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História Entre girassóis e lírios - Capítulo 3


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Notas do Autor


E aqui chegamos ao final da jornada. a todos que leram, favoritaram, comentaram, fica aqui o meu muito obrigada e minha imensa gratidão. As vezes não é fácil escrever, dedicar tempo etc, mas a recompensa de um autor é um leitor, ele faz tudo valer a pena e é isso que me instiga a sempre trazer coisas boas para vcs, o meu melhor sempre.
Bom, embora tenha sido um tanto corrida essa fic por ser uma shot, eu espero do fundo do meu coração que vcs tenham gostado e gostem do fim.
bom, sem mais, boa leitura.

Capítulo 3 - Capitulo 03


os dedos pálidos encostaram-se novamente contra o vidro frio, enquanto os olhos perolados enxergava ao longe a vasta plantação verdinha. estava literalmente vidrada ali quando Neji entrou em seu quarto. a alguns dias ela estava daquela forma, talvez quatro ou cinco. os olhos do Hyuuga recaíram sobre o café da manhã praticamente intocado da garota e já era quase horário do almoço. ela praticamente não estava se alimentando como deveria, as vezes tocava um pouco, mas em geral, não comia e fora justamente por tal relato vindo da criada que ele decidiu checar.

—Hinata... não deve ficar sem se alimentar, passará mal e vamos ter que chamar o médico para vê-la.

teve apenas o silêncio como resposta.

Ela sentia ainda tanta raiva e principalmente remorso. a verdade era que queria gritar, bater em Neji, perguntar o que havia feito com Naruto, como ele estava. queria..., mas naquele momento ela tinha apenas raiva, uma imensa que ela simplesmente não sabia como pôr para fora.

Ele não se importava com o desprezo da irmã, julgava ser temporário e coisa de uma mulher tola apaixonada. amores passam e ele sabia bem. mas a sua preocupação era a respeito apenas da saúde dela que poderia fragilizar-se mais.

—Mandei preparar seu prato favorito. Espero que coma, não seria bom ter de forçar a comer também.

ele ouviu um som um tanto nasalado vindo dela, como uma exclamação e isso foi o máximo. da mesma forma que entrou ali, ele saiu.

Usando a ponta do dedo, Hinata sobrou o hálito contra o vidro criando uma condensação para logo depois riscar no embaçamento duas iniciais como se fosse uma adolescente apaixonada. e talvez no fundo fosse. ele a fazia se sentir assim, e nunca rezou tanto para deus.

...

Era um pouco tarde da noite já. e Hinata estava deitada em sua cama encarando o teto, quando batidas baixinhas em sua porta a despertaram. ouviu quase como um sussurro a voz de sua irmã:

—Hinata...

levantou-se quase como um pulo urgente e necessitado encostando-se contra a porta.

—Hana... – sussurrou em resposta. de joelhos contra a mesa ela tinha as mãos espalmadas na madeira e a testa encostada.

então ela viu a pequena dobradura de papel ser empurrada pela fresta do piso. era uma carta. e mais que urgente, ela pegou o pedaço de papel o desdobrando e reconhecendo a caligrafia. sorriu sentindo um alívio imenso no peito e sem se dar contas as lágrimas escorriam gotejando.

—Como ele está? – sussurrou tão baixinho. aproximou o papel de seu nariz sentindo que o cheiro do perfume dele, ainda que tão pouco estava na folha. seu coração acelerou.

—Bem, pelo menos agora. ainda tem alguns machucados.

Os lábios estremeceram tanto. Responderia aquilo, mas para isso, novamente arriscava sua irmã, mas tinha apenas a ela naquele momento.

—Você...

—Só escreva! eu darei um jeito. amanhã nesse mesmo horário venho pegá-la. boa noite, Hina

uma forma de comunicarem-se agora existia e por isso uma leve razão para ela ter o mínimo de alegria e voltar a comer. as últimas palavras dele ainda latejavam em sua mente. eles iam ficar juntos e não importava os meios. eles iam fugir e ele pediu ajuda ao Uchiha para isso.

a esperança dela, havia mais do que sido renovada. [...]

