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História Enquanto você dormia (Taekook) - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


EU VOLTEEEEEEEEI SKNSSKS

Primeiro eu tenho um aviso: As aulas voltaram, minhas apresentações também, então eu vou ficar um pouquinho mais ocupada do que antes. Mas eu juro que vou fazer o possível pra atualizar isso rápido pra vocês.

Segundo: Boa leitura e espero que gostem.

Capítulo 4 - IV - Não tem ninguém além de você!


Fanfic / Fanfiction Enquanto você dormia (Taekook) - Capítulo 4 - IV - Não tem ninguém além de você!

A rua já estava lotada de viaturas e ambulâncias, e havia sido fechada por conta do acidente, fazendo os carros procurarem outra rota para seguir.

Jungkook e Taehyung estavam apenas com duas flanelas de pano na cabeça, o que era um alívio já que alguém poderia ter morrido no meio daquela confusão toda.

O loiro, por sua vez, mal podia desviar o olhar de Jungkook admirado com o que o moreno havia feito, já Minho observava tudo de longe com uma cara de deboche.  Como Taehyung acreditou naquele cretino? Ele se perguntava.

Hoseok, que não tinha sofrido um arranhão, simplesmente seguiu para o trabalho, agradecendo por não ter morrido naquela noite.

Um policial então se aproximou dos dois mais próximos:

ㅡ Quem é o dono do carro branco? - Jungkook olhou para Taehyung que saiu do mundo da lua logo depois e se virou para o policial.

ㅡ Ah! Sou eu!

ㅡ E do outro?

ㅡ Sou eu! - Jungkook respondeu.

ㅡ Vocês deviam ir para o hospital primeiro e depois para a delegacia.

ㅡ Certo!

Então eles se viraram e seguiram até a ambulância. Mas antes de entrar, Jungkook olhou para Minho. Ele poderia não saber o porque Jungkook havia feito aquela confusão, mas o moreno sabia muito bem do que Minho seria capaz se ele não a fizesse. Logo depois entrou, se sentou ao lado de Taehyung e calmamente esperou o veículo sair.

Ele, o loiro, mal piscava. Seu olhar se entretia nas entrelinhas do moreno com tanta facilidade quando se lembrava do quanto ele havia sido corajoso ao salva-lo.

ㅡ Eu estou bem, então porque você não olha para frente por enquanto? - perguntou Jungkook se sentido constrangido pelo olhar do outro.

ㅡ O que? - falou voltando à realidade - Ah, está bem! - sorriu movendo o seu corpo para frente.

Porém, assim que Taehyung se virou, Jungkook levou seu olhar ao rosto do garoto, lembrando-se imediatamente do abraço que deram à minutos atrás e das palavras que o maior havia lhe dito.

ㅡ Como posso acreditar em você? - disse chamando a atenção do loiro.

ㅡ Ah, o que?

ㅡ O que eu disse antes, que você e sua mãe morreriam por causa do Minho hyung. Se eu fosse você, eu nunca teria acreditado. E também ficaria bravo. - O loiro sorriu para ele. 

ㅡ Não estou bravo porque realmente acredito que você me salvou.

ㅡ Porque acredita em mim? Ah! - se repreendeu - Não é que eu tenha mentido...

ㅡ Você teve um sonho, certo? - cortou Taehyung - E esse sonho se tornou realidade, não é?

ㅡ Como sabe disso? - falou assustado.

ㅡ Porque eu também tenho esse tipo de sonho. - disse chegando mais perto do moreno e quase sussurrando a frase - E esses sonhos, não importa como, sempre tornam-se realidade. Assim como os seus.

A cabeça do moreno não parava de pensar nem por um minuto. Aquilo era mesmo possível? Como uma espécie de dejavu? E se ele fosse vidente? Não, ele não acreditava naquela baboseira toda que o loiro estava falando. Não, aquilo era só besteira.

...

ㅡ Nossa você tá' dizendo que tem esse tipo de sonho com frequência? - perguntou Jungkook.

Os dois homens estavam na sala de espera do hospital. Este estava tão vazio que a voz deles chegavam até a dar eco. Já haviam sido atendidos, mas Jungkook havia ficado tão curioso que acabara pedindo para conversar um pouco mais com o loiro.

ㅡ Sim, com frequência. Foi o seu primeiro?

ㅡ Sim. - Jungkook então descruzou as pernas e abaixou para mais perto - Quanto... Não, até onde no futuro você consegue ver? Ah, não é por que eu acredito em você que estou perguntando.

