História Entre a Razão e o Coração - Capítulo 1


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Categorias Orgulho e Preconceito
Personagens Charles Bingley, Elizabeth Bennet, Fitzwilliam Darcy, Jane Bennet, Personagens Originais
Tags Bennet, Darcy, Elizabeth, Orgulho, Preconceito
Visualizações 16
Palavras 3.941
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Estória completamente escrita. Serão 22 capítulos que pretendo postar semanalmente, então, não se preocupe, tem final. Como sempre nas minhas estórias, final feliz para o nosso casal preferido. Não segue exatamente a linha do tempo de Orgulho e Preconceito e não tem fidelidade histórica. Pouca angústia (a vida já tem tanta não é mesmo?) Espero sinceramente que você se divirta.

Capítulo 1 - DarcyCarlileElizabeth


Fanfic / Fanfiction Entre a Razão e o Coração - Capítulo 1 - DarcyCarlileElizabeth

1 – Darcy/Carlile/Elizabeth

Darcy

Darcy atravessou os campos de Hertfordshire a toda velocidade com seu cavalo, tentando deixar o sonho vívido que teve para trás. Desde que chegara em Netherfield e a conhecera, sonhar com ela era parte de sua rotina, mas nunca tinha sido tão real quanto o sonho daquela manhã. Elizabeth em Pemberly, pensou e balançou a cabeça com força, como se para afastar o pensamento.

Em seu sonho, Darcy chegava à sua casa ancestral após um dia de trabalho e parava na porta para admirar a visão que tinha diante de si. Dentro da mansão, Elizabeth estava distraída sentada em um sofá com um livro na mão. Uma sobrancelha estava arqueada, como ficava quando ela estava contemplando um desafio, ou o provocando. Seus lábios estavam levemente curvados em um sorrido. Ela era linda. Ele deu um passo em sua direção e ela se assustou, mas quando viu quem era, abriu o sorriso que ele tanto adorava e correu em sua direção, se atirou em seu abraço e o beijou na boca apaixonadamente. Em seguida, ainda em seu abraço, ela roçou os lábios em sua orelha ao sussurrar: “Eu te amo, meu marido.” E foi exatamente nesse momento que Darcy acordou.

Ele estava irritado com ela, e mais ainda com ele, por ser tão fraco e se deixar afetar por ‘essa ninguém.’ Ele, um dos homens mais importantes e ricos da Inglaterra, cobiçado por cada senhorita da sociedade e por suas famílias. Ele que poderia escolher qualquer mulher, transtornado devido a um simples sonho com alguém que não significava nada em seu círculo. Sem perceber, ele levou as mãos aos lábios, sentindo um leve formigamento onde Elizabeth o tinha beijado no sonho.

Darcy correu os campos durante várias horas naquela manhã, mas de nada adiantou. A imagem de Elizabeth em Pemberley não saia de sua mente. Ele estava muito mais envolvido do que queria admitir. Começou, então, a fazer seu caminho de volta para Netherfield. Tinha que encontrar uma maneira de voltar para Londres, não Pemberley. Ele não conseguiria encarar sua propriedade naquele momento... não com a visão dela lá.

Ele entrou na grande residência o mais silenciosamente possível. Já não bastava sua mente perseguindo imagens de Elizabeth, ele tinha que aguentar a Srta. Bingley o perseguindo. Como ele se irritava com suas maneiras afetadas e o esforço artificial para agradar e concordar com tudo que ele falava. Elizabeth nunca faria isso. A mente dela era muito independente, e ela era muito inteligente. Elizabeth poderia enfrentar qualquer coisa. Ela poderia fazer o que ela quisesse se não fosse as restrições que a sociedade impunha para as mulheres. Ele sabia que as regras sociais diziam que ele deveria se casar com alguém como Caroline, o que era uma perspectiva aterrorizante, principalmente porque ele sempre teria a pessoa de Elizabeth para comparar com qualquer mulher que ele poderia considerar a se casar.

Entrou na biblioteca e pegou o livro que estava lendo na noite anterior, mas não conseguiu ler nem os primeiros parágrafos. Colocou o livro sobre a mesa ao lado do sofá, e jogou a cabeça para trás. Pensamentos de Elizabeth o provocando, com um brilho em seus belos olhos, seus comentários sempre tão inteligentes e impertinentes e o sorriso naquela boca que ele tinha provado no sonho, mas que já foi capaz de levá-lo à beira de seu autocontrole, enchiam sua mente. Esfregou as mãos no rosto com um suspiro alto: “Eu tenho que tirá-la da cabeça. Eu preciso.” Infelizmente para Darcy, ele não percebeu que já não estava mais sozinho.

