História Então, como é que não se apaixona? - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias Shawn Mendes
Personagens Personagens Originais
Visualizações 5
Palavras 3.399
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Seja bem-vinda(o) e tenha uma ótima leitura!

Capítulo 2 - Por essa eu não esperava


 

Não acredito que vocês voltaram. Se estou chateado? Claro. Talvez eu nunca me recupere deste trauma emocional? Com certeza. Até a cabeleireira da minha mãe sabia desse grande acontecimento e eu não, como assim? Aliás, estão convidadas para passar quantos dias quiserem em Vancouver.

 

Não acredito que fui o último a saber desta palhaçada, precisamos sair para comemorar.

Ligo para vocês mais tarde, se se lembrarem da minha inocente existência, obviamente.

Meus olhos fitavam Sorn enquanto a temperatura amena esgueirava-se pela janela atingindo o meu rosto desprotegido e quente em cheio. E, minha nossa, não acredito que estava lendo aquilo. Por fim, sorri. 

— Ei, louquinha, o que foi? – a loira balbuciou em meio a uma careta, porém não conteve um riso desconfiado ao esgueirar-se por entre os travesseiros e cobertores a fim de ler a mensagem por cima do meu ombro. Foi então que, quase que instantaneamente, seu comentário surgiu em uma entonação indignada, comicamente proposital:

— Inocente? Quem? Finnegan Miles?

Dito isto, Sorn rolou os olhos e seguiu para a penteadeira a retirar a paleta de maquiagens de dentro da gaveta onde, aparentemente, havia entulhado todos seus objetos de beleza pessoal. Depois a mesma seguiu rumo ao banheiro do corredor com o secador de cabelos em mãos.

É, ambas concordávamos que Finn não era nem um pouco inocente e, de certa forma, exagerado, todavia, intrinsecamente, acredito que ela também se animara com seu convite casual para visitarmos ele e a outra parte da família do papai em Vancouver o mais rápido possível. Sorn sempre amava quando, ocasionalmente, passávamos os feriados de Natal e ano novo na cidade.  

Dramático sim, Finn. Inocente e imprevisível só em outro departamento.

Estalei a língua em desaprovação, voltando a encarar o celular, pensando em alguma resposta rápida à altura, mas nada surgiu nos rápidos minutos que se seguiram.

— Ah, não. Sofi! Não acredito que ainda não se vestiu – Sorn surgiu exaltada tirando-me dos meus devaneios existenciais.

Levantei-me depressa a segurar o riso, tentando não focar mais a minha atenção em sua nova aparência, especificamente em sua testa.

O que? Ela não havia carregado um secador de cabelos? Por que estava sem a metade da franja?

Abandonei o celular na cama desarrumada e corri para dentro do banheiro a puxar a toalha de banho, deixando Sorn falando sozinha.

É, nós iríamos nos atrasar, caso eu não me apressasse.

˚

Respirar o ar nostálgico da cidade àquela época quente do ano fora um alívio para os meus pulmões sensíveis. Finalmente estávamos onde queríamos estar e aquela sensação de desejo cumprido era uma das melhores que eu já havia sentido habitar em mim em anos.

A paisagem era incrível e a universidade não poderia ser mais bonita por fora, conseguindo serem mais belas do que as fotografias disponíveis no site. Começava a imaginar que o seu interior provavelmente não me decepcionaria, seria improvável. Certamente, encontrava-me demasiada entusiasmada, tanto que, por alguns minutos, esqueci-me de que Sorn estava a tagarelar ao meu lado o percurso inteiro que fizemos a pé. Estava perdida em pensamentos, ainda maravilhada com tudo aquilo. Iríamos literalmente morar no lugar onde nascemos e que nosso pai, secretamente, tanto amava, mas não tanto ao ponto de obrigar a minha mãe a permanecer. Ele a amava mais; era louco pela jovem socióloga búlgara de riso fácil, fios de um loiro quase branco, olhos escuros, amante de música moderna e livros de história, filosofia e sociologia.

Sentia-me nas nuvens, é fato, isto até quase cair feito uma alga murcha em pleno caminho da entrada principal, onde alguns universitários com as cabeças no planeta Terra seguiam com um andar duas vezes mais lento em comparação às duas Miles entusiasmadas.

— Oh, des-desculpa – alguém disse de forma atropelada, com as mãos em meus braços, me impedindo de cair. O ouvi esboçar um riso também, mas nada reagi sobre. Estava envergonhada demais para encarar quem quer que ele fosse.

