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História Enquanto rei - Capítulo 3


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Notas do Autor


Hey hey hey, como estão hoje meus corvinhos?
Hoje eu não tenho muito o que dizer, então vamos para a história:

Capítulo 3 - Morte, amor e destruição


Apesar de muito jovem, Hajime ainda conseguia se lembrar com clareza dos pesadelos que costumava ter, lembrava-se vividamente de acordar ofegante, como se seus pulmões não fossem capazes de levar oxigênio ao cérebro, o suor escorrendo pela testa, e a pressa em virar-se para o lado e checar se sua mãe ainda respirava.

 Ele nunca havia ficado tão assustado em toda sua vida quanto no dia em que o velho curandeiro disse-lhe para que passasse seus últimos dias cuidando de sua querida Estela, fato que ele negou-se a acreditar, Iwaizumi manteve até o final sua infantil fé inabalável na saúde da mãe, ele sabia que logo ela melhoraria e eles poderiam fazer um piquenique como ela havia prometido. Hajime acreditou até o final nessa promessa, mesmo quando sua mãe não podia mais levantar-se da cama; ainda que ele tivesse que cuidar da casa e alimentá-la sozinho, ela iria se curar, nem que ele precisasse cuidar de tudo por um tempo.

Iwa acreditou nisso até acordar exasperado uma noite e notar que ela de fato não respirava mais, sem alívios momentâneos, sem nenhuma promessa de melhora, só o amargor que subia-lhe a garganta, junto com o gosto salgado de lágrimas. Ele não tinha mais nada.

Alguns chamam o que se deu a seguir de destino, mas nesse caso, o que aconteceu foi nada além de uma péssima administração do reino por parte do pai de Tooru, que jamais fora tão brilhante e querido pelo povo quanto o filho viria a ser. Seu respeito era imposto pelo medo: ele não possuía lealdade alguma. Fato que precisava mudar urgentemente, pois todos sabiam que o reino estava à beira de um colapso, e o rei mais do que nunca precisava do apoio popular.

 Não era novidade alguma que houvesse órfãos nas aldeias, porém ao ouvir a comovente história do garoto que havia cuidado da própria mãe e trabalhado duro para lhe dar um enterro decente, Desmond Oikawa soube o que deveria fazer. Adotar o garoto era uma jogada arriscada, com certeza conquistaria a aprovação popular, porém a nobreza seria implacável em seu julgamento, o rei sabia que jamais aceitariam o pequeno órfão como parte deles.

E foi exatamente assim que Hajime se sentiu ao virar da realeza: deslocado. Ele jamais participou daquela família, morava no castelo, era chamado de príncipe pelos servos, e mesmo assim parecia invisível aos olhos nobres. E depois de tudo, o pior era ter que conviver com Tooru, aquele garotinho mimado e irritante, que sempre teve tudo que queria.

Eles não eram parentes, não foram criados com irmãos, e Oikawa jamais o havia chamado assim.

Alguém bateu à porta o fazendo voltar à realidade, Hajime sabia que era o rei pois ele tinha a péssima mania de bater excessivamente até se cansar e ir embora quando não era atendido. Mas dessa vez o toque continuou incessante até o homem invadir o quarto.

— Oikawa! — Iwaizumi gritou enfurecido.

— Pensei que tivesse ouvido você dizer que eu podia entrar — ele disse cinicamente enquanto se aproximava da cama, afastando os cobertores para que pudesse se aconchegar ao lado do outro.

— Está muito grandinho pra deitar-se nessa cama.

Oikawa se sentou ao lado de Hajime o ignorando completamente, mas mantendo uma distância segura.

— O que achou do jantar? — Ele murmurou.

— A comida estava boa. — Hajime pontuou olhando para as próprias mãos.

Ficaram alguns segundos naquele silêncio desconfortável que fazia anos que não enfrentavam.

— Ainda está bravo comigo? — Oikawa perguntou encarando o teto.

