1. Spirit Fanfics >
  2. Entre Crushs e Boladas >
  3. Day 2 - Entre Crush e Boladas

História Entre Crushs e Boladas - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Boa noite, pessoal, tudo bem com vocês?

Se seguimos aqui firmes com o desafio, agora com o dia dois~ Ainda não sei se farei todos pois alguns estão por finalizar, mas espero que gostem desse aqui! Acho que foi uma das mais gostosinhas de escrever. Essa fanfic não está betada, então caso achem algum erro, podem me dizer! Eu conferi mas os olhos sempre acabam deixando passar uma coisa ou outra.

Boa leitura e nos vemos nas notas finais!

Capítulo 1 - Day 2 - Entre Crush e Boladas


Entre Crushs e Boladas

━ bokuaka week · day 2 · mutual pining 

“Bom dia, pessoal.” Akaashi disse ao entrar no ginásio, cumprimentando seus colegas de treino. Alguns com acenos, outros com high fives, até que chegou em Bokuto. “Bom dia, Bokuto-san.”

 

Ele levantou a mão para fazer mais um high five, como sempre faziam, mas o ace apenas estreitou o olhar em sua direção e virou o rosto, voltando a mexer em sua bolsa esportiva. Uma veia quase saltou da testa de Akaashi. 

 

Já fazia uma semana desse comportamento vindo por parte do rapaz de cabelos prateados, e Akaashi sabia muito bem o motivo. E por ter conhecimento dele que o moreno ficava mais irritado, porque não era “grande coisa”. Na verdade, até era grande coisa, mas por motivos diferentes dos do mais velho.

 

Desde que havia entrado no time de vôlei, Akaashi era apaixonado por Bokuto. Desde que viu a figura do ace pela primeira vez quando estava prestes a se formar no ensino fundamental, o considerou uma das pessoas mais bonitas e inspiradoras que já havia visto. Ele era - e continuava sendo - uma estrela. 

 

O que começou com um crush se tornou muito mais quando eles se aproximaram. Bokuto o havia conquistado com sua personalidade excêntrica e empolgada, com os sorrisos fáceis e os olhos brilhantes. Com o tempo, Akaashi aprendeu a lidar com suas súbitas mudanças de humor e sabia perfeitamente como animá-lo, movido pela motivação que parte de si faria de tudo só para ver aquele grande sorriso em seu rosto novamente. 

 

Akaashi estava completamente apaixonado, mas nunca diria isso a ele. Não colocaria toda sua amizade a perder por conta disso, ainda mais quando tinha certeza de que não era correspondido. Por mais que seu pessimismo sempre falasse mais alto, ele considerava impossível uma pessoa como o rapaz de cabelos prateados ter por si o mesmo interesse que tinha por ele. 

 

Perto de Bokuto Kotarou, ele era apenas uma pessoa comum. Um jogador com boas habilidades, mas nada de especial. Não havia como alguém como ele se interessar em ter algo além da amizade com Akaashi, se é que o rapaz de cabelos prateados também se interessava por garotos. 

 

Ao menos, era o que Akaashi pensava. 

 

Aos olhos de Bokuto, Akaashi era uma das pessoas mais incríveis que ele conhecia. Ele sempre sabia o que dizer, ou como agir, independente do momento. Suas personalidades eram constrastantes, mas o rapaz de cabelos prateados acreditava que elas se complementavam. Ele era mais feito de ações, enquanto Akaashi agia nos planos por trás delas. 

 

Akaashi era seu ponto de equilíbrio quando as coisas se tornavam demais para se lidar, era a primeira pessoa que pensava em contar as coisas que lhe faziam feliz, aquele sempre estava ao seu lado e, sem dúvida, muito mais que um melhor amigo para si. Não que ele fosse contar isso ao moreno. Bokuto não queria estragar aquilo que já tinham, e se contar a Akaashi sobre seus sentimentos fosse significar que algo mudaria entre eles, ele preferia se manter em silêncio. 

 

Mas, alguns dias atrás, tudo mudou. 

 

Os membros do clube de vôlei haviam saído para tomar sorvete após um treino exaustivo. Conversa vai, conversa vem, eles acabaram chegando ao assunto crushs. 

 

As meninas não os acompanharam dessa vez, então fora a oportunidade perfeita para provocar Konoha sobre a paixonite que ele nutria por Yukie desde sempre. O loiro detestava quando esse tópica vinha a tona, ainda mais porque todos ameaçavam que caso ele não dissesse algo a ela até o fim do ano, eles quem diriam. 

 

Então, ele sempre tentava jogar a bola para outra pessoa. Quase nunca funcionava, mas…

 

“Por que vocês só enchem o meu saco?! O Akaashi é apaixonado por alguém também e não vejo ninguém falando nada pra ele!” 

 

O picolé parou no meio do caminho até sua boca, e o moreno encarou Konoha, surpreso. O loiro apenas deu de ombros. Não tinha como ele saber sobre isso. Ou tinha? Será que Akaashi havia sido tão óbvio esse tempo todo sobre seus sentimentos e não tinha percebido? Os olhares curiosos de todos do time estavam sob si agora, e ele sequer teve tempo de reagir quando a voz estridente de Bokuto surgiu:

 

“AGAASHE!”, ele gritou, “como assim você gosta de alguém e nunca me contou?!”

