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História Entre dois mundos - Capítulo 11


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Capítulo 11 - A dança


Fanfic / Fanfiction Entre dois mundos - Capítulo 11 - A dança

Domingo, 11 de agosto de 2019

De manhã

Luísa já sentia-se quase uma funcionária da Big Hit. Em seu segundo dia no prédio, ela entrevistava agora o grupo rookie da empresa, Tomorrow X Together, mais conhecidos como TXT. Eles haviam debutado em março, e portanto, mesmo tendo muito mais suporte do que o BTS teve quando debutou, os meninos agiam de uma maneira bem mais nervosa, tímida e controlada do que seus sunbaes. A equipe chegara cedo, como no dia anterior, e novamente, o estúdio de dança havia sido preparado para o segmento com a entrevistadora brasileira. Mais uma vez, a Big Hit mostrava sua generosidade ao dar essa exclusiva a um veículo de comunicação brasileiro.

O bate-papo correu como de costume, iniciado por perguntas direcionadas ao grupo e depois seguiram as individuais. Os integrantes não estavam cientes, antes do início da entrevista, que Luísa era fluente, e portanto, a encheram de elogios ao ouvir o coreano dela. Ela os agradeceu, achando-os incrivelmente fofos, apesar da antítese ambulante que eram. Agiam de forma inocente e fofa, mas a aparência deles era um contraste surpreendente: o fato de serem todos altos e alguns encorpados, deixou Luísa ainda mais curiosa para conhecer mais sobre eles e poder divulga-los melhor no Brasil. No decorrer do tempo que esteve com eles, ela revelou já ter ouvido as músicas do grupo, e acabou confessando que sua favorita era Cat & Dog.

- Ela me ajuda muito a me animar pra malhar – Luísa afirmou, fazendo-os rir, um tanto sem jeito.

O fato dela já os conheceram e ter músicas preferidas foi recebido de forma muito inesperada pelos membros que sorriram, surpreendidos com a afirmação dela e a agradeciam sem parar.

Como já era a tradição das entrevistas de Luísa com os idols, encerrou com algumas brincadeiras, deixando-os mais à vontade a ponto de mostrarem um lado mais brincalhão e assim como seus sunbaes, bastante competitivo.

O segmento com os meninos do TXT acabou antes das dez da manhã e enquanto Bernardo desmontava os equipamentos, Raquel perguntou à Luísa:

- Lu, será que encerramos com a empresa?

- Boa pergunta, Kel... – Luísa a olhava, com as mãos no quadril – Fizemos as entrevistas com os dois grupos, o tour pela empresa... – Luísa parecia numerar os feitos.

- Aquele tour foi ótimo e inesperado, hein? Podemos dar aquela estendida naquela filmagem e transformá-la em uns três segmentos para o canal: um de comida, um sobre o processo de gravação e o último sobre... – Raquel parou, perdida em pensamentos, fazendo uma careta como se percebesse algo ruim.

- O que foi Kel? – Bê indagou – Esquecemos de algo?

- É, pode se dizer que sim – Raquel respondeu, soltando o ar, frustrada. – Filmamos o estúdio de dança, mas o coreógrafo não estava no prédio ontem, lembram? – ao que os dois assentiram – Pois é, vai ficar muito curto, sem depoimento do profissional – Raquel parecia nervosa, pois começara a andar de um lado para o outro. – Agora imaginem: um segmento com ele dando dicas pras fãs? Elas iam amar! Audiência lá em cima, na certa! – ela gesticulou, apontando para cima da cabeça dela.

- Sim, parece que ficou faltando algo mesmo sobre a dança, a coreografia... – Luísa concordou.

- Não é?! – Raquel bateu uma palma, satisfeita com sua conclusão, mesmo que insatisfatória.

- Lu? – Bernardo a chamou – Você não pode ver se o cara tá aí, se eles liberam ele, sei lá... Por uns 15 minutos?

Luísa ponderou e dando de ombros disse:

- Não custa tentar – ela então se afastou dos dois e rumou para o canto onde ainda havia membros do staff. Depois de conversar por alguns minutos e ter uma rápida conversa ao telefone, Luísa voltou, contendo-se para não saltitar até seus colegas.

            - Me colocaram no telefone com o manager Jun e adivinhem? – Luísa apertou os braços dos colegas - Conseguimos! O coreógrafo principal está na empresa hoje e com o aval da chefia vai poder gravar com a gente. O sr. Jun nos deu uma hora!

            Raquel deu pulinhos, batendo palmas, e Bernardo abraçou as meninas em um abraço de urso.

            - O que faríamos sem você e seu coreano hein, Luísa? – Bernardo disse, fazendo Luísa sorrir, mesmo dentro do abraço sufocante dele.

 

10:10

      Son Sung-Deuk não era apenas o coreógrafo oficial do BTS, mas era também, diretor de performance da Big Hit. Luísa estava nervosa, pois sabia que tinha recebido instruções de Raquel para pedir a ele que desse dicas, ou até mesmo ensinasse alguns passos mais populares para que as fãs brasileiras pudessem aprender.

O coreano de 36 anos era menos intimidador do que parecia, pois nos vídeos do BTS que ele aparecia, ele estava sempre sério e concentrado o que dava a impressão de severo. Porém, durante a entrevista, ele pareceu ter uma grande química com Luísa, agindo de forma bastante despojada, para a surpresa da brasileira.

Ele contou algumas curiosidades sobre as coreografias mais antigas, que ele mesmo tinha coreografado, criando alguns dos passos mais inesquecíveis na história do grupo. Em seguida, afirmou que agora, o grupo estava tão grande que era comum que a empresa convidasse coreógrafos renomados, como Brian Puspos e o casal Keone e Mari Madrid para coreografarem as danças. Porém, Sung-Deuk deixou claro que ele ainda trabalhava de perto com os meninos, quando não criando, avaliando o resultado.

      - Sr. Sung-Deuk, quanto tempo leva para o BTS memorizar uma coreografia?

      - Bem, atualmente de dois a três dias, mas depende muito da complexidade dos passos. Tem coreografia que já levou dois meses para ser executada sem erros. Mas hoje em dia, eles têm muito mais experiência do que quando começaram, estão mais treinados, daí demoram menos para aprender.

      - Uau... A forma como eles dançam é particularmente fascinante pra mim – Luísa afirmou ao coreógrafo. – A forma como são sincronizados, como são talentosos e tão energéticos no palco ou nos MVs foi com certeza algo que me fez virar fã.

      - Ah! A senhorita é Army? – o coreógrafo fingiu espanto, colocando a mão no coração.

- Bem, pode-se dizer que sim – ela afirmou, entre risos. – Enfim... O senhor também merece toda a aclamação que recebe, como aconteceu em 2017, com o prêmio que ganhou. É muito merecido esse reconhecimento. O senhor é parte fundamental desse sucesso deles.

Agradecendo-a, curvando a cabeça, Sung-Deuk parecia encantado pelo jeitinho da brasileira.

- Mas quando o senhor não está trabalhando, o que faz pra relaxar?

      - Hum... Eu adoro viajar! Mesmo que for viagem de descanso, não de exploração – ele deu uma risada alta que ressoou pelo estúdio. -  Mas às vezes, também viajo muito a trabalho. Dou workshops ao redor do mundo. Inclusive, já estive no Brasil a trabalho em 2017 e confesso: A-M-E-I – ele disse, de forma bastante enfática – o povo brasileiro. Adorei a energia deles, ou melhor – ele se corrigiu – de vocês – finalizou apontando para ela com as duas mãos. – Por sinal, você é um exemplo perfeito, sua energia é cativante!

      - Uau, obrigada, senhor Sung-Deuk – Luísa agradeceu, bastante sem graça. Mas antes que pudesse sentir-se sem jeito para continuar, finalizou perguntando sobre o processo criativo do coreógrafo.

      - Bem, querida, meu ídolo foi e sempre será o Michael Jackson. Ele não dançava as músicas, era como se ele se transformasse na música. Até seus giros eram únicos porque ele conseguia encaixa-los no ritmo da música. Ele era genial. E essa naturalidade... Que bem, alguns chamam de talento, mas que envolve muito suor e treino é o que tento ensinar aos meninos.

      Luísa simpatizara muito com ele e não pôde deixar de agradecê-lo muito por ter cedido seu tempo. E como ele parecia sentir o mesmo, ela aproveitou-se dessa sintonia e perguntou se seria possível ele ensinar alguns passos fundamentais para quem quisesse fazer covers das coreografias dele.

