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História Entre dois reinos - Kiribaku - Capítulo 9


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Notas do Autor


Olá meus amores! Faz tempo que a gente não se vê, né? Eu sinto muito pela demora, a escola não está colaborando comigo, mas chega de fizer desculpas, aproveitem o capítulo!
Vejo vocês nas notas finais.

Capítulo 9 - Conflitos


Assim que chegou no Submundo, Kirishima foi recebido por dois demônios animados.

 

- E ai? Como foi? - Perguntou Kaminari, praticamente pulando em cima de Kirishima, esquecendo o significado de “espaço pessoal”.

 

- Calma ai Kaminari, deixa o menino respirar. - Disse Sero puxando Kaminari pelo ombro, para que ele desse um pouco de espaço para o que havia acabado de chegar.

 

- Tudo bem, você tá certo, desculpa Kiri. - Respondeu Kaminari mais calmo. 

 

Kirishima não conseguiu segurar um risinho, ele gostava de ver a forma como os amigos, principalmente Kaminari, se empolgavam um pouco de mais com alguma coisa.

 

- Por essa risadinha vou entender que deu tudo certo. - Falou Sero.

 

- Até que você acertou. - Respondeu Kirishima com um sorriso estampado no rosto. - Mas vocês tem certeza que querem conversar sobre isso aqui? - Perguntou Kirishima olhando ao redor.

 

- Não tem ninguém aqui Kiri, a gente tá na frente do portão e de noite, ninguém vai aparecer. - Respondeu Kaminari.

 

- E quanto a ele? - Perguntou Kirishima apontando para um guarda desmaiado no chão.

 

- Oh, talvez seja melhor a gente ir para outro lugar mesmo. - Falou Sero. - Venham, por aqui. - Completou enquanto andava para trás de uma loja fechada, nem muito perto da parte mais populosa do reino e nem perto demais do portão, perfeito.

 

- Vamos Kirishima, desembucha, eu não aguento mais esperar. - Falou Kaminari ansioso. Ele sempre gostou de ser o primeiro a sabe de tudo, e nunca soube como controlar sua curiosidade.

 

- Deu tudo certo, quer dizer, mais ou menos. - Respondeu Kirishima enquanto pensava em como contaria tudo o que havia acontecido para os amigos.

 

- Se importa de elaborar? - Perguntou Sero.

 

- Bom, eu encontrei com ele rápido, mas ele não teve nenhum sonho parecido com o meu e ficou me chamando de idiota por ter ido até lá só por causa de um sonho “besta”. - Respondeu Kirishima um pouco emburrado ao se lembrar das palavras de Bakugou.

 

- Falando nisso, você não contou o seu sonho pra gente, ou contou? - Perguntou Kaminari confuso.

 

- Não contou não, eu me lembraria. - Respondeu Sero.

 

- Então a gente ajudou o Kirishima a quebrar uma lei, só pra perguntar para um anjo se ele teve um sonho parecido com o dele, sendo que nem a gente sabe sobre o que foi essa droga desse sonho?! - Perguntou Kaminari que, só nesse momento, tinha percebido o que eles haviam feito.

 

- Exatamente. - Respondeu Sero com calma.

 

- Acho que agora eu to entendendo porque o resto do reino acha que a gente é idiota. - Respondeu Kaminari. - Mas voltando no assunto, agora que você já foi até o Paraíso e voltou, será que dá pra contar esse bendito desse sonho pra gente? - Perguntou Kaminari após alguns segundos de silêncio.

 

- Hum...olha, não é nada muito “wow” ou coisa parecida. – Respondeu Kirishima. – Eu sonhei que eu e o Bakugou estávamos conversando sobre o que faríamos em relação a alguém. A gente também estava discutidos sobre abrir mão de algo muito importante para nós e se era uma boa ideia fazer algo, que eu não lembro exatamente o que era. E nós parecíamos muito mais próximos do que o normal. – Falou Kirishima.

 

- Só isso? Sem nenhuma dica de tempo ou algo que prove que é realmente um sonho premonitório? - Perguntou Sero tentando ver o que o amigo tinha visto de tão especial nesse sonho

 

- Eu sei que é difícil de acreditar, mas eu tenho certeza que é um sonho premonitório! Eu não sei explicar direito porque, eu só sinto que que é. - Respondeu Kirishima com toda a sinceridade possível, ele sabia que aquilo poderia parecer estranho ou que ele estava vendo coisas onde não tinham, mas ele realmente queria que os amigos acreditassem nele.

 

- Bom, se seu sexto sentido esta dizendo isso, quem somos nós para dizer que não? – Perguntou Kaminari passando o braço ao redor do ombro de Kirishima.

 

- Vai ser difícil provar que isso é verdade, mas as coisas difíceis são sempre as mais legais. - Disse Sero com um sorriso no canto da boca.

 

- Eu amo vocês sabia? Mal posso esperar pra contar pra vocês sobre as minhas próximas visitas ao Paraíso. - Falou Kirishima com um grande sorriso no rosto. A cada dia que passava mais ele tinha certeza de ter os melhores amigos de todo o reino.

 

- As suas o que? - Perguntaram Sero e Kaminari ao mesmo tempo.

 

- As minhas…próximas visitas? - Disse Kirishima com um tom mais de pergunta do que resposta.

 

- Senhor Kirishima Eijirou, pode ir explicando isso dai melhor. – Falou Kaminari tirando o braço do ombro da amigo e andando para perto de Sero.

 

- Bom... Eu talvez, só talvez, tenha ficado indignado com ele dizer que o meu sonho era besteira e tenha dito que se ele não acredita em mim, eu vou ficar voltando pra lá até o sonho virar realidade... Mas só talvez mesmo. – Disse Kirishima um pouco envergonhado e com medo da reação dos amigos.

 

Depois de ouvirem essa confissão, Kaminari e Sero ficaram em silêncio durante alguns segundos, processando o que tinham acabado de ouvir.

 

- Olha, pra ser sincero, eu não esperava outra coisa vinda de você. – Respondeu Kaminari com honestidade.

 

- É como dizem, né? Estou decepcionado, mas não surpreso. – Completou Sero com uma mistura de seriedade e brincadeira na voz.

 

- Eu não sei se fico feliz por vocês terem aceitado isso de boa ou se fico com raiva por agirem como seu eu fosse idiota. – Respondeu Kirishima.

 

- E por que não os dois? – Perguntou Kaminari risonho.

 

- Voltando a falar de algo sério, com que frequência seriam essas “visitas”? E você tem certeza que isso é seguro? Porque uma coisa é ir lá uma ou duas vezes, mas ir com frequência é algo totalmente diferente. - Perguntou Sero que, apesar de querer ajudar o amigo, estava preocupado com ele.

 

- A gente combinou de eu ir lá um dia sim e um dia não, das sete as onze da noite. - Respondeu Kirishima. - E é seguro, quer dizer, até agora eu não encontrei nenhum guarda ou alguém que apresentasse algum tipo de perigo. - Falou Kirishima.

