História Entre o agora e o nunca - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Visualizações 2
Palavras 2.944
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


História adaptada do livro da autora J.A Redmerski.

Capítulo 2 - 02


CHEGAMOS AO UNDERGROUND ao anoitecer.

- Olha só, você vai se divertir, tá? - Kimmon fecha a porta de trás do meu lado depois que eu saio e me olha sem esperanças. - É só não resistir, tentar curtir um pouco.

Eu reviro os olhos.

- Kimmon, também não vou tentar detestar de propósito - argumento. - Eu quero curtir.

Prite vem para o nosso lado da picape e passa os braços nos nossos ombros. - E eu vou chegar abraçado com dois gatos.

Kimmon faz bico, fazendo uma falsa cara de mágoa.

- Para, amor. Você vai me deixar com ciúme. - Ele já está sorrindo maliciosamente para ela.

Prite tira a mão dos ombros de Kim e pega numa das suas nádegas. Ele solta um gemido desagradável e ela fica na ponta dos pés para beijá-lo. Tenho vontade de mandar os dois esperarem para fazer aquilo na cama, mas estaria desperdiçando meu fôlego.

O Underground é o lugar mais badalado da zona urbana da Tailândia, mas você não vai encontrá-lo na lista telefônica. Só pessoas como nós sabem que ele existe.

Um cara chamado P'Rob alugou um galpão abandonado há dois anos e gastou mais ou menos um milhão da grana do pai rico para transformá-lo numa casa noturna secreta.

Dois anos bombando; o lugar já virou um point para deuses do sexo e do rock locais viverem o sonho do rock'n'roll com fãs histéricos e tietes. Mas não é um clube fuleiro. De fora, pode parecer um prédio abandonado numa cidade semifantasma, mas por dentro é como qualquer clube chique de hard rock, equipado com luzes estroboscópicas coloridas que giram continuamente para todo lado, garçonetes, e um palco grande o suficiente para duas bandas tocarem ao mesmo tempo.

De modo a manter o Underground secreto, todos os frequentadores precisam estacionar em outros bairros e chegar andando, porque uma rua lotada de carros diante de um galpão "abandonado" é muita bandeira.

Estacionamos nos fundos de um McDonald's próximo e andamos uns dez minutos pelo bairro sinistro.

Kimmon sai do lado direito de Prite e fica entre nós dois, mas é só para poder me torturar antes de entrarmos.

- Muito bem - ele diz, como se fosse começar a listar tudo o que devo e não devo fazer -, se alguém perguntar, você tá solteiro, certo? - Ele agita a mão para mim. - Nada daquilo que você aprontou com a garota que te paquerou naquela papelaria.

- O que ele tava fazendo numa papelaria? - Prite diz, rindo.

- Prite, a garota tava babando por ele - Kimmon afirma, ignorando completamente a minha presença -, tipo, era só o Bas dar uma piscadinha que a garota comprava a Tailândia toda pra ele, e sabe o que ele falou?

Eu reviro os olhos. - Kim, você é tão ridículo. Não foi nada disso.

- Pois é, amor - Prite comentou. - Se a garota trabalha numa papelaria, não vai comprar a Tailândia pra ninguém.

Kim resmunga baixinho.

- Eu não falei que ela trabalhava lá... bom, a garota parecia um cruzamento de... Christina Aguilera com... - ele mexe os dedos acima da cabeça para materializar outro exemplo famoso em sua língua - ... Aim Satida de Together with me, e quando ela pediu o telefone dele, o sr. Santinho aqui falou que era gay sendo que ele é um filho da mãe bissexual.

- Ai, cala a boca, Kim! E eu nunca disse que sou bissexual, disse que não me rotulo a gênero nenhum, gosto de pessoas. - exclamo, irritado com essa mania de exagero dele. - e ela não parecia nenhuma dessas. Era só uma sujeita normal que por acaso não era feia de doer.

Kim faz um gesto de desprezo e se vira para Prite.

- Pode ser. A questão é que ele mente pra afastar as garotas. Não duvido nada que chegaria ao ponto de dizer que broxa na hora H.

Prite ri.

Eu paro na calçada escura e cruzo os braços no peito, mordendo a parte de dentro do lábio inferior, irritado.

Kimmon, ao perceber que não estou mais andando ao lado dele, volta correndo.

- Tá bom, tá bom! Olha, não quero que você estrague sua vida, só isso. Só tô pedindo que se alguém que não for torta de tão feia te paquerar, não dispense a garota imediatamente. Não tem problema nenhum conversar e se conhecer um pouco. Não tô pedindo pra você levar ninguém pra casa.