Mesmo notando que ele tinha apreciado o bate-papo, ele pareceu hesitar, olhando-a com olhos semicerrados e um sorriso de canto de boca. Luísa estava pronta para ouvir um sonoro “NÃO! ”, afinal, artistas podiam ser temperamentais e mudar de ideia repentinamente, mas surpreendeu-se quando a resposta finalmente veio:

- Se fosse outra pessoa pedindo, eu não o faria, porque... – ele hesitou, abrindo agora, um largo sorriso – tá tendo um churrasco IN-CRÍ-VEL – novamente ele foi enfático – na minha casa e eu tô aqui – ele aproximou-se dela, sussurrando – trabalhando! – Ele revirou os olhos e ainda sorrindo, continuou – Mas, como eu gostei de você... – ele finalizou, virando-se rapidamente, como se já estivesse dançando e caminhou até o controle de som para colocar uma música.

Luísa sorria, comemorando internamente o sucesso da entrevista e a receptividade dele. Ela então, mostrou um joinha para os colegas, revelando que ele topara mostrar alguma coreografia.

Sung-Deuk fez questão de que Luísa fosse a aprendiz e, portanto, à medida que ele ensinava um passo, ela tinha que reproduzir. “Eu tentarei...” – era o que ela dizia a si mesma. Além de uma meia dúzia de movimentos essenciais para que um dançarino amador pudesse ter uma base forte para começar a se aventurar em uma coreografia completa, Deuk também deu dicas preciosas de como gesticular e olhar para a câmera nas apresentações ao vivo. Luísa suava, mas sentia-se extremamente energizada, como quando fazia suas aulas no Brasil. Apesar da dor ou cansaço, a sensação de realização e prazer se sobressaía. Sorrindo, mesmo arfando por ar, Luísa pediu que o coreógrafo finalizasse a entrevista com uma mensagem aos fãs do BTS e dele.

- Hwaiting pra quem tá começando nesse mundo da dança. Não desista, pois muitos obstáculos aparecerão! Quero também agradecer por tantos covers bons das minhas coreografias ao redor do mundo.

      Ao receber o sinal de Bernardo que a câmera fora desligada e o OK de Raquel para que encerrassem, Luísa aproximou-se do coreógrafo e estendeu a mão para despedir-se.

      - Sr. Sung-Deuk, foi um prazer não só te conhecer, mas poder ter o privilégio de receber dicas suas. Obrigada.

      - Que isso... Também adorei, nem vi a hora a passar – ele disse, sorridente, olhando em seu relógio de pulso.

      - Ah! Sim! O seu churrasco! Nos desculpe por segurá-lo por tanto tempo. Não vamos mais atrapalha-lo. Tenha um bom dia senhor.

      Luísa curvou-se e já caminhava rumo aos colegas quando escutou:

      - Luísa, eu gostei de você sabia?! – ele disse, com as mãos no quadril.

      - Oh, senhor, sério? Uau, muito obrigada, gostei muito do senhor também. Gostei da sua energia – ela retribuiu.

      - Hummm – ele parecia ponderar, com os braços cruzados na frente do corpo – Meu marido deve estar furiosíssimo porque estou atrasadíssimo, afinal, eu que pedi que oferecêssemos um churrasco pra uns mais chegados do staff, já que também terei férias e cá estou... – Luísa começou a curvar-se para desculpar-se novamente quando ele ergueu a voz – Não, não, não! Não a culpo. Eu adorei. Depois lido com ele. E... – ele ponderava de novo, olhando-a – ele vai me perdoar mais facilmente se ele conhecer a razão pelo meu atraso – finalizou com um sorriso.

      Luísa não parecia estar compreendendo direito. “Ele está falando de mim ?” – ela se perguntava.

            - Desculpa... Acho que não entendi...

            - Vamos?! Você está intimidada a ir ao meu churrasco! Você e toda sua equipe, claro – ele gesticulou apontando para todos.

            Luísa fora pega totalmente de surpresa. Novamente, esperava ter a tarde livre para fazer algo com Namjoon, e agora, recebera mais um convite de um sunbae e era impossível recusar. Engolindo em seco e sorrindo, aceitou:

            - Uau! Claro! Eu adoraria! O pessoal aqui também, muito obrigada sr. Sung-Deuk.

            Ele bateu palmas e deu um abraço bem de longe nela.

            - Ah, que bom! Fico muito feliz. Vocês querem ir comigo? Estou de carro – ele ofereceu.

            Luísa fora pega de surpresa mais uma vez, e pensando rápido, respondeu:

            - Ah, muito obrigada, mas precisamos voltar pro hotel antes. Temos que deixar o equipamento e trocar de roupa.

            - Aaah... – ele exclamou, olhando-a dos pés à cabeça – Sim, entendo. Mas sabe de uma coisa... É bom mesmo trocarem de roupa. Está bastante calor! Ah! Deixa eu te perguntar: vocês têm roupa de nadar? Na minha casa tem piscina e eu sei o quanto os brasileiros adoram refrescar-se.

            Novamente Luísa se surpreendia, ele definitivamente não era um coreano padrão.

            - Sério? Piscina?! Eu adoro e tenho certeza que meus colegas também! Nós trouxemos roupa pra todos os tipos de ocasião. É melhor vir prevenido, né? – Luísa riu.

            - Sim, querida, sim – ele concordou, rindo também – Bem, me dê seu celular então. Te mando uma mensagem com o endereço.

            Luísa então, foi até a bolsa e pegou o celular. Arregalou os olhos nervosa quando viu notificações de mensagens de Namjoon.

(10:20) Namjoon: eu tinha vários convites pra te fazer

(10:20) Namjoon: é sério 

(10:20) Namjoon: mas fui convidado pra uma festa de uma das pessoas do staff que gosto muito e não posso recusar

(10:21) Namjoon: tentarei ficar pouco e podemos nos ver à noite

(10:21) Namjoon: pode ser?

            Luísa sentiu o coração, que tinha apertado por milésimos de segundo por dar-se conta de que não se veriam, encher-se de alegria quando percebeu que eles acabariam indo para o mesmo lugar.

(10:55) Luísa: Namjoon, oiee... Não tem problema, porque mesmo quando o universo conspira para que a gente não se veja, o seu staff dá um jeitinho! 

(10:55) Luísa: será que a festa que você vai é do sr. Sung-Deuk? Acabei de ser convidada também 

(10:56) Luísa: te vejo daqui a pouco 

            Ela saiu rapidamente do WhatsApp e desligou o wi-fi para que nenhuma mensagem dele chegasse enquanto o coreógrafo adicionava seu contato.

Sung, então, adicionou seu número e devolvendo o celular a ela, disse:

- Me mande uma mensagem pra eu ter seu número e aí te mando o endereço.

Luísa assentiu, já religando o wi-fi e mandando um ‘oi’ ao número do coreógrafo. Acompanhou-o então até a porta do estúdio e despediram-se com um rápido abraço. Ela se virou para seus colegas em um meio giro inesperado, chamando a atenção deles.

- Nossa, Lu. Você gostou mesmo de dançar, hein? – Bernardo concluiu, enrolando um dos cabos.

- Aí tem coisa, Bê – Raquel cruzou os braços na frente do corpo, lançando um olhar suspeito à Luísa – Ela não ficaria felizinha assim só por dançar. Desembucha vai! Vi o homem escrevendo o número dele no seu celular... Não sabia que ele fazia seu tipo... Hummm... – Raquel disse, segurando risos e trocando olhares com Bernardo.

- Quê?! – Luísa parecia atônita – Eu e o sr. Sung? Nada a ver, Kel! Você e suas suposições mirabolantes. Mas sim, você acertou a respeito de algo: não tô “felizinha” assim – Luísa disse, em um tom sarcástico e fazendo aspas no ar – pela dança, e sim porque ele nos convidou pra um churrasco na casa dele! E detalhe: tem piscina!

- Aaaaaíí sim! – Bernardo gritou, enfiando o cabo rapidamente na bolsa do equipamento.

- Hummm – Raquel batia palminhas, animada – vou estrear meu biquíni – agora era a vez dela de fazer aspas com os dedos – “discreto”.

 

11:32

         Antes de irem ao churrasco, os três passaram no hotel para que pudessem trocar de roupa.

            - Kel, você trouxe biquíni, né? – Luísa perguntou.

            - Oxi, mas é claro! Trouxe roupas pra tudo que é ocasião, até roupa de deserto.

            Luísa parou imediatamente de procurar o que queria em sua mala e olhou para Raquel com um olhar inquisitivo.

            - Roupa de deserto? E o que seria isso?

            Raquel puxou umas peças do fundo de sua mala e mostrou-as à Luísa.

