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História Entre as Sombras e o Abismo - Capítulo 7


Escrita por:


Notas do Autor


Aqui tem mais das crianças pestes para vocês!
Espero que curtam!

Capítulo 7 - T1 E7 - Crianças.... AFFFFF!!!!!!!!




 

Minerva esperou pacientemente as aulas do turno da tarde se encerrarem,  e aproveitou para pôr em dia os assuntos com Huang Hua. No final da tarde, um secretário levou Nike até elas, a pedido da Diretora.

-Boa sorte Minerva… Na dura tarefa de dobrar a Rina…

-Vou precisar! - Disse ela rindo - Vamos, Nike. 

Minerva entrou no elevador comunitário com Nike, que segurava a mão dela e a apertava nervosamente, e pediu ao ascensorista:

-Sétimo andar por favor. 


 

-Ai… Será que eles vão concordar? - Choramingava Nike - Vovó, você não pode usar os seus poderes de vampiro pra fazer eles te obedecerem?

Minerva riu da esperteza da menina.

-Eu até poderia, querida… Mas quando eles percebessem, não confiariam mais em nós… Não é mesmo? E isso não é legal. Sua mãe ia ficar muito zangada conosco. 

Nike fez um beicinho.

-Mas se ela não deixar eu ir, eu é que vou ficar zangada com ela! Vou fugir de casa! Vou morar na floresta com você! Nunca mais ninguém vai me achar!


 

-Mas você acha que eles não iriam encontrá-la lá em casa? Todo mundo sabe onde eu moro… - E vendo que Nike já tinha os olhos cheios de lágrimas, Minerva a pegou no colo. - Fique calma, meu amor, sua mamãe só tem medo de que alguma coisa ruim aconteça a você, porque ela ama muito você. Então nós precisamos convencê-la de que é seguro você ir. Mas para isso, você precisa ficar tranquila, e me deixar falar sozinha com ela, está bem? Vou deixar você com seu pai, antes de falar com a Rina. 

-Tá bem… - Disse ela fungando - Eu vou… Vou esperar com o papai. 

O Ascensorista anunciou: 

-Sétimo andar: Estufas, laboratórios! 

Minerva agradeceu, e saiu do elevador com Nike no colo, e dirigiu-se à sala de reunião, onde Bellenus deveria estar. Ela sabia que todos os dias ele esperava por Rina ali, depois do expediente, para descerem juntos para os apartamentos. 


 

Como era esperado, Bellenus lia um livro tranquilamente, sentado em uma das poltronas. Todos os laboratórios já estavam vazios. 

Minerva entrou com Nike no colo, e ao vê-las, Bellenus sorriu para elas.

-Vieram cumprir a missão impossível de dobrar a neurose da Rina? - Brincou ele. Nike pulou do colo de Minerva para o colo de Bellenus.

-Ahhh papai, eu quero ir!!! Eu querooooo!

-Bem… Isso vai depender da diplomacia da Minerva. Como vai, minha querida?

-Vou bem, Bellenus. Você ainda não conseguiu consertar o medo da Rina nem com todas as suas especializações? 

Ele riu e sacudiu a cabeça.

-Como se fosse fácil….


 

-O que você acha, Bellenus, acha que a Nike pode ir comigo?

-Claro! Afinal, ela estará com você!

-Bem, isso nos dá uma vantagem…

Nike estava impaciente.

-Vai, vovó, pára de blábláblá, vai lá falar com ela, vai logo!!!!

-Muito bem… Desejem-me sorte!

Nike começou a roer as unhas, enquanto Bellenus tirava as mãos dela da boca.


 

Minerva deixou-os e dirigiu-se à ante-sala das estufas.

Uma estufa gigantesca, repleta de plantações de todo tipo que se podia imaginar, crescia saudável, sob o olhar cuidadoso da responsável… Rina. A jovem Górgona, mãe de Nike,  era agrônoma, e estava orientando os estagiários do último ano da Academia. Ao ver Minerva entrando, sentiu-se feliz e desesperada ao mesmo tempo… Rina amava Minerva, que foi sua mãe adotiva por algum tempo, quando ela mesma ficou órfã para os Corpos Secos. Mas ao mesmo tempo que estava muito feliz em vê-la, estava apavorada só de pensar em Nike saindo da Torre, ainda que fosse com aquela poderosa vampira que todos amavam, respeitavam e temiam. Nike era a sua bebê, e seria para sempre a sua bebê.


