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História Entre Flores de Cerejeira - ( Imagine Jeon Jungkook - BTS) - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Oii meus amores! S2
Trouxe mais uma twoshot aqui pra vocês e dessa vez é do nosso querido Kookie❤. Inicialmente era para ser uma one-shot mas como achei que ficaria muita coisa, decidi separar em dois capítulos ^^.

Boa leitura!

Capítulo 1 - Flor de Cerejeira.


Fanfic / Fanfiction Entre Flores de Cerejeira - ( Imagine Jeon Jungkook - BTS) - Capítulo 1 - Flor de Cerejeira.

                       Pov's _____________


A sala se encontra pouco movimentada, o professor tinha acabado de se retirar e tínhamos alguns minutos livres, batuco meus dedos sobre a mesa com alguns livros em cima, fitando a mesa a minha frente vazia.

Volto a olhar para janela aberta da sala que faz com que o vento circule por cada canto do lugar, a maioria dos alunos está a conversar.

Ao meu lado está a menina de cabelos castanhos medianos que ultrapassam um pouco os ombros. Estava dispersa tudo a minha volta que mal havia notado a conversa que a mesma tinha começado a falar.

Fito a cadeira vazia novamente... Onde o Jungkook se meteu?

Pigarreio quando vejo a mão da mesma balançar frente ao meu rosto, que me faz emergir de meus pensamentos. A encarei confusa por um momento, ela parou de fazer tal ato e se debruçou na lateral de minha mesa.

— Terra chamando ____________? — Arqueou uma das sobrancelhas, a olhei ainda um pouco confusa.

— Ah... O que? — Indaguei um pouco desligada.

— Fez de novo... No que estava pensando ____________? Hm? — Perguntou sugestiva e virei o rosto para o lado.

— Em nada. — Exclamei quieta por um momento.

— Sei... — Exclamou com aquele sorriso desconfiado. — Aish ainda faltam minutos para acabar esse intervalo. — Bufou.

— Vai ser rápido. — Exclamei e ela logo assentiu num aceno com a cabeça.

— Temos mais dois horários hoje, certo? — Indagou.

— Sim. — Afirmei, ainda a fitar a janela em distração. — Aigoo, aonde o Jungkook se meteu...? — Disse fitando novamente a cadeira a frente da minha, vazia.

— Hm, então é nisso que está pensando? — Exclamou presunçosa me dando um soquinho no braço.

— Aigoo, para de pensar nessas coisas. Aquele idiota disse que ia comprar alguma coisa no refeitório e não voltou. — Murmurei ainda a fitar a cadeira a minha frente. Onde ele poderia estar... — Enfim, hoje a tarde preciso terminar uma atividade na biblioteca, vai ficar hoje a tarde também, Ye-jin?

Yoon Ye-jin, sempre foi minha colega de muito tempo, tem seu jeito debochado e extrovertido, é uma boa colega de classe, uma das representantes da turma.

— Hm, não. — Balançou a cabeça em negação. — Prometi ajudar o Yoongi na floricultura.

Brinca com a ponta dos cabelos com aquele sorrisinho bobo no rosto. Era apaixonada por Yoongi, um dos funcionários da floricultura que frequenta com certa frequência.

— Entendi. — Exclamei mordendo de leve os lábios, hora ou outra fitando a porta para ver se o tal sujeito conhecido chegava. — Aish...

— Hey, Ye-jin. ____________. — Brotou o rapaz de estatura pouco alta, os cabelos lisos num tom meio loiro com aquele sorriso de quem ia aprontar alguma coisa.

— Ah... Jimin, o que você quer? — Ye-jin soltou uma lufada de ar, ao ver o mesmo envolver o braço em seu pescoço, franzindo o cenho.

— Hm, seu amor? — A cantou lhe dando uma piscadela e ela revirou os olhos. Park Jimin sempre flertava com Ye-jin sempre que podia só pra vê-la se irritar.

— Cai fora Jimin. — Falou virando o rosto do mesmo com a mão.

— Não... Até admitir. — Exclamou sorrindo, enquanto a mesma ri soprado.

— O que você quer, Jimin? — Indagou mais uma vez.

— Hm... Tem alguma atividade para amanhã? — Perguntou e ela negou.

— Era só isso? — Perguntou mais uma vez revirando os olhos. — Ou tem mais alguma coisa?

— Sim. — Ela o olhou com curiosa e ele logo piscou para a mesma, sorrindo divertido. — Um beijo seu.

— Aish. — Deu um peteleco fraco na testa do mesmo. — Você não tem jeito.

— Sei que gosta de mim no fundo. — Provocou e logo continuaram se bicando mais um pouco.

Sorri dos dois, direcionando meu olhar ao relógio na parede. Fico pensando aonde o rapaz que não parava de pensar teria se metido.

Num impulso me levanto de minha cadeira, ajeito a barra de minha saia do uniforme que está um pouco amarrotada.

— Aonde vai? — Indagou Ye-jin junto de Jimin.

— Encontrar o Jungkook. — Exclamei pensativa. — Acho que sei onde aquele cabeça de açelga está.

— Nunca se desgrudam. — Falou a mesma, provocando.

— Você e o Jimin também não. — Exclamei brincando e a vi olhar desconcertada pro loiro que ria.

— Aigoo, vai lá encontrar seu namorado. — Disse sorrindo.

— Ha ha... Ele não é meu namorado. — Falei dando de ombros para ambos que logo continuaram a conversar.

Dou alguns passos pela sala, desviando de alguns alunos no caminho próximo de algumas cadeiras.

Que ficam a conversar sobre alguns assuntos, continuo a andar lentamente até chegar a porta no qual me retiro da sala.

Os corredores cheios de alunos a circular, alguns conversando, outros se dirigindo ao refeitório para pegar algum lanche ou coisa assim.

Ye-jin sempre fala que eu e Jungkook somos namorados, mas não é verdade... Eu e ele somos amigos a anos, posso dizer que temos uma certa ligação.

Revirei os olhos em meio aos pensamentos, andando pelo piso que faz um barulho irritante quando alguns alunos passam com seus tênis.

Jungkook sempre foi o tipo de amigo que só de estar por perto me faz sorrir involuntariamente, temos bons sentimentos um pelo outro, uma boa companhia. Mas uma hora ou outra as palavras de Ye-jin me vinham a mente.

Viro na bifurcação dos corredores a frente, me direcionando a direita, quase me esbarrando com alguns alunos. Não demora muito para me aproximar das escadarias de granito, subindo os degraus um pouco apressada.

Vou subindo degrau por degrau, virando uma pequena curva que faz continuação do lance de escadas. Acabo desacelerando os passos quando término de subir os últimos degraus parando no piso limpido que leva diretamente as enormes portas meio abertas de cor neutra.

Me aproximei das mesmas, as empurrando sem por muita força. Revelando aquele terraço da escola, vazio.

O céu azul a pulular uma brisa fresca por todo o local no qual faz com que eu solte um suspiro pelo clima agradável, ajeito minha saia que balança um pouco com a brisa.

Faz pequenos ecos meus passos pelo piso seco, avisto as grades que cercam o local. Giro os calcanhares, olho em volta, tentando avistar o rapaz que tanto queria encontrar.

— Aish. — Murmuro, parecia que ele não estava ali. Me virei novamente para sair do lugar, mas parei ao ver ali naquele cantinho escondido na lateral das paredes onde ficava a porta aquele rapaz.

Estava sentado de lado para mim, apoiado na grade e parecia folhear alguma coisa, os cabelos castanhos escuro balançam a brisa, sua pele é clara e levemente bronzeada, os olhos fixados sobre o mangá.

Não conti um sorriso, me aproximando de forma sorrateira em sua direção. Me debruçei um pouco, apoiando uma de minhas mãos sobre a grade e logo sentei ao seu lado.

— Yah! O que está lendo? — O surpreendi, tomando de sua mão o livrinho. Eu ri o vendo surpreso, a balbuciar :

— Ei, sua baka. Me devolve. — Exclamou tentando tomar de minha mão o livrinho mas me virei de costas.

— Nem pensar cabeça de kimchi. — Revidei e nós dois já estávamos rindo de tal brincadeira.

