História Entre o Agora e o Nunca - Sprousehart - Capítulo 10


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Categorias Riverdale
Visualizações 90
Palavras 1.324
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Gente, não vou conseguir postar Imperfeitos hoje, desculpem, amanhã eu tento.
Boa leitura❤

Capítulo 10 - 1.0


LILI

DENVER FINALMENTE PASSA voando e estamos nos aproximando do destino final de Cole, em Wyoming. Não posso mentir e dizer que isso não me incomoda. Cole estava certo quando disse que é perigoso, para mim, viajar sozinha. Só estou tentando entender por que isso não me afetava muito antes que eu o conhecesse. Talvez eu simplesmente me sinta mais segura com ele me fazendo companhia porque ele parece capaz de quebrar algumas caras sem nem suar. Caramba, talvez eu não devesse nem ter começado a falar com ele; com certeza não deveria ter deixado que se sentasse ao meu lado, porque agora estou meio que acostumada com ele. Quando chegarmos em Wyoming e nos separarmos, voltarei a olhar o mundo correr pela janela, sem saber para onde vou em seguida.

— Então, você tem namorada? — pergunto, só para puxar conversa e ficar mais algumas horas sem pensar em ficar sozinha de novo.

As covinhas de Cole aparecem.

— Por que quer saber?

Reviro os olhos.

— Não fica se achando, não; é só uma pergunta. Se não quiser falar...

— Não — ele responde —, sou solteiro e feliz.

Ele fica olhando para mim, sorrindo, aguardando, e levo um segundo para entender o que está esperando.

Aponto para mim mesma nervosamente, arrependida de ter entrado num assunto tão pessoal.

— Eu? Não, não tenho mais. — Me sentindo mais confiante, acrescento: — Também sou solteira e feliz e quero continuar assim. Tipo... pra sempre. — Eu devia ter parado em “solteira e feliz”, em vez de matraquear até minha autoconfiança acabar e parecer obviamente forçando a barra.

Claro que Cole nota na hora. Tenho a sensação de que ele é o tipo de cara que nunca deixa passar batido o momento em que alguém tropeça na própria língua. Ele vive para momentos assim.

— Vou manter isso em mente — ele comenta, sorrindo.

Por sorte, ele não investiga mais.

Cole apoia a cabeça no encosto de novo, e por um momento tamborila distraidamente com o polegar e o mindinho em seu jeans. Discretamente, olho seus braços musculosos e bronzeados e tento descobrir de uma vez como são as tatuagens dele, mas, como sempre, a maior parte está escondida pelas mangas da camiseta. A do lado direito eu consegui ver um pouco mais quando ele esticou o braço para amarrar o cadarço da bota. Acho que é algum tipo de árvore. A do braço que está do meu lado agora, não sei dizer, mas seja o que for, tem penas. Até agora, só vi tatuagens sem cor.

— Curiosa? — ele pergunta, e eu estremeço. Pensava que ele não tinha me visto olhando as tatuagens.

— Pode ser.

Sim, estou muito curiosa, na verdade.

Cole ergue o corpo da poltrona e puxa a manga do braço esquerdo para cima da tatuagem, revelando uma fênix com uma cauda linda e emplumada que serpenteia até alguns centímetros abaixo da borda da manga. Mas o resto do corpo emplumado é esquelético, dando-lhe uma aparência mais “máscula”.

— Que demais.

— Obrigado. Eu fiz essa há mais ou menos um ano — ele conta, puxando a manga para baixo. — E esta — diz, virando a cintura e puxando a outra manga para cima (primeiro eu noto o contorno óbvio de seus músculos abdominais por baixo da camiseta) — é minha árvore retorcida no estilo “lenda do cavaleiro sem cabeça”, me amarro em árvores sinistras. Se você olhar bem de perto... — olho mais de perto a parte do tronco da árvore que ele está apontando — este é meu Chevy Camaro 1969. É do meu pai, na verdade, mas como ele tá morrendo, acho que vai ficar pra mim. — Ele olha para a frente.

