História Entre Lençóis e Mentiras - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias Seventeen
Personagens Boo Seungkwan, Hansol "Vernon" Chwe, Jeon Wonwoo, Kim Mingyu, Lee Seokmin "DK", Soonyoung "Hoshi", Wen Junhui "JUN"
Tags Drama, Eu Só Escrevo Angst Mesmo, Seungkwan, Soonseok, Traição, Verkwan, Vernon, Wonhui
Visualizações 309
Palavras 4.463
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


A pessoa some por 5 meses e aparece com um capítulo de quase 5k como se não tivesse feito nada, prazer eu mesma.

Eai, amorecos, como vocês estão?? Eu tenho MUITA coisa para dizer, então preparem-se para o textão de explicações sobre meu sumiço, vamos lá. Em primeiro lugar MUITO OBRIGADA pelos 302 faves??? Eu fiquei realmente chocada quando vi e a alegria foi tanta que eu precisei postar capítulo, então sério eu fico muito feliz que vocês estão gostando da história!

Em segundo lugar, eu sei que demorei muito e eu peço desculpas por isso. A minha vida não tem sido uma das melhores nos últimos meses, para quem me conhece ou me segue em alguma rede social, sabe que um tio próximo meu morreu e outros 2 parentes meus passaram por situações de risco de morte. O que, obviamente, me fez perder qualquer inspiração para continuar a história.

"Mas você postou outras fics enquanto não atualizava essa!!!" Verdade, mas uma delas é death fic e a outra já estava pronta desde fevereiro, foi literalmente só editar e postar.

Por último, queria agradecer as mensagens de incentivo que recebi durante meu sumiço, elas me mantiveram tentando voltar a escrever constantemente e me animando para não deletar a fic ou algo do tipo. Por outro lado.... Queria pedir, com todo carinho do mundo, que vocês não me mandassem mais mensagem do tipo "atualiza a fic x" ou "vai postar a fic x quando", já que as minhas crises de ansiedade ficam a 100% com isso, o que me ajuda 0 a escrever. Ou seja, se você quer a fic, não me deixe ansiosa a ponto de mal conseguir digitar uma linha.

Sei que falei demais, então vou calar a boca agora. Anyways, aproveitem o capítulo porque acho que a espera vai valer a pena [wink emoji]

Capítulo 11 - Million Reasons



I've got a hundred million reasons to walk away
But baby, I just need one good one to stay


“Você parece péssimo”

Desviando o olhar da tela do celular onde os números ‘15:40’ piscavam atraindo sua atenção, Seungkwan voltou-se para Junhui, que agora empurrava em sua direção uma xícara de chocolate quente com creme.

“Eu me sinto péssimo” Foi sua resposta automática.

O garoto olhou ao redor antes de suspirar e dar de ombros, sentando-se a mesa junto com Seungkwan, seus olhos cuidadosos analisavam cada centímetro possível do rosto do outro e, se Junhui não fosse alguém extremamente alheio a situação, Seungkwan teria certeza que ele já sabia a razão pelo seu humor. Verdade seja dita, Seungkwan não havia ido até o café onde Junhui trabalhava a procura de conforto, apenas o gosto maravilhoso do chocolate deles e os preços acessíveis estavam em sua mente, entretanto, não era capaz de negar a gratidão que sentia ao ver o amigo ali consigo.

“Então, o que aflige essa cabecinha de cabelo desbotado?”

Seungkwan o fuzilou com o olhar antes de sorrir fracamente “Você não tem um trabalho para manter?”

Erguendo as sobrancelhas como quem acha graça, Junhui o olhou ainda mais descrente e Seungkwan sabia porque: o lugar estava vazio. Além dele mesmo ocupando aquela mesa, apenas mais duas possuíam clientes ㅡ sendo que um deles já havia terminado seu bolo ㅡ presentes no local. Suspirando derrotado, Seungkwan tomou um gole do seu chocolate quente, abaixando a cabeça em seguida.

