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História Entre amor e vingança - Capítulo 57


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Notas do Autor


Como havia dito antes, os momentos de calmaria da obra acabaram.
Agora, os personagens irão se desenvolver mais e seguir seus caminhos.
Afinal, estamos relativamente próximos da reta final?
E estou aliviada por ter conseguido inspiração e criatividade para chegar até aqui.
Se tudo der certo, esse ano eu termino Entre amor e vingança.

Pois bem, o capítulo de hoje aborda um pouco da relação de Dinesh com o Kiran e a relação da Sakura com o Yatori.

Tenham uma boa leitura!

Capítulo 57 - A minha decisão


Fanfic / Fanfiction Entre amor e vingança - Capítulo 57 - A minha decisão

Kiran POV’s On

Após jogar o quinto livro em cima da mesa de madeira, sento na cadeira respirando fundo. A enorme biblioteca da nossa mansão estava repleta de livros sobre todos os tipos e é o melhor lugar para descobrir o paradeiro da pedra do fogo. Porém, passar dois dias seguidos procurando informações e não encontrar nada diminuiu as minhas esperanças.

A mamadi saiu para resolver algo na cidade, Maya estava no colégio e o meu querido irmão em seu escritório – na mansão – organizando uma papelada. Por mais que doa admitir, ele está dando tudo de si pela empresa e a economia ergueu-se esse mês. Dentre as mineradoras, estamos em quinto lugar no ranking mundial. Quando o baldi era o dono, chegamos a ocupar o terceiro lugar. Então, devo reconhecer como o bhai está fazendo um bom trabalho.

— Pelo visto, ainda não encontrou o lugar da pedra. — uma voz masculina ecoa na biblioteca.

E falando no diabo...

— O que você quer, Dinesh? — pergunto seco.

— Queria te ajudar na sua pesquisa. — ele responde aproximando-se em passos lentos, pegando uma folha de papel da mesa mas eu a puxava de sua mão com brutalidade. — Ei! Eu realmente quero ajudar!

— A única coisa que você sabe fazer é estragar tudo.

— Que rude. — finge estar ofendido, sentando-se na mesa ao meu lado. — O elemento fogo, não é?

— Sai daqui! — grito irritado.

Dinesh apenas dá nos ombros, fazendo pouco caso do meu surto de raiva e analisando as folhas. A minha vontade de socar sua face só aumenta, mas uma coisa é fato: ele é extremamente inteligente. Por isso, sua ajuda pode ser útil nessa jornada. Ao abaixar a folha, meu irmão ergue a sobrancelha com uma expressão inquisitiva.

— Como não percebeu, Kiran?

— Não percebi o que?

— O fogo é o símbolo da paixão, é o ícone dos apaixonados. Talvez seja o momento perfeito para vocês se declararem!

Retiro o que disse, Dinesh não é inteligente.

— Tá maluco?! — exclamo. — Não vamos para um passeio romântico ou coisa do tipo, estamos em uma missão para salvar o mundo!

— Nossa, como você é lerdo. Se não investir, alguém tomará a Sakura de você.

— A Sakura não é um objeto, ela não pertence à ninguém! — reclamo cruzando os braços. — E eu já disse para sair daqui!

— A paixão pode ser interpretada de outra forma. — ele comenta ignorando minha raiva. — A paixão é uma doação de corpo e alma... Acredito que vocês precisem se doar, literalmente, para esse último elemento.

— O que alguém como você sabe sobre paixão?

— Eu já amei na vida, como todo homem. — Dinesh dizia olhando-me de canto e voltando a analisar os livros, pegando um em especial e o folheando. — Esse elemento exigirá a total dedicação de vocês. Eu imagino que seja como um teste final.

— Teste final? — arqueio a sobrancelha confuso.

O homem solta um longo suspiro, repousando o livro sobre o colo e apoiando ambas as mãos na mesa de madeira de pinheiro. Mesmo usando um terno, sua postura é completamente descontraída e seu longo cabelo estava solto tocando a região do quadril. Dinesh nunca se importou com julgamentos devido à sua aparência, por isso optou por deixar o cabelo comprido apesar de ser contra o padrão de um empresário. Ele é assim. Quebra padrões e cria suas próprias regras.

— Essa é a última pedra, certo? — ele questiona e concordo com a cabeça. — Essa tal deusa vai querer saber se vocês estarão prontos para o desafio final: a purificação da espada.

— Até que tem sentindo.