Iwaizumi sempre achou que Tooru parecia jovem, mesmo depois de se tornar rei ele ainda era só um garoto. Agora observando sua silhueta ele conseguia ver a juventude eterna em seu olhar, o nariz pontudo e rosado pelo frio e os longos cílios que subiam encostando nos fios rebeldes que desciam de sua cabeça, um rei não deveria ter cabelos tão cumpridos. Hajime sentiu que precisava tocá-los, e ergueu os dedos afastando os cabelos castanhos dos olhos de mesma cor. Oikawa encarou-o por alguns segundos, antes do outro recolher a mão envergonhado.

— Não estou mais bravo com você — Iwaizumi respondeu, quase revirando os olhos por isso. Era tão injusto, Tooru sempre tinha tudo que queria.

Hajime costumava ignorar o garotinho que sempre tentava segui-lo até a aldeia antes que os guardas o barrassem, Oikawa o tirava do sério, provocando sempre que podia, ele era mimado, egoísta e estava sempre tentando provar seu ponto, ele o odiava. Odiava sua teimosia implacável, sua ingenuidade infantil, suas brincadeiras idiotas. Odiava que todos o tratassem tão bem. Mas o que ele mais odiava era quando Oikawa obedecia seu pai, quando ele agia exatamente da forma como ele o obrigava, odiou vê-lo jogando todos os seus brinquedos fora quando o pai ordenou, odiava que ele não pudesse ser idiota e infantil nas festas do palácio, odiava ver Oikawa chorando quando Desmond dizia que ele jamais seria um bom rei, ele odiava não conseguir odiá-lo nesses momentos.

— Podia ter me avisado — Tooru bradou.

— Estou avisando agora — Hajime retrucou.

Oikawa passou os olhos pelo quarto, escolhendo as palavras, ainda em dúvida se devia perguntar.

— O que você achou dos nossos convidados? — Ele começou.

— É, até que pra Karasunos eles são legais — Iwaizumi zombou.

— E o que você achou do Kageyama? — Tooru finalmente tomou coragem para questioná-lo, encarando a expressão vazia do outro.

Iwa definitivamente não estava esperando aquela pergunta, e não fazia ideia de como respondê-la corretamente, o que ele achava de Kageyama?

Hajime jamais quis ser rei, isso era um fato, ele via todos os dias Oikawa desempenhar o papel e parecia que havia nascido para tal (e ele realmente havia); porém, naquele momento, ele daria tudo para ser Kageyama. Então, talvez a resposta para essa pergunta fosse, na verdade, que Iwaizumi achava ele muito sortudo.

— Acho que ele será um ótimo marido — Ou pelo menos era para o que ele torcia.

Oikawa esboçou um sorriso, sorriso esse que partiu o coração dos dois naquele quarto.

...

Tooru fechou a porta de seus aposentos atrás de si, e suspirou profundamente enquanto deixava o corpo cair sobre a cama, daria qualquer coisa para ter ficado com Hajime, debaixo de seus cobertores. Mas sabia que isso era impossível daqui para frente, ele iria se casar afinal, tinha que se acostumar a deixar Iwaizumi.

O rei se lembrava da primeira vez que tinha visto ele, tão triste e quieto. Oikawa havia ficado feliz em saber que finalmente teria uma companhia, mesmo que seu pai tivesse dito que ele não deveria se apegar ao “novo irmão”, com seu tom irritantemente enojado. Mas quando Iwa finalmente chegou, ele não quis guerrilhar com Tooru e sua poderosa espada de madeira, não quis brincar de ser capitão do navio, ou mesmo explorar o castelo em busca de passagens secretas. Ele estava sempre quieto, invisível. Até que um dia, e Oikawa gostaria muito de se lembrar o porquê, Hajime ficou extremamente irritado com o menino, e então começou a gritar, ele encheu os pulmões de ar e berrou o mais alto que podia sobre o quão ingênuo era ele, e depois, para a surpresa do mais novo, que a esse ponto já estava assustado, as lágrimas vieram. Iwaizumi chorou como a criança que ele se negava a ser, e para Tooru, parecia que nada no mundo jamais ia conseguir fazê-lo parar. Essa foi a primeira e única vez que Oikawa viu Hajime chorar. O que era injusto, se formos considerar as milhares de vezes que o outro o tinha visto derramar um par de lágrimas.