ㅡ Não tem um período exato. Às vezes acontece um mês ou até um dia depois? É, assim. Pode até ser alguns minutos depois.

ㅡ Nenhum dos seus sonhos deram errado?

ㅡ Não, nunca. - bebeu um gole de café - Há sonhos que ainda não aconteceram, mas meus sonhos nunca erraram.

ㅡ Nem foram alterados? - perguntou indignado.

ㅡ Por isso aquilo que você fez é incrível. - sorriu quadrado.

ㅡ Sem chance. Está dizendo que eu salvei alguém? - Taehyung concordou - Então o que vai acontecer? Não, não é que eu acredite no que você está falando, mas e se eu mudei o futuro naquela hora? Isso significa... Não, eu não mudei nada, mas o que vai acontecer?

ㅡ Não tenho certeza. Assim como se você tivesse bloqueado uma corrente de água, um novo caminho vai se formar, porque você bloqueou o que era pra acontecer, assim o tempo seguirá por um caminho diferente.

ㅡ Se a água segue por uma direção diferente, pra qual direção ela vai? Para uma melhor? Ou uma pior?

ㅡ Eu nunca mudei o futuro antes, então eu também não sei. Mas o que eu tenho certeza é que no começo, antes e depois de uma mudança não parece ter acontecido diferença alguma. E depois que o tempo passa, a diferença ficará cada vez maior, não acha? - suspirou - O que tenho certeza é que a partir de agora, o tempo seguirá por uma direção diferente, seja ela boa ou ruim.

ㅡ Você tem razão. - suspirou fundo.

ㅡ Agora é minha vez de perguntar. - Taehyung estreitou os olhos - Porque veio me salvar? Era apenas um sonho pra você. Por qual motivo você foi me salvar, arruinando seu carro novo e se arriscando desse jeito?

ㅡ Não tenho certeza. - disse exausto

ㅡ Você pode não saber, mas quando EU olho pra você, me parece bem óbvio.

ㅡ O que você sabe? - perguntou curioso e Taehyung bebeu mais um gole do café e suspirou.

ㅡ Desde quando foi? Que você se apaixonou por mim?

ㅡ Hum? Me apaixonei? Quem? Eu, por você? - Taehyung então amassou o copo de plástico e o jogou na lixeira.

ㅡ Bingo! - se sentiu estranho quando Jungkook começou a rir e a sentar mais longe de si.

ㅡ Não, parece que você entendeu alguma coisa errada aqui.

Mas é claro que o loiro não deixaria barato, então a cada distanciada do outro ele se aproximava ainda mais.

ㅡ Você se apaixonou por mim quando eu lhe abracei, não foi? Por isso retribuiu o meu abraço, certo?

ㅡ Não! Foi porque você me abraçou primeiro que eu o abracei, sem nenhum sentimento. - se afastou assustado.

ㅡ Para alguém que não tem nenhum sentimento, você abraçou por muito tempo e até deu um tapinha nas costas. - se aproximou - Então você é do tipo que abraça qualquer um?

ㅡ Não! - Taehyung abriu a boca em um "O"

ㅡ Uau! Então eu não sou qualquer um! O que é? O que em mim foi tão especial? Qual é o meu charme?

ㅡ Hum? Porque de repente estamos nesse tipo de conversa? - aquele cara era louco.

ㅡ Não, não é isso. Já que o abraço veio depois do salvamento deve ter sido antes disso. - pensou consigo mesmo - Então, talvez, no ponto de ônibus?! Ou... não pode ser! - colocou a mão na boca genuinamente assustado - QUANDO VOCÊ LEVOU O BOLO DE ARROZ PARA NOSSA CASA?  - gritou tão alto que fez Jungkook cair de bunda no chão, derramando café em sua calça - O que há de errado com você? Eu tenho razão, não é? Você só ouviu minha voz e se apaixonou por mim? Uau, não é isso! Será que você se mudou para a casa na frente da nossa por minha causa?

ㅡ Nossa! Eu vou mesmo enlouquecer! - disse o promotor passando a mão na nuca.

Como Taehyung queria receber uma resposta se nunca parava de falar? Parecia aqueles papagaios depois de aprender uma palavra nova. Se Jungkook não era o mocinho dessa história toda. Ele não sabia o que era.

                                *

Min Yoongi, esse era o nome dele. Lutou tanto para estar naquele lugar que mal podia acreditar no que estava vivendo. Depois de tantos calos nos dedos após tocar piano, finalmente estava se apresentando aonde mais desejava.