 

“Eu...”, o moreno sequer sabia o que dizer ainda. Havia sido pego completamente de surpresa, “não contei pra ninguém, Bokuto-san”

 

“Então você realmente gosta de alguém?!” O sorriso no rosto de Konoha era imenso e cheio de malícia. Ele passou um dos braços pelas costas de Akaashi e o puxou contra si, o que fez o sorvete dele quase cair de suas mãos. “Como ela é?! Quem é?! Nosso pequeno kouhai, Akaashi-kun, crescendo tão rápido…” 

 

Akaashi se desvencilhou do braço do loiro e revirou os olhos com a provocação. “Eu não vou te contar quem é.”

 

“Ah, pelo menos diz como ela é!” A provocação veio por parte de Komi agora. “Você é sempre tão misterioso, pelo menos compartilhe isso com seus senpais.”

 

O moreno suspirou, derrotado, dando um olhar de canto para Bokuto e seus olhares se encontraram. O rapaz de cabelos prateados estava com seu picolé nos lábios, o encarando de soslaio. Akaashi sentiu seu coração acelerar repentinamente. Ele nunca havia falado sobre isso com ninguém e dizer -  mesmo que de forma vaga - era como se fosse ser descoberto no exato momento em que  o primeiro ‘a’ deixasse sua boca. Ainda mais com os olhos perspicazes de Bokuto sob si.  

 

“Hum…” ele começou, desviando o seu olhar para seus pés, “acho se eu fosse compará-la a algo, seria a uma estrela.” Suas bochechas estavam levemente coradas, e seus lábios se curvaram em um tímido sorriso, “essa pessoa sempre está sorrindo, mesmo nas horas mais difícieis ela se mantém positiva sobre tudo. Bem, ela também tem seus momentos tristes, e eu fico feliz de puder ajudar a melhorar seu humor, nem que seja um pouco.”

 

Akaashi deu mais uma mordida em seu sorvete antes de continuar a falar. Todos - principalmente Bokuto - o ouviam com curiosidade e atenção.

 

“Eu fico feliz só de estar ao lado dela, mesmo quando não estamos fazendo nada demais. Até estudar ao lado dela se torna divertido, por mais que ela sempre se distraia bastante, e eu fico feliz de passar boa parte dosmeus dias ao lado dela...” As palavras deixaram de sair de seus lábios porque Akaashi percebeu que talvez estivesse dando mais detalhes do que realmente deveria.

 

Quando olhou para o sorriso malicioso no rosto de Konoha, ele soube que sim.

 

“Own, Akaashi-kun, que fofo!” Konoha passou o braço sob ele novamente, o puxando para perto. “E você não pretende contar isso pra ele?” O moreno o encarou de volta, quase em súplica com o olhar para que o loiro calasse a boca. 

 

Bokuto já os encarava, curioso, e ele já havia dado detalhes o suficiente para o rapaz de cabelos prateados também ligar os pontos. se Konoha continuasse falando, ele descobriria na certa. Akaashi já não queria se declarar, mas se fosse para fazer isso, que pelo menos fosse de um jeito melhor que esse.

 

“Não” ele disse, virando o rosto para o lado oposto.

 

“Mas eu tenho certeza que ele gosta de você também, você deveria cont-” Akaashi tampou a boca de Konoha com sua mão livre. Já bastava Konoha ter descoberto, a própria pessoa em questão não precisava descobrir também.

 

“Mas, Akaashi…” O rapaz de cabelos prateados começou a falar e o coração do levantador foi a mil. Será que ele…? “Você deveria contar. Não tem como alguém não gostar de você.”

 

O moreno fez uma cara confusa, e Konoha aproveitou seu momento de distração para se livrar a mão que tapava sua boca. 

 

“Você… É incrível, sabe?” Bokuto continuou falando, com um sorriso tímido no rosto. Uma de suas mãos coçava sua nuca, e Akaashi sabia que isso significava que ele estava escolhendo as palavras certas para dizer, “e eu não consigo ver um motivo para alguém não gostar de você.”

 

Akaashi abriu a boca para falar algo, mas nenhuma palavra saiu. Ele sequer sabia o que responder. O que havia sido aquilo? O que aquelas palavras significavam? 

 

Bokuto desviou o olhar, agora encarando o chão. Se pudesse, passaria horas falando o porquê Akaashi era uma pessoa incrível, única, e que nenhuma pessoa em sã consciência o recusaria. Mas o que o impedia de o fazer era o ciúmes.

 

Saber que o moreno gostava assim de alguém, e que acima disso ele parecia ser realmente próximo dessa pessoa havia enchido seu peito de ciúmes. Detestava ver Akaashi falando com tanto carinho de alguém que não era ele, ele sequer sabia quem era essa pessoa pela qual ele estava apaixonado, o que piorava a situação, já que sua imaginação adorava ser fértil em momentos como esse.

 

Quando isso começou? Quando ele começou a gostar de alguém? Quem é? Por que não pode ser… Eu?

 

As perguntas se repetiam na cabeça de Bokuto como um loop, e quando ele fez uma cara de quem havia acabado de chupar três limões, todos sabiam o que viria a seguir.

 

“Akaashi… Eu nunca mais vou falar com você!” O moreno e todos do time quase gritaram um uníssono “o que?!”

 

“Mas… Eu não fiz nada?” O levantador disse, confuso, mas Bokuto ignorou sua fala e continuou:

 

“Você sequer me conta de quem você gosta!” Ele exclamou novamente. “Só vou voltar a falar com você quando você me contar!”