— Vamos ver, _____________. — Exclamou se divertindo, tentando pegar o livrinho de todas as maneiras de mim. Me levantei tentando correr do mesmo, desviando o máximo que podia de suas mãos ágeis.

— Fiquei me perguntando aonde estava esse tempo todo. Tinha dito que ia ao refeitório antes, irritante. — Bravejei e ouvi um riso fraco vindo do moreno.

O mesmo tenta pegar o livrinho mas logo senti nossos corpos se chocarem ao sentir tropeçar, rolamos um pouco pelo chão, até o mesmo parar em cima de mim. Teus cabelos caem sobre a testa, nossos rostos centímetros próximos um do outro, ele logo esboçou um sorriso de canto.

— Estava preocupada comigo é, moranguinho? — Exclamou em provocação e senti meu rosto corar de leve.

Ele sempre me chama assim, por às vezes minhas bochechas ficarem vermelhas. Por que ele gosta de me tirar do sério? Aish.

— Eu? Pff não, comedor de cenoura ambulante. — Exclamei com um sorriso no rosto, ele ainda estava em cima de mim, com um pequeno sorriso nos lábios avermelhados. Ficamos nos encarar por mais alguns segundos, antes que o mesmo tomasse de minhas mãos o mangá. — Aish, não me chama de moranguinho. — Resmunguei.

— Mas combina tanto. Olha pra essas bochechas, vermelhas como um morango... ou seria tomate? — Provocou risonho, se levantando a seguir, saindo de cima de mim. Retirou os ciscos de sujeira que estavam em seu moletom preto, em passos lentos se direcionou para as grades, onde se sentou num dos bancos, ficando escorado sobre as mesmas.

— Engraçadinho. — Mostrei a língua para o mesmo, voltando a ficar sentada ao lado do mais alto. — Enfim, o que está lendo? — Disse fixando meu olhar para as páginas do mangá, ele se virou um pouco para mim, me encarando.

— Não é da sua conta. — Num movimento, estendeu a mão em direção à minha testa, com o dedo indicador a empurrar a mesma de leve, fazendo com que eu incline minha cabeça um pouco para trás.

— Aish... Você... Francamente. — Murmuro, ajeitando a posição em que estava, num impulso me levantando. — Vou para a sala, o sinal está...

Num ato inesperado senti sua mão se envolver na minha e me puxar para baixo, fazendo deitar minha cabeça em sua coxa no banco.

— Aigoo, fica aqui moranguinho. — Falou bagunçando meus cabelos de leve.

— Você sempre faz isso. — Exclamei esboçando um sorriso, tocando leve em sua bochecha. — E para de me chamar de moranguinho.

— É tão bom te tirar do sério. — Exclamou com aquele sorriso maroto nos lábios.

— Irritante. — Falei lhe fazendo uma careta e o mesmo riu soprado.

— Tampinha. — Exclamou sorrindo de canto, apoiando o livrinho sobre o seu joelho enquanto o folheia.

— Ei! — Reclamei lhe dando um peteleco fraco na testa e o mesmo fez uma careta, massageando o local. Não demorou para rimos fraco da cena em que estávamos.

Os minutos se passam e mal tínhamos notado, ele continua a ler as páginas do livro no qual folheia após terminar de ler uma página.

Estava sentindo a brisa passar pelo local, o céu azul com algumas nuvens, soltei uma lufada de ar .

— Faltam poucos minutos para a próxima aula começar. — Disse, botando um dos palmos sobre o banco enquanto dou um leve impulso, me levantando.

— Aish, passou tão rápido assim? — Balbuciou em surpresa, botando o mangá sobre o peito. Olhando ao redor do terraço que passam uma brisa entre nós.

— Sim... — Exclamei alongando meus braços para o alto pois tinha ficado deitada naquele banco numa posição meio desagradável, a única coisa que estava confortável era ficar ali ao lado do Jungkook.

O mesmo se levantou do banco preguiçosamente, soltando um breve bocejo e logo ri.

— Tá rindo do que moranguinho? — Balbuciou rindo de canto.

— Nada. — Falei desentendida, assobiando fraco. O mais alto soltou uma lufada de ar e sorriu ao me fitar, se aproximando. — Vem logo, preguiçoso. — Exclamei, puxando seu corpo para perto de mim.

— Eu sou o preguiçoso? — Indagou a franzir o cenho, enquanto o puxo em direção às portas que levam ao lance de escadas. — Até onde sei você era quem estava deitada em minha coxa.

— Você quem me puxou. — Rebati e encarei o mesmo enquanto andávamos, ele virou o rosto empurrado e sorri fraco. A forma que o mesmo ficava envergonhado era fofo.

— Mas foi você quem ficou, tampinha. — Se embaraçou ao falar. — Agora minha perna tá dormente. — Comentou dando um peteleco em minha testa.

— Aigoo. — Botei a mão em minha testa, massageando o local. O olhei com fúria vendo que ele sorria para mim com atrevimento de quem não havia feito nada, ameacei em correr atrás do mesmo. — E você que me puxou. Comedor de cenoura ambulante. —Exclamei e o mesmo rosnou em desconcerto.

— Desde quando eu sou um comedor de cenoura? — Indagou botando as mãos dentro do bolso do moletom preto que estava a usar..

— Hm... desde sempre. — Disse provocativa.

— Fica quieta moranguinho. — Ele bagunçou meus cabelos e o fito de soslaio.

— Aigoo, você me tira do sério. — Bufei e o mesmo riu, com um brilho em seus olhos.

— Essa é minha função. — Cruzou os braços depois de parar em minha frente.

— Ei! — Falei irada ao ver que o mesmo começou a fazer cócegas em mim, a raiva tinha passado instantaneamente quando comecei a rir.

O olhei rapidamente e pude ver que também sorria, os dentes fofos que parecem de um coelhinho e aquele jeito maroto dele de ser. Meu amigo...

— Ei! _____________! Jungkook! — Ouvi uma voz nos chamar mais a frente, avistando Jimin e Ye-jin mais a frente, escorados na porta da sala.

— O que foi?! — Indaguei em alto bom tom assim que recuperei o fôlego depois de soltar risadas em meio às cócegas.

— Vão ficar aí namorando ou vão voltar pra sala? Faltam poucos minutos pra aula começar! — Exclamou Jimin e logo fiquei estranhamente envergonhada, gritando junto de Jungkook :

— Nós não somos namorados! — Algumas pessoas nos fitaram um pouco confusas, vi o mais alto apontar o dedo meio para Jimin mais a frente e o rapaz de cabelos claros riu.

— Vamos logo. — Exclamou me puxando pelo braço de uma forma sutil, sem utilizar muita força.

Passamos entre alguns alunos, hora ou outra desviando de algum para evitar um esbarro. Estamos praticamente correndo pelo piso escorregadio. Nossos passos ecoam no piso que reflete nossos reflexos, se mesclando aos de outros alunos.

Paramos frente a porta da nossa sala, adentrando a mesma. Ye-jin e Jimin nos encaravam em suas mesas.

Meus passos são lentos em direção à minha mesa, Ye-jin que senta ao meu lado estava me encarando risonha.

Me sentei em minha mesa e Jungkook na mesa que fica na minha frente.

— Aigoo, o que estavam aprontando, Hm? — Era visível o sorriso cheio de malícia nos lábios da garota. Revirei os olhos.

— Nada, certo Jungkook? — Perguntei para o mesmo a minha frente, que me lança um olhar por cima do ombro assentindo.

— Não sei qual é a idéia de vocês pensarem que a gente namora. — Falou e Park Jimin que sentava um pouco a frente das cadeiras falou em provocação :

— Hm, o que vocês querem que a gente pense? Vivem grudados um no outro. — Deu de ombros e vi o Kook ameaçar lhe dar um cascudo.

— Se fode, Jimin. — Falou entre dentes e os dois riram.

— Não podem falar nada. A relação de vocês dois é igual. — Rebati e vi Jimin olhar sugestivo para Ye-jin.

Eu e Jungkook nos entreolhamos, trocando olhares divertidos um para o outro. Ele logo estendeu sua mão para um "bate aqui" e assim o fiz.

— Mas a relação de vocês é surreal. — Exclamou Ye-jin de braços debruçados sobre a mesa. — Vivem grudados, não se desgrudam por nada.