“Eu estou esperando o Mingyu"

Junhui fez uma careta antes de responder “Você realmente vai me fazer servir aquele lá? E eu achando que éramos amigos”

“Você não devia gostar mais dele sabendo que ele e Wonwoo nunca tiveram nada?” Questionou Seungkwan revirando os olhos “Você nem ao menos deu uma chance para ele!”

“E não pretendo, antes de você aparecer ele ainda estava babando pelo Wonwoo na biblioteca”

Cansado de argumentar, Seungkwan preferiu ocupar sua boca com o conforto de sua bebida. A verdade é que havia chamado Mingyu ali, mas não para um encontro agradável como Junhui provavelmente deduziu, e sim para finalmente ser sincero com o garoto. Ter testemunhado Hansol e Yuna dois dias atrás havia servido como um choque, mais do que nunca, agora Seungkwan sentia necessidade de ser verdadeiro com seus sentimentos.

Verdadeiro com Mingyu.

Então, mesmo que não tivesse a menor ideia de como contaria para o outro a verdade, Seungkwan sabia que a hora era aquela; e quanto mais ele a estendesse mais sofrimento traria. Precisava começar a ser mais sincero e, talvez, iniciar com Mingyu fosse o primeiro passo para cuidar das outras mentiras que havia contado.

Seus pensamentos foram interrompidos com o soar de um sino, e ao levantar os olhos de sua bebida, encontrou Mingyu sorrindo em sua direção. O garoto parecia radiante como sempre e, a ideia de que Seungkwan apagaria a luz de seu rosto, fazia-o sentir enjoado.

“Me desculpa pelo atraso, eu perdi a hora” Disse Mingyu sentando-se junto a Seungkwan na mesa.

“Não se preocupe” Respondeu Seungkwan sorrindo e virando-se para o outro amigo “Jun, por que você não traz uma bebida para o Mingyu?”

O garoto fez uma careta ao encarar Seungkwan, levantando-se da cadeira como se tivesse sido ferido por flechas. Caminhou para a cozinha sem ao menos importar-se em cumprimentar Mingyu, que agora sorria sem graça para as costas do garoto que se distanciava.

Tossindo sem graça, Seungkwan percebeu o quão desconfortável era de fato aquela situação: iria terminar com Mingyu bem embaixo do nariz de Jun. Ele apenas poderia esperar que o amigo fosse maduro suficiente para não dizer nada, ou provocá-lo com picuinhas sem fundamento.

“Então” Começou a dizer Mingyu, seus caninos aparecendo enquanto sorria “Você disse que precisava falar comigo algo importante”

Seungkwan encarou o garoto a sua frente, o sorriso encantador que fazia seus próprios lábios curvar, e o cabelo escuro perfeitamente arrumado. Desejou que pudesse se apaixonar por Mingyu, que fosse possível transferir todos seus sentimentos por Hansol para ele como mágica, pois tinha certeza que o garoto o faria feliz.

“Seungkwan?”

A voz preocupada de Mingyu fez Seungkwan odiar a si mesmo, e as lágrimas que caíram de seus olhos sem permissão ardiam em seu rosto. Pouco a pouco o garoto sentia seu mundo desmoronar, as verdades que não era capaz de pronunciar enrolavam-se em sua língua com um gosto amargo e, a promessa de calmaria através da verdade, era como uma ilusão.

Uma das mãos de Mingyu encontrou o rosto de Seungkwan e ㅡ com delicadeza que fazia seu peito doer ㅡ secou as lágrimas que rolavam, um sorriso triste em seu rosto.

“Você vai terminar comigo, não vai?”

A questão vibrou nos ouvidos de Seungkwan de modo que o fez encarar o outro em silêncio, não conseguia falar e tampouco seus soluços forneciam respostas precisas. Havia uma confusão dentro de Seungkwan que era inexplicável, mas mais do que isso, seu coração doía pelo modo com que Mingyu o olhava. As palavras do garoto não carregavam qualquer tom de raiva, apenas constatação e uma pitada de tristeza, era como se Mingyu já soubesse os sentimentos de Seungkwan antes mesmo que estes fossem ditos.

“Eu… Me desculpe, Mingyu” Seungkwan disse, mas havia tanto mais que desejava ser capaz de falar, tantas palavras que o outro merecia ouvir.