 

Todos do time - exceto o Akaashi - o olharam com expressões mistas de “não acredito nisso” a “como ele consegue ser tão idiota?”. Para todos estava claro quem era essa pessoa que Akaashi estava apaixonado antes mesmo dele falar qualquer coisa sobre ela. Todos haviam percebido os olhares direcionados ao ace, ou o jeito que ele o tratava.

 

Akaashi sempre estava ali para animá-lo, mimá-lo com elogios, o fazendo companhia em todos os momentos. Caso na cantina apenas houvesse um dos lanches que ambos gostavam, Akaashi o entregaria para ele. Mesmo que tivesse cansado, sempre estaria o acompanhando nos treinos extras. Como os colegas diziam quando falavam da dupla, apenas sendo idiota para não perceber o que estava se passando ali.

 

E pelo jeito, aqueles dois eram mais do que esperado.

 

Akaashi não respondeu mais ao rapaz de cabelos prateados, e ele também não disse mais nada. Parte de si se sentia triste em parar de falar com ele, mas outra tinha esperanças que essa pequena birra duraria por pouco tempo, que em breve Bokuto esqueceria e eles estariam bem novamente.

 

Bem, era o que ele pensava, porém a realidade se mostrou ser completamente diferente.

 

Já haviam se passado cinco dias e Bokuto continuava o ignorando. Não ter respondido ao seu bom dia foi apenas a primeira das várias vezes que ele fingiu que Akaashi sequer estava ali durante o treino, e isso já estava começando a chateá-lo. 

 

Desde que havia dito que não falaria mais consigo, o rapaz de cabelos prateados não havia mais o chamado para almoçar, ou sequer queria fazer treinos extras com ele após as aulas. Sempre que Akaashi chegava para as atividades do clube, ou ele ficava de cara fechada ou subitamente ficava quieto, indo fazer qualquer outra coisa pela quadra. 

 

Akaashi até estava considerando se devia contar que ele era a pessoa que ele estava descrevendo aquele dia, mas também não queria dizer seus sentimentos a ele apenas por essa chantagem por parte do ace. Não era justo consigo. 

 

E então dessa vez, ele decidiu entrar na “brincadeira” também. Dois podiam jogar esse jogo e ele não ia se deixar ser ignorado mais uma vez.

 

Quando a hora do treino após as aulas chegou, Akaashi sequer se deu ao trabalho de cumprimentá-lo. Passou direto pelo rapaz de cabelos prateados no seu caminho até o vestiário, e isso fez uma expressão surpresa surgir no rosto do mais velho. 

 

Não que ele fosse responder caso Akaashi o cumprimentasse, mas ignorá-lo de volta já era demais. 

 

Bokuto fechou a cara na hora, girando a bola de vôlei em suas mãos, e assim permaneceu até a hora de início do treino. Todos seus colegas já estavam trocados e alinhados em fila, aguardando as orientações do treinador. Por ser vice capitão, Akaashi estava ao seu lado e era mais difícil ignorá-lo dessa forma. Seu olhar teimava em parar na figura do moreno repetidas vezes, até em algum momento seus olhares se encontraram.

 

Akaashi mantinha a expressão inexpressiva e o olhar fixo nos olhos dourados, enquanto Bokuto unia as sobrancelhas, forçando uma cara exageradamente brava.

 

“O que foi?” Akaashi perguntou, e ele virou o rosto em resposta.

 

“Eu não estou falando com você,” o rapaz de cabelos prateados murmurou.

 

“Acabou de falar,” ele respondeu, dando uma risada anasalada e Bokuto fechou a cara denovo, fazendo um “humpf.”

 

Konoha - que estava ao lado de Akaashi na fila - se segurava nos seus últimos fios de paciência para não dar um belo tapa nos dois. No começo, a situação até que era engraçada, ainda mais por ele ter certeza que os dois amigos se gostavam. Mas desde hoje pela manhã quando Akaashi começou a ignorar Bokuto de volta, era o loiro quem estava ouvindo todas as reclamações a respeito disso e ele não aguentava mais. 

 

Sua orelha chega já estava exausta de tanto ter ouvido “O Akaashi está me ignorando…”; “Akaashi não quer mais saber de mim”; “Você viu como o Akaashi me tratou hoje? Isso é jeito de me tratar?” e Akaashi, Akaashi, Akaashi repetidas vezes, pelo menos uma vez a cada cinco minutos. Ele só torcia para que, pelo amor de todos os deuses, isso não durasse mais um dia sequer.  

 

Então quando o técnico disse que eles fariam um jogo um contra os outros para aquecer, ele viu uma luz no fim do túnel. 

 

Eles precisariam se dividir em times e jogar um set de 15 pontos. O treinador indicou para que tentassem usar as novas técnicas que vinham treinando e aproveitar esse momento para ver como elas funcionariam contra adversários. Já que Bokuto e Akaashi estavam no time titular, Konoha propôs para que trocasse de lugar com o moreno dessa vez. 

 

A divisão ficou decidida da seguinte forma: Saruki, Washio, Akaashi e Komi formariam em um time, enquanto Bokuto, Konoha, Anahori e Onaga estariam no outro. Enquanto estavam se espalhando pela quadra, decidindo o posicionamento que ficariam, Konoha se aproximou de Bokuto e o puxou para sussurrar algo sem que os outros ouvissem.

 

Já que já havia dado o primeiro empurrão para aquela confusão acontecer, não tinha problema em tentar algo para que ela acabasse, não é?