— Não vejo Jungkook com nenhuma garota por perto a não ser _____________, e o mesmo vale pra ela. Deveriam se assumir logo. — Provocou mais uma vez Jimin.

— Exatamente. — Concordou Ye-jin.

— Como se isso fosse verdade. — Virei o rosto, fitando algum canto do chão, em desconcerto.

— Aish, vocês não tem jeito. — Exclamou Jungkook e vi suas bochechas vermelhas, virando o rosto para o outro lado. — Mas acho que nós dois somos uma ótima dupla, certo moranguinho? — Se virou para mim, bagunçando meu cabelo, rindo brincalhão.

— Talvez, Jungkook-pabbo. — Falei o encarando de soslaio.

Todos no grupo riram em meio a brincadeira. Eu e Jungkook somos amigos, apenas isso... Mas as palavras de Ye-jin sempre me vem a mente. Me deixando confusa as vezes, fitei jungkook que está disperso, conversando sobre alguma coisa com Jimin e inconscientemente um sorriso se formou em meus lábios.

Não demorou para ouvir o ressoar do sinal para o próximo horário, alguns alunos ainda estavam a conversar na porta da sala, outros sentados e mais alguns a chegar. Encarei a lousa por alguns segundos, antes de voltar meu olhar para o professor no qual havia acabado de chegar.

Junto dele a moça de cabelos longos, traços delicados e familiares, uma roupa formal preta bem apresentável, adentraram juntos a sala, antes que o professor dissesse :

— Todos em seus lugares, por favor. — Ordenou simples e os alunos que estavam de pé andaram para suas respectivas cadeiras.

Vasculhou com o olhar, conferindo se todos estavam, por cada um. O professor Lee Min-ho era um bom professor, algumas alunas gostavam dele por não ser velho, tinha quase trinta anos mas aparenta ser mais novo, mas de qualquer modo, eu acho esses tipos de pensamentos impuros demais. Do lado dele a moça reconhecida, era um pouco menor que ele, já tinha os visto juntos algumas vezes. Ambos já tinham se relacionado. O que a unnie está fazendo aqui...?

— Fiquem de pé, por favor. — Ordenou Min-ho e assim todos os alunos executaram em uníssono, podendo se ouvir o ranger das cadeiras sendo arrastadas para trás quando levantamos. — Escutem com atenção. — Começou ao ajeitar a camisa social engomada com suas mangas dobradas na altura dos cotovelos. — Esta é a estagiária Shin-Hye, ela tem um comunicado importante para falar. Será em breve, por enquanto ela estará me ajudando nas atividades de hoje.

— Muito prazer alunos, sou a Park Shin-Hye e sou a assistente e estagiária do professor Lee. — Acenou com um comprimento doce para todos os alunos. — Se precisarem de qualquer ajuda eu estarei aqui. — Sorriu.

Park Shin-Hye é minha irmã mais velha, poucos alunos sabem, como eu, Jungkook, Jimin e Ye-jin. Ela sempre me protegeu e defendeu, deu sermões quando eu fazia algo de errado quando menor. Faz faculdade de História e estava estagiando em algumas escolas as vezes, num modo de pegar experiência, só não esperava que ela fosse estagiar aqui novamente.

A unnie sempre levou jeito em sanar as dúvidas que surgiam nas matérias, ela e o professor Min-ho tem quase a mesma idade, apenas um ano de diferença.

Namoraram na época em que o professor ainda não trabalhava aqui no colégio, mas se separaram numa época em que estava muito turbulento para ambos, pois Shin-Hye havia descoberto uma gravidez imprevista, ficaram juntos novamente, queriam realmente criar a criança, mesmo a unnie não recebendo o apoio necessário vindo de nosso pai, por achar imprudência da parte dela deixar algo assim acontecer, sendo que mal tinha começado o primeiro semestre na faculdade.

Mas acabaram perdendo o bebê, os deixando mentalmente abalados, dei todo o apoio que podia a minha irmã, que logo por fim acabaram decidindo seguir o rumo de suas vidas num foco só.

Estabelecem contado até hoje, são bons amigos mesmo tendo uma história toda juntos. Mas se encontram com frequência, quem sabe tentaram dar uma nova chance de recomeçar...?

— Omo, ela é tão bonita. — Cochichou um dos alunos para seus colegas que acenaram com a cabeça.

A unnie era realmente bonita e gentil. Pude ver o professor conferir se cada um já estava pegando seus livros para poder começar.

Me inclinei em minha cadeira para organizar minha bolsa, com os livros guardados. Fitei para frente, vendo que Jungkook fazia o mesmo.

O professor Min-ho nos passou duas páginas de leitura e uma de atividade. O conteúdo era interessante, hora ou outra Shin-Hye o ajudava na explicação, alguns rapazes se deixavam ficar desatentos, alguns prestavam atenção na aula normalmente. Como Jungkook, que parecia um pouco mais disperso hoje.

— Noona, eu estou com dúvida na questão quatro. — Ele exclamou a levantar o braço, alguns rapazes também fizeram o mesmo.

Vi a forma que o professor encarava eles de recinto. A unnie riu junto dele, baixinho antes falar:

— Um minuto. — Ela disse antes de aproximar em cada mesa e sanar as dúvidas dos alunos. Fitei para o lado, vendo Ye-jin balançar a cabeça levemente com um riso soprado.

Quando terminamos as atividades, vi a unnie se direcionar novamente para frente da sala junto do professor Min-ho, que também estava a tirar dúvidas de alguns dos estudantes.

— Bom, agora daremos a notícia no qual mencionamos mais cedo. — Ele exclamou firme e notei que ao olhar minha irmã deu um sorriso quase imperceptível. — Deixarei que a nossa estagiária explique.

— Certo, obrigada professor Lee. — Falou formalmente, fazendo o breve gesto de se curvar, impressionante como minha irmã mudava da água pro vinho em segundos. — Como todos aqui sabem, estão no último ano do ensino médio. Depois que o concluírem, irão para alguma faculdade e eu e o professor Min-ho pensamos numa seguinte coisa... entramos com uma proposta repentina com a coordenação , que acabou ficando de acordo com a idéia de aspecto promissor. — Fez uma breve pausa, antes de anunciar.

Olhou para Min-ho que a encorajou com um olhar reconfortante, para continuar a dar tal recado.

— Faremos uma viagem de dois dias para Jinhae, já que estamos na época em que as flores de cerejeira florescem na Coréia. A viagem será amanhã, pensamos nisso numa forma de vocês aproveitarem. — Concluiu com um sorriso no rosto.

— Exatamente. Confirmem com seus pais ou responsáveis sobre a viagem, numa maneira de terem boas memórias no último ano do colegial. Levem apenas algumas roupas para os próximos dois dias.

Assim que ditou tais palavras, alguns alunos cochicham eufóricos, animados com a idéia, afinal, não se era todo dia que se faziam essas viagens no colégio.

— Aigoo, isso é incrível! — Ye-jin falou em animação, me cutucou na cadeira ao lado e virei meu rosto em sua direção. — Você já sabia, _____________? — Indagou e balancei a cabeça, negando.

— Não. Acho que pegou todos de surpresa, nem sabia que minha irmã tinha voltado a estagiar aqui. A unnie deve estar aprontando algo...— Falei divertida e pude ouvir uma risada fraca de Ye-jin. Distraída, fico a fitar cada um dos alunos ainda a fazer um burburinho na sala.

Min-ho balançou a cabeça, risonho ao lado de Shin-Hye, e vi de relance quase que imperceptível juntarem as mãos enquanto sorriam em sintonia.

Voltei meu olhar para Jungkook que parecia disperso por um momento, mas era nítido que tinha se interessado pela idéia, mesmo não dando para ver nitidamente seu olhar quando virava o rosto para o lado.

O professor Min-ho logo havia mandado que fizéssemos a leitura de algumas páginas, o que resultou o resmungo dos alunos por não poderem continuar a conversar sobre a tal viagem.

Os dois horários já tinham se passado e mal havia notado, agora faltavam apenas alguns minutos para a aula de matemática acabar. Com um dos cotovelos apoiados sobre a mesa, fico a tamborilar os dedos sobre o mesmo enquanto a professora fica a explicar tal parte da matéria.

