinha que continuar. Sentia-se prepotente por pensar desta forma, mas ele era realmente a única esperança de Larissa, não poderia desistir, por ela. A mulher era muito inteligente, gentil e doce, havia conversado com ela várias vezes, sabia que ela acompanhava todas as lives, que sabia de todos os memes relacionados à comunidade. Larissa era realmente uma fã. Então, por alguns minutos, Lange fingiu que estava tudo bem, se acalmou e foi lanchar, tomou um remédio para dormir e apagou por algumas horas.

~ O ~

Assustado, Rafael levanta de sua cama em um pulo com seu celular tocando. Maldito seja o momento em que ele o tirou do silencioso. Pegando o aparelho ainda meio desnorteado pelo sono e susto, Cellbit constata que já eram quase 10h, e que o que o acordou foi uma chamada de seu amigo, Felipe, mas a primeira coisa que pôde pensar era o tempo que perdeu dormindo. Passou a mão no rosto enquanto pensava na sua situação atual: não havia dormido por dois dias, o que comeu durante todo esse tempo não equivalia nem ao que comia em metade de um dia no cotidiano, gastara muita energia tentando solucionar dois enigmas nos quais não teve sucesso. Não dava mais, estava exausto, nunca conseguiria resolver nada naquele estado. Estava na hora do primeiro desafio.

— Ok, não tem condições de eu pensar em nada por agora. Qual o desafio?

E o som que Cellbit já associou ao inferno ressoa novamente pelo quarto.

“Tem certeza, querido? Não poderá desistir depois...”

— Caralho! Só fala logo! – não queria saber mais desses joguinhos. O desgraçado podia pelo menos uma vez fingir não ser um completo lunático, só meio lunático já estaria ótimo.

“Nossa! Calma¸ neném. O desafio é este: mande um nude bem gostosinho para alguém. Sem explicações, sem introdução, nada. Simples, não?”

— Você tem 12 anos e acabou de descobrir a pornografia?! Que merda de desafio é esse?? – não podia ser possível. Simplesmente não era possível. Isso era total e completamente ridículo, não havia palavras para se expressar. No fim, isso tudo era somente porque o desgraçado tinha uma tara em si? Por que diabos envolver Larissa nisso? Não bastava a câmera em seu banheiro?

“É o desafio que eu te mandei. Agora, faça.”

Realmente, o desafio era simples. “Uma foto para alguém. Simples. Deus, eu vou mesmo fazer isso? Não faz sentido!”. Rafael nem mesmo pôde pensar por muito tempo e seu celular o avisa de uma nova mensagem.

“Não é mesmo linda?”

Essa simplória legenda vinha acompanhada de um vídeo de Larissa. A garota estava amordaçada, com as mãos aparentemente amarradas nas costas, gemendo em desespero enquanto olhava para algo além da câmera. A imagem se aproxima e a garota se assusta ainda mais, a filmagem acaba no ápice do desespero de Larissa. Mesmo com um vídeo em mãos, não pôde ver muito do lugar onde a jovem estava, só podia saber que aparentava ser bem descuidado, mas ao menos ela não parecia maltratada fisicamente. Ainda.

Ok, ele precisava mandar aquela foto.

Logo começou a vasculhar pela sua galeria, não costumava tirar muitas fotos desse tipo e sempre que tirava, apagava. Mas ele devia ter vacilado alguma vez, não é? Ele tinha que ter vacilado. Já havia passado um mês na galeria do celular quando foi obrigado a escutar novamente o barulho do inferno. Precisava desabilitar o som do aparelho urgentemente.

“O que diabos você pensa que está fazendo?”

– Procurando a foto para cumprir o desafio? – questionou ironicamente, uma pequena raiva se fazendo presente em sua voz.

“Eu quero uma nova, fresca.”

Revirando os olhos, Cellbit levanta da cama e simplesmente abaixa as calças de forma bruta, claramente impaciente e tira uma foto de qualquer maneira.

– Satisfeito, caralho? – Rafael ralha olhando para onde lembrava estar localizada a câmera de seu quarto, os olhos irritadiços encarando fixamente o lugar. A única vez que pôde ver onde as câmeras estavam posicionadas fora na noite em que tudo isso começou, não esqueceria tão cedo do começo daquele inferno.