 

- Hum, eu não sei não viu Kiri, eu quero te ajudar, mas é como o Sero disse… - Disse Kaminari.

 

- Eu entendo gente, se vocês não quiserem me ajudar está tudo bem. - Falou Kirishima um pouco cabisbaixo. – Mas mesmo assim, eu vou fazer isso, mas eu prometo que se em algum momento as coisas realmente ficarem perigosas eu paro de ir lá. 

 

- Que? Até parece que a gente iria te deixar fazer algo tão idiota sozinho. - Respondeu Sero, surpreendendo Kirishima. - Sem a gente você não sabe nem como atravessar o portão discretamente. Mas eu fico feliz que você tenha o mínimo de consciência pra parar com tudo isso se as coisas ficarem perigosas.

 

- Você tá falando sério? Vocês ainda vão me ajudar? - Perguntou Kirishima animado ao saber que os amigos ainda faziam parte dessa ideia.

 

- Lógico que sim! Até parece que você esqueceu quem bolou o plano brilhante que te ajudou a ir para o Paraíso. - Disse Kaminari se gabando, e Kirishima precisou segurar a risada após lembrar de tudo que Bakugou havia dito sobre esse plano. - Falando nisso, a gente vai precisar pensar em outra coisa, porque não vai dar pra ficar eletrocutando os guardas quase todos os dias, eles vão acabar percebendo.

 

- Isso é verdade. - Concordou Sero, eles precisavam pensar em um plano que pudesse ser usado a longo prazo.

 

- A gente pode só roubar mais alguma coisa do laboratório real, não? - Perguntou Kaminari.

 

- NÃO! - Respondeu Kirishima praticamente gritando. - Já deu dessa ideia de ficar roubando tudo o que vocês quiserem do laboratório!

 

- Não é minha culpa que é lá que estão todas as coisas legais. - Retrucou Kaminari com a cara emburrada.

 

- Nisso eu até concordo com você Kami, mas acho que o Kiri tá certo, isso pode acabar dando errado pra gente. - Falou Sero.

 

- Hum. - Disse Kaminari emburrado enquanto cruzava os braços. - Alguém tem alguma ideia melhor então?

 

- Sei lá, a gente podia cavar um túnel por de baixo do muro. - Pensou Kirishima em voz alta, mais como uma brincadeira do que como uma ideia de verdade, mas o jeito que seus amigos lhe olharam sugeria que eles não tinham entendido dessa forma.

 

- Quer saber de uma coisa? Essa ideia não é tão ruim assim. - Falou Sero.

 

- Se você considerar que a muro não é tão grosso e que existem várias partes dele que não são bem vigiadas… até que é possível. - Concluiu Kaminari.

 

- Espera ai, vocês tão falando sério? - Perguntou Kirishima incrédulo.

 

- Olha o muro não é grosso, é bem mal vigiado em algumas partes e desse jeito você poderia ir para o Paraíso quando precisasse e voltar quando quisesse, sem ficar dependendo da gente. - Respondeu Sero sério.

 

- Sem contar que, é só fazer o túnel em um desses lugares isolados, sem guardas ou visitantes e colocar um tapete por cima. Ninguém nem vai perceber que tem alguma coisa diferente. - Adicionou Kaminari. - E eu e o Sero somos dois, então a gente conseguiria cavar até que bem rápido.

 

- Falando desse jeito até que parece uma boa ideia. - Disse Kirishima sendo influenciado pelas falas dos amigos.

 

- Perfeito! - Respondeu Kaminari animado. - Já temos um plano!

 

- Que? Vocês só vão aceitar a primeira ideia que apareceu? - Perguntou Kirishima meio indicando.

 

- Eu achei uma boa ideia, o Kaminari e você também, então não tem mais o que discutir. - Respondeu Sero simplista. - E só pra constar, quando você planeja em voltar para lá?

 

- Depois de amanhã, eu acho. - Respondeu Kirishima.

 

- Ótimo, então da tempo tranquilamente. - Falou Kaminari feliz.

 

- O que? Vocês acham que conseguem cavar tudo isso em dois dias? - Perguntou Kirishima confuso.

 

- Ou menos. - Respondeu Sero. - Fala sério Kirishima, você é o único de nós três que tem tarefas diárias todos os dias, eu e o Kaminari só temos de vez em quando, e já que amanhã e depois nenhum de nós dois tem tarefas para cumprir, eu acho que da para fazer tudo perfeitamente.

 

- Vocês tem certeza? - Perguntou Kirishima mais uma vez antes de aceitar que aquele seria o plano oficial.

 

- Certeza absoluta! Pode confiar na gente, a dupla Kamisero sempre cumpre suas missões. - Falou Kaminari.

 

- Serokami você quer dizer. - Disse Sero corrigindo Kaminari.

 

- Que? Desde quando é Serokami? O meu nome sempre veio primeiro! - Respondeu Kaminari com um tom ofendido.

 

- Mas nunca que o seu nome veio primeiro! - Retrucou Sero indignado. 

 

E novamente Kirishima não conseguiu segurar a risada, essa mania que os amigos tinham de implicar um com o outro era uma das coisas preferidas de Kirishima. Mas, infelizmente, ele sabia que deveria voltar para o castelo real antes que alguém percebesse o seu desaparecimento.

 

- Foi mal gente, eu vou ter que ir andando, vocês sabem o que pode acontecer se perceberem que eu “sumi”. - Falou Kirishima interrompendo a pequena “briga” dos amigos.

 

- Tudo bem, a gente entende. - Disse Sero.

 

- Tchau Kiri, mas agente vai se amanhã, né? - Perguntou Kaminari.

 

- Lógico. - Respondeu Kirishima sorrindo antes de abraçar os amigos e tomar seu rumo para o castelo.

 

O caminho do portão até o castelo era relativamente longe, por isso Kirishima decidiu ir voando, mas com toda a cautela do mundo, pois ele não queria ser pego por ninguém. Após alguns minutos voando Kirishima finalmente chegou ao castelo, entrou pela janela de seu quarto e foi direto para cama dormir, aquela noite já estava durando muito tempo.

Mas, para a infelicidade do demônio, ele não estava conseguindo dormir. Kirishima passou horas rodando de um lado para o outro, tentando chamar uma posição confortável que o ajudasse a pegar no sono mais rápido, mas foi em vão. Após duas horas e meia tentando, Kirishima finalmente conseguiu pegar no sono, mas a alegria do rapaz não durou muito.

Uma hora após ter conseguindo dormir, Kirishima foi acordado pela luz que entrava da sua janela. Ele estava morrendo de sono e sem a menor vontade de tentar levantar da cama, tudo que Kirishima queria fazer era voltar a dormir, mas isso seria impossível, pois ele tinha tarefas para cumprir. Depois de superar a preguiça, Kirishima se levantou e se arrumou para fazer sua missão.