 

Rina dispensou os estagiários, retirou seu jaleco e foi ao encontro de Minerva, que já abria os braços para abraçá-la.

-Oh, Minerva! Por que você quer me tirar a Nike? Por quê????

-Rina, pra que tanto drama? Não quero tirar sua filha de você! É só um final de semana no sítio! Deixa de ser neurótica! A menina não pode crescer numa bolha! - Dise ela, abraçando Rina carinhosamente.

-Pode sim, se os crisais podem morar numa bolha, ela pode também! Não quero que ela corra perigo, não quero que ela fique na mira dos monstros!

-Mas não estamos no inverno, Rina… Ainda faltam quatro anos para a chegada dos monstros, isso se não faltar mais… E você sabe que eu vou cuidar muito bem dela, não sabe?


 

-Como cuidou de mim e da Neeva? Deixando a gente escapar de noite pra namorar no quiosque do QG?

-Eu não me lembro de vocês reclamando na época. O que foi, agora que é mãe, quer criticar a liberdade que eu dei pra vocês? Se não fosse por isso, nem a Nike nem o Nevra teriam nascido. 

-Ai, Minerva, falando assim até parece que a gente saía pra… Pra…

Minerva olhou dentro os olhos dela, e as serpentes brancas de Rina sibilaram.

-E não saíam???

Rina ficou vermelha, e mordeu o lábio.

Minerva continuou:

-E ela só tem oito anos, pode ficar tranquila, que não vai procurar um canto escuro pra namorar… Ainda.


 

Rina fechou a cara.

-Minha bebê só tem oito aninhos, não pode nem imaginar essas coisas!

-Concordo… Ainda…

-E eu e a Neeva não ficamos grávidas quando éramos adolescentes! Foi só depois de casar!

-Ah, claro que não, porque eu obrigava vocês a tomar a poção anticoncepcional…

Rina cobriu a boca de Minerva com a mão, e olhou para ver se alguém estava ali escutando.

-SHHHHHHH!! Pelo amor da Deusa, não deixa a Nike escutar essas coisas! 


 

Minerva estava ficando sem paciência.

-Vamos ser objetivas, Rina. Eu sei que você ama sua filha. Sei que tem muito medo, e de quê você tem muito medo. Eu posso não ter sido a melhor mãe adotiva do mundo, mas eu fiz o meu melhor, cuidei de você e da Neeva como se as tivesse parido eu mesma, com todo amor e precaução… E você está fazendo o seu melhor… Mas não seria bom para ela ter uma vovó também? E se entrosar melhor com os amiguinhos da escola, já que mora com vocês e não na academia? 

-Ela não precisa sair da Torre pra isso, Minerva… Eles podem vir passar o final de semana com a Nike na nossa casa. 

Minerva deu uma gargalhada.


 

-HAHAHAHAHA! Sim, eles vão preferir dormir na Torre do que ir à Floresta… Com certeza. 

Rina estava decidida.

-Mas eu não vou deixar! Ela pode me odiar, mas depois vai entender!

- Mas é só um final de semana longe dessa torre, as crianças precisam de ar puro, brincar na floresta, se sujar de terra…

-Pegar vermes, ralar os joelhos, espetar espinhos nos pés!

-Isso, exatamente! Precisam ser crianças. Me admira muito você, que quis mandar a Nike para a academia, não deixar ela passar um final de semana comigo… É muito mais perigoso ela crescer e querer lutar contra os bichos, somente por ter frequentado a academia. E além disso, posso ensiná-la a se defender, como você aprendeu.


 

Rina sentiu-se balançada. Realmente, Minerva a ensinou a defender-se, ensinou defesa pessoal, ensinou-a a usar arco, espada, bastão… O que não aconteceria se ela tivesse passado a adolescência vivendo com seus próprios pais, caso eles não tivessem morrido. 

-Mas… Bellenus nunca vai concordar!

