História Enquanto Eu Te Esquecia - Capítulo 3


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Taekook
Visualizações 3
Palavras 3.680
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), LGBT, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura!

Me desculpem me quantidade de "ele's", vou tentar melhorar no próximo capítulo.

Capítulo 3 - Kim Taehyung


"Qual é o seu nome mesmo?", ele perguntou, a voz familiar e relaxante junto a seu ouvido. Ele finalmente tinha parado de chorar, mas, com isso, recomeçou. Jungkook realmente não sabia quem ele era.

"Ahn, Taehyung", ele disse, pensando se deveria soltá-lo dos braços e cumprimentá-lo com um aperto de mão, sacudi-lo pelos ombros, gritar: "Jungkook, acorde! Sou eu!" No entanto, ele só disse: "Taehyung, Kim Taehyung", e recuou.

Ele o olhou com o mesmo olhar de cinco anos antes, quando se viram pela primeira vez na feira de projetos aeroespaciais; aquele olhar curioso que as pessoas têm quando um outro ser humano fixa o olhar por tempo demais. E era isso que ele tinha feito naquele dia, embora nada no menor chamasse muito a atenção, até que chegou mais perto e então tudo ficou realçado: o modo como a luz se irradiava através de sua pele, o ônix penetrante de seus olhos. Ele era mais alto do que a maioria dos homens, magro e elegante. Desde então, não tinha pensado em outra pessoa, mesmo quando as coisas ficavam difíceis. Jeon não era a pessoa mais fácil de amar, mas Kim tinha a sensação de que ele também não o fosse.

"Quantos anos eu tenho?", ele perguntou, então, os dedos subindo até a testa. Ele era o mesmo, exatamente o mesmo, ainda que o cabelo não estivesse arrumado, não usasse maquiagem, a cicatriz na bochecha à vista. Tinha emagrecido; suas roupas já não se ajustavam ao corpo, mas, mesmo assim, ele parecia ser ele mesmo, só que não era.

"Seu aniversário é daqui a dois meses, primeiro de setembro." Caramba, ele pensou. Qual seria a reação dele? Nos últimos cinco anos, tinha ficado cada vez mais alucinado com a ideia de fazer trinta anos. "Nós vamos fazer uma festona, porque, bom..."

Jungkook inclinou a cabeça para ele, de um jeito que nunca tinha visto. Estava curioso, só isso, curioso pelo motivo do outro ter parado de falar.

"Porque você vai entrar nos trinta", ele continuou, "e... bom, porque é o dia do nosso casamento". Eles tinham programado uma festa bem animada para contrabalançar o assustador aniversário, embora as coisas não tivessem funcionado. Era por isso que ele tinha fugido, pelo que Kim podia imaginar – para escapar de tudo aquilo, para colocar o máximo de distância possível entre os dois. Esse era o único motivo que fazia sentido para ele.

Jungkook ergueu as sobrancelhas. "Ah", disse apenas.

Estava surpreso, mas Kim não conseguia saber se isso o deixava alegre ou bravo, se achava que era uma coisa boa ou ruim. Tinha passado cinco anos tentando entender cada expressão dele, seus olhos semicerrados, o contrair dos lábios, para saber como reagir, como agradar, como amá-lo melhor, e não conseguia nem mais fingir que lia seu rosto. Fuga dissociativa, era isso que ele tinha, segundo a médica ao telefone, um problema sério provocado por um trauma emocional, mas o Jungkook que ele via parecia muito menos traumatizada emocionalmente do que antes.

Uma mulher e um homem estavam sendo forçados para fora do pavilhão por guardas uniformizados. Taehyung nunca havia estado numa ala psiquiátrica, mas tinha esperado essa espécie de coisa. A mulher gritou:

"Taehyung! Diga a seus amigos e sua família qual é a sensação de ter encontrado Jungkook a salvo e bem!"

"O quê?" ele perguntou, olhando da repórter para seu noivo, até começar a entender o que acontecia. Como descobririam que eu viria, pô? Contudo, era de se esperar. A mídia tinha se agarrado a sua história como enormes e gordos carrapatos, como os vampiros sugadores de sangue que eram.