Para sorte do rapaz, ele só tinha uma missão a cumprir, mas para sua infelicidade, ela duraria várias horas. Kirishima precisava ir em cada loja do reino perguntando se ela precisava de alguma coisa, e se sim, ele deveria providencia-la.

Geralmente Kirishima não via muito problema em andar pelo reino, mas ele não podia negar se sentir mais vulnerável quando estava sem seus amigos, pois eles agiam como um escudo para qualquer comentário ruim que pudessem fazer sobre si, então o demônio estava receoso em cumprir essa tarefa, mas ele não tinha outra escolha.

Antes de sair de casa, Kirishima pegou um caderno e um tinteiro, para poder anotar o que todas as lojas precisavam. Saindo de seu quarto, Kirishima decidiu não ir direto para o centro comercial do reino, e visitar primeiro algumas lojas que ficavam por perto, começando pela loja de alimentos de Kurogiri.

Depois de descer as enormes escadas do castelo, Kirishima finalmente conseguiu sair de casa. Ainda foi preciso andar alguns minutos antes de encontra com a loja mais próxima, mas nada que Kirishima já não imaginasse. Chegando perto da loja de alimentos, a porta parecia estar aberta, então Kirishima decidiu entrar.

 

- Com licença, Senhor Kurogiri, você está ai? - Perguntou Kirishima entrando na loja que parecia vazia.

 

- Lá em cima. - Respondeu uma voz masculina e rouca, que vinha do canto da loja.

 

Ao olhar para a direção de onde veio a voz, Kirishima viu Tomura Shigaraki, um ajudante de Kurogiri e um dos amigos de seu primo. Shigaraki era alguém muito pálido e com problemas de pele, que eram bem visíveis, por sua pele estar sempre descascando e pelos seus lábios estarem sempre rachados. Kirishima não conseguiu deixar de se perguntar a quanto tempo Shigaraki estava lá, pois, quando entrou, Kirishima podia jurar que a loja estava vazia.

 

- Hum…obrigado. - Respondeu Kirishima sem saber direito como esconder sua cara de surpresa ao ver o outro. Shigaraki, por outro lado, parecia estar se divertindo em assistir o desconforto de Kirishima.

 

Ignorando a risada baixa e perturbadora de Shigaraki, Kirishima decidiu subir as escadas que levavam ao estoque de comida, esperando que Kuroguiri realmente estivesse lá e que ele não encontrasse mais nenhuma surpresa desagradável.

 

- Senhor Kurogiri? Você está ai? - Perguntou Kirishima enquanto subia a escada.

 

- Aqui! - Respondeu uma voz conhecida. - perto dos carboidratos.

 

Após algum tempo tentando se achar no meio daquela quantidade gigantesca de comida, desejando finalmente chegar nos carboidratos, Kirishima finalmente encontrou Kurogiri, o dono da loja. Kurogiri era um ser estranho, pois apesar de ser um demônio ele não se parecia nada com um, ele não tinha assas, chifres e nem um rabo pontudo. Kurogiri tinha o corpo todo feito de névoa roxa escura, e a única coisa visível nessa névoa eram seus brilhantes olhos amarelos.

 

- Jovem príncipe! A quem devo a sua visita? - Perguntou Kurogiri assim que avistou Kirishima.

 

- Hum, na verdade eu vim checar se a sua loja não precisa de nada. - Falou Kirishima receoso, pois ele sabia que o motivo para Kurogiri estar sendo tão gentil com sigo, era porque Kurogiri tinha negócios a fazer com All for One, e ele tinha medo de destratar o príncipe e acaba irritando o rei. - Ela precisa? 

 

- Acho que você consegue ver que comida é o que não falta por aqui, então tirando mais clientes, não preciso de mais nada.

 

- Então eu vou visitar outras lojas, tudo bem? - Perguntou Kirishima só para ter certeza.

 

- Claro! E diga para o seu pai me fazer uma visita. - Respondeu Kurogiri, apenas confirmando ainda mais a ideia de Kirishima.

 

- Tudo bem, eu falarei. - Respondeu Kirishima sem muita empolgação.

 

Enquanto descia a escada, Kirishima ouviu a porta de frente sendo aberta, e imaginou que Shigaraki estava indo embora, mas quando escutou uma nova voz, Kirishima logo percebeu estar errado.

 

- Tudo pronto para hoje a noite? - Perguntou Shigaraki.

 

- Claro, que tipo de demônio você acha que eu sou? - Perguntou a nova voz, que Kirishima logo reconheceu como a voz de Touya Todoroki, mais conhecido como Dabi, o filho mais velho de Endeavor.

 

Dabi era conhecido pela sua aparecia um tanto chocante e pelo seu comportamento misterioso. Ele tinha cicatrizes de queimaduras ao redor de todo o seu corpo, o que o fazia chamar muita atenção. Ninguém sabia muita coisa sobre Dabi, apenas que ele e seu pai não se davam nada bem, e que por esse motivo ele abandou o nome “Touya Todoroki” e fugiu de casa. Porém, ninguém sabia o porque de todo o ódio que um sentia pelo outro, pois Endeavor se recusava a falar do filho e Dabi se recusava a falar da família. A única coisa que todos sabiam sobre Dabi, era que se você quisesse algum trabalho bem feito, não importa o quão horrível ou brutal, se você pagasse a quantidade certa, ele o cumpriria. E, obviamente, Dabi era amigo de Monoma, o que fazia com que Kirishima encontrasse com ele mais do que queria.

Chegando no fim da escada, Kirishima tentou passar despercebido, com paços rápidos e de cabeça baixa. Encontrar com duas pessoas da gangue de seu primo não era uma das coisas que Kirishima tinha planejando para o seu dia. 

 

- O que esse covarde está fazendo aqui? - Kirishima ouviu Dabi perguntando para Shigaraki, que apenas deu de ombros.

 

Depois de sair da loja e andar um pouco, Kirishima finalmente soltou o ar que ele nem havia notado estar segurando. Kirishima já havia passado por inconvenientes demais para uma loja só, mas o rapaz ainda tinha muitas para visitar, sendo a próxima, a loja de armas de Kai Chisaki, mais conhecido como Overhaul. 

Overhaul era um dos demônios mais temidos do Submundo, não só por passar muito tempo com All for one e mostra uma clara admiração pela forma impiedosa e sociopata com que o rei comandava o reino, mas por Overhaul ter um ego enorme, menos presando todos a sua volta, agir de maneira agressiva e por ser quase tão impiedoso quanto o rei.

Além de Overhaul não ser alguém agradável de se estar perto, sua loja também era frequentada pelos amigos de Monoma, então Kirishima só desejava passar por ela o mais rápido possível.

Chegando na entrada da loja, Kirishima tentou abrir a porta, mas ela parecia estar trancada, ela provavelmente estava fechada. Então, Kirishima decidiu voltar mais tarde. Mas, enquanto se preparava para dar meia volta, o príncipe ouviu o barulho a porta se abrindo.