E a plateia nem se mexia, estavam todos hipnotizados pela melodia do jovem pianista, inclusive seu pai e mãe que o assistiam juntos ali.

Yoongi não podia ver, mas sua mãe se segurava ao máximo para não agoniza de dor, enquanto segurava forte seu casaco fechado e suava frio.

Bogum, o jornalista que sentava do lado da moça, logo percebeu o mau estar e resolveu verificar.

ㅡ Nossa! Você está bem? Tá' suando...

ㅡ Ah! Deve estar quente aqui. - interrompeu o senhor Min sorrindo e pegando na mão da esposa - Querida, você está bem, certo?

ㅡ Ah! Sim. - respondeu num sorriso falso que chamou a atenção do jornalista, que nada disse, só voltou a ver o recital.

...

ㅡ Sim, eu tentei manter uma condição boa o tempo todo e pratiquei muito. - respondeu ao jornalista.

E lá estava ele, dando uma entrevista. Quem diria que isso poderia acontecer? Havia recebido tantos presentes que mau podia contar e agora segurava um belo buquê de flores nos braços. Estava orgulhoso de si.

ㅡ Min Yoongi, você é o primeiro coreano que se qualificou para as finais da competição de Chopin em Varsóvia. - continuava Bogum - Diga-nos como se sente sobre isso.

ㅡ Muitas pessoas estão torcendo por mim. Não vou desapontar a expectativa deles, então tentarei o meu me...

Um baque foi ouvido e quando se virou assustado, Yoongi viu a mãe caída no chão. Completamente desmaiada.

ㅡ Omma! - disse ele abaixando até a mãe.

ㅡ Querida! - exclamou o senhor Min.

ㅡ Senhora! - Bogum se abaixou junto a eles - Chame a ambulância! Depressa!

ㅡ Omma! - Yoongi tremia e quando viu o que realmente havia causado aquilo, paralisou.

Sua mãe estava com diversas marcas de pisão nos peitos.

ㅡ O que é isso? - interrogou Bogum olhando para o senhor Min que prontamente fechou o casaco de sua mulher novamente, levando os olhos de Yoongi e do jornalista até si.

ㅡ Não foi algo que eu fiz. - se defendeu. 

Bogum se lembrou da atitude que o mais velho teve no auditório e resolveu que a melhor saída naquele momento era ligar para a polícia. Foi rápido em pegar o celular e discar o número da emergência.

ㅡ É da Polícia? Aqui é do Salão de Artes Evan. Estou denunciando um caso de violência doméstica.

ㅡ Eu falei que eu não fiz isso! - gritou o primogenitor de Yoongi.

ㅡ Omma! - gritava o filho desesperado. Sentia ódio do pai, sabia que isso aconteceria outra vez e a mais velha não o ouviu.

Jimin - que após toda a confusão que o irmão havia causado, tinha conseguido comparecer ao recital do amigo e ainda comprara um buquê para parabeniza-lo - se viu assustado com a cena a sua frente.

Os policiais passaram por si correndo, resgataram a senhora Min e rapidamente prenderam o Min primogenitor, que gritava para Hoseok e Namjoon como ia processa-los por fazerem aquilo com ele. Mas o que Hoseok poderia fazer? Era seu trabalho.

Jimin levantou a cabeça e encontrou um Yoongi arrasado, com o olhar perdido e lágrimas no rosto. Se aproximou devagar para não assustar o mais velho, e falou calmamente:

ㅡ Yoongi, você está bem?

ㅡ Como chegou aqui? - falou o outro irritado.

ㅡ Não... - escondeu o buquê atrás de si - Eu só estava passando e entrei.

Yoongi estava nervoso, além de tudo o que acabara de acontecer, como o menor tinha coragem de mentir para si? Assim, segurou Jimin pela gola da camisa e levantou-o do chão, fazendo com o susto, ele deixar com que caísse o buquê.

ㅡ Você, sobre o que aconteceu hoje, nem mesmo sussurre uma palavra aos outros. Você não viu nada, entendeu?

ㅡ Entendi. - disse calmo e permaneceu com o olhar nos olhos de Yoongi, e com a mesma calma segurou as suas mãos, as tirando da gola de sua camisa - Eu não vou falar. Nunca. - prometeu, vendo Yoongi se banhar em lágrimas e o abraçou, comportando o mais velho ali.

ㅡ Tudo bem, obrigado.

                                *

Taehyung acordou sorrindo no dia seguinte, tinha sonhado com o dia inteiro de seu vizinho, e essa seria a oportunidade perfeita pra lhe provar que o que disse não era mentira.

