História Entere o agora e o Nunca - Fillie - Capítulo 14


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Categorias Stranger Things
Tags Fillie
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Palavras 2.808
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, LGBT, Luta, Mistério, Romance e Novela, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Ooi Dnv ksksd, Boooooa leitura💕

Capítulo 14 - 1.4



FINN


MILLIE FICA LINDINHA quando a torturo. Porque ela gosta. Não sei como me meti nisto, mas o que sei é que por mais que minha consciência berre nos meus ouvidos, dizendo para deixá-la em paz, não consigo. Não quero.

Já fomos longe demais.

Eu sei que eu deveria ter terminado tudo na rodoviária, comprado uma passagem aérea de primeira classe para que ela se sentisse obrigada a usar, já que custou tão.caro, depois chamado um táxi e mandado ela para o aeroporto.

Jamais deveria ter permitido que Millie saísse de lá comigo, porque agora sei que não vou conseguir abandoná-la. Preciso mostrar a ela primeiro. 

Agora é obrigatório.

Preciso mostrar tudo. Mills pode sofrer no final, depois que tudo for dito e feito, mas ao menos vai poder voltar para a Carolina do Norte esperando algo mais de sua vida.

Pego a caixa de sapatos das suas mãos, fecho a tampa e a coloco em cima da mochila aberta. Ela me observa abrir a primeira gaveta da cômoda, pescar algumas cuecas boxer e meias limpas e também jogá-las dentro da mochila. Todos os meus itens básicos de higiene pessoal estão na mochila que ficou no carro, aquela que eu trouxe no ônibus.

Jogo a alça da mochila sobre o ombro e olho para ela.

— Você tá pronta?

— Acho que sim — Millie responde.

— Peraí, você acha? — pergunto, indo até ela. — Ou você tá pronta ou você não tá.

Ela sorri para mim com aqueles lindos olhos azuis cristalinos.

— Sim, tô pronta com certeza.

— Tá, mas por que a hesitação?

Ela balança a cabeça de leve para dizer que estou errado.

— Não foi hesitação — ela responde. — É que tudo isso é... estranho, sabe? Mas de um jeito bom.

Mih parece estar tentando desembaraçar alguma coisa em sua mente.

Obviamente, deve estar com a cabeça bem cheia.

— Tem razão — concordo. — É meio estranho, sim... Tudo bem, é muito estranho porque não é natural expandir as próprias fronteiras. — Olho para ela, obrigando-a a olhar nos meus olhos. — Mas a ideia é essa mesmo.

Seu sorriso se ilumina como se minhas palavras tivessem despertado alguma lembrança em sua mente.

Ela balança a cabeça e diz, com ar divertido e ansioso:

 — Bom, então, o que a gente tá esperando?

Saímos para o corredor, e antes que começássemos a descer a escada, eu paro.

— Um momento.

Ela espera ali, no alto da escada, e eu volto, passo pelo meu quarto e vou até o de Nick. O dele é tão patético quanto o meu. Vejo o violão dele encostado na parede do outro lado, vou até lá, pego o instrumento pelo braço e trago comigo.

— Você toca violão? — Millie pergunta, enquanto desço a escada.

— É, eu toco um pouco.


MILLIE


FINN JOGA A MOCHILA no banco de trás, junto com a outra, menor, minha mala e minha bolsa. Mas ele toma um pouco mais de cuidado com o violão, deitando-o sobre o assento. Entramos no carro preto antigo (com duas faixas brancas no meio do capô) e fechamos as portas ao mesmo tempo.

Ele olha para mim.

Eu olho para ele.

Finn enfia a chave na ignição e o motor do Chevelle ruge.

Não acredito que vou fazer isso. Não que eu tenha medo, esteja preocupada ou sinta que deveria parar agora mesmo e voltar para casa. Sinto que estou fazendo tudo certo; pela primeira vez em muito tempo, sinto que minha vida está voltando aos eixos, só que seguindo um rumo bem diferente, cujo destino eu desconheço. 

Não sei explicar... só que, bem, como eu disse: sinto que está certo.

Finn pisa no acelerador quando chegamos à rampa de acesso e pegamos a 87, sentido sul.