 

- Calma senhor, não é só porque a porta não estava abrindo que nós estamos frechados. Lógico que quer dizer isso, se a porta está trancada nós obviamente estamos fechados. - Disse uma voz masculina. - O que você quer?

 

Kirishima nem precisou se virar pra ver quem era o dono daquela voz, apenas pela contradição na fala, Kirishima logo soube que era Twice. Jin Bubaigawara, mais conhecido como Twice, era um demônio curioso, ele tinha múltiplas personalidades que estavam em constante briga para obter o controle do corpo, o que fazia com que muitas vezes ele dissesse uma coisa e logo em seguida se contradissesse. Por causa dessa luta incessante pelo controle, Twice sempre usava uma mascara preta e cinza, dizendo que usa-la o impedia de ter episódios de insanidade. Então, ver o rosto de Twice era considerado algo raro. E, já que não tinha como ser diferente, ele é mais um dos membros do grupo de Monoma.

 

- Oh! É o príncipe, que honra em ter você aqui! O que esse inútil está fazendo aqui? - Falou Twice.

 

- Eu queria ver o Overhaul, por favor. - Disse Kirishima se virando para falar com Twice.

 

- Como se eu fosse levar um imprestável como você até ele. Claro! Me siga. - Respondeu Twice entrando na loja.

 

A loja de Overhaul era exatamente como o esperado de uma loja de armas, tinham espadas, adagas, punhais, flechas e arcos de vários tipos, tamanhos e cores diferentes pendurados nas parede. Chegava a ser assustador ver quantas variáveis de armas tinham naquela loja. Mas, o pior para Kirishima, era imaginar o que os demônios que as compravam pensavam em fazer com elas.

 

- Seja bem vindo! - Comentou Twice quando ele e Kirishima entraram na loja.

 

- Quem você trouxe Jin? - Perguntou uma doce voz feminina.

 

Era Himiko Toga, ela estava sentada perto do balcão da loja, passando uma faca entre os dedos, fascinada demais pelo objeto para conseguir olhar para o novo visitante. Toga era uma garota baixinha, com a pele bem clara, olhos amarelos e seu cabelo era de um loiro bem claro, que sempre estava penteado em dois coques bem bagunçados. Toga era uma garota sádica, que não se preocupava em esconde o prazer que sentia em assistir outras pessoas sofrendo por causa de machucados, e quanto mais sério era o ferimento, maior era o divertimento de Toga. Ela era a ultima pessoa do grupo de amigos de Monoma.

 

- O filhinho incompetente do rei. - Respondeu Twice.

 

Após a resposta do amigo, Toga parou de prestar atenção na faca que segurava e dirigiu seu olhar para Kirishima.

 

- Oh, o príncipe, o que ele está fazendo aqui? - Perguntou Toga, dessa vez, de forma muito mais seria.

 

- Que barulheira toda é essa? Vocês são tão imprestáveis que não conseguem nem vigiar a loja durante alguns minutos? - Perguntou Overhaul, saindo de dentro de uma porta que ficava atrás do balcão de pagamento. - Eijirou Kirishima? O que você está fazendo aqui? - Perguntou Overhaul após perceber a presença de Kirishima.

 

Overhaul era um demônio de boa aparência, mas que sempre usava uma mascara em formato de bico de pássaro, que cobria seu nariz e boca. Ele tinha cabelo marrom muito curto e olhos amarelos.

 

- Eu vim garantir que todas as lojas tem tudo o que precisam, então, está faltando alguma coisa aqui? - Perguntou Kirishima tentando não demonstrar o quanto ele havia ficado intimidado pela presença de Overhaul, não que isso fosse algo incomum, pois praticamente todo mundo sentia a mesma coisa quanto estava perto de Overhaul.

 

- Que bom que você está aqui então, aquele desgraçado do Muscular não fez a entrega de metais esse mês, e não tem como fabricar armas sem metais. Então, pode dizer para ele que é melhor que ele apareça aqui nessa semana ainda, ou então eu mesmo vou lá resolver isso. – Respondeu Overhaul de forma ameaçadora, e nesse momento Kirishima até sentiu dó de Muscular.

 

Muscular era o dono da siderúrgica do Submundo, responsável por enviar aços e ferros fundidos para todo o reino, mas aparentemente, ele não estava fazendo o seu trabalho direito.

 

- Tudo bem, eu vou falar com ele, só isso? – Perguntou Kirishima enquanto anotava o pedido em seu caderno, ele não queria acabar fazendo algo errado e irritar Overhaul.

 

- Só. – Respondeu Overhaul simplista. – Agora, se você não vai comprar nada, é melhor que saia da minha loja.

 

Então, sem esperara mais nem um segundo, Kirishima saiu da loja. O próximo lugar que ele deveria ir era a siderúrgica de Muscular, mas para chegar nela, ele deveria primeiro passar pelo centro residencial do Submundo, o lugar onde a maioria dos demônios morava. De todos os lugares, esse era o que Kirishima tinha mais medo de entrar. Ele sabia que assim que colocasse um pé dentro de lá, ele viraria o assunto principal de todos, e Kirishima não sabia se estava pronto para receber os olhares repressores de todos em cima de si. Mas, ele não tinha escolha, esse era o único caminho pra achegar no centro comercial do Submundo. Kirishima respirou fundo, e finalmente adentrou o centro residencial.

Tinham alguns demônios na rua, que a primeira não pareciam ter percebido sua chegada, até que Kirishima começou a ouvir os primeiros sussurros.

 

- Ei, não é o inútil do príncipe que está vindo ali? – Perguntou uma voz masculina.

 

- Hum? Onde? – Perguntou outra voz masculina.

 

- Ali! – Disse a primeira voz enquanto aponta para Kirishima.

 

- Ah, é ele mesmo! O que esse imprestável tá fazendo aqui? – Perguntou a segunda voz.

 

- Eu não sei, mas espero que ele vá embora logo, não aguento ficar olhando pra essa carinha amigável dele. – Concluiu a primeira voz.

 

Kirishima não podia dizer que estava surpreso, era exatamente esse tipo de tratamento que ele espera receber ali, mas mesmo assim, ele não podia dizer que esse tipo de comentário não o afetava.

 

- Olha lá! Lá vem o anormal. – Disse uma voz feminina.

 

- Quem? – Perguntou uma voz masculina.

 

- O filho do rei. – Respondeu a garota.

 

- Agh, como alguém tão incrível como o All for One acabou tento isso como filho? – Perguntou o rapaz com um claro desgosto na voz.

 

- Eu não sei, ele deve ser um filho bastardo, é impossível ele ter o mesmo sangue que o rei. – Falou a garota com um ar maldoso na voz. – Ou ele deve ser algum tipo de praga que lançaram no rei.