Nunca fui muito boa em artes, mas gostava de desenhar de vez em quando. Jungkook fazia isso bem e hora ou outra se gabava por tais talentos. Mas tinha que admitir que ele era bom no que fazia.

Apoio meu rosto sobre minha mão, pegando entre meus dedos a lapiseira rosa metálica, começando a fazer um rascunho de um desenho ainda sem forma definida.

Os minutos se passam e antes que notasse havia desenhado aquele rosto no qual vejo todos os dias e me faz sorrir. Até que o Jungkook era adorável.

— Terra chamando moranguinho... — Exclamou em um sussurro, justamente quando estava pensando nele, não pude deixar de olhar para algum canto da sala em distração.

O encarei de ressinto e sorriu soprado, cruzando os braços e se debruçou na cadeira, tentando ver o desenho que havia feito, exclamando :

— Aigoo, o que é isso? — Indagou, tentando ver o desenho de qualquer forma.

— Um desenho. — Lhe dei um peteleco na testa no qual o fez tocar no local soltando um grunhido, nesse meio período cobrindo o desenho com meus braços.

— Aish, ____________... Me deixa ver, por favor. — Pediu franzindo leve o nariz a mostrar aquele sorriso de canto no rosto.

Nos encaramos por um tempo, enquanto os alunos ficavam concentrados na aula. Soltei um suspiro, mas não demorou para que tomasse uma expressão de divertimento no rosto, junto daquele sorriso divertido.

— Hmm... — Apoiei meu rosto sobre minha mão como se estivesse pensativa. — Te mostro quando menos esperar. — Exclamei franzindo leve o nariz ainda a sorrir com a expressão emburrada do mesmo.

— Está bem. — Deu de ombros, vencido com tal proposta. Me inclinei um pouco para olhar além do corpo do maior que desenhava algo em seu caderno, apoiei meu queixo em seu ombro largo, notando que a professora estava de costas para gente.

— Omo, o que é isso? — Indaguei e o vi virar um pouco seu rosto próximo ao meu, sorrindo novamente, fechou o caderno rapidamente me impedindo de ver o desenho, se virando para mim com aquela expressão um tanto quanto provocativa.

— Te mostro quando menos esperar. — Repetiu as minhas palavras e apertei sua bochecha sem por muita força, mas nem isso foi capaz de tirar aquele sorriso largo nos lábios avermelhados do mesmo vitorioso.

— Aish, cabeça de açelga. — Murmurei, voltando a me sentar na mesa normalmente. Ele me fita ainda a sorrir, isso fez meu coração se aquecer e sorri fraco.

— Cabeça de vento. — Rebateu num sussurro.

— Comedor de cenoura ambulante. — Devolvi mais uma vez.

— Moranguinho. Tampinha... — Cantarolou e me olhou de forma vitoriosa.

— Aigoo... — Bufei, Jungkook conseguia me tirar do sério rapidamente e sabia muito bem disso, se divertindo as minhas custas. Isso era nítido em seu rosto com aquele olhar de atrevimento.

— Aish, por que será que é tão bom irritar você, tampinha? — Provocou e mordi meu lábio inferior sentindo minhas bochechas se tornarem avermelhadas com a provocação do mais alto. — Enfim, você vai na viagem para Jinhae? — Mudou de assunto repentinamente, perguntando curioso.

— Eu... — Olhei para algum canto, pensativa. Mas olhei para a professora que estava prestes a se virar em direção aos alunos, dei tapinhas fracos em seu ombro para que virasse para frente. — Shh... É melhor prestarmos atenção. — Exclamei e o mesmo assentiu, sorrindo soprado.

Estava indecisa sobre ir para Jinhae. Com certeza minha irmã não se importaria se eu fosse, confesso que a primavera é uma das minhas estações favoritas e a ideia da viagem me deixou empolgada. Só precisava da confirmação de omma.

A professora continuou a dar sua explicação no quadro. Hora ou outra fitava o desenho que havia feito do mais alto, sorrindo fraco. Cruzei os braços sobre a mesa, no qual botei meu rosto sobre a mesma, fechando os olhos, ainda sorrindo fraco. Ele realmente não se cansa em me provocar, mas de toda forma ele acha um jeito de me fazer sorrir, mas continua sendo irritante.

Isso me fazia lembrar do dia em que nos falamos pela primeira vez...


***

Me lembro como se fosse ontem, era no meio da tarde nublada em que eu e Ye-jin estávamos encarregadas de arrumar a sala.

Ela comentava por ter ido tão bem no teste de ciências, enquanto varria os papéis de baixo das cadeiras dos alunos.

Meus pensamentos iam longe enquanto ficava na ponta dos pés o máximo que podia para conseguir limpar o quadro.

Alguns alunos passavam pelo corredor e nós duas continuamos a conversar, quando todo serviço havia sido cumprido. Lembro de ter pego minha garrafa de água e dado alguns goles por estar cansada de passar boa parte do tempo arrumando o local.

Ye-jin não demorou para se despedir de mim, parece que tinha que ir para casa mais cedo no dia. Tinha até chamado o Jimin para ir junto dela, já que desde aquela época eram vizinhos.

— Até depois, ____________. — Acenou para mim quando estava próxima a porta. — Ei, Jimin! — Acenou para o mesmo no corredor que andava distraído, conversando com outros colegas na hora.

— Até! — Acenei para a mesma e ela logo se retirou, terminando de limpar todo o quadro que possuía alguns desenhos feitos pelos alunos no final da aula.

Fiquei um tempo na sala, olhando da janela, o céu meio cinzento, mas que não deixava de ser bonito. As árvores com suas folhas verdejantes farfalham no vento gélido, não demorando muito para começar a cair as primeiras gotas de chuva.

— Aigoo... — Olhei da janela, exclamando um pouco frustrada por ter esquecido meu guarda chuva na hora, tanto que fiquei mais um pouco na sala a apreciar através do vidro embaçado as gotas de chuva no lado de fora.

Tinha sido o momento em que notei que só estava eu na sala, foi quando ele apareceu. Me lembro perfeitamente de seus cabelos castanhos bagunçados, sua estatura se assemelhava a minha, um pouco mais alto mas era quase imperceptível de se ver, os lábios pequeno e vermelhinhos enquanto segurava nas mãos um guarda chuva, tinha também um curativo na perna esquerda no local do joelho, mas que se encontrava parcialmente coberto pela calça. Fiquei encarando ele parado ali, sem entender...

Foi quando ele logo abriu um sorriso largo nos lábios, esbanjando uma meiguice única. Se aproximou e me lembro de ter afastado, por ser tímida perto de garotos. Escorou-se em uma das cadeiras próximo a mim, fitando também da janela a chuva a cair. Tinha até se formado um silêncio embaraçoso por hora ou outra nos encararmos.

— Você gosta de dias ensolarados, nublados ou de primavera? — Seus olhos se direcionaram para mim e pude ver o quanto eram expressivos e havia um brilho no fundo deles.

— É... — Eu mal sabia o que responder com a pergunta repentina, um momento ou outro mordia os lábios, tentando decidir uma resposta mas nada saia por estar tão surpresa e tímida. — Eu...

— Acho que acabei te pegando de surpresa né? — Falou o garoto de dez anos a minha frente, receoso e ao mesmo tempo mostrando aquela feição descontraída. Concordei com um leve balançar de cabeça. — Eu sou o Jungkook. — Estendeu sua mão em minha direção, sorrindo espontâneo.

— ____________... — Falei apertando leve a mão do mesmo e não pude deixar de corar forte quando o mesmo continuava a olhar em meus olhos.

Deixei de segurar sua mão, desviando o olhar para algum ponto da sala. Sua pergunta ainda estava em minha cabeça, remexi os lábios um pouco trêmulos por conta da timidez, tomando coragem para falar :

— Pri-primavera... — Falei em um tom baixo que pensei que o mesmo não ouviria, mas ele novamente me surpreendeu ao exclamar.

— Eu também gosto! — Sorriu tão animado, se sentando em cima da mesa ainda a me encarar, alternando o olhar entre mim e a janela. Mas parou de sorrir, se inclinando um pouco na mesa, apontou para meu rosto com um olhar curioso e divertido. — Aigoo, por que está tão vermelha assim?