— N-não foi a sua culpa. Eu que estava distraída e nem olhei para frente. – Murmurei, olhando para minha irmã que estava com a maior cara de fantasma.

Sorn assentiu cutucando disfarçadamente meu ombro como um aviso para eu olhar para a tal ‘pedra no meio do caminho’.

— Sem problemas. Eu também não prestei atenção, Sofi. – Ele rebateu entre risos dando ênfase em meu apelido. O encarei finalmente completamente confusa e com o estômago estranhamente a borbulhar um sopro frio. Okay, isto não fez o menor sentido.

O reconheci de imediato. Sua voz completamente diferente da última vez que nos falamos pessoalmente, há três anos.

— Oi. – Shawn disse cantado abrindo um sorriso completo conduzindo-me para um abraço.

— Minha nossa – murmurei em meio a uma careta-meio-risada dentro do abraço forte.

Sorn não conteve a típica gargalhada espalhafatosa, porque, convenhamos, alegria em demasia é o seu sobrenome.

Isto é o que eu chamo de quebrar o gelo.

— Oi. – Consegui dizer por fim, o encarando entusiasmada, abrindo um sorriso sem jeito a correr as mãos pelo cabelo a fim de controlar os efeitos do vento, prestava atenção em cada detalhe de seu rosto, notando cada mudança sutil que os vinte e um anos lhe causaram, as quais lhe caíram muito bem.

Caramba, como encontramo-nos desta forma, digo, tão depressa?

Engoli em seco confusa, porém logo desatei a aceitar essa feliz coincidência. Estudávamos na mesma universidade, era isso? Okay.

Sinceramente, talvez ambos estivéssemos surpresos demais para dizer alguma coisa depois deste episódio no mínimo esquisito, porque ficamos um bom tempo somente sorrindo e murmurando coisas como ‘caramba’ e ‘minha nossa’ ou até mesmo ‘não pode ser verdade’. Este, realmente, não é um acontecimento corriqueiro; encontrar um amigo que não se vê há tempos de repente, sem ao menos ter cogitado a possibilidade de isso acontecer mais depressa do que o planejado.

— Ei – Sorn chamou a nossa atenção pigarreando e Shawn desfez o gesto de antes, indo em sua direção a rir.

— Oi, Storm— ele a cumprimentou ainda a rir, dando-lhe um abraço rápido.

Apesar de em menor intensidade, os dois se conheciam, Sorn sempre costumava abandonar-me quando passávamos os dias de viagem no Canadá, ela dizia que preferia diminuir o ritmo de convívio social nas férias e evitar fazer novas amizades estava incluso na sua lista de prioridades. O mais engraçado é que as amigas da vovó a adoravam e seu número de contatos nas redes sociais sempre aumentava neste período. Enfim, desde que me conhecia por gente, parei de tentar entender a minha irmã, afinal, ela é uma obra de arte do jeitinho que é e obras de arte devem ser apreciadas e não obrigatoriamente entendidas, o poder está na essência.

— Viajou durante a madrugada? – Indaguei a calcular mentalmente a rota de Ottawa até Montreal e ele respondeu com um simples aceno e uma expressão de desgosto.

— É uma longa história – murmurou a conter um bocejo lançando o olhar para o celular que acabara de retirar do bolso do jeans preto, sorri. – Onde vocês estão morando? No campus? – Perguntou e senti que seu o olhar subitamente perdido, que vagava da nossa pequena roda de conversa para uma das entradas do edifício, indicava que ele estava atrasado para a aula ou o que é que fosse. Aliás, o horário estampado no meu relógio de punho e a quantidade reduzida de seres humanos a nossa volta indicavam que qualquer um de nós chegaria atrasado se não corrêssemos.

— Moramos no mesmo apartamento no centro – respondi depressa e quando olhei para o meu lado, Sorn havia desaparecido. Entretanto, bastou olhar para frente e forçar a vista para distingui-la acenando para nós dois.

— Vejo você mais tarde, Shrek – ela gritou e eu sorri desconcertada. – Foi um prazer reencontrá-lo, Mendes – completou sem sotaque algum e ele acenou de volta protegendo os olhos dos raios de Sol com a mão livre.

— Qual prédio? – ele questionou de repente, virando-se em minha direção a deslizar as mãos pela alça da mochila elegante.

— O de artes visuais. Disseram que a aula de boas-vindas será no auditório principal – comentei a fitar a enorme porta de entrada. Havia um grupo de alunos veteranos recebendo os mais novos com panfletos. Eles pareciam bastante receptivos.