“É o Hansol, não é?”

Mingyu já não sorria mais, a mão que antes secava as lágrimas de Seungkwan agora congelada em suas bochechas, enquanto seus olhos desviaram para a mesa.

“Eu suspeitei que você sentia algo por ele desde a nossa primeira noite juntos, afinal, você falou o nome dele quando…”

O resto da frase não veio, porém, não era necessário. Seungkwan sabia o que ele queria dizer. Entender quanto tempo Mingyu conviveu com aquela informação o envergonhava, no final das contas, fez com o garoto o mesmo que Hansol fez consigo. Poderia mesmo dizer que era melhor apenas por que tentava terminar? Até mesmo nisso Seungkwan seguia os mesmos passos do outro, afinal, ele também havia pensado que terminar tudo entre eles resolveria as mentiras que haviam dito.

A diferença talvez fosse que Seungkwan nunca foi como Mingyu, capaz de enxergar a realidade e viver com ela sem ilusões.

“Eu quis me apaixonar por você, Mingyu” Começou a dizer Seungkwan, pouco se importando com o modo que sua voz falhava, ou como a informação talvez fosse demais para o outro “Você é incrível, e me trata bem, mas…”

“Mas eu não sou o Hansol”

Seungkwan desviou os olhos e assentiu em silêncio, o peso de seu peito misturando-se com o alívio que sentia por finalmente dizer tudo em voz alta.

“Eu não vou mentir e te dizer que estou bem” Falou Mingyu encostando-se na cadeira, os olhos baixos e o lábio inferior entre dentes “Mas eu supero, talvez não agora, mas eu vou”

“Obrigado”

Levantando-se de seu lugar como se parte de si ficasse naquela mesa, Seungkwan mal sentia seus pés tocando no chão. Sabia que poderia voltar atrás e pedir para Mingyu uma chance de tentar tudo de novo, uma nova oportunidade de ser feliz e esquecer Hansol. Entretanto, também sabia perfeitamente o quão injusto e egoísta seria tal pedido, por isso mesmo, nada disse e virou-se de costas o mais rápido possível. Precisava ir embora para longe de Mingyu.

“Ei, Seungkwan” O chamado do garoto o fez parar, porém ele não se virou até que as próximas palavras fossem enunciadas “Ele sabe?”

“Não”

Seungkwan pode observar Mingyu suspirar e o olhar triste, um resquício rápido de pena brilhando em seus olhos.

“Ele te ama, você sabe disso, não sabe?”

A frase fez um nó formar-se na garganta de Seungkwan, que era quase impossível de engolir. Sem conseguir respondê-lo, o garoto apenas deu as costas a Mingyu e deixou o café, esperando que a pressa em seus pés fosse o suficiente para levá-lo para longe.

~•~

O som da televisão ligada e o cheiro de pipoca recepcionaram Seungkwan quando este chegou em casa. Ali no sofá da sala, encontrou Seokmin com Soonyoung aninhado em seus braços, o garoto estava deitado de forma aparentemente confortável e mais silencioso que o normal, o que ㅡ considerando as circunstâncias atuais ㅡ era um presente dos céus para Seungkwan.

Afundando na poltrona em silêncio, Seungkwan deixou com que um suspiro deixasse seus lábios e encostou a cabeça, observando a concentração de Seokmin na animação que passava na TV. Foi então que notou que Soonyoung dormia tranquilamente nos braços do outro, o peito de Seokmin servindo-lhe de travesseiro enquanto os dedos acariciavam os fios de seu cabelo. A cena era adorável e, mesmo que o sentimento de solidão e inveja queimasse dentro do seu peito, Seungkwan não conseguia evitar que um sorriso surgisse em seus lábios ao observá-los.

Ambos possuíam uma dinâmica tão perfeita e complementar, movidos a uma energia que combinava em tantos aspectos, que Seungkwan desejava um dia viver isto com alguém. Ter a mesma paz que os amigos conseguiam ter quando estavam juntos.