 

Essa não era a primeira vez que o comparavam com seu pai. Kirishima sabia bem como os dois eram completamente diferentes, mas dizer que ele era um filho bastardo era um pouco de mais. Não que Kirishima quisesse se parecer com o pai, mas isso não queria dizer que ele não fosse filho de All for One. E a parte da praga, ele tão ruim assim? Tão ruim ao ponto dos moradores do Submundo o chamarem de praga?

 

- Fala sério, esse pivete ainda vai ser a desgraça do reino. – Disse uma voz feminina.

 

- Com certeza, ele vai trazer a ruína para o Submundo – Concordou uma voz masculina.

 

Os demônios achavam, sinceramente, que ele destruiria o Submundo? Só por que ele era contra pena de morte, achava que os julgamentos era injustos e não apoiava violência desnecessária? Na opinião de Kirishima todas as propostas que ele tinha para os seus anos de reinado melhorariam as vidas de todos no Submundo, sejam elas de demônios ou bestas, mas aparentemente, ele estava errado.

Todos o criticavam, seu pai, seu primo, seus empregados e seus súditos, não importava o que ele fizesse, nunca estava bom. Ele sempre ouvia coisas como “você é muito gentil” ou “Não age como um demônio de verdade”, Kirishima já estava cansado de todos o dizerem quem ele era e como ele deveria agir.

 

- Vocês ouviram? – Perguntou uma voz feminina.

 

- Ouvir o que? – Perguntou outra voz feminina.

 

- Era para ele matar o ciclope, mas ele ficou com medinho e fugiu hahaha. – Respondeu a primeira enquanto ria.

 

- Sério? – Perguntou a segunda desacreditada. 

 

- É o que estão dizendo por ai, mas deve ser verdade, combina com ele. – Falou a primeira de forma maldosa.

 

- Ele é realmente um medroso hahaha. – Disse a segunda enquanto ria.

 

- Isso é um demônio de araque, me recuso a acreditar que somos da mesmas espécie. – Concluiu a primeira.  

 

Kirishima estava chegando em seu limite. Ele sempre tentava ignorar esses tipos de comentários, pois sabia que eles vinham de demônios que não sabiam nada sobre ele, mas ficava realmente difícil ignorar quando todos ao seu redor estavam falando esse tipo de coisas sobre ele. Por que todos o odiavam tanto? O que ele havia feito para eles? Ou tinha alguma coisa que ele havia deixado de fazer? 

 

- E eu que pensava que não viveria tempo suficiente para ver um covarde mandar no Submundo, parece que estava errado. - Disse uma voz velha, provavelmente era um dos idosos do reino.

 

Tantas coisas estavam se passando pela cabeça de Kirishima, ele estava se sentindo um verdadeiro inútil e imprestável, assim como todos ao seu redor diziam que ele era. Talvez eles estivessem certos, talvez ele não passasse de um empecilho para a prosperidade do reino, um filho incompetente do rei, alguém desagradável para todos ao seu redor. Quanto mais pensava nisso, mais Kirishima acreditava que os aldeãos estavam certos. Kirishima sabia que ele era bondoso, carinhoso, amigável e não se preocupava em demonstrava compaixão pelos outros, talvez por isso que não o consideravam um demônio de verdade, não acreditavam que eles eram da mesma espécie, ou melhor, desejavam que eles não fossem na mesma espécie.

Kirishima sabia que ele era um erro, a vida toda todos o disseram como ele deveria agir, mas mesmo assim, ele sempre agia do jeito oposto, causando esse sentimento de desgosto e decepção em todos ao seu redor. Então, aquilo tudo era realmente sua culpa? Kirishima não tinha certeza, ele sabia como queriam que ele agisse, mas ele não conseguia ser daquele jeito, aquele não era ele, mesmo que Kirishima quisesse muito que fosse. Ele queria muito ser um demônios igual a seu pai ou seu primo, pois assim gostariam dele e o aceitariam, certo?

Quanto mais pensava nisso, mas forte e rápido seu coração começava a bater, e em pouco tempo, Kirishima começou a se sentir seu corpo ficando quente e uma enorme pressão contra seu peito, como se algo muito pesado estivesse sendo pressionado nele.

 

- O rei realmente vai dar a coroa para um incapaz como ele? – Perguntou uma voz feminina.

 

- Aparentemente, mas ainda falta algum tempo, o rei pode mudar de ideia ou o príncipe pode se ajeitar. – Respondeu uma voz masculina.

 

- Um insolente como ele? Acho difícil. – Retrucou a voz feminina.

 

De repente, Kirishima começou a sentir tremores no corpo, principalmente nas pernas, respirar tinha começado a ficar difícil e ele estava começando a suar muito. Não demorou muito tempo para que ele percebesse estar prestes a ter um ataque de ansiedade, coisa que não era tão incomum para o pequeno demônio, mas ele não podia deixar que o visse dessa forma, isso só daria mais coisas para comentarem e criticarem sobre si, algo que Kirishima definitivamente não precisava naquele momento.

Então, percebendo que estava prestes a perder o controle, Kirishima decidiu se afastar do centro residencial, procurando por um lugar mais isolado, onde ele pudesse passar o tempo até que esse ataque passasse. Ele ouvia alguns comentários confusos, se perguntando para onde ele estava indo. Kirishima decidiu tentar agir normalmente, como se ele tivesse algo importante para fazer no lugar que estava indo, mesmo que sentisse que a maioria dos demônios não iriam acreditar nele.

Andando da forma mais natural possível, Kirishima conseguiu chegar a um beco mal iluminado e isolado. Para tentar se acalmar, o rapaz se sentou no chão, com as costas na parede, fechou os olhos e começou a se concentrar em sua respiração, tentando faze-la voltar ao normal, mas, ele foi interrompido quando ouviu passos vindo em sua direção. A princípio, Kirishima não se importou muito, ele tinha problemas maiores para lidar. Mas quando sentiu os passos parando bem na sua frente, e ouviu uma voz, mais do que familiar, Kirishima não pode evitar de se preocupar, e muito.

 

- Olá priminho. – Disse Monoma com um olhar cínico e traiçoeiro.

 

Se tinha alguém que Kirishima deseja não encontrar nesse momento, esse alguém era seu primo.

 

- Por favor Monoma, agora não. - Respondeu Kirishima com uma voz fraca e esperança que o primo tivesse piedade e fosse embora.

 

Kirishima estava tentando se segurar,  a cada segundo que passava, parecia que o peso no seu peito ficava mais e mais forte. Sua garganta estava começando a arder, trazendo junto de si uma enorme vontade de chorar, para poder aliviar toda a dor que estava sentindo no interior. Mas, Kirishima não podia deixar que o primo o visse nesse estado.

 

- Oh, pobrezinho, está sofrendo só porque ouviu verdades sobre si mesmo. - Falou Monoma se abaixando e chegando muito perto do primo, com um tom de falsa piedade. - Eu sei, a verdade doí, principalmente quando se é alguém tão sensível como você.

 

- Monoma… - Kirishima repetiu o nome no primo, olhando pra ele, ainda se mantendo preso na esperança que seu amigo de infância ainda estava lá, e que Monoma poderia deixar Kirishima em paz, pelo menos uma vez.