Mas isso foi antes de ser um rei, e tudo agora deveria ficar no passado, Oikawa relembrou-se, desfazendo o sorriso de seu rosto.

...

O dia havia amanhecido extremamente bonito aquela amanhã, e Tsukki não poderia de forma alguma passá-lo todo dentro do castelo, segundo Yamaguchi é claro. Ao que parecia Tadashi havia acordado inexplicavelmente animado aquele dia, e insistiu tanto que os dois deveriam conhecer os arredores do castelo, que Tsukki achou que não seria tão ruim assim tomar um sol de vez em quando. Enquanto eles circulavam por uma feira cheia de pessoas berrando e tentando convencê-lo a adquirir seus produtos “especiais”, o loiro começava a se arrepender de sua decisão. Porém Yamaguchi manteve o pique, parando em todas as barracas que podia e fazendo perguntas sobre as coisas que nunca tinha visto antes, isso até eles passarem em frente a uma pequena cabana com bugigangas penduradas na porta, e o homem decidir que precisavam entrar.

O lugar era escuro, iluminado apenas por algumas velas com cheiro, e no centro sentava-se uma bela mulher de pele pálida e cabelos escuros, que os fitava com um olhar misterioso.

— Os dois curiosos vieram dar uma espiadinha? — Ela perguntou em um tom mais baixo e sério do que seria o de uma piada, o que fez um arrepio percorrer a espinha de Tsukki.

— Yamaguchi a gente deveria ir... — O loiro disse baixinho, tentando ignorar a presença absurda que o suprimia no momento.

Mas Tadashi pareceu não ter ouvido, e se aproximou ainda mais da mesa da mulher, se sentando em umas almofadas no chão. Tsukishima não teve outra escolha a não ser segui-lo.

A mulher pegou uma espécie de baralho e misturou as cartas em cima da mesa, suas mãos eram habilidosas e ela parecia ter bastante experiência.

— Escolha três cartas, e seu coração lhe dirá do que precisa — A moça disse juntando o baralho em sua mão e estendendo na frente de Yamaguchi, que nem piscou ao dedilhar e retirar três cartas da mão da mulher.

Ele posicionou as cartas sobre a mesa e olhou apreensivo para elas, estava curioso para saber o que diriam, talvez pudessem acabar de vez com seu problema. A morena acenou para ele e Tadashi desvirou a primeira carta, que continha um esqueleto em cima de um cavalo branco, com uma bandeira preta e alguns corpos no chão, ele não sabia muito sobre o assunto, mas assumiu que aquilo não era um bom sinal.

— A carta da morte. Ela pode significar o final de um ciclo, abandono de hábitos e crenças ou mesmo, a verdadeira morte em si. Uma coisa é certa: algo deixará a sua vida em breve.

Yamaguchi engoliu em seco, enquanto Tsukki revirava os olhos para toda aquela bobagem.

— A carta do amor. — A moça disse após Tadashi virá-la, e Kei lutou para não deixar que suas expressões demonstrassem qualquer traço de curiosidade que houvesse surgido. — Pode representar um novo relacionamento, um romance, mas cuidado com suas decisões, elas serão muito importantes pois você terá uma jornada de autoconhecimento.

A última carta era um tanto enigmática, possuía a representação de uma torre, e algumas pessoas se atiravam dela. Yamaguchi se perguntou se o destino não estava tentando alertá-lo de algo.

— Ó, essa é a carta da torre, ela representa a destruição, instabilidade e crise. Mas pode significar que algo novo e mais sólido será construído a partir disso. Você deve se preparar para mudanças drásticas.

Ok, agora Yamaguchi começava a se preocupar, e Tsukishima fez um grave esforço para não “desrespeitar” o trabalho da jovem, o que certamente Tadashi não aprovaria.

— Que original — infelizmente os esforços do loiro não conseguiram conter sua língua afiada.

— Tsukki! — Tadashi o repreendeu envergonhado — Me desculpa senhora...

