História Entre Artigos e Sentimentos - Capítulo 3


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Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Haechan, Jeno, Jisung, Mark
Tags Donghyuck, Haechan, Mark, Markhyuck, Nct
Visualizações 85
Palavras 4.374
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção Adolescente, Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Obrigada de coração a todo mundo que lê e comenta a história! ♥

Vou dizer aqui a mesma coisa que falei em PHR: Me desculpem por não estar respondendo os comentários de vocês, eu não tô tendo tanto tempo livre, e prefiro deixar que eles acumulem pra eu poder elaborar uma resposta mais bonitinha depois, eu leio todos com muito carinho e atenção, ok? Cada palavrinha de vocês me importa e me incentiva muitooooo

Espero que vocês gostem do capítulo, ficou bem grandinho e clichê, hehe

Só um avisinho: não sintam raiva do Jisung antes da hora TT

Boa leitura!

Capítulo 3 - E se?


Quarta-feira, 7 de fevereiro.

 

 De manhã cedo, precisei correr tudo o que não corri durante a semana passada. Devido ao frio, o treinador ficou doente, e, consequentemente, os treinos foram cancelados até que ele volte de sua licença, então já são quase dez dias desde a última vez que me exercitei devidamente.

 Após reler aquele e-mail mais de dez vezes, foi uma tarefa árdua consegui pegar no sono. Ah... Eu pensei em tantas coisas.

 Eu quis gritar por diversos motivos: o endereço fofo de Donghyuck, o seu senso de humor, o apelido, a sua gentileza, a figura do gatinho.

 Seria muito estranho dizer que pensei em imprimir e colar na minha parede?

 Sim? Ok, então vamos ignorar isso.

 Estar apaixonado é uma das coisas mais loucas que podem acontecer com alguém. Quando em minha vida, eu imaginaria que apenas um e-mail poderia tirar o meu sono e me fazer sentir pássaros brincando em minha barriga?

 Fantasiei o nosso encontro do dia seguinte de tantas maneiras, que acabei indo dormir depois das duas da manhã. E hoje... Bem, eu acordei quase meia hora mais tarde que o normal.

 Precisei pular o café da manhã e quase não consegui terminar de secar meus fios de cabelo após o banho. Me restou enfiar uma touca na cabeça e uma barra de cereais na mochila, saindo para encontrar os irmãos Park.

 Eu não contei a Ae Ra sobre a mensagem que recebi de Donghyuck. Depois de debater um pouco, cheguei à conclusão de que talvez eu devesse manter ao menos esta em segredo, pois... Foi algo muito especial para mim.

 Não digo no sentido de eu ser um hoobae que está sendo orientado por seu gentil sunbae, mas sim por sentir que as palavras de Donghyuck para comigo foram um pouco mais do que isso.

 Eu... Estou sendo um pouco exagerado, não? Porém, infelizmente, o coração gosta de tapar os nossos olhos algumas vezes.

 Durante as aulas da manhã, Ae Ra insistiu em dizer que eu estava no mundo da lua, sorrindo para o nada e rabiscando meu caderno mais vezes do que normalmente faço, mas eu apenas sorria para ela e dizia estar ansioso para o horário do clube.

 Jisung quase não disse nada, mas eu podia sentir seu olhar em nós dois. Os seus ouvidos sempre estão atentos em nossas conversas, embora não diga nada.

 Ele está estranho hoje, e tive a certeza disso durante o intervalo.

 Todos os dias nos sentamos na mesma mesa: a mais distante da fila do self service do refeitório. Os alunos geralmente a odeiam, pois fica próxima à porta, que está sempre sendo aberta e fechada, o que causa um barulho incômodo, porém, nós não nos incomodamos muito com isso.

 E claro, também temos uma visão privilegiada do restante dos alunos desse lugar. Embora nem todos saiam da sala de aula para comer, ainda assim é interessante observar os que decidem se aventurar.

 Hoje, porém, fui recebido com uma surpresa.

 Quando havia acabado de me sentar, meus olhos quase instantaneamente capturaram a figura que eu tanto aprecio e pela qual sinto as mãos suarem de nervoso.

