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História Entre Maldições - Capítulo 8


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Notas do Autor


Me desculpem pelo atraso, e tenham uma boa leitura meus amores! 💜

Capítulo 8 - Eight



Depois do desastroso passeio do dia, Renjun decidiu não ir a biblioteca aquela noite procurar por um livro para ler, ou explorar os corredores do palácio de Edhen. Ele optou por ficar em seu quarto e ir dormir cedo, acordando a tempo de ir fazer a primeira refeição do dia com os irmãos.

A refeição aconteceria no quarto de Kun, num cômodo acoplado ao seu quarto que lembrava um pouco um escritório e um pouco um salão. A mesa retangular de madeira de carvalho com oito lugares, já era ocupada por Kun, Hendery, Xiaojun, Yukhei, Chenle e Sicheng.

-Onde a mãe está? – Pergunta Renjun ao notar a óbvia ausência da rainha viúva.

-No quarto, se recusa a sair. – Responde Kun.

Renjun pensou nessa possibilidade durante a noite, a de se trancar no próprio quarto até essa vista a Edhen acabar. Ele tinham sido obrigado a ir até lá, mas não era obrigado a socializar com as pessoas de Edhen.

-Como foi o passeio de vocês ontem? – Pergunta Kun assim que Renjun está sentado a mesa com eles.

-Péssimo. – Respondem Renjun e Chenle em conjunto.

Kun suspira cansado, e Renjun percebe que o irmão parece ter envelhecido uma década desde que herdou a coroa. Era como se o reinado sugasse diariamente doses da sua vitalidade.

-Porque? – Pergunta Kun.

-A gente foi passear pela estufa, que é um lugar incrível, belo e cheio de flores, até que uma cobra apareceu. A cobra era bonita também, mas muito assustadora.

Todos a mesa tinham parado o que estavam fazendo para prestar atenção no relato de Chenle sobre o encontro.

-Tudo aqui parece belo, mas é assustador e mortal. – Rebate Renjun. – Aquela estufa está cheia de plantas tóxicas e venenosas.

Renjun era alguém que tinha medo do desconhecido, por isso sempre ia atrás das suas respostas, porque se ele entendesse não teria porque ter medo. Contudo dessa vez ele não queria saber mais sobre aquelas plantas, queria era distância.

-Existe muitas plantas venenosas em Waham também. – Pontua Kun.

-Mas não as estamos cultivando numa estufa. Quem sabe como eles podem vir a usar elas. – Diz Renjun.

-Não acho que será para nos matar. – Diz Kun um pouco sarcástico, uma característica que Renjun sabe ser típica de Hendery, não de Kun.

-A maioria dessas plantas, até mesmo as tóxicas e venenosas, são usadas no preparo de medicamentos produzidos por Edhen. – Indorma Xiaojun.

Waham não desperdiçava inteligência, a incentivava e Xiaojun é a definição de inteligência, era quase um livro ambulante. Ele sempre sabia de tudo, e era óbvio o motivo de Kun o ter o nomeado como um dos seus conselheiros.

-Medicamentos muito úteis dos quais poderemos ter acesso com esse novo tratado. – Diz Kun olhando para Chenle.

Renjun sabia que entre todos os reinos Edhen era o que possuía o maior conhecimento medicinal. Pessoas de todos os reinos vinham a Edhen para estudar seus feitos quase que milagrosos.

-Eu já decidi que não vou me casar! – Diz Chenle cruzando os braços, como uma criança mimada.

-Você não pode decidir isso com base em um encontro. – Rebate Kun para o irmão mas novo.

-E você não pode me obrigar a casar, você não pode me obrigar a nada Kun! – Diz Chenle num tom de voz extremamente alto e desnecessário para o momento.

Renjun nunca entendeu essa revolta do irmão mais novo com um casamento arranjado, desde pequeno Renjun entendia que as chances deles casaram para fortalecer alguma aliança política eram grandes, quase iminente. Contudo depois do passeio desastroso de ontem, Renjun também não se sentia confortável com a ideia do irmão mais novo se casando com o príncipe Na e vivendo nessa armadilha mortal que chamam de Edhen. Óbvio que o príncipe Na poderia ir viver em Waham com eles, mas algo dizia a Renjun que o príncipe herdeiro jamais permitiria que o irmão mais novo saísse de Edhen.

