História Entre o Agora e o Nunca (MoonSun) - Capítulo 14


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Categorias Mamamoo
Personagens Hwasa, Moonbyul, Solar, Wheein
Tags Hwasa, Kpop, K-pop, Lgbt, Mamamoo, Moonbyul, Moonsun, Solar, Wheein
Visualizações 127
Palavras 4.541
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), FemmeSlash, LGBT, Musical (Songfic), Orange, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 14 - Capítulo 13


De volta ao hotel, Moonbyul fica no meu quarto tempo suficiente para assistir a um filme. Conversamos por muito tempo e pude sentir a relutância entre nós duas: ela queria me dizer algo, tanto quanto eu queria lhe dizer coisas.

Acho que somos parecidas demais, e por isso, nenhuma das duas cruzou essa fronteira.

O que nos impede? Talvez seja eu; talvez o que exista entre nós não possa seguir adiante até que ela se dê conta de que eu sei que é isso que quero. Ou pode ser apenas que ela também não tenha certeza de nada.

Mas como duas pessoas que sentem inegavelmente mais do que atração uma pela outra podem não ceder? Estamos juntas na estrada há quase duas semanas. Compartilhamos segredos íntimos e ficamos íntimas, sob certos aspectos. Dormimos lado a lado e nos tocamos, no entanto, aqui estamos, de lados opostos de uma grossa parede de vidro. Estendemos as mãos e encostamos os dedos no vidro, olhamos nos olhos uma da outra e sabemos o que queremos, mas a porra do vidro não cede. Ou isso é uma disciplina inviolável, ou é tortura autoimposta, pura e simples.

- Não que eu esteja com pressa de ir embora - digo quando Moonbyul se prepara para voltar ao seu quarto -, mas quanto tempo a gente vai ficar em Nova Orleans?

Ela pega o celular do criado-mudo e olha rapidamente para a tela, antes de fechar a mão sobre ele.

- Os quartos estão pagos até quinta - ela diz -, mas você que sabe; a gente pode ir embora amanhã ou ficar mais, se você quiser.

Estufo os lábios, sorrindo, fingindo ponderar profundamente sobre a decisão, batendo o indicador na bochecha.

- Não sei - declaro, me levantando da cama. - Até que gosto daqui, mas a gente ainda precisa ir pro Texas.

Moonbyul me olha, curiosa.

- É? Então ainda tá afim de ir pro Texas, hein?

Balanço a cabeça devagar, ponderando de verdade, desta vez.

- É - respondo, distante -, acho que tô. Comecei querendo ir pro Texas... - E então as palavras talvez tudo vá terminar no Texas entram na minha mente e meu rosto fica triste de repente.

Moonbyul beija minha testa e sorri.

- A gente se vê de manhã.

Eu a deixo ir, porque aquela parede de vidro é grossa e me intimida demais para que eu a alcance e a segure.

Horas depois, de madrugada, quando a maioria das pessoas está dormindo, acordo de repente e me sento no meio da cama. Não sei bem o que me acordou, mas parece ter sido um barulho alto. Quando minha mente clareia, corro os olhos pelo quarto escuro como breu, esperando meus olhos se ajustarem à escuridão e verificando se alguma coisa caiu no chão. Me levanto e ando pelo quarto, abrindo só uma fresta das cortinas para deixar entrar mais luz. Olho para o banheiro, a TV e finalmente a parede. Moonbyul. Agora começo a entender: acho que o barulho que ouvi veio do quarto dela, bem atrás da minha cabeça.

Visto meu short branco por cima da calcinha, pego minha chave-cartão e a cópia que ela me deu, do seu quarto, e ando descalça pelo corredor iluminado.

Levanto a mão fechada e bato à porta, primeiro de leve.

- Byul?

Nenhuma resposta.

Bato novamente com um pouco mais de força e a chamo, mas não chega nenhuma resposta. Depois de uma pausa, passo a cópia da chave na porta e a abro silenciosamente, para o caso de ela estar dormindo.