 Donghyuck está bebendo uma caixa de leite de arroz enquanto mexe em seu celular, duas mesas a nossa frente. Ao seu lado, está Lee Jeno, a única pessoa com quem sempre o vejo conversar no colégio.

 Ele e Ae Ra já fizeram par em uma apresentação de dança de salão, e Jisung também já esteve no mesmo grupo que si em um seminário. Os irmãos me contam coisas boas sobre a gentileza e boa aparência de Jeno, o que me surpreende um pouco pelo fato de Jisung quase nunca gostar de ninguém.

 Vê-los juntos agora, na companhia um do outro, enquanto conversam despreocupadamente sobre um assunto que ao menos imagino qual seja, faz um sentimento incômodo nascer em meu peito. Não que eu não goste de Jeno, eu apenas... Queria poder ter a chance de estar em seu lugar.

 Qual será a sensação de estar junto de Donghyuck, sem se preocupar com nada? Conversar com ele sobre o primeiro assunto que venha à cabeça, comer em sua companhia, ter o seu número de celular...

 Não foi muito difícil para que meus amigos percebessem que havia algo de errado. Eu de repente fiquei quieto e me concentrei em olhar fixamente para a frente, sem nem mesmo disfarçar que estava secando Donghyuck.

 Ae Ra achou graça, mas Jisung se zangou com a minha atitude. Quando sua irmã se levantou da mesa para ir ao banheiro, ele me agarrou pelo pulso e me fez olhá-lo:

— Você pode parar de agir igual a um babaca pelo menos por um dia?!

— O quê? Do que você está falando, Jisung? Me solta.

— Mark, você sabe do que estou falando. Não acha que já foi longe demais com essa história de gostar desse cara? Está na hora de voltar ao mundo real. Quais as chances de ser recíproco?

 De novo isso? Por que as pessoas não podem simplesmente torcer pela minha sorte?

— Jisung! Eu não escolho de quem gostar, e mesmo se pudesse escolher, ainda sim seria ele.

— Você está vivendo no mundo da lua, Mark, e sabe disso — semicerra os olhos para mim. — Não brinque com fogo.

— Me solta! — resmungo, tentando puxar o meu braço de volta. — Eu sei cuidar de mim mesmo, alright?

— Não consegue fazer uma redação sozinho, mas consegue cuidar da própria vida? Ah, claro.

— Você está me machucando — suspiro. Por que ele está me apertando tão forte? — Pare com isso, vai chamar a atenção das pessoas.

— Preste atenção no que está fazendo, Mark Lee — diz desgostoso, soltando meu pulso de uma vez por todas, me fazendo respirar aliviado e massagear a área dolorida.

 Ugh, isso foi estranho.

 

[...]

 

 Meu caminho até a biblioteca foi mais gelado do que ontem.

 Depois do momento estranho com Jisung durante o intervalo, uma melancolia estranha se instalou em mim. Ae Ra voltou à mesa alegre e tentou puxar assunto, mas eu perdi totalmente a minha vontade de conversar.

 Eu e Jisung não nos falamos mais, ele apenas me direcionou um olhar torto enquanto arrumava os seus materiais para ir embora. Não foi difícil para que Ae Ra percebesse que havia acontecido alguma coisa enquanto ela esteve fora.

 Antes de correr atrás do irmão, minha melhor amiga me deu um abraço apertado e me desejou sorte, sendo carinhosa como é do seu feitio.

 Ontem, a chuva não me incomodava, mas hoje ela parece estar contribuindo para que eu me sinta mais desanimado. Ainda sinto meu braço latejar, mas essa dor é mais psicológica do que verdadeiramente física.

 Eu enfiei as mãos no bolso do moletom, balançando a cabeça e tentando afastar esses pensamentos. Agora eu devo prestar atenção apenas em Donghyuck, e deixar de me chatear com outra briga boba com Jisung.

 A bibliotecária sorri para mim quando eu entro na biblioteca, e dessa vez me chama para ir a até ela.

— Sim, noona?

— Você faz parte do clube de jornalismo, pois não? — eu assinto. — Um dos membros pediu para que você o procurasse na sala de arquivos.

— Onde fica isso? — pisco, confuso, olhando em volta.