“Eu terminei com o Mingyu”

Falar a frase em voz alta lhe deu estranha euforia, um resquício de felicidade e orgulho por ter agido certo depois de tantos erros, e ㅡ como se algo explodisse dentro de si ㅡ Seungkwan começou a rir.

Seokmin desviou sua atenção para si, os dedos nunca parando as carícias em Soonyoung, que mal parecia notar que Seungkwan passava por um surto de riso logo ao lado.

“Por que você está rindo?” Questionou Seokmin, uma expressão confusa adornando seu rosto e cabeça caída de lado.

“Porque eu tive uma chance incrível com alguém que gosta de mim” Respondeu Seungkwan fechando os olhos e jogando a cabeça para trás “E eu neguei isso por algo que nunca vou ter”

Os risos cessaram, no entanto, ainda sentia a euforia borbulhar em seu interior de forma impulsiva. Não sabia o que esperava quando decidiu que faria tudo certo, mas esse é o grande desafio de tudo, não? Seguir o caminho correto é algo incerto, desvencilhar-se de mentiras enroscadas em seu corpo ainda mais.

“Você fez o que era certo, você sabe disso, não sabe?”

Os olhos de Seokmin eram carinhosos ao encontrar os seus, e Seungkwan quase conseguia ver a empatia em seu sorriso meigo.

“Eu sei”

‘Eu só não sabia que fazer a coisa certa doeria tanto’ ㅡ Completou Seungkwan mentalmente, optando por corresponder o sorriso de Seokmin.

"Seungkwan, estou orgulhoso de você”

E, pela primeira vez em muito tempo, Seungkwan pensava o mesmo de si.

~•~

Os dias passaram como um flash diante dos olhos de Seungkwan, onde poucas mudanças aconteceram de fato em sua rotina. Não ter mais Mingyu ao seu lado lhe causou um impacto confuso, pois sentia falta da amizade com o outro, mas entendia que já havia sido egoísta o suficiente com o garoto. Por isso, mesmo sentindo um vazio nas tardes solitárias, era mais seguro ocupar sua mente com estudos e trabalho, mais correto ligar a televisão em alguma reprise de seriado do que digitar o número de Mingyu.

A satisfação de ter optado por um caminho mais sincero, contudo, dominava seu ser por completo. Não ter que sentir a culpa corroendo seu corpo pouco a pouco, ou imaginar os lábios de outro nos beijos de Mingyu acalmava Seungkwan, dando-lhe um chão estável para seguir em frente. Sempre soube o quão errado foi brincar com os sentimentos de outra pessoa ㅡ afinal, Hansol fazia o mesmo consigo sem saber ㅡ, entretanto apenas quando encerrou tudo com o outro, que Seungkwan percebeu a dimensão que deixou as coisas tomarem. Foi necessário o término para enxergar o rumo torto entre pedras pontiagudas que seguiu, arrastando atrás de si Mingyu e o conduzindo para o nada.

Não teve notícias sobre o garoto durante a semana, tampouco encontrou com este pelo campus ㅡ o que já era de se esperar, pois ambos cursavam cursos e matérias completamente diferentes ㅡ, porém a notícia do término entre eles foi algo não divulgado, mas sim percebido. Soonyoung soube logo na manhã seguinte, sendo uma exceção já que Seokmin lhe disse com um sorriso orgulhoso; por outro lado Wonwoo notou assim que chamou os amigos para ir uma tarde à sua casa e, ao contrário do costume, Mingyu não apareceu para falar com Seungkwan.

O mais estranho, porém foi a reação de Junhui.

Assim como Wonwoo, o garoto não questionou Seungkwan sobre o assunto, entretanto, quando os seus olhares se encontravam havia certa preocupação em seu rosto. Em diversos momentos Seungkwan agora sentia-se incomodado com a atenção, o cenho franzido de Junhui lhe escondendo pensamentos que pareciam o confundir. Havia algo não pronunciado entre eles, o garoto tinha a mais absoluta certeza de tal fato, pela forma como Jun evitava encará-lo quando poderia ser pego, ou pelo modo que a atmosfera ao redor de Seungkwan pesava quando estava sozinho com o amigo.

