História Entre o agora e o nunca - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
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Palavras 2.672
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


História adaptada do livro da autora J.A Redmerski.

Capítulo 1 - 01


KIMMON ESTÁ ALISANDO a mesma parte de cabelo há dez minutos, e isso está começando a me deixar louco. Eu balanço a cabeça e aproximo meu leite rosa, colocando estrategicamente os lábios no canudinho. Kimmon está sentado à minha frente com os cotovelos apoiados na mesinha redonda, segurando o queixo

com uma das mãos.

— Ela é linda — afirma Kimmon, olhando para a sujeita que acabou de entrar na fila.

— Sério, Bas, quer fazer o favor de olhar pra ela?

Eu reviro os olhos e tomo mais um gole.

— Kim — respondo, apoiando a bebida na mesa —, você tem namorada. Eu preciso mesmo ficar sempre te lembrando?

Kimmon faz uma careta bem-humorada de desdém.

— Não sabia que você era minha mãe! — Mas Kim não consegue ficar muito tempo prestando atenção em mim, não enquanto aquele poço de sensualidade ambulante está de pé diante do caixa, pedindo café e bolinhos. — E Prite nem liga se eu olhar, desde que eu pegue ela de quatro toda noite.

Eu bufo e fico vermelho.

— Viu? U-hu — ele diz, abrindo um sorrisão. — Consegui te fazer rir. — Kim enfia a mão em seu bolso — Preciso fazer uma anotação — continua, pegando o celular e abrindo o diário digital. — Sábado. 15 de junho. — Ele corre o dedo pela tela. — 13h54: Bas Suradet riu de uma das minhas piadinhas

sexuais. — Depois ele enfia de novo o celular no bolso e me olha com aquela expressão pensativa que sempre faz quando está para entrar no modo psicanalista. — Dá só uma olhadinha — insiste, sem brincar.

Só para ele sossegar, viro o queixo um pouco de lado para olhar rapidamente a sujeita. Ela se afasta do caixa e vai para a ponta do balcão, onde pega sua bebida.

Alta.

Maçãs do rosto perfeitamente esculpidas. Olhos verdes cativantes de modelo e cabelo castanhos longos.

— Tá — admito, voltando a olhar para Kimmon —, ela é gata, mas e daí?

Kimmon precisa admirá-la enquanto ela sai pela porta dupla de vidro e passa em frente às vidraças antes de conseguir olhar para mim de novo e responder.

— Meu. Deus. Do céu! — ele exclama, de olhos arregalados e incrédulos.

— É só uma garota, Kim. — Eu coloco os lábios no canudinho de novo. — Você devia andar com “obcecado” escrito na testa. Pra ser completamente obcecado, você só falta babar.

Tá brincando comigo? — Sua expressão se transformou em puro choque. —Bas, você tem um problema sério. Sabe disso, não sabe? — Ele se encosta na cadeira. — Precisa aumentar a dose do seu remédio. É sério.

— Parei de tomar em abril.

— Quê? Por quê?

— Porque é ridículo — retruco com decisão. — Não tenho impulsos suicidas, então não tenho nenhum motivo pra continuar tomando aquilo.

Ele balança a cabeça e cruza os braços sobre o peito.

— Você acha que eles receitam esse negócio só pra quem tem impulsos suicidas? Não. Não é bem assim. — Ele aponta para mim rapidamente e volta a cruzar os braços. — É um lance de desequilíbrio químico, alguma porra dessas.

Eu abro um sorrisinho.

— Ah, é? Desde quando você entende tanto de saúde mental e dos remédios usados pra tratar as centenas de transtornos? — Ergo as sobrancelhas só um pouco, o bastante para mostrar o quanto sei que ele não faz ideia do que está dizendo.

Quando Kim franze o nariz para mim em vez de responder, eu continuo: — Vou me curar no meu ritmo, e não preciso de um comprimido pra consertar as coisas. — Minha explicação começou delicada, mas inesperadamente ficou amarga antes que eu conseguisse acabar de dizer a última frase. Isso acontece muito. Kimmon suspira, e o sorriso desaparece completamente de seu rosto.