-Oh, Rina! Bellenus? Ele é psicólogo, e com certeza concorda comigo. Mas você não o deixa falar, então ele pouco se manifesta… Mas se você quiser, podemos ir juntas falar com ele, e tenho certeza de q…

-Não precisa. - Disse ela desanimada - Eu sei que ele já concordou. E por causa disso vai dormir na sala durante um mês!

-Ai. que garota burra é você… Ao invés de aproveitar um final de semana sem filhote, apenas para vocês dois… E se você deixar a Nike ir, ela não precisa saber como você era levada, quando era adolescente...


 

-Isso é chantagem, mãezinha! Isso não se faz!

-Minha querida, você às vezes esquece como as coisas aconteceram... Neeva só morreu, porque insistiu em batalhar. E ela era adulta, dona da sua própria vida, já tinha seu parceiro, já tinha seu filhinho Nevra, e eu nada podia fazer para impedi-la. Você sobreviveu, porque estava dentro da Torre, com os que não lutavam. São as escolhas que traçam nosso destino. As escolhas da Nike vão depender de como ela aprender a lidar com as dificuldades da vida. Deixe sua filha aprender, Rina. É só um final de semana, numa época segura… Eu prometo trazê-la sã e salva de volta. 

Rina viu que não adiantava mais protestar. E além disso, sabia que Bellenus concordava com Minerva. Ele não gostava da ideia de criar a filha numa bolha. 


 

-Mas eu acho… Que se eu estiver por perto, nada de mal vai acontecer à ela… Eu tenho tanta certeza! - Disse Rina, desamparada.

-Eu sei, minha querida. Toda mãe sente isso. E mesmo eu não sendo sua mãe natural, e nem a mãe natural da Neeva, eu sentia a mesma coisa… E veja, vocês cresceram livres de bolhas, para fazer as próprias escolhas… E Neeva me pediu para cuidar de Nevra caso algo lhe acontecesse, e mandá-lo para a Academia. Eu gostaria de tê-lo criado comigo no sítio, mas fiz a vontade dela quando ela morreu… Eu vou cuidar da Nike, eu prometo! 

Rina abraçou Minerva chorando. E chorou, e chorou, e soluçou, até cansar. Minerva dizia palavras de carinho para sua filha adotiva, compreendendo perfeitamente o que uma mãe sentia em relação à sua cria… 


 

Quando Rina parou de chorar, caminhou com Minerva até a sala de reuniões onde estava Bellenus e Nike. Quando a pequenina viu a mãe chegar abraçada com Minerva, e estender os braços para ela, pulou do colo do pai e abraçou a mãe.

-Mamãe, você vai deixar? Vai, por favor, vai, deixa, deixa, por favor………..!!!!!!!!!!!

-Eu… Você pode ir com a vovó… 

-YEYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYY!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Obrigada, eu te amo, te amo muito, mamãe!!! Eu vou obedecer, vou sim, eu prometo!!! E eu não vou mais fugir de casa, viu?

Rina mal respirava e já estava de novo com os olhos cheios de lágrimas. E olhou para Bellenus, que sorria para ela.  Ela fez uma careta para ele, com um olhar de.. “ Vamos conversar depois!!!”


 

-Muito bem, Nike, vá para casa arrumar suas coisas, deixe a mamãe te ajudar a escolher, deverá levar roupas para quatro dias. Rina… Ponha roupas de banho na mala dela, ouviu? Vamos nadar no riacho. Assim que estiver pronta, seu pai pode levar você para me encontrar na Academia. A diretora já me deu os passes para que vocês saiam comigo da Torre. 

Eles desceram juntos no elevador comunitário. Bellenus, Rina e Nike ficaram no andar do seu apartamento, e Minerva continuou até o térreo, onde voltou para a sala de Huang Hua para esperar Nike.


 

Quando estava entrando na diretoria, foi vista por Xisto e Random, que subiam juntos para os apartamentos.

Xisto fez menção de sair do elevador para falar com Minerva, mas desistiu. E Random percebeu.

-É, pai, parece que a Minerva ainda mexe com você, não mexe?

-Cala a sua boca, Random! Não toque nesse assunto!

-Pai, você é tão burro e cabeçudo! Se eu fosse você, eu iria fal….

Xisto interrompeu Random bruscamente.