-Eu posso sim, eu só não quero. Mas se eu precisar eu farei Chenle! – Decreta Kun, o que assusta a todos presentes naquela sala.

Renjun teve que piscar os olhos algumas vezes seguidas, porque a mente dele duvidou por alguns segundos que aquele era Kun e não o seu pai. O pai deles é quem dava ordens, que impunha a vontade dele a eles. Kun era calmo, pacífico e carinhoso com os irmãos mais novos, nunca colocaria a vontade dele acima da deles.

-Você não é assim. – Diz Renjun para o irmão.

Kun larga os talheres na mesa e se inclina sobre a mesa olhando para Renjun.

-Eu não tenho que me preocupar apenas com vocês. Agora eu tenho que me preocupar com o bem estar de um reino, com o bem estar do nosso povo. Agora eu tenho muito mais vidas em minhas mãos.

-Então passamos a ser só peões para você? – Pergunta Chenle, e a tristeza na sua voz é presente.

-Vocês são meus irmãos, e o que eu puder fazer para o bem estar de vocês eu vou fazer. Contudo se isso começar a se opor com o bem estar do nosso povo, então eu não terei muitas escolhas.

E Renjun compreendia o que o irmão queria dizer, por mais que não quisesse compreender. Ele sempre compreendeu os deveres de um rei. Ele sempre compreendeu as obrigações de um príncipe. Ele sempre compreenderia, mas a mudança na personalidade do irmão o assustava.

-Eu vou com você no próximo passeio, quem sabe podemos trazer um pouco de Waham para esse passeio. – Diz Renjun se forçando a comer um pedaço do pão.

-No que você está pensando? – Pergunta Chenle cabisbaixo.

-Arco e flecha? É no que nos dois somos bons. Podemos ensinar um pouco a eles.

-Você reclamou das plantas tóxicas, e agora quer dar um arco e flecha para eles? – Questiona Hendery, com aquele seu sarcasmo típico na voz.

-Eu sou o melhor arqueiro aqui, melhor do que todos vocês juntos. Então antes mesmo que um deles pensem em usar o arco contra a gente, eu uso.

Ninguém questiona Renjun, porque é um fato selado que não existe arqueiro melhor do que ele em Waham. E como Waham possuí os melhores arqueiros entre todos os reinos, é óbvio que o Renjun é o melhor arqueiro de todos os reinos.

-Porque vocês não tentam um passeio mais tranquilo. Uma volta a cavalo, ou um piquenique. – Sugere Kun.

-Foi isso que você fez com a princesa Lee? – Pergunta Chenle.

-Foi sim, e ninguém tentou matar ninguém. – Responde Kun sorridente ao lembrar do seu momento com a princesa, que era simpática, educada e gentil.

-A gente não vai matar ninguém. – Diz Renjun revirando os olhos para o irmão mais velho.

Mas quando ele troca olhares com Chenle, é óbvio que eles estão pensando em pelo menos alguma brincadeirinha sádica que podem fazer com os irmãos Na, para devolver todo o desconforto que eles sentiram naquela estufa.

Jeno não conseguia dormir a noite porque sempre que ele fechava os olhos era como cair numa teia de aranha. E cada fio que ele tocava uma memória ressoava em sua mente, e ele não sabia quais eram falsas e quais eram verdadeiras. Ele se lembrava de uma memória a onde tinha ido até um lago perto de Edhen com Jaehyun, mas quando foi questionar o irmão sobre a memória, Jaehyun garantiu ao irmão mais novo que isso nunca havia acontecido. Isso quando os fios que Jeno tocava não o levavam diretamente de volta para os terrores daquela batalha, o fazendo acordar desesperado, com medo e soado. E quando já desperto a noite sempre guiava Jeno até os jardins de Edhen, uma caminhada com a brisa fresca da noite em seu rosto sempre o acalmava. Contudo, hoje ele resolveu ir a outro lugar, ele foi direto a biblioteca. E quem sabe se ele tivesse sorte o príncipe Huang estaria por lá hoje.