— Naquela direção — aponta. — É só seguir reto, é a sala depois da seção de história.

— Obrigado, noona — me curvo, voltando ao meu caminho.

 As estantes da biblioteca em sua maioria estão cheias de pó. Há muita coisa a se limpar por aqui, e apenas uma funcionária não é capaz de dar conta sempre.

 Alguns professores costumam punir os alunos os fazendo limpar e organizar livros antigos, mas o acervo é tão exagerado que, depois de anos, ainda existe muita bagunça por aqui.

 As luzes amareladas não iluminam o suficiente, então todo o ambiente é mais escuro do que deveria ser. Provavelmente este lugar é assustador durante a noite.

 Mesmo que tenha entrado no corredor errado duas vezes, não demorei muito até encontrar o arquivo, que está com a porta entreaberta.

— Donghyuck-ssi? — chamo, inseguro de abrir a porta completamente.

 A maçaneta escapa da minha mão, e a porta é aberta.

 Donghyuck me fita com um sorriso simpático. Ah... Será que meu coração aguentará mais disso?

— Você demorou, Mark-ssi. Pensei que precisaria ir buscá-lo.

— Tem muitos corredores aqui — choramingo.

— Em breve você se acostuma, vamos precisar vir aqui mais algumas vezes. Entre, entre — ele dá espaço para que eu passe, fechando a porta logo em seguida.

 Oh... Aqui é um lugar realmente apertado.

 A sala não é tão grande, e, ainda assim, existem inúmeras estantes utilitárias cheias de pastas e papéis desgastados, amarelados pelo tempo, formando corredores minúsculos. A luz também é pouca, e provém das janelas basculantes em uma das paredes.

 Donghyuck... Está próximo.

— O que vamos procurar? — coço a nuca, tentando ignorar o quão nervoso fiquei.

— Se lembra do tema do artigo?

Brexit?

Aish, você pronuncia isso melhor do que eu que vou escrever...

— Compreensível, eu sou fluente em inglês.

Mimimi, eu sou fluente em inglês, mimimi — Donghyuck repete a minha frase, usando uma voz forçada e fina, me fazendo rir. — Eu quem sou o sunbae, eu deveria ser melhor que você em muitas coisas.

— Mas ainda assim você continua sendo o sunbae, uh?

— Está certo — suspira, se escorando na lateral de uma estante, me olhando.

 Nós ficamos em silêncio, e eu me sinto envergonhado do seu olhar. Por que ele está fazendo isso?

Ahn... O que precisamos procurar?

— Oi?

— O artigo.

— O que tem o artigo? — pisca, perdido.

 Fofo.

— O que viemos procurar para o artigo?

A-Ah, sim, o artigo. Eu preciso encontrar um jornal do ano passado, do dia do plebiscito.

— Certo. E o que eu faço? Eu não sei como procurar isso, para ser sincero. Não sei mexer com jornais — digo baixo, com medo de deixá-lo frustrado.

 Donghyuck me olha durante alguns segundos e então encara o chão, parecendo estar pensando em uma solução para esse problema.

— Você pode... Ficar ali — aponta para um lugar atrás de minhas costas. Eu me viro e vejo que é uma cadeira. — Eu já estou olhando uma pilha de jornais velhos, pode se sentar lá enquanto eu faço isso.

— Então eu não vou fazer nada? — fico surpreso.

— Vai me fazer companhia. Já ouviu falar em apoio moral? — pisca para mim, me fazendo sorrir envergonhado.

 Eu me sento na cadeira e abraço minha mochila, assistindo a Donghyuck se sentar no chão em minha frente, com um monte de papéis em suas mãos. A cada vez que conversamos, ele me surpreende mais um pouco, mostrando mais da sua personalidade.

 Ugh, por que tão gentil e amável? Impossível deixar de gostar dele.

— Donghyuck-ssi — chamo.

— Pois não? — responde, ainda concentrado em ler as manchetes e descartar as que não importam.

— Está com sede?

 Ele para o que está fazendo para me olhar. A sua expressão é tão adorável que eu sinto as mãos suarem.

— Você trouxe...?