-Eu não sou você! E cale a sua boca, eu já mandei você nunca mais tocar nesse assunto comigo!!!

E a porta do elevador fechou-se, enquanto o ascensorista fingia não ter escutado nada.



 

*******


 

Ewelein estava tendo um dia péssimo.

Depois de ter sido maltratada por Kero, ter que mendigar o almoço para Karuto, porque chegou atrasada com a Caravana da Saúde, Mestre Zu parecia ter amanhecido ainda mais azedo do que costumava ser, e se não fosse pelos bebês doentes, ela já teria enfiado as bandejas de instrumentos pela goela abaixo do velho.

Apesar de agora conhecer a história daquele velho médico Crisal, Ewelein entendia que nada justificava ele ser tão nojento e insuportável daquela forma. 

Mesmo ela tendo decorado vários capítulos dos seus manuais, ele ainda conseguiu deixá-la insegura, dizendo que ela não sabia nada, que não se esforçava, que não estava estudando… Ewelein esteve à beira das lágrimas inúmeras vezes, mas controlou-se. 


 

Ao final do dia, ela estava exausta, desanimada e irritada. 

A rotina do Domo Crisal era cansativa.

Passavam visita no berçário, depois nas crianças pré-manas. E depois disso, iam ao ambulatório para conferir os adultos, que já tinham terminado de transferir sua cota diária de energia para os cristais da Torre de Eel. 

Todos tinham que ter as maanas mensuradas por aparelhos e precisavam passar pela rotina de exames, para ter certeza de que estariam aptos para voltar a doar energia no próximo dia.


 

Ewelein aprendeu a entender a diferença das inclusões naturais de cristais, das cicatrizes  do corpo deles. E notou que vários deles tinham a mesma cicatriz em um dos ombros. Mestre Zu explicou que aquela era a região escolhida para ser retirada para a geração de um novo crisal. E o crisal que nascia, mantinha a mesma cicatriz exatamente onde o crisal genitor a possuía. Então, todos eles tinham a mesma marca no mesmo ombro. Era uma coisa curiosa, parecia uma costura feita com um fio fino cristalizado, como uma tatuagem tribal. Seria até bonito, se não fosse bizarro… 

Os Crisais se despiam sem cerimônia para os exames, e ela aprendeu a também não se sentir constrangida em examinar seus corpos tão diferentes. 


 

Ao terminarem a rotina do berçário, dos pré-maanas e do ambulatório dos adultos, ela não via a hora de poder ir ao jardim de infância para relaxar no meio das crianças menores… E absorver o máximo de maanas que pudesse para sobreviver àquele dia maldito. Queria só se embriagar com a energia que sobrava dos pequenos.

Depois de mais uma rajada de desaforos, Mestre Zu finalmente a elogiou de uma forma inesperada...


 

-Parabéns, Ewelein, você vai ganhar um troféu por me aturar hoje. Além de ter se mostrado muito perspicaz, inteligente, resistente e persistente, engoliu meia dúzia de palavrões  que gostaria de ter me dito… Não foi?

Ewelein fechou a cara.

-Foram muitas centenas de dúzias, senhor!

Mestre Zu riu da cara de raiva dela. Aquilo mais parecia um teste de resistência.

-Terminamos. Hoje para você é só, aproveite o resto do dia para estudar… E se quiser agora, pode ir brincar com os seus queridos pets… - Disse ele, se referindo ao jardim de infância, e deixando-a ainda com mais raiva dele.


 

Ewelein fez uma reverência para o seu Mestre Xarope, e saiu do berçário, indo direto para o jardim de infância.

Para sua alegria, Gina estava ali com os pequenos, e quando a viu, sorriu para ela.

Ewelein sorriu de volta, e ao aproximar-se, já foi logo cercada pelas crianças.

A energia a invadiu como uma injeção na veia, e ela suspirou aliviada, e sentou-se no chão junto com Gina.

-Como foi a palestra de ontem no Conselho, Gina?

-Foi boa… Apesar de eu ter me sentido numa inquisição de caça às bruxas. - Desabafou Gina. - Às vezes eu gostaria de arrancar algumas caudas daquele desgraçado cheio de rabos… 

Ewe pegou no colo uma das crianças que já subia pelas suas pernas.