Aí está, aquele pequeno rastro de dor que ele manteve escondido antes, quando falou do pai. Está sofrendo muito mais do que revela, e isso meio que parte meu coração. Não consigo imaginar minha mãe ou meu pai no leito de morte, e eu sentada num ônibus Greyhound indo vê-los pela última vez. Meus olhos examinam seu rosto de perfil e quero muito dizer alguma coisa para reconfortá-lo, mas acho que não posso. Sinto que não tenho esse direito, por alguma razão; ao menos não de tocar no assunto.

— Tenho mais algumas — ele continua, voltando a olhar para mim com a nuca encostada na poltrona. — Uma pequena aqui — ele vira o pulso direito para me mostrar uma simples estrela negra no meio dele, logo abaixo da mão; fico surpresa por não tê-la notado antes. — E uma maior do lado esquerdo das minhas costelas.

— O que é, essa do lado? É muito grande?

Seus olhos verdes brilham quando ele sorri com ternura, virando a cabeça para me olhar.

— É grande pra caramba. — Vejo suas mãos se mexerem como se fosse levantar a camiseta para me mostrar, mas ele decide não fazê-lo. — É só uma mulher. Não vale a pena ficar pelado dentro do ônibus pra mostrar.

Agora quero ver como é mais do que nunca, só porque ele não quer mostrar.

— Uma mulher que você conhece? — pergunto. Fico olhando para o lado do corpo dele, achando que talvez ele vá mudar de ideia e levantar a camiseta, mas ele não levanta.

Ele balança a cabeça.

— Não, nada disso. É Eurídice. — Ele agita a mão à sua frente, como se não quisesse explicar mais.

O nome parece antigo, talvez grego, e é vagamente familiar, mas não consigo lembrar quem é.

Balanço a cabeça.

— Doeu?

Ele sorri.

— Um pouco. Bem, na verdade, nas costelas é o lugar que mais dói, então doeu, sim.

— Você chorou? — Eu sorrio.

Ele dá uma risadinha.

— Não, não chorei, mas, porra, se eu tivesse mandado fazer só um pouquinho maior, ia até chorar. Levou umas 16 horas no total.

Eu pisco, chocada.

— Uau, você ficou lá 16 horas?

Com uma conversa tão detalhada sobre essa tatuagem, me pergunto por que ele não mostra de uma vez. Talvez não tenha ficado muito boa, o tatuador tenha feito merda ou algo assim.

— Não de uma vez só — ele explica —, fizemos em alguns dias. Eu ia perguntar se você tem alguma tatuagem, mas algo me diz que não. — Ele sorri, compreensivo.

— Tem razão — admito, corando um pouco. — Não que eu nunca tenha pensado em fazer. — Levanto o pulso e ponho o polegar e o dedo médio em volta dele. — Pensei em escrever algo aqui, tipo “liberdade” ou algo assim em latim. Obviamente, não pensei muito. — Sorrindo, solto um pequeno suspiro constrangido. Falar de tatuagens com um cara que obviamente entende disso mais do que eu me intimida um pouco.

Quando vou apoiar o pulso novamente no braço da poltrona, os dedos de Cole se fecham ao redor dele. Isso me atordoa por um segundo, até provoca um estranho arrepio no meu corpo, mas que desaparece rapidamente quando ele começa a falar tão casualmente.

— Uma tatuagem no pulso, para uma garota, pode ser muito graciosa e feminina. — Ele passa a ponta do dedo no lado de dentro do meu pulso para indicar onde deveria ficar. Sinto um pequeno calafrio. — Alguma coisa em latim, bem sutil, mais ou menos aqui, ia ficar legal. — Então ele me solta delicadamente e eu apoio o braço.

— Eu achava que você ia dizer que não faria de jeito nenhum. — Ele ri e levanta a perna, apoiando o tornozelo no joelho. Ele cruza os dedos e afunda na poltrona para ficar mais confortável.

Está escurecendo rapidamente; o sol mal aparece no horizonte agora, deixando tudo banhado em tons de laranja, rosa e violeta.

— Acho que não sou uma pessoa previsível. — Eu sorrio para ele.

— Não, acho que não é — ele diz, retribuindo o sorriso e depois olhando para a frente, pensativo.


Notas Finais


Fofitchos


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