— Desculpa — digo, com remorso pela resposta atravessada. — Olha, eu sei que você tá certo. Não posso negar que tenho uns problemas emocionais bem complicados e que às vezes sou meio grosso...

— Às vezes? — ele resmunga, mas está sorrindo de novo e já me perdoou.

Isso também acontece muito.

Abro um meio sorriso também.

— Só quero encontrar as respostas por conta própria, sabe?

— Encontrar que respostas? — Kim está chateado comigo. — Bas — diz ele, inclinando a cabeça para o lado para parecer pensativo. — Detesto te dizer isso, mas na vida as merdas acontecem mesmo. Você precisa superar. Derrotar isso fazendo

coisas que te deixam feliz.

Tudo bem, talvez ele não seja tão péssimo terapeuta, no fim das contas.

— Eu sei, você tem razão — admito —, mas...

Kimmon ergue uma sobrancelha, esperando.

— O quê? Desembucha, vai!

Dou uma olhada rápida para a parede, pensando a respeito. É tão comum eu ficar pensando na vida, ponderando cada aspecto possível dela. Quero saber que diabos estou fazendo aqui. Até agora mesmo. Neste café, com este garoto que conheço praticamente desde que nasci. Ontem me perguntei por que eu sentia necessidade de me levantar exatamente na mesma hora do dia anterior e fazer tudo como fiz no dia anterior. Por quê? O que motiva qualquer um de nós a fazer as coisas que fazemos, quando no fundo uma parte da gente só quer se libertar de tudo?

Desvio o olhar da parede para o meu melhor amigo, que sei que não vai entender o que vou dizer, mas, como preciso botar isso para fora, digo da mesma forma.

— Você já imaginou como seria viajar pelo mundo com uma mochila nas costas?

Kimmon fica sem expressão.

— Hã, acho que não — foi a resposta. — Deve ser... um saco.

— Bom, pensa nisso um momento — insisto, me apoiando na mesa econcentrando toda a atenção nele. — Só você e uma mochila com o indispensável. Nada de contas pra pagar. Nada de acordar na mesma hora todo dia pra ir pra um emprego que você detesta. Só você e o mundo à sua frente. Sem nunca saber o que o dia seguinte vai trazer, quem você vai conhecer, o que vai comer no almoço ou onde vai dormir. — Percebo que me perdi tanto nessas imagens que eu mesmo devo terparecido um pouco obcecado por um segundo.

— Você tá começando a me assustar — Kimmon desconversa, me olhando do outro lado da mesinha com cara de incerteza. Sua sobrancelha erguida volta a se alinhar com a outra e ele diz: — E também tem que andar pra caramba, tem o risco de ser roubado, morto e desovado numa estrada qualquer. Ah, e também tem que andar pra caramba...

Ele claramente acha que estou à beira da loucura.

— Enfim, de onde saiu isso? — Kim pergunta, tomando um gole rápido de sua bebida.

— Parece algum tipo de crise de meia-idade, e você só tem 19 anos. — Ele aponta novamente, como que para salientar: — E nunca pagou uma conta na vida. Kim toma mais um gole; segue-se um barulho desagradável de aspiração.

— Posso não ter pago — digo baixinho para mim mesmo —, mas vou pagar quando for morar com você.

— Pode crer que vai — concorda Kim, tamborilando em seu copo. — Tudo rachado ao meio... peraí, você não está pensando em dar pra trás, está? — Ele fica imóvel, me olhando com desconfiança.

— Não, o trato continua de pé. Semana que vem, eu saio da casa da minha mãe e vou morar com um otário.

— Seu idiota! — Ele ri.

Dou um sorrisinho e volto a ruminar as coisas de antes que ele não entendeu, mas eu já esperava isso. Mesmo antes que Joss morresse, sempre tive ideias meio não convencionais. Em vez de ficar o tempo todo imaginando novas posições sexuais, como Kimmon muitas vezes faz com Prite, a garota que ele está namorando há cinco anos, eu prefiro pensar em coisas que realmente importam. Ao menos no meu mundo, elas importam. Como é sentir o ar de outros países na minha pele, qual é o

cheiro do oceano, por que o barulho da chuva me faz suspirar. “Você é muito cabeça”, foi isso que Prite me disse em mais de uma ocasião.