Até que gosto de vê-lo dirigir, o modo como Andrew é tranquilo até para ultrapassar motoristas mais lentos. Não parece estar tentando se mostrar quando ziguezagueia entre os carros; é como se fosse uma atitude natural. Me surpreendo tentando olhar de relance, de vez em quando, para o braço direito musculoso que segura o volante. E quando meus olhos correm cuidadosamente pelo resto do seu corpo, imediatamente volto a pensar naquela tatuagem escondida sob a camiseta azul-marinho que cai tão bem nele.

Falamos sobre isto e aquilo por algum tempo; sobre como o violão é de Nick, e que ele provavelmente vai explodir se descobrir que Finn o levou. 

Finn não se importa.

— Ele roubou minhas meias uma vez — Finn revelou.

— Suas meias? — repito, fazendo uma careta. E ele me olhou com uma expressão que dizia: “Ei! Meias, violão, desodorante — um pertence é um pertence.”

Eu só ri, ainda achando aquilo ridículo, mas deixei passar sem discutir.

Também tivemos uma conversa bem profunda sobre o mistério dos sapatos solitários jogados nas estradas por todos os Estados Unidos.

— A namorada ficou puta e tacou as coisas do namorado pela janela — Finn sugeriu.

— É uma possibilidade — argumentei —, mas acho que muitos são de caroneiros, porque a maioria tá bem detonada.

Finn me olha sem jeito, como que esperando o resto.

— Caroneiros?

Balancei a cabeça.

— Pois é, eles andam muito, então imagino que os sapatos deles gastem rápido. O cara tá lá andando, com os pés doendo, daí vê um sapato, provavelmente jogado pela namorada puta da vida (aponto para ele, incorporando sua teoria), e como aquele tá em melhor estado, ele troca um dos que tá usando.

— Que teoria idiota — Finn diz.

Minha boca se abre e expiro bruscamente, ofendida.

— Pode acontecer sim, tá! — Rio e dou um soco no seu braço. Ele só sorri.

Ficamos falando disso um tempão, bolando teorias cada vez mais idiotas.

Nem lembro quando foi a última vez que ri tanto.

Finalmente, chegamos a Denver quase duas horas depois. É uma cidade tão linda, com as montanhas enormes ao fundo, cujos picos parecem nuvens brancas espalhadas pelo horizonte azul e luminoso. Ainda é bem cedo, e o sol está brilhando com toda a força.

Quando chegamos ao centro da cidade, Finn diminui a velocidade para 60 km/h.

— Você tem que me dizer pra que lado ir — ele afirma, quando nos aproximamos de mais uma rampa de acesso.

Ele olha para três direções, depois para mim.

Pega de surpresa, olho para cada rota, e quanto mais perto chegamos de ter que tomar uma decisão, mais ele diminui a velocidade.

Cinquenta e cinco quilômetros por hora.

— O que vai ser? — Finn insiste, com uma pitada de provocação nos olhos lindos brilhantes.

Estou tão nervosa! É como se estivessem me pedindo para escolher o fio a ser cortado para desarmar uma bomba.

— Não sei! — grito, mas meus lábios estão abertos num sorriso largo e nervoso.

Trinta quilômetros por hora. As pessoas estão buzinando para nós, e um cara num carro vermelho ultrapassa e faz um gesto obsceno.

Vinte e cinco quilômetros por hora.

Ahhh! Não aguento essa expectativa! Sinto que quero cair na risada, mas o riso está preso na minha garganta.

Biii! Biii! Vai se foder! Sai da frente, babaca!

Finn não está nem aí para os insultos e não para de sorrir.

— Pra lá! — grito finalmente, levantando a mão e apontando a saída leste. Solto uma risada estridente e afundo mais no banco para que ninguém me veja, de tão constrangida.

Finn liga a seta esquerda e vai para essa faixa com facilidade, entrando entre dois outros carros. Passamos pelo sinal amarelo pouco antes de mudar para vermelho e em segundos estamos em outra estrada, e Finn está pisando no acelerador. Não faço ideia de que direção vamos, só sei que estamos indo para o leste, mas aonde isso vai dar ainda é um mistério.

— Não foi tão difícil, foi? — ele pergunta, me olhando com um sorrisão.

— Até que foi estimulante — admito, e em seguida dou uma risada aguda. — Você deixou todo mundo puto.

Finn dá de ombros.

— As pessoas estão sempre com pressa demais. Se você respeita o limite de velocidade, corre o risco de ser linchado.