Algo estava fora do lugar, no entanto, Seungkwan não sabia ao certo o que poderia ser, tampouco desejava entrar no ‘assunto Mingyu’. Por mais que houvessem terminado, não lhe soava certo expor o que tiveram, mais do que isso, Seungkwan sabia que o assunto correria perigosamente perto do amor que escondia por Hansol. E ㅡ mesmo com o alívio de ter resolvido um de seus problemas ㅡ nada era tão fácil assim quando tratava-se de Hansol.

Este, por outro lado, ainda era um de seus problemas.

Desde que falara com Mingyu, as palavras do garoto o assombrava e a ideia de que seus sentimentos fossem óbvios era, no mínimo, assustadora. Contudo foi a última coisa que Mingyu lhe dissera com olhos tristes, aquela que não deixava sua mente e ressoava nas paredes de seus pensamentos. O sabor amargo da ilusão ㅡ sua antiga amiga ㅡ rodopiava pela sua língua, provocando-o para prová-la por alguns minutos.

Então por mais alívio que sentisse em encerrar uma de suas mentiras, Seungkwan lembrou-se que ainda estava sentado em uma pilha delas, e Mingyu havia sido apenas o começo entre todas. Dessa vez, porém não deixaria-se levar por ideias inconsistentes e mal fundamentadas, a voz de Mingyu dizendo aquelas malditas três palavras poderiam muito bem ir para o inferno, pois não lhe diziam respeito.

De toda forma, evitou Hansol com medo irracional que agora que estava livre, que não possuía mais um outro alguém, Seungkwan fosse tolo suficiente para repetir os mesmos erros.

Evitar encontrar Hansol, para Seungkwan, significava evitar o seu grupo de amigos com desculpas mal formuladas, e passos rápidos na direção oposta quando estavam todos reunidos. O que, de certa forma, incluía fugir de Yuna quando esta o avistava e tentava se aproximar. As imagens do que testemunhara no quarto de Hansol ainda lhe eram muito recentes, e a cena queimava em sua mente quando fechava os olhos. Não queria lembrar-se daquele dia ou do que fizera mais tarde sozinho, tudo havia sido apenas uma junção de erros que não deveriam ser mencionados.

Erros que Seungkwan se pouparia de cometer novamente.

Por isso mesmo, quando a campainha de sua casa tocou no final da tarde, Seungkwan levou um susto de seu lugar no sofá. Enrolado entre cobertas e usando um de seus pijamas mais confortáveis, o garoto pensou em quem poderia ser e qual evento havia se esquecido. Resmungando e sem desejo algum de livrar-se do calor da coberta, ele levantou-se arrastando pelo chão o tecido que o enrolava, abrindo a porta e encontrando Hansol ali.

O garoto parecia sem graça e um sorriso tímido dançava em seus lábios, o cabelo bagunçado estava puxado para trás em uma rápida tentativa ㅡ completamente mal sucedida ㅡ de arrumá-lo, e o moletom que usava fora um presente de Seungkwan anos antes.

“Eu trouxe sorvete” Disse Hansol levantando uma sacola plástica na altura do rosto, enquanto seu sorriso alargou-se.

Sem conseguir dizer qualquer coisa e perdido pelo som de seu próprio coração, Seungkwan apenas deu espaço para que o amigo entrasse oferecendo-lhe um sorriso. As visitas surpresas de Hansol eram como uma lembrança familiar, uma espécie de nostalgia que o cativava o suficiente para aquecê-lo.

“Seokmin?” Questionou o garoto antes de andar até a cozinha, ele parecia tão confortável ali na casa de Seungkwan, encaixando-se tão bem entre os móveis que ele mesmo o ajudou a escolher, que o garoto teve que obrigar-se a acordar e ir até o sofá.

“Ele não está, decidiu ir visitar os pais ou algo do tipo”

Hansol voltou para a sala alguns minutos depois, carregando não apenas o pote de sorvete, como também colheres para que dividissem sem ao menos utilizassem uma taça. Sentando-se ao seu lado, o garoto começou a tomar o sorvete de forma silenciosa, vidrando os olhos no programa que passava na TV em seguida. O silêncio que logo foi instalado entre eles era confortável, e Seungkwan não sentiu-se nervoso como de costume quando ficava sozinho com Hansol; de certa forma era como se as coisas estivessem no encaixe correto.

