1. Spirit Fanfics >
  2. Enquanto Você Dormia - Nanario >
  3. Se perdeu na imensidão daquele olhar

História Enquanto Você Dormia - Nanario - Capítulo 6


Escrita por:


Capítulo 6 - Se perdeu na imensidão daquele olhar


Fanfic / Fanfiction Enquanto Você Dormia - Nanario - Capítulo 6 - Se perdeu na imensidão daquele olhar

Nana ficou imóvel, sem ao menos conseguir pensar direito enquanto Mário encarava seus lábios. Ela sentiu-se assustada, como se algo balançasse dentro dela, sentiu a boca secar ante a expectativa, enquanto os olhos de Mário se estreitaram um pouco mais. Nana só voltou a se sentir dona de si quando Bezinha bateu uma porta ao fundo, atraindo a atenção deles, fazendo com que a breve conexão entre eles se quebrasse.  

– Com licença, Nana. – interrompeu Bezinha. – O Seu Alberto está esperando vocês para almoçar.

– Ah obrigada Bezinha! A gente já vai. – agradeceu Nana.

Enquanto Bezinha voltava em direção a sala de jantar, Nana nervosa e sem coragem de falar sobre o que havia acabado de acontecer, ou melhor, o que não aconteceu, evitou encará-lo novamente.

– Bem... – Nana gaguejou. – Acho que devemos ir.  Mário apenas balançou a cabeça afirmamente.

O almoço seguiu com um clima leve e agradável, e quem visse de fora poderia pensar que eram amigos de longa data. Por várias vezes Nana esqueceu que conhecia Mário há apenas poucos dias. Depois de lhes agradecer mais algumas vezes pelo almoço e trocar telefone com Nana, que teve o celular completamente destruído no acidente, finalmente se despediram e Mário seguiu para seu apartamento, desejando passar mais dias assim com ela.

A tarde passou rápido para Nana que se dedicou a finalizar o desenho de Mário. Depois de começar a arrumar algumas coisas no quarto e tomar um banho longo e relaxante de banheira, mirou o espelho e sua imagem estava turva. Devia ser o sono. Ainda estava exausta dos dias de hospital e morrendo de ansiedade por conta da situação da editora.

Cansada, foi cruzando a porta do banheiro até o quarto, mas interrompeu seus passos ao ver algo. Era um vulto. Não deu bola, pois acreditava que aquilo era fruto de sua imaginação. Ela se permitiu relaxar ao deitar-se na cama, por um instante era como se todos os problemas desaparecessem.

 Porém o tempo de descanso durou pouco. Foi chamada de volta à realidade quando sentiu alguém deitar ao seu lado, ela praguejou baixinho acreditando que fosse Marcos que havia lhe acordado. Mas bastou um olhar em direção a pessoa deitada, e ela sabia que tinha algo errado ali. 

– Pensei que tivesse ido embora.

– Fiquei para te fazer uma surpresa, meu amor. – disse ele, enquanto acariciava o rosto de Nana.

O homem olhava intensamente para Nana, sem falar nada, apenas ia chegando mais próximo dela até que a puxou para um beijo. Nana interrompeu, e o empurrou para longe.

– Chega! Não posso deixar você fazer isso. – gritou Nana.

– Cale a boca! – o homem gritou em resposta. – voltando a ficar cara a cara com ela, enquanto subia para cima dela, uma perna de cada lado do corpo de Nana.

Nana gritou, esperando que alguém a escutasse, porém, o som não saia, não conseguia mais falar. Ela contorcia-se resistindo a ele com uma força feroz. No entanto, após tanto esforço para tentar escapar, sentiu seu corpo enfraquecer. O medo tomou conta, Nana treme e chora, ela não tinha como fugir.

Com o suor escorrendo pelas têmporas, ela acorda olha ao redor, e percebe que tudo não passou de um sonho. Por mais que tentava se convencer que foi apenas um pesadelo, que nada era real, e que não tinha razões para temer, a verdade é que ela sentia medo, um medo sem explicação daquele homem. E apesar do esforço não conseguia lembrar-se do rosto dele. 