— Ai, nossa! — Kimmon diz. — Você é muito deprê, sabia? — Ele balança a cabeça com o canudo entre os lábios. — Vem! — exclama de repente, se levantando. — Não aguento mais esses lances filosóficos, e acho que lugares estranhos que nem este te deixam ainda pior. Hoje à noite a gente vai pro Underground.

— Quê? Não, eu não vou naquele lugar.

— Você. Vai. Sim. — Ele joga o copo vazio na lata de lixo a um metro de distância e me segura pelo pulso. — Vai comigo desta vez porque, até onde eu sei, você é meu melhor amigo e eu não vou aceitar não de novo como resposta. — Seu sorriso de lábios cerrados se espalha por todo o seu rosto levemente branco.

Sei que Kim está falando sério. Ele sempre fala sério quando me olha com essa cara: cheia de empolgação e determinação. Provavelmente vai ser mais fácil ir com ele esta noite e dar um fim nisso, senão ele nunca mais vai me deixar em paz. São

ossos do ofício para quem tem um melhor amigo mandão.

Eu me levanto.

— São só duas da tarde — digo.

Tomo o resto do meu leite rosa e jogo o copo vazio na mesma lata de lixo que ele.

— Sim, mas antes a gente precisa comprar uma roupa pra você.

— Hum, não — retruco decidido enquanto ele sai comigo pelas portas de vidro para o ar fresco do verão. — Eu já tô indo pro Underground com você, já tô pagando meus pecados. Me recuso a sair pra fazer compras. Já tenho muita roupa.

Kimmon me dá o braço enquanto andamos pela calçada, passando por uma longa fila de parquímetros. Ele sorri e olha para mim.

— Tudo bem. Então me deixa pelo menos te vestir com alguma coisa do meu guarda-roupa.

— E qual o problema com as minhas roupas?

Ele estufa os lábios para mim e estica o queixo, como se estivesse debatendo em silêncio por que preciso fazer uma pergunta tão ridícula.

— É o Underground — é o que ele diz, como se não houvesse resposta mais óbvia.

Tudo bem, até que Kim tem razão. Nós dois somos grandes amigos, mas no nosso caso, é aquele lance dos opostos que se atraem. Ele é um roqueiro que estáapaixonado por Amy Lee desde Bring me to life. Eu sou mais um garoto sossegado

que raramente usa roupa escura, a menos que seja para um velório. Não que Kimmon só use preto e tenha um penteado emo, mas ele jamais sairia em público vestindo alguma coisa do meu guarda-roupa porque, segundo ele, é tudo normal demais. Eu

discordo. Sei como me vestir. Mas o Underground foi feito para gente como Kimmon, portanto, acho que vou ter que suportar me vestir como ele por uma noite, só para me enturmar. Não sou de querer ser como os outros. Nunca fui. Mas com certeza topo me tornar alguém que não soupor algumas horas se isso vai ajudar a me misturar, em vez de parecer a esquisito e

chamar a atenção.

O quarto de Kimmon é totalmente o oposto do quarto de alguém que tem TOC. É mais uma das enormes diferenças entre nós dois. Eu organizo minhas roupas pela cor. Ele deixa as dele no cesto perto do pé da cama por semanas, antes de jogar todas de volta na roupa suja para serem lavadas de novo porque estão amassadas. Eu tiro o pó do meu quarto todo dia. Acho que ele nunca tirou o pó do dele, a não ser que você chame “raspar quatro dedos de poeira do teclado do laptop” de limpeza.

— Esta aqui vai ficar perfeita em você — decide Kimmon, segurando uma camiseta branca e fina estampada com o nome Scars on Broadway. — Ele põe a camiseta sobre o meu peito e

examina como fiquei.

Rosno para ele, insatisfeito com a primeira escolha.

Ele revira os olhos e seus ombros afundam.

— Tudo bem — desiste, jogando a camiseta sobre a cama. Ele corre a mão pelo cabideiro e puxa outra, mostrando-a com um sorrisão que é também uma de suas táticas de manipulação. Sorrisões cheios de dentes me deixam com menos vontade

de lhe dizer não.