Jeon voltou-se para a repórter: "Isto é assunto particular. Por favor, nos deixe sozinhos". Não havia nem um traço da raiva do velho Jungkook em sua voz, mas foi dito com bastante seriedade. Os dois desapareceram pela porta, e Kim desejou ter sido eficiente assim com os repórteres na última semana.

As enfermeiras afastaram-se balançando a cabeça, retirando os outros pacientes da sala. Então, eles também encontraram onde se acomodar.

Finalmente, ele estava sozinho com o menor, parecendo ser a primeira vez.

O moreno caminhou até uma cadeira onde havia uma revista aberta, pegou-a e se sentou, propondo que o outro fizesse o mesmo. Deveria se sentar ao lado dele? Em frente a ele? Não, seria longe demais para uma conversa particular. Escolheu a cadeira num ângulo de noventa graus.

"Tem alguma coisa interessante aí?", ele perguntou, apontando a revista, tentando conter as pernas para que o dedo do pé não tocasse o pé dele, ou seu joelho não esbarrasse no dele. Era uma velha National Geographic, com certeza, não o tipo de revista que ele lia. Jungkook adorava design, moda, assuntos intelectuais. O que ele estava fazendo com Taehyung, não tinha ideia.

"Tem", ele respondeu, mas não explicou. "Posso fazer umas perguntas?"

"Sim, pode, claro." A voz dele subiu e desceu; seus dedos se contraíram e relaxaram. Estava sentindo falta de nadar; aquela era a hora em que ele sempre nadava. Estava louco por aquele vazio azul e gelado, envolvendo-o da maneira silenciosa que o acalmava. Tanto quanto conseguia se lembrar, a água sempre fora seu elemento, uma fuga tranquila da barulhenta família que ele amava, mas que nunca entenderia. Na infância e na adolescência, tinha passado a maior parte de seu tempo livre nadando na piscina comunitária. No ginásio, tinha feito parte da equipe de natação e fora para a Universidade Yonsei com uma bolsa parcial de natação. Na última semana – quando não estava procurando Jeon, fazendo telefonemas ou pregando cartazes – afundava na raia da academia, ficando no fundo o tempo que aguentasse, voltando à tona só quando seus pulmões gritavam por ar.

"Quanto tempo fiquei desaparecido?", perguntou.

Uma vida, ele poderia ter dito. Uma eternidade. "Oito dias, quase nove", o maior respondeu, como se fosse uma coisa normal. Oito dias, vinte e duas horas, e dezesseis minutos, foi o que ele não disse.

Jungkook levou um susto, enrubescendo. "Verdade? Mas só cheguei aqui há três dias!" Juntou as sobrancelhas num gesto mais familiar: Jungkook desanimado. "Isto tudo é tão..." Fechou os olhos e quando tornou a abri-los estavam cheios de lágrimas. O antigo Jeon não chorava. "Sinto muito", ele disse, "está tudo acontecendo tão rápido, não tenho ideia de onde estive ou..." Respirou fundo: "Você sabe por que vim pra Busan? Por que eu estava dentro d'água?".

Taehyung balançou a cabeça; se ao menos soubesse... Colocou a mão sobre o coração. "Você estava bem aqui", ele disse, sentindo-se idiota e melodramático, mas era verdade. As palavras iam saindo antes que conseguisse recolhê-las. Era como se alguma versão interna sua tivesse acordado para acalmar aquela pessoa aparentemente gentil e triste. "Você esteve aqui comigo o tempo todo, Kookie, juro."

Jeon olhou para ele da maneira que um cachorro olharia para o dono, com carinho e curiosidade, mas também com o distanciamento de outras espécies. "Isto tem sido difícil pra você", ele disse, "meu sumiço".

Entretanto, não difícil para o menor, ele percebeu. A dor dele, agora, vinha do fato de não se reconhecer. No que dizia respeito ao relacionamento entre os dois, ele estava zerado, nenhuma mágoa, nenhum arrependimento ou dor, nem mesmo raiva. Kim estava quase com inveja.