 

-De quem estamos falando? - Perguntou Ewe.

-Do Xisto, é claro. Aquele general cretino me tira do sério! É incapaz de reconhecer que Crisais podem pensar!

-Ele é mesmo um, pentelho… Gostaria de ter assistido à reunião. 

-Não perdeu nada… Eu pesquiso, pesquiso, e quando vou expor minhas descobertas para os velhos bolorentos, parece que estou falando com as paredes. Ninguém parecia prestar atenção ao que eu falava… Só não desisto, porque é importante.


 

-Desistir? Nem sonhando! Na próxima, me deixe entrar, eu levarei um apito pra chamar atenção dos velhos peçonhentos. Principalmente do Xisto! Só porque foi ferido em combate, ficou cambeta e sobreviveu, pensa que é melhor do que os outros! Eu conheço bem o jeito arrogante dele… E o Random está indo pelo mesmo caminho! Só porque o pai é um herói de guerra, ele acha que vale mais do que os outros soldados… Vai se dar mal!

-Random é o rapaz oriental que não sai do lado dele?

-É sim. Aquele de cabelos longos e brancos.

-Eu reparei nele.

Ewelein riu.

-Sei… Quem não repara nele? É difícil olhar para outra coisa quando ele está por perto. 

-Mas ele é filho de um Kitsune? Como é possível? Qual a raça faery dele?


 

-Eu sei lá! Ele é filho adotivo do Xisto. A Minerva, a velha Vampira que fazia parte do conselho, e que é mãe adotiva de quase todo mundo,  encontrou ele vagando pela cidade, no meio de um ataque de Corpos Secos, totalmente pelado, como se tivesse aparecido do nada ali… Devia ter uns quatro, cinco anos, era bem pequeno, ele não se lembra de nada de antes… Não sabia o seu nome, nem de onde veio. Simplesmente apareceu ali. Talvez tenha sido trazido por alguma família desabrigada e perdeu os pais, ninguém sabe dizer.

-Lindo e misterioso… Uma combinação interessante, hahaha! E ele tem algum poder, alguma habilidade? 


 

-Que eu saiba, não manifestou nenhuma habilidade mágica ainda. Ele tem a minha idade, já deveria ter aparecido alguma coisa… A não ser que ele seja humano. Mas é um excelente recruta, habilidoso no arco, na espada… Com sua capacidade e com a influência de Xisto no Conselho e na Academia… Em pouco tempo ele provavelmente estará no lugar de chefia que o pai ocupou na Obsidiana. Mas eu não sei o que ele pode ser. Ele nunca adoeceu… Mas já tive a oportunidade de fazer exames de rotina nele. Tem um corpo perfeito, e não forma cicatrizes quando se cura, por pior que seja suas feridas quando se machuca em combate. 

-Interessante. Ele tem… Namorada? Namorado? 

-Eu sei lá! Deve ter, né, um carinha bonito daquele jeito… É um desperdício ficar sozinho… Por quê? Você pretende se candidatar?


 

Gina riu.

-Quem sabe? Estou solteira mesmo! Por que a pergunta? 

-Pensei que Crisais só formassem pares entre si… 

-Por quê? Hahahaha! Você não consegue  imaginar um Crisal beijando um outro faery na boca? 

Ewe ficou vermelha.

-Não é isso… Eu… Eu sei lá! Nunca pensei nisso…

-Em beijar na boca ou em Crisais beijando?

-Em Crisais beijando… Pra mim, vocês sempre foram… Assim… Meio… Divinos…

-Credo, Ewelein! Divinos? Somos faeries como qualquer outro!

-Desculpe, Gina… Não quis ofender. Mas vocês não são faeries como os outros.


 

-Não ofendeu. Apenas abra sua mente, Ewelein… E nos enxergue como iguais… Por mais esquisitos que possamos parecer… Somos iguais aos outros.

Um barulho de coisas quebrando interrompeu a conversa das duas, que voltaram o olhar para a direção do barulho.

O pequeno Treze havia derrubado inteirinha a estante de tintas, e vários frascos se quebraram, emporcalhando todo o tapete emborrachado do chão, e ele já se lambuzava todo de azul.

-Treze! - Gritou a jovem professora que veio correndo do outro lado da sala - Você se machucou?