Então, sem querer pensar muito sobre a última vez que vira Hansol, e muito menos sobre as palavras que Mingyu dirigiu a si dias antes, Seungkwan continuou a tomar o sorvete em silêncio, aproveitando o sabor doce para distrair sua mente e evitar pensamentos indesejados.

Quando os créditos do programa começaram a rolar, porém, Hansol partiu o silêncio entre eles de forma direta, seu tom de voz o mais neutro possível tornando qualquer palpite de Seungkwan incerto.

“Mingyu me procurou” A mão de Seungkwan que segurava a colher pareceu congelar junto com o sorvete, mesmo assim, Hansol continuou “Ele me disse que vocês dois terminaram”

“O que mais ele te disse?”

Hansol ergueu uma sobrancelha e fez uma careta, a expressão familiar de confusão passando pelo seu rosto. No entanto, a mente de Seungkwan estava a todo vapor e criando cenários diversos de tal encontro, seria essa uma vingança de Mingyu? Ele duvidava, o garoto não tinha jeito de quem faria esse tipo de coisa, entretanto, uma insegurança e aflição tremiam cada vibra de seu ser. Os segundos sem resposta de Hansol pareciam estender-se transformados em horas, talvez milênios, até o garoto finalmente abrir a boca.

“Ele me disse que eu precisava ajudar você a ser feliz” Respondeu Hansol rindo e enchendo sua colher de sorvete “O que aconteceu entre vocês? Achei que estava tudo bem”

“Não aconteceu nada demais, nós apenas… Temos um objetivo diferente” Seungkwan disse dando de ombros, esperando que sua resposta fosse vaga o suficiente.

Hansol lhe ofereceu um sorriso confortante acompanhado por um afago em seus cabelos, o gesto fazia o peito de Seungkwan esquentar e o carinho que sentia explodir dentro de si. Desejava poder falar com coragem da mesma forma que havia o feito com Mingyu, mas as coisas não eram tão simples assim com Hansol, pois este era mais do que uma simples pessoa em sua vida, ele era seu melhor amigo.

“Hansol, posso te fazer uma pergunta?”

O garoto assentiu em silêncio, os olhos deixando a tela da TV e voltando sua atenção somente a Seungkwan.

“Você já sentiu algo que não deveria?” Questionou ao garoto, completando em seguida “Algo que, mesmo sabendo que é errado, é um sentimento que não vai embora?”

“Seungkwanie, você está bem?”

Quando Seungkwan suspirou e largou a colher, Hansol desligou a televisão com o cenho franzido. Seus olhos sempre observadores analisavam Seungkwan sem a menor discrição, e tudo que este desejava era poder entender o que passava em sua mente, será que Hansol era capaz de notar a confusão de sentimentos que ardia em si? A quantidade de mentiras que queimavam em sua língua?

“Hansol, por que você dormiu comigo aquela noite?”

Hansol pareceu surpreender-se com a pergunta, os olhos evitando olhar os de Seungkwan e os dentes mordendo o interior de suas bochechas. A insegurança do garoto lhe deu coragem para continuar, as dúvidas que havia guardado em si saindo uma a uma sem filtro.

“Eu sei que estávamos bêbados, mas por que eu? Foi você quem iniciou tudo, desde os beijos no sofá ao acordo para trair Yuna, por que?”

“Você sabe o porquê" Respondeu Hansol levantando-se do sofá com o pote de sorvete vazio, caminhando até a cozinha com Seungkwan em seu encalço.

“Não, eu não sei” Retrucou Seungkwan “Você poderia ter um caso com qualquer pessoa no campus, mas pediu para ficar comigo"

O garoto observou enquanto Hansol colocava o pote na pia com mais força do que o necessário, Seungkwan conseguia notar que suas mãos tremiam e ㅡ mesmo estando de costas para si ㅡ tinha certeza que os olhos de Hansol estavam fechados.