Constrangido, tirou as fotos que tinha trazido. A médica tinha dito que poderiam ajudar Jungkook a se lembrar. "Disseram que eu deveria trazer isto. Tem algumas de você comigo em um evento que nós fomos de arrecadação de fundos para o seu trabalho..."

Ele pegou as fotos e Taehyung reparou que ele não estava usando o anel, um diamante de um quilate, tão caro que o outro se ofereceu para ajudar a pagá-lo. Jungkook não tinha deixado de usá-lo desde que abrira a caixinha azul no último Dia dos Namorados, mas agora parecia que tinha sumido, a não ser que o hospital o tivesse guardado no cofre.

Jungkook estava olhando as fotos rápido demais. Ele tinha adorado as fotos com os dois vestidos a rigor naquela noite de gala, e agora apenas ia passando uma por uma, sem olhar de verdade.

"E aqui está você com minha família, e uma só com meu appa, ah, é, esta é minha sobrinha..."

"Você é... Seus pais também são gays? Ou..."

Ele sabia isso, Kim pensou e balançou a cabeça.

"Meus pais se casaram com vinte, e depois tiveram eu e meus irmãos." Ele esboçou um sorriso.

Jeon levantou os olhos. "Cadê a minha família?" Taehyung não tinha parado para pensar nisso. É claro que ele iria perguntar. O maior respirou fundo.

"Seus pais morreram quando você tinha quinze anos." Ele tinha de contar. Jungkook precisava saber.

Ele estremeceu, mas não pediu detalhes. "E os outros parentes? Devo ter alguns..."

"Uma tia. Ela criou você depois disso, mas não gosta dela, não se veem mais. Nunca a vi." Na verdade, não sabia nada sobre o passado dele. Essas eram as únicas coisas que ele tinha lhe contado sobre sua infância.

"Ah", Jeon disse, engolindo em seco, depois arrumando as fotos numa pilha certinha. "Preciso fazer uma pergunta mais pessoal."

Como se nenhuma dessas fosse! "Claro, manda ver", Taehyung disse.

Ele inclinou novamente a cabeça para ele, daquela maneira inusitada. "Eu tenho alguma marca de nascença?"

Os olhos dele queimavam. "No alto da sua coxa direita. Três pontos enfileirados." Três cicatrizes, Taehyung sabia, rosadas e salientes, cada uma do tamanho da ponta de um cigarro. "Não é uma marca de nascença, mas você não quer falar sobre isso. Na verdade, fica furioso quando pergunto, então desisti de tentar saber."

"Ah", ele disse, arregalando os olhos, depois repetiu o "ah", mas continuou fazendo perguntas.

Jungkook não parecia tão desorientada quanto Taehyung se sentia falando sobre ele como se fosse outra pessoa. Era natural que quisesse saber tudo que tinha acontecido no dia de seu desaparecimento. Ele contou, da melhor maneira que pôde, omitindo pouca coisa. Não sentiu orgulho disso, mas seu pequeno estava de volta para ele de um jeito que sugeria um novo começo, mesmo que tudo pudesse dar errado novamente.

O DIA EM que que ele desapareceu deveria ter sido um dia feliz para eles. Jungkook estava indo até o centro da cidade para sua primeira prova no estilista com quem sempre sonhara fazer seu terno de noivo.

Agora, Taehyung considerava até que ponto ele deveria contar sobre a briga que tinham tido. Ele tinha sido estúpido: tinha saído para beber na noite anterior, depois do trabalho, com uma dupla de assistentes da Boeing. Bebeu demais, chegou em casa tarde e acabou dormindo no sofá. Quando acordou, seu noivo estava olhando para ele, bravo.