Eu já estou com ódio dele por isso. Ele prometeu!

Prite chega por trás dele e passa as mãos em sua cintura, colando a boca no seu pescoço enquanto ele se retorce.

- Você tem que deixar ele fazer o que quiser, amor. Para de ser tão mandão. - Obrigado, Prite - agradeço com um rápido aceno. Ela pisca para mim. Kimmon faz bico e diz: - Tem razão - e levanta as mãos -, não vou falar mais nada. Juro.

Sei, já ouvi isso antes...

- Ótimo - concluo, e continuamos andando.

O metal range quando a porta da gaiola se abre ao entrarmos e descemos no elevador barulhento para o subsolo, alguns metros abaixo. É só um andar, mas o elevador chocalha tanto que sinto que ele vai se partir a qualquer momento e matar a gente na queda. A batida alta e explosiva da música e os gritos de bêbados universitários - e provavelmente de muitos ex-universitários - reverberam pelo piso do porão até o elevador de ferro, ficando mais altos a cada centímetro que descemos para as entranhas do Underground. O elevador para com estrondo e um ogro abre a porta pantográfica para podermos sair.

Kimmon me atropela vindo de trás.

- Anda logo! - grita, fingindo me empurrar pelas costas. - Acho que é o Four Collision tocando! - A voz dele se eleva por cima da música enquanto nos dirigimos para o salão principal.

Kimmon pega Prite pela mão e ela tenta me puxar, mas sei o que ele está armando e não quero entrar numa almôndega de corpos saltitantes e suados.

- Ah, vai! - Kim insiste, praticamente implorando. Então uma ruga rancorosa vinca seu nariz, enquanto ele rosna, agarra minha mão e me puxa para perto de si. - Para de ser criança! Se alguém te derrubar, eu mesmo encho a pessoa de porrada, tá?

Prite está ao lado, sorrindo para mim.

- Tudo bem! - aceito, indo com eles, Kimmon praticamente arrancando meus dedos.

Caímos na pista, e Kimmon, depois de algum tempo fazendo o que qualquer grande amigo faria, se esfregando em mim para me fazer sentir incluído, passa a existir somente no mundo de Prite. Está praticamente transando com ela ali, na frente de todo mundo, mas ninguém nota. Eu só percebo porque devo ser o único homem em todo o salão que não tem companhia para fazer a mesma coisa. Aproveito a oportunidade, fujo da pista e vou para o bar. O que vai querer? - diz a loura alta atrás do balcão quando fico na ponta dos pés e me sento num dos banquinhos.

- Um refrigerante de limão.

Ela se vira para pegar minha bebida.

- Ah, vai pegar pesado, é? - diz brincando, enchendo o copo de gelo. - Que tal me mostrar sua identidade? - Ela exibe os dentes sorrindo.

Ela termina de misturar a bebida e a desliza na minha direção.

- Eu não bebo muito, sabe? - digo, tomando um gole do canudinho. - Não bebe... muito?

Deixo o copo no balcão e mexo na fatia de lima da borda.

- Por quê? - a garota pergunta, enxugando o balcão com um guardanapo de papel.

- Peraí - retruco, levantando um dedo -, antes que você fique com alguma ideia errada, não tô aqui pra me abrir com você, essa coisa de terapia de balcão de bar. - Kimmon já é terapia suficiente para mim.

Ela ri e joga o guardanapo de papel em algum lugar atrás do balcão. - Bom saber disso, porque não sou muito de dar conselhos.

Tomo mais um gole, mas me curvando em vez de erguer o copo do balcão; Eu me endireito e esfrego meu cabelo.

- Bem, se você quiser mesmo saber - continuo, olhando para ela -, fui arrastado pra cá pelo meu incansável melhor amigo, que provavelmente ia fazer alguma coisa constrangedora comigo enquanto eu dormisse e tirar fotos pra me chantagear se eu não viesse.

- Ah, um desses - ela comenta, apoiando os braços no balcão e juntando as mãos.

- Já tive uma amiga assim. Seis meses depois que meu noivo me largou, ela me arrastou pra um clube perto de Baltimore, e eu só queria ficar em casa e curtir minha fossa, mas, no fim das contas, aquela noite foi exatamente o que eu precisava.