 

 

Dentro do quarto, havia dois grandes espelhos sendo que um deles fora trago de outro quarto. A costureira e sua ajudante estavam animadas e empolgadas com o resultado final de sua criação. dava pequenos retoques na bela noiva que estava frente aos espelhos quase pareados. Natsu, a serva, servia quitutes e suco enquanto admirava a beleza da sua senhora vestida de noiva. Hinata era uma lindeza só com o vestido digno de uma princesa, mas os olhos tinham algumas marcas fundas de olheiras e uma tristeza sem fim marcada.

o vestido longo estilo sereia tinha tanto tule e renda. uma cauda do vestido longa e chamativa. fora o véu em renda e tule bordado. tão longe do romântico e simples que ela tinha como ideal, mas o importante era mostrar o status. no seu pescoço pesava as joias que seu pai havia mandado. essas ela usaria no dia...

aquele dia... a dois dias dali.

a dois dias de ser dada a Toneri Otsutsuki.

aquilo a embrulhou o estômago novamente e arrancando o véu de si ela correu para o vasilhame vomitando o café da manhã todo diante das caras preocupadas das mulheres.

—Pobrezinha, deve estar mesmo nervosa com o dia. É o dia mais importante para uma mulher – disse a costureira enquanto Natsu ajudou Hinata a limpar-se e beber um pouco de água para se recuperar.

Assim que Hinata tornou a ficar frente aos espelhos esperando os últimos ajustes, ouviu o resmungar da assistente.

—Está um pouco apertado nas ancas e nos seios, precisa liberar uma pequena folga.

—Impossível, eu nunca erro minhas medidas! – disse ajustando os óculos e conferindo. – Não é possível.

Natsu tomou a frente.

—A menina Hinata antes estava em má alimentação, emagreceu muito, agora que voltou a comer melhor o peso voltou.

— Talvez seja isso mesmo – suspirou a mulher. O que era uma preguinha mínima para afrouxar diante da obra prima que era aquele vestido?

 

A porta foi aberta por Natsu após duas batidas firmes, e logo o filho de seu patrão entrou a passos duros parando no meio do quarto olhando a silhueta bonita de costas de sua irmã, contemplando a beleza que ela era provida.

tensionou o maxilar, e ignorando a presença de serviçais da qual ele julgava menos importante, ele falou com ela como se houvesse apenas os dois ali.

— Está tão linda. Parece tanto a mamãe assim. – houve apenas o silêncio enquanto os olhos perolados encaravam-se pelo reflexo do espelho – vai gostar das terras Otsutsuki. Toneri é um homem com um ótimo padrão de vida, poderá manter o seu, ganhará mimos, jóias...

Ela virou-se bruscamente o encarando de frente. aquela era a primeira vez em dias que ela o dirigia a palavra:

—Eu tenho cara de uma mulher que vende o amor por joias e mimos? me conhece tão pouco assim? – ele conseguia ver não apenas o fogo ardente nos olhos dela, como as lágrimas de raiva.

—Amor não enche barriga, Hina!

“há quem discorde” pensou Natsu consigo.

—Hinata! – bradou, impondo-se pela primeira vez – me chame pelo meu nome de batismo. Não te dou mais o direito de referir-se a mim com intimidade e carinho apenas por ter um elo de sangue.

Ele apertou o seu chapéu entre os dedos, olhou ao redor para as mulheres cabisbaixas.

—Que seja! será uma esposa de respeito de qualquer forma. vai honrar seu marido e lhe dar herdeiros – ele a ouviu rir – o que é engraçado?

—Nada! – disse seca e voltou a encarar o espelho – se não tem mais nada a falar, pode sair. eu vou me trocar e quero descansar para o casamento.