— Mas é claro, eu nunca falho. — comenta convencido. — Eu já o ouvi comentar como a água é forte mas o elemento fogo é o mais complicado de todos. O fogo precisa estar em completo equilíbrio com o usuário: se ele for fraco não causa danos ao oponente, se ele for forte machuca o próprio usuário. — Dinesh apoia a mão no queixo pensativo. — Também é o elemento da ascensão.

Agora, estou de queixo caído com tamanha linha de raciocínio do meu irmão. Ele continuava a analisar os livros em cima da mesa com um semblante descontraído, diferente do seu lado convencido de segundos atrás. Nesse momento, Dinesh concentrava-se unicamente em juntar pistas para a minha jornada com a Sakura.

Em questão de minutos, a mesa estava repleta de folhas pelos cantos e um imenso mapa-múndi no canto. Ele começa a fazer algumas perguntas sobre os locais aos quais fomos referentes às outras pedras e circulava conforme eu dizia. Então, dava alguns passos para trás a fim de analisar melhor o anagrama e ergue o olhar para minhas orbes douradas.

— Sei onde é o próximo local.

— Como assim, Dinesh?

— Cada local dos elementos representa um continente. A pedra da terra estava no Egito, ou seja, África. A pedra do ar na França, país da Europa. E, se não me engano, o Triângulo das Bermudas faz parte da América. Sabe onde fica o templo de Amaterasu?

— No Japão. — respondo confuso.

— Na Ásia, por isso não será nessa região. Só nos resta dois continentes: Antártica e Oceania. É óbvio que não há nenhum elemento relacionado ao fogo na Antártica, ou seja, a única opção é a Oceania.

Estreito os olhos pensando no sentido de suas palavras.

— E em que local da Oceania, especificamente? — pergunto curioso.

— Nova Zelândia, Ilha Norte. O Monte Egmont.

— Por que tem tanta certeza?

— É um vulcão ativo em uma ilha, existe lugar melhor para esconder a pedra do fogo? — ele questiona apoiando as mãos na mesa, inclinando o corpo para frente enquanto fitava o mapa. — Lembra-se das histórias de Amaterasu com o demônio?

Concordo positivamente com a cabeça, ajeitando-se na cadeira e o encarando curioso. Pela primeira vez em anos, presto atenção nas palavras do meu bhai com foco total pois reconheço a sua incrível inteligência. Mesmo que a gente não se dê bem, é impossível ignorar o fato de que ele é qualificado para assumir a presidência da empresa.

— O baldi nos contava que a Amaterasu precisou conter a fúria do demônio, rodeando-o com seus sentimentos. — Dinesh continuava a explicar, gesticulando com um ar de seriedade. — O fogo é a representação de emoções fortes como a raiva e o sentimento pode significar a água.

— O que você está querendo dizer é que a pedra do fogo foi neutralizada ao redor da água? — deduzi.

— Isso mesmo, bhaya! — exclama alegre ao ver que não o tratava com tanta hostilidade. — Estamos falando de uma metáfora para “Ilha”. Por isso, o mais óbvio é que a pedra do fogo esteja neutralizada em uma. O Monte Egmont tem a peculiaridade de ser ativo periodicamente e eu acredito que seja por causa do fluxo de energia mística na região. Então, não resta dúvidas de que esse seja o local escolhido por Amaterasu para abrigar a sua última pedra.

— Você é incrível, Dinesh!

Esse involuntário elogio escapou dos meus lábios nos deixou surpreso, principalmente o Dinesh que arregalou os olhos. Nós dois ficamos em silêncio por um bom tempo até o bhai decidir falar:

— Lembra daquela semana na casa de praia no Brasil? Você levou uma bronca da mamadi por querer entrar na água após o almoço.

Sem ao menos perceber, estou sorrindo feito bobo ao lembrar daqueles tempos. Nosso baldi havia comprado uma casa de praia no litoral do Rio de Janeiro, onde passávamos a semana do carnaval na região. O show de cores e luzes na rua prendeu toda a minha atenção. Naquela época, eu apenas tinha sete anos e o meu bhai tinha dezessete. Dinesh tinha me colocado em seus ombros para fitar o desfile por ser baixo demais. No outro dia, aproveitamos a piscina mas recebi uma bronca da mamadi por querer brincar após o almoço. Como sempre, o Dinesh conversou com ela para que não pegasse pesado pois eu era muito novo para entender.