 Com uma careta simpática no rosto, abro o zíper da mochila, tirando dela a garrafa de suco que eu havia comprado antes de vir para cá. E... Eu posso jurar que o sorriso que Donghyuck abre é o mais bonito e iluminado que eu já vi na minha vida.

— Você trouxe mesmo! — diz animado, pegando a embalagem que estou lhe estendendo.

 Ele abre a tampa e dá um longo gole.

 Seu sabor preferido é realmente o de uva.

— Ei.

Hum? Sim, sunbae? Não está bom?

— Está perfeito — sorri fraco, parecendo agradecido. — Será que... Eu posso te fazer uma pergunta? Se for pessoal demais, não precisa responder.

 Pessoal demais? Em que ele está pensando?

— P-Pode perguntar.

 Internamente, torço para que ele não tenha suspeitado de nada. Será que estou sendo óbvio demais?

— Hoje no intervalo, uh, eu vi que você e o seu amigo estavam discutindo.

 Uau? Ele estava me olhando?

— S-Sim. O Jisung é um pouco insistente, às vezes.

— Está tudo bem entre vocês? — Donghyuck volta a prestar atenção nos jornais, deixando a garrafa de suco de lado.

— Não muito... Mas isso não costuma durar por muito tempo. Ae Ra, quero dizer, a irmã dele, não nos deixa ficar muito tempo brigados.

— Então foi realmente uma briga?

Ahn... Tipo isso. Ele só está incomodado com algumas coisas.

— Tem a ver com você entrar para o clube?

— Um pouco... Mas eu não acho que vou ser capaz de mudar só porque ele está irritado com isso.

— Esse é um bom pensamento, Mark-ssi. Deveria se orgulhar disso.

— Eu me orgulho — meneio a cabeça.

— Não parece.

— Desculpe? — franzo o cenho, sem entender o que ele quer dizer.

 Surpreendentemente, Donghyuck estende a mão para mim, com a palma para cima. O que ele quer...?

— Sua mão direita.

— Como?

— Me dê ela.

— Ah... Tudo bem — faço o que ele pede, e pelos segundos que minha mão fica no ar, me sinto envergonhado.

 Estou tão ansioso que mal consigo parar de tremer.

 A pele de Donghyuck é quente e acolhedora. Ele me segura e, com cuidado, sobe a manga da minha blusa, mostrando as marcas amareladas em meu pulso, no lugar onde Jisung apertou.

 Em segundos, a garrafa gelada de suco está sendo pressionada contra elas.

Yah! Isso dói.

— Não doeria tanto se tivesse colocado gelo mais cedo — arqueia a sobrancelha. — Segure isso aqui. Acho que podemos voltar para a sala, já peguei manchetes o suficiente.

— Certo!

 Uh, talvez tenha sido culpa do meu nervosismo por Donghyuck ter feito essa gentileza por mim, mas minha cabeça não parece estar funcionando muito bem durante esses minutos, desde que ele deixou claro que estava me observando. Com o total de zero atenção, eu não tomei cuidado nenhum ao me levantar.

 Ele já estava em pé, segurando um monte de jornais, pronto para que voltássemos, porém, o espaço aqui dentro é limitado. Eu me levanto rápido demais e dou um passo para a frente, mas não presto atenção onde estou pisando e acabo enroscando o pé em uma pilha de periódicos no chão.

 Eu tento me segurar na prateleira ao meu lado, mas minha mão escapa por estar úmida pela garrafa de suco.

 Excelent, caindo na frente de Donghyuck em nosso segundo encontro...

— Mar- — ele tenta me chamar, mas já é tarde demais, pois eu agarro na sua blusa tentando não me estrebuchar no chão e passar uma vergonha maior ainda.

 Também parecendo estar tentando impedir que isso aconteça, Donghyuck solta os jornais que está segurando para que tente me segurar, mas o meu peso acaba o desequilibrando também.

 Donghyuck dá um passo para trás e choca as costas contra a estante, enquanto eu seguro em seus ombros e me choco contra o seu corpo.

 E ótimo, agora estamos mais perto do que antes.

— Você... Você está bem? — ele sussurra, e eu sinto o ar quente que sai de sua boca tocar meu rosto.