— Não é nada. — Disse, corando ainda mais forte.

— Seu rosto está tão vermelho quanto um morango. — Fez tal comparação e o encarei de soslaio. — Parece um moranguinho. — Brincou e o sangue me subiu as bochechas de raiva com tal apelido.

— Não pareço não. — Rebati e ele riu, se divertindo.

Me lembro de ter ficado debatendo com ele sobre tal apelido e ele dava suas justificativas desconcertado até a chuva no lado de fora parar. Acho que foi naquele momento em que eu notei...

***


Fito o relógio da sala, faltava menos de um minuto para tocar o último sinal. A professora não demorou muito para pegar seus materiais e anunciar que estávamos liberados. Porém continuei ali distraída, mesmo vendo os alunos se retirarem, indo em direção a porta da sala que vai se esvaziando aos poucos.

Passei o resto da aula tão distraída em lembranças que nem notei o sinal ecoar a seguir enquanto os alunos se retiram da sala. Olhei para minha frente e Jungkook ainda estava lá. Ye-Jin estava a arrumar a sua bolsa, ao lado, virou sua atenção para a minha :

— Você vem? — Perguntou, enquanto andava em direção a porta.

— Espera um pouco. — Disse ao apanhar minha bolsa com pressa, colocando meus materiais dentro da mesma sem pressa. Meu olhar se volta para frente vendo ele...

Deitado, apoiando a cabeça no braço esticado sob a mesa. Num impulso me levantei, esticando meus membros para o alto o máximo que posso. Olhei curiosa para o mesmo, estranhamente quieto.

— Aigoo, admitam que estão namorando. — Exclamou ela ao notar que ria fraco só de ficar ao lado de Jungkook. Aish! Claro que não...

— Haha, como sempre muito engraçado Ye-Jin. — Falei monótona e ela fez uma pequena careta e ri de sua expressão.

— Tchau... — Acenou em passos lentos, se retirando completamente da sala. Apenas acenei, ela realmente não tinha jeito. Continuei mais um tempo ali, o moreno continua deitado. Ele dormiu? — Me perguntei. — Cabeça de kimchi... — Murmurei, balançando fraco minha cabeça.

Dei a volta em minha mesa, me direcionando para a do maior. Os olhos fechados, solta a respiração num suspiro calmo. A janela aberta na sala faz com que uma brisa leve se alastre pelo local, batendo contra o rosto do mesmo que tampouco se incomodou, apenas se acomodando melhor com o braço em que está apoiado.

Dei dois passos, ficando agachada na altura da mesa em que o mesmo está dormindo. Meu olhar fixa em seu rosto, tão tranquilo, hora ou outra reprime os lábios avermelhados, fazendo uma pequena expressão enquanto dorme, me fazendo dar um mínimo sorriso.

Estendo minha mão em direção ao cabelo castanho escuro um pouco bagunçado, no qual afago levemente. Vi o mesmo contorcer um pouco os lábios, abrindo as pálpebras lentamente, no qual fez que seus olhos castanhos escuro brilharem ao se encontrarem com os meus. Estranhamente me senti rubra como um tomate, o que não acontecia a muito tempo... Para amenizar a situação dei um tapinha em sua cabeça, endireitando minha postura, cruzei os braços logo exclamando :

— Já acabou a aula. Preguiçoso. — O olhei de soslaio e ele esboçou aquele sorriso distraído em minha direção.

— Omo, mas já? — Indagou incrédulo, mas não demorou para lhe tomar a face uma expressão brincalhona. — Não é atoa de que quase ia dormindo com seu cafuné. — Exclamou maruto e o olhei de recanto.

— Cafuné? Pff tinha um inseto no seu cabelo. — Comentei ao vê-lo se levantar, dando de ombros.

— Sei. — Falou se deleitando da situação. O mais alto não perdia a oportunidade de me tirar do sério.

Começou a arrumar sua bolsa de qualquer forma, apressado. A pegou num maneio rápido e ágil, pondo a alça sobre seu ombro esquerdo.

— Hm... Vai para algum lugar agora? — Indaguei tentando desviar de tal assunto. — Quero dizer, vai ter treino hoje? — Perguntei o olhando de canto, vendo o maior inclinar a cabeça para o alto, pensativo com tal pergunta.

— Não. — Esboçou um sorriso nos lábios. Pude ouvir o pequeno ruído do zíper de sua bolsa fechar assim que terminou de guardar suas coisas. — E você...?

— Eu ia terminar de fazer uma atividade na biblioteca. — Estendi meu dedo indicador sobre minha boca, olhando para algum ponto da sala pensativa e um pouco indecisa se realmente ia. — Mas acho que só vou pegar um livro, você vem comigo... — Fiz uma breve pausa na fala o olhando marota, mordi um pouco meu lábio inferior, piscando algumas vezes com um brilho reluzente em meus olhos. Queria tirar do sério, o mais velho me olhou por um momento em devaneios e exclamei. — Oppa?

Ele desviou o olhar, junto do rosto no qual virou para o lado rapidamente. Forçando uma tosse hora ou outra enquanto troca olhares comigo e depois volta a fitar algum canto da sala.

Deu algumas batidinhas no próprio peito de forma fraca, prensando seus lábios de uma forma que não sabia se estava tentando conter uma expressão engraçada ou um sorriso. Sabia que ele não gostava de que o chamassem de oppa, a prova disso era a vermelhidão constante concentrada em suas bochechas e soltou um resmungo a seguir.

— Não me chama de oppa, tampinha. — Balbuciou tentando manter a expressão seria, mas começávamos a trocar olhares furtivos em um momento ou em outro. — Aish, vamos logo. — Me puxou pelo braço em desconcerto e sorri fraco enquanto executava tal ato.

— Sei que você ama. — Falei divertida lhe dando um soco fraco em seu ombro e o mesmo revirou os olhos.

Nos retiramos da sala, era notório como o corredor se encontra praticamente vazio, apenas alguns alunos passam pelo lugar onde pode se ouvir o ecoar de nossos passos pelo piso que reflete a luz das janelas do corredor de tonalidade clara.

Continuamos a conversar enquanto andamos pelo enorme corredor, viramos alguns corredores, passando entre os armários fechados e as portas das salas que se encontravam algumas entreabertas e outras fechadas.

— Você anda muito lento. — Reclamou, ainda a segurar meu braço sem fazer força, andando rápido de forma que quase não consigo acompanhá-lo.

— E você rápido demais. — Mostrei a língua para o mesmo.

Parou de repente e como estava desatenta acabei tropeçando na perna do mesmo que se encontrava em minha frente. Pensei que ia de encontro com o piso limpido, mas senti sua mão que segurava meu braço apertar o aperto, fazendo força para que não caísse.

— Você está bem? — Indagou e nos encaramos pelo o que parecia uma eternidade, mas só o que passou foi de segundos. Num solavanco, me fez chocar contra seu peito. — Desastrada. — Pisquei algumas vezes.

— E porque você parou na frente? — Exclamei a arquear uma das sobrancelhas.

— Ah... Bom... Eu... — Começou a balbuciar, coçando a nuca discretamente. — Ah olha sua irmã ali. — Apontou para frente e logo olhei, bagunçou meus cabelos com aquele sorriso tão expressivo nos lábios.

Revirei os olhos, fitando minha irmã a frente junto do professor Min-ho. Acenei para a mesma, mas ela não viu e tive a idéia de botar ambas as mãos próximas a minha boca e falar:

— Unnie! — A mais velha se virou de costas, procurando a tal voz que certamente reconheceu.

— Ah, maninha! — Exclamou animada assim que me viu, se aproximando com aquela expressão certamente animada no rosto. Junto dela um pouco atrás, o professor a segue.

— Aigoo, decidiu voltar a estagiar aqui foi. — Falei a olhando com uma expressão surpresa. — Nem ao menos me avisou. — Fiz biquinho e a mesma riu.

— Omo, eu quis fazer uma surpresa. Achei que ficaria feliz em me ver. — Rebateu com o cenho franzido, mas voltou a ter aquela expressão brincalhona contida no olhar.