Moonbyul está sentada na beira da cama com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos juntas, no meio das pernas. Suas costas estão curvadas para a frente em arco e seu cabelo cobre seu rosto, porque sua cabeça está tão baixa que ela só pode estar olhando para o chão.

Olho para a minha direita e vejo seu celular no chão, com o vidro quebrado. Entendo imediatamente que ela deve tê-lo jogado contra a parede.

- Byul? O que foi? - pergunto, me aproximando devagar, não porque tenha medo dela, mas porque tenho medo por ela.

As cortinas estão totalmente abertas, deixando o luar entrar e inundar o quarto todo e o corpo seminu de Moonbyul com um brilho cinza-azulado. Ela está usando só uma calcinha e um sutiã. Me aproximo dela e corro as mãos pelos seus braços até suas mãos, fechando delicadamente meus dedos sobre elas.

- Pode me contar - digo, mas já sei o que é.

Ela não me olha, mas fecha as mãos sobre meus dedos.

Meu coração está se partindo...

Me aproximo mais, ficando no meio de suas pernas, e ela não hesita em abraçar apertado o meu corpo. Sentindo meu peito tremer quando absorvo a dor dela, passo os braços ao redor de sua cabeça e a puxo para a minha barriga.

- Eu sinto muito, amor - digo com voz trêmula; lágrimas correm pelo meu rosto, mas tento manter a compostura como posso. Seguro sua cabeça delicadamente e ela aperta mais a testa contra o meu ventre. - Tô aqui, Byul - digo com cuidado.

E ela chora baixinho encostada em mim. Não emite um som, mas sinto seu corpo tremendo suavemente contra o meu. Seu pai morreu e ela está se permitindo lamentar, como deveria. Moonbyul me segura assim por um tempo enorme, seus braços me apertando com força quando as piores ondas de dor a atravessam, e eu a abraço mais, com as mãos mergulhadas no seu cabelo.

Finalmente, ela levanta a cabeça e olha para mim. Tudo o que quero é tirar aquela dor do seu rosto. No momento, é a única coisa que me importa no mundo. Só quero fazer essa dor passar.

Moonbyul me puxa para a cama com ela pela cintura e me abraça ali, com seus braços e toda a extensão da parte de trás do meu corpo apertada contra a frente do dela. Mais uma hora passa e vejo a lua ir de um lugar a outro no céu. Moonbyul não diz uma palavra, e não quero puxar assunto porque sei que ela precisa deste momento, e se nenhuma das duas falar, posso aceitar, contanto que fiquemos assim.

Duas pessoas incapazes de chorar finalmente choram juntas, e se o mundo acabasse hoje, estaríamos realizadas.

O primeiro sol da manhã começa a afugentar o luar, e, por algum tempo, os dois estão escondidos na mesma grande extensão do céu, de forma que nenhum dos dois domina o outro. A atmosfera está banhada em violeta-escuro e cinza com manchas rosa, até que o sol finalmente prevalece e acorda o nosso lado do mundo.

Rolo para o outro lado, ficando de frente para Moonbyul. Ela também está acordada. Sorrio suavemente, e ela é receptiva quando me curvo para beijar seus lábios com delicadeza. Ela roça minha face com as costas da mão e então toca a minha boca, seu polegar mal encostando no meio do meu lábio inferior antes de se afastar. Me aproximo e ela aperta minha mão, segurando-a no meio de nossos corpos colados. Seus lindos olhos sorriem para mim com ternura, e então ela solta minha mão e passa o braço na minha cintura, me puxando tão para perto que posso sentir o calor do seu hálito no meu queixo quando ela respira.

Sei que ela não quer falar do pai, e mencioná-lo pode estragar este momento, por isso evito. Por mais que eu queira e por mais que eu ache que ela precisa falar a respeito para ajudar no seu luto, vou esperar. Ela precisa de tempo.