            - Ué, camisa cor de areia, calça camuflada e Timberlands – ela disse em um tom como se suas escolhas fossem óbvias.

            Luísa pressionou os lábios, segurando uma risada.

            - Nem tem deserto na Coreia, tem algumas dunas, mas... – Luísa tentou falar, evitando rir.

            - E eu lá ia saber? Nunca fui boa de geografia e além disso, uma mulher precavida vale por duas.

            Luísa assentiu, concordando com ela.

            - Enfim, eles não têm deserto, mas têm piscina! Deixa eu ver se o seu biquíni não vai causar demais.

            Raquel então, abriu um outro compartimento da mala e puxou o conjunto de lá. Era um modelo bem comum no Brasil, de amarração na lateral do quadril. Luísa arregalou os olhos, pegando a calcinha e dizendo:

            - Bem, no Brasil isso é mais do que comum, mas aqui... Você vai parar o churrasco! – finalizou, rindo e arremessando a peça em sua colega.

            - Você acha que não pensei nisso? Trouxe um shortinho pra usar por cima, oras... Vai ficar super comportado! – ela sorriu, mostrando o short, satisfeita.

            - Hummm, não é que você teve uma boa ideia? – Luísa elogiou.

            - E o seu, hein? Cadê?

            - Eu já visitei a praia aqui, em Busan. E bem, digamos que é raro ver mulheres de biquíni. Muitas vezes os coreanos usam roupas mesmo, short e camiseta, ou aquelas blusas pra não se queimarem, então... Eu peguei um lá que eu tinha, mais... Discreto? – Luísa disse, mostrando o dela.

            - Ah, nossa! Depois fala de mim! O seu nem shortinho tem!

            Luísa riu, acertando o braço da amiga com a peça em sua mão.

 

12:27

            Quando o táxi parou em frente à enorme casa com uma entrada toda de granito, Luísa arregalou os olhos com o que via diante de si. Nunca tinha estado em uma casa desse padrão em Seul. Lá, as pessoas costumavam viver em apartamentos ou casas muito menores do que aquela. Os três então, desceram do carro e antes que Luísa pudesse apertar o interfone, Raquel segurou seu braço, sussurrando:

             - Lu!! Que casa, hein? Não sabia que um coreógrafo ganhava tão bem!

            - Nem eu! Ainda mais para os padrões coreanos... – ela fez uma curva para baixo com a boca, ainda chocada - Essa casa é uma mansão! Mas se bem que ele também é diretor de performance e dá workshops no mundo todo. Deve ser por isso.

            Luísa então, apertou o interfone e ouviu a voz de alguém que não era Sung. Ela disse em coreano quem eram, e após alguns segundos, o portão foi destravado. Assim que adentraram o local, os três soltaram exclamações baixinhas de espanto.

            Ao subirem as escadas, Luísa podia ouvir o burburinho de pessoas conversando e rindo.

Porém, à medida que caminhavam, aproximando-se dos outros, o silêncio tomou conta do ambiente e Luísa notou os olhares curiosos dos homens e mulheres presentes.  Era como se eles fossem algum tipo de atração. Bernardo e Raquel pararam imediatamente no gramado, sem saber como agir.

            - Tá tudo bem, gente! É assim mesmo... – Luísa falou baixinho, tranquilizando-os – Estrangeiro aqui, mesmo sendo cidade grande é quase um ET.

            Eles deram uma risada alta, o que deixou os coreanos ainda mais atentos.

            Sung-Deuk saiu da casa e foi em direção a eles, dando boas-vindas em coreano um pouco misturado com inglês.

            - Bem-vindos, bem-vindos! Entrem, entrem! Que bom que vieram.

            Ele tocou o braço de Luísa fazendo com que ela saísse do lugar, seguida pelos outros colegas. Passaram pelo grupo de coreanos, sentados em cadeiras na grama, à beira da piscina. Os brasileiros então, curvaram-se. Bernardo e Raquel arranharam um An-nyeong-há-se-yo, o que foi imitado por alguns coreanos, enquanto outros mantiveram-se calados. “Acho que Namjoon ainda não chegou” – Luísa concluíra, já que ele não estava presente na roda.

            - Venham aqui dentro, vou apresentar meu marido a vocês – Sung disse, entusiasmado.

            Assim que chegaram na porta, Luísa lembrou-se do costume e disse apressadamente aos colegas:

            - Tirem os chinelos na porta! Pelo amor de Deus! Ainda mais em uma casa como essa! – ela ordenou, apontando para o chão. Os três então, descalços, adentraram a casa. Deram poucos passos, indo em direção à cozinha e então Luísa o viu. Kim Namjoon estava recostado em um dos balcões.

            Ele estava conversando com um coreano mais velho e muito estiloso, que vestia uma camisa florida, que lembrava as que usam no Havaí. Assim que os brasileiros entraram, os dois coreanos pararam de conversar e os olharam. Luísa então, encontrou o olhar de Namjoon, que sorriu, endireitando sua postura. Ela sorriu de volta, em um reflexo do gesto dele.

            - Esse é Myung-soo, meu marido.

            Luísa foi a primeira a falar, dando a mão a ele e apresentando-se. Em seguida, apresentou seus colegas a ele. Os brasileiros ficaram surpresos quando ele lhes ofereceu a mão para que os cumprimentasse.

            - Ah, esse aqui vocês já conhecem, não é? – Sung desdenhou, abanando a mão no ar, na direção de Namjoon, como se ele não fosse importante. Todos riram, inclusive Namjoon, fazendo a covinha marcar sua bochecha.

            - Yes, hi – Namjoon disse em inglês, com uma voz que parecia mais grossa que o normal, fazendo Luísa desfazer o sorriso que tinha no rosto, entreabrindo a boca, um tanto abalada.

            - Beautiful house... You have – Raquel disse em um inglês “quebrado”, apontando ao redor, tentando fazer um elogio. O marido de Sung, agradeceu com um thank you e foi interrompido logo pelo coreógrafo que disse:

            - O Myung-soo que a projetou, ele é arquiteto.

            Depois dos parabéns em coreano ditos por Luísa, ela virou para os amigos dizendo em português:

             - Bem, o cara é arquiteto, acho que isso ajuda a ter uma casa dessas, né? - ao que os colegas assentiram com a boca aberta.

Luísa olhou para Namjoon e estava prestes a fazer-lhe uma pergunta quando alguém surgiu na porta, e em um tom elevado, disse:

            - Namjoon-ssi?! Vem aqui um pouquinho! – um coreano jovem chamou.

            Namjoon olhou para o chão, um tanto sem jeito e depois para Luísa, e seguiu para o quintal.

            - Lu, pergunta se vamos poder nadar, não vi ninguém de sunga... E acho que vi só umas duas mulheres... – Raquel pediu.

            - Sr. Sung? Meus colegas querem saber se vamos poder nadar... – Luísa perguntou, um tanto sem jeito.

            O coreógrafo então, a segurou novamente pelo braço.

            - Lógico que podem, fiquem à vontade! – exclamou, e apontando para a janela, continuou - Hoje o calor está insuportável! Vem chuva logo mais, certeza!

            Ela sorriu, agradecendo-o e transmitiu a permissão a Bê e a Kel, que se animaram, sorrindo e dizendo “ebas” baixinho.

            Os três seguiram o anfitrião até o quintal e sentaram-se em uma das mesas com cadeiras vagas. Não demorou muito e um coreano mais jovem, trajando um uniforme, trouxe alguns pratos e travessas com comidas e algumas bebidas. Eles começaram a experimentar, mas Luísa não parecia ter fome, ela sentia diversos olhos curiosos neles que a deixavam um tanto atenta a cada movimento que fazia. Ela lembrava a si mesma que não podia deixar transparecer nenhum tipo de atração por ele. Afinal, o lugar só tinha gente do staff e Luísa não sabia em quem podia ou não confiar. Continuou sentada, esperando que os colegas terminassem de comer.

            - Bê, deixa pra comer depois! Vamos entrar na piscina?! – Raquel propôs, e assim que Bê começou a protestar com a boca cheia de comida, ela apelou para o choramingo - Por favor?! Ah, vai!?

            - Tá bom, tá bom! – ele rendeu-se. – Vamos, Lu?

            - Aham, tô precisando esfriar a cabeça mesmo.

            Os três brasileiros então, levantaram-se e começaram a tirar as roupas ali mesmo, no gramado. E mais uma vez, Luísa notou que todos os coreanos pararam de conversar. Ela, que agora estava de costas para o grande grupo, sentiu um arrepio correr a espinha porque sabia que todos estavam olhando os “modos” dos estrangeiros.