“Tirar quem da cabeça Darcy?” Bingley estava parado dentro da biblioteca, olhando divertido para o amigo sempre tão reservado e composto. Darcy sentou-se com o susto, suas costas eretas e os olhos arregalados fitando Bingley. Um segundo depois, ele já vestia sua máscara de indiferença. “Ninguém.” Respondeu se levantando para sair.

“Nem pensar Darcy. Não adianta tentar fugir. Eu tenho notado você distraído há dias. E agora que eu tenho uma leve pista do motivo, você não vai sair até me contar. Quem é ela?” Bingley não se lembrava de se divertir assim há anos. Darcy apaixonado? Nunca tinha acontecido. Bingley nunca achou que o veria afetado por alguém. Ele sabia que estava sendo invasivo, que estava forçando seu amigo, mas naquele momento não importava. Ele tinha que saber.

“Vamos Darcy, ajuda se você conversar com um amigo. Você sabe que pode confiar em mim. ” Darcy fitou seu amigo um pouco constrangido e um pouco irritado. Ele não queria falar. Falar deixaria ainda mais real. Mesmo assim poderia ajudar a dar a desculpa que ele precisava para fugir para Londres mais rápido.

Bingley estava esperando Darcy falar, mas como o silêncio se prolongou, ele tomou a tarefa para si. “Vejamos quem poderia ser. Com certeza não é Caroline, você nunca demonstrou o menor interesse por ela. Na verdade, até eu me irrito com ela perto de você. Casar com ela faria com que você acreditasse ser o homem mais perfeito do mundo e seria insuportável.” Bingley riu da própria piada, mas Darcy apenas revirou os olhos. “Também não acredito ser a Srta. Bennet. Você nunca conversou muito com ela, exceto para perguntar de sua saúde. Sem contar que eu teria que desafia-lo para um duelo, e eu realmente não estou pronto para morrer pelas suas mãos.” Dessa vez foi Darcy quem riu e Bingley revirou os olhos. Mas então, Bingley se iluminou com a revelação, abriu um enorme sorriso e olhou para o rosto já constrangido e corado de Darcy. “Srta. Elizabeth, é claro! Como eu não percebi isso antes? É tão óbvio. Quando ela está perto você simplesmente não tira os olhos dela. Você sorri para ela, e isso já é muita coisa. E eu juro Darcy, ela é a única pessoa, homem ou mulher, que já derrotou você em um debate. Só pode ser ela.”

Darcy sentou-se novamente no sofá, cotovelos apoiados no joelho e as mãos no rosto. Ele continuou calado. Bingley sentou-se de frente para ele. “Por que você parece tão perturbado Darcy? A Srta. Elizabeth é uma mulher maravilhosa. É uma das pessoas mais divertidas que eu conheço. Tenho certeza que ela levaria muita felicidade para sua vida.”

Darcy levantou a cabeça e olhou nos olhos de Bingley com uma expressão torturada. “Eu tenho certeza que sim, ela traria muita felicidade, mas o que mais?”

Bingley fitou seu amigo sem entender por um momento. O que era mais importante do que felicidade? Ele pensava. Mas Darcy continuou. “Ela não tem fortuna, conexões, sem mencionar aquela família totalmente imprópria para um homem na minha posição. Eu não posso nem cogitar uma ligação com ela. Não, Bingley, eu não posso.” Ele balançou a cabeça e continuou. “A Srta. Elizabeth não faz parte de nosso círculo social e nunca fará, infelizmente essa é a realidade. Eu simplesmente terei que esquecê-la.”

Bingley tinha deixado toda a diversão para trás. Durante o discurso de Darcy ele tinha percebido outro fato. “Quer dizer que você acredita, por consequência, que a Srta. Jane Bennet também não serve para mim?” Perguntou irritado.

“Desculpa Bingley, mas não. Ela não serve.” Darcy não queria dizer isso, mas seria melhor. Ele nunca tinha visto seu amigo tão envolvido por uma mulher antes. Talvez tão envolvido quanto ele mesmo.