— Que tal alguma coisa que não tenha o nome de uma banda qualquer escrito na frente? — digo.

— É Brandon Boy d — Kim exclama, arregalando os olhos. — Como pode não gostar de Brandon Boy d?

— Ele é legal — respondo. — Só não quero exibir uma propaganda dele.

— Eles são incríveis!

— Usa você, então, ué.

Ele me olha de lado, balançando a cabeça como se estivesse considerando aideia.

— Acho que vou usar mesmo. — Ele tira a camisa que já está usando e o joga nocesto de roupas perto do guarda-roupa, vestindo em seguida o rosto de Brandon Boy d.

— Ficou legal em você — elogio, observando-o enquanto ele se ajeita e admira oque vê no espelho por vários ângulos.

— Ficou mesmo — Kim concorda.

— O que Amy Lee vai achar disso? — brinco.

Kimmon dá uma risadinha, joga o cabelo escuro para trás e pega a escova.

— Ela sempre vai ser meu número um.

— E Prite, sabe, aquela sua namorada nada imaginária?

— Para com isso — ele reclama, me olhando pelo espelho. — Se continuar mepentelhando com Prite desse jeito... — Ele para com a escova na mão e vira ocorpo para me encarar. — Você por acaso tá a fim da Prite?

Viro a cabeça e sinto meu cenho se franzir com força.

— Claro que não, Kim! Que besteira é essa?

Kimmon ri e volta a escovar o cabelo.

— Vamos achar alguém pra você hoje. É disso que você precisa. Vai resolver tudo.

Meu silêncio revela imediatamente que ele foi longe demais. Detesto quando Kimmon faz isso. Por que todo mundo precisa estar com alguém? É uma ilusão idiota e um jeito de pensar bem patético. Ele coloca a escova de volta na penteadeira e se vira completamente, deixando o ar de brincadeira desaparecer do rosto e suspirando profundamente.

— Sei que eu não devia dizer essas coisas... Olha, prometo que não vou ficar dando um de Cupido, tá? — Ele levanta as duas mãos num gesto de rendição.

— Tá bom, eu acredito — digo, cedendo à sinceridade dele. Claro que sei que uma promessa nunca o detém completamente. Kim pode não tentar me arrumar alguém de forma descarada, mas só precisa piscar aqueles cílios escuros dele para Prite e depois olhar para qualquer garota ou garoto que estiver por perto, e Prite saberá na hora o que ele quer que ela faça.

Mas eu não preciso da ajuda deles. Não quero ficar com ninguém.

— Ah! — Kimmon está com a cabeça enfiada no guarda-roupa. — Esta camiseta é perfeita! — Ele se vira, exibindo uma camisa preta larga. Na parte da frente está escrito: HOT BOY. — Comprei na Hot Topic — ele conta, tirando do cabide.

Sem querer que a sessão de escolha de roupas se arraste por mais tempo, tiro minha camiseta e pego a camiseta da mão dele.

Enfio a camiseta e me olho no espelho.

— Então? Fala aí — Kim pergunta, parado atrás de mim com um sorriso enorme. — Gostou, não gostou?

Dou um sorrisinho e me viro para ver.

E então noto que nas costas está escrito CUTE BOY.

— Tá — admito —, eu gostei. — Eu me viro e aponto para ele, sério. — Mas não o suficiente pra começar a atacar o seu guarda-roupa, então não fique muito esperançoso. Tô satisfeito com minhas camisas de abotoar, obrigado.

— Eu nunca disse que as suas roupas não eram bonitas, Bas. — Kim sorri.

— Você é sexy pra caramba todo dia, garoto. Na boa, eu te traçava se não estivesse com Prite.

O meu queixo cai.

— Você é um tarado, Kim!

— Eu sei — ele concorda enquanto me viro para o espelho, e posso ouvir o sorriso diabólico na sua voz. — Mas é verdade. Já te falei isso e não tava brincando.

Balanço a cabeça para ele, sorrio e pego a escova da penteadeira. Kimmon já teve um namorado quando Prite e ele terminaram por um curto período de tempo.

— Ótimo — conclui Kim, calçando os sapatos. — Agora vamos nessa; Prite tá esperando a gente.



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