Se levantou rápido e despreguiçou com vontade, sorriu, alcançou seus óculos e por fim pegou os post-its em que anotava seus sonhos, escrevendo todo o dia do moreno neles. Minutos depois terminou, e os guardou no bolso de seu casaco.

Logo depois de abrir as cortinas e a janela, coisa que nunca fazia, saiu do quarto e se dirigiu a cozinha para tomar seu café da manhã. Porém, quando chegou ao local, a mãe ainda não havia terminado o alimento, então Taehyung, que estava morto de fome, colocou as luvas sem pensar duas vezes e começou a ajudar a mãe.

ㅡ Mãe, acho que aquele cara está completamente apaixonado por mim. - começou, modelando os bolinhos de arroz em formato de coração. 

ㅡ Quem é "aquele cara"? - perguntou Gayoon.

ㅡ Quero dizer, sabe aquele cara que se mudou para a casa da frente, o jovem e bonito?

ㅡ Céus, então o que aconteceu com aquele advogado chamado Minho?

Ah, Taehyung estava com tanta raiva daquele cretino, que nem se segurou e acabou amassando o bolinho de arroz que modelava em sua mão.

ㅡ Mãe, nem comece a falar sobre ele. Eu to' dizendo, ele é um homem que me acusaria de um crime só pra se salvar.

ㅡ Então vai terminar com ele?

ㅡ Devo continuar com ele? Alguém que mandaria você e eu para o caixão?

ㅡ Então que dizer que o novo vizinho teria uma chance?

ㅡ Não, eu não vou pular de um pra outro. É mais como meu dever como ser humano. - falou enquanto voltava a formar o bolinho em coração.

ㅡ Dever? Que dever?

ㅡ Quero dizer, Jungkook salvou nossas vidas. Vou viver para sempre, como uma forma de me redimir. Não é algo que um ser humano faria? - juntou o bolinho com os outros.

ㅡ Se redimir como?

ㅡ Desde o momento em que o vi, soube que ele sequer deve ter namorado alguma vez. O que posso fazer além de colocá-lo sob as minhas asas, certo?

ㅡ Pense bem sobre isso. Pode ser que ele não veja isso como uma retribuição por gratidão, e sim um golpe do inimigo. - falou sarcástica

ㅡ Inimigo? Isso é bom também. Como Romeu e Julieta. É mais emocionante assim! - falou empolgado.

...

Enquanto Taehyung discutia com sua mãe, na casa da frente Jimin estava enfurecido. Já era a terceira vez que tinha que acordar Jungkook, e dessa vez optou por abrir as janelas para que a luz entrasse.

ㅡ  Jungkook, acorda!!! - falou quando o outro deu indícios de estar acordando.

ㅡ Só mais cinco minutos!

ㅡ Você está atrasado! Atrasado, Jungkook! - pegou o sapato do menor e jogou eu seu rosto - A-tra-sa-do!

ㅡ Ei! - gritou se sentando na cama - Seu... maluco retardado... você...

ㅡ Olha a hora!

O menor direcionou seu olhar para o despertador e quando percebeu que Jimin tinha razão, ficou sem graça. O mais velho saiu primeiro, e ele foi logo atrás seguindo para a cozinha.

ㅡ Ei, coloque pra mim também! - falou se referindo ao leite com cereal.

ㅡ Faça sozinho! Eu tenho muito no que pensar.

ㅡ Você escolheu um conceito esquisito para a manhã. Está imitando um estudante do ensino médio ou algo assim?

ㅡ Kookie, com licença...

ㅡ Sim?

"Nem pense em dizer uma palavra sobre o que aconteceu hoje."

ㅡ Não é nada, deixa pra lá!

ㅡ O quê? Agora está fingindo ser misterioso?

ㅡ Esquece. O que está acontecendo com o garoto que mora em frente? Estão namorando? - mudou de assunto.

ㅡ Você quer morrer? Se cansou de viver?

ㅡ Porque? Você estava tão preocupado com ele e destruiu seu carro o salvando daquele jeito.

ㅡ AFF! - enfiou uma colherada grande de cereal na boca - Aquele cara é completamente maluco. Ele acha que me apaixonei por ele. Tão convencido e narcisista, tudo em uma única pessoa! Aish! - gritou - Pessoas como ele deveriam estar em uma instituição. Não, deveria haver uma  lei que fizesse pessoas como ele usarem uma faixa escrito "cuidado, surtado!" na cabeça. Desse jeito, eu poderia evita-los assim que os visse. Fui envolvido sem saber de nada e olha como eu estou agora.