Voltei a encarar Shawn quando um silêncio gigantesco se instalou.

— Artes? – indagou a rir estranhamente sem muita emoção, tirando-me do meu desconforto súbito, colocando-me em outro. O que havia de errado com o meu curso?

— Sim, Artes – repeti um tanto confusa e ele pareceu notar porque envolveu-me em um meio abraço indeciso, rindo frouxo, porém, voltando a nos distanciar rapidamente.

— Bem, então vamos – Shawn murmurou em seguida indicando a direção, pegando-me de surpresa mais uma vez. Permaneci estática não compreendendo uma vírgula daquele clima estranho, porque de fato foi bastante esquisita sua mudança de humor repentina.  – Você não vem? – Questionou entre risos a relaxar os ombros e suspirar. Considerando os prós e contras, optei por fingir não haver nada que me impedisse de voltar a encará-lo como segundos atrás. Sorri a franzir o cenho. – Vamos, não quero que pensem que sou uma má influência – completou sarcástico estendendo a mão em minha direção.

— Isso é brincadeira, não? Quero dizer, nos encontrarmos de repente e na mesma universidade – comentei a rir enquanto caminhávamos lado a lado, talvez na tentativa de quebrar todo o rumo constrangedor que nossos últimos diálogos tomaram.

— Estou tão surpreso quanto você, pode acreditar. É muita coincidência, preciso admitir – respondeu e sorriu, porém, desfez o sorriso no instante em que seu celular tocou. – Ah, sério!? – sussurrou desanimado parando de andar a fitar a tela. – Sofi, podemos nos encontrar no intervalo? Ao que tudo indica, as minhas aulas serão no prédio leste, coisa rápida, estou no último ano, então não há muito o que ouvir. – Assenti compreensiva, retribuindo seu sorriso. - Preciso atender, até depois – indicou o aparelho moderno, depositando um beijo em minha bochecha.

— Claro, nos vemos depois – falei acenando e ele acenou de volta com um riso mais relaxado virando-se em seguida para atender a chamada de voz.

E como se a manhã não tivesse tido surpresas o suficiente... 

Quase caí de costas.

— Olá! Tenha um excelente dia! Nunca a vi no campus. Como se chama? – Levei um susto quando uma garota cantarolou as frases como em um musical. Minha expressão de espanto deve ter sido engraçada, pois ela e o pequeno grupo de veteranos sorriram.

A garota não muito mais velha do que eu tinha os cabelos ruivos ondulados um pouco abaixo da altura dos ombros, seus traços finos contrastavam com as grossas sobrancelhas e sua enorme camisa com uma singela estampa de Monet parecia denunciar o que ela cursava, bem como a boina preta cheia de personalidade.

— Sofia Miles. – Falei apenas, preocupando-me um pouco com a pronúncia do meu próprio nome.

— Prazer, sou Rachel Bauer. É o seu primeiro ano aqui, não? – Perguntou e assenti, ela parecia ser legal.  – Seja bem vida e sinta-se convidada para a festa de boas-vindas. Como ela é independente, será nesta sexta-feira fora do campus. As informações estão no convite – Bauer informou atenciosa entregando-me o panfleto alaranjado.

— Obrigada – agradeci rumando para o auditório, acabando por descobrir que praticamente todos os alunos estariam presentes a julgar pelas conversas que ecoavam.

˚

— Sorn, onde você está? – murmurei sentada no grande auditório lotado de alunos a esperar a reitora da universidade para a palestra de boas-vindas.

Torcia mentalmente para que não precisássemos caminhar pelo campus para conhecê-lo. Fotos seriam o suficiente para isso e combinavam mais com o meu perfil sedentário.

— Sejam bem-vindos – uma mulher disse no microfone e um coro a cumprimentou. Fiz o mesmo.

— Oi, de novo – escutei a voz de Shawn atrás de mim a sussurrar, encostando os dedos no topo da minha cabeça. Virei-me e ele voltava a atenção para a garota loira de cabelos curtos e um brinco grande esverdeado. Ao seu lado estavam dois rapazes, quais ele os chamava de Brian e Dylan durante as frases que trocavam.

— Preciso vê-lo de perto, dizem que ele é ainda mais bonito fora da televisão. Não pode ser verdade que Edgar Stoessel esteja aqui para a primeira aula do segundo módulo de desenho – ela comentava incrédula com as bochechas a tornarem-se rubras e as mãos a cobrirem o sorriso tímido. Brian e Dylan reviraram os olhos.