— É claro que estou feliz. — Esboço um sorriso junto de uma careta e a mais velha tentou me dar um peteleco na testa, me repreendendo com um manear negativo com a cabeça. Voltou sua atenção ao maior do meu lado, intercalando seu olhar entre ele e eu, antes de exclamar me olhando de soslaio:

— Jungkook-ah... Cuidou dessa pestinha pra mim enquanto estive fora? Ela não aprontou nada? — Indagou para o moreno que riu em meio às perguntas feitas pela unnie.

— Não, não senhora. — Ficou com a postura ereta e mantém-se em guarda, provocando as risadas vindas de Min-ho e Shin-Hye. Revirei os olhos por que no caso era eu que ficava envolvida nas artimanhas dele, soco fraco seu braço e ele sorriu.

— Enfim. — Boto uma mecha de meu cabelo atrás, fitando sugestiva o homem ao lado de minha irmã. A olhei como se quisesse explicações e suas bochechas ficam rubras. — Min-ho sunbaenim e você...? — A forma no qual eles não conseguiam conter o sorriso era nítida.

— Está tão óbvio assim? — O homem com sua camisa social branca ajustou o colarinho, temdo os cabelos castanhos tocados por minha irmã, Lee Min-ho era digamos "o sonho de todas as mulheres" sabia cozinhar, inteligente e amante da arte, sempre calmo, atencioso e gentil. Então podemos dizer que minha irmã era uma sortuda, tanto que tinham uma boa sintonia. Mesmo depois de tudo que lhes ocorreu no passado.

— Mais seria bom me tornar sua cunhada novamente, vai que você me dá uns pontinhos a mais na matéria. — Brinquei e todos riram.

— Como sempre bem humorada. — Min-ho riu e nos abraçamos num cumprimento breve, já que todos aqui nos conhecíamos tinha um bom tempo.

— Então quer dizer que decidiram fazer as pazes? — Falei sem conter aquela expressão carregada de malícia que é denunciada em meus lábios.

— Aish, isso não importa. Bom, sim. Voltamos. — Vociferou desconcertada, entrelaçando sua mão na dele, olhando um para o outro com aquele sorriso. Uma explosão de felicidade me atingiu e não contive o sorriso animado no rosto.

— Aigoo eu fico tão feliz por isso. Fico até emocionada. — Bati palminhas animada e do lado tinha um Jungkook me olhando ladino, murmurando algo como "dramática" e lhe dei um peteleco no ombro.

— Enfim, eu queria avisar que... mais tarde estaremos pro jantar. — Exclamou com aquela expressão carinhosa de irmã mais velha.

— Tem algum motivo especial para... comparecerem. — Disse ao me aproximar dela, ecoando tais palavras num sussurro discreto em seu ouvido.

— Hm... Talvez. — Ela disse numa forma que parecia mais duvidosa do que certa.

— Sei que está aprontando. — Exclamei ao me afastar um pouco da mesma, notando que o professor Lee e Jungkook conversavam um pouco distante de nós.

Os cabelos castanhos bagunçados, enquanto bate leve os tênis que usa no piso. Aquele sorriso tão expressivo enquanto tamborila os dedos sobre a alça de sua bolsa.

Pude sentir Shin-Hye sorrateiramente, descansar sua cabeça sobre meu ombro e nem me importei. O meu olhar estava fixo no mais alto como se o tempo parasse por um momento. A unnie ajeitou a posição em que estava, exclamando baixinho :

— Você gosta dele né? — Indagou de surpresa e pigarreio por sentir meu coração agitado daquela forma.

— O que? Aigoo, não me mata de susto unnie. — Apoiei uma de minhas mãos sobre um dos joelhos e com a mão livre, botei acima de meu peito, minhas batidas parecem as de um tambor. Respirei fundo ao sentir mais calma, vendo ao meu lado a mais velha que sorria discretamente sugestiva para minha direção. — Gostar? Não, não... — Fiz um "x" com os braços e ela soltou uma breve risada.

— Como assim "não"? Parecem até namorados. — Falou e minhas bochechas esquentam rapidamente.

Até ela? — Suspiro e fito de soslaio o rapaz que por coincidência me fitava e tratei de desviar meu olhar do dele, encarando minha irmã antes de falar :

— Não somos namorados. — Exclamei baixo a cruzar os braços.

— Se você diz... — Deu de ombros com aquele sorriso presunçoso em seu rosto. — Acho melhor ir, eu e o Min-ho temos que terminar de organizar algumas coisas por aqui. — Explicou.

— Está bem. Eu vou para biblioteca, preciso buscar alguns livros pra estudar. — Falei a ajeitar a alça em meus ombros, segurando a bolsa firmemente entre meus dedos.— Te vejo depois no jantar, unnie. Estou curiosa pra essa tal surpresa...— Franzi um pouco o nariz numa careta sem conter aquele sorriso curioso em meus lábios.

— Também maninha. — Acenou para mim já a andar um pouco pelo corredor. — Min-ho. — Chamou o namorado docemente e ele voltou sua atenção a ela, se despedindo breve de Jungkook que curva com um breve aceno.

— Tchau, unnie! — Acenou.

— Tchau, ____________. — Exclamou junto de Min-ho a acenar na minha direção e a de Jungkook, andando pelos corredores até sumir de nossas vistas.

Ouvi os passos do moreno, indicando que estava a se aproximar de mim. Se inclinou um pouco a minha frente e notou que ainda estava a fitar para frente.

— O que estavam conversando? — Perguntou sem esconder a expressão curiosa nítida em seu rosto.

— Nada demais. — Balancei a cabeça por estar um pouco distraída, dando de ombros para o moreno. — Por que está tão curioso? — Sorriu de canto dando um soco fraco em seu ombro.

— Nada. — Falou e estava dando alguns passos a frente pelo corredor e ri fraco mais uma vez ao olhar para ele.

— Por que estava me encarando, então? — Indaguei e ele virou o rosto, me olhando de soslaio.

— Porque estava curioso. — Exclamou direto e balancei a cabeça breve. — Quero saber o que estavam conversando e por quê tinha ficado tão vermelha de repente. — Falou sugestivo a ficar do meu lado enquanto caminhamos pelo enorme local com poucos alunos.

— Aish, você me tira do sério Jungkook. — Vociferei e riu da minha expressão.

— Se for pra arrancar um sorriso seu, faço o que for preciso moranguinho. — Piscou para mim e não pude conter o riso junto de um sorriso doce em meus lábios ao desviar meu olhar do dele.

— É melhor irmos logo. — Peguei em sua mão, o puxando pelos corredores enquanto conversamos e aquele sorriso que está sempre nos lábios do moreno.

Não tinha demorado muito para chegar a biblioteca. No qual se encontrava com algumas pessoas sentadas nas mesas a ler algum livro ou mexendo no celular, ouvindo música ou estudando para alguma prova. As enormes estantes de madeira com seus livros era de quantidade imensa, o piso aveludado por um tapete.

Jungkook tinha me ajudado a procurar tal livro que eu precisava, não tinha demorado para retirarmos do colégio, acompanho cada passo seu lentamente, chutando as pedrinhas no asfalto enquanto vejo o rapaz com seus cabelos levemente rebeldes sentir o frescor da brisa de primavera.

Busan se encontrava mais bonita do que nunca, as ruas são movimentadas com as pessoas circulando entre os enormes prédios e parques, as flores de cerejeira já tinham desabrochado e davam um toque único pela rua, mas não eram de grande quantidade, os galhos floridos das delicadas flores de pétalas rosadas fazem uma chuva de pétalas quando o vento se choca contra elas, fazendo os galhos das árvores de cerejeira farfalharem na mais magnífica dança.

— Aigoo, as flores de cerejeira estão mais lindas do que nunca. — Comentei saltitante a acompanhar os passos de Jungkook que segura um dos freios da bicicleta enquanto anda lentamente pelo meio fio florido pelas pétalas que caem das cerejeiras. — Pena que não tem muitas por aqui. — Murmurei ao ultrapassar o mais velho, parando um pouco a frente.

Busan era magnífica na primavera, a rua possuía sempre aquela movimentação de várias pessoas só para apreciar as flores rosadas e delicadas. As praias nessa época ficavam com às águas do mar mais frescas, mas não era tão gélidas.

— Você gosta tanto assim da primavera, né? — Ele indagou mesmo já sabendo a resposta.