Dessa vez, a mensagem demorou um pouco a vir, mas quando veio foi de uma forma diferente, era um áudio.

—Se eu fosse você, meu querido, prestaria muita atenção no seu comportamento. Estou muito paciente até agora, da próxima vez que fizer merda, quem vai pagar vai ser Larissa, não é querida?— e nesse momento o som dos gemidos desesperados da garota se fazem presentes, mais altos que os do vídeo – Eu quero você duro, seu rosto na foto. Obedeça. — novamente, a voz do sequestrador estava modificada por algum programa, mas algo que era imutável era a entonação da fala. A raiva explicita, a impaciência, a instabilidade emocional do portador da mensagem. Era medonho.

Aquele áudio foi o suficiente para um pouco da raiva que Lange sentia passar, e o sentimento de desistência vir. Larissa não merecia aquilo, ela não tinha nada a ver com seja lá o que for que aquela pessoa tenha com ele, estava sem muitas opções. Mas aquilo não era justo, o que ele tinha feito?

– A questão é que: – ele ainda tinha um resquício de raiva retida, mas tentava se controlar – é impossível ficar duro nessas situações, principalmente depois desse vídeo. – era humilhante ter que explicar para um lunático desconhecido o porquê de não conseguir ter uma ereção no momento. Na verdade, toda a situação o fazia se sentir humilhado, mesmo que não houvesse uma grande plateia.

“Que coisa mais fofaaaaa!! Um cachorrinho raivoso controlado. Oowwwnntt <3 eu ainda te faço por uma coleira!

Mas sobre sua questão... isso me parece um problema que não é meu, se vira <3 você tem 3 horas.”

Estava desacreditado. Tinha a sensação de que iria chorar, mas nada saia. Sentia-se abusado, constantemente abusado, e isso era o inferno. Só podia ser um pesadelo, e ele tinha que acordar logo.

Abatido, Cellbit volta para cama e se esconde nos cobertores. Pega seu celular mais uma vez e abre o Spotify, coloca na sua playlist que ama e pula algumas músicas até achar uma que o acalme. Ainda completamente coberto pelo pano, com a música no tom mais alto que o celular consegue chegar, Rafael fecha os olhos e trabalha sua respiração, realmente sentido a música. Com o pouco de privacidade que conseguiu, o homem tenta se acalmar, sempre com o pensamento de que nada é permanente e aquilo eventualmente iria acabar, e assim consegue um pouco de sanidade e calma dentre todo aquele caos.

Quando já está bem o suficiente, Rafael tenta cumprir o desafio. Faz o que precisa fazer demorando muito mais do que o normal, mas ainda sim consegue a foto requerida.

“Ah, bebê¸ que carinha triste! Vamos lá, mais uma, dessa vez com um sorriso:)!”

Sem questionar, Lange faz o possível para dar um sorriso minimante convincente. Ao não receber nenhuma reclamação dessa vez, segue para finalmente terminar o desafio, mas antes mesmo de pensar em para quem mandaria a foto, Rafael perde o controle de seu celular. Não estava entendendo nada até perceber que a conversa com Felipe foi aberta. Ainda sem o controle, viu a imagem sendo enviada para o amigo com a legenda “também estou com sdds, mas n precisa me ligar, bb ;)”. Assim que a mensagem é enviada, Rafael sai de baixo das cobertas.

– Que diabos você fez? Não era para eu mandar a foto? – sua voz estava fraca, o terror psicológico mostrando o efeito que causa, mas ainda sim sua raiva e confusão puderam ser expressas.

“Ah, meu anjo, você sabe... mudei de ideia! Lembre-se sempre quem tá no controle aqui. Eu faço o que quiser, quando eu quiser. O jogo é meu. Você é meu. E vocês sempre foram fofos juntos, viu que ele ficou preocupado que tu sumiu? Mas não se preocupe com a resposta, eu cuido disso. Só te distraria...”