"Você está querendo cair fora disso, ou o quê?" Estava se referindo ao casamento. Estava se referindo a ficar com ele. O pior de tudo é que ele tinha razão, era nisso que estava pensando. Os dois andavam brigando quase o tempo todo, com Jeon entrando em surto a cada detalhe do casamento, e ele tinha pensado seriamente se deveriam cancelar a coisa toda. Daí a bebedeira. Daí ter dormido no sofá. Contudo, Kim resolveu não contar isso para ele agora, não ali, quando tinham acabado de se reencontrar e ele parecia tão frágil e cansado. Em vez disso, ele disse:

"Nós estávamos estressados com o casamento e tudo mais e tivemos uma briga antes de você ir embora." Era uma espécie de verdade, uma minimização extrema dos fatos. Não poderia se arriscar a perdê-lo de novo. Aquele tempo sozinho sem Jungkook tinha tornado palpável seu desejo de estar com ele, para amá-lo, respeitá-lo e confortá-lo em todas as circunstâncias. Tudo aquilo havia sido uma coisa sem sentido. A ausência não apenas tinha feito seu coração gostar ainda mais; fez com que percebesse que todas as coisas boas de sua vida tinham acontecido por causa de Jeon; nesses cinco anos com ele, tinha amadurecido mais do que nos vinte e sete anos anteriores a ele.

Apesar de seus defeitos, sua língua afiada e sua impaciência em relação a si, Taehyung também conhecia o doce Jungkook que havia por dentro, o homem que, de algum modo, havia sido tão maltratado na infância que não conseguia nem tocar no assunto. Era e o Jungkook que sempre tinha amado e a quem queria fazer feliz, e lhe veio à mente que talvez fosse esse o Jungkook que tinha aflorado da carapaça rígida do antigo Jeon. Kim sempre fora um homem honesto, extremamente honesto, mas nunca tinha recebido um passe tão livre em uma segunda chance. Não mentiria. Só seria seletivo sobre o que contar ao moreno, não apenas a seu favor. Nem pensar. Lucie tinha ficado insana antes de ir embora.

"Então, tivemos uma briga e você saiu cedo para o seu compromisso. Eu deveria ter feito você ficar, Kookie, era isso que eu deveria ter feito, até que a gente tivesse se acertado." Ao dizer isso, percebeu que era verdade. Era o que deveria ter feito. "Mas você saiu com tanta pressa, e eu não estava pensando. Estava furioso."

"Em que dia foi isso?"

Ele só se preocupava com os fatos, ao que parecia, mas isso era um alívio.

"Terça-feira."

"Estou perguntando a data."

"28 de junho." Taehyung ainda se sentia mal com essas palavras. "Terça-feira, 28 de junho."

"Eu fui ao meu compromisso?", Jungkook perguntou. "Com a costureira?"

Taehyung balançou a cabeça. "A assistente dela telefonou uma hora depois para perguntar se você ainda ia. Foi aí que eu soube que alguma coisa estava errada. Puxa, você adora aquele estilista. Você passa de carro pela loja dele, no centro, só pra olhar a vitrine e ver o que tem de novo, e aí você diminui a marcha" – Taehyung não pôde deixar de sorrir – "e as pessoas nos outros carros ficam putas e buzinam, mas o meu Kookie não dá a mínima, ele só..."

"Qual é mesmo o nome do estilista?", ele perguntou, e Kim sentiu os ombros se afundarem.

"Mark Tuan."

"Ah, certo." Ele ficou olhando uma mancha no tapete, depois levantou os olhos. "Eu sou mesmo ligado nessas coisas todas, é? Como isto?" Ele deu uma puxada as botas timberland.

Ele deu de ombros. "É. Você é chegado em coisas boas."

"Como o que mais?"

Taehyung se remexeu na cadeira. Os estofados eram finos, e o assento, pequeno demais; o espaço entre ele e Jungkook era muito próximo para que não se tocassem, mas manteve a perna rígida contra a estrutura da cadeira.

"Não sei. Você adora fazer compras. Sempre diz que é mais barato do que ir ao psiquiatra." Merda. Por que ele tinha dito isso?

Jungkook fez uma careta, mas continuou:

"Então, o que aconteceu depois? Quando você ficou sabendo que eu não tinha ido até a butique?"

Butique. Esse era um termo que seu appa usaria.

