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História Entre Diamantes - Capítulo 55


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Capítulo 55 - Terapia


Fanfic / Fanfiction Entre Diamantes - Capítulo 55 - Terapia

Mesmo em seus braços, tive pesadelos aquela noite. Ser engolida pelas paredes, correr em um labirinto onde todas as saídas etão fechadas, nada muito saudável, garanto. 

Logo o dia da consulta chegou. Era o primeiro horário, oito da manhã e nervosa, acordei com o despertador. Sozinha no quarto, olho as mensagens novas antes de levantar, aparentemente nada de importante. Começo a me trocar, sem saber muito bem o que devia vestir para a consulta, mas calça jeans, camiseta e uma jaqueta me pareceram o suficiente. Muitas hipóteses passavam pela minha cabeça sobre o que eu ia falar, que perguntas teria que responder, o quão sincera conseguiria ser para alguém que eu nem conhecia.
Saindo para a cozinha, encontro o prato com uma panqueca de forno que o Kai faz pra mim em datas especiais, cheia de geleia de morango e com frutas ainda frescas. Olho em volta, estranhando a situação.
-Bom dia, A....
-AAAAAAAAAAAAaaah! 
Tomo um susto quando ele aparece, levantando do balcão.
-Não me mata antes do café da manhã! 
Rindo um monte da minha cara, ele preparou a xícara de cappuccino.
-Juro que não foi intencional -sorriu ele
Vestia as roupas de trabalho em baixo do avental.
-O que está fazendo aqui? Já era pra estar indo pra empresa essa hora.
-Eu tinha que te levar na sua primeira consulta, né minha linda.
Trazendo a xícara para a mesa, ele me beijou no rosto, carinhoso, e voltou para a cozinha para pegar o próprio café da manhã.
-Poxa, não vou poder fugir -brinco
-Só se pular do carro em movimento.
-Não, obrigada.
Com poucas palavras, comemos e terminamos de nos arrumar sem distrações para não atrasar.
-Não é melhor ir de metrô? Todo caminho demora muito se for de carro.
O trânsito de NY era mesmo insuportável, principalmente em horário de pico como de manhã cedo.
-Mas eu vou pro trabalho depois, amor.
-Não tem estação de metrô lá perto? 
-Tá bom -cedeu ele -Vamos? 
Deixando a chave do carro em casa, saímos.

Ele ficou lá comigo até eu entrar no consultório. Sabia que ele não tinha efetivamente me levado, mas sua presença até aquele momento me deixou mais segura. 
-Amo você, a gente se vê a noite. -disse ele, antes que eu fechasse a porta.
A sala era até aconchegante, ele estava sentado em uma poltrona com um caderninho no colo para fazer anotações. Limpava os óculos na camisa, aparentemente sem sucesso.
-Bom dia -ele disse simpático, vindo me cumprimentar
-Bom dia -respondi acanhada e sorri ao me sentar no sofá.
-A senhorita sabe porquê está aqui?
-Eu... diria que não sei porque, mesmo que no fundo eu saiba, não quero estar certa sobre o que eu sei, mas na verdade eu sei sim.
-Certo -disse ele, parecendo achar graça -Pode me explicar melhor? 
-Posso tentar -ri de volta -Não sei exatamente quando começou, mas parece que a minha vida inteira é ser atacada e depois fugir de homens desrespeitosos e as vezes agressivos, e essa sucessão tem me deixado vulnerável. Semana passada eu tive uma crise de ansiedade e meu namorado e minha melhor amiga me convenceram a começar a me tratar.
-Uhum -observei ele tomar nota, antes de levantar o rosto para mim -Preciso que me diga os nomes das pessoas com quem convive e suas atividades diárias.

***

As consultas realmente me fizeram um bem danado, como Soph não deixou de dizer que tinha avisado. Ali eu conversava sonhos que ainda tinha para realizar, sobre todos os abusos, do menor ao mais marcante e sobre a própria terapia. Era como tirar um peso enorme das costas e poder andar por aí mais livre, trabalhando questões de insegurança e autoentendimento. Logo seria outra mulher.



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