 

“Bokuto, o Akaashi me disse que se você vencer esse set, ele vai te contar quem é a pessoa que ele gosta.” Akinori sussurrou e o rapaz de cabelos prateados o encarou com um misto de surpresa e dúvida.

 

“Ele disse…?” Seus olhos foram de Akaashi - que estava conversando algo com Washio do outro lado da quadra - até o loiro novamente, que concordava repetidas vezes com a cabeça.

 

“Disse, e acho que você vai gostar de saber da resposta…” O sorriso malicioso cresceu nos lábios do levantador. O brilho de empolgação se fez presente nos olhos dourados.

 

“Eu… vou?” Konoha concordou novamente, fazendo um sinal de joinha com uma das mãos.

 

Será que a pessoa que ele estava falando aquele dia era… Eu? Bokuto pensou enquanto pegava uma das bolas no cesto, sem tirar os olhos de Akaashi, que agora ria com alguma coisa que os colegas haviam dito. E como será que Konoha tem tanta certeza disso? Seus olhos voltaram para o loiro, desconfiado, mas ele seguia concordando com a cabeça e lhe assegurando que era verdade.

 

Bem, na pior das hipóteses ou eles perderiam o jogo e ele não saberia de nada ou eles ganhariam, e ele descobriria que a pessoa que Akaashi gosta não era ele, não é? Claro que a segunda opção era a mais assustadora de todas, mas não custava nada tentar. O ‘não’ ele já tinha, de toda forma. Ele apenas estava indo em busca de um possível ‘sim’.  

 

“AKAASHI!” Ele gritou, apontando para o levantador, que olhou assustado em sua direção. “Eu vou vencer e você vai ter que me dizer quem era aquela pessoa!”

 

O moreno demorou alguns instantes para responder, tentando entender as palavras ditas pelo ace, mas quando ele olhou na direção de Konoha que fingia assoviar com uma expressão despreocupada, ele entendeu. Akironi, depois dele, era um dos que mais estava sendo importunado com toda essa história e não perderia a oportunidade de acabar com a pequena confusão que ele - mesmo que sem querer - havia criado.

 

“Ok, Bokuto-san”, Akaashi respondeu, “mas só se vocês vencerem.”

 

O rapaz de cabelos prateados engoliu seco e foi até o fundo da quadra, se posicionando atrás da linha de fundo. Ao ver que ele já estava se preparando para o saque, os outros também se ajeitaram em seus posicionamentos, com os olhos fixos nas movimentações do ace. 

 

E eu vou! Eu preciso vencer e descobrir! Com esse pensamento, Bokuto deu mais alguns passos para trás, levantou a bola para o ar e a acertou em cheio em direção ao outro lado da quadra. O jogo havia começado e se a vitória também lhe traria uma resposta para suas dúvidas, ele faria ainda mais para vencer.

 

Komi recebeu a bola, mas não bem o suficiente, o que a fez ricochetear para fora da quadra e o primeiro ponto para o time de Bokuto estava garantido. O rapaz de cabelos prateados saltitava em comemoração, e seus colegas até estranharam a tremenda felicidade por um ponto feito em treino. 

 

Ele estava catorze pontos mais perto de sua resposta. 

 

Foi sua vez de sacar novamente, mas dessa vez, a bola foi recebida e passada para os outros jogadores com sucesso. Logo ela já caiu nas mãos de Akaashi, que rapidamente a levantou chamando por Washio, que lhes garantiu um ponto ao cortá-la em alta velocidade.

 

O levantador e o atacante tocaram as mãos em comemoração, e isso fez Bokuto juntar as sobrancelhas em desaprovação. Ele não queria que o outro lado da quadra marcasse um ponto sequer.

 

Sakuri foi aos fundos da quadra e fez seu saque. A bola caiu quase rente a rede, mas Onaga conseguiu salvá-la e mantê-la em jogo. O passe foi para Konoha, que a levantou chamando pelo rapaz de cabelos prateados. Porém, quando Bokuto foi acertar a bola na expectativa de marcar um ponto com uma paralela, Washio e Akaashi pularam no bloqueio, defendendo o toque e lhes garantindo mais um ponto. 

 

Bokuto olhou bravo na direção de Akaashi, que apenas lhe respondeu com um olhar estreito e um sorriso provocativo antes de se virar e voltar a sua posição, que pela rotação, agora era no fundo da quadra. O rapaz de cabelos prateados fez um “tch” e também se posicionou, esperando o próximo saque vindo do lado adversário.

 

Após alguns minutos jogo estava em 9 a 10 para o time de Akaashi, e isso deixava Bokuto cada vez mais impaciente.

 

Talvez por conta da ansiedade de saber pela resposta, ou até pela pressão que estava colocando em si mesmo para ganhar aquela partida, era difícil acertar os levantamentos de Konoha e marcar os pontos que tanto desejava. O time do moreno havia acabado de marcar o décimo ponto e ele sentia sua cabeça ir a mil. Não podia deixar que eles ganhassem muita vantagem de pontos, se não…

 

Ele chacoalhou a cabeça, espantando esses pensamentos. Ele saberia quem era a pessoa que Akaashi gostava hoje, sem um dia a mais ou menos. Por mais que Konoha tivesse lhe prometido que a descoberta seria boa - e isso lhe fazia imaginar que tinha seus sentimentos correspondidos -, uma baixa vozinha em sua cabeça teimava em ser pessimista sobre o assunto.