Levanto minha mão livre e passo o dedo pelo contorno da tatuagem no seu braço direito. E então meus dedos correm delicadamente para suas costelas.

- Posso ver? - sussurro.

Ela sabe que estou falando da tatuagem de Eurídice no lado esquerdo do seu corpo, que ainda está por baixo, encostado na cama.

Moonbyul me olha, mas seu rosto é indecifrável. Seus olhos vagam por um longo momento antes que ela se levante da cama e se vire para o outro lado, deixando a tatuagem visível. Ela se deita de lado, como antes, e me puxa um pouco mais para perto, tirando depois o braço de cima das costelas. Ergo o corpo para ver melhor e corro os dedos pelo desenho intrincado, que é tão bonito e realístico. A cabeça da mulher começa uns 5 centímetros abaixo do braço de Moonbyul, e seus pés descalços chegam ao meio da anca escultural, alguns centímetros sobre a barriga dela. Ela está vestindo uma túnica branca longa, esvoaçante e translúcida, colada ao corpo como se um vento forte estivesse soprando. Ondas do tecido esvoaçam para trás e ao redor dela no vento invisível.

Ela está de pé num rochedo, olhando para baixo com um braço erguido delicadamente para trás.

Mas aí o desenho fica esquisito.

Eurídice está com o outro braço esticado, mas a tinta termina no seu cotovelo. Outro braço foi acrescentado do outro lado, mas não é dela; parece ser de outra pessoa, é mais másculo. Partes do tecido também aparecem fora de lugar na imagem, sopradas pelo vento, como a roupa dela. E logo abaixo, apoiado no mesmo rochedo, está um pé com uma panturrilha musculosa, mas a tinta acaba logo abaixo do joelho.

Corro os dedos sobre cada centímetro da tatuagem, hipnotizada por sua beleza, mas ao mesmo tempo tentando entender sua complexidade, e por que estão faltando partes.

Olho para Moonbyul e ela diz:

- Você me perguntou ontem quem é meu ídolo musical, e a resposta é Orfeu; meio esquisito, eu sei, mas sempre adorei a história de Orfeu e Eurídice, especialmente a versão contada por Apolônio de Rodes, e ela meio que ficou dentro de mim.

Sorrio suavemente e olho mais uma vez para a tatuagem; meus dedos ainda estão sobre suas costelas.

- Já ouvi falar de Orfeu, mas não de Eurídice. - Sinto um pouco de vergonha por não conhecer a história deles, especialmente porque ela parece ser tão importante para Moonbyul.

Ela começa a explicar:

- A habilidade musical de Orfeu era incomparável, por ele ser filho de uma musa, e quando ele tocava sua lira ou cantava, todo ser vivo parava para ouvir. Não havia músico melhor que ele, mas seu amor por Eurídice era até mais forte do que seu talento; Orfeu faria qualquer coisa por ela. Eles se casaram, mas logo depois do casamento, Eurídice foi picada por uma víbora e morreu. Arrasado pela dor, Orfeu desceu ao inferno, determinado a trazê-la de volta.

Enquanto Moonbyul conta essa história, não consigo deixar de ser egoísta e me imaginar no lugar de Eurídice. Com Moonbyul no lugar de Orfeu. Até comparo com aquele momento bobinho no pasto, naquela noite com Moonbyul, quando a cobra subiu no nosso cobertor. Tão idiota da minha parte pensar assim, mas não consigo evitar...

- No inferno, Orfeu tocou sua lira e cantou, e todos ali ficaram encantados com ele e se ajoelharam de tanta emoção. E assim, deixaram Eurídice aos cuidados de Orfeu, mas somente com uma condição: Orfeu não podia olhar para trás para Eurídice nem por um momento enquanto voltavam para a superfície do mundo. - Moonbyul faz uma pausa. - Mas a caminho da superfície, ele não conseguiu vencer esse desejo, essa necessidade de se virar para se certificar de que Eurídice ainda estava atrás dele.

- Ele olhou pra trás - digo.