"Entrei no meu carro e refiz o caminho que achei que você teria feito. Eu devia ter chamado a polícia na mesma hora, mas pensei que o carro pudesse ter quebrado, ou alguma coisa assim, tipo, um pneu furado."

Ele assentiu com a cabeça. "Faz sentido." Taehyung suspirou. Soubera que tinha sido abandonado por Jungkook. Ficou dirigindo por ali à sua procura, deixando mensagens de texto e de voz no telefone, sabendo que era bobagem, mas não conseguia pensar em nada mais para fazer. Um homem não chama a polícia porque foi abandonado pela namorado, quando foi um completo babaca e merece cada milímetro da sua fúria. Só depois que o carro dele foi encontrado, Kim percebeu que alguma coisa mais séria tinha acontecido.

"E então a polícia telefonou. Seu carro estava abandonado numa zona de carga e descarga, aberto; sua carteira estava no banco de passageiro, vazia." Sabia que ele tinha sacado seiscentos dólares para o estilista. Os cartões de crédito estavam estourados; sempre estavam, mas Taehyung não tocou no assunto.

Jungkook levou um susto. "Fui roubado? Sequestrado? Fico pensando que alguma coisa assim deve ter acontecido, que talvez eu tenha levado uma pancada na cabeça, ou alguma outra coisa, ou..." Sua voz murchou. Os dois sabiam que ele não tinha nenhum machucado, nenhuma espécie de trauma físico. Ao que parecia, tinham feito todos os tipos de exames e testes para checar seu cérebro, seus órgãos internos. Seu coração e sua cabeça, Kim pensou. Ilesos, mas não incólumes.

Ele continuou:

"Bom, no começo também foi o que pensamos que tivesse acontecido. O esquisito foi que seu carro foi encontrado perto da estação de trem, não perto do estilista."

Embora tivesse passado pela cabeça de Taehyung a possibilidade dele ter tomado um trem para algum lugar, parecia um completo absurdo. Por que pegar um trem, quando se tem um carro nas melhores condições? Não fazia sentido, mas nada do que tinha acontecido fazia. Assim, enquanto temia e esperava qualquer notícia terrível que estivesse por vir (Será que ele tinha sido sequestrada? Estaria ferido? Deus do céu... vivo?), ele analisou os horários e as tabelas dos trens, para manter os piores pensamentos à distância. Tentou lembrar se alguma vez Jeon tinha falado sobre fazer uma viagem para algum lugar, mas eles só tinham discutido uma ida ao Havaí naquele inverno, de lua de mel. Será que ele tinha amigos em algum outro lugar, em outra cidade? Não que Kim soubesse. O único parente que ele tinha era uma tia que morava perto de Changwoon, e Jungkook nunca tinha mostrado vontade de tornar a vê-la. Na verdade, justamente o contrário.

Após cinco longos dias, a polícia finalmente conseguiu rastreá-lo até Suwon. O interesse no caso se esvaneceu. Não havia nenhuma outra atividade suspeita. Os cartões de crédito dele não haviam sido usados, nem por ele, nem por ninguém. Taehyung não os tinha cancelado, só para o caso dele precisar, mas se mantinha atento ao uso. Nada. Sua carteira de motorista tinha sido descoberta no dia seguinte na seção de Achados e Perdidos da estação. Ele só tinha precisado dela para comprar a passagem, não para embarcar no trem. Kim ligou imediatamente para o Departamento de Polícia de Suwon para avisar que seu noivo desaparecido poderia estar lá, caso as autoridades não os tivessem notificado. O próximo voo disponível para Busan era só no dia seguinte – será que Taehyung não deveria ir dirigindo? Pegar o (Deus do céu) trem? E depois disso? Vagar pela cidade chamando "Jungkook, Jungkook", como se estivesse procurando um cão perdido? Merda, ele pensou. O que eu devo fazer, porra?