 

- Não faça essa cara de animal abandonado para mim, isso não funciona mais comigo. - Respondeu Monoma de forma grosseira enquanto olhava para o primo com desgosto. - É sempre assim, não é? Você acha que todos vão fazer o que você quiser, só porque você é o filho do rei. Mas adivinha só priminho, a vida não funciona desse jeito. - Continuou Monoma se afastando de Kirishima, com um olhar enfurecido.

 

- Isso não é verdade! Eu nunca…

 

- Você não percebe que não passa de um fardo para todos? - Perguntou Monoma, interrompendo Kirishima de forma brutal e encarando diretamente nos olhos do primo, com uma aura intimidadora.

 

Kirishima ficou sem palavras, ele já esperava que o primo fosse falar algo desse tipo, mas mesmo assim, ele não conseguiu deixar de se surpreender com a brutalidade e raiva com que Monoma falava. Era como se Monoma o odiasse tanto que não conseguia guardar todo esse sentimento dentro de si, e isso machuca Kirishima, que ainda se lembrava dos ótimos e divertidos momentos que eles haviam passo juntos quando mais novos. O tinha acontecido com aquilo? Quando Monoma havia virado um demônio tão amargurado e cheio de ódio? Kirishima queria perguntar essas coisas para o primo, e tentar resolver tudo, para que os dois pudessem finalmente voltar a ser amigos. Mas, Kirishima tinha medo da resposta que receberia.

 

- O que foi? Não consegue mais falar? - Perguntou Monoma de forma provocativa. - Bem que você poderia sumir, seria um bem maior para todos. Imagine, o All for One não teria mais que se preocupar em ter um incômodo como filho e o reino não teria medo de ter com covarde de coração frágil, que não é nem capaz de matar criminosos que desobedecem as leis do Submundo, como rei. - Monoma deu um suspiro alegre, parecendo estar se divertindo com o cenário que se passava em sua cabeça.

 

- Isso não é verdade, eu sou o príncipe do Submundo, e eu vou ser um ótimo rei, vocês verão isso em breve. - Disse Kirishima se levantando. Mesmo que ele não acreditasse verdadeiramente no que tinha acabado de falar, Kirishima não aceitaria que Monoma falasse tudo aquilo sobre ele.

 

- Olha só, parece que alguém recuperou a voz. - Respondeu Monoma voltando a se aproximar de Kirishima. - Mas é uma pena que nem você acredita no que fala.

 

- O que? - Perguntou Kirishima, confuso, como o primo sabia daquilo?

 

Monoma apenas riu da ingenuidade de Kirishima.

 

- Sabe priminho, até que você consegue ser engraçado as vezes. Mas ser engraçado não é importante para alguém que está na linha de sucessão ao trono. - Falou Monoma ainda meio risonho. - Não se iluda primo, você pode até mentir para os imbecis que você chama de amigos e para todo o reino, mas você não pode mentir para mim.

 

- Não fale assim dos meus amigos! - Respondeu Kirishima, ele já estava acostumado com os insultos de Monoma, mas ele não aceitaria que ele colocasse Kaminari e Sero nessa história.

 

- Tão protetivo, não demora nem um segundo para defender os amigos. - Disse Monoma. - É uma pena que eles não fariam o mesmo por você.

 

- Isso não…

 

- Antes de tentar defende-los, me diga, onde eles estão agora? - Perguntou Monoma interrompendo o primo. - Você está aqui, frágil, perdido, descreditado e onde eles estão?

 

- Eles… - Kirishima queria dizer onde os amigos estavam, mas ele não podia.

 

- Exatamente, eles não estão aqui, você está sozinho. - Disse Monoma empurrando Kirishima na direção da parede. - abandonado. - Outro empurrão. - Sem ninguém. - Mai um empurrão. - E é assim que vai ser pra sempre, sem aqueles imbecis você está sozinho, sem defesa, sem proteção. E essa sua dependência e dedicação aos outros, é a sua maior fraqueza. - Falou Monoma olhando no fundos dos olhos de Kirishima, enquanto o encrulava na parede.

 

Nesse momento, tudo o que Kirishima queria era alguém que segurasse sua mão e disse que tudo ficaria bem, que tudo aquilo passaria. Mas ao olhar ao redor, não tinha ninguém, além de Monoma. Kirishima estava se sentindo sozinho, abandonado. Ele não culpava os amigos, de forma alguma, pois sabia que eles estavam fazendo um favor para ele, mas isso não impedia que Kirishima se sentisse mal, horrível para ser mais sincero. 

Eram em momentos assim, que estava praticamente sozinho, que as maiores insegurança de Kirishima apareciam, junto com pensamentos automáticos, que faziam questão de dificultar sua vida.

“Você sabe que eles vão te abandonar”, “Eles não se importam com você”, “Eles só não acabaram com essa amizade ridícula, porque tem dó de você”, “Como você não percebeu que eles te odeiam? Eles já deixaram tantas pistas disso, pra ver se você se toca, que é preciso ser um verdadeiro idiota para não percebe-las”, esses eram os tipo de pensamentos que estavam tomando conta da mente do jovem príncipe nesse momento.

Kirishima não queria acreditar em Monoma, ele queria acreditar em seus amigos e na amizade que eles tinham, mas quando todos os seus pensamentos diziam coisas como aquelas, ficava quase impossível se manter racional.

O príncipe estava com medo de ser abandonado, um medo não tão incomum para ele, mas um dos que mais tentava evitar. Kirishima se odiava por achar que seus amigos o abandonariam, ainda mais quando os mesmos nunca haviam dado motivo para essas suspeitas, muito pelo contrário na verdade. Mas, mesmo assim, todos esses pensamentos automáticos ficavam rondando pela sua cabeça, ganhando cada vez mais força e convencendo Kirishima que aquela era a verdade. Ele não tinha amigos, estava sozinho e em breve seria abandonado, era tudo uma questão de tempo.

Kirishima estava sentindo seu coração bater com uma força extrema contra seu peito, sua testa suava cada vez mais, e ele estava em uma briga constante para impedir que seus olhos começassem a lacrimejar, pois assim que Monoma percebesse como Kirishima estava se sentindo, esse seria o seu fim.

 

- Não! Isso não é verdade! Você também tem amigos, então não pode falar nada! - Respondeu Kirishima, juntando forças para tentar se defender e para que o tom de sua voz se mandasse firme, sem revelar o quão instável ele estava se sentindo por dentro.

 

- Você realmente acredita que aqueles lá são meus amigos? Não me faça rir! Eles não são meus amigos, nenhum de nos é amigo, nós apenas nos juntamos porque somos úteis uns para os outros, sem sentimentos envolvidos, porque quando você desenvolve sentimento por alguém, esse alguém passa a ser um alvo fácil para chegar até você, passa a ser uma fraqueza que todos podem ter acesso. - Respondeu Monoma com simplicidade, achando completamente normal todas as coisas que dizia, que na visão de Kirishima, eram horrorosas. 