 

E se essa pessoa não for eu? Ele pensou, caminhando até o fundo da quadra novamente. Konoha deu a entender que é, mas… E se não for? Seus olhos estavam fixos na bola e no lado oposto da quadra, visualizando onde miraria o saque. Ele suspirou, jogou a bola para cima e a impulsionou com a palma da mão.

 

Foi ponto de saque e todos do seu time comemoraram. Era sua vez de sacar denovo e agora estavam com o placar empatado. Yukie foi quem pegou a bola e a jogou para o ace, que agradeceu com um sorriso, mas logo sua expressão se tornou séria. Mais cinco pontos. Ele pensava. Mais cinco pontos e eu vou saber…

 

Ele apertou a bola em suas mãos. Dez pontos atrás ele estava tão ansioso pela resposta, por que agora estava com tanto medo? 

 

O capitão engoliu seco e se posicionou, se preparando para o próximo saque. Pela rotação, Akaashi estava no fundo da quadra dessa vez e isso não o ajudava a se concentrar onde poderia mirar seu próximo toque. Eu quero que seja eu, mas… E se não for? Ele jogou a bola para o ar novamente, deu alguns passos em corrida e acertou a bola.

 

Ela foi salva pelo líbero e já estava em jogo novamente. Akaashi foi o próximo a tocar na bola e a levantou para Saruki, que ao atacar, teve seu toque levemente impedido pelo bloqueio e agora os passses estavam com o time do lado oposto. O moreno tentava manter seus olhos na bola e na movimentação de seus colegas de time, mas era difícil quando ele sentia o olhar do rapaz de cabelos prateados fixados em si. 

 

Desde que a ameaça de ter que dizer quem era a pessoa que ele gostava ter sido colocada em jogo, Akaashi não sabia qual resultado ele preferia que saísse dali. Desde o ocorrido na sorveteria ele havia perdido as esperanças de dizer qualquer coisa, ainda mais quando o rapaz de cabelos prateados começou a “ignorá-lo” e Akaashi pensou por um momento que, talvez, ele o tivesse descoberto e estava tentando se afastar. 

 

Mas quando ouviu que caso Bokuto ganhasse ele gostaria de saber quem era o seu crush, lhe fez acender uma pequena chama de esperança. Por que ele quer saber? Se ele não gosta de mim de volta, por que iria querer saber sobre isso? Ou talvez ele… Goste de mim também? Por mais que quisesse manter sua mente focada no jogo, era difícil quando as perguntas iam e voltavam sempre que o via do outro lado da quadra.

 

Agora que o placar estava mais próximo do fim, era ainda mais difícil de se concentrar. O time de Bokuto havia acabado de marcar seu décimo terceiro ponto e o placar estava 13 - 12. O coração de Akaashi batia rápido e não era apenas pelo corpo aquecido. Estava há dois pontos de ter que declarar seus sentimentos a pessoa que ele mais amava, e ele sequer havia encontrado as palavras certas para isso.

 

Sabia que ainda havia chance de ganharem, mas também sabia o quanto Bokuto era teimoso e que faria de tudo para vencer e ter sua resposta. Ele tinha que ter em mente o pior cenário, se não seria ainda mais difícil. 

 

A bola estava vindo em direção ao seu lado da quadra. Komi a recebeu e a passou para Akaashi, que pelo suor de nervoso em suas mãos, não conseguiu levantá-la corretamente e ela foi direto ao chão, marcando mais um ponto para o time adversário. 

 

Merda. Akaashi pensou, encarando fixamente a bola rolar para o lado de fora da quadra. Merda, merda, merda… O palavrão se repetia em sua cabeça, e de repente, ele estava em pânico. Eu não quero arruinar tudo. Não quero perder nossa amizade. Foi Konoha quem sacou dessa vez, e a bola veio em direção da paralela e bem próxima da rede. Milimetricamente calculada para marcar um ponto, mas Akaashi foi mais rápido.

 

Ele interceptou a trajetória da bola, a salvando com um dos punhos e a jogando para cima novamente. Isso significava que ele não poderia mais tocar na bola nessa jogada, mas faria o que fosse preciso para evitar esse último ponto. Washio até conseguiu atacar com seu quase levantamento após ter salvo a bola, mas seu toque passou raspando pelos dedos dos bloqueadores e logo a jogada do time adversário já estava sendo articulada. A bola estava indo na direção de Konoha, que a levantou e chamou pelo rapaz de cabelos prateados.

 

Só mais um, só mais um… Bokuto pensava enquanto se preparava para atacar. Seus olhos estavam fixos na bola e seu coração acelerado com um misto de medo e ansiedade pela resposta que teria em breve. Eles não haviam combinado um horário exato para conversar, porém sua vitória seria a confirmação que teria realmente uma resposta, então ele não deixaria essa oportunidade passar.

 

Merda. Akaashi pensou, mais uma vez, já prevendo que o próximo ponto seria feito e ele sequer tinha reunido um por centro de coragem para dizer o bendito “eu estou apaixonado por você.” Ele engoliu seco, temeroso, e os próximos momentos pareceram acontecer em câmera lenta. 

 

Bokuto saltou como sempre fazia, se preparando para dar a melhor cortada que pudesse assim que a bola foi levantada. Mesmo que por um breve momento, enquanto estava no ar, seus olhares se encontraram e Akaashi soube que o time do rapaz de cabelos prateados levaria esse último ponto. 

 

Ele fechou os olhos, desejando nunca ter dito nada em primeiro lugar. Se tivesse dispensado as provocações de Konoha ele não estaria nessa situação. Bokuto não o estaria ignorando e sequer se perguntando sobre sua paixonite. Tudo estaria normal, bem, e ele não teria nenhuma dessas preocupações em sua mente.

