História Entre o Agora e o Nunca (MoonSun) - Capítulo 2


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Categorias Mamamoo
Personagens Hwasa, Moonbyul, Solar, Wheein
Tags Hwasa, Kpop, K-pop, Mamamoo, Moonbyul, Moonsun, Solar, Wheein
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Palavras 2.714
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), FemmeSlash, LGBT, Orange, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oie! Esse capítulo será mais longo que o outro, quase o dobro. Espero que gostem!
Ah, e não odeiem a Hwasa nesse capítulo prvr :(

Capítulo 2 - Capítulo 2


Chegamos ao Underground ao anoitecer, mas não antes que Loco passasse com sua picape tunada por várias casas. Ele estacionava, descia, entrava por não mais do que três ou quatro minutos e nunca dizia uma palavra quando voltava. Pelo menos não sobre o que ia fazer lá dentro ou com quem ia falar, coisas que tornariam essas visitas normais. Mas pouca coisa em Loco é costumeira ou normal. Conheço-o quase há tanto tempo quanto Hwasa, mas nunca consegui aceitar seu uso de drogas. Ele tem um monte de maconha plantada no porão de casa, mas não é maconheiro. Kwon Hyukwoo diz que erva não é a parada dele. Não, a droga preferida de Loco é cocaína, e ele só planta e vende maconha para financiar seu vício em pó.

- Olha só, você vai se divertir, tá? - Hwasa fecha a porta de trás depois que eu saio e me olha sem esperanças. - É só não resistir.

Eu reviro os olhos.

- Hyejin, também não vou tentar detestar de propósito - argumento. - Eu quero curtir.

Kwon vem para o nosso lado da picape e passa o braço nas nossas cinturas.

- E eu vou chegar abraçado com duas gatas.

Hwasa lhe dá uma cotovelada, fazendo uma falsa cara de mágoa.

- Para. Você vai me deixar com ciúmes. - Ela já está sorrindo para ele.

O Underground é o lugar mais badalado da zona urbana da Carolina do Norte, mas você não vai achá-lo na lista telefônica. Só pessoas como nós sabem que ele existe. Um cara chamado Rob alugou um galpão abandonado há dois anos e o transformou numa casa noturna secreta. De fora, pode parecer um prédio abandonado, mas por dentro é chique como qualquer clube de hard rock, equipado com luzes coloridas que giram para todo lado e um palco grande o suficiente para duas bandas tocarem ao mesmo tempo.

De modo a manter o Underground secreto, todos os frequentadores precisam estacionar em outros bairros e chegar andando, porque uma rua lotada de carros diante de um galpão "abandonado" é muita bandeira.

Estacionamos nos fundos de um McDonald's próximo e andamos uns dez minutos pelo bairro sinistro.

Quando chegamos ao galpão, o ogro na porta nos examina na entrada, com seus braços enormes cruzados.

Ele estende a mão.

O rosto de Hyejin vira uma careta ofendida.

- Quê? Rob tá cobrando entrada, agora?

Loco enfia a mão no bolso, tira a carteira e mexe nas notas.

- Vinte paus por cabeça - grunhe o ogro.

- Vinte? Tá de sacanagem, porra?! - Hwasa grita.

Kwon a afasta delicadamente e põe três notas de vinte dólares na mão do ogro. Ele enfia o dinheiro no bolso e nos dá passagem. Hwasa faz uma careta para o ogro ao passar por ele.

- Vem - Loco nos chama e andamos por um corredor longo até chegarmos ao elevador industrial no fim.

A porta de metal se fecha, e descemos no elevador barulhento para o subsolo, alguns metros abaixo. A batida alta e explosiva da música e os gritos de bêbados universitários - e provavelmente de muitos ex-universitários - reverberam pelo piso do porão até o elevador de ferro, ficando mais altos a cada centímetro que descemos para as entranhas do Underground. O elevador para e abre a porta para podermos sair.

Hwasa me atropela vindo de trás.

- Anda logo! - grita, fingindo me empurrar pelas costas. - Acho que é o Four Collision tocando!

Hwasa pega Loco pela mão e ele tenta me puxar, mas não quero entrar numa almôndega de corpos saltitantes e suados com estas malditas botas, então fujo para o bar.

- O que vai querer? - diz o louro alto atrás do balcão quando me sento num dos banquinhos.

- Cuba-libre.

Ele começa a preparar meu drinque.

- Ah, vai pegar pesado, é? - Ele dá um sorriso.

- Eu não bebo muito, sabe?

- Não bebe... muito? - Ele termina de misturar a bebida e a desliza na minha direção.

- Bom, esta noite acho que vou precisar tomar umas a mais. - Digo, tomando um gole.

- Por quê?

- Bem, se você quiser mesmo saber - continuo, olhando para ele -, fui arrastada pra cá pela minha melhor amiga, que provavelmente iria me chantagear se eu não viesse.