— Quer dizer que prefere o Edgar? – Dylan, o de olhos esverdeados e traços idênticos aos de Roo Panes, um cantor de folk, uma das paixões de Sorn, indagou a fitar a garota do brinco esverdeado.

— Shawn, ela... – escutei a voz grave de Brian, e, a julgar pela frase inacabada, ele o indicava alguém. Quis virar e encará-los, mas segurei a curiosidade, ouvindo somente a resposta discreta de Shawn.

— É, eu sei.

O ouvi suspirar e, mal consegui questionar o que se passava com ele, quando o mesmo me deu um susto gigante, fazendo-me perder o rumo.

— Sofi! – Ele exclamou subitamente, sentando-se ao meu lado. Sorri balançando a cabeça em negativa para espantar as batidas aceleradas do meu coração apavorado a encarar Shawn esperando uma justificativa. – Você também quer ver o Edgar Stoessel? – Questionou a imitar uma garota dizendo o nome desconhecido por mim. Não consegui evitar a gargalhada para o seu tom fino de voz antes de responder.

— Quem é Edgar Stoessel – perguntei inocentemente e ele exclamou baixinho um demorado “Uau” fazendo Dylan gargalhar e a garota loira rir de canto a revirar os olhos dando de ombros.

— É sério. Não sei quem ele é – confessei a sussurrar notando que as vozes iam diminuindo de volume gradativamente, mas não obtive atenção.

— Daremos início à recepção e depois vocês seguirão para as respectivas salas indicadas no cronograma de cada curso e período – uma voz masculina surgiu e todos ficaram quietos. Virei-me a fitar a projeção na parede com um vídeo institucional a mostrar as instalações da universidade.

Excelente, sem caminhadas.

˚

Confesso que, apesar de a apresentação ter sido empolgante e motivadora na medida certa, saí do auditório parecendo um bicho preguiça a tentar atravessar uma rua movimentada. Meus olhos ardiam. Talvez eu tenha piscado pouco durante as duas horas de recepção, e, acredite, Dylan não parou de falar um segundo se quer quando a reitora e os docentes davam um intervalo para abordar o assunto seguinte.

Bom, se eu havia saído do auditório feito uma preguiça, Shawn foi além. Acontece que ele acabou adormecendo logo após os primeiros quinze minutos de apresentação, despertando somente quando quase bateu com a testa em meu ombro, o que gerou o motivo de uma silenciosa crise de risos por parte dos três amigos que o acompanhavam. Shawn saiu a se despedir rapidamente junto dos dois mosqueteiros instantes mais tarde - Dylan e Brian -, ao passo que a garota loira seguia, agora, ao meu lado. A despedida apressada findou por obrigar-me carregar sua pasta de tamanho médio transparente, esquecida para trás quando ele se foi.

Elizabeth Pierce, Effy Pierce. Este era o nome dela, e, por um motivo desconhecido, sentia-me como se fossemos nos tornar grandes amigas, embora tivéssemos somente poucas horas de convivência. A presença agradável de Pierce fez-me desviar o foco e parar de procurar Sorn entre as dezenas de pessoas que, neste momento, conversavam umas com as outras. Effy e eu, tínhamos trocado alguns comentários sobre quão bonita era a universidade e o quanto estávamos ansiosas para começar o segundo período do ano letivo.

— Stoessel está na sala da reitoria! – Ouvimos um rapaz dizer alto para um grupo de pessoas sentadas próximas a ele e Effy exclamou um sonoro “Uau, Edgar Stoessel!” com uma expressão engraçada. Tive de rir, lembrando-me da péssima imitação de Shawn.

Desta forma, seguimos enérgicas rumo ao laboratório de artes visuais, onde seria a nossa primeira aula.

— Ele deve ser simpático e muito famoso por aqui – murmurei a rir sentando-me tentando puxar na memória todos os nomes das celebridades canadenses. Effy sentou-se na cadeira da frente a retirar um caderninho preto da bolsa.

Os comentários ficavam cada vez mais altos e alguns alunos estavam a olhar através dos enormes vitrais da sala de aula. Aliás, toda a iluminação do ambiente era natural.

— Bom dia. Sou o professor de vocês – um senhor não muito alto de traços simpáticos afirmou com certa empolgação, contudo, ninguém parecia prestar muita atenção em suas palavras. – Me chamo Renée Di Mario. – Completou e quase a turma inteira saiu de um transe o cumprimentando finalmente.