Bingley levantou-se e andou de um lado para o outro da biblioteca. Ele sempre queria a benção de seu amigo para suas decisões, mas dessa vez, ele cogitava seriamente passar por cima da opinião de Darcy. “Eu não acredito nisso. Acho Jane Bennet perfeitamente certa para mim. Eu não ligo para o que os outros dirão. Eu tenho que ser fiel à minha própria felicidade.”

“Você se esquece, Bingley, das nossas responsabilidades para com nossa família? Casando-se com a Sta. Bennet, você estaria ligado à família dela para sempre. O que suas irmãs vão pensar disso? Qual será a consequência para elas? E o que a própria Srta. Jane sentirá ao sofrer os preconceitos da nossa sociedade?” Darcy queria fazer Bingley enxergar a luz. Sabia que suas palavras estavam machucando o amigo. Ele mesmo estava machucado com todos os argumentos contrários à uma conexão com Elizabeth, mas era necessário.

Bingley passou as mãos pelos cabelos várias vezes antes de falar. “Ok, Darcy, vou considerar o que você falou. Mas peço que você também considere o que eu vou falar agora: a Srta. Elizabeth não ficará solteira para sempre. Se você sente algo por ela e resolver não fazer nada a respeito, vai ter que conviver com o fato de que um dia, alguém vai acha-la tão encantadora quanto você acha, e esse alguém vai fazer dela uma esposa.”

Darcy não falou nada, mas sentiu uma pontada no peito. Não podia suportar sequer o pensamento de Elizabeth com outro. Ficaram em silêncio por um minuto, até Bingley mudar de assunto abruptamente, sua voz ainda sombria. “Eu vim até à biblioteca para lhe dizer que eu convidei John para Netherfield e ele aceitou. Ele estará chegando amanhã.”

Darcy se sentiu grato. O Sr. John Carlile era como um irmão. Ele o conhecia desde criança. “Fico feliz que ele tenha aceitado. Quem sabe alguém imparcial possa ser de alguma ajuda. Mas por favor Bingley, nenhuma palavra sobre o que eu lhe contei. Não tenho a menor inclinação em fazer algo em relação a isso e não quero mais pessoas sabendo. Mesmo que este alguém seja John.” Bingley concordou com um aperto de mãos e saiu da biblioteca, deixando Darcy com muito em que pensar.

Carlile

O Sr. John Carlile estava cavalgando completamente perdido. Ele nunca estivera em Hertfordshire antes e estava tendo dificuldade para encontrar Netherfield, principalmente depois de ter pedido informações para um senhor levemente alcoolizado em Meriton. Ele parou para olhar ao redor, esperando encontrar alguém, entretanto parecia que a única alma viva naquele local era ele. Naquela parte da estrada, havia uma bifurcação, o fazendo ainda mais perdido.

Um dos caminhos claramente levava para cima de uma pequena elevação, e deste caminho ele começou a escutar um lindo canto de mulher. Uma voz tão suave e envolvente que fez seu coração acelerar. Não resistindo, ele desmontou, amarrou seu cavalo em uma árvore fora da estrada, e seguiu o som.

Andando poucos minutos no caminho que levava à elevação, ele se deparou com uma clareira um pouco isolada. A mulher misteriosa continuava a cantar uma canção alegre. A voz dela era hipnotizante. Ela estava sentada em uma rocha alta, inclinada para trás apoiada por uma mão. A outra mão passando pelos cabelos, que estavam soltos e balançando ao vento. Carlile ficou petrificado pela visão. Ela era linda e sensual como nada que ele tinha visto antes. Sem conseguir evitar, ele permitiu que seus olhos passeassem pelo corpo dela e se deliciou com as belas curvas. Seus cabelos escuros contrastavam com sua pele alva. Virando as costas para o decoro, ele ficou mais alguns minutos a observando. Ele sabia que estava se intrometendo em um momento privado. Era muito impróprio estar sozinho com uma mulher em tal local e pior ainda, daquela forma. Se alguém os visse, ele teria que se casar com ela, ou arruinar sua reputação. Naquele momento, ele não ligava nem um pouco para a primeira opção.

Ao fim de seu canto, ele se aproximou. Quando ela percebeu a presença dele não conseguiu reprimir o grito de horror que escapou de seus lábios. Tremendo de pavor, ela o encarou com um rosto corado. “Vire-se de costas por favor senhor, até que eu prenda meus cabelos.”