— Sabe o quanto acho bonito as flores nessa época do ano. Principalmente as de cerejeira. — Disse sorrindo. E não deixei de notar que o mesmo parou por algun segundos, estendendo a mão para o alto pude ver que uma linda flor de cerejeira que caira de uma das árvores a pegou com delicadeza em seus dedos.

— Eu sei... Combinam com você, tampinha. — Sorriu adorável me mostrando a pequena e bela flor com suas pétalas rosadas antes de a vermos ser levada pelo vento suave que passa entre nós, bagunçando meus cabelos de leve antes de continuar a andar.

A cada passo que damos pelas ruas de Busan, vamos passando pelas praças de árvores com folhas verdejantes e as flores que dão beleza por todo lugar. Ficamos em silêncio por um tempo, enquanto andamos debaixo das árvores com suas pétalas de cerejeira a cair.

— Não quero ir para casa tão cedo, aigoo. — Solto uma lufada de ar, do lado, o moreno se virou para mim com aquele fitar curioso.

— Nem eu... — Ditou ao voltar a olhar para frente tranquilo. — Hm... aliás, tenho uma surpresa para você. — Falou ao esboçar aquele sorriso ladino para mim.

—Omo, que surpresa? — Praticamente agarrei seu braço e o chacoalhei de curiosidade.

Já não bastava minha irmã anunciar que revelaria uma surpresa mais tarde, agora o Jungkook... Ele sempre me surpreende quando menos espero e sabe fazer isso muito bem, o suficiente para me fazer sorrir.

O mais alto deu um peteleco que me fez recuar para trás e xingar baixinho pela dor fraca, mas que ainda lateja um pouco no local.

— Se eu falar vai deixar de ser surpresa. — Me fitou maroto e solto uma lufada de ar ao virar meu rosto.

— Como sempre você fazendo essas gracinhas. — Pigarreio descontraída, mas por dentro, ainda estava curiosa. Ele botou uma das mãos nos lábios enquanto a outra segura a bicicleta, pensativo. Não demorou para estalar os dedos e me fitar com um brilho nos olhos:

— O que acha da gente ir para a praia? — A animação em seus olhos era nítida. Já tinha um tempo que íamos para a praia juntos, era divertido passar o tempo com ele ali.

— Hm... Eu não sei se... — Fico pensando por um momento, o vendo tão animado. Antes que pudesse completar minha frase o mesmo subiu em sua bicicleta, botando a sua bolsa na cesta da frente.

— Vem logo, moranguinho. — Mal tive tempo de argumentar e o mesmo pegou em minha mão, e num puxe fez com que ficasse perto dele, me sentando na parte de trás da bicicleta rapidamente.

Eu não o contestei, Jungkook me fita hora ou outra por cima do ombro, mostrando os dentinhos de coelho. Quando começa a pedalar, sinto o vento nos atingir num sopro gélido, rimos enquanto ele pedala no caminho, os prédios de Busan destacam sobre a paisagem em que estamos, não pude deixar de pegar uma flor no meio do percurso num arbusto florido, era uma pequena margarida, com as pétalas brancas e seu meio amarelo, não pude deixar de esticar um pouco meu braço e colocar a pequena flor na roupa de Jungkook.

— Segure firme. — Alertou por um momento e não soube o porque, segurando firme em sua roupa, mas quando senti o impacto do quebra-mola o abracei por impulso.

— Aigooo! — Falei antes de sentir um frio na barriga, ao perceber que estávamos indo rápido de mais por uma enorme ladeira que vinha a seguir do quebra-mola alguns metros depois, me pegou de surpresa, arrancando de meus lábios um grito alto vindo de minha garganta por tamanha velocidade, mas não demorou para sentir a euforia fluir quando sentimos a brisa em nossos rostos. Meus cabelos se despenteam, enquanto aperto ainda mais a cintura de Jungkook, sorrindo ainda com aquela sensação de frio na barriga.

— Pensei que não fosse tão medrosa assim. — Comentou e pigarreio ao terminamos de descer a enorme ladeira asfaltada. Me fitou por cima do ombro com aquele sorriso maroto, tinha feito isso de propósito.

— Fica quieto Jungkook. — Foi a única coisa que consegui comentar.

O caminho já se parecia mais afastado dos enormes prédios, dando espaço para as barraquinhas de comida e bairros de casas tão singelas e reconfortantes.

Ele continua a pedalar mais um pouco, vou observando tudo a minha volta com as nuvens a cobrir o sol naquelas exatas quatro horas da tarde, já que tivemos aulas extras durante toda amanhã e uma parte no período da tarde.

As árvores esverdeadas farfalham as folhagens num toque suave do vento. Era se possível ver um muro pedroso de aspecto polido se fazer com uma enorme superfície plana de altura pouco elevada, a frente tinha alguns degraus da escada de mesma textura que fazem um caminho afundado aos poucos pela areia branca.

O moreno parou a bicicleta numa superfície não arenosa, próxima a um banco que dava vista direta para o mar sereno a nossa frente, debaixo de uma das árvores que forma um caminho pelos pequenos comércios próximos a praia.

— Chegamos. — Falou com aquele sorriso aberto, travando a bicicleta no local que seria visível e de fácil acesso para sua visão.

Me levantei num impulso leve, sentindo meus sapatos se chocarem com as poucas pedrinhas, na superfície até então plana.

Direciono meu olhar para frente, me deparando com aquela vista tão bonita e delicada. Já se fazia um tempinho em que eu e o mais alto não íamos ali.

— Omo, a água deve estar bem gelada. Tem certeza de que é uma boa idéia? — Murmurei por sentir aquele vento mesmo que não estivesse tão gélido, tinha um toque realmente remetente a frieza. Viro para Jungkook, que em passos curtos, sentou-se no banco próximo a sua bicicleta, retirando seus tênis antes de exclamar :

— Bom, está com medo é tampinha? — Indagou me olhando atrevido.

— Claro que não, idiota. — Murmurei e rimos fraco, sentindo a vermelhidão tingir meu rosto por tamanha provocação, retirando os meus sapatos por impulso e os jogando em cima do banco em que o maior se encontrava.

— Então o que nos resta é... Correr o risco e descobrir. — Se levantou e dobrou as barras da calça até a metade de sua canela, fiz o mesmo para não ter risco de molhar a peça de roupa. — Me alcance se puder!

Começou a correr e pulou sobre a areia a nossa frente assim que a superfície deixou de ser plana ao seus pés. O olhei por alguns segundos surpresa antes de começar a segui-lo, sentindo a diferença daquele chão áspero para um macio de areia.

— Ei me espera! — Gritei, começando a correr mais rapido para ficar junto dele, mas é praticamente impossível quando fico a andar toda desengonçada sobre alguns morros de areia.

Ele estava com aquele sorriso pateta no rosto, o alcancei com todos os meus esforços enquanto ele anda saltitante até a beira da água numa parte mais rasa.

A espuma branca bate contra seus tornozelos num leve vai e vem do mar, o atrito que causa em minha pele ao sentir a temperatura da água com aquele vento fez um arrepio se instalar em toda minha pele quando dou os primeiros passos no lugar que tem o leve balançar da água.

— Olha ali, _____________! — Apontou próximo a mim, algo que provavelmente viu do outro lado.

— Onde? — Indaguei ao me virar para o local que havia apontado, mas só tinha nossa presença na praia. Fiquei confusa, quando estava prestes a virar, sentir um de seus braços envolver minha cintura, me levantando num impulso. — Ei! o que está fazendo?!

— Ali tem ondas, um pouquinho mais altas do que no raso. — Comentou e olhei para a frente e realmente era como falou. Me soltou delicadamente quando parou no que achou ser o suficiente para vermos as ondas chegarem até nós dois e senti a água já cobrir minhas pernas até a metade da canela.

Dou gritinhos histéricos ao sentir as ondas naquela parte um pouco mais altas e respingar suas gotas por todo meu corpo enquanto Jungkook sorri de toda situação, hora ou outra entrelaço minhas mãos em seu pescoço e ele me levanta quando uma onda se direciona até nós, se chocando por completo em nossos corpos agora com as roupas parcialmente molhadas.

— Se segura! — Gritou colando ainda mais meu corpo no seu quando uma onda se aproxima. Entrelaçei firme minhas mãos em seu pescoço.