Exausto, Rafael cochicha “Você é doente” enquanto volta para de baixo dos cobertores e fica lá por um tempo, pensando nessa mensagem. Ele se tornara uma marionete desse monstro. Ficou se remoendo e divagando até ser incomodado novamente pelo celular. Dessa vez, a mensagem era uma foto de Larissa. A mulher não estava mais amarrada pelos braços, e agora o pano usado como mordaça estava caído em seu pescoço. Havia um grande sanduiche num prato em sua frente, suas mãos estavam do lado do prato, como se pedisse permissão para comer. Ela aparentava estar saudável, com cor, aparentemente estava comendo e bebendo bem, por mais que a expressão abatida no seu rosto mostrasse que o tratamento que recebia não era dos melhores. A foto vinha com a legenda “por ter aprendido a ser um bom cachorrinho! Muito bem, neném!”.

Ao menos ela estava bem.

Ignorando tudo o que estava acontecendo, Rafael só queria um pouco de paz. Colocou novamente alguma música e passou um tempo brincando com seu cachorro. Mas não conseguia passar muito tempo sem pensar na situação. Era bom ter uma ideia de como os desafios eram, assim ele poderia conciliar entre tentar resolver algum enigma e cumprir o que aquele louco mandasse. No dia seguinte iria novamente pedir por um desafio, passaria por um estresse pontual e imediato, e aí poderia descansar. Depois tentaria outro enigma.

Distraído, não percebeu que já era quarta-feira, quase 17 horas. Cogitou a possibilidade de não streamar, no entanto lembrou-se de como era bom, era como zuar com os amigos e iria distraí-lo. E realmente o fez. A live foi o oásis que Cellbit precisava naquele deserto feito de desgraça, precisava falar com alguém, conversar, ter contato com qualquer pessoa além daquele lunático. Por mais que ficasse constantemente distraído, divagasse muito e se afetasse por quase qualquer comentário do chat, Rafael se sentiu acolhido por sua comunidade. Diferente das outras, essa live não tinha um planejamento, mas tudo ocorreu bem dentro do possível. Acabou a transmissão um pouco antes da meia noite e, estranhando a falta de invasão em tamanha quantidade de tempo, Cellbit foi fazer os cuidados básicos de seu pet, coisa que nunca de lado, se preparando para o que viria no próximo dia.

Já estava programado, pediria um novo desafio assim que acordasse, então, por essa noite, Rafael se permitiria dormir um pouco mais leve do que dormiu desde o começo daquela brincadeira de mau gosto. Larissa estava bem, ninguém saiu fisicamente machucado. Considerando tudo, ele estava ok. Acompanhado de Eredim, o homem visualizou a mensagem enviada pontualmente à meia-noite, tomando cuidado para não abrir o documento, e finalmente foi dormir.

~ O ~

Num apartamento não muito distante de onde Cellbit estava, dentro de um quarto propositalmente mal aparentado, estava uma mulher largada numa grande cadeira assistindo atentamente a uma das três telas que tinha a sua frente.

Não era a pilha de papéis com infinitos códigos, referências e outros elementos enigmáticos, ou o prato com um resto de sanduíche jogado, nem mesmo o pano ligeiramente sujo de baba sobre a mesa que chamavam mais a atenção naquela cena toda. Até o tripé fundido a um carrinho de controle remoto e a câmera sobreposta à gambiarra perdiam o seu brilho de esquisitice se comparado ao que a mulher assistia tão atentamente na tela central de seu setup.

Com um brilho doentio nos olhos, ela observava cada movimento que Rafael Lange fazia. Admirava o homem a cada passo que dava, cada movimento da mão do streamer nos pelos de seu cachorro era capturado pelos olhos atentos. Não haveria nada que não pudesse ver, não importava para onde ele fosse. Naquela casa, agora haviam olhos e ouvidos. E esses tinham nome, sobrenome, endereço e um plano.


Notas Finais


Oi, oi!! Voltei 😊

Meu coração tá super aquecido com o feedback de vocês, obrigadx ❤😊❤
Seguinte, pretendo postar semanalmente, mas não sei se vou conseguir manter um ritmo de escrita...

Mas a intenção é todo final de domingo ou começo de segunda ter capítulo novo! Vejo vocês no próximo domingo 😘


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