— Foram bons tempos. — digo sorrindo involuntariamente. — Você me ensinou a nadar naquela semana. Bem, tecnicamente, fui jogado na água e não tive muita escolha.

Dinesh solta uma risada descontraída, jogando a cabeça para trás enquanto batia a mão contra a mesa.

— Ao menos, aprendeu!

E, mesmo com todo o ódio que carrego dele, permito-me rir também diante de memórias tão agradáveis. Algo em meu interior gritava que Dinesh ainda era o jovem imaturo que escolhia péssimas companhias e, no fundo, possuía um bom coração.

Sakura POV’s On

A sequência de socos contra o saco de areia parecia não ter fim e só parei quando a região latejava enquanto alguns pingos de sangue escorriam em minha pele. Ao dar alguns passos para trás, ajeito a bandagem preta entre os dedos e desvio a atenção para a grama.

Muita coisa havia mudado desde o sequestro de Miku. Diferente do início da vingança, eu estou agindo de forma mais racional e não permito que meus sentimentos atrapalhem nas mortes. O Thomas Adams é o meu alvo principal por ter articulado tudo desde o início, mas não posso esquecer do quinto homem. Ele ainda é uma incógnita para mim e, mesmo lembrando de seus traços, sequer sei o seu nome. Por mais que queira alimentar essa preocupação boba, lembro-me que Kiran sempre traz informações sobre a próxima vítima.

Desta vez, não será diferente.

A conversa com Tomio abriu minha mente em relação a uma coisa: todos os cinco são do mundo de negócios. E isso explica o porquê Kiran saber tanto sobre a vida de cada um deles. Por esse motivo que optei por permanecer em silêncio quanto ao Thomas. Havia somente uma dúvida quanto àquele diálogo com o miserável: quem é Dinesh? Segundo Tomio, não parece passar de um amigo deles mas talvez esse homem possua informações importantes sobre aquele dia.

Eu queria perguntar ao Kiran se ele conhece esse tal Dinesh mas não quero envolvê-lo mais do que já está. Afinal, ele também possui uma empresa e seria péssimo se isso trouxesse prejuízos.

Então, continuo os socos no saco de areia sentindo a adrenalina voltar para o corpo e, temporariamente, deixando tais questionamentos de lado.

(...)

O dia do baile de outono chegou mais rápido do que o esperado. Meu pai tirou várias fotos minhas com a fantasia alugada e, mesmo à contragosto, forcei um sorriso a cada flash. Apesar de nunca admitir em voz alta, sentia-me bela com aquela roupa.

O longo vestido acinzentado tinha um volume abaixo dos quadris – típico da roupa de princesa – e possuía um brilho sutil no tecido, assemelhando-se à seda. Na região traseira, o vestido era aberto e a camada interior continha belos traçados junto com um laço da mesma cor na área das costas. O sutil decote em formato de coração realçava o volume dos seios, além de combinar com a gola no pescoço que terminada com um laço atrás. As luvas longas de tonalidade cinza iam até os cotovelos. O meu cabelo estava preso em um coque profissional – feito pela cabelereira da esquina – envolto por uma fita branca, formando outro laço. Para finalizar, usava sapatinhas pratas escondidas pela longa saia do vestido quase tocando o chão como aquele usado no dia que matei o Tomio.

Devido as cores claras, usei uma maquiagem sutil e um batom neutro nos lábios.

Após a mini sessão de fotos, meu pai me levou até o colégio. Eu passei a maior parte da viagem encarando a lua no céu, iluminando toda a cidade e refletindo em minhas íris escuras. Quando o carro parou, sinto um inexplicável frio na barriga e respiro fundo.

— Está bem, filha? — meu pai pergunta preocupado.

— Estou sim. — minto e abro a porta do carro. — Obrigada. Eu ligarei quando der a hora de voltar para casa.

— Tudo bem. — ele sorria. — Diz para o Kiran que eu mandei um “oi”.

Enquanto meu pai ligava o carro, sorrio involuntariamente ao lembrar que ele e o Kiran se tornaram ótimos colegas de “trabalho”. O indiano gostava de discutir questões empresariais e parece ter encontrado a pessoa perfeita para debater tais assuntos.

Ao entrar na quadra de esportes – usava como salão para a festa –, olho tudo ao redor maravilhada. Os balões e fitas coloridas espalhadas das paredes até o teto, um globo girando no teto e uma mesa com comidas típicas da estação. Uma música calma tocava no momento e aproximo-me mais do centro ao fitar o meu parceiro do baile.