Carlile rapidamente virou-se. “Desculpe-me senhorita. Eu não queria assustá-la.” Falou constrangido. “Eu estava na estrada e escutei seu lindo canto. Foi impossível não segui-lo.” 

Ela estava mortificada. Nunca aconteceu de alguém flagrá-la em um momento tão descuidado. Ela não respondeu ao estranho.

“Senhorita, por favor, me perdoe. Eu não queria me impor. Na verdade, eu estou perdido. Estava procurando alguém para pedir informações quando escutei sua voz. Foi irresistível, eu precisava descobrir quem era.”

Ela tinha prendido os cabelos o melhor que pôde e andou para colocar-se de frente para o estranho. Com a mandíbula tensa, ela o encarou. “Senhor, acho melhor irmos para um local menos isolado. Essa situação é muito imprópria e eu não quero ser colocada em uma situação escandalosa.”

John notou que ela estava irritada com sua interrupção, e por algum motivo, a achou ainda mais atraente. “Claro, senhorita. Perdoe-me.” Ele se afastou andando de volta para a estrada.

Ela o seguia de uma distância segura. Ainda estava assustada e irritada. Não tinha ideia de quem era o estranho. “O senhor disse que estava perdido. Posso perguntar onde está indo, senhor?”

Carlile respirou aliviado. Se era devido a maneira mais civil com que ele estava sendo tratado, ou pela oportunidade de um esclarecimento do local onde estava, ele não podia determinar. “Eu estou indo para Netherfield. Poderia ser tão bondosa em me ajudar a chegar ao local?”

“Claro. É muito fácil. Há apenas duas estradas a nossa frente. Uma delas o senhor já descobriu onde leva. A outra o levará onde deseja. Apenas haverá uma nova bifurcação no caminho. O senhor tomará a estrada da direita. Estará em Netherfield em poucos minutos.” Eles passaram a caminhar em direção à tal bifurcação.

John fitou a bela mulher que estava próxima a ele. Ele não estava preparado para uma despedida. Então, lhe ocorreu outro curso de ação. Era irresistível. “E eu posso perguntar se muitas estradas de Hertfordshire levam à clareiras com fadas cantoras, senhorita?”

Ela corou escarlate, mas não era uma mulher de se envergonhar à toa, então, sorrindo e com a cabeça erguida, ele o respondeu. “Não acredito que exista qualquer fada por aqui, senhor.”

John sorriu para a pequena atrevida a sua frente. Geralmente as mulheres da sociedade corariam e abaixariam a cabeça pelo elogio, mas não essa mulher. “Uma ninfa da floresta então?”

Ela riu. “Acho que não senhor. Mas minha mãe tem uma ótima descrição para o que o senhor encontrou na clareira.”

Carlile a olhou com curiosidade. “E eu posso saber o que seria senhorita?”

Com uma sobrancelha arqueada e um brilho nos olhos, ela respondeu. “Minha mãe diria que se tratava de uma criança mal educada, impertinente e selvagem.”

Nesse momento, eles tinham atingido a bifurcação. Ela fez uma reverência ao estranho, e com um bom dia, tomou o caminho da esquerda, direto para Longboard, deixando John Carlile completamente encantado.

Tarde demais ele percebeu que não tinha se apresentado a ela, e nem mesmo tinha perguntado seu nome, de tão enfeitiçado que estava. Uma fada, uma ninfa, uma linda mulher..., pensou enquanto tomava o caminho que o levaria rapidamente a seu destino, exatamente como ela tinha explicado. Ele precisava contar essa experiência para Darcy e Bingley. Talvez eles saberiam quem era a sua senhorita misteriosa.

Carlile chegou em Netherfield um dia antes do previsto. Ele sempre foi assim. Nunca ligou muito para convenções sociais, principalmente quando era em relação a amigos de longa data. Ele conheceu Bingley por meio de Darcy e logo ficaram muito amigos. Ambos eram parecidos em temperamento. Quanto à Darcy, era como um irmão. Carlile era apenas dois anos mais velho e herdara uma propriedade tão grande quanto Pemberley, vizinha a Rosings Park, em Kent. Como Darcy passava todas as páscoas com sua tia Lady Catherine de Borgh, ambos cresceram juntos.

Ele entrou na casa e para seu desgosto foi recebido pela Srta. Caroline Bingley. Ela era a típica mulher da alta sociedade londrina: artificial e previsível. Quando ele e Darcy estavam por perto, ela não sabia escolher quem ela queria agradar mais. Era irritante.