Ele entreabriu os lábios um tanto e então endureceu-se. pelo visto ela tinha uma língua tão afiada quanto Hanabi. felizmente, essa estava melhor encaminhada com o interesse do Sarutobi nela que parecia apenas provocar o garoto sem dó.

Sem mais a acrescentar, ele virou-se saindo do quarto praticamente escorraçado pela irmã, embora jamais admitiria tal fato.

 

[...] Não é que ela não quisesse mesmo se alimentar, mas simplesmente não conseguia manter absolutamente nada no estômago, e naquela manhã não fora diferente. Com os cabelos presos entre os dedos, ela buscava sentir mais refresco quando a temperatura do seu corpo subia ao colocar “os bofes” para fora. Os olhos de Hanabi para si eram preocupados, os de Natsu eram tensos. e certamente Hinata sentiu-se perdida.

A criada colocou a bandeja com o desjejum para ela sobre a mesa e aproximou-se da senhorita a ajudando. sabia que aquilo era um mal sinal.

ajudou-a a sentar-se.

—Senhorita.

—Já disse para chamar-me pelo meu nome. – Sorriu, embora estivesse notoriamente abatida, cansada mesmo dormindo, e muito, mais muito mais pálida que o habitual.

Natsu sorriu minimamente e acariciou o rosto dela. Desde que Lady Mina havia morrido, era ela quem cuidava das duas meninas e tinha grande carinho pelas mesmas, afinal, ela também era mãe e um amor assim multiplicava-se sempre.

—Hinata... preciso que seja muito sincera comigo. – Ganhou a atenção de Hinata que não pode deixar de reparar o tom de voz baixinho e desconfiado da mulher que olhou para a porta ainda fechada – tem vomitado praticamente todas as manhãs, mal tem tocado na comida, mesmo as que tanto gosta. o que mais sente?

Hinata pensou bastante nisso.

—Me sinto um pouco mais cansada... acho que nada muito além disso. – Certamente ela veria poucas diferenças em si própria.

—Não quero ofendê-la, mas... a menina se... se deitou com...

Hinata ficou completamente rubra no mesmo instante desviando o olhar para a parede e Natsu a conhecia o bastante para não precisar de palavras. em nome do bom Deus, aquilo era muito ruim.

—Suas regras, Hinata... elas...

Os olhos perolados abriram-se rapidamente em notório espanto finalmente entendendo onde a criada queria chegar.

—Acha que...

—Precisa de um médico.

—O que está acontecendo que eu não estou entendendo – Hanabi exclamou mesmo tentando acompanhar o tom baixo.

—A menina Hinata pode estar... grávida.

Hanabi levou ambas as mãos à boca em choque.

—Não posso ver o médico. Ele falará para o meu pai, seria minha ruína! – desesperada, ela levantou-se andando de um lado para outro.

—E o Uchiha? – Hanabi interpôs a despertando. – Ele é um, certo?

Hinata parou no mesmo instante, virou-se para Natsu.

—Escute o que fará – disse se aproximando da mulher. – Quero que vá a cidade e procure pelo doutor Uchiha. ele trabalha em um consultório no centro e também vinculado ao hospital. ele é sobrinho do prefeito Obito. você pedirá para ele vir me ver essa tarde. e quando ele chegar, dirá a Neji ou meu pai que o doutor Shimura que o recomendou quando você mandou buscá-lo, que ele tinha pacientes e eu estava passando muito mal. pode fazer isso?

A mulher segurou a mão de Hinata entre as suas e a olhou nos olhos sorrindo.

—Claro que faço, mas então o que fará depois disso?

—Eu vou pensar em algo, prometo. Agora vá.

—Certo!

...

Aquele foi um pedido cedido a muito custo por Hiashi, que só o atendeu porque a filha tinha estado acamada. e negá-la ir a casa de Deus confessar-se e ver a missa era impossível, ainda mais quando ela mesma lembrava tanto sua falecida esposa. Então, a fim de manter a conduta da filha e evitar qualquer problema ou aproximação indevida, ele fez seu filho Neji acompanhá-la à missa daquele domingo.