Yatori estava simplesmente perfeito como príncipe. A camisa social branca combinava perfeitamente com a calça da mesma tonalidade, além das luvas curtas brancas em suas mãos. Por cima da camisa, usava um terno cobre onde os traços eram cobertos por linhas de ouro – principalmente na região da gola, mangas e bolsos. Havia uma espada prata presa em sua cintura e um broche dourado em formato de coroa na região do peito.

— Está linda! — Yatori exclama ao se aproximar, segurando minha mão e depositando um breve sutil beijo na região enquanto inclinava o corpo para baixo. — Como sempre.

— O-Obrigada. — sorrio sem jeito com o elogio, entrelaçando nossos dedos. — Vamos?

— Sim!

Posicionando-se no centro do salão, começamos a dançar uma lenta valsa. Para a minha surpresa, Yatori possuía talento em seus movimentos pois girávamos com graciosidade. Meus olhos estavam focados nos seus, apreciando a calma de sua expressão. Estar com ele trazia paz, conforto e calmaria; era uma mistura de emoções sutis que se manifestavam subitamente em meu coração.

Quando damos mais um giro no salão, desvio o olhar para o “casal” que entrava no local. Hannah usava uma camisa e meias listradas junto com uma saia preta. A sua maquiagem completamente branca com foco no contorno dos olhos pintados de preto evidenciavam a fantasia de mímica. Porém, a minha total atenção vai para o Kiran.

Ele usava uma fantasia perfeita de policial. O uniforme completamente preto combinava com a bota de couro da mesma dor e os distintivos dourados na região do peito – além daqueles nos ombros. Seu cabelo solto tocava os ombros, as mechas bagunçadas de forma intencional e algumas sobre o rosto. Um par de algemas e uma arma de brinquedo presas em seu cinto, junto com walk-talk. Em sua cabeça, havia um quepe da polícia onde o símbolo estava bordado no centro.

Com toda certeza, essa era a melhor fantasia da festa.

Eu poderia admirá-lo por mais tempo se meu parceiro de dança não tivesse dado um giro repentino, fazendo-me ficar de costas para o Kiran. Então, a única opção era continuar dançando e voltando a atenção para o loiro de olhos azuis.

Durante a dança, refleti sobre os acontecimentos recentes. Havia dois homens para matar e já possuo informações de um deles: Thomas Adams. Contudo, minha maior intriga girava entorno do quinto culpado. Quem é ele? Por que não consegui nenhuma informação sobre seu paradeiro? E será que esse tal Dinesh sabe onde ele está?

— Você dança tão bem, Sakura.

Demoro alguns segundos para voltar ao Planeta Terra, sorrindo fraco e fazendo uma reverência.

— Você também, Yatori.

Do outro lado do salão, Kiran e Hannah dançavam uma valsa lenta sem quebrar o contato visual. Os dois possuíam uma sincronia inegável, tanto por serem estrangeiro quanto por terem muito em comum. Hannah não parava de sorrir toda boba olhando no fundos dos olhos dele enquanto o jovem permanecia com uma expressão descontraída.

Saio dos meus pensamentos ao sentir a mão quente do Yatori segurar a minha, puxando-me até a mesa de comidas.

Kiran Yamir POV’s ON

Hannah não tirava os olhos de mim, o que me deixava sem jeito. Desviando o olhar para o lado, encaro a Sakura e o Yatori rindo juntos ao lado da mesa. Eles eram um casal perfeito e tinham tudo em comum – palavras tiradas de boatos que ouvi – por isso, as chances de voltarem a namorar eram altas.

Desde que apareci na vida da Sakura, muita coisa ruim aconteceu com ela e dói admitir que o Yatori possa ser a melhor opção para trazê-la felicidade. Mesmo assim, eu não quero desistir. Se eu percebesse uma chance, ao menos uma, iria agarrá-la com toda a força que possuo.

— Anda pensativo, Kiran. O que houve? — comenta Hannah ao final da dança, caminhando em direção a um sofá no canto da quadra e puxando-me junto. — Está se sentindo mal?

— Não, não. — sorrio para tranquilizá-la. — Só me questiono se estou aproveitando bem o Ensino Médio, afinal esse é o nosso último ano.

— Acredito que sim. Eu sempre pensei que o Japão seria um lugar chato mas até que é divertido. E, nele, eu pude te conhecer.