“Ora, Sr. Carlile, que grande prazer em revê-lo. Não esperávamos sua chegada hoje, mas é ótimo que possamos tão rápido desfrutar de sua companhia.” Caroline estava radiante. Mais uma possibilidade de escalada social. Entre Carlile e Darcy, qualquer um serviria.

“Muito gentil como sempre, Srta. Bingley.” Disse Carlile, com uma pitada de ironia que passou despercebido por Caroline. “ A senhorita poderia ser tão amável em informar seu irmão da minha chegada inesperada?”

Antes de Caroline responder, Carlile ouviu uma voz animada saindo da biblioteca: “John, meu velho, não esperava por você hoje, mas que bom que está aqui. Bem-vindo a Netherfield. ” Bingley ficou aliviado ao ver seu amigo. A conversa que acabara de ter com Darcy o tinha perturbado e seria bom uma terceira pessoa para conversar sobre Jane. Alguém que poderia entende-lo, e não o desencorajar. Carlile sempre foi muito mais aberto do que Darcy.

“Obrigado. É muito bom estar entre amigos Charles. Darcy está aqui ou cavalgando pelos campos?” Carlile estava ansioso para contar seu encontro na clareira para seus amigos na esperança de descobrir a identidade da linda jovem.

“Darcy está aqui, na biblioteca.” Bingley respondeu sorrindo.

Carlile não perdeu tempo. “Ótimo. Preciso contar algo para vocês dois. Srta. Bingley, peço desculpas por roubar seu irmão tão rápido e não lhe dar as devidas atenções.” Caroline não estava feliz, mas não demonstrou. Sorriu da maneira afetada de sempre e fez um reverência em direção ao senhor. Bingley e Carlile foram em direção a biblioteca.

Entraram encontrando um Darcy com o rosto triste. Assim que notou os amigos, vestiu rapidamente sua máscara de indiferença, se levantou e foi em direção a Carlile. Era um alívio tê-lo por perto. O lembrava de sua família e de suas responsabilidades. “John, fico feliz em vê-lo. Como sempre de maneira imprevisível.” Darcy estava sorrindo para seu amigo de infância.

“Imprevisível, mas pela acolhida que tive até agora, não indesejável.” Carlile estava contente por estar entre dois dos melhores homens que conhecia. Como velhos amigos que eram, se abraçaram fraternalmente.

“Preciso contar algo que aconteceu agora comigo, um pouco antes de chegar aqui. Espero que vocês possam me ajudar.” Bingley e Darcy se olharam em diversão. Carlile era aquele tipo de pessoa que sempre tinha alguma história para contar, e invariavelmente era divertida. Então, passou a contar em detalhes sobre seu encontro acidental com a dama misteriosa.

Ao final de seu conto, Bingley estava rindo e Darcy estava pálido. Rápido de raciocínio, ele sabia de quem se tratava. A pontada no peito que tinha sentido com as palavras de Bingley mais cedo voltaram mais fortes do que nunca. “E então meus amigos. Vocês tem alguma ideia de quem possa ser?”

Carlile estava ansioso quando Bingley ainda rindo, respondeu. “Com certeza não é meu anjo, graças a Deus. A Srta. Jane é loira, e eu duvido que ela seria tão ousada para agir dessa forma. Quem você acha que é Darcy?”

Darcy estava quieto, perdido em pensamentos. Bingley, então, percebeu o que se passava na cabeça de Darcy e no mesmo instante ficou apreensivo. Olhou para Darcy com um olhar significativo que passou despercebido por Carlile, que naquele momento fitava Darcy em expectativa. “Eu não tenho ideia de quem seja. Você sabe que eu não presto muita atenção nas pessoas.” Darcy disse tentando soar indiferente.

Carlile revirou os olhos e voltou a encarar Bingley. “Você não tem ideia de quem seja mesmo? Nem um palpite?”

Bingley olhou para Darcy apenas para vê-lo balançar a cabeça levemente com um olhar ameaçador. “Não tenho nenhum palpite John. Mas vamos ter um baile aqui em Netherfield daqui três dias e talvez você possa encontra-la.”

Darcy olhava para Bingley aterrorizado. Ele não conseguia pensar em nada para falar ou fazer. Ele pediu licença dizendo que retornaria em breve e saiu da biblioteca em direção ao seu quarto o mais rápido que pode. Lá, ele deitou em sua cama e fechou os olhos gemendo. “Isso não pode estar acontecendo.”