— Verdade — concordo, e olho para a frente através do para-brisa. — Mas preciso confessar: normalmente, sou uma dessas pessoas. — Fico envergonhada em admitir.

— É, eu também, às vezes.

Tudo fica quieto de repente, e é o primeiro momento de silêncio que ambos notamos.

Me pergunto se ele está pensando a mesma coisa que eu, curioso a meu respeito e querendo fazer perguntas, como estou curiosa sobre muitas coisas nele. É um daqueles momentos que são inevitáveis, e que quase sempre marcam a fase em que duas pessoas começam a se conhecer de verdade.

É muito diferente de quando estávamos juntos no ônibus. Então achávamos que nosso tempo era limitado, e que, como nunca mais nos veríamos, não havia motivo para falar muito do lado pessoal.

Mas as coisas mudaram, e agora só sobrou o pessoal.

— Me fala mais da sua melhor amiga, essa Iris.

Mantenho os olhos na estrada por alguns longos segundos e respondo devagar, pois não sei ao certo de que parte devo falar.

— Bem, se é que ela ainda é sua melhor amiga — Finn acrescenta, de alguma forma percebendo a animosidade.

Olho para ele.

— Não é mais. Ela é meio capacho do namorado, por falta de uma explicação melhor.

— Você tem uma explicação melhor, tenho certeza — ele argumenta, voltando a olhar para a estrada. — Talvez apenas não queira explicar.

Tomo uma decisão.

— Não, quero explicar sim, na verdade.

Ele parece feliz com isso, mas mantém uma postura respeitosa.

— A gente se conhece desde o primário — começo —, e eu achava que nada poderia destruir nossa amizade, mas tava tão enganada... — Balanço a cabeça, revoltada só de pensar nisso.

— Bem, o que aconteceu?

— Ela escolheu o namorado em vez de mim.

Acho que ele esperava uma explicação mais detalhada, e eu pretendia explicar melhor, mas foi assim que saiu.

— Você que a obrigou a escolher? — ele pergunta, erguendo um pouco a sobrancelha.

Eu me viro para olhar para ele.

— Não, não foi nada disso. — Dou um suspiro longo e profundo. — Aidan, o namorado dela, ficou sozinho comigo uma noite e tentou me beijar e disse que tava a fim de mim. Quando dei por mim, Iris tava me chamando de vaca mentirosa e dizendo que nunca mais queria me ver.

Finn balança a cabeça com vigor, mostrando que entende completamente,agora.

— Uma garota insegura — ele comenta. — Deve estar com ele faz tempo, né?

— É, uns cinco anos.

— Essa sua melhor amiga acredita em você, sabia?

Olho para ele, confusa.

Ele balança a cabeça.

— Acredita, sim; pensa bem, ela te conhece praticamente há uma vida. Você acha que ela ia jogar fora uma amizade como essa por não acreditar em você?

Continuo confusa.

— Mas ela fez isso — digo simplesmente. — Foi exatamente o que ela fez.

— Não — Finn discorda —, isso é só uma reação, Millie. Ela não quer acreditar em você, mas nem tão no fundo sabe que é verdade. Só precisa de tempo pra pensar a respeito e ver o que realmente aconteceu. A ficha dela vai cair.

— Bom, quando cair, posso não querer mais nada com ela.

— Talvez — ele diz, dando seta para a direita e mudando de faixa —, mas você não me parece ser esse tipo de pessoa.

— Que não perdoa? — digo.

Ele concorda com a cabeça.

Ultrapassamos uma carreta lenta e entramos na frente dela.

— Sei lá — digo, já sem saber o que pensar —, não sou mais como eu era.

— Como você era?

Também não sei. Levo um segundo para encontrar uma maneira de não falar de Romeo.

— Eu era divertida, extrovertida e... — rio de repente, quando a lembrança faz cócegas na minha mente — ... e pulava pelada num lago gelado todo inverno.

O rosto lindo de Finn se distorce por inteiro num sorriso curioso e cheio de energia.

— Uau — ele diz —, tô até vendo isso...

Dou outro soquinho no braço dele. Sempre sorrindo. Ele finge que doeu, mas eu sei que não.

— Era um evento beneficente pro hospital da minha cidade — explico —, eles faziam todo ano.