Às vezes, sinto que as palavras de Hannah possuem intenções escondidas. Ela é uma garota legal, isso é inegável, mas algo dentro de mim tem um péssimo pressentimento sobre a sua pessoa. Não é uma intuição simples, trata-se uma sensação relacionada a minha reencarnação como demônio.

Pensar nesses assuntos, remete-me às descobertas sobre o elemento fogo. Dinesh ajudou-me nos estudos durante todo o dia e até abandonou as obrigações da empresa pelo bem dessa jornada. Ele está provando ser uma pessoa melhor do que antes, dando toda a atenção possível para a família. Como essa era a última semana do outono, ele levou a Maya para o parque de diversões – já que ele pararia de funcionar no inverno devido à neve – e a pequena chegou toda eufórica contando sobre o passeio. Dinesh também ajudou minha mãe na cozinha e a ensinou a cozinhar com tamanha destreza que, atualmente, ela até se arrisca a preparar o almoço.

Mas ainda não consigo confiar nele.

— O que você sente pela Sakura? — Hannah pergunta, arrancando-me uma exclamação surpreso.

—N-Nada.

— Você não me engana. — responde séria. Seu olhar frio causa-me calafrios por breves segundos e ela disfarça com um sorriso bobo. — Sabe que eu odiaria te ver magoado, por isso quero te dizer algo.

— O que?

— A Sakura ama o Yatori. Isso está óbvio e eu percebi seus sentimentos por ela, mas não acha que está apenas se magoando cada vez mais? — ela questiona e permaneço de cabeça baixa em resposta. — Deixe os dois namorarem e siga em frente. Você se humilhou demais por esse sentimento mas o amor não é assim. Eu deveria chamar isso de “tortura” e...

Não escuto nada demais do que Hannah diz ao ouvir a palavra “tortura”. Em minha mente, posso ouvir claramente meus gritos quando era criança e o som do chicote batendo contra o meu corpo. Os insultos por ser a reencarnação do vilão da lenda. Por que um garotinho precisou pagar por algo que não tinha culpa? Eu não escolhi nascer. Todas as noites sem comer, eu pedia para os deuses trazerem meus pais para me salvarem. Os hematomas pelo corpo doíam mais a cada dia pois eram cutucados sempre, além das feridas que não permitiam que se fechassem.

Nesse momento, eu precisava de um abraço apertado e palavras de conforto pois todo o meu corpo começou a tremer. Hannah apoiou a mão em meu ombro preocupada, perguntando o que estava havendo comigo mas sou incapaz de responder. Então, desvio o olhar para Sakura e Yatori que saíam do salão de mãos dadas. Involuntariamente, uma lágrima escorre do canto do meu olho e abaixo a cabeça.

Sakura POV’s On

Após dançar um pouco mais e comer, decidi levá-lo até a sala de aula pois havia algo que precisava ser dito. Yatori foi muito paciente esperando para a retomada do nosso namoro durante esses meses, por isso precisava fazer da forma correta.

Ao chegar no local, apoio ambas as mãos na janela aberta sentindo a brisa noturno bater contra minha pele. Por um instante, sinto uma paz interior e calma em meu ser; um momento que dura tão pouco ao lembrar do porquê estou aqui.

— Estou tão feliz que tudo voltou ao normal entre a gente. — Yatori comenta alegre, posicionando-se ao meu lado e fitando a lua. — Imagino que veio para cá para ter um pouco de privacidade e...

— Yatori, você cometeu um engano. — respondo interrompendo sua fala, conseguindo sua atenção após tal feito. — Eu vim aqui para comunicar a minha decisão.

— Decisão?

— Sobre a tomada de nosso relacionamento. — digo erguendo o olhar para a lua. — Devo admitir que agi como uma criança te afastando e evitando, como se essa fosse a solução. Por isso, sei que merece uma resposta sincera.

Após falar, viro meu corpo em sua direção aproveitando a curta distância entre nós para encarar seus belos olhos azuis. Yatori permanece em silêncio, ansioso pela minha resposta com o semblante tenso.

— Eu percebi que há muitos impasses em meu coração pois meus objetivos mudaram, que estou cansada de procurar uma felicidade inexistente e... — engulo seco, fechando os punhos ao lado do corpo com uma expressão séria. — Que não estou mais apaixonada por você!