E antes que terminasse foi interrompido pela moça que estendeu o dedo indicador quase tocando nos lábios de Yamaguchi.

— Não me chame de senhora, e também não se preocupe, já estou acostumada — ela disse lançando um olhar de soslaio para o loiro — espero que tenha ajudado.

— Ajudou sim, na verdade, foi muito esclarecedor. E quanto eu te devo? — Ele perguntou se levantando.

— Não se preocupe, de você não cobrarei nada — a mulher disse, sorrindo discretamente para Tadashi.

— Eu insisto — ele disse enquanto a mulher os acompanhava até a saída da tenda.

— E eu recuso — ela retrucou.

O homem refletiu sobre se deveria continuar aquela discussão que parecia ter entrado em looping e então se deu por vencido.

— Tudo bem. Meu nome é Tadashi Yamaguchi — ele se apresentou estendendo a mão para morena.

— Shimizu — ela respondeu apertando-a.

Algo no interior de Tsukki dizia que essa não seria a última vez que a encontrariam.

...

Suga esteve apreensivo desde o momento que haviam o chamado à sala do trono, ele repassou diversas vezes os possíveis erros que teria cometido, e não encontrou nenhum deslize que o pusesse em problemas, sabia que o rei não tinha uma fama por ser terrível ou coisas do tipo, muito pelo contrário. Então a curiosidade em saber o porquê de estar ali o tomava por inteiro enquanto entrava pelas enormes portas de madeira.

— Majestade — ele disse fazendo uma reverência, brevemente dispensada por Oikawa.

E não podia ter ficado mais desagradado ao levantar-se e ver que Daichi aguardava em frente ao rei, fosse o que estivesse prestes a acontecer, Koushi sentia que não ia gostar nem um pouco.

— Senhores, eu chamei vocês aqui porque preciso que façam um trabalho de extrema importância para mim. Kageyama disse que seriam as pessoas mais aptas em desenvolver essa tarefa, e eu preciso que a autoria seja totalmente desconhecida. — Ele disse em tom cuidadoso e baixo. — Como devem saber, o rei Ushijima está louco para que haja uma guerra, e eu pretendo evitar isso a todo o custo. Hoje recebi uma carta não muito agradável, em que ele assegurou que só posso ter dois lados nisso: ou estou do lado dele, ou contra Shiratorizawa. Por isso preciso que saiam urgentemente em missão de reconhecimento.

Os dois esperaram que o rei prosseguisse, no entanto Oikawa parou de falar esperando as perguntas.

— Quer que invadamos o castelo do Ushijima? — Daichi questionou sério.

— Precisamente. Na verdade, eu preciso que se misturem em suas aldeias e recolham o máximo de informações que conseguirem: Ushijima está planejando algum ataque? O que ele pretende? Quem são seus aliados? Temos algumas notícias do norte, mas queremos preencher as lacunas e saber até que ponto os boatos são verdadeiros. E, quando tiverem essas informações, vocês deverão se infiltrar no castelo do rei, e descobrir coisas que só quem é de dentro sabe.

— E como faremos isso? — Suga se esforçou para manter a voz calma e não soltar um palavrão com o absurdo que essa missão (suicida) parecia.

— Sei que darão um jeito. — Ele deu um sorrisinho. — Amanhã se encontrarão com Iwaizumi para planejar tudo com mais calma, por enquanto é só. 

E com essa frase Oikawa saiu do local, evitando qualquer pergunta que ele não pudesse responder, deixando os dois na sala com muita informação para absorver, e um grande trabalho para Hajime fazer, que ele o perdoasse.

Porém, tudo que Suga conseguia pensar no momento era que teria que passar semanas convivendo 101% de seu tempo com o incrivelmente mandão Sawamura Daichi. Esse que estava exatamente indagando por que raios ele teria que confiar a sua vida a uma pessoa tão pouco confiável quanto Sugawara Koushi. Os dois se encararam por alguns segundos antes de virarem as cabeças e bufarem. Essa seria uma longa jornada.


Notas Finais


Espero que tenham gostado queridxs, pois eu estou particularmente muito animada com o que vai acontecer na história
Semana que vem tem mais!


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