Moonbyul balança a cabeça tristemente.

- Sim, olhou um momento antes do que deveria e viu Eurídice na luz fraca do alto da caverna. Eles estenderam as mãos um para o outro, e antes que pudessem se tocar, ela desapareceu na escuridão do inferno e ele nunca mais a viu.

Engulo minhas emoções e fico olhando para o rosto de Moonbyul, arrebatada. Ela não está me olhando, mas parece perdida em pensamentos, olhando além de mim.

E então ela sai do transe.

- Muita gente faz tatuagens profundas, cheias de significado - ela diz, me olhando de novo. - Esta é só a minha.

Olho para a tatuagem de novo e depois para os seus olhos, lembrando uma coisa que seu pai disse naquela noite em Wyoming.

- Byul, o que teu pai quis dizer quando falou aquilo no hospital?

Seus olhos se abrandam e ela desvia o olhar por um instante. Depois abaixa o braço e segura minha mão, passando o polegar pelos meus dedos.

- Você escutou? - pergunta, sorrindo tranquilamente.

- É, escutei.

Moonbyul beija meus dedos e solta minha mão.

- Ele ficava me enchendo com isso - diz. - Fiz a tatuagem, contei pro Minhyuk o que ela significava e por que não tava tecnicamente completa, e aí ele contou pro papai. - Moonbyul revira os olhos. - Nunca mais me deixaram em paz, pode ter certeza. Nos últimos dois anos, meu pai tirou muito sarro de mim, mas eu sei que ele só tava sendo ele mesmo: o cara fortão que não acredita em emoções. Mas uma vez ele me falou, quando Minhyuk e Seokmin não tavam por perto, que por mais brega que fosse, ele entendia o significado. Papai me falou assim (Moonbyul gira harmoniosamente os dedos no ar): "Filha, espero que você ache sua Eurídice um dia."

Tento conter um sorrisinho, mas ela vê e sorri também.

- Mas por que tá incompleta? - pergunto, olhando-a de novo, tirando seu braço de cima. - E o que ela significa exatamente?

Moonbyul suspira, embora soubesse o tempo todo que eu ia fazer essas perguntas. Fico com a sensação de que ela estava torcendo para que eu deixasse passar batido.

Sem chance.

De repente, Moonbyul se levanta da cama e me faz sentar com ela. Fecha os dedos na barra da minha camiseta e começa a tirá-la do meu corpo. Sem questionar, ergo os braços e fico nua da cintura para cima diante dela. Só uma pequena parte de mim se sente constrangida, e instintivamente meu ombro se encolhe, como que para cobrir minha nudez com sua sombra.

Moonbyul me faz deitar de novo e me puxa tão para perto que meus seios ficam esmagados contra os seus. Guiando meus braços ao redor de si como os seus estão ao meu redor, ela me abraça mais apertado, enroscando nossas pernas nuas. Nossas costelas estão se tocando, meu corpo encaixado no dela como duas peças de um quebra-cabeça.

E de repente começo a entender...

- Minha Eurídice é só metade da tatuagem - ela diz, e seus olhos descem para o lugar da tatuagem em relação ao meu corpo ao seu lado. - Pensei que um dia, se me casasse, minha garota podia fazer a outra metade e unir os dois.

Meu coração está na garganta. Tento engoli-lo de volta, mas está preso ali, inchado e quente.

- Mas é loucura, eu sei - ela diz, e sinto seus braços começando a me soltar.

Eu a aperto mais forte, segurando-a ali.

- Não é loucura - digo, minha voz grave e séria. - E não é brega; Moonbyul, é lindo. Você é linda...

Uma emoção solitária que não consigo identificar cruza o seu rosto.

Então ela se levanta, e relutantemente eu permito.

Ela pega uma camiseta comprida perto da cama e a veste.

Ainda um pouco atordoada pela rapidez com que ela se levantou e por que, levo um momento mais antes de vestir minha camiseta de novo.