Sentada ao lado do irmão que parecia um tanto entediado, ela assistiu toda aquela missa fazendo suas preces e pode dar alguns risos soltos pelo sempre sermão bem humorado do padre Jiraya. vira e mexe, trocava olhares cúmplices com Sakura Haruno que estava a alguns acentos de distância de si. os sinais não verbais falavam por si. e quando a missa finalmente terminou, Hinata esperava para se confessar e nisso virou-se ao irmão:

—Me dá uns minutos para cumprimentar minha amiga?

Ele olhou estreito para a rosada e ao mesmo tempo para a irmã.

—Cinco minutos, vou adiantar o padre pra você confessar logo, para voltarmos.

Ela se aproximou da amiga sob o olhar do irmão mais velho. Assim que se abraçaram. a Haruno sussurrou:

—Estou a par de tudo. Meus parabéns!

—Obrigada.

Assim que se afastou um pouco, com extrema facilidade em disfarçar, a Haruno entregou algo para Hinata que rapidamente enfiou na bolsa que carregava consigo.

—Naruto pediu para avisá-la que quase tudo está arranjado. no próximo festival de Rikudou irão partir. ele dará um jeito de tirá-la de lá então tenha paciência até.

—Eu confio nele. Estarei esperando, pelo visto é tudo que me resta agora. – disse esperançosa, mas triste ao mesmo tempo.

—Hey, tudo vai dar certo.

—Deus lhe ouça!

Mal terminaram de se reconfortar e ela sentiu o agarro em seu braço.

—Já acabou os cinco minutos. O padre a espera!

—Até outro dia, Saky – disse com as bochechas coradas.

—Até, Hina.

 

...

Sentada em sua cama, de costas para a porta, ela abriu a bolsa retirando finalmente o que Sakura havia a passado. dentro havia uma caixinha que ela abriu e tinha duas coisas dentro, a primeira era um bilhete bem dobrado e a segunda era uma aliança. ela segurou o aro sagrado e sorriu boba enquanto a outra mão fora aos lábios, sentiu os olhos encherem-se marejados. estava feliz. e então puxou sua correntinha e encaixou nessa o presente do agora noivo e escondeu novamente sob as vestes. pegou então o bilhete o desdobrando e finalmente lendo. ele falava ali que havia conversado com o padre, e explicado a situação de ambos, e este concordou casa-los às escondidas, porque para Naruto a principal condição deles deixarem Konoha era de que ela sairia dali como sua mulher perante deus e os homens.

Ela tornou a enfiar na bolsa o papel e suspirou, contabilizou mentalmente ciente que faltava pouco menos de um mês para o festival. tinha que providenciar um vestido tal como sonhara. um vestido romântico e leve.

sorriu finalmente tendo a motivação certa para levar aqueles dias tortuosos e angústias e espera. [...]

 

Ela estava perdida com o olhar pela janela do seu quarto. os campos cheios de cana-de-açúcar brilhavam no tom verde, e ela pensava nas coisas que sentiria falta, nas que deixaria para trás, como sua irmã, suas amigas, sua confeitaria favorita...  Pegava-se imaginando como seria a cidade que Naruto escolheu, ou se ao menos ele havia escolhido, se tinham destino e até mesmo nos planos que estavam impedidos de fazer a dois pela dolorosa distância.  

Deus, ela estava tão nervosa a um dia do casamento arranjado por seu pai e ela estava às cegas, então apenas pensava... era tudo que a restara.

então fora interrompida de suas divagações por Natsu que entrava com um lanche reforçado aquela tarde. havia frutas, cereais, iogurte entre outras coisas, Hinata achou até um tanto exagerado. A mulher deixou a porta bem aberta e era por ela que Hinata podia ver que havia um capaz ali parado de cão de guarda, mal ela pousou a bandeja farta. Neji entrou no quarto, mas parado próximo a janela. Natsu, assim que Hinata se sentou, colocou-se a servir um copo de suco.