Treze sacudiu a cabeça, dizendo que não, mas tinha tinta por todo o corpo.

As outras crianças começaram a rir, e Gina e Ewelein levantaram-se para ajudar a professora a limpar aquela melequeira toda.


 

Treze foi se afastando dos outros, e quando ninguém mais prestava atenção nele, pegou uma cadeira e colocou em cima de uma das mesinhas, subindo nela. 

Seu objetivo era aquele mesmo… Distrair a atenção para poder olhar pela janela, uma pequena escotilha redonda que vivia fechada. 

Ele alcançou a janelinha e a destravou, atirou por ela uma bolinha de borracha e se debruçou com meio corpo para fora.

Um dos coleguinhas o viu e alertou a professora.

-O Treze vai pular pela janela pra pegar a bolinha…

Ewelein arrepiou-se toda, e saiu correndo a tempo de agarrar o pequenino pelo tornozelo, já pendurado para fora da janela. 


 

A tinta que escorria pelas pernas dele o deixavam escorregadio, e ele não tinha cabelo para ela tentar agarrar, e começou a escorregar das mãos dela, com o grande peso do seu corpinho.

-Gina! Ajuda! Ele é muito pesado!!!

Gina deu um salto e alcançou-a, subindo na mesa e agarrando Treze pela outra perna, e juntas o puxaram de volta para dentro.

O moleque gargalhava, enquanto Ewelein tremia como gelatina.

-Você vai ficar de castigo! - Berrou Gina - Que ideia foi essa de pular da janela, moleque???

-Hahahahaha! Eu fui pegar a bolinha… Ela caiu pela janela… Hahahahaha!


 

-Não tem graça nenhuma! - Gritou a professora - Agora vai já pro chuveiro! E vai ficar de castigo sem desenhar!

-Náaaaaaaeeeeee! Eu quero desenhar!!!!

-Quer uma ova, tem que aprender a obedecer, Treze! E se você tivesse caído? Teria morrido!

-Eu ia voar. Desenhei minha asa aqui… - Mostrou ele, nas pernas melecadas de azul vários desenhos de asas feitos com hidrocor preto.

Ewelein morreu de pena. Claro que ele ia cair e se espatifar como um vaso de cristal lá embaixo, no mar. E se não morresse ficaria aleijado, com certeza. 

-Você não pode voar! - Disse um coleguinha - Você não sabe! 

-Eu sei, é só bater as asas… É fácil…

Gina estava com vontades de arrancar as orelhas dele, e o segurou pela mão melada de tinta azul e o arrastou para o banheiro.


 

-Vai tomar banho agora! E depois ficar de castigo! Um ano de castigo!

-Náááááeeeeee! Não vou com você! Quero ir com ela! - E apontou para Ewelein.

Gina olhou para Ewe e ofereceu a criança.

-É todo seu, leve-o antes que eu mesma o mate… Vai, Ewelein, pode lavar essa praguinha? Naquele banheiro tem um chuveiro e tem toalhas nas prateleiras. 

-Claro… - E pegou a mão de Treze - Vem, Treze. 

O pequeno crisal foi todo feliz segurando a mão de Ewelein. Ela percebeu que ele não tinha ideia do que podia ter acontecido, se ele tivesse caído. Ainda não tinha nem 4 anos aquela peste, e já aprontava daquele jeito… O que seria dele quando estivesse mais velho, alcançando a janela sem subir em mesas?  Com certeza iria pular um dia… Para a alegria de Mestre Zu. E isso ela não ia permitir.


 

-Olha Treze… - Disse ela, ligando o chuveiro frio - Aiii tá frio! Não tem água quente aqui? 

-O que é água quente?

-Você não sente frio?

-O que é frio?

-Oh… Vocês não sentem a diferença de temperatura… Deixa pra lá. Olha aqui, Você não pode mais fazer isso. Não pode abrir a janela, não pode se debruçar na janela… Se você cair… Eu vou ficar triste… Você quer me ver triste? - Treze sacudiu a cabeça. - Então… Não faça mais isso… 


 

-Eu quero ir lá fora.

-E por que você quer ir lá fora?

-Pra ver as outras crianças.