Jeno não poderia negar a ninguém o seu interesse no príncipe, era óbvio demais. Não podia negar o quanto a beleza e personalidade única daquele príncipe mexiam com ele, faziam seu coração errar batidas. Ele tinha essa necessidade quase gritante de se aproximar do príncipe. De conhecer cada detalhe dele. De conhecer a história dele. De conhecer o corpo e gosto dele.

Jeno se viu sorrindo bobo ao chegar na biblioteca e encontrar com o príncipe ali sentado em um dos sofás, com as pernas cruzadas em cima do sofá, lendo um livro com a fraca luz de uma vela que se encontrava no braço de madeira do sofá.

-Você está me seguindo? – Perguntou o príncipe sem nem mesmo tirar os olhos do livro.

-E se eu estiver? – Pergunta Jeno ao se sentar numa poltrona que fica em diagonal ao sofá onde o príncipe estava, um pouco longe, mas perto o suficiente para Jeno conseguir olhar a fisionomia de Renjun.

-Se está, então acho que preciso dificultar mais para você. – Diz Renjun ao olhar para Jeno agora.

E a visão do já belo rosto de Renjun, iluminado pela fraca luz da vela fez Jeno sentir o ar faltar em seus pulmões e seu coração parar definitivamente com tamanha perfeição e beleza.

-O que você está lendo hoje? – Pergunta Jeno ao reparar nos inúmeros livros soltos ao lado do príncipe no sofá.

-Não sei. – Diz Renjun suspirando derrotado. – Você vive aqui a anos né?

-Sim.

-Pode me contar alguma histórias desse reino?

-Você é curioso. – Constata Jeno

-Sim.

-O que você me dará em troca? – Pergunta Jeno com um sorrisinho esperto, imaginando as coisas que ele gostaria de pedir ao príncipe Huang.

-Você sabe que eu poderia conseguir esse tipo de informação com qualquer um. – Rebate Renjun com um pouco de arrogância na voz.

Mas Jeno gosta dessa arrogância.

-Mas mesmo assim você está pedindo a mim.

Renjun faz uma rápida análise da sua situação, - ele sempre esta analisando tudo e todos a sua volta – e depois de pensar, ele acaba cedendo a proposta de Jeno.

-O que você quer?

-Um passeio por um história.

-Como? – Pergunta Renjun piscando os olhos alguma vezes. Fazendo com que Jeno se lembre do bater de assas de uma borboleta.

-Cada história que eu lhe contar, me rende um passeio com você.

Renjun achou a proposta esperta e curiosa, ele não esperava que o príncipe fosse querer passear com ele.

-Cada história que eu achar útil. – Rebate Renjun.

-Como?

Agora é a vez de Jeno piscar seus olhos incrédulos, ele não esperava uma contra proposta. Ainda mais uma que parecia tão simples, mas Jeno sabia que podia ter alguma armadilha ali.

-Você me conta a história, e se eu achar que valeu a pena eu lhe cedo algumas horas do meu dia pra um passeio.

Jeno sorri pela atitude ousada do príncipe Huang, se encantando ainda mais por ele.

Se é que isso é possível.

-Combinado! – Diz Jeno esticando a mão pra Renjun, que a olha por um instante antes de a pegar.

-Me conte a primeira história então.

-Esta interessado em algum assunto específico?

-As bruxas, eu não acredito que elas sejam reais.

-Os Na são reais, então acho que as bruxas também são.

-E quem me garante que eles realmente sejam descendentes de bruxa? Cadê as provas?

-Os cabelos em tons únicos, a beleza extrema, o dom de lidar com elementos da natureza. – Pontua Jeno, como se fosse questões óbvias que nunca deveriam ser questionadas.

-Não acho eles assim tão belos. E nunca vi nenhum deles usar esses dons, você já viu?