 

- Como você consegue ser tão insensível? - Perguntou Kirishima, que novamente precisou juntar forças, que nem acreditava que tinha, para pronunciar aquelas palavras.

 

- Insensível? Não meu caro primo, eu ajo como qualquer demônio normal, você que é o problemático, que acolhe qualquer e um logo pega sentimentos, uma fraqueza tão grande que por si só deveria o proibir de ser rei. - Respondeu Monoma. - Falando em ser rei, vamos lá, admita, você sabe que eu seria um rei melhor você, mas você nunca vai me ceder o trono, por puro egoísmo.

 

- E-egoísmo? - Perguntou Kirishima surpreso.

 

- Sim, egoísmo. Você se acha tão melhor que eu, com essas suas ideias deturpadas e que “serão o melhor para todo mundo”. Por que você acha que o Submundo funciona desse jeito? Porque é assim que os demônios são! E só porque você é um anormal que nasceu errado, você acha que pode mudar tudo para que todos se adequem ao seu jeito! - Falou Monoma com um ar de superioridade e de forma violenta.

 

Novamente, Kirishima foi pego de surpresa, ele não imaginava essa rápida mudança de tópico e a transformação na forma de Monoma falar, indo de um tom de voz provocativo e desafiador para um agressivo e de superioridade. 

 

- O que foi? Não sabe o que dizer? Isso só mostra que, no fundo, você sabe que eu to certo. - Disse Monoma, voltando com o ar provocativo e desafiador.

 

E para ser sincero, Kirishima estava quase concordando com o primo, pois ele nunca havia se sentindo tão insuficiente quanto nesse momento. Era como se todo o esforço que ele fazia para ser um bom sucessor ao trono fosse inútil, como se todas as noites em claro que ele passou estudando sobre o reino, para entender como ele funcionava e como ele poderia melhorar, não passassem de horas gastas sem necessidade, como se todos os seus esforços para cumprir todas as missões e tarefas, da melhor forma possível, não tivessem utilidade. Do que adiantava ele se esforçar tanto, se no fundo todos só se importavam com a sua personalidade, sem olhar para os seus atos e propostas? Kirishima sabia, que mesmo que ele propusesse coisas bem visas pelo reino, ninguém as aceitaria, pois todos já estavam tão acostumados a odiá-lo, que Kirishima tinha certeza que seria assim pelo resto da sua vida. Não importava quem ele era, o que ele tinha a dizer ou o que ele já tinha feito, todos sempre o odiaram, e não havia nada que ele pudesse fazer.

Então, tudo começou a piorar, Kirishima logo começou a sentir suas pernas voltando a tremer e respirar passou a ficar cada vez mais difícil. Agora, coisas normais do dia a dia, como se manter em pé e respirar estavam parecendo impossíveis. Além não saber mais como responder Monoma, Kirishima decidiu focar todas as suas energias em controlar seu corpo, para não dar nenhum sinal de como estava se sentindo para o primo. Não receber uma resposta parecia ter irritado Monoma.

 

- Se você não vais mais usar respostas sem sentindo para tentar se defender de fatos, isso não tem mais graça. - Respondeu Monoma se afastando da parede. - Até mais tarde, priminho. - Disse Monoma enquanto ia embora.

 

E assim, Kirishima se viu completamente sozinho. Não só por estar sem ninguém ao seu redor, mas  por se sentir vazio. Não havia mais nada que Kirishima queria fazer nesse momento, ele estava se sentindo abandonado, como um brinquedo velho que o dono cansou de brincar. O que não estava tão longe da realidade, pois Monoma só havia ido embora por já ter se cansado de humilhar Kirishima.

Só tinha uma coisa que Kirishima queria fazer nesse momento, chorar. Pois agora, ele finalmente sentia que podia usar o choro como uma forma de aliviar a dor interna que estava sentindo. Então, foi isso que Kirishima fez, ele voltou a se sentar no chão, e finalmente deixou as lágrimas, que a tanto tempo estava segurando, escorrem dos olhos.

 

+++++++

 

Depois de uma hora, Kirishima finalmente conseguiu parar de chorar, mas ainda foi preciso mais uma hora para que o rapaz começasse a se sentir minimamente bem. E ai veio o dilema, Kirishima sabia que ele deveria se levantar e voltar a trabalhar na sua missão, mas ele não tinha coragem, nem vontade, de voltar a andar pelo centro residencial do Submundo. Agora que tinha acabado de sair daquele estado mental horrível, Kirishima não queria corres o risco de voltar para ele. Sem contar que a única vontade do menino era voltar para seu quarto e passar o resto do dia na cama, não fazendo absolutamente nada, até esse péssimo dia acabar. Mas, isso queria dizer que ele deixaria uma missão incompleta, pela primeira vez em muitos anos, mas sinceramente, quem se importava? Kirishima sabia que mesmo que ele completasse essa missão com perfeição, ele não receberia nenhum elogio ou um mínimo “parabéns” de seu pai, os moradores do Submundo continuariam a odia-lo e seu primo ainda iria o desprezar. Então, o único que realmente se importava com essa missão era o próprio Kirishima, que preferiu desistir de completar a missão. Mesmo que quisesse completar a missão, Kirishima sentia que ele falharia, pois seu estado mental atual não estava colaborando em nada com ele.

Após alguns segundos tomando coragem, Kirishima finalmente se levantou. No começo, as suas pernas doeram, porque ele havia passado tempo demais sentado, mas ele logo abriu suas asas e voo até o castelo, esperando chegar lá discretamente e entrar pela janela de seu quarto, para não ter que conversar com ninguém.

Kirishima não tinha certeza se ele havia obtido sucesso em chegar sem ser visto, mas de qualquer forma, ele entrou pela janela e mesmo após alguns minutos, ninguém tinha vindo falar com sigo, então Kirishima decidiu classificar isso como um sucesso. Kirishima então se jogou em sua cama, sem esperar nem mais um segundo e, sem nem perceber, pegou no sono e acabou dormindo. Ter passado algumas noites dormindo muito pouco não haviam feito bem ao rapaz, que só acordou várias horas depois, quando dois demônios invadiram seu quarto gritando.

 

- KIRSHIMAAA! - O grito estridente de Kaminari foi a primeira coisa que Kirishima ouviu quando acordou com o balanço de sua cama após dois corpos terem se jogado nela com tudo. 

 

- Tá achando que tá de folga, é? – Perguntou Sero que estava deitado no lado direito da cama de Kirishima. 

 

- A gente passou o dia todo trabalhando e você fica aqui dormindo, to vendo que ser príncipe é mais fácil do que eu pensava. – Brincou Kaminari que estava deitado no lado esquerdo da cama de Kirishima.