Luísa sentiu necessidade de uma bebida e antes que tirasse toda a roupa, serviu-se de duas shots de soju que estava na mesa. Alguns segundos após engolir o líquido ardente, uma ideia cruzou seu pensamento, e deu uma erguida de sobrancelha para Raquel como se insinuasse algo. Esse gesto fora o bastante para que a colega entendesse o recado. Então, as duas capricharam nos movimentos ao tirarem as peças de roupa.

Como eles haviam aplicado protetor solar ainda no hotel, era só pular na água. Bernardo foi o primeiro a ficar pronto para a água, só de sunga. Assim que ele tirou o short, Luísa pôde ouvir algumas exclamações baixinhas atrás dela, e comprimiu uma risada, enquanto via Bernardo fazendo pose esperando as meninas.

            - Bê?! – Luísa o chamou, rindo – Eles vão enfartar porque você tá praticamente pelado – ela ria mais agora.

            As moças até então, tinham tirado apenas a parte de cima das roupas, faltavam os shorts. Lentamente, Luísa curvou-se e tirou a peça. Não se atrevia a olhar para trás, para onde ele estava. Morria de vontade de ver a reação dele, mas ao mesmo tempo, não queria ver a das outras pessoas.

Os três, já sem roupa, se olharam e desataram a correr quando Bernardo gritou:

            - Quem for o último, vai pagar uma rodada de bebida! – e disparou rumo à piscina.

As duas trocaram um olhar e o seguiram. Raquel foi a última a pular, espirrando água por todo lado e rindo ao emergir com os colegas.

Namjoon que conversava descontraidamente com uma das maquiadoras e um dançarino, percebeu uma comoção tomar conta das pessoas ao redor dele e procurando com o olhar, entendeu o porquê: os brasileiros estavam se despindo para nadar. Instantaneamente, sentiu-se inquieto, como se algo em seus pés o incomodasse e seu rosto fechou em uma expressão que não era nada amigável. Ele sentiu um calor pintar suas bochechas quando o ciúme fez seu sangue ferver.

Luísa trajava um biquíni, o que já era esperado. Porém o modelo, apesar de mais discreto do que ele sabia que existia no Brasil, era ainda assim, bem mais revelador que os modelos coreanos.

Assim que os brasileiros correram, entrando na piscina, Namjoon fechou as mãos em pulsos ao ouvir comentários dos homens coreanos a respeito do corpo de Luísa. Ele sentiu um ímpeto de ir até a piscina, jogá-la em seu ombro e levá-la dali. Parecia que os comentários maliciosos que ouvira de alguma maneira podiam machucar Luísa. Namjoon certamente fora machucado por eles.

Ela então, subiu as escadas da piscina e se posicionou na borda, prestes a mergulhar. Assim que a viu em pé, toda molhada e com aquele biquíni, Namjoon mediu-a da cabeça aos pés. Ele sentiu o coração acelerar tamanha era a força do redemoinho que sentia formando-se dentro de si devido à delícia que era Luísa. O corpo dela parecia macio e firme ao mesmo tempo, imprimindo a feminilidade em cada curva. Namjoon demorou-se olhando as alças que perdiam-se de vista atrás do pescoço dela, mas que sustentavam apetitosos seios que o fizeram engolir em seco. Baixou o olhar pela barriga dela, demorando-se no umbigo e soltando um suspiro, frustrado, por sentir uma vontade de beijá-la ali. Quando seu olhar atingiu a calcinha do biquíni, Namjoon não pôde evitar se não, morder o lábio, tentando conter um tesão que crescia dentro dele e que poderia aparecer a qualquer momento em seu short. Ele então, engoliu em seco novamente, cravando as próprias unhas nas palmas de suas mãos, pois sentia o sangue fluir para seu pênis quando olhando as coxas dela, Luísa virou o corpo para dizer algo à Raquel, dando a ele, uma visão de sua bunda. O bumbum de Luísa era o melhor que ele já tinha visto na vida. Redondo, empinado e firme. Ela era irresistível. Assim que Luísa mergulhou na água e a tortura pareceu dar uma trégua, Namjoon desviou o olhar e tomou um gole generoso de água para tentar acalmar sua excitação.

Os brasileiros brincavam, gritavam e se divertiam na água, tudo sob os olhares dos coreanos que se dividiam entre a curiosidade e o espanto. Namjoon, que observara a entrada deles na piscina em pé, agora sentava-se em uma das cadeiras, bebericando uma cerveja. Ele mal conseguia prestar atenção ao que o seu staff falava, pois se via constantemente virando o rosto para olhá-la na piscina. Namjoon via agora a essência do brasileiro materializada naquelas três pessoas. Ele respirou fundo, ao dar-se conta do quão afetivos eram. O homem, mesmo não namorando nenhuma das duas mulheres, as tocava, as arremessava na água, brincando, rindo e conversando sem barreiras de gênero ou idade. Namjoon sorriu vendo a cena, mas logo substituiu o sorriso por um beicinho decepcionado, pois sentia uma vontade nova, um desejo de juntar-se a eles. Parecia tão divertido e libertador.

Depois de cerca de meia hora na água, os três saíram, já sentindo-se refrescados o bastante naquele domingo quente do verão sul-coreano.  Bernardo saiu primeiro e correu até a bolsa de Luísa, revirando-a em busca de algo. Assim que Luísa chegou até onde ele estava, deu um grito:

- Pô, Bê! Só trouxe essa! Sacanagem! Você não trouxe uma?! – ela o repreendia, pois ele estava se enxugando com a maior cara de pau na pequena toalha que Luísa trouxera para ela. Raquel que tinha outra, fazia-se de desentendida. Agora a única que estava em pé no gramado, pingando, era Luísa. – Aaah! Você vai ver só! Como vou fazer agora?

- Ué, senta na cadeira! O sol te seca! – Bernardo disse rindo, o que enfezou Luísa ainda mais. Ela partiu para cima dele, para estapeá-lo no braço. Ele correu todo desengonçado, escapando dela. Luísa então, respirou fundo e rumou para onde Sung e o marido estavam. Ela tinha plena consciência de que todos os olhares estavam nela, ou melhor, no corpo dela, ainda mais agora, tão perto do grupo principal.

- Sr. Sung... – disse Luísa, chamando o coreógrafo, que a olhou imediatamente – Me desculpe incomodá-lo, mas meu colega pegou a única toalha que eu trouxe. Você teria uma pra me emprestar?

Enquanto esperava pela resposta dele, Luísa sentia a presença de Namjoon à sua direita, que mesmo com óculos de sol parecia observar cada centímetro do corpo dela. Sung levantou-se e apontando para dentro da casa, disse:

- Mas é claro, minha querida! Temos inúmeras na lavanderia! Pode ficar à vontade. Vou te mostrar onde é – ele disse, tocando-lhe o braço para que ela o seguisse.

Assim que chegaram na porta da casa, Luísa deteve-se e apontando para seu corpo, disse:

- Senhor, mas eu estou pingando, não posso entrar.

- Tsss! – ele abanou as mãos no ar, como se para que ela parasse de bobagem – Não tem problema, aqui é piso, e é só você atravessar a cozinha, a lavandeira já é ali ó – ele exclamou, apontando a direção.

Luísa curvou-se em agradecimento e antes que desse outro passo, ele segurou o braço dela, dizendo:

- Senhorita, só não feche a porta, estamos com um problema na maçaneta. Se fechar, ele tranca e não temos como abrir, ok?

- Sim, senhor, só vou me enxugar mesmo. Não fecharei a porta. Pode deixar.

O homem assentiu, sorrindo, e Luísa virou-se, rumando para a lavanderia.

Uma vez lá, notou que até mesmo a lavanderia era bem planejada. Além de máquinas diferentes, havia uma pia, balcão e diversos armários. Luísa não avistou nenhuma toalha e portanto, começou a abrir os armários discretamente tentando acha-las. Assim que abriu a porta de um armário, viu no alto, algumas toalhas dobradas. Ela estava prestes a pegar uma quando um estrondo a fez fechar o armário bruscamente. Quando se virou para olhar, seu coração, que já estava acelerado pelo susto, começou a galopar em seu peito, pois Kim Namjoon estava lá e ele havia fechado a porta atrás dele.

- Namjoon! Que susto! – Luísa exclamou, afastando-se do armário de toalhas e encostando-se na pia, com a mão sobre o coração, tentando acalmar-se.

- Me desculpa. Não queria te assustar. Mas... – ele que tinha os braços atrás do corpo, levantou uma das mãos na direção de Luísa, mostrando um objeto – acho que quebrei a maçaneta – ele finalizou, olhando para ela com um olhar inocente.