-Ahhhh coitadinho! Bem, tenho uma surpresa pra você…

-Tem? O quê?

-Vou contar, se você me prometer que não vai mais subir na janela. Promete?

-Prometo! - mentiu ele.


 

Ewelein enfiou a criatura debaixo da água fria, e enquanto esfregava a tinta do corpo dele, ela ia falando.

-Bem… As crianças, minhas amigas, vão vir aqui pra conhecer vocês…

-É? Quando? Agora?

-Não, na semana que vem.

-Quando é semana que vem? Amanhã?

-Um pouco depois de amanhã. - Riu ela - Feche os olhos, tem tinta na sua cabeça e dentro da sua orelha.

Treze fechou os olhos, e enquanto Ewe o lavava, ele soprava na água para molhá-la.


 

-Pare de soprar… Vou ficar molhada e vou ficar doente… Você quer que eu fique doente?

 -Não. - E parou de soprar. - Não apaga minha asa! - Disse ele, empurrando a mão de Ewe quando ela tentou lavar os desenhos da perna dele. 

-Tá bem… - Ewe percebeu que a forma de lidar com ele era aquela mesmo… Dar a volta, não bater de frente, convencê-lo, não subestimar sua inteligência… Haja paciência, que ela não sabia se teria. 

Depois do banho, ela o enrolou numa toalha e o levou no colo de volta para a sala de aula, onde mais crisais limpavam o chão. Treze parecia pesar uma tonelada… Uma criança tão pequena e tão pesada! 

As outras crianças já não estavam mais ali. 

Gina olhou para ele e mostrou-lhe a língua, como ele fazia, e o pequeno Treze gargalhou. Ela riu junto, enquanto Treze abraçava Ewelein.

Gina sabia que era impossível alguém ficar muito tempo zangado com ele. 


 

*******


 

Naquele belo pôr do sol, sentados na parte traseira de uma carroça puxada por Rawists, iam as seis crianças mais felizes do mundo.

Minerva, sentada na parte da frente, conversava alegremente com o mercador, responsável por vender seus bolos e doces no mercado.

De vez em quando, ela olhava para trás para ver se os pequenos estavam se matando, e voltava à sua conversa.

A Velha Vampira, embora tivesse vários séculos de vida, ainda era uma mulher muito bonita e atraente, e seus olhos negros e penetrantes eram hipnotizantes. Os cabelos pretos e longos, amarrados em um coque não apresentavam um só fio branco. E se perguntassem se ela pintava os cabelos, ela dizia: “ Tenho séculos de vida, o que você acha? “ E nunca respondia. 


 

A conversa das crianças era a coisa mais interessante de se ouvir.

Ezarel ia dizendo…

-Precisamos de codinomes, para ninguém nos reconhecer… Eu pensei em alguns apelidos pra gente.

-Ahhh legal! - Ykhar estava animadíssima - Quais são?

-Bem, eu posso ser… “Zeus”. Nevra será “Apolo” e Valkyon será “Marte”.

-Gostei… - Disse Nevra - Combina conosco.

-E nós? - Perguntou Miiko.

-Miiko, você será… “Mocréia”. A Ykhar será “Peluda” e a Nike será “Peçonha”!

Nevra e Valkyon caíram na gargalhada, enquanto Ezarel permanecia sério com a cara mais debochada do mundo.


 

Miiko arregalou os olhos, e já ia protestar, quando Nike disse berrando:

-E você será “Quebrado”, Nevra será “Arrebentado” e o Valkyon será “Socado”! Mais alguma sugestão brilhante??? - Ela ficou de pé, com os punhos fechados, e o olhar fuzilante. 

Ezarel engoliu seco, Nevra empurrou Valkyon para sua frente, que pegou a mochila e colocou em cima da cabeça para se proteger.

-Calmaaaaa!!!! Se não gostaram dos apelidos… Escolham outros… -Disse ele, dando de ombros.

-Eu serei “Afrodite”! - Disse Miiko - Ykhar será “Athena” e Nike será “Artemis”! Se vocês podem ter nomes de deuses, a gente pode também!


 

-Que coisa mais sem graça, vocês não são originais! Estão copiando a gente! - Falou Valkyon, com uma careta.