- Bom, acho que talvez meu pai é que tava certo - ela diz, de pé diante da janela, olhando para a cidade de Nova Orleans lá embaixo. - Ele sabia das coisas e usava aquele papo furado de não chorar pra disfarçar.

- Pra disfarçar o quê?

Chego perto dela por trás, mas desta vez não a toco. Moonbyul está inatingível, no sentido de que estou começando a achar que ela não me quer aqui.

Ela responde sem se virar:

- Que nada dura pra sempre. - Ela hesita, ainda olhando pela janela, com os braços cruzados sobre o peito. - É melhor evitar a emoção do que cair na conversa dela e virar escravo dela, e como nada dura pra sempre, no  fim, tudo o que um dia foi bom sempre acaba doendo pra cacete.

Suas palavras me cortam como facas.

Toda parte de mim que foi mudada durante meu tempo com Moonbyul e todas as muralhas que derrubei por ela acabam de se erguer de novo ao meu redor.

Porque ela está certa e eu sei que ela está certa, porra.

Foi essa lógica que me impediu de entrar totalmente no mundo dela todo esse tempo. E em questão de segundos, a verdade de suas palavras me deixou novamente submissa a essa lógica.

Decido não pensar nisso. Há um problema bem mais importante que o meu, agora, então me esforço para não tratá-la diferente.

- Você... precisa ir ao enterro do seu pai, então...

Moonbyul vira o corpo, com os olhos cheios de determinação.

- Não, eu não vou pro enterro.

Ela veste um short que estava jogado no chão.

- Mas, Byul... você tem que ir. Você nunca vai se perdoar se perder o enterro.

Vejo seu maxilar se movendo como se ela estivesse rangendo os dentes. Ela desvia o olhar e se senta no pé da cama, se curvando e enfiando os pés sem meias em seus tênis, sem se dar ao trabalho de soltar o cadarço.

Ela fica de pé.

Só posso ficar ali no meio do quarto, incrédula. Sinto que deveria saber o que dizer para fazê-la mudar de ideia sobre o funeral, mas meu coração me diz que essa é uma discussão que não vou ganhar.

- Preciso fazer uma coisa - ela diz, enfiando a chave do carro no bolso do short. - Volto logo, tá?

Antes que eu possa responder, ela se aproxima, segura minha cabeça com as duas mãos e encosta a testa na minha. Eu só a olho nos olhos, vendo tanta dor, conflito e indecisão no meio de uma tempestade de outras coisas que não consigo nem começar a identificar.

- Você vai ficar bem? - ela pergunta baixinho, com o rosto a centímetros do meu.

Eu me afasto, olho para ela e balanço a cabeça.

- Vou, sim - digo.

Mas é só o que consigo dizer. Estou tão dividida e indecisa quanto ela parece estar. Mas também estou sofrendo. Sinto que algo está acontecendo entre nós, mas está nos afastando, como toda a viagem nos aproximou até agora. E isso me assusta.

Eu entendo a lógica. Minhas muralhas estão erguidas de novo. Mas isso me assusta mais do que qualquer coisa que já vivi.

Moonbyul me deixa parada ali, olhando-a sair do quarto.

É a primeira vez, desde que voltou para me salvar naquela rodoviária, que ela me deixa. Estivemos juntas, praticamente inseparáveis, todo esse tempo, e agora... assim que ela saiu por aquela porta, senti que nunca mais vou vê-la.

 

POV Moonbyul

- Tá começando cedo, não? - diz o garçom, ao deslizar a bebida pelo balcão até minha mão.

- Se vocês estão abertos e servindo bebidas já, então não é cedo.

Já são três da tarde. Deixei Solar sozinha hoje logo de manhã, bem antes das oito horas. Meio estranho estarmos nesta viagem juntas há tanto tempo e nenhuma das duas ter pensado em trocar números de telefone. Acho que não importava muito, já que estávamos sempre juntas. Tenho certeza de que a esta altura ela já deve ter se perguntado se vou voltar, talvez lamentando não ter meu telefone para descobrir se estou bem - o vidro do celular está quebrado, mas o aparelho ainda funciona. Mas começo a desejar que não estivesse funcionando, porque Seokmin e minha mãe já tentaram ligar dezenas de vezes.