- Ah, uma dessas - ele comenta. - Já tive um amigo assim. Seis meses depois que minha noiva me largou, ele me arrastou pra um clube em Baltimore, e eu só queria ficar em casa, mas, no fim das contas, aquela noite foi exatamente o que eu precisava.

Que legal, esse cara já acha que me conhece, ou no mínimo conhece a minha situação. Talvez  tenha acertado no lance do ex ruim, mas o resto, o divórcio dos meus pais, meu irmão mais velho indo pra cadeia, a morte do amor da minha vida... não estou a fim de contar nada pra esse cara.

- E o que aconteceu naquela noite? - Pergunto, não querendo trazer o assunto para mim.

- Transei pela primeira vez desde que ela me abandonou, e lembrei como é bom se desacorrentar de alguém.

Eu não esperava uma resposta dessas.

- Entendi - digo. - Bom, pelo menos você é honesto.

- Não tem outro jeito de ser. - Ele diz, pegando outro copo e preparando uma bebida para si. - Aliás, eu sou o Blake, irmão do Rob.

Rob? Ah, tá, o dono do Underground.

Estendo a mão e Blake a aperta delicadamente.

- Solar.

Ouço a voz de Hwasa por cima da música. Viro e a vejo abrindo um caminho através do aglomerado de pessoas com Kwon Hyukwoo, que está com uma cara brava.

- O que você está fazendo aqui? - Hwasa pergunta baixinho em um tom acusador.

- Tomando um drinque.

- E você sabe quem é esse?

- Sei, o nome dele é Blake.

- É o irmão do Rob! E, puta merda, você já sabe até o nome dele! - Ela diz, rindo.

- Só estamos conversando.

- Conversar é o primeiro passo. Sorrir para ele, como vi muito bem que você tava sorrindo quando cheguei, é o passo seguinte.

- Não vai acontecer nada - insisto, séria.

- Tudo bem, vou te deixar em paz, mas se ele te levar pro terraço, vou querer todos os detalhes.

- Okay - digo, só para ela largar do meu pé -, mas isso não vai acontecer.

...

Uma hora e dois drinques depois, vou para o terraço do galpão com Blake. Estou só um pouquinho bêbada, um pouco alegre demais. Quando Blake sugeriu que a gente "fugisse do barulho um pouquinho", sirenes de alerta tocaram na minha cabeça: Não saia sozinha de uma boate depois de tomar uns drinques com esse desconhecido. Não faça isso, Yongsun. Você não é burra, então não fique burra por causa do álcool.

Todas essas coisas gritavam comigo. Eu dei ouvidos até que o sorriso contagiante de Blake acalmou tanto as vozes e as sirenes que não consegui mais ouvi-las.

Dou uma olhada para a porta de metal encravada na parede de tijolos e noto um brilho entre ela o batente. Blake deixou aberta; é um bom sinal.

O vento passa pelos meus cabelos, puxando alguns fios para a minha boca. Levanto a mão e os afasto.

- Ainda bem que fui eu que trouxe você aqui - Blake comenta. - Uma garota linda como você lá embaixo, com todos aqueles caras... - Ele vira para me olhar de frente. - Se fosse outro, você poderia virar vítima de estupro.

Agora estou completamente sóbria. Em apenas dois segundos, é como se eu não tivesse tomado nada. Inspiro profundamente, nervosa.

Onde é que eu tava com a cabeça, porra?!

- Tudo bem - Blake continua, sorrindo delicadamente -, eu nunca faria algo com uma garota que ela não quisesse, nem com uma garota que tivesse tomado alguns drinques e apenas pensasse que queria.

Acho que escapei da morte. Relaxo os ombros e volto a respirar.

- Então, me conte - ele resolve perguntar -, por que está sozinha aqui?

- Bem, tô solteira porque tive algumas experiências ruins, e não estou querendo fazer uma nova tentativa.

- Entendi. Novas tentativas são péssimas, pelo menos no início.

Quando eu ia começar a contar sobre o que realmente aconteceu, sobre Eric, ouço um pou! alto e Blake cai na laje do galpão.

Aconteceu tão rápido que não vi Loco partindo para cima dele pelo lado.

- Hyuk-Woo! - grito, enquanto ele se joga contra Blake e começa a martelar o rosto dele com os punhos. - PARA! LOCO! MEU DEUS!

Blake leva mais uma série de socos antes que eu me recupere do choque. Subo nas costas de Loco, segurando seus braços, mas ele está tão concentrado em encher Blake de porrada que sou jogada longe e bato com força o traseiro e as mãos no concreto.

Blake finalmente se levanta, depois de acertar um bom soco na lateral do rosto de Loco.

- Que porra é essa, cara?! - exclama Blake, cambaleando. O sangue corre do seu nariz e seu lábio superior está cortado.

- Você sabe que porra é essa! - Loco ruge e tenta atacá-lo novamente, mas eu entro na frente dele.

- Para com isso! A gente só tava conversando! O que deu em você?! - grito.

Eu me viro e olho para Blake.

- Desculpa, Blake, eu...