-Copiando vírgula,vocês não são os donos do Olimpo! Seus bocós! - Gritou Miiko.

Minerva virou-se para trás e pediu.

-Nike, sente-se, se você cair sua mãe vai me esfolar… Meninos, parem de implicar. Se estão brigando assim no caminho, imagina quando chegarmos lá!

-Elas não vão dormir na minha cama, né, vovó?  

-Claro que não, Nevra, elas vão ficar no quarto que era da sua mãe.

-Mas e se a Ykhar soltar pêlos no colchão que era da mamãe? - Reclamou ele.


 

-Pelo menos ela não deve fazer xixi na cama… - Disse Minerva, rindo, e depois fez uma falsa cara de arrependida - Ihhh, acho que falei demais…

-Hahahaha, Nevra faz xixi na cama! - Berrou Nike.

- Os outros fazem também? - perguntou Ykhar, rebolando na carroça.

-Cala a boca, sua orelhuda! Se você contar pra alguém, vou contar pra todo mundo que a sua mãe tá no hospício! - Gritou Nevra.

-E eu vou contar que o Ezarel espia a Ewelein no banho… - Respondeu Ykhar, metendo a língua.

-Ei, eu não falei nada da sua mãe! -Ezarel protestou - E vocês são do clube, prometeram não contar nada!

-Mas você me chamou de Peluda! E xingou a Miiko e a Nike… Se somos parte do clube, não podem tratar a gente assim! 


 

-E precisam ainda do meu dever! - Nike estava de pé de novo - E vão precisar pro resto das suas vidas… Porque são lerdos e preguiçosos.

-Ela tem razão - Valkyon reclamou - Eu preciso do dever dela, e vocês vão parar de implicar, porque eu quero ir na excursão!

-Agora somos os culpados. - Nevra estava irritado - Só porque você quer ir conhecer aquelas plantas inúteis.

-Não interessa, eu quero e acabou. Parem de implicar e pronto! Quem implicar de novo vai se ver comigo! - Valkyon estava vermelho.

-Ih, olha, virou fera, hahaha! Magrelo como você é, quero ver o que vai fazer… Vai quebrar minha unha? - Ezarel meteu a língua para Valkyon.

-Vou virar um Dragão e você vai ver! Vou te torrar com meu bafo de fogo!


 

Minerva achou que era hora de intervir.

-Muito bem, chega de briga. Podemos voltar agora mesmo e ninguém mais vai pro sítio… Vocês decidem. Um final de semana em paz, sem brigas, ou um final de semana copiando dever na academia!

Os meninos bufaram, as garotas sorriram vitoriosas.

-Faz de conta que vamos pro sítio do Pica Pau Amarelo! - Ykhar estava animada - E podemos fazer de conta que moramos lá!

-E o que é isso? - Perguntou Nevra - Nunca ouvi falar desse sítio! 


 

Minerva então explicou.

-É um sítio onde se passa uma série de estórias infantis maravilhosas, escrita por um grande escritor humano, o Monteiro Lobato. Lá no sitio eu tenho toda a coleção de livros dele… E vou começar a ler para vocês! Querem ouvir as histórias dele? 

-Eu li um monte de livros dele! - Ykhar estava radiante - Eu quero ouvir de novo!!! Conta uma agora, vovó?

-Conto sim, mas vamos fazer um acordo...Enquanto estiverem comigo, fora da torre, vocês não vão implicar uns com os outros. Quero que sejamos uma equipe, e não um bando de malucos treteiros. Não vão mais brigar, não vão se xingar e nem vão se agredir… Se não cumprirem minhas determinações, não virão mais comigo. Entendeu, Nike? - A menina revirou os olhos, mas fez que sim com a cabeça. - E você, Nevra, entendeu? - Nevra concordou também, meio revoltado - E os outros? Todos de acordo?


 

As outras crianças concordaram, ansiosas em manter seu direito de sair com a vovó, e de ouvir as histórias dela. 

E Minerva começou a contar, pelo caminho, as primeiras aventuras das crianças do sítio do Pica Pau Amarelo, e o resto do caminho correu na mais Divina Paz.

 


Notas Finais


Espero que estejam gostando!
Se quiserem deixe um comentário para eu saber!!
Beijos!


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