Elizabeth

Elizabeth voltou para Longbourn ainda constrangida, mas entretida pelo acontecimento anterior.  Com certeza o estranho era amigo do Sr. Bingley e do Sr. Darcy. Como eles, era também um cavaleiro de posses, facilmente percebido pelas vestimentas e pelo brasão na sela do cavalo. Ela queria compartilhar a história com alguém, mas não poderia. Sabia que se contasse que passava várias horas em uma clareira isolada com os cabelos soltos e cantando, estaria em sérios apuros. Ela riu com o pensamento de sua mãe descobrindo tal entretenimento.

“Qual é a graça Lizzie?” Jane se aproximou da irmã sorrindo. Ela sempre podia contar com Elizabeth para se divertir com suas histórias absurdas.

“Eu só vou contar se você prometer que nada do que eu falar será repetido.” Elizabeth arqueou sua sobrancelha para a irmã.

“Você sabe que eu não conto. Quantas histórias eu já ouvi de sua boca e que nunca foram repetidas?” Jane olhou para a irmã com uma expressão curiosa. Quando Elizabeth pedia segredo, coisa boa não era.

“Ok, vou contar. Mas você vai se escandalizar.” Elizabeth contou tudo o que aconteceu na clareira em detalhes.

“Oh, Lizzie. Como você pode ser tão descuidada? E desde quando você passeia por lá? Você consegue perceber o risco que correu? Ele parece ser um bom homem, mas poderia não ser. Oh, Lizzie, quando teremos paz com você?” Jane era sempre a voz da razão. Mas a verdade era que a história de Elizabeth tinha sido muito divertida e Jane estava se controlando para não rir. Não resistindo, perguntou a irmã como era o estranho.

“Ele é alto, acredito que quase tão alto quanto o Sr. Darcy. Seus cabelos são castanhos claros e ele tem belos olhos verdes. Posso dizer que ele tem uma figura bastante agradável. Mas fique tranquila Jane, não é tão bonito quanto o seu Sr. Bingley.” Lizzie ria enquanto Jane corava.

“E é mais bonito do que o Sr. Darcy?” Jane disse provocando. Ela desconfiava da forte rejeição que Elizabeth sentia por ele.

“O Sr. Darcy não pode ser chamado de bonito Jane. Ele é arrogante e orgulhoso demais para tal adjetivo.” Ninguém é tão bonito quanto o Sr. Darcy. Elizabeth pensava irritada. Odiava o homem, mas tinha que admitir, desde a primeira vez que o viu tinha certeza que não encontraria outro homem mais bonito. Pena que ele abriu a boca e acabou com o encanto.

“Deixando de lado a aparência, Jane, o que você acha desse senhor? Será que ele é amigo de um certo cavalheiro que recentemente se mudou para a vizinhança?” Elizabeth ainda estava se divertindo.

“Provavelmente. Acredito que as mães da região, incluindo a nossa, ficarão em êxtase. Você sabe o que significa, certo?”

Elizabeth olhou para Jane revirando os olhos. “Mamãe ficará ainda mais insuportável.”

Jane deu a Elizabeth um olhar de advertência. “Isso significa, também, que como mamãe já decidiu que eu vou me casar com o Sr. Bingley, um certo alguém será destinado ao novo convidado de Netherfield.”

Elizabeth deu uma grande gargalhada. “Oh, Jane, isso vai depender qual é o valor de mercado do nobre cavalheiro. Se ele for tão rico quando o seu Sr. Bingley, mamãe com certeza vai pensar que eu sou totalmente inadequada para ele e vai empurrar alguma de nossas irmãs. Provavelmente Lydia, que é a segunda favorita. Além do mais, eu serei uma eterna solteirona Jane. Homem nenhum me aguentaria. Nem minha família aguenta.” Elizabeth riu ainda mais com a própria piada.

“Não brinque com isso Elizabeth. Você sabe que todas nós amamos você. Nós só nos preocupamos.” Jane a contradisse olhando sério nos olhos de Elizabeth, mas acrescentou sorrindo. “Você tem que admitir que dá um pouco de trabalho, às vezes.”

Elizabeth riu com mais vontade do que antes. “Você está certa como sempre Jane. Como sempre.”



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