Que legal, essa garota acha que já me conhece, ou no mínimo conhece minha "situação". Mas ela não sabe nada sobre a minha situação. Talvez tenha acertado no lance da ex ruim - porque todos acabam tendo um ou uma assim -, mas o resto, o divórcio dos meus pais, a morte do amor da minha vida... não estou a fim de contar nada pra essa garota. Assim que você conta seus problemas pra alguém, vira um chorão e o menor violino do mundo começa a tocar. A verdade é que todo mundo tem problemas; todos nós enfrentamos dificuldades e dor, e minha dor é o paraíso comparada com a de muitas outras pessoas, e não tenho lá muito direito de me queixar.

- Pensei que você não fosse de dar conselhos - desconverso, com um sorriso.

Ela se afasta do balcão e diz:

- Não sou, mas se você tirar algum proveito da minha história, fique grato.

Dou um sorrisinho e finjo que tomo um gole, desta vez.

Tentando tirar de mim o foco da conversa, apoio um cotovelo no balcão, o queixo na mão e digo:

- E o que aconteceu naquela noite?

O lado esquerdo da sua boca se ergue num sorriso e ela diz, agitando a cabeça loura: - Transei pela primeira vez desde que ele me abandonou, e lembrei como é bom se desacorrentar de alguém.

Eu não esperava uma resposta dessas. A maioria das garotas que conheço teria mentido sobre seu horror a relacionamentos, especialmente se estivesse me paquerando. Até que gosto dessa garota. Só como pessoa, claro; não tô a fim, como Kimmon diria, de que ela fique de quatro pra mim.

- Entendi - digo, tentando conter a verdadeira dimensão do meu sorriso. - Bom, pelo menos você é honesta.

- Não tem outro jeito de ser - ela diz, pegando outro copo e começando a preparar outra soda. - Descobri que hoje em dia a maioria dos garotos têm tanto medo de compromisso quanto as garotas, e quando somos francas desde o início, é mais provável que uma transa ocasional não deixe sequelas.

Balanço a cabeça, pegando o canudinho com a ponta dos dedos. De jeito nenhum vou admitir abertamente, mas concordo completamente com ela, e acho sua filosofia de vida até estimulante. Nunca pensei tanto a respeito, mas por mais que eu queira distância de qualquer relacionamento, continuo humano e não me incomodaria com uma transa ocasional.

Só que não com ela. Ou com qualquer um neste lugar. Tudo bem, talvez eu seja cagão demais pra uma transa ocasional. A verdade é que nunca fiz nada do tipo, e embora a ideia seja um tanto empolgante, me deixa morto de medo. Só transei com duas pessoas até hoje: Joss Wayar, meu primeiro amor, que tirou minha virgindade e morreu num acidente de carro três meses depois, e P'Sanny, com quem me envolvi para preencher a ausência de Joss, a garota que me traiu com uma cópia do Ed Sheeran.

Fico contente por nunca ter retribuído aquela frase venenosa de três palavras que começa com "eu" e termina com "você", pois no fundo eu sentia que ela não fazia nem ideia do que estava dizendo quando vinha com essa conversa.

Por outro lado, talvez ela fizesse, e foi por isso mesmo que, depois de cinco meses de namoro, P'Sanny arrumou outro: porque eu nunca disse o mesmo pra ela.

Olho pra barista e noto que ela está sorrindo, esperando pacientemente que eu diga alguma coisa. Essa garota é boa, ou então só está mesmo querendo ser simpática. Admito que ela é linda; não deve ter mais de 25 anos e tem olhos castanhos doces, que sorriem antes dos lábios. Noto como ela tem seios lindos, são bem definidos por baixo da camiseta colada. E ela é bronzeada; com certeza passou a maior parte da vida perto do mar.

Paro de olhar quando noto que minha mente está vagando, pensando nela em roupas de banho.

- Eu sou a Lively - ela diz. - Sou irmã do Rob.

Rob? Ah, tá, o dono do Underground.

Estendo a mão e Lively a aperta delicadamente. - Bas.

Ouço a voz de Kimmon por cima da música antes mesmo de vê-lo. Ele abre caminho através de um aglomerado de pessoas que estão paradas perto da pista de dança, e se acotovela até me alcançar. Ele nota Lively imediatamente e seus olhos começam a brilhar, iluminados pelo sorriso aberto e descarado. Prite, vindo atrás dele e ainda segurando-o pela mão, também nota, mas só me olha, sem emoção. Isso me dá uma sensação estranha, mas logo deixo de pensar nisso quando Kimmon aperta seu ombro contra o meu.