Nana continuava ofegante, ansiosa, como se o ar se tornasse mais e mais rarefeito, caminhou até a janela e a abriu. Com os olhos fechados, sentindo a brisa fresca do início da manhã. Lentamente, foi recobrando o controle dos pulmões. 

Afastou aquele pensamento ao lembrar que finalmente iria voltar a Prado Monteiro, não podia se conter, principalmente porque Mário estaria lá para ajudar na edição do livro de Jesse Junior. Ela se encontrava a um passo de explodir de ansiedade, dependia desse livro para salvar a editora da falência. 

Durante todo trajeto feito pelo uber em direção a editora, sentia-se apreensiva, mas bastou ver a fachada e sentir o cheiro característico dos livros para se sentir em casa. Especialmente, quando foi recepcionada pelos colaboradores que se alegraram ao vê-la bem e recuperada do acidente. 

Não demorou muito para que Mário chegasse à editora, ele foi recebido por Vera, que o encaminhou diretamente para sala de Nana.

– Com licença, Nana. – Interrompeu Mário, falando ao mesmo tempo em que batia na porta.

  Os olhos de Nana brilharam ao vê-lo, evidenciando um grande sorriso. 

– Oi Mário, pode entrar! – disse, se levantando para cumprimentá-lo com um beijo no rosto. 

Sorrindo mais do que ganhador de loteria, Mário retribuiu o cumprimento. Naquele momento, ele não poderia estar mais agradecido ao universo por permitir estar cada vez mais próximo dela

– Nana, está tudo bem? – interpelou ao perceber que alguma coisa estava errada com ela.

– Sim, está tudo bem! – ela tentou disfarçar uma ponta de preocupação, que havia em seu rosto devido ao pesadelo da noite anterior. 

– Olha Nana, prometo dar o meu melhor para te ajudar a salvar a Prado Monteiro.

– Só por estar aqui, já sei que vai dar tudo certo, poeta. – Sorriu, e deu um abraço apertado nele. 

E então, eles conversaram a respeito do método de trabalho do antigo editor para Mário compreender o ritmo da Editora por completo, e assim, contribuir com a edição do livro do Jesse Junior. Depois de conversarem, eles caminharam até o espaço onde os colaboradores, concentrados trabalhavam, alguns em suas mesas, outros em pequenos grupos. Mário manteve-se ao lado de Nana enquanto ela solicitava a atenção de todos. 

– Bom dia pessoal. Peço a atenção de vocês para um anúncio. – Nana pronunciou em voz alta, desviando o foco dos grupos de conversa. todos viraram-se para ela. 

– Esse é Mário, meu amigo, ele vai trabalhar alguns dias aqui com a Thaíssa, colaborando para edição do livro do Jesse Junior. Nana sinalizou para Thaíssa, que abanou para Mário. 

– É um prazer poder contribuir com uma grande editora como a Prado Monteiro. – concluiu sorrindo para os funcionários. 

Nana dispensou a atenção de todos colaboradores, pedindo que voltem ao trabalho. Thaíssa caminhou até Mário, cumprimentando-o e dando boas-vindas. Foram, então até a mesa, que foi destinada para ele, com Thaíssa explicando para Mário brevemente como funcionavam as edições ali. 

Nana olhou para Mário uma última vez, e com um sorriso espontâneo em seus lábios, voltou para sua sala. 

O dia passou tão rápido que Mário mal viu o relógio andar. Entretido com o material do livro, às vezes esquecia-se que estava na editora de Nana e, quando olhava para sala dela, a enxergava trabalhando. Seu coração disparava e ele precisava conter o sorriso bobo que surgia em seus lábios. 

Nana também teve o dia agitado, a situação da editora era pior do que imaginava, ela precisou passar o dia em meio a ligações para bancos e planilhas financeiras. Quando olhou pelas frestas da persiana da sua sala, mirou o perfil do homem com atenção, sendo atingida por memórias deles. Um arrepio percorreu seu corpo quando se lembrou do momento em que quase beijaram-se. 

Quando chegou ao final do expediente, a editora foi esvaziando-se aos poucos, e Nana percebeu que Mário continuava trabalhando. Ela então, pegou sua bolsa e seguiu até a mesa dele. 