ㅡ A culpa é sua! Dizendo que ele estava inacreditavelmente triste no seu sonho.

ㅡ Ele não é triste! Não é! Não, ele é assustador! Devo ter medo dele, por isso o salvei! Não, ei. Eu não salvei ele, certo? O que aconteceu... Aquele sonho, ou o que seja, foi loucura,  - falava embolado - então não diga nem uma palavra sobre isso em lugar nenhum! Só vai fazer as pessoas acharem que você é louco.

ㅡ Sim, senhor! - falou revirando os olhos.

Nesse momento o interfone tocou,  duas vezes seguidas, fazendo os irmãos se assustarem.

ㅡ À essa hora do dia? Quem deve ser? - Jungkook fez um sinal com a cabeça para que o menor fosse ver, então Jimin se levantou e seguiu até a telinha que  mostrava-o a entrada. - O que? É ele! O garoto que mora na frente.

ㅡ O que?

Quase caiu da cadeira quando se levantou correndo, com a boca cheia e levantando as calças até chegar em frente ao interfone.

"Sou Kim Taehyung, que mora do outro lado da rua."

ㅡ Olá, o que você quer? - respondeu Jimin

ㅡ "Nossa, de quem é essa voz linda? Deixe-me ver seu rosto, estou curioso!" - falou aproximando o próprio rosto da câmera.

ㅡ Qual o problema dele?

ㅡ Viu? Ele não é normal, ele deveria colocar a faixa do "cuidado, surtado!" na cabeça.

"Eu consigo ouvir tudo!" - falou Taehyung do outro lado da tela - "Fiz bolinhos de arroz. Vim para compartilhar com vocês."

ㅡ Olhe aqui, Kim Taehyung! - falou Jungkook dessa vez.

ㅡ Sim?

ㅡ Não acredito no que você disse sobre o seu sonho, então não salvei você e você não está em dívida comigo. E eu rejeito seus bolinhos de arroz também. - e assim desligou o aparelho - Ele deve ter entendido, não é?

Mas é claro que o loiro não desistiria tão fácil, ele iria mostrar ao outro e fazê-lo acreditar.

ㅡ Não acredita é? Eu entendo completamente, mas você vai ver!

E depois de se abaixar, amarrar seu sapato e pegar um guarda-chuva, Taehyung saiu em busca do que queria.

(Trilha: Your World - SEO)

Passou pelo café do bairro, onde gentilmente cumprimentou a funcionária que colocava a placa de "estamos abertos" para o lado de fora. Viu as tortilhas de maçã na vitrine, mas só as cobiçou do outro lado do vidro e foi embora. Passou pelo grafite enorme instalado na parede de um centro cultural, que levava o desenho de dois idosos se beijando com a frase "nós somos jovens". Sorriu para a parede e seguiu seu caminho, ou melhor, o caminho de Jungkook.

Agora estava no parque, onde duas mulheres faziam exercícios com os braços enquanto andavam pra frente e pra trás. Taehyung se lembrava daquela cena, estava indo pelo caminho certo, e teve certeza disso quando passou pelo grupo de crianças e uma delas perdeu seu balão em uma árvore. O loiro se abaixou em frente à menina e sorriu:

ㅡ Tem um cara que tem os braços longos e é muito alto, que vai pegar pra você. Pode acreditar. - sorriu - Quando ele chegar você diz... Obrigada senhor Jeon Jungkook. - a garotinha assentiu.

Mais tarde quando isso aconteceu, Jungkook ficou incansavelmente se perguntando como aquela garotinha sabia seu nome e sobrenome, se nunca a tinha visto na vida.

Já Taehyung estava na fila do café do centro, esperando sua vez, ou devo dizer, a vez de Jungkook?

Quando chegou no balcão, Nayeon a cumprimentou com um bom dia.

ㅡ Haverá um cliente aqui, daqui a três minutos. - começou Taehyung - Ele parece um caranguejo com os braços e pernas longas. Ele vai estar vestindo um sobretudo bege. Quando esse homem chegar dê a ele um americano duplo com xarope de avelã.

ㅡ Pode deixar.

Depois de fazer o pedido, correu às pressas para a estação de metrô, tinha que pegar o certo logo, antes que o moreno chegasse ali. E quando ele entrou exatamente no vagão que o loiro estava, ele percebeu e sorriu. Tinha conseguido!