— Pelada? — Ele parece totalmente confuso, à parte estar com o maior sorrisão só de pensar nisso.

— Bem, não totalmente pelada — digo —, mas só de top e shortinho naquela água gelada, é como estar pelada.

— Cacete, preciso começar a participar de eventos beneficentes quando eu voltar

— ele diz, batendo com a mão no volante. — Não sabia o que eu tava perdendo.

Ele controla o sorriso um pouco e olha para mim de novo.

— E por que isso é uma coisa que você fazia?

Porque foi Ian que me convenceu a fazer, e fiz junto com ele por dois anos.

— Parei mais ou menos um ano atrás, é só uma dessas coisas que você para de fazer.

Tenho a sensação de que ele não acredita que esse seja o único motivo, por isso mudo de assunto para distraí-lo.

— E você? — pergunto, virando o corpo para lhe dar toda a minha atenção. — Que tipo de loucura você já fez?

Finn franze os lábios, pensativo, olhando para a estrada. Ultrapassamos mais uma carreta e entramos na frente dela também. O trânsito está diminuindo à medida  que nos afastamos da cidade.

— Já surfei em cima do capô de um carro. Não foi bem uma loucura, foi mais idiotice mesmo.

— É, muita idiotice.

Ele estica o braço esquerdo e mostra a parte interna do pulso.

— Caí daquela porra e abri um corte no pulso sei lá como. — Olho para a cicatriz de 5 centímetros que segue da parte de baixo do polegar para o braço. — Rolei na estrada. Rachei a cabeça. — Ele aponta para o lado direito da nuca. — Levei nove pontos aqui e mais 16 no pulso. Nunca mais faço isso.

— Bom, espero que não — digo severamente, ainda tentando ver a cicatriz através do seu cabelo castanho.

Finn segura o volante com a outra mão e pega a minha, pondo seu dedo indicador sobre o meu para me guiar.

Chego mais perto, deixando que ele mova a minha mão.

— Foi bem... aqui — ele diz, ao encontrar a cicatriz. — Tá sentindo?

Sua mão solta a minha, mas eu a olho por um momento.

Voltando a prestar atenção na cabeça dele, olho e corro o dedo por uma linha claramente irregular no couro cabeludo, e separo seu cabelo curto com os dedos. A cicatriz tem uns 2 centímetros e meio. Passo o dedo nela mais uma vez e tiro a mão relutantemente.

— Você deve ter muitas cicatrizes — digo.

Ele sorri.

— Não muitas; tenho uma nas costas onde Nick me bateu com uma corrente de bicicleta, girando como se fosse um chicote (faço uma careta e cerro os dentes). E  quando eu tinha 12 anos, tava levando Noah no guidão da minha bicicleta. Bati numa pedra. A bicicleta virou pra frente e jogou nós dois no concreto. — Ele aponta para o nariz. — Quebrei o nariz, mas Noah quebrou um braço e levou 14 pontos no  cotovelo. Mamãe achou que a gente tinha batido num carro e tava mentindo só pra livrar a nossa cara.

Continuo olhando para o seu nariz perfeito; não vejo nenhum sinal de que já tenha sido quebrado.

— Tenho uma cicatriz esquisita em forma de L no lado de dentro da coxa — Finn continua, apontando o lugar. — Mas essa eu não vou te mostrar. — Ele sorri e segura o volante com as duas mãos.

Fico vermelha, porque bastaram mesmo dois segundos para começar a imaginá-lo tirando a calça para me mostrar.

— Ainda bem. — Rio, e me apoio no painel para levantar um pouco minha camiseta da Smurfette. Vejo que ele está me olhando e isso me dá uma sensação estranha na barriga, mas eu a ignoro. — Fui acampar uma vez — digo —, pulei de umas rochas na água e bati numa pedra, quase me afoguei.

Finn franze a testa e estica o braço, roçando os contornos da pequena cicatriz na minha anca. Um arrepio sobe pela minha espinha até a nuca, como se algo gelado estivesse correndo no meu sangue.

Ignoro isso também, o melhor que posso.

Deixo a camiseta cair no lugar e me encosto no banco.

— Bom, ainda bem que você não se afogou. — Seus olhos se enchem de ternura.

Sorrio para ele.

— É, ia ser péssimo.

— Com certeza.




Notas Finais


Ai ai esse dois 😋🔥

Até!❤


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