“Seungkwan, por que você quer voltar nesse assunto?” Questionou o garoto com a voz vacilante “Nós já não temos nada, você não precisa se sentir culpado ou usado. Esquece isso”

O problema era que Seungkwan não queria esquecer, já havia passado tempo demais esquecendo ㅡ ignorando ㅡ tudo que compunha o relacionamento entre eles. Agora que, finalmente, começou a falar as palavras escondidas dentro da sua boca havia muitas frases para montar, os mais diversos questionamentos para pronunciar e sentimentos para clarear.

“Você não gosta do Mingyu” Disse Seungkwan em tom de afirmação “Ele notou, sabia? Por que?”

“Seungkwan, esque-”

“Que droga, Hansol, eu não vou esquecer!” Seungkwan gritou puxando Hansol pelos ombros, obrigando-o a olhar para si “Você vem e faz o que quer comigo, mas alguma vez pensou em como eu me sinto? Eu achei que fosse seu melhor amigo!”

Havia uma energia que percorria o corpo de Seungkwan como corrente elétrica, e uma abertura em seu ser que o deixava exposto. Sua voz elevada ressoava pelas paredes da cozinha, enquanto os sentimentos há tanto guardados explodiam por todos os cantos.

Hansol tremia sob o olhar do amigo, seus olhos grudados em um ponto fixo no chão. Por um minuto, a visão encheu Seungkwan de raiva e ele já preparava-se para gritar com o outro, quando a voz quase inaudível de Hansol lhe respondeu.

“Você fala o tempo inteiro sobre como você se sente, mas você quer saber como eu me sinto, Seungkwan?”

Nos olhos de Hansol havia um grito mudo de desespero, o garoto parecia uma completa confusão em apenas minutos e poucas palavras, sendo que Seungkwan ainda sentia ter um milhão delas para dizer. Entretanto, quando abriu a boca para falar, a voz de Hansol foi mais rápida que a sua mesmo em tom mais baixo e fechado.

“Como você se sente, Seungkwan? Você acha que eu não pensei em como você se sentia esse tempo todo com Mingyu?”

“Hansol, eu não estou falando do Mingyu!” Seungkwan respondeu sentindo seu corpo queimar com o quão rápido seu coração batia “Estou falando de nós dois!”

A frase pareceu despertar Hansol de um sono, pois no mesmo instante Seungkwan observou seu corpo enrijecer e o garoto passar a mão pelo cabelo, seus olhos foram para o chão e sua boca murmurou algo inaudível. Quando Seungkwan percebeu, o garoto passava por si como um jato em direção a sala.

A ação serviu como uma faísca para que um incêndio ganhasse vida no interior de Seungkwan, e depois de tanto tempo de mentiras que não o levaram a lugar nenhum, as verdades soavam como uma promessa para deixar o beco escuro no qual estava. Portanto, apressou-se em seguir Hansol com a adrenalina percorrendo seu corpo, um grito amortecido dentro do peito e o seu coração derramando o turbilhão de sentimentos que o atormentava.

“Você quer saber por que eu e Mingyu terminamos?”

Hansol ㅡ que já estava colocando seus tênis surrados para deixar a casa ㅡ parou seus movimentos, mas não virou-se para encarar Seungkwan. Quando falou, sua voz era baixa e fraca, transmitindo tanta insegurança que por um segundo o garoto não o reconheceu.

“Seungkwan…”

“Eu terminei com ele porque eu já gosto de alguém” Continuou Seungkwan sentindo o corpo tremer, os seus batimentos cardíacos tão acelerados, que possivelmente seu coração pularia do peito a qualquer segundo “Eu terminei com Mingyu porque eu nunca gostei dele”

O silêncio caiu sobre os dois de forma diferente desta vez, e Seungkwan notou que seus pés estavam grudados ao chão, criando raízes ali enquanto tremia em medo e nervosismo para esvaziar a culpa que carregava.