 Droga... Acho que estou vermelho.

 Ele precisa mesmo me segurar dessa maneira? Suas mãos fazem cócegas em minha cintura.

 Não acho que sou capaz de usar minha voz agora, então apenas assinto à sua pergunta, engolindo saliva, sentindo meu coração inquieto.

 Os lábios de Donghyuck estão tão próximos. E são tão bonitos.

 Oh, shit. Eu realmente estou sendo óbvio olhando assim para ele, não é?

— O seu pé...?

— N-Não foi nada — baixo a cabeça, sem coragem de olhá-lo nos olhos.

 Minhas mãos ainda estão em seus ombros, então as puxo de volta, mas sou impedido por Donghyuck, que segura meus braços. Eu o fito surpreso, e seus olhos se cravam nos meus semelhantes.

 O que está acontecendo? O que é esse olhar?

 Donghyuck por acaso está se aproximando de mim?!

— Mesmo?

 Nós estamos a menos de um palmo de distância. Não imagino onde Donghyuck está com a cabeça para ficar próximo de mim desta maneira apenas para perguntar isso. As minhas pernas estão moles como gelatina nesse momento.

 Eu aceno positivamente, e então ele finalmente me solta, permitindo que eu me afaste.

 Se pudesse, sairia correndo dessa sala nesse instante.

— Que alívio, então — posso estar ficando louco, mas juro que ouvi a sua voz falhar. — Você é um atleta, não? Deve ser difícil se machucar.

 Claro, sou um excelente atleta que mal consegue equilibrar o próprio peso e não tem a mínima capacidade de não pisar em uma pilha de periódicos.

 Realmente, um atleta extraordinário.

— Eu me esforço, não é? — respondo, envergonhado.

Ahn... Fique aqui, eu vou levar outra pilha para lá enquanto você recolhe estes. Tudo bem para você ficar sozinho aqui?

 Yes! Isso, me deixe sozinho, por favor!

— Tudo bem.

— Então... — Donghyuck se ajoelha, pegando um outro monte de jornais que ainda está inteiro. — Estou indo.

 Eu ergo a mão, acenando até o momento em que ele sai pela porta, a fechando e me deixando em meio ao silêncio, junto dos meus pensamentos.

 Sem conseguir me manter em pé, me esparramo na mesma cadeira de antes, ainda não assimilando direito o que acabou de acontecer.

 Sério... Estávamos quase nos beijando ou eu estou ficando louco? Eu tenho certeza de que Donghyuck estava se aproximando mais de mim... Se não era para me beijar, o que ele faria?!

 Aish... Eu estou ficando louco!

 

[...]

 

 Depois daquele acontecimento dentro do arquivo da biblioteca, não consegui me concentrar em mais nada. Eu voltei com Donghyuck para a sala do clube, e apenas fiquei o fitando enquanto ele lia os papéis e anotava coisas importantes em seu caderno de folhas sem pauta.

 Eu costumo chamar esses cadernos de “caderninho de jornalista”. Quase todos que já vi são uma verdadeira bagunça de palavras e informações jogadas, desenhos aleatórios, horários inexplicáveis. Eles têm uma personalidade própria, e eu não acho que seria capaz de manter um desses.

 Sempre me pergunto como é possível que alguém se entenda em meio a essas anotações malucas.

 Nós não trocamos muitas palavras durante o pouco tempo que permaneci por lá, Donghyuck me ofereceu água algumas vezes e perguntava a cada cinco minutos se deveria fechar as janelas por estar frio demais.

 Mesmo que eu estivesse morrendo de vergonha por dentro, fui capaz de me acalmar com as suas palavras gentis.

 Às três e meia da tarde precisei me despedir, havia combinado de acompanhar minha avó no supermercado. Donghyuck andou comigo até a porta da biblioteca e continuou acenando até o momento em que eu passei pelos portões do colégio.

 Ele é verdadeiramente atencioso... Como um sunbae deve ser para o seu hoobae.

 Por enquanto, é apenas isso que sou para ele.

 Agora já passam das dez da noite. Eu estou em meu quarto, sentado na cama enquanto seguro uma bolsa de gelo em meu pulso.