Luísa então, fechou os olhos, e soltou a ar de forma nervosa.

- Minha nossa! E agora?! O sr. Sung me disse que não podia fechar a porta porque havia algum problema com a maçaneta e bem... Agora vejo que é verdade – ela finalizou, soltando uma risada e olhando para o objeto nas mãos de Namjoon. Ele também começou a rir, sem jeito, segurando o objeto na mão.

- E agora? Como vamos sair daqui? – Luísa indagou.

- Hum... – Namjoon deu de ombros, colocando o pedaço de maçaneta no balcão. Ele então, recostou-se nele, de uma forma que ficava bem de frente à Luísa, que por sua vez, apoiava-se na pia – Logo alguém vai dar falta da gente e vem nos procurar.

- Hum... – Luísa assentiu, como se sentisse um desejo na fala dele de que não os encontrassem tão cedo. Ela então, sorriu e endireitando o corpo, apontou para um dos armários perto de Namjoon.

- Me passa uma toalha, então, por favor? Estão naquele armário ali.

Namjoon assentiu, travando a mandíbula enquanto entregava a ela.

- Tá tudo bem, Namjoon? – Luísa perguntou, já que ele ainda mantinha a mandíbula flexionada.

Ele não respondeu de imediato, parecia mais ocupado vendo-a passar a toalha pelo corpo. Quando ela pareceu terminar e segurar a toalha, cruzando os braços, ele finalmente disse:

- Luísa... Você não está com frio, não? Acho que tem uma corrente de ar aqui, não tá sentindo? Vindo daquela janela ali... – Namjoon disse, apontando para minúsculas saídas de ar, quase localizadas no teto -  Melhor vestir algo... Ou se cobrir... – ele finalizou, engolindo em seco.

Luísa o olhou com um olhar interrogativo até começar a rir.

- Namjoon! Para, vai! Que corrente de ar? Acho que é o dia mais quente do ano e até a água da piscina não estava fria!

- Sim, sim! Mas isso é lá fora... Tem ar-condicionado pela casa... Você pode se resfriar... Está quase... – ele parecia hesitar, e apontando para a calcinha dela continuou – O tamanho do seu bi... Bem, digamos que você está com poucas roupas. É só isso! É só isso que tô querendo dizer... – ele finalizou, cruzando os braços na frente do corpo e engolindo de um jeito tão forte, que o olhar de Luísa foi imediatamente atraído para o pomo de adão dele. Como ela nunca tinha reparado o quão sexy aquele movimento poderia ser. Demorou-se pelo pescoço dele, e ainda em silêncio, um sorriso brincou em seus lábios.

- Ah! Agora entendi! – ela finalmente exclamou - Seu problema é com o meu biquíni!

- Não! Não! Não é bem isso... Bem, só acho que... – ele negava, gesticulando.

Luísa agora ria e desencostando-se da pia, arremessou a toalha na direção dele, atingindo Namjoon bem no rosto. Enquanto ele se livrava da toalha, ela aproximou-se do ouvido dele e disse como em um sussurro, enviando um arrepio por toda espinha de Namjoon:

- Se você quer mesmo saber... Eu só coloquei ele pensando em você. Não precisa ficar com ciúmes...

Namjoon sentia o rosto pegando fogo. Ele então, pressionou os lábios em uma linha fina enquanto observava Luísa afastando-se e voltando a recostar-se na pia. Ele não sabia se ficava cheio de si pela afirmação dela ou consternado por ela perceber o seu ciúme.

Como ele parecia chocado com o que ela acabara de dizer, Luísa ergueu uma sobrancelha, já que havia um plano formando-se em sua cabeça.

- Bem, mas já que está tão preocupado com a minha saúde... – ela sorriu, mordendo o lábio em seguida – Me dá a sua camisa pra eu vestir? – Luísa pediu, fazendo uma cara inocente.

Namjoon parecia atônito com mais mostras do jeito confiante dela, e pigarreando alto, a respondeu com outras perguntas:

- Minha camisa? Você quer a minha camisa? – ele apontava pra si mesmo, sem acreditar.

- Isso. Você me empresta? – ela pediu novamente.

Passados alguns segundos, ele assentiu, desabotoando a peça.

Ele usava uma camisa branca, de botão e de mangas curtas, um short preto e chinelos do estilo slide. Luísa abriu um sorriso ao vê-lo prontamente atendendo ao seu pedido. Assim que ele começou a desabotoar os botões ela não conseguiu fazer outra coisa senão cravar os olhos nele. Namjoon era insanamente atraente. Despois de admitir a ela que estava malhando, Luísa notou enquanto ele tirava a camisa, que o corpo de Namjoon estava mais moldado, especialmente os ombros e o braço. Ao olhar para o peito dele, notou que eles pareciam maiores e mais firmes. A cor da pele dele destacava a recém adquirida forma física e como se quisesse saboreá-lo e não podendo, por instinto, Luísa passou a língua em seus lábios, apoiando as mãos com certa força na borda da pia. Descendo o olhar pelo abdômen dele, ela agora, sentia a necessidade de morder o lábio, tentando conter um gemido que teimava em querer sair. O corpo dele era uma perdição e Luísa só pensava em como poderia toca-lo.

Namjoon encontrou o olhar dela quando esticou o braço para entregar-lhe a camisa. Ele voltou a encostar-se no balcão, assim que ela pegou a peça. Luísa notou, enquanto vestia a camisa, que mesmo sendo tão gostoso, ele conseguia imprimir uma certa fofura no rosto, envergonhado, por estar seminu na frente dela.

Luísa sentia-se corajosa pelas cervejas e pelas shots de soju que havia tomado antes e estimulada pelo perfume que estava exalando da camisa dele, ela só pensava em como poderia toca-lo e assim o fez, sem pestanejar. Aproximou-se dele e olhando novamente para o abdômen de Namjoon, ela demorou-se com os olhos no cós do short dele, notando uma leve marquinha que parecia uma cicatriz. Alisando a área de leve com as pontas dos dedos, ela perguntou:

- O que aconteceu aqui? – ela disse baixinho, procurando olhar dele, quando sentiu-o tremer sob o toque dela.

- Aaah... Isso aqui? – ela disse entre suspiros – É uma cicatriz de infância, eu caí andando de bicicleta e me ralei todo...

- Huuum... – foi só o que Luísa conseguiu soltar.

Namjoon, que ainda não sabia como agir, estando tão próximos e com tão pouca roupa, fez uma pergunta a ela:

- E você? Tem cicatrizes? – ele a olhou com olhinhos curiosos.

Luísa sorriu e levantando o dedão da mão direita, disse em uma voz um tanto dengosa:

- Aqui ó! – ela fez um joinha, mostrando uma fina linha da cicatriz que tinha no dedão da mão – Eu tinha uns oito anos e levei um pote de vidro pra escola, e ele quebrou na minha bolsa e eu não notei. Quando enfiei a mão pra pegar meu material, me cortei... – ela encontrou o olhar dele, fazendo um biquinho – Mas foi só o susto, nem precisei de pontos – ela finalizou, sorrindo, satisfeita.

Namjoon parecia um bobo apaixonado, sorrindo a cada expressão nova que via formando-se no rosto dela. E então, foi pego de surpresa, pois de fofa ela passou à sexy em questão de segundos. Dando dois passos para trás, no estreito corredor entre a pia e o balcão, Luísa apoiou o pé ao lado de Namjoon, como se impedisse a passagem dele. Com a perna toda esticada, Luísa apontou para o seu joelho direito, fazendo com que Namjoon seguisse o gesto dela com o olhar.

- E a outra cicatriz que eu tenho foi bem aqui – ela disse, tocando com o indicador uma cicatriz mais profunda e arredondada. Luísa sorriu disfarçadamente, sabendo que tinha toda a atenção de Namjoon – Eu estava nadando e não vi que tinha um prego solto na borda e coloquei meu joelho pra sair da piscina e “ai!” – ela gritou baixinho em português, fazendo com que ele desviasse o olhar da perna dela e olhasse para o rosto de Luísa, que fazendo uma cara de dor, continuou – Rasgou esse pedacinho do joelho - Ela fez um bico, soltando o pé do balcão e voltando a ficar em pé normalmente.

Namjoon, que parecia sentir uma dor que não sabia de onde vinha, tinha no rosto uma expressão de surpresa que logo transformou-se em compaixão.

- Oh, coitadinha – ele disse em um tom carinhoso. Ele agora, olhava-a no olho. Perdido naqueles olhos que pareciam ter a cor de uma avelã.