Hansol, no entanto, levantou-se ficando em pé com os tênis mal colocados, e foi então que Seungkwan notou os soluços que vinham do amigo. Os sons pareciam estrangeiros, fora de lugar e ardiam no peito de Seungkwan marejando seus próprios olhos, não apenas pelo que acontecia como também pela dimensão dos seus sentimentos. A ideia de que Hansol estivesse chorando lhe era tão sem sentido, que o garoto viu-se congelado em uma bolha sem ação, não estava acostumado com aquilo.

Ter Hansol chorando não era algo comum, e em anos de amizade, Seungkwan havia testemunhado tal ato apenas algumas vezes. Entretanto, nenhuma delas foi por sentimentos seus. A causa de suas lágrimas mais vistas eram filmes ou músicas, e esse novo lado do garoto fazia o coração de Seungkwan doer, um peso instalado dentro de si o arrastando cada vez mais.

“Eu fui egoísta com você, Seungkwan” Falou Hansol com a voz vacilante “Você me perguntou se eu já senti algo que não deveria, um sentimento errado”

Seungkwan não respondeu nada, observando silenciosamente enquanto o amigo virava-se para si. Quando seus olhos se encontraram, o garoto teve a sensação de que Hansol poderia desabar a qualquer instante, não lembrava-se de uma ocasião que o outro estivesse tão exposto e vulnerável. Se os sentimentos de Seungkwan explodiam como uma bomba, os de Hansol derretiam as paredes de seu ser como ácido.

“Por que eu escolhi você quando eu podia ter um caso com qualquer outra pessoa?” Questionou Hansol com uma risada que não emitia qualquer tom de graça “Por que eu nunca gostei de Mingyu?”

A cada palavra dita por Hansol, um passo em direção a Seungkwan era dado, e quando o garoto percebeu, estava de costas para uma das paredes do cômodo com o outro prendendo-o ali.

“Por que eu dormi com você aquela noite?”

A voz de Hansol deixou seus lábios como um gemido de dor, quase como se o garoto segurasse lágrimas em seus olhos vermelhos. O cômodo rodopiava para Seungkwan, e seus pés mal pareciam tocar no chão. De repente, era como se os seus arredores não existissem mais e todo oxigênio do ambiente fosse sugado por Hansol, pela primeira vez, Seungkwan pensou nos sentimentos do outro de forma mais ampla. Talvez não fosse o único preso entre mentiras desgastantes, e a verdade ㅡ como Seungkwan aprendera dias antes ㅡ possuía poder suficiente para libertá-lo.

“Hansol, eu-”

“Eu te amo, Boo Seungkwan”

E, mesmo que a sua própria verdade estivesse soterrada pelos mesmos erros, e entrelaçada em mentiras que enroscavam-se em seu corpo como cordas, Seungkwan não importou-se em prová-la nos lábios de Hansol.


Notas Finais


Se for me matar, que não seja afogada ou queimada, grata.

ENTÃO era pra algumas coisinhas terem prosseguido de forma diferente, mas eu fui escrevendo e o curso das coisas foi mudando e opsss. Porém as explicações que vocês querem vão chegar, eu prometo, em um momento pensei em um capítulo todo no pov do Hansol, mas isso seria apenas eu sendo preguiçosa para explicar as pontas soltas que deixei.

Anyway a música do capítulo é Million Reasons da Lady Gaga, segue letra e música para quem quiser (btw estou pensando em fazer uma playlist pra fic, o que acham?): https://www.letras.mus.br/lady-gaga/million-reasons/traducao.html e https://www.youtube.com/watch?v=en2D_5TzXCA

AAAH IMPORTANTE!!! Eu sei que falei de uma side para wonhui, porém como recebi algumas mensagens e comentários muito positivos sobre soonseok (e pedidos por falta de fics dos dois), essa que vos fala iniciou uma side one shot deles. Então para quem quiser saber mais como o casal fofura dessa fic ficou junto, stay tuned! Avisarei aqui quando postar~

Então é isso, queridos, qualquer coisa me deem um grito e digam o que vcs acham que vai acontecer daqui pra frente rs Meu cc para quem não tem:https://curiouscat.me/vernoope beijocas!!


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