Digamos que a ansiedade para ver ou saber sobre a veracidade da informação de que Edgar respirava o mesmo ar que nós, ultrapassava os limites. Por fim, restou ao professor rir da situação notando que quase todos os alunos estavam aéreos e a cochicharem tal possibilidade pouco provável. Aliás, este dia estava repleto de fatos pouco prováveis.

Respirei fundo. Tudo que eu queria era que a aula começasse. Quero dizer; reencontrar Shawn por mero acaso e descobrir estudar na mesma universidade já se fizera surpresa o suficiente para a minha mente nada brilhante em uma manhã de segunda-feira.

— Vejo que terei que comentar sobre o cronograma na próxima aula. – Di Mario falou e todos ficaram quietos de súbito quando o mesmo se levantou colocando as mãos nos bolsos do casaco preto de alfaiataria andando de um lado para o outro. – Vamos passar para a segunda parte da aula; o clímax, o ponto chave. Certo? – continuou abrindo um meio sorriso acentuando o sotaque italiano. – Edgar Gustav Stoessel. Ele é um ator brilhante ou um cantor talentoso, o que diriam? Os dois? Bom. Ele um dia foi o meu aluno. Desta forma, sinto-me contente em afirmar que estas duas perguntas possuem respostas positivas – dizia em meio a uma careta e todos nós sorrimos desconfiados. – Querem ter uma aula com ele? – questionou de súbito e todos olharam surpresos um para o outro. –  Stoessel, pode entrar na sala, por favor – pediu um pouco mais alto se aproximando da gigantesca porta de entrada da sala dando duas batidas com os nós dos dedos na madeira.

De repente, um mar de cabeças e braços de repente impedia a minha visão. Effy havia corrido para dentro do aglomerado de pessoas que se calaram no mesmo segundo que consegui finalmente ver quem era o tal famoso.

— Roberto Martinez – exclamei seu nome artístico provindo do que acredito ter sido o seu personagem mais marcante e reconhecido dos curta-metragens espanhóis quando, enfim, o reconheci. Na epifania, acabei não controlando a altura da minha voz que ecoou pela sala circular. E, a considerar o modo como a maioria me olhou ele já haveria de ter feito tantos outros papéis de destaque que me senti envergonhada por lembrar de algo tão antigo e provavelmente desconhecido pela maioria.

Os olhares rapidamente se voltaram para onde eu estava; aqueles confusos supracitados - e o ator espanhol sorriu disfarçadamente de maneira graciosa e educada.

Como uma pessoa consegue ser bonita com tamanha facilidade?” Pensei por reflexo.

— Oh, Sofi – ouvi um cantarolado sussurrado. – Então você não sabia mesmo? – a voz de Shawn surgiu de súbito quando todos voltaram a olhar Edgar e o professor, qual logo começou a explicar o motivo de ele estar ali.

De onde Shawn brotou? Do chão? Quero dizer, ele havia evaporado segundos antes de a palestra acabar e nem cursava artes visuais. O encarei confusa, ainda com o coração acelerado por ter tido um momento “Eureka” em voz alta.

— Abracadabra – Shawn pareceu ter ouvido os meus pensamentos, porém logo suas bochechas tornaram-se rubras e seu olhar abaixou. – Esqueci a pasta com o esboço do meu projeto – justificou entre risos.

— Foi por isso enfrentou quase três horas de viagem em plena madrugada? – Indaguei segurando a pasta com mais força do que o esperado por ele, por fim, cedendo quando estava prestes a deixar-me vencer. Sorri divertida e ele fez o mesmo.

— Estes são os meus alunos, Edgar – Di Mario esbravejava empolgado, atraindo a nossa atenção. – Venham, façam um círculo. Hum, vocês dois? Nunca os vi na turma – de repente, éramos o centro das atenções, a turma era sem dúvidas pequena, qualquer novo rosto chamaria a atenção de um professor observador.

Comentários à parte, eu só queria rir da expressão de espanto de Shawn quando fomos colocados sob os holofotes. Seja lá de onde que ele tivesse surgido, acho que não daria para retornar agora.

— Venham, não se sintam acanhados, somos uma família! - Di Mario insistia. 

— Okay. Então, lá vamos nós... - Shawn cedeu, dizendo a frase mais para si do que para mim. O fitei e ele lançou-me um olhar, sua expressão era risonha apesar de frustrada. Não pude evitar desta vez; sorri a conduzi-lo, seguindo o restante da turma. 


Notas Finais


Espero que esteja gostando tanto quanto eu estou amando escrever e imaginar quase todos os diálogos em francês. Qualquer dúvida ou sugestão é só comentar.
Um abraço e até mais! ♥


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