Encarou o moreno até que ele percebesse sua presença e quando Jungkook arregalou os olhos, Taehyung quase riu.

ㅡ Vocês se conhecem? - perguntou o passageiro que estava sentado entre eles.

ㅡ Não!

ㅡ Sim! - respondeu o loiro

ㅡ Devo trocar de lugar?

ㅡ Não, está...

ㅡ Obrigado pela gentileza! - disse Taehyung trocando de lugar com o homem.

Jungkook levava uma expressão emburrada no rosto, junto com o biquinho de indignação que Taehyung achava fofo demais pra estar na cara dele.

ㅡ Sou eu, o garoto que mora em frente, Kim Taehyung.

ㅡ Estou ciente! - disse entediado.

ㅡ Você tem muitas perguntas pra mim certo? Pode parecer que eu estava seguindo você, mas já que estava neste metrô antes de você, parece que não. Não parece completamente certo dizer que era tudo coincidência. Não é?

Jungkook sabia que o loiro estava certo, todas as coisas que aconteceram naquela manhã, eram certas demais para se chamar de coincidência. Mas ele não podia ser crédulo agora, podia?

ㅡ Agora você lê mentes?

ㅡ Eu segui você. - o moreno o olhou de cima à baixo - Porque vi você indo trabalhar no meu sonho. - tirou os papeizinhos do bolso e mostrou-os ao moreno - O balão sendo pego na árvore. - prendeu o post-it no joelho do menor - Pedindo café. E que você hoje iria trabalhar usando metrô. Até a plataforma que você entrou. - prendeu o papel escrito "8h14, estação de Giyeong, plataforma 8-3" na mão de Jungkook que se assustou - Não é loucura quando digo que vejo o futuro nos meus sonhos. Então de fato você me salvou, e eu estou em dívida com você. Certo?

O moreno suspirou fundo e se levantou indo até a porta, o loiro foi logo atrás. Assim que a mesma abriu os dois se colocaram para fora imediatamente.

ㅡ Porque você não responde? Eu vim até aqui para ouvir isso.  - disse seguindo o moreno - Ah sim, você vai precisar disso mais tarde. - estendeu o guarda chuva na direção do promotor, que o pegou.

ㅡ Eu não acredito no que você disse.

ㅡ Ah fala sério, você disse que sonhou comigo. Porque você não consegue acreditar em mim?

ㅡ Não é que eu não consiga acreditar em você. Eu não vou acreditar em você.

ㅡ O que? - disse surpreso

ㅡ Quero dizer que não vou acreditar em você porque eu não quero. Mesmo que eu sonhe o mesmo tipo de sonho outra vez, eu não vou acreditar em você. Eu não me importo se alguém morre ou não no sonho.

ㅡ Porque? - disse num quase sussurro.

ㅡ Porque se eu acreditar, eu terei que resgatar pessoas e salva-las. Se eu não conseguir, vou me sentir responsável e acabarei me culpando eternamente. Como eu posso lidar com isso? É possível suportar algo assim?

ㅡ Não. - abaixou o olhar

ㅡ Apenas ignore as coisas, se você não pode lidar com elas. - disse enquanto amassava o post-it em sua mão - Apenas classifique como um sonho ruim. É melhor pra sua saúde mental. Se você realmente quer mudar o que vai acontecer, encontre outra pessoa, eu não.

Jungkook devolveu delicadamente o guarda chuva ao loiro na sua frente, o olhou por uma última vez e saiu andando.

ㅡ Não tem mais ninguém, só você... - falou o loiro alto o bastante para que Jungkook o ouvisse, fazendo o mesmo parar onde estava, e se virar outra vez - Embora eu não saiba porque é você.

ㅡ Procure mais. Se tem dois de nós, então deve ter três e quatro também. - sorriu pequeno e dessa vez realmente foi embora.

Taehyung suspirou alto. Depois de tudo o que tinha feito naquela manhã para que o moreno acreditasse nele, no fim nada havia funcionado do jeito que planejara. Ele se sentia triste, e sozinho de novo, no fim das contas ele só tinha a si mesmo e a mãe. Mais ninguém acreditaria em si além de Jungkook e ele sabia disso.

ㅡ Eu disse que não tem mais ninguém, apenas você. - falou pra si mesmo.


Notas Finais


AAAAAAA Finalmente consegui postar. Tadinho do Tae, deve ser solitário.

Me digam o que acharam, principalmente vcs leitores fantasmas. A próxima atualização vem em breve.
Bye bye sweets


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