— Senhorita, alimente-se bem, terá uma noite cheia – avisa, e discretamente passa para ela uma chave da qual Hinata pega e esconde imediatamente apertado em uma das mãos. Compreendeu que a mesma abria sua fechadura da porta. – Com sua licença.

—Nana – chamou carinhosamente e a mulher a sorriu – Obrigada por seu carinho e cuidado comigo, sempre.

—Não há de que – disse e saiu do quarto. Hinata viu que o irmão a olhava torto parecendo não gostar da relação.

pigarreou chamando a atenção de Hinata, mas essa nem mesmo o olhou, parecia ignorá-lo completamente, mas ele continuou ainda assim.

—Hoje terá um jantar especial com a família do seu noivo. para o casamento de amanhã que vai acontecer ao pôr-do-sol. Ele deseja vê-la.

—Estou indisposta. – disse de forma seca.

—Não é um convite, Hinata. coloque um vestido bonito e um sorriso decente e agrade seu futuro marido.

Ela nada falou e ele entendeu sua deixa. parou perto da penteadeira dela e viu uma caixinha de musica ali fechada, abriu-a reconhecendo ser um dos objetos favoritos da mãe que presenteou posteriormente Hinata. se lembra que quando crianças, ele por zanga a garota havia quebrado a mesma e por intervenção de sua mãe havia tomando uma surra do pai. aquele objeto idiota foi para o conserto e logo Hinata sorria com ele em mãos novamente.

sorriu nostálgico...

então finalmente deixou o aposento.

...

Após ela enfiar em uma gaveta aquela chave, ela aproximou-se do armário começando a pensar no que vestiria, até que seus olhos contemplaram algo a altura do evento.

sorriu.

Quando deu o horário, ela ouviu as batidas na porta ouvindo a mesma ser destrancada e o som da voz de Hanabi. os olhos da caçula arregalaram-se e logo depois ela riu avidamente.

—Não conhecia esse seu lado humorado – disse fazendo Hinata sorrir por igual.

Ela surgiu no topo da escada começando a descer a mesma calmamente diante do olhar não só do pai e do irmão, como dos convidados daquela noite. Hinata usava um vestido completamente preto. sóbrio. não havia nenhum resquício de brilho ou cor nela, era um preto de morrer. Tanto seu “futuro” sogro e sogra pareciam bastante chocados, tal como o filho único Toneri. Não se deixando intimidar, o jovem rapaz assim que ela tocou o último degrau, levantou-se para cumprimentá-la.

—Bela, Hinata – ele tentou segurar-lhe a mão, mas claramente o recusa que fica sem jeito, mas não perde a pose - É um prazer finalmente conhecê-la pessoalmente. havia falar na sua beleza.

—Já de você eu nunca ouvi falar nada – disse seca, o olhando nos olhos e enquanto Hanabi segurava o riso. a tensão entre os dois se formou quando Toneri estreitou o olhar para ela e ficou vermelho. claro que Hanabi desconfiou que era de raiva.

—Hinata! – disse em tom repreensivo seu pai.

Ela caminhou até a sala onde todos a esperavam e foram apresentados por Hiashi que recebia da filha apenas respostas monossilábicas.

sentaram-se à mesa onde ela recusou a bebida.

—Querida... embora posso ver que é linda até mesmo nessa cor, achei interessante a escolha, porque preto? é no mínimo inusitado para um jantar pré-casamento. – perguntou Toneri

ela virou um gole de água de sua taça e o olhando nos olhos disse:

—É porque eu estou em luto.

A atmosfera ficou densa de repente e ele ajeitou o colarinho com a gravata.

—Perdão... não sabia. alguém morreu?

—Minha felicidade, estou em luto com esse casamento.

—Chega! – bradou Hiashi – cale-se agora mesmo, Hinata – virou aos convidados – me perdoe, ela anda... sentimental demais esses dias.

—É compreensível. Ter um casamento arranjado às vezes é difícil, mas logo se acostuma, querida – disse a futura sogra. Inare.