A água vem em grande proporção e forte, fazendo com que eu e Jungkook nos desequilibrar ao se chocar contra nossos corpos. Caímos na água, sentados ficamos e a água serena do raso bate na metade de meu corpo, próximo aos seios. O vento frio não nos incomoda mais, me levantei lhe jogando respingos de água.

— Ei! — Se levantou com dificuldade por causa do balançar da água.

— Você não me pega! — Joguei mais água no mesmo, começando a correr entre pulos na água já que me dificultava correr veloz.

— É o que você pensa! — Gritou de volta vendo que eu já estava um pouco distante, correndo em minha direção o máximo que pode na água. Já estava me cansando pela pressão das ondas que batem em meus tornozelos. Parei para recuperar um pouco de ar antes de levar uma forte trombada pela onde mesmo que média vinda mais adiante, cai de joelhos, sem deixar de sorrir ao ver o rapaz quase me alcançando.

— Ei! —Falei entre risos, quando me pegou entre seus braços como se fosse algo leve e ao mesmo tempo delicado.

— Peguei você... — Sussurrou doce, o vento nos atinge e por um momento, entreabri os lábios. Seus olhos ficam fixos em mim, assim como os meus sobre ele. Aquele brilho em seus olhos, eram tão únicos.

— Aigoo, você realmente me pegou. — Exclamei descontraída, descendo de seus braços. — Sempre faz isso. — Disse rindo antes de me distanciar do mesmo, indo um pouco mais para frente das águas num objetivo de apreciar aquele lugar por mais tempo.

— Eu tenho uma coisa pra você! — Falou quando eu estava um pouco mais a sua frente, aproveitando aquele cenário maravilhoso. Mal tinha notado que estávamos lá já se fazia praticamente uma hora a brincar na água.

— O que é? — Indaguei e ele gesticulou para que eu fosse até ele. Acompanhei seus passos até a areia seca, nos sentamos sobre ela, apreciando as ondas da tarde se formarem naquela linda praia de Busan. Ficamos um tempo em silêncio, sentados ali. De repente virou seu rosto em minha direção e pediu :

— Fecha os olhos.

— Por que? — Perguntei na tentativa de irrita-lo, revirou os olhos.

— Apenas fecha, moranguinho. — Exclamou e assim o fiz, afundando meus pés na areia fofa e fina.

— Até quando vai continuar me chamando assim? Comedor de cenoura ambulante. — O provoquei, ainda com os olhos fechados.

— Para sempre. — Ouvi seu riso soprado. — Não sou um comedor de cenoura ambulante. Não vai parar de me chamar assim, né? — Indagou e um sorriso amável e pequeno se esboçou em meus lábios.

— Nunca. — Exclamei e senti seus dedos longos dedilharem meu rosto a tirar as mechas de cabelo bagunçadas pelo vento.

— Aish. — Resmungou ao ouvir minha resposta, não conti minha risada baixa. Logo pude ouvir o tilintar de algo próximo ao meu rosto. — Pode abrir. — Disse em um tom suave.

Abri minhas pálpebras lentamente. Me deparando com aquele pequeno e lindo cordão entre os dedos do maior, a se balançar pendurado com a brisa fraca. O colar prateado tem um brilho fino e minucioso, é simples e ao mesmo tempo tão precioso, nele à um pingente, pequeno e pulcro com detalhes levemente rosados em formato de flor, suas pétalas são finas e lembram as de uma flor de cerejeira. Meu olhar se intercala a Jungkook que sorri de canto ao lindo colar.

— É lindo... — Exclamei ao segurar o colar, dedilhando o pingente delicado da flor. — Essa é sua surpresa para mim? — Indaguei sem conter o brilho em meus olhos.

— Sim. — Falou suave, passando as mãos entre os fios de cabelo molhados. Me olhou ao botar o colar.

— Fiquei bonita? — Indaguei e vi o mesmo sorrir, pensativo. — Me diz que sim. — Exclamei ainda com um brilho nos olhos e mordi de leve meus lábios.

— Hm... Não. — Exclamou em provocação, o olhei emburrada enquanto forçava uma tosse ao virar seu rosto para o lado assim que o seu olhar se encontrava ao meu.

— Estraga prazeres. — Murmurei e rimos fraco, trocando olhares furtivos um para o outro, junto de sorrisos involuntários.

— Está sim. — Comentou e o olhei com um breve sorriso antes de voltar meu olhar a praia, me estiquei um pouco e encostei os lábios em sua bochecha, num beijo rápido e doce.

— Obrigada. — Agradeci, abraçando meus joelhos contra o meu peito, fazendo desenhos na areia. Num atrito doce, senti seus lábios avermelhados me dar alguns beijinhos na bochecha da forma mais carinhosa possível, sem malícia alguma. Ele sempre foi amável comigo, mesmo tendo nossas provocações nunca me escondeu esse lado doce que tinha.

De qualquer forma, minhas bochechas se esquentaram tanto que sabia o quanto estava rubra com aquele ato fofo do mesmo.

— Moranguinho. — Sorriu de canto e ri de canto, seu olhar me reconforta e me encanta.

Ele aproximou seu rosto centímetros do meu, virei meu rosto em sua direção. Nosso olhar nunca esteve tão preso um no outro como agora, entreabri os lábios e ele ainda a me fitar pulcro, amável e verdadeiro.

Nossas respirações se mesclam naqueles poucos centímetros de diferença, mas ao darmos conta do que estávamos fazendo... Nos afastamos rapidamente, virando o rosto para os lados de forma desconcertada.

— Acho que é melhor... v-voltarmos. — Sugeri desconcertada e ele concordou rapidamente, nos levantamos e tirei os ciscos de areia o máximo que podia de minha roupa.

Começamos a andar, pela areia, quietos. Em direção ao local onde tinha deixado a bicicleta. A cada passo que damos, o silêncio desconcertante era notório. Mas logo foi quebrado pelo mesmo quando nos aproximamos do banco, que ao lado estava sua bicicleta :

— Sem saber, acho que estou aprendendo indo na sua direção. — Comentou espontâneo, sorrindo tão lindamente. — Eu ainda não sei dizer o que sinto de forma clara, mas... Eu gosto de você. — Falou revelando a incerteza que reside em seu coração assim como os sentimentos confusos que eu tinha, queria falar algo a mais, mas parecia dividido nos sentimentos que queria falar.

— Eu ainda não sei o que dizer sobre o que sinto também... — Exclamei, me sentando no banco que estava dando uma vista ampla de toda aquela praia bonita. Puxei meus tênis e os calço em poucos segundos, me levantando num leve gesto o fitando. — Eu também gosto de você. Muito Jungkook...

— Eu sei, moranguinho. Eu sei... — Sorriu doce a balançar um pouco os cabelos úmidos, bagunçando os meus. — Vamos? — Perguntou e assenti, apertei de leve suas bochechas antes de me sentar atrás do mesmo, que sorriu a apertar os olhinhos de um jeito fofo. 

Quando ele fala, quando me escuta...

Não escondemos o quanto gostamos um do outro, mas...

Por mais que eu resistisse a tal sentimento, Ye-Jin e os outros tinham razão. As palavras que gostaria de dizer a ele, são palavras que não posso dizer... Mas agora...

Eu estou bem do seu lado, estou bem aqui... Nossa amizade é única, mas... Sem saber.... Estou sempre indo em sua direção. Sentimentos misturados e ainda indefinidos, mas claros o bastante para perceber...

Vamos ficar simplesmente assim, como estamos agora.

Eu não sei ainda o que pensar, meu coração acelera ao seu lado, sempre me faz sorrir. Todos os sentimentos se tornam uma coisa só. Mas eu estou sendo sincera toda vez que cruzamos o olhar e digo o quanto...

Gosto de você. 


Notas Finais


Música do capítulo 💕:
https://youtu.be/qbtLGvrph0M

Créditos a capa feita pelas :
https://www.spiritfanfiction.com/perfil/huebruhue
https://www.spiritfanfiction.com/perfil/samviti S2

Esses dois ashuashuashu❤ . Postarei o próximo capítulo assim que possível ^^. É isso, mais uma vez espero que tenham gostado meus anjos💕


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