 Jisung irá me pagar caro por eu precisar estar usando isso em pleno inverno...

 Está tudo em silêncio, e eu estou parado na mesma posição há muito tempo. É embaraçoso admitir, mas eu ainda estou repassando a cena entre mim e Donghyuck em minha cabeça; é praticamente impossível parar de pensar no momento em que chegamos tão perto.

 Eu pude segurar em seus ombros, e ele em meu corpo, mesmo que não pelo motivo que eu desejo há tempos. A sua respiração esteve próxima da minha, e o seu rosto... Quase junto ao meu.

 Ah, é horrível estar apaixonado.

 Mas, pela primeira vez, estou com dúvidas acerca de uma coisa... Se realmente tivesse acontecido algo... Eu teria sido capaz de prosseguir com isso?

 Não sei se tenho a capacidade de conseguir beijar alguém. Na realidade, eu nunca cheguei a pensar que a possibilidade disso acontecer seja real, mas esse pequeno acidente fez eu me questionar acerca disso.

 Mesmo que seja quase impossível... E se Donghyuck me beijasse?

 Esse é um dos meus sonhos mais distantes. A sua boca é uma das coisas que mais gosto de observar em sua beleza depois dos seus olhos brilhantes, e eu fico nervoso por pensar mais nela do que no próprio beijo.

 Eu realmente não quero estragar as coisas...

 Já tive diversas oportunidades de beijar alguém – de nada adianta mentir para mim e para os outros dizendo que me faltaram chances. Nunca ter encostado minha língua em uma alheia foi uma escolha somente minha, embora nesse momento eu esteja me arrependendo disso.

 Ser inexperiente nem sempre é bom.

 E, vergonhosamente, também admito que me deixei levar pela ideia de ter um primeiro beijo romântico com a pessoa que gosto. Ae Ra constantemente me diz para que eu deixe isso de lado, pois com certeza vou acabar me decepcionando, mas não é como se eu conseguisse arrancar essa vontade de mim, principalmente enquanto gosto e sonho tanto com Lee Donghyuck.

 Dou um suspiro, sentindo uma pontinha de tristeza em meu coração. Agora tenho mais uma coisa para me preocupar...

 Jogo a bolsa de gelo que segurava no chão e me deito na cama, mais chateado que o normal. Só espero que eu tenha uma boa noite de sono...

 Ouço batidas leves na porta, e ela se abre, mostrando os meus avós em pé no corredor. Minha avó está usando um vestido bonito e brilhante, com um casaco grosso nos ombros, enquanto meu avô está com uma jaqueta grossa, mas não menos estilosa.

 Os dois sorriem para mim.

— Já está indo dormir?

— Sim, mama.

— Eu e o seu avô estamos indo à festa que te falei ontem. Tem mesmo certeza de que está tudo bem em ficar sozinho? — eu assinto para ela. — Vamos deixar os alarmes ligados. Boa noite, filho.

— Boa festa para vocês.

 Meus avós acenam para mim, apagando a luz e saindo do quarto. Eu ouço suas vozes por alguns segundos, mas logo os percebo descendo as escadas para a sala. A porta da frente bate menos de um minuto depois.

 Dou um suspiro alto e me deito de barriga para cima, esparramando os braços no colchão. Que grande preguiça estou sentindo...

 Um barulho estranho chama a minha atenção, e percebo que a tela de meu celular está acesa. Há mensagens chegando sem parar, e minha curiosidade me impede de apenas continuar deitado e ignorá-las.

 Quando digito minha senha, não me surpreendo ao ver que eram mensagens vindas de Jisung.

 

Conversa com parkpark~

 

(23:03)
Não vou me arrastar implorando desculpas para você, falou?
Mas reconheço que fui um pouco longe demais dessa vez. Você se machucou para valer?
E eu estou sendo sincero... Não foi Ae Ra quem me obrigou a enviar isso.
Você está bem?

 

(23:06):
Realmente, também acho que você foi longe demais, Jisung...
Porém, não tem sentido que eu continue bravo contigo por algo que já passou, certo?
Está bem tudo, não precisa se preocupar, só está um pouco amarelado, estou colocando gelo para melhorar

 

(23:08)
Não era a minha intenção... Você sabe como eu me descontrolo às vezes.
E eu não perguntei só sobre o seu braço.
Você ficou triste comigo?