 

Porém, quando abriu os olhos, o último vislumbre que teve foi de um grande borrão branco-acinzentado vindo em sua direção, seguido de uma extrema dor em seu nariz e a sensação de estar caindo contra o chão. 

 

Depois disso, sua visão ficou um tanto embaçada. Tudo parecia girar a sua volta e sua cabeça latejava tanto que se tornava ainda mais difícil de focar no que estava acontecendo ao seu redor. Ele ouvia as vozes de seus colegas distantes, conseguia vagamente reconhecer seu nome sendo chamado, mas não de quem era a voz. 

 

Após alguns segundos desorientado, seus sentidos pareceram voltar e a dor e ardor em seu rosto foram tremendos. Ele cobriu seu nariz com ambas as mãos e fechou os olhos com força, sentindo lágrimas se formarem e escorrerem pelas suas bochechas. Fazia tempo desde a última vez que tinha levado uma bolada tão certeira. 

 

“AGWASHI!” Ele reconheceu a voz da única pessoa, mesmo que convivendo já há dois anos a seu lado, ainda não conseguia acertar a pronúncia de seu nome. “Meu Deus, você- Eu- Não foi por querer- POR FAVOR, SOBREVIVA AGAAHSE!” 

 

Ele abriu os olhos devagar, por mais que a dor ainda fosse tão forte em seu rosto que era difícil mantê-los abertos, ele tentou apenas para tranquilizar o rapaz de cabelos prateados. Quando finalmente retomou a visão do que estava acontecendo ao seu redor, ele viu Bokuto ajoelhado ao seu lado, com os olhos cheios de lágrimas. Komi, Washio e os outros colegas de time também estavam lá, mas de pé e o encarando, preocupados. 

 

“Você está vivo!” Bokuto quase chorou ao dizer aquelas palavras. Se estivesse com um pouco menos de dor, Akaashi teria tido e dito que ‘claro que sim’, mas com seu rosto latejando daquela forma ele ainda duvidava de sua própria vitalidade. “Konoha foi com Yukie e Kaori buscar gelo, eles logo estarão de volta.” O moreno apenas concordava com a cabeça, tentando se sentar. Ele usou uma das mãos como apoio e a outra ainda estava em seu nariz, como se temesse ser acertado por mais outra bolada poderosa como aquela.  

 

“Mas Akaashi, você-” A fala do rapaz de cabelos prateados foi interrompida no momento em que o levantador se sentou e afastou a mão de seu rosto. No exato momento que ele o fez, o líquido vermelho começou a sair de seu nariz e Bokuto voltou a se desesperar. “VOCÊ ESTÁ SANGRANDO!” Ele gritou e Akaashi cobriu seu rosto novamente, sentindo um calafrio percorrer seu corpo quando percebeu o cheiro metálico de sangue em suas narinas. “Eu vou te levar até a enfermaria!”

 

“Bokuto-san-” Ele tentou dizer que Konoha em breve voltaria com gelo, mas Bokuto - com os nervos à flor da pele - o pegou em seu colo e saiu correndo em direção à entrada do ginásio. Yukie, Suzumeda e Konoha já estavam na porta com a bolsa de gelo e rolos de papel, mas o rapaz de cabelos prateados passou tão rápido por eles que sequer os viu.

 

Akaashi estava com seu rosto rubro de constrangimento, mas ele não sabia o que o envergonhava mais: O fato de ter levado uma bolada tão certeira por estar distraído ou por estar sendo carregado pela razão de sua distração como uma princesa em apuros - que, de certa forma, poderia ser considerado seu príncipe encantado - pelos corredores da escola.

 

Por sorte não haviam mais muitos alunos por ali, apenas aqueles que tinham atividades de clubes ou do conselho estudantil, mas a cena dramática não deixou de ganhar alguns olhares curiosos. 

 

Logo, eles já estavam na enfermaria. Akaashi insistiu para ser deixado no chão na porta do local porque ele não aguentaria mais um olhar risonho e curioso em sua direção depois de tantos que recebeu pelo caminho até ali. Os dois bateram na porta antes de entrar na sala, e o Doutor os recebeu, ficando um tanto assustado ao ver as manchas vermelhas na camiseta do moreno. 

 

Ele logo o orientou para se sentar na maca e se virou para pegar os materiais necessários para estancar o sangramento, que apesar de leve agora, ainda estava presente. O médico lhe deu algumas gases e pediu para que ele colocasse sobre as narinas, explicando que isso faria com que o sangue parasse de escorrer. Akaashi apenas murmurava em acordo e Bokuto continuava o encarando, preocupado, com a sensação de culpa em seu peito. 

 

Ele não havia mirado em nenhum lugar específico na hora em que atacou, e esse fora seu erro. Ele estava tão animado que faltava apenas mais um ponto para ter sua tão desejada resposta que sequer se preocupou com isso. Para si, aquele ponto estava garantido, e apenas percebeu o que havia feito quando viu Akaashi caindo no chão e todos indo ao seu encontro. 

 

Após alguns minutos com a gaze em seu rosto, Akaashi a tirou e o sangramento havia parado. O médico lhe ofereceu uma outra toalha de gaze, essa umedecida com soro, para que ele limpasse seu rosto e perguntou qual era seu nome e classe para que pudesse comunicar ao seus pais do ocorrido. O moreno o respondeu enquanto limpava seu rosto, e antes de sair, o Doutor deu a Bokuto uma bolsa de gelo dizendo a Akaashi que ele deveria colocar em seu nariz por cerca de quinze minutos para aliviar a dor.