Como o esperado, Yatori arregala os olhos surpreso e esperando algo que indique uma simples brincadeira da minha parte, mas não encontra. Então, abaixa o olhar entendendo que essa era a minha resposta final. Enquanto o observava, tirava a coroa da minha cabeça e a jogava no lixeiro ao lado. Essa atitude o deixou surpreso, fazendo-o voltar o foco para meu rosto.

— Estou farta que fingir! — exclamo. — Desde de certos acontecimentos, estou decidida a ser sincera comigo mesma, por isso percebi recentemente que eu não te amo mais. Eu acredito que nós poderíamos voltar a namorar antes, mas agora é tarde demais.

Meus olhos vão de encontro à coroa no lixo, as pedrinhas falsas reluziam devido à luz da lua sobre a sua superfície. A minha franja escondia a expressão vazia, uma representação de como eu me sentia por dentro... Uma pessoa vazia. Desde que a Miku foi alvo daqueles miseráveis, uma parte boa de mim morreu e temo nunca mais recuperá-la; dessa maneira, aceitar parece mais fácil do que continuar lutando.

— Eu não almejo um casamento, um final feliz como nos contos de fadas... — murmuro cabisbaixa. — Eu só quero um final, independente do que seja. Seria muito egoísmo da minha parte te puxar para esse abismo, então estou te libertando dessa confusão. Na verdade, estou te libertando de mim.

— Mas, Sakura...

— Eu sou apenas uma garota comum, cheia de problemas. Bem, era assim que eu pensava. — solto uma risada seca de pura dor. — Mas... Eu percebi que não posso ter uma vida normal, não mais. Eu errei e estou pagando pelos meus erros.

Pela primeira vez, senti as consequências da vingança e elas envolviam machucar pessoas especiais. Perder a Miku foi difícil, não quero que o mesmo aconteça com o Yatori – ou pior. Então, abandonar esses sentimentos é a escolha mais sábia.

— Eu sou muito grata por ter me amado, muito grata mesmo. — agradeço com sinceridade, abrindo um leve sorriso e fitando-o intensamente. — Mas precisamos seguir em frente de uma vez por todas.

Começo a andar lentamente, erguendo as bordas do longo vestido enquanto Yatori continuava imóvel surpreso com minhas palavras. Mesmo com o olhar cabisbaixo, sentia como se um peso fosse tirado de mim. Eu e Yatori vivemos bons momentos juntos – apesar do namoro ser curto – mas para tudo há um fim. Nós precisaríamos encarar a realidade: não havia mais amor. Aos poucos, percebi que apenas projetava no loiro minhas frustações mas não passava disso.

— Se a minha mãe estivesse viva, ela diria que está orgulhosa de mim. — comento virando o corpo em sua direção, sorrindo levemente corada. — Porque estou seguindo o meu coração.

Yatori abriu um fraco sorriso como se entendesse o sentido de minhas palavras. Ele também sofreu muito com esse relacionamento conturbado, onde houve muitas ofensas e mágoas. Eu errei demais com meu ex-namorado mas contei com seu apoio mesmo assim, por isso a gratidão é um sentimento que sempre terei comigo ao se lembrar do seu sorriso.

— Obrigada, meu primeiro amor. — digo antes de fechar a porta, saindo da sala.

Eu o amei com tudo que tinha mas as circunstâncias nos afastaram. Sou grata por tê-lo ao meu lado e por ter sido uma incrível pessoa; porém mentir sobre meus sentimentos não é justo. Ele precisava saber o que havia em meu coração.

Finalmente, entendi que não poderia amar. Não enquanto não terminasse essa vingança.

 


Notas Finais


E temos o desfecho do casal Sakura x Yatori.
Os dois tiveram ótimos momentos, compartilharam emoções e sentimentos.
Mas tudo precisa chegar ao fim, mesmo que seja dessa forma.
A Sakura mudou muito depois que perdeu a Miku, vendo com mais clareza os sentimentos em seu coração (nesse caso, a ausência dele).
E o medo dela perder o Yatori também contribuiu indiretamente para tal decisão.

Mas o loiro ainda estará presente na obra <3
Óbvio que com menos enfoque que os demais personagens.
Particularmente, eu gostei muito de explorar esse casal pois eles tinham tudo para dar certo mas circunstâncias alheias à vontade deles o separaram, então só resta cada um seguir o seu caminho.
Para quem shippava esses dois, desculpa.

Mas ainda há várias emoções na obra que podem surpreender.
A Sakura ter rejeitado o Yatori não quer dizer que ela escolherá o Kiran...
O final será bem "diferenciado".

Obrigada pela leitura!


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