Ela não respondeu, apenas passou apenas a beber e comer em silêncio enquanto as conversas seguiram-se. tudo era sobre o casamento. sobre o buffet, sobre as escolhas que ELES a empurrava sempre. pouco tempo depois, ela fora novamente indagada sobre algo, mas permaneceu calada. apenas contabilizava quanto tempo mais até aquilo acabar, até Naruto dar qualquer sinal.

ah maldita ansiedade que a matava.

sobressaltou-se com a voz grossa e áspera do pai.

—Responda, Hinata!

com as bochechas rosadas e o seu ar doce e angelical, mantendo seu tom educado e baixo ela disse:

—Manda calar-me e depois falar, decidam!

As mãos grandes e brutas bateram na mesa assustando a todos.

—Basta, retire-se!

Ela levantou-se e saiu sem pensar duas vezes ou olhar para trás, deixando o coronel em uma situação vexatória diante de seus convidados.

 

...

 

Quanto tempo se passou exatamente? ela não saberia dizer ao certo. andava nervosa de um lado para o outro no quarto. suas mãos suavam, seu coração estava acelerado demais. sabia que o jantar aconteceu às mil maravilhas e então o som de batidas de aviso na porta a alertaram, logo em seguida entrou Hanabi trazendo uma bandeja com alguns quitutes. ela repousou a mesa e se aproximou da irmã mais velha, sua voz não passava de um sussurro.

—Exatamente a meia noite saia do quarto.

—Mas e os capatazes?

—Papai em comemoração ao seu casamento amanhã, deixou-os comemorar, foram trazidos três barris de cerveja. Infelizmente eles foram contaminados com sonífero potente, presente do doutor Uchiha. – disse com tom de graça e imediatamente fez Hinata sorrir.

—Certo...

— Depois da passagem da porteira da fazenda, Sasuke estará com o veículo dele desligado à sua espera. Ele a levará até seu destino inicial: a igreja. Naruto a esperará lá.

—Obrigada, Hana...

Se abraçaram tão apertado que o mundo poderia caber naquele abraço. tanto carinho, tantas emoções.  

—Só seja feliz, isso me basta – sussurrou no ouvido de Hinata. essa afastou-se limpando as lágrimas.

—E quanto a você?  se papai descobrir... foi a única que teve contato comigo.

—Terei um bom álibi. e depois estarei tão apagada quanto os outros. sabe onde estará os frascos de remédio? no quarto de Neji. ele que se explique ao papai.

Hinata sorriu.

—Quando chegar aonde almeja, me avise. escreva para Sakura e nós manteremos contato. não é um adeus.

—No máximo um até breve. – disse chorando.

—Isso. – Virou-se – agora preciso ir, apresse-se e arrume o que falta

 

...

 

Sasuke assim que a viu, fora de encontro a garota suspirando em alívio imenso, pegou a mala que ela trazia consigo sentido o quanto estava pesada.

—Carregou isso assim? – arqueou a sobrancelha.

—Não sabe como a liberdade dá forças – suspirou Hinata.

—Deu tudo certo? Alguém a viu? – eles conversavam quase em sussurro.

—Não! – ela balançou a cabeça – me esgueirei.

Ele guardou a mala no carro e logo Hinata viu Sakura e deu-lhe um abraço apertado.

—porque está aqui? – questionou confusa.

—Precisarão de testemunhas para validar o casamento civil e religioso.

ela sentiu os olhos encherem-se de lágrimas, mas essas eram de alegria e amor.

Quando chegaram à igreja, a cidade dormia praticamente. entraram pelos fundos onde o padre já esperava, bem como Naruto que não pode conter a vontade de abraçá-la, de beijá-la e tocá-la, mas fora impedido pelo padre.

—Casamento primeiro.

—Oh, certo! – disse com um bico contrariado, mas ainda assim deixou um beijo sobre a grossa franja dela.

—Vem Hina, vem se trocar.