 

Após ter sido acordado de forma bruta, Kirishima passou alguns minutos confuso, até que se lembrou de tudo que tinha acontecido e passou a entender o que estava acontecendo. Então, sem nenhum aviso, Kirishima agarrou os amigos e os abraçou com força. Mesmo que tivessem sido pegos de surpresa, Kaminari e Sero logo retribuíram o abraço.

 

- Tá tudo bem cara? – Perguntou Sero preocupado com a ação repentina do amigo.

 

- Tá tudo ótimo. – Respondeu Kirishima. – Só fazia tempo que eu não via vocês.

 

- Ficou com saudades foi? – Perguntou Kaminari brincando.

 

- Foi! – Respondeu Kirishima honestamente.

 

- Eu sei, eu sou realmente muito incrível, eu também ficaria com saudades de mim. – Respondeu Sero Brincando quando os três se soltaram do abraço.

 

- Ei! Ele tava com saudades de mim, não de você! – Respondeu Kaminari se fingindo de ofendido.

 

- Até parece, vocês só se conhecem a 143 anos, isso nem pode ser chamo de amizade direito. – Provocou Sero.

 

- Como não? Essa é a maior parte da nossa vida! – Respondeu Kaminari indignado.

 

- Eu sei, mas todo mundo sabe que só se é amigo de alguém de verdade depois de 146 anos, e eu e o Kiri somos amigos a 147 anos, por isso somos amigos de verdade. – Disse Sero que claramente se divertia em irritar Kaminari.

 

- De  onde você tirou isso Sero? Tá ficando doido, é? – Perguntou Kaminari.

 

- Alguém com só 143 anos de amizade não entenderia. – Respondeu Sero.

 

- Eu só te conheço a 143 anos também, você tá querendo dizer que a gente não é amigo? – Perguntou Kaminari, que achou ter encurralado Sero.

 

- Exatamente, você é só um coleguinha. – Respondeu Sero que quase começou a rir quando viu a cara de surpresa e indignação de Kaminari.

 

Então, sem mais aguentar segurar a risada, Kirishima começou a rir. Passar um tempo com os amigos, mesmo que só alguns minutos, realmente o deixava melhor. Depois que Kirishima começou a rir, Sero também não conseguiu mais segurar o riso, caindo na gargalhada, deixando apenas um Kaminari com cara emburrada.

 

- Eu to brincando, idiota. – Respondeu Sero passando o braço por trás do ombro de Kaminari. – Você sabe que eu te adoro, né?

 

- Eu sei. – Respondeu Kaminari de braços cruzados e sem desfazer a cara emburrada, mas Kirishima teve a impressão de ver o amigo corando levemente. 

 

- Mas agora será que eu posso saber, por que os senhores decidiram invadir o meu quarto gritando e me acordaram? – Perguntou Kirishima fingindo estar indignado.

 

- Porque a gente acabou de cavar o túnel para que vossa majestade vai usar para ir ao Paraíso. – Respondeu Kaminari.

 

- Sério? – Perguntou Kirishima animado. – Vocês são os melhores!

 

- Então, você que ir pra lá agora? – Perguntou Sero.

 

- Claro! – Respondeu Kirishima ainda mais animado.

 

Assim, os três amigos se dirigiram até o local do buraco, tentando chamar o mínimo de atenção possível, porque encontrar com alguém naquele momento não seria nada agradável.

 

- Aqui está nossa obra prima! – Disse Kaminari puxando o tapete que ele e Sero haviam colocado em cima do buraco.

 

- Vocês são incríveis! – Falou Kirishima animado. – Eu posso experimentar?  - Perguntou Kirishima esperançoso.

 

- Agora? – Perguntou Sero meio receoso.

 

- Sim, eu quero dar uma passeada, garantir que está tudo certo. – Respondeu Kirishima. – Mas eu prometo que não vou demorar, de verdade.

 

- Tem certeza Kiri? – Perguntou Kaminari.

 

- Podem confiar em mim, eu não demoro e, hum... vocês não precisam me esperar, eu não vou fazer nada perigoso.

 

- De verdade Kiri? – Perguntou Sero.

 

- Sim, sim, podem confiar em mim. – Respondeu Kirishima.

 

- Tudo bem, então a gente já vai indo, né Kami? – Perguntou Sero olhando para o outro amigo, que como resposta apenas afirmou com a cabeça.

 

Então, Sero e Kaminari se despiram do amigo e começaram a andar para direção de suas casas e Kirishima se abaixou e entrou no túnel. 

Em pouquíssimo tempo Kirishima se viu no Paraíso, e ele logo foi invadido pela mesma sensação boa de sempre, sentindo o ar puro entrar em suas narinas e o vento batendo em seu rosto.

Saindo de dentro no túnel, Kirishima logo percebeu que ele precisaria levar um tapete que se parece com grama para tapar o buraco do lado do Paraíso, mas isso teria que esperar, pois a única coisa em que Kirishima estava interessando era em dar um pequeno passeio por perto do muro, para ver se o ar fresco do Paraíso o ajudava a limpar um pouco a cabeça.

Depois de andar por alguns poucos minutos, Kirishima já estava disposto a voltar para o Submundo, mas então, de repente, Kirishima ouviu algo que parecia ser alguém fungando e com a respiração ofegante, obviamente alguém estava chorando ali por perto. Kirishima ficou dividido, ele não sabia se deveria ver quem era ou não.

Por um lado, a sua curiosidade estava o matando, ele queria ver quem era e talvez tentar ajudar, mas ele sabia que, sendo um demônio, ele não devia chegar mais perto, pois ele deveria evitar se visto. Kirishima sabia que ele não deveria procurar por quem estava chorando, mas foi como se suas pernas se movessem sozinhas, até que ele achou o dono do choro.

Kirishima ficou chocado, se tinha alguém que ele não esperava ver chorando, de noite, no meio da floresta, esse alguém era Bakugou.

 

- Bakugou? – Kirishima não pretendia chamar Bakugou, foi uma reação completamente causada pelo choque. E Kirishima se arrependeu assim que a palavra saiu de sua boca.

 

Assim que ouviu o chamado, Bakugou levantou o rosto, encarando Kirishima. Assim, os dois se encararam durante alguns poucos segundos, que pareceram anos, nos quais Kirishima ficou em completo desespero. Ele havia chamado a atenção de Bakugou, e agora ele tinha que pensar em algo para que aquela situação ficasse menos estranha, ele só não tinha a mínima ideia do que fazer.


Notas Finais


Olá, bom, mesmo estando no meio de uma pandemia a minha escola ainda está mandando vários lições, provas e trabalhos, mas eu vou tentar trazer capítulos com mais frequência!
Caso tenham alguma critica ou conselho para os próximos capítulos (ou só quiser falar alguma coisa sobre a fic) é só deixar nos comentários que eu vou ler e usar para melhorar nos próximos capítulos.
Espero ver você qui no próximo capítulo, e muito obrigada por terem lido até aqui.
Ps: Se lembrem de lavar muito bem as mãos, sair de casa o mínimo possível e se cuidem!


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