 

“Eu vou pedir para chamarem seus pais e estarei de volta em breve, Akaashi-kun.” O médico saiu da sala, e os dois ficaram sozinhos.

 

Assim que Akaashi terminou de limpar seu rosto e pescoço, Bokuto lhe ofereceu a bolsa de gelo e ele colocou sob o nariz, sentindo um calafrio ao pressioná-lo contra a pele, tanto pela dor quanto pela temperatura da bolsa. Ele fechou os olhos e pendeu levemente a cabeça para trás, sentindo o gelo aos poucos ir anestesiando a região latejante de seu rosto.

 

Eles se mantiveram em silêncio. Bokuto não sabia o que falar, Akaashi estava ocupado demais buscando por alívio daquela dor horrível em seu rosto, e o médico ainda não havia voltado. 

 

“Me desculpe, Akaashi…” Bokuto disse em um sussurro, encarando seus pés, e o moreno o encarou de soslaio, evitando mexer a cabeça e lhe causar mais dor.

 

O moreno não estava bravo com seu colega pela bolada, sabia que não fora por querer. Ele entendia que os dois estavam distraído demais com outras coisas durante o jogo e o ocorrido apenas havia sido uma consequência disso. Akaashi sabia muito bem que Bokuto nunca o machucaria de propósito. 

 

“Tudo bem, Bokuto-san”, sua voz estava um pouco anasalada por causa do peso do gelo em seu rosto. O rapaz de cabelos prateados voltou a encará-lo, mantendo a expressão triste em seu rosto. “Eu sei que você não fez por querer.”

 

“Mas é que parece estar doendo muito…”

 

“E está, mas não é sua culpa.” O rapaz de cabelos prateados fez um bico ao ouvir a resposta, voltando a olhar seus pés. 

 

O silêncio se fez presente novamente, mas Akaashi mantinha os olhos fixos em sua companhia. Por mais que o sangramento estivesse estancado, ele ainda sentia sua cabeça pesar e zunir levemente pela dor do impacto. Talvez isso também estivesse ajudando a anestesiar seus sentidos, porque as palavras que deixaram seus lábios em seguida não foram previstas.

 

“É você,” ele disse e Bokuto olhou em sua direção novamente, confuso. 

 

“Oi?” 

 

“A pessoa,” Akaashi pausou antes de continuar, “é você”. 

 

O coração do ace foi a mil e ele sentiu suas bochechas esquentarem. Seus olhos dourados estavam arregalados e a boca semi aberta, mas nenhuma palavra saía. Akaashi estava dizendo que ele… Também gostava dele? Isso era uma declaração? Ele- seus pensamentos foram interrompidos ao ouvir um baixo riso vindo do moreno. 

 

“Eu não sei se essa é a resposta que você queria ouvir, mas… É verdade.”

 

Antes mesmo que Bokuto pudesse responder, o médico voltou a sala. Ele pediu para Akaashi tirar um pouco a bolsa de gelo de seu rosto e viu como estava a região. Seu nariz estava vermelho, inchado, e até alguns tons de roxo eram perceptíveis em sua pele. 

 

“Seus pais já estão a caminho, Akaashi-kun,” ele comunicou e o moreno colocou novamente a bolsa de gelo em seu nariz, suspirando em alívio ao ter sua dor anestesiada novamente. “Só fica de olho se você sentir alguma dor de cabeça muito forte, tontura, ou qualquer coisa fora do comum, tudo bem? Não acredito que seu nariz esteja quebrado, mas caso ele esteja sensível ao toque mais tarde, vá ao médico, ok?”

 

Akaashi concordava com as palavras com o doutor com sua cabeça, devagar, e ele lhe deu um sorriso terno. “Se cuidem, meninos. Vou avisar ao técnico de vocês que está tudo bem e já estou de volta.”

 

Eles concordaram novamente e o médico saiu da sala, os deixando sozinhos mais uma vez. 

 

O moreno se mantinha com os olhos fechados e Bokuto, devagar, se aproximou dele e sentou ao seu lado. Ao sentir sua aproximação, Akaashi abriu os olhos e o olhou de soslaio, com um leve um rubor em suas bochechas. Sua conversa com o rapaz de cabelos prateados havia sido interrompida em um momento crucial, e agora eles não sabiam como retomar o rumo. 

 

Mas as atitudes falaram por si só. Bokuto levou uma de suas mãos até a lateral da cabeça de Akaashi, entrelaçando os dedos em seus cabelos e o puxou delicadamente contra si, lhe dando um beijo na bochecha.

 

Se Akaashi já achava que estava corado, agora então… Podia se sentir ficando roxo. 

 

A mão que estava em seu rosto desceu pelos seus ombros, e agora o braço o envolvia pelo pescoço em um semi abraço. Bokuto ainda lhe dava um longo beijo na bochecha, e apenas parou quando o puxou um pouco mais contra si, tomando cuidado para não apertá-lo de mais e lhe causar mais dor. 

 

Ele levou seus lábios até a orelha de Akaashi e sussurrou, como se fosseum segredo: “Também é você, Akaashi,” ele deu um riso anasalado, aninhando a cabeça na curva de seu pescoço. 