Enquanto Naruto seguiu com o padre e Sasuke para o altar, Hinata e Sakura seguiram para o banheiro onde Hinata, que segurava o vestido nos braços, contou com a ajuda da amiga para vesti-lo e ajustar-se de forma simplista. Sakura afastou-se ligeiramente sentindo os olhos marejaram.

—Está tão linda e delicada!

Hinata corou-se com o comentário, mas ficara feliz. então, sem mais tempo a perder, sakura abriu a bolsa tirando algumas maquiagens mais simples, um batom rosado. ajeitou os cabelos de Hinata com alguns grampos bonitos e então o principal. o véu... esse cobriu-lhe a cabeça junto do adorno com renda e flores preso a ele encaixado na cabeça.

—Perfeita!

Elas saíram dali e mal deram um passo em direção ao salão da igreja, e sakura pronunciou-se

—Quase ia me esquecendo. – disse e caminhando-se para um cantinho pegou o buquê, esse era feito com a harmonia de girassóis e lírios. – Está com a aliança, certo?

—C-claro – disse ela com grande emoção puxando o cordão preso ao pescoço.

Ela então ficou ali, frente a entrada lateral para o altar. não havia música, não havia uma grande presença de convidados e amigos para celebrarem, não havia pompa e luxo ou...

mas sobrava amor. tanto dele que transbordava. derramava pelos olhos apaixonados que se encontraram quando ela se sentia a mulher mais linda e perfeita do mundo quando ele a olhava daquela forma, ou o quanto sentia-se amada e o amava por igual.

se achavam um no olhar do outro.

—São tão lindos juntos, né? – Sakura que chorava muito, recebeu do noivo um lenço – obrigada... nem sempre é um torrão duro.

ele revirou os olhos, mas sentia sim. era só ver o olhar hipnotizado de Naruto para a mulher que amava vindo em sua direção. ele estava literalmente sem fôlego.

Como Hinata pode se apaixonar por um cara como ele? era um mistério.

 

Quando as mãos dele seguraram as dela, ambos se percebiam tensos, nervosos, elas estavam ligeiramente suadas.

—Uau... você está simplesmente... linda. – Ele tinha os azuis mais brilhantes e luminosos e ela soube que o céu não poderia competir...

o padre fez um barulhinho e sorriu. sempre faria tudo pelo amor verdadeiro, e aquilo era amor e ele sabia. não eram valores idiotas que passariam por cima de algo tão puro. o que dizer, Jiraya era o maior defensor do amor, era o seu fraco. quando o Uzumaki o procurou, ele já sabia de metade da coisa graças as confissões pontuais de Hinata, não havia como dizer não.

—Bom... inusitadamente estamos reunidos nesta madrugada, para celebrar o amor...

ele fora rápido, sabia do tempo, mas tocou em pontos relevante de uma união. do amor, do companheirismo, da lealdade e do respeito. então chegou a hora da troca de votos e aliança e Naruto segurou entre seus dedos o aro e na outra a delicada a olhando nos olhos chorosos. suas duas luas para iluminar para todo o sempre qualquer escuridão que ousar se aproximar.

—Não sou bom com palavras.

—Sem falsa modéstia, é um bom advogado e não é à toa – interferiu Sasuke fazendo os casais rirem.

—Certo. bom... tem um trecho de uma das cartas de Victor Hugo para sua amada Juliette Drouet, que diz assim: Olho para o passado com embriaguez, mas não é com menos deslumbramento que encaro o nosso futuro. Eis-nos, agora, um do outro para todo o sempre, sem ansiedades, sem inquietações, sem angústias. Atravessámos e vencemos tudo o que era mau e que poderia ser fatal. Estamos em plena posse dos nossos dois destinos fundidos num só. O nosso amor não terá a frescura dos primeiros tempos, mas é um amor posto à prova, um amor que conhece a sua força, e que mesmo para além do túmulo, espera ser infinito. O amor, quando nasce, só vê a vida, o amor que dura vê a eternidade. – Os olhos dela derramavam-se incansavelmente e aquela altura, até mesmo ele derramava as lágrimas contemplando os olhos dela – é assim que me sinto. que ao seu lado eu posso tudo e estou completamente realizado. que o nosso amor veio de outra vida e se arrastará para quantas mais vierem.