 

(23:09)
Não precisa se preocupar, são só uns sentimentos bobos
Já passou, sim?
Você não precisa perguntar essas coisas para mim, eu sei que você não gosta

 

(23:10)
Você sempre reclamou de mim por eu nunca perguntar sobre isso, agora que eu estou disposto não venha me dizer para parar.
Estou fazendo isso porque estou preocupado.
Essas coisas nunca foram “só uns sentimentos bobos” para você... É sério, foi mal. Eu não queria ter sido tão grosso contigo.

 

(23:13)
Eu não vou morrer, não precisa ficar assim, haha
Você já está desculpado, sabe que não fico com raiva por muito tempo

 

(23:15)
Raiva? Você é mesmo capaz de sentir algo parecido com isso?
Eu sei que você não vai morrer, mas existe uma pequena chance de que você chore até desidratar...

 

(23:17)
Jisung, sendo sincero
Você não precisa me tratar assim
Eu tenho noção de que ligo muito para sentimentos e me magoo fácil, está certo? Você e Ae Ra me dizem isso quase todos os dias
E se não bastasse, os meus avós também...

 

(23:19)
Sabe, Mark... Ano passado, quando você entrou na nossa sala, eu lembro de você se apresentando e não conseguindo dizer nada além do seu nome e um cumprimento ridículo em inglês.
Você pareceu mais perdido do que qualquer pessoa que eu já havia visto na vida, e eu nunca vi alguém tão apavorado por estar começando em uma escola nova, mas até que era compreensível, você estava vindo do Canadá, e não do bairro ao lado.
Eu decidi dar uma chance para a sua amizade porque você alguém muito fácil de se ler, está sempre estampado em seu rosto o quão inseguro e frágil você é, apenas pessoas idiotas insistem em te achar um fuck boy.
Nós ficamos próximos, e eu tive certeza de que foi o certo, já que você ganhou confiança com tempo, principalmente depois de ficar amigo da minha irmã. E sabe, nós dois meio que te adotamos. Nossa mãe até reclamou algumas vezes sobre o tanto que nós falamos sobre você.
É difícil para mim, ver você simplesmente se entregando de bandeja a Donghyuck... Não que eu esteja te chamando de atirado, eu só estou preocupado com o fato de que você está entrando na sala de jornalismo como se lá fosse o céu, mas na verdade é o inferno. Entende isso?
A questão principal talvez nem seja Donghyuck.

 

(23:30)
Uau...
Eu... Uau!
Jisung, eu te amo tanto :( Você é o melhor amigo do mundo
Eu entendo totalmente a preocupação de vocês, é por isso que não consigo ficar bravo quando ouço coisas que me magoam vindas de vocês dois
Mas... Você consegue me entender? Eu realmente gosto do Donghyuck
E ele é legal! Eu queria tanto que vocês conversassem
Jisung, ele é gentil, e repete para que eu não fique sozinho com outras pessoas se não ele...
Eu estou assumindo esse risco de gostar dele... Mesmo que vocês não aprovem isso, eu não vou abrir mão do Donghyuck

 

(23:35)
É, eu já imaginava isso...
O que posso fazer, não é mesmo?
Eu não mando no seu peito.

 

parkpark~ enviou um contato

 

(23:37)
Esse é o meu pedido de desculpas final.
E só avisando: quando ter o coração quebrado, chore em cima do travesseiro da Ae Ra, e não do meu. Comprei fronhas novas semana passada.

 

(23:39)
Jisung? Isso é mesmo o que eu estou pensasando?
Eu esstou trmendo

 

(23:40)
Como é exagerado...
Sim, Mark
Esse é o número do Donghyuck

 

(23:42)
Eu não acredito
Commo vvocê???!!!

 

Desejar adicionar o número aos seus contatos?

Qual nome deseja dar ao seu novo contato?

O número foi salvo como meu coração ♥


Notas Finais


Onde foi que você encontrou esse número, em Jisung? 🤔


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