 

Akaashi deu um pequeno sorriso e levou sua mão de encontro a do rapaz de cabelos prateados, que pendia sob seu ombro, entrelaçando seus dedos aos dele. O moreno também pendeu sua cabeça para o lado, apoiando-se na de sua companhia. 

 

Por mais que ainda estivesse com a cabeça avoada por conta da bolada, aquelas boladas haviam aliviado a dor que sentia. Sua vontade era até de gritar de felicidade e abraçar com todas as forças a pessoa que estava ali ao seu lado. 

 

Eles apenas se desvencilharam do abraço quando os pais do moreno chegaram para levá-lo para casa. Quando voltou para a quadra, todos ainda estavam treinando e o técnico lhe penalizou com cem saques após a aula para compensar sua falta de atenção. Ele sequer se importou, e todos estranharam quando ele concordou com um sorriso dizendo que faria até duzentos deles. Ele estava feliz demais e nada mudaria isso. 

 

.

 

Na semana seguinte eles voltaram a sorveteria, dessa vez com as meninas fazendo companhia ao grupo. Todos riam lembrando a bolada que Akaashi havia levado na semana anterior, e Bokuto ainda insistindo em pedir mil desculpas por isso sempre que o assunto surgia na roda de amigos. 

 

"Eu já disse que não for por querer!" Ele choramingava, fazendo todos rirem mais. "Agaashi, diz pra eles como eu não fiz isso de propósito!" Bokuto tinha um bico nos lábios, e o moreno não pode deixar de esboçar um pequeno sorriso ao vê-lo com uma cara tão fofa. 

 

"Você não fez, eu sei disso." Com a confirmação, o rapaz de cabelos prateados deu um grande sorriso e passou seu braço pelo pescoço de Akaashi, o aproximando de si. 

 

"Dois pombinhos apaixonados…" Konoha brincou, dando uma mordida em seu picolé. "Deveriam me agradecer, se não fosse por minha causa, vocês ainda estariam sem conversar."

 

"Se não fosse por sua causa, nós nem teríamos parado de conversar em primeiro lugar," Akaashi pontuou, mordendo seu sorvete também. 

 

"Mas se não fosse por minha causa vocês ainda estariam sendo dois idiotas que não percebem o que sentem." Konoha sorriu, vitorioso, e Akaashi também não discordou. De certa forma, ele tinha razão. 

 

"Talvez o Konoha também precise de uma bolada para ajudar a dizer a Yukie o que ele sente, o que acha, Akaashi?" O rapaz de cabelos prateados disse, inocente, e o loiro praticamente engasgou com o último pedaço de seu picolé. 

 

"Bokuto- Você!" O outro levantador dizia entre pigarros, com o rosto vermelho de constrangimento.

 

"Eh?" Yukie quase cantarolou, subitamente interessada no assunto ao ouvir seu nome. "Quer dizer que a bolada foi o cupido de vocês?"

 

As bochechas da dupla ficaram rosadas com a pergunta. 

 

"Apesar da dor," Akaashi começou dizendo e coçou a garganta antes de continuar, "acho que… sim?" Ele deu um pequeno riso, e Bokuto o abraçou, quase fazendo-o derrubar seu sorvete. "Ei!" Akaashi reclamou e Bokuto lhe respondeu com um grande sorriso divertido antes de morder o último pedaço de seu picolé. 

 

Akaashi suspirou em derrota, enquanto Bokuto mastigava o doce com uma expressão alegre e vitoriosa. 

 

Do dia seguinte da declaração de ambos em diante, a dupla estava cada vez mais grudada. Quando Akaashi foi a aula no dia seguinte com um grande curativo em seu nariz Bokuto não parou de mimá-lo, dizendo que faria tudo o que ele quisesse para ser perdoado, mesmo que o moreno insistisse que estava tudo bem. Quando Konoha os viu juntos, ele percebeu que seu pequeno plano havia funcionado. 

 

Talvez ele tenha ocasionado alguns hematomas indesejados, mas era aquilo: o importante era tudo ter voltado aos eixos. 

 

"Aw, vocês são tão fofos..." Yukie suspirou, apaixonada, "acho que vou arremessar umas bolas também, só pra testar se essa história de cupido funciona mesmo. Vai que a pancada faz uma certa pessoa acordar pra vida… " Quando disse, ela olhava para Konoha com um sorriso travesso, que sequer conseguiu respondê-la de surpresa. Para completar, ela ainda piscou para si, deixando o rosto do loiro rubro de vergonha. 

 

Akaashi e Bokuto apenas riram da cena, vendo-o se perder nas palavras. Pelo menos, com sorte, Konoha não precisaria de uma bolada e muitos dias de confusão para dizer seus sentimentos a ruiva. Porém se fosse necessário, era aquilo: A bola cupido sempre estaria a disposição. 


Notas Finais


E aí, o que acharam?! Entre meus amigos ela ficou conhecia como a temerosa fanfic da bolada UASHUS'

Pobre Akaashi, mas o importante é que no fim tudo ficou bem <3 sem mais ninguém sendo ignorado e com narizes inteiros. E eu AMO o Konoha SUDHAUS ele é o terceiro elemento de BokuAka e quem concorda respira.

Espero que vocês tenham gostado, gente! Eu particularmente gosto mais de histórias que se passam no universo do anime, então foi muito gostosinho de escrever.

Caso queiram falar comigo, eu estou no twitter (@.nickyeowl)! E também vou postar essa história no meu perfil do AO3 (nickyeowl).

Beijinhos de luz e até mais~


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...