Pretendo voltar para o hotel, mas decidi que vai ser só para pegar o violão de Minhyuk no quarto e deixar uma passagem de avião para Solar sobre a minha cama. O quarto está pago por mais dois dias, ela vai ficar bem. Vou deixar dinheiro para o táxi até o aeroporto também. É o mínimo que posso fazer. Fui eu que a convenci a entrar nessa comigo. Sou eu que vou garantir que sua volta para casa esteja totalmente paga, e que não vai ser de ônibus, desta vez.

Isto acaba hoje.

Eu nunca deveria ter deixado chegar tão longe, mas estava iludida e cega por meus sentimentos dolorosamente proibidos por ela. Mas acho que ela vai ficar bem; não dormimos juntas e ninguém disse aquelas três palavras malditas que com certeza tornariam as coisas mais complicadas, então, sim... acho que ela vai ficar bem.

Afinal, ela nunca cedeu para mim. Basicamente, deixei a opção clara para ela: Se você me deixasse transar com você, teria que me deixar possuí-la de corpo e alma. Se isso não é um convite descarado, então não sei o que é. Não muito romântico, mas é o que é.

Pago minha bebida e saio. Eu só precisava de alguma coisa pra me acalmar um pouco. Se bem que pra acalmar o quanto preciso no momento, só se eu tomasse a porra da garrafa toda. Enfio as mãos nos bolsos e ando toda a Bourbon Street, depois a Canal Street, e acabo indo parar em ruas das quais nem lembro o nome, ao passar pelas placas. Ando uma eternidade, pra todo lado, de forma bem parecida com a da minha viagem esporádica com Solar, sem direção nem propósito. Eu simplesmente vou.

Acho que não estou tentando matar o tempo para que a noite caia e eu possa sair de fininho enquanto ela dorme, mas sim matando tempo na esperança de que ela mude de ideia. Não quero deixar Solar, mas sei que preciso.

Acabo indo parar no Woldenberg Riverfront Park, e fico sentada à margem do Mississippi, olhando os navios e o ferry indo e voltando de Algiers. A noite cai. E por um tempo enorme, minha única companhia é uma estátua de Malcolm Woldenberg, até que uma garota loura se senta num lugar próximo de onde estou. Percebo que ela fica me olhando e desviando o olhar por um tempão antes de vir falar comigo.

- Olá. Eu tava te olhando, você parece entediada - ela diz, sorrindo e inclinando a cabeça para um lado. - Sou Leah.

Olho para ela e faço um gesto com a cabeça, tentando ser educada, mas não digo meu nome.

- Vai pra alguma balada hoje à noite? - Ela pergunta.

Está sorrindo tanto para mim e de um jeito que sei não precisaria me esforçar nem um pouco para conseguir alguma coisa com ela.

- Não, não vou - digo, e deixo por isso mesmo.

Ela se senta do meu lado na calçada, encolhendo as pernas e fazendo seu short subir muito por suas coxas nuas.

Solar fica melhor num short assim.

- Você deveria vir comigo - ela diz. - Vai rolar muita coisa legal lá no d.b.a.

Percebo que já esqueci seu nome.

Olho de relance para ela. É bem bonita, mas, quanto mais ela fala, mais eu fico com vontade de ir embora. Só consigo pensar em Solar. Aquela garota feriu minha alma. Nunca mais vai cicatrizar.

- Sei lá - digo. - Acho que hoje não tô afim.

Não faço ideia do que estou dizendo, nem por que estou dizendo.

- Tem certeza? Se você for, vai se divertir - ela diz, colocando a mão na minha coxa.