Ele encaixou a aliança começando a colocá-la no anelar esquerdo dela.

—Por isso... receba essa aliança como prova do meu amor e de minha fidelidade e eterna devoção. Hinata.

Ela sorriu chorando e então pegou a aliança dele e ele estendeu-lhe um lenço da qual ela secou os olhos e respirou.

olhou-o nos olhos por igual e sorriu tão, mais tão feliz que se fosse possível morrer de felicidade, ela morreria.

—  Shakespeare dizia: Assim que se olharam, amaram-se; assim que se amaram, suspiraram; assim que suspiraram, perguntaram-se um ao outro o motivo; assim que descobriram o motivo, procuraram o remédio. e hoje sabemos o remédio e o usamos. eu não poderia me sentir mais... feliz, mais amada, mais... completa é a palavra. porque nos seus olhos eu encontro a cura das minhas tristezas, nos seus braços eu encontro conforto, segurança e acalanto dos dias tempestuosos. no seu amor eu me encontro.

—Tsc..– murmurou Sasuke lutando para não se deixar emocionar e recebeu um lenço de Sasuke que tinha um sorriso bonito brincando nos lábios, mesmo com as bochechas varridas de lágrimas de emoção.

—Por isso... receba essa aliança como prova do meu amor, de minha fidelidade e de minha eterna devoção, Naruto.

Jiraya limpou os olhos por igual e então tomou a frente novamente.

— Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separa. eu os declaro, marido e mulher. pode beijar a noiva.

Ele não precisou de uma segunda oferta para isso, tratou de enlaçar a nuca de Hinata a trazendo para junto de si e tomando os lábios com toda ânsia, saudade e vontade que não cabia em seu peito, precisava derramar.

—Senhora Hinata Uzumaki – balbuciou doce contra os lábios dela que sorriram ainda de olhos fechados.

—Sim, senhor meu marido... E agora?

—Agora é nosso dever sermos felizes, certo? – ele tornou a beijá-la.

 

...

 

O dia estava dando suas nuances que de que chegava. o amarelo, alaranjado e azul misturavam-se, quando a cortina de fumaça evaporou rápido no ar com o longo e alto apito. aquele horário havia já várias pessoas na estação central de Konoha com destinos distintos, mas todas saiam daquela cidade, fosse para negócios, viagens, estudos ou mudanças e eles não eram diferentes. de posses das únicas coisas que levavam com eles e que cabia em suas malas, eles despediram-se daqueles que eram mais do que amigos, eram guardiões daquele amor, embora faltasse algumas outras pessoas ali.

Sakura abraçou tão apertado Hinata, que essa poderia ficar sem ar, mas do contrário do que se pensaria, ela apertava por igual.

—Cuidem. e quando chegarem Kumo, Sai estará à espera de vocês. – disse Sasuke apertando a mão de Naruto, que sem cerimônias o abraçou.

—Obrigado por isso e por todo o resto.

Sasuke esboçou um sorriso miúdo.

—Não precisa agradecer. sei que faria o mesmo por mim.

—Faria sim...

o apito soou mais uma vez alto e um homem gritou a partida do mesmo.

—Ora de ir... – ele virou-se para Hinata que concordou e sorriu.

não importava para onde, se estivessem juntos, ali era o seu lar e sua felicidade...

 

Mas nas terras Hyuugas...

O grito estridente, feroz e muito além de carregado de ódio e fúria ressoava pelos quatro ventos, certo de que talvez poderia ser até mesmo ouvido a uma longa distância.

Talvez nem todos ficassem bem de fato, mas o mais importante era o amor prevalecer...

sempre e para sempre.

 

 

 

Fim

 

 



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