-Não, nunca vi. Contudo isso foi porque as bruxas e a sua magia foram banidas do reino a anos.

-Porque? Por quem? – Pergunta Renjun se inclinando para frente, visivelmente interessado no assunto.

-Me lembro de alguém me contar que a cem anos atrás uma bruxa ajudou o casal Lee e Huang a fugir, mas ela foi morta assim como eles. Depois disso se desencadeou uma guerra civil em Edhen, entre as bruxas e os humanos. Até que a avó de Jaemin e Jisung, assumiu a coroa e baniu as bruxas do reino de vez.

-Porque a própria descendente delas as baniria do reino?

-A boatos que dizem que foi para salvar elas, já que muitas delas estavam morrendo.

-Mas elas não possuem dons? Porque não usar dos seus dons para se salvar? Para contra atacar?

-Dizem que elas não podem usar dos seus dons para ferir Edhianos.

Jeno observa Renjun concentrado pensando no que lhe foi dito, e Jeno acha essa cena ainda mais bela do que as anteriores.

E Renjun realmente está pensando, questionando se faz sentindo dar dons para elas e as privarem de usar contra o próprio povo, mas Renjun se lembra do que ele leu naquele livrinho de contos infantis, que Nabhi as criou para proteger Edhen.

-Você acredita nessa história do casal? – Pergunta Renjun mudando drasticamente o rumo da conversa, o que surpreende momentaneamente Jeno.

-Sim eu acredito, você não? O que contam para vocês em Waham sobre o príncipe Huang?

-Que ele era um príncipe fraco por não querer assumir a coroa, fugindo desonrosamente para tentar se libertar da suas obrigações. Ele foi caçado pelo irmão mais novo e guardas experientes, mas todos acabaram por morrer. Então a coroa foi passada para a prima do príncipe, a minha ancestral. Vocês acreditam na história deles?

-Eu sim, mas algumas pessoas em Arowlin não acreditam.

Renjun se deita para trás no sofá, voltando a se perder entre seus pensamentos e teorias.

-Se bruxas existem, como eu poderia achar uma?

-Porque você quer achar uma? – Pergunta Jeno se inclinando para frente na poltrona, curioso com todo esse interesse do príncipe nas bruxas.

-De repente se eu ver uma, eu acredite. – Diz Renjun.

-Elas vivem no bosque, mas dizem que as pessoas ficam loucas ao tentar acha-las.

-Porque?

-Porque elas não querem ser encontradas. Porque se você acha-las, elas são obrigadas a realizar um desejo seu.

Renjun começa a rir, porque todas essas histórias para ele soam como contos infantis para dormir.

Mulheres com dons da natureza. Casal de príncipes fugindo para viver o amor proíbido deles. Bruxas que lhe deixam loucos porque não querer ser encontradas. Bruxas que se você encontrar tem que realizar um desejo seu.

-Tudo isso me parece história para criança dormir. – Diz Renjun risonho.

-Mas são reias! – Garante Jeno.

Renjun junta os livros que estavam perdidos pelo sofá e os ajeita em seus braços para sair da biblioteca

-Você já vai? – Pergunta Jeno ao levantar segurando o cotovelo de Renjun.

-Já. – Diz Renjun olhando tenso para Jeno.

Era o segundo dia em que Renjun era tocado tão audaciosamente por alguém.

-E o nosso passeio?

Renjun solta seu cotovelo da mão de Jeno e da uma rápida olhada pela biblioteca, antes de voltar a encarar aqueles olhos escuros como a noite. Se encantando com uma pequena pinta que Jeno possuía embaixo do olho direito, e que Renjun não tinha percebido ainda.

-Como essa foi a primeira história eu vou lhe ceder algumas horas do meu dia, então faça valer a pena príncipe Lee!


Notas Finais


•Pode parecer que estou repetindo desnecessariamente o assunto das bruxas, mas é porque elas ainda vão desempenhar um grande papel na história. Então gostaria que vocês já estivessem mais familiarizados com a mitologia delas quando elas voltarem a aparecer.


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