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História Entre Nós - Capítulo 1


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Notas do Autor


E aí, gente? Espero que gostem da história (que também tá postada no Wattpad, se alguém preferir dar uma olhada por lá). Ah, esse capítulo aqui se passa no passado, o próximo vai ser no presente e depois volta pro passado de novo porque a história não segue uma linha totalmente linear, mas não se preocupem porque na imagem dos capítulos, eu sempre coloco o ano pra ninguém ficar perdido, ok? Enfim, boa leitura <333
PS.: os erros ortográficos na fala da Bia são 100% de propósito
Segundo PS.: é bom estar de volta <33

Capítulo 1 - Entre lágrimas e promessas


Fanfic / Fanfiction Entre Nós - Capítulo 1 - Entre lágrimas e promessas

O céu estava completamente nublado e parecia prestes a derramar lágrimas de chuva a qualquer momento, enquanto as árvores eram empurradas a todo segundo por um vento incômodo e frio, que fazia Mel se encolher no casaco. E nem o abraço apertado, acompanhado de um beijinho doce da sua mãe, foi capaz de alegrar aquele temido primeiro dia de aula.

Agora, então, entrando na creche sob os olhos curiosos daquelas outras criancinhas e estando a cada passo mais longe da sua única família, Mel se sentiu não apenas triste, como desamparada e, francamente, cheia de medo. Afinal de contas, como não se amedrontar, quando aquela era a primeira vez, ao longo dos seus quatro anos, que ela ia para a escola, que ela ficava longe de casa, longe da mamãe?

Mas, mesmo sentindo uma vontade imensa de chorar, Mel fazia tudo o que podia para segurar as pontas. Sabia que não podia se desesperar porque depois que o papai foi pro céu, sua mãe tinha lhe dito que, ainda que ela estivesse com saudades e um coração doendo, precisava ser a menininha forte e compreensiva que Lúcia sabia que Mel era. 

Então Melissa tentava fazer o máximo possível pra ser essa menininha, de verdade. E isso significava entender que a mamãe tinha que trabalhar pra manter a casa delas nesse momento, entender que ela tinha que ficar na creche pra ajuda-la, entender que estar longe de quem a gente ama era difícil, mas às vezes era preciso. 

No entanto, Mel, por mais forte e compreensiva que fosse, continuava só uma criança, então foi impossível não acabar chorando no meio da aula sobre o alfabeto. E de que jeito aquela criança não choraria, pelo amor de Deus? A tia estava falando da letra L! Sabe o que começa com L? Isso mesmo, Lúcia, o nome da mamãe.

Então era simplesmente impossível que Mel se mantivesse ali, nenhum pouco afetada, depois de um lembrete claro e cruel do universo que ela estava naquele lugar cheio de desconhecidos e não nos braços de Lúcia. Na hora que ela começou a chorar, contudo, não foi como em casa, que a mamãe sempre corria, lhe enchia de beijinhos e fazia um chocolate quente.

Ali na sala, a professora estava ocupada demais tentando impedir os alunos mais atentados de comer cola e cortar o cabelo dos coleguinhas — e as crianças estavam ocupadas demais tentando dar um jeito de comer cola e cortar o cabelo dos coleguinhas —, para notar a menina chorando em silêncio na última cadeira. Mel jamais tinha se sentido tão invisível e isso a deixou com ainda mais lágrimas pra chorar.

Do lado de fora, o céu também finalmente se rendia a deixar gotículas de água caírem dos seus olhos de nuvem, no momento em que Melissa ganhou um cutucão e um par de olhos castanho esverdeados bem curiosos e preocupados em cima dela. O cutucão e os olhos eram, os dois, de uma garotinha de cachinhos dourados, como aquela da história dos ursos que a mamãe contava pra ela, às vezes, antes de dormir.

Por um momento, Melissa ficou com medo da menina ser mesmo a tal Cachinhos Dourados porque no conto ela ficava amiga dos ursos e Mel tinha muito medo de qualquer bichinho que fosse maior que o seu peixe de estimação, o Pelúcio, que Melissa ganhou de aniversário ano passado e estava no aquário lá de casa. Ai, ai, casa, que saudade. E simples assim, Mel voltou a chorar.

— Quê que foi, por que você tá tiste?

— Tô... — Mas no meio da fala, Melissa fez uma pausa pra puxar de volta com uma inspirada o catarro, que insistia em querer fugir do seu nariz por causa do chororô e nessa pausa, a garotinha segurou uma das suas mãos pra dar apoio — Tô com saudade da mamãe, do papai, do meu peixinho, de casa! 

— Ou, não fica assim não. Você não precisa sentir saudade puque sempre tem um pedacinho de casa bem aqui.

A garotinha falou, apontando pro seu peito, enquanto Mel franzia o cenho em confusão.

— Na minha blusa?

— Não, no seu coração.

A menina retorquiu, como se fosse óbvio e Melissa parou de fungar ao se sentir aconchegada pela ideia de sempre carregar um pouquinho de todos que ela mais amava com ela, pela ideia de nunca estar verdadeiramente sozinha.

— Você jura de dedinho?

— Juro, foi a mamãe que me falou. E ainda juro mais: toda vez que você ficar tiste, pode falar comigo que eu seguro a sua mão e dou um beijinho bem assim — a menina disse, ao depositar um selar cheio de carinho na palma de Mel — porque a mamãe também fala que um beijinho cura tudo.

Melissa, então, mole com toda aquela gentileza a ponto de quase chorar de novo, só pôde perguntar uma coisa:

— Quer ser minha amiga pra sempre?

E foi assim que juntas, sob o renascer do sol do dia sete de abril de 2004, elas estenderam os mindinhos e os juntaram em um aperto, prometendo solenemente que aquela amizade nunca iria acabar. Mas essa foi só uma das muitas juras que aquela garotinha esqueceu.

 



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