Luísa mordia seu lábio inferior, pois tentava conter não só a diversão por sua ideia estar surtindo efeito, como por desejar poder toca-lo ainda mais.

- É... Acho que não fui uma criança tão travessa... Não tenho muitas cicatrizes... – ela disse, dando de ombros e fechando os olhos. Quando os abriu, viu os dragoon eyes dele, olhando-a com desejo. Sorrindo, ela se aproximou novamente dele e avistou uma cicatriz no joelho de Namjoon. Tocando-a, perguntou como ele tinha conseguido aquela.

- Ah, essa... - ele curvou-se, tocando seu próprio joelho – Foi dançando em um MV. Estávamos no set de filmagens e era um local bem complicado, acabei caindo e cortei aqui. Bem... São ossos do ofício, eu acho... – ele riu de um jeito fofo, marcando a covinha, fazendo-a sorrir de volta – Eu e os meninos costumamos dizer “cicatrizes de guerra” – ele finalizou, rindo e tampando a boca, envergonhado.

Luísa riu baixinho e vendo-o assim, mais relaxado na frente dela, resolveu arriscar ir além.

- Já que você mencionou a dança... Quando é que vou vê-lo dançar, hein? – ela indagou, cruzando os braços na frente do corpo.

- Eu? Você quer me ver dançar? – ele parecia ter sido pego de surpresa.

- Sim, isso mesmo. Eu quero ver.

- Hum... Eu acho que não danço bem sozinho... Bem, é melhor você ver nossas apresentações ou MVs – ele ria, sem jeito, procurando as palavras certas. – Lá acho que tô dando o meu melhor...

- Ah, sim, eu já vi vááários vídeos de apresentações suas, mas... – ela hesitou, olhando-o com o rosto um tanto baixo, com uma expressão misteriosa. – Não é bem esse tipo de dança que queria vê-lo dançar.

- Ah, não? A que se refere então? – ele indagou, passando a mão pela nuca, um tanto sem jeito.

- Hum... Não queria vê-lo dançando sozinho... Queria que você dançasse comigo – ela sorriu, fazendo-o derreter por dentro. Namjoon sentia que ele seria capaz de fazer o que quer que ela quisesse, só bastava vê-la sorrindo para ele daquele jeito.

- Nós dois? – ele parecia precisar de mais confirmação que entendera o convite dela.

- Aham... Você – ela apontou na direção dele e depois para ela – e eu.

Namjoon parecia sem palavras e só conseguiu mordeu o lábio, olhando-a. Ela então, aproximou-se, virando a palma da mão para ele.

- Você tá com o celular? – Luísa perguntou. Namjoon apenas assentiu. – Posso escolher uma música? – ao que ele assentiu novamente, pegando o celular do bolso traseiro do short, destravando-o e colocando-o na palma da mão dela. Antes de Luísa começar a digitar a música que tinha em mente, ela precisava da confirmação dele.

- Isso quer dizer então que você aceita? – ela sorriu antes de continuar – Dançar comigo?

Namjoon novamente, não conseguiu dizer nada, apenas concordou com a cabeça. O sorriso de Luísa foi maior agora, animada, ela começou a fazer a busca pela música no celular dele. Quando encontrou-a no Spotify, ela deu o play, colocando o celular no balcão. Luísa então, o puxou pela mão, fazendo com que seus corpos colidissem. Ele parecia sem jeito, nervoso, não sabia onde podia ou não tocá-la, afinal, Luísa estava de biquíni e apenas com a camisa dele por cima, o que não ajudava muito, já que estava toda desabotoada. Ele por sua vez, estava só de short. Ela então, o guiou, trazendo-o mais para perto, enquanto a música começou a preencher o ambiente. Quando Namjoon sentiu a barriga de ambos encostando, ele fechou os olhos, soltando o ar pesadamente. A lavanderia parecia estar desfocada, pois Namjoon só conseguia olhar para baixo, para Luísa, e sentir o corpo dela colado ao dele.

 Gorilla - Bruno Mars

Oh I got a bottle full of liquor with a cocaine kicker (Oh, meu corpo tá cheio de álcool, com um pouco de cocaína)

And I'm feeling like I'm thirty feet tall (E estou me sentindo como se eu fosse um gigante)

So lay it down, lay it down (Então deita, deita)

You got your legs up in the sky (Você está com as pernas para cima)

With the devil in your eyes (Com o demônio em seus olhos)

Let me hear you say you want it all (Deixe-me ouvi-la dizer que você quer tudo)

Say it now, say it now (Diga agora, diga agora)

 

Luísa deslizou as mãos para cima, pelo abdômen dele, passando pelo peitoral até chegar nos ombros e repousar as mãos ali, agarrando-o pela nuca. Endireitou o corpo, tocando não somente as barrigas, mas roçado os seios nele. Esse movimento pareceu incentivar Namjoon, fazendo com que Luísa sentisse uma ebulição se formando dentro dela com a maneira com que ele pressionou o corpo contra o dela. Ele deslizou as mãos da cintura para o quadril dela, trazendo-a ainda mais para perto. Namjoon então, começou a mover-se lentamente, embalando-a no ritmo da música.  Luísa ergueu o olhar, olhando-o no olho. Ela notou que ele estava diferente, quase sério. O calor da pele dele parecia queima-la e o cheiro da camisa dele misturado ao cheiro que vinha dele estavam enlouquecendo-a. Luísa acabou soltando um suspiro que saiu alto, quase como um gemido. Ela então, percebeu algo acontecer nos olhos dele quando a ouviu gemer. Eles ficaram mais escuros e pareciam querer devora-la.

Look what you doing, look what you done (Olha o que você tá fazendo, olha o que você fez)
But in this jungle you can't run (Mas nessa selva você não pode fugir)
'Cause what I got for you (Porque o que eu tenho pra você)
I promise is a killer, you'll be banging on my chest (Eu prometo é incrível, você vai bater no meu peito)
Bang bang, gorilla (Bater, bater, gorila)

Ooh yeah, you and me baby making love like gorillas (Você e eu, querida, fazendo amor como gorilas)
Ooh yeah, you and me baby making love like gorillas (Você e eu, querida, fazendo amor como gorilas)

O álcool a deixava corajosa, e tirando uma mão da nuca dele, Luísa foi deslizando novamente por aquele peitoral perfeito, pelo abdômen firme, sentindo os músculos dele tencionarem ao toque dela. Luísa sentiu a respiração pesada de Namjoon quando ele encostou a testa na dela, com as bocas a centímetros de distância. Ela mal fechou os olhos e já os abriu novamente, quando sentiu algo roçando sua barriga. Sorrindo, ela escondeu o rosto na curva do pescoço de Namjoon, dando-se conta da ereção dele. Ela abraçou-o ainda mais forte, sentindo-se poderosíssima, por dar-se conta do que ela estava causando nele. As mãos de Namjoon a apertavam como se estivessem dançando nas nuvens e fossem cair a qualquer momento.

Yeah I got a fistful of your hair (Sim, tô segurando um punhado do seu cabelo)

But you don't look like you're scared (Mas você não parece estar assustada)

You're just smiling tell me daddy it's yours (Porque você só sorri e diz “Daddy, é seu”)

'Cause you know how I like it (Porque você sabe como eu gosto)

You’s a dirty little lover (Você é uma safada)

If the neighbors call the cops, call the sheriff (Se os vizinhos chamarem a polícia, o delegado)

Call the swat we don't stop (Chamarem a S.W.AT. não vamos parar)

We keep rocking (A gente vai continuar curtindo)

While they knocking on our door (Enquanto eles batem na nossa porta)

And you're screaming give it to me baby (E você vai gritar: “Continua, amor”)

Give it to me motherfucker (“Continua, vai, filho da puta!”)

 

Luísa então, roçou a ponta do nariz no pescoço dele, fazendo carinho e sentindo o cheiro dele ao mesmo tempo. Ouvindo-o gemer baixinho, ela apertou com força os ombros dele. A vontade dela era mordê-lo, mas mordeu o próprio lábio ao invés. Ela então, embalada pelo ritmo da música e influenciada pela letra, soltou-se do enlace dele, virando-se de costas, encostando a bunda nele, dando a deixa para que ele a abraçasse por trás. Luísa sorriu quando os braços dele envolveram-na pela cintura.