Estava começando a pensar que talvez ele só tivesse ido embora para começar uma vida nova; então, fez o que sempre fazia quando a vida ficava pra lá de improvável: chamou Jimin, seu irmão mais novo e mais compreensivo. Perguntou ao irmão pelo telefone se ele deveria deixar Jungkook em paz, ou deveria continuar o procurando, mas, graças a Deus, Jimin disse a "Of course, stupid" a velha frase seu appa Namjoon usava quando achava que os filhos estavam sendo bobos demais ou idiotas. Essa expressão era frequentemente ouvida nos encontros de família.

"Claro que você tem de continuar procurando por ele", disse Jimin. "Vou para com você. Vamos aparecer no noticiário de Suwon, assim as pessoas ficam sabendo que estamos atrás dele", o irmão disse, embora ele soubesse que Jimin não conseguiria uma licença no trabalho. "Vamos encontrá-lo, Taetae, vamos sim."

E ele reservou as passagens para Suwon, para o dia seguinte. Exatamente duas horas antes do horário da partida, o detetive de Seul ligou com notícias sobre um homem que fora encontrada na baía de Busan.

No início, ao ouvir isso, Taehyung pensou que o homem tivesse se afogado, e teve visões sinistras de visitas a um necrotério para identificar o corpo. No entanto, é claro, ele só tinha entrado na água até a altura dos joelhos. Taehyung não acreditou que pudesse ser Jungkook. Ele nunca faria isso. Não o seu Jungkook, que estava sempre no controle total de... bom, de tudo. E então ele clicou no link da história do Bay News 8 e viu a foto esverdeada que a polícia tinha enviado para os jornais. Era Jungkook, mas não era. Jungkook: desarrumado, sujo, assustado. Vendo-o daquele jeito, apavorado e sozinho, teve uma dor quase tão profunda quanto se ele tivesse se afogado. Foi preciso um dia e meio interminável para convencer as autoridades de que era seu noivo.

"Você se lembra de ter estado no trem?", ele perguntava agora para o menor.

Jeon olhou para o colo e balançou a cabeça.

Com certeza tinha tomado o ônibus de Suwon para Busan. Tinha feito uma porção de coisas depois de sair de casa, e parecia quase impossível que não pudesse se lembrar de nada, mas Taehyung precisava acreditar.

Jungkook remexia as mãos, puxando as mangas do casaco. Pela primeira vez, ele reparou as unhas quebradas, a pele esfolada das palmas das mãos. Tentou imaginar o que ele havia precisado fazer para sobreviver e não conseguiu ir em frente. Tudo o que Taehyung sabia é que precisava levá-lo para casa para preparar um banho quente do jeito que o outro gostava, com sais de banho e óleo de amêndoas. Servir-lhe uma sopa. Abraçá-lo e murmurar que, com ele, sempre estaria a salvo, sempre, dali por diante.

"Você pode voltar amanhã?" Jungkook levantou os olhos. "A gente pode conversar mais um pouco."

Seu lábio superior tinha gotículas de suor. Ele se levantou.

"Ah." Taehyung também se levantou. "Pensei que você fosse querer sair daqui. Ir pra casa." Precisou se segurar para não pegar no braço dela e tirá-lo daquele lugar, levando-o para o ar livre, longe dos outros pacientes, que eram perturbados e talvez até mesmo violentos, mas ele balançou a cabeça.

"Só preciso de um pouco de... tempo."

"Ah", Kim disse, "tudo bem. Então amanhã. Pode ser nove ou dez da manhã?" Jungkook tinha insônia, geralmente pegava no sono no final da madrugada.

"Vamos combinar às sete", ele disse. "Não consigo dormir depois que o sol nasce. É esquisito demais." Inclinou-se mais para perto e sussurrou: "As pessoas daqui são todas loucas".

Kim fechou os olhos ao sentir o perfume da pele dele. Era o perfume dele, a pele dele, a voz dele, e Taehyung se deliciou. Sob vários aspectos, ainda era a seu Jungkook.

Abriu os olhos. E estava só.


Notas Finais


Hello my babys! Mais um capítulo, ufa.

Vou postar uma nova fic, se chama Seasons.

xoxo, HK


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