- O que você tá fazendo aqui? - pergunta, com um tom acusador na voz. Ele está sorrindo de orelha a orelha e seus olhos vêm e vão entre mim e Lively várias vezes, antes que ele me dê toda a sua atenção.

- Tomando um drinque - explico. - Você veio aqui pedir uma bebida ou me controlar?

- As duas coisas! - Kim exclama, soltando a mão de Prite e batendo os dedos no balcão, sorrindo para Lively.

- Qualquer coisa com vodca.

Lively balança a cabeça e olha para Prite. - Suco de maçã com vodca pra mim - Prite pede.

Kimmon aperta os lábios do lado da minha cabeça e sinto o calor do seu hálito no meu ouvido quando ele cochicha:

- Puta merda, Bas! Você sabe quem é essa aí?

Noto a boca de Lively se abrindo num sorriso sutil por tê-lo ouvido.

Sentindo meu rosto ficando quente pelo constrangimento, cochicho de volta: - Sei, o nome dela é Lively.

- É a irmã do Rob! - ele diz entre os dentes; seu olhar volta para ela.

Olho para Prite, esperando que ela entenda a deixa e o arraste para algum lugar, mas desta vez ela finge "não captar". Onde está a Prite que conheço, aquela que costumava me proteger de Kimmon?

Oh-oh, ela deve estar puta com ele de novo. Só age assim quando Kimmon abre sua boca grande ou faz alguma coisa que ela não consegue deixar pra lá. Só estamos aqui há uns trinta minutos. O que ele pode ter feito em tão pouco tempo? E aí me dou conta de que esse é Kimmon, e se há alguém que consegue deixar uma namorada puta da vida em menos de uma hora, sem perceber, esse alguém é ele.

Desço do banquinho e seguro meu amigo pelo braço, afastando-o do balcão. Prite, provavelmente sacando o meu plano, fica conversando com Lively.

A música parece ter ficado mais alta quando a banda que toca ao vivo terminou uma canção e começou outra.

- O que você fez? - pergunto, virando-o para que me encare.

- Como assim, o que eu fiz? - Ele mal está prestando atenção em mim; em vez disso, seu corpo balança sutilmente no ritmo da música.

- Kim, tô falando sério.

Finalmente ele para e me olha, procurando respostas no meu rosto.

- Pra deixar Prite puta? - pergunto. - Ela tava ótima quando chegamos.

Ele olha brevemente para Prite, que está de pé perto do balcão, tomando seu drinque, e depois para mim, com uma expressão confusa.

- Não fiz nada... que eu saiba. - Ele olha para cima como se estivesse pensando, tentando lembrar o que poderia ter dito ou feito.

Ele coça a cabeça, agoniado.

- Por que você acha que ela tá puta?

- Ela tá com aquela cara - digo, olhando para ela e Lively. -, e eu odeio quando vocês dois brigam, especialmente quando tô de carona com vocês e preciso ficar ouvindo os dois discutindo por idiotices que aconteceram um ano atrás.

A expressão confusa de Kimmon se transforma num sorriso malicioso.

- Bem, acho que você tá paranoico, e talvez tentando me distrair pra eu não dizer nada sobre você e Lively. - Ele está com aquele ar brincalhão de novo, e eu odeio isso.

Reviro os olhos.

- Não tem "eu e Lively" nenhum, só estamos conversando.

- Conversar é o primeiro passo. Sorrir pra ela - o sorriso dele se alarga -, como vi muito bem que você tava sorrindo quando cheguei, é o passo seguinte. - Ele cruza os braços. - Aposto que vocês até conversaram sem que ela precisasse arrancar respostas de você com um alicate. Caramba, você já sabe até o nome dela.

- Você quer tanto que eu me divirta e conheça um cara ou uma garota, mas você não sabe a hora de calar a boca quando os desejos parecem perto de virar realidade.

Kimmon deixa a música embalar seus movimentos de novo, erguendo as mãos um pouco e mexendo os quadris de forma sedutora. Eu fico parado ali.

- Não vai acontecer nada - insisto, sério. - Você conseguiu o que queria, tô conversando com alguém, e não estou pensando em dizer que sou broxa, então pare de causar.

Ele cede com um suspiro longo e profundo e para de dançar o suficiente para dizer: - Acho que você tem razão. Vou te deixar em paz, mas se ela te levar pro andar do Rob, vou querer todos os detalhes. - Kim aponta para mim com firmeza, um olho semicerrado e os lábios apertados.

- Tudo bem - digo, só para ele largar do meu pé -, mas é melhor esperar sentado, porque isso não vai acontecer.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...