Look what you doing, look what you done (Olha o que você tá fazendo, olha o que você fez)
But in this jungle you can't run (Mas nessa selva você não pode fugir)
'Cause what I got for you (Porque o que eu tenho pra você)
I promise is a killer, you'll be banging on my chest (Eu prometo é incrível, você vai bater no meu peito)
Bang bang, gorilla (Bater, bater, gorila)

Ooh yeah, you and me baby making love like gorillas (Você e eu, querida, fazendo amor como gorilas)
Ooh yeah, you and me baby making love like gorillas (Você e eu, querida, fazendo amor como gorilas)

Dançaram embalados por alguns segundos. Luísa sentindo todo o volume dele e Namjoon não contendo-se, trazia ela ainda mais de encontro à sua ereção. Ela então, não resistindo, querendo ver as reações no rosto dele, virou-se novamente de frente para ele. Namjoon que estava corado e com a boca semiaberta, levou milésimos de segundos para que a abraçasse novamente, a trazendo mais para perto. Luísa então, enlaçou o pescoço dele com os braços, fazendo com que ele jogasse a cabeça levemente para trás, fechando os olhos. Ele a tocava direto na pele, por dentro da camisa aberta. As mãos de Namjoon pareciam acender cada parte da pele dela que ele tocava: os braços, as costas, e por fim, a cintura.

I bet you never ever felt so good, so good (Aposto que você nunca se sentiu tão bem, tão bem)
I got your body trembling like it should, it should (Seu corpo tá tremendo como deveria, deveria)
You'll never be the same baby once I'm done with you (Você nunca mais será a mesma, querida, depois que eu acabar)

 

Ooh yeah, you and me baby making love like gorillas (Você e eu, querida, fazendo amor como gorilas)

Ooh yeah, you and me baby we’ll be fucking like gorillas (Você e eu, querida, vamos transar como gorilas)

Ooh yeah, you and me baby making love like gorillas (Você e eu, querida, fazendo amor como gorilas)

 

Namjoon, ainda de olhos fechados, com a cabeça levemente para trás, sentiu uma gota de suor escorrer pela lateral de seu pescoço e foi então que outra sensação molhada o fez abrir os olhos. Ele sentiu os lábios dela e depois a língua de Luísa em seu pomo de adão. Namjoon sentiu seu pênis latejar e não pôde evitar soltar um gemido mais alto. Luísa não conseguia mais se controlar, ela tinha que senti-lo com a língua. A ereção dele que roçava nela, a fazia sentir algo entre as pernas, parecia que ela ia perder as forças. Se alguém perguntasse seu nome naquele momento, ela não saberia dizer. Ficando nas pontas dos pés e erguendo o olhar, Luísa encontrou os olhos de Namjoon e então, começou a mover seu rosto em busca dos lábios dele. Estava quase sentindo-os quando batidas fortes, rápidas e altas na porta fizeram a bolha de desejo que os cercava estourar. Afastaram-se rapidamente, quase arfando por ar. Luísa então, abriu a torneira da pia, jogando água no rosto, enquanto Namjoon tentava desesperadamente desligar a música ao mesmo tempo em que ajeitava o short.

            - Luísa? Senhorita? Você está aí? Você está bem? – o anfitrião perguntou, preocupado.

            Luísa permaneceu de costas, não conseguia encarar Namjoon. Ela não se conformava, estavam quase se beijando, finalmente! E mais uma vez foram interrompidos. Ela sabia que não era culpa dele, portanto, evitou olha-lo para não descontar sua frustração nele.

            - Sim, senhor! Estou aqui – Luísa gritou de volta.

            - Ah, querida! Você fechou a porta?

            - Não, fui eu – Namjoon finalmente falou, sua voz soou séria e brava. – Foi sem querer.

            - Namjoon-ssi? Você também está aí? – Myung-soo perguntou, desconfiado e surpreso.

            - Sim, eu estava na cozinha e ela pediu ajuda pra pegar uma tolha, estava muito no alto, - Namjoon mentiu, encontrando o olhar de Luísa pela primeira vez desde o quase beijo e fazendo uma careta para que ela compactuasse com ele. Ela assentiu e reforçou a mentira:

            - Sim, não estava achando as toalhas e quando as vi, estavam muito no alto.

            - Ah, sim, sim... Tudo bem queridos. Vamos tira-los daí, já, já, ok? O Myung-soo foi buscar uma furadeira para retirarmos a maçaneta totalmente.

            Luísa cruzou os braços na frente do corpo e suspirou alto, de frustração. “Quando é que vamos poder ficar a sós? ” – ela se indagava.

Foi então que, ouvindo o barulho da furadeira, algo estalou em sua mente, fazendo-a lembrar que ainda vestia a camisa de Namjoon e alarmando-se, retirou-a depressa e arremessou-a na direção dele, dizendo baixinho:

            - Veste logo! Eles vão tirar conclusões se me verem com ela... – ela parecia nervosa, mas Namjoon assentiu, vestindo-a e abotoando os botões. Luísa então, pegou a toalha que usara para se enxugar e enrolou-a no corpo. No momento em que Namjoon abotoava o último botão, o resto da maçaneta caiu, e os anfitriões abriram a porta.

            - Poxa! Nos perdoem por isso! – Sung disse – Agora não temos mais desculpas, temos que consertar essa porta, querido! – ele finalizou, olhando para o marido.

            - Vocês estão bem? – Myung-soo perguntou.

            Luísa e Namjoon, ainda mexidos pelo momento que acabaram de compartilhar e frustrados pelo quase beijo, só conseguiram assentir.

            - Não acho que estejam bem, querido! Olha como estão corados! – Sung afirmou veementemente – Venham, venham, venham pra fora, pra se refrescarem. – Ele ordenou, acenando para que o seguissem.

            Luísa e Namjoon cruzaram os olhares e os olhos de ambos pareciam expressar uma súplica para que o que quer que tivessem começado ali, tivesse continuação. Esboçando um sorriso que marcou a covinha em sua bochecha, Namjoon esticou o braço, dando a entender que Luísa saísse primeiro. Dando uma última olhada para o volume que ele tentava disfarçar no short, Luísa sorriu, rumando para fora do cômodo.

15:00

            Luísa e os outros agora desciam uma das ladeiras que levava à avenida mais próxima da casa de Sung e Myung-soo. Mais cedo, quando Luísa retornara à mesa dela, seus colegas expressaram o desejo de partir, pois ainda queriam fazer algumas comprinhas. Luísa concordou, afinal, seu momento com Namjoon já tinha passado e havia perdido o interesse no churrasco e em todos os outros que ali se encontravam. Depois de vestida, despediu-se de todos de uma forma geral, porém Namjoon não se encontrava entre eles. Ou tinha ido embora ou estava dentro da casa, pois não o vira no jardim. Uma vez fora da casa, tiveram que descer a pé cerca de cinco quarteirões até chegar em uma avenida movimentada e poder achar um táxi.

- Olha, Lu! Aqui tem uma lojinha de conveniência! Vamos entrar? – Raquel pediu, entusiasmada.

- Tá, mas o que você quer comprar? – Luísa questionou.

- Ah, eu experimentei umas comidinhas lá no hotel e hoje na casa do coreógrafo também! E eu amei! Daí eles me passaram o nome, ó – Raquel disse, tirando da bolsa uma folha amassada com diversos itens escritos em coreanos.

- Ah, que legal da parte deles, eles anotaram os nomes... – Luísa forçou-se a sorrir, seu bom humor agora era quase inexistente. Sentia um misto de frustração e tristeza. “Talvez... Eu e ele... Não é pra acontecer...” – era só o que ela conseguia pensar desde que pisara fora da casa.

- Sim! Vamos entrar?! Você me ajuda? – Raquel pediu.

- Ah, eu também quero levar umas coisas pro Brasil. – Bernardo disse, animado, esfregando a barriga como se estivesse com fome.

Luísa riu, dessa vez de verdade, pois não aguentava o jeito esfomeado de Bernardo.

- Tá bem, tá bem. Vamos entrar – ela concordou.

Os três adentraram a loja e pegaram cestinhas. Luísa com a lista na mão, parou na primeira gôndola, tentando encontrar o item anotado. Ela sabia falar e entender coreano, mas ela admitia que sua compreensão da escrita era bem falha. Enquanto lutava para decifrar a letra de quem quer que fosse que tivesse escrito a lista, Luísa sentiu seu celular vibrando no bolso do short. Pegou-o e sentiu seu estômago afundar quando viu a notificação de mensagem dele.

(15:21) Namjoon: Por que já foi embora?

(15:21) Namjoon: Nem me despedi 

(15:21) Namjoon: Os outros me disseram que vocês tinham ido porque seus amigos queriam fazer compras

(15:22) Namjoon: Eu estava dentro da casa, tive que atender uma ligação. Desculpa.