– Você não vai embora, poeta? – ela aproximou-se quieta. 

Mário estava concentrado no computador, quando ouviu a voz de Nana, pausou a leitura e a olhou.  O que fez com que ela observasse sua cara de cansado, fruto de um longo dia de trabalho.

– Ah vou sim. Só estava adiantando essa parte para amanhã. 

– Não sei como te agradecer tudo que está fazendo por mim, Mário. 

– Que tal um jantar como forma de agradecimento? – ele sugeriu, girando a cadeira para ficar de frente para ela.

– Muito obrigada Mário, mas está ficando tarde, é melhor eu ir para casa. – sorriu, recusando educadamente o convite.

– Ah Nana, só uma pizza no Chapeleiro Maluco. Eu não sei você, mas eu estou faminto e a pizza de lá é simplesmente maravilhosa. 

– Ok, você venceu. – ela ergueu as mãos em rendição. – Detesto ser traída por meu estômago. – eles riram. 

Depois de Mário recolher seus pertences, eles seguiram rumo ao Chapeleiro Maluco. Sentaram-se à mesa perto da janela, e pediram vinho tinto. Nana olhou em volta, sentiu-se à vontade e satisfeita por estar ali com Mário. O clima era leve e descontraído, com uma pequena pista de dança diante deles, onde dois casais se moviam tranquilamente. 

O garçom voltou com a garrafa de vinho e serviu as taças. Afastou-se e eles brindaram pela Prado Monteiro. Nana tomou um gole. Achou o vinho delicioso e suave. Em geral ela não bebia, mas naquele dia se permitiu.

– Será que a música fica mais animada depois? – indagou Nana, olhando os casais que dançavam lentamente, com uma careta. 

Mário riu.

– Esqueci completamente que hoje é dia de flashback. Não tá para balada, né?

– Nossa! Faz tanto tempo que não sei o que é isso.  Antes minha noite ia e voltava até virar dia. 

– Ué? E por que não faz mais isso? – perguntou, franzindo o cenho. 

– Ah Mário, agora eu tenho uma editora falida para tentar salvar, e um pai doente. Antes eu era jovem e leve. – falou, em um tom baixo e triste.

– Ei, você ainda é jovem, Nana. Eu sou jovem! – disse, em tom brincalhão

Nana sinalizou com a mão que eles não eram tão jovens assim. O que fez que ambos caíssem em gargalhadas, e tomassem mais um generoso gole de vinho. Estava tudo melhor que o imaginado. Mário a fazia se distrair bastante, sendo extremamente atencioso e brincalhão. Fazia ela se desconectar do mundo só por ser ele mesmo, com seu jeito. Logo uma nova música começou a tocar:

Eu te desejo não parar tão cedo

Pois toda idade tem prazer e medo

E com os que erram feio e bastante

Que você consiga ser tolerante

 

– Eu adoro essa música. – ele falou, entusiasmado.

– Sério? Eu também. – comentou, impressionada com a coincidência 

– Vamos? – ele a convidou já com a mão estendida, ela aceitou prontamente e, logo seguiram para pista.

Nana estava parada ainda sem saber como agir na pista de dança, quando sentiu as mãos de Mário em sua cintura a aproximando para dançarem juntos. Eles sorriram um para o outro, seus rostos estavam a uma distância perigosa, e ambos sabiam disso. 

A distância diminuía em câmera lenta. Nana via os olhos castanhos dele se aproximando. E se perdeu na imensidão daquele olhar. Quando desviou para observar sua boca. Nana se afastou com passos tortos, como se percebesse finalmente o que estava fazendo.

– Acho melhor eu ir embora.

– O que foi? Você não estava se divertindo? – indagou, preocupado. 

– Eu acho que a gente já se divertiu até demais. – ela baixou a cabeça tentando evitar que seus olhos se encontrassem. 

– Você quer que eu te acompanhe?

– Não, não precisa. Eu pego um táxi ali na frente. 

Ao se despedir, Mário sentiu a mão da mulher repousar em seu peito e um beijo em sua bochecha. Nana virou as costas e saiu, e ele ficou parado, hipnotizado, seguindo cada passo dela até não ver mais seu vulto.

 

 

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...