Sem um pingo de vontade de continuar com essa conversa, tiro a mão dela de cima de mim e fico de pé, enfio novamente as mãos nos bolsos e vou embora. Em qualquer outro momento, eu poderia topar, mas hoje não.

É, provavelmente minha alma está ferida de forma incurável. Preciso sair desta cidade.

Enquanto me afasto da garota sem dizer nada, ouço sua voz flutuando no ar atrás de mim. Estou pouco me fodendo pro que ela diz. Ela pode achar outra pessoa pra dar em cima depois.

Já passa da meia-noite, agora. Parei num café com acesso à internet e comprei a passagem de avião de Solar para a Carolina do Norte, depois passei num caixa eletrônico e saquei dinheiro mais do que suficiente para pagar a corrida de táxi dela até o aeroporto, e do aeroporto para sua casa na Carolina do Norte.

A caminho do saguão do nosso hotel, peço um envelope, uma folha de papel e algo para escrever para a recepcionista, me sento num sofá e escrevo um bilhete para Solar:

 

Yongsun,

desculpa ter ido embora desse jeito, mas sei que eu não ia conseguir dizer adeus cara a cara. Espero que você se lembre de mim, mas se me esquecer for mais fácil, aceito isso também.

Nunca se limite, Kim Yongsun; tenha certeza do que quer na vida, diga o que sente e nunca tenha medo de ser você mesma. Foda-se o que os outros pensam. Você está vivendo pra você, não pra eles.

O código abaixo é o que você precisa informar no aeroporto pra pegar seu avião pra casa. Você só precisa da identidade. O avião parte amanhã de manhã. O dinheiro é pro táxi.

Obrigada pelas melhores duas semanas da minha vida e por estar ao meu lado quando mais precisei de você.

- Moon Byul

KYYBPR

 

Leio o bilhete cinco vezes antes de me dar por satisfeita, e finalmente dobro o papel e coloco junto com o dinheiro, dentro do envelope.

Vou até o elevador. O último obstáculo é sair de fininho sem que Solar fique sabendo. Espero que ela ainda esteja dormindo. Por favor, faça Yongsun estar dormindo. Consigo ir embora se não precisar vê-la, mas se ela me vir... Não. Tenho que ser capaz de fazer isso de qualquer jeito.

E vou fazer.

Saio do elevador no nosso andar e ando por um corredor longo e iluminado, passando por vários quartos. Ver os nossos logo à frente revira meu estômago de nervoso. Passo em silêncio; temo que o barulho dos meus passos possa ser o suficiente para avisá-la de que estou aqui. Tem um aviso de NÃO PERTURBE na maçaneta do quarto dela, e não sei por que, mas vê-lo faz meu estômago se embrulhar todo. Talvez porque a única vez que pendurei um aviso desses na maçaneta de um quarto de hotel foi quando eu estava lá dentro, transando. Só a ideia de Solar transando com outra pessoa...

Cerro os dentes e passo pela sua porta. Dá pra ser mais neuroticamente patética? Ela nem é minha e eu acabo de ser atacada por uma reação de ciúme louco.

Quanto antes eu for embora de Nova Orleans, melhor.

Passo minha chave-cartão na porta e entro no quarto. Está exatamente do jeito que eu deixei: as roupas jogadas perto das mochilas e o violão de Minhyuk apoiado na parede, sob o abajur. Ando pelo quarto recolhendo as coisas e tenho um momento ah, é quando percebo que ia esquecer meus carregadores plugados na parede se não os tivesse visto ao passar. Tiro todos da tomada e os enfio junto com minhas roupas na mochila. Por último, corro para o banheiro para pegar minha escova de dentes na pia.

Solar está parada na porta quando volto.


Notas Finais


Postei e saí correndo

Então... eu vou demorar um pouco mais (coisa de 2 semanas, sei lá) pra postar os próximos capítulos porque comecei a escrever outra fanfic kkkk desculpa, não me xinguem. Mas vai ser curtinha, só 3 capítulos, eu termino ela até acabar o ano.


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