(15:22) Namjoon: Me diz onde você tá agora?

(15:22) Namjoon: Eu quero te ver

(15:22) Namjoon: Me manda sua localização e eu vou até você

Luísa, parada no setor de ramen, olhava o celular sem acreditar. “Ele quer me ver” – ela comemorou, sorrindo feito boba para a tela do celular. Porém, foi despertada de seu devaneio quando ouviu seu nome.

- Luísa? – Raquel chamou – O que foi? Por que parou? Não pegamos nada ainda...

- Hã? Sim, verdade... Mas... Kel... Preciso fazer uma ligação, é sobre... Sobre trabalho, vou lá pra fora...

Raquel e Bernardo pareciam surpresos.

- E como é que a gente vai conseguir entender a lista? – Bernardo perguntou, desesperado.

Olhando ao redor, Luísa viu um atendente repondo algo no freezer e rumou apressadamente até ele. Entregando-lhe o papel com a lista, explicou a situação, e muito simpático, o rapaz concordou em ajudar Raquel e Bernardo. Aproximando-se de seus colegas, Luísa disse:

- Vou lá fora, tá bom? Esse moço vai pegar tudo pra vocês – ela nem esperou que eles respondessem, virou-se rumando para a porta, deixando os colegas plantados, sem entender nada.

Uma vez na rua, Luísa caminhou uns metros para a rua de cima só para sair do campo de visão da loja de conveniência e enviou a localização a Namjoon.

(15:28) Luísa: Tô perto da casa do sr. Sung, uns 5 quarteirões até chegar na avenida, estou perto de uma loja de conveniência.

Não demorou nem cinco minutos e Luísa notou um outro carro, que não era a SUV de sempre, pois esse era menor e sem vidros tão escuros, encostar no meio fio, perto de onde ela estava. O vidro traseiro desceu e assim pode ter a confirmação: era Kim Namjoon. Ele, que não dirigia, estava com outro motorista hoje. Alguém que não era o manager Ji-Ho, para a surpresa de Luísa.

Luísa guardou o celular no bolso e aproximou-se da janela do carro, sem antes, claro, olhar dos dois lados da rua para ver se não vinha vindo nenhuma pessoa.

            - Oi – ele disse, com uma voz baixa e grossa.

Luísa não conseguia ler suas expressões muito bem porque ele estava de óculos de sol.

            - Oi – ela disse de volta.

            - Acho que você não vai aceitar se eu te oferecer uma carona, vai? – Namjoon sugeriu, esperançoso, mas ciente que a negativa estava certa.

            Luisa chacoalhou a cabeça negativamente, fazendo um bico antes de dizer.

- Não posso, meus colegas estão comigo e como vou explicar a eles? Eles não sabem que... – ela hesitou, não sabia qual termo usar – somos amigos - essa palavra, amigos, parecia machucar o peito dela ao dizê-la em voz alta, era como se lhe tirasse o ar. “Mas é o que somos, não é? ” – ela dizia a si mesma em pensamento.

Notando-a cabisbaixa, Namjoon quase atropelou as palavras tentando falar o mais rápido que podia para não vê-la desapontada.

- Janta comigo hoje? – ele convidou, sorrindo, formando aquela covinha em sua bochecha.

Luísa sentiu sua boca render-se a um sorriso largo, pois parecia que tinha recebido uma injeção de ânimo.

- Hummm... Jantar? É, parece uma boa ideia. E aonde vamos? Preciso saber que tipo de roupa devo usar, que acessórios... – Luísa agora, parecia sentir-se novamente animada e curvando-se na janela do carro, pegou os ósculos de sol que ele usava e os colocou, fazendo uma pose na calçada.

Namjoon riu, cobrindo a boca quando a risada pareceu sair mais alto do que ele pretendia. Ele parou de rir, mas continuou olhando para Luísa, parada ali, usando seus óculos. O sorriso permaneceu no rosto dele. Ele então, soltou um suspiro alto, adorando vê-la usando algo seu. A mente de Namjoon divagava, relembrando a visão do corpo dela, ainda meio molhado, usando a sua camisa.

- Pode usar o que quiser – ele finalmente disse, baixinho, fazendo com que Luísa se aproximasse da janela. – O jantar será no meu apartamento.

Luísa engoliu em seco ouvindo aquela informação. “No apartamento? Ele disse, apartamento dele? Mas ele não mora com os outros?!” – a mente dela era um turbilhão. Retirando os óculos perplexa, ela perguntou:

- Mas e os outros? Você não mora no dormitório?

Namjoon riu novamente, antes de responder:

- Sim, ainda usamos o dormitório, mas eu tenho um apartamento. Comprei tem pouco tempo e ainda estou decorando... Mas é meu. Só meu.

- Aaah... – foi só o que Luísa conseguiu emitir.

- Bem, isso se você não se importar de sentar no chão pra comer... – ele disse, com olhinhos que pediam desculpas. – Ainda não tenho todos os móveis.

A vontade de Luísa era dizer que ela não dava a mínima para a comida. Só o que importava era que estariam sozinhos, sem staff, colegas ou estranhos.

- Não tem problema. Não tenho frescura – ela sorriu o sorriso que ele mais adorava. – Mas tenho uma pergunta.

Namjoon engoliu em seco antes de dizer:

- Pode fazer.

Aproximando-se ainda mais e apoiando os dois braços na janela aberta, ela fez a pergunta:

- Vai ser só nós dois?

Namjoon riu e assentiu.

- Sim, só nós dois – ele disse, aproximando o rosto.

Luísa então, pôde sentir o cheiro dele e fechou os olhos, inalando profundamente. Ela só os abriu ao sentir Namjoon beijar sua mão.

- Luísa - ele subiu o olhar, mas sem se afastar muito da mão dela. – Mal posso esperar por hoje à noite... - Namjoon confessou, mordendo levemente a mão dela.

Luísa franziu o cenho, mordendo o próprio lábio. Namjoon então, soltou a mão dela, fazendo com que Luísa desse um passo para trás, desencostando do carro. Como ela parecia não saber o que dizer, Namjoon continuou:

- O Ji-Ho hyung vai te buscar no hotel às 20h, ok?

Luísa assentiu, ainda impactada pela mordida e pelo que ele havia dito. Ela só voltou a si quando o celular em seu bolso começou a tocar. Pegou-o e viu na tela o nome de Raquel. Soltou o ar, demonstrando sua irritação e atendeu:

- Fala.

- Onde você tá? Estamos na frente da loja e você não tá aqui! – Raquel esbravejou.

Luísa xingou mentalmente, mas sabia que não podia abandonar seus colegas.

- Kel, desculpa, subi um quarteirão enquanto falava no celular e acabei parando pra ver uma coisas, já tô indo!

- Tá, mas vem logo! As compras tão pesadas!

Luísa desligou o celular, soltando o ar, exasperada. Ela então, esticou o braço para dentro da janela do carro, para devolver os óculos dele antes de despedir-se.

- Me devolve hoje à noite – Namjoon sugeriu.

Luísa sorriu toda boba, mexendo no óculos com as duas mãos. Olhou para o chão, para evitar que mostrasse sua cara boba a ele. Namjoon, novamente, pareceu tomar a frente da conversa:

- Deixa eu adivinhar... Era um dos seus colegas no telefone?

-  Era a Raquel, eles terminaram as compras e eu preciso ir encontrá-los ali na loja – ela disse, desanimada.

- Ah, claro, tudo bem. Te vejo à noite então, certo? – ele a olhou com aqueles olhinhos esperançosos novamente.

- Sim – ela confirmou.

- Ok. Então... Até de noite – ele disse com uma voz baixa.

- Até...

- Vou esperar você descer até a loja, depois vou embora.

- Tá bem – Luísa concordou, sorrindo, cheia de si ao notar o cuidado que ele tinha com ela.

Namjoon então, subiu o vidro do carro e Luísa ainda perplexa pelo que acabara de acontecer no meio da rua, ficou olhando para a janela do carro, para o rosto dele que ainda era visível através do vidro. Um ímpeto tomou conta dela e reclinando-se sobre o carro, beijou o vidro demoradamente.

Namjoon que a via pelo vidro fechado, apertou suas coxas com certa força, tentando conter-se quando a viu aproximar-se do vidro e toca-lo com seus lábios bem desenhados. Namjoon instintivamente, como um imã, inclinou-se nele também, mas sem toca-lo.

Ele a queria mais do que tudo. Ele precisava senti-la por completo. Agora, mais do que nunca, ele tinha provas suficientes de que só ela poderia acalmar a tempestade que estava se formando dentro dele. 



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