- Não se preocupe - ele desconversa, com um olhar duro de rejeição. - Eu vou nessa.

Ele se vira e sai pela porta de metal. Viro para Loco com fogo no olhar e o empurro o mais forte que posso.

- Seu babaca! Não acredito que fez isso!

- Que ideia é essa de subir aqui com um cara que acabou de conhecer? Pensei que fosse esperta, Solar!

Dou um passo para trás e cruzo os braços, furiosa.

- Tá me chamando de burra? A gente só tava conversando! - grito, e meu cabelo louro cai em volta dos meus olhos. - Sou perfeitamente capaz de diferenciar os babacas dos caras legais, e no momento estou olhando pra um puta dum babaca!

- Me chama do que quiser, mas eu só tava te protegendo.

- Do quê? - grito.

Ele sorri com desdém.

- Nenhum cara quer só conversar. Mais dez minutos e ele ia botar tua bundinha em cima daquela mesa ali no canto e fazer o que quisesse com você. Aqui em cima ninguém escutaria teus gritos, Solar.

Engulo um nó na garganta, talvez ele esteja certo. Viro as costas para Hyuk-Woo, não quero que ele veja em meu rosto algum sinal de que eu tenha acreditado nele. Estou puta da vida com o modo como ele interferiu, mas não posso odiá-lo por querer me proteger.

- Yongsun, olha pra mim, por favor.

Espero mais alguns segundos antes de me virar.

- Desculpa, é que... - ele suspira e olha para o lado - ... Solar,  não aguento imaginar você com outro cara.

Sinto como se alguém tivesse me dado um soco no estômago.

- Cadê a Hwasa? - Preciso apagar completamente esse assunto. O que foi que ele acabou de dizer? Não, não pode ser o que pareceu. Eu devo ter entendido errado.

Ele se aproxima de mim e segura meus cotovelos com as duas mãos.

- É sério. Quero você desde o ginásio.

Aí está o soco no estômago de novo. Decido me afastar.

- Não. Não. - Balanço a cabeça. - Você tá chapado? Ou bêbado? A gente precisa achar a Hwasa.

Começo a andar na direção da porta, mas sinto a mão de Loco se fechando em volta do meu bíceps e me forçando a virar.

- Não tô bêbado, e não cheiro desde a semana passada.

Pela primeira vez,  desejo que ele estivesse chapado, porque aí poderíamos esquecer o que aconteceu.

- Solta o meu braço, por favor.

Em vez de soltar, sinto os dedos dele apertando ainda mais. Kwon Hyukwoo me puxa e, antes que eu pudesse reagir, esmaga minha boca com a dele. Ele tenta enfiar a língua na minha boca, mas consigo me afastar o suficiente para dar uma cabeçada nele, que me solta.

- Solar! Espera! - Eu o ouço gritar enquanto corro e abro pela porta de metal. Antes que ele possa me alcançar, corro até o elevador e me livro dele.

Quando chego na calçada, já fora do Underground, ando até um posto da Shell e chamo um táxi para me buscar.

...

Na manhã seguinte, assim que acordo e vejo o celular, percebo a quantidade de chamadas perdidas. Seis eram de Hwasa, as outras nove eram de Loco.

Ligo para Hwasa, sabendo que teria que contar para ela sobre o que aconteceu ontem. Como eu não tinha nem coragem de falar sobre isso no telefone, marco de encontrá-la em uma cafeteria às 13h.

...

Estou bem agitada quando Hyejin aparece, e já tomei mais de metade do meu latte. Ela desaba na cadeira. Preferia que Hwasa não estivesse tão sorridente.

- Você tá com uma cara horrível, Yongsun.

- Eu sei.

- Quê? Cadê o seu famoso "obrigada" acompanhado do revirar de olhos? - Ela diz e dá uma risada.

Por favor, pare de sorrir. Por favor, leve meu comportamento a sério ao menos uma vez.

- Olha, eu vou direto ao assunto, tá?

Pronto, finalmente o sorriso começa a desaparecer.

Engulo seco e respiro fundo.

- Ontem, no Underground, eu subi até o terraço com Blake. A gente só tava conversando, mas Hyuk-Woo achou que ele estava tentando se aproveitar de mim e encheu o coitado de socos.

Ela escuta com atenção.

- Blake saiu de lá obviamente puto da vida, deixando eu e Hyuk-Woo sozinhos. E... Loco tentou me agarrar, Hwasa.

Os olhos dela se estreitam.

- Ele me beijou e veio com uma conversa de que tava afim de mim desde o ginásio.

Posso perceber que o coração dela acelerou só pela respiração curta e rápida.

- Eu quis te contar antes...

- Você é uma vaca mentirosa.

... O quê?

Hwasa se levanta bruscamente da cadeira, joga a bolsa no ombro e me olha furiosa.

Não consigo me mexer, atordoada com o que ela disse.

- Você tá afim dele desde que começamos a namorar! Acha que não percebi, nesses anos todos, o jeito que você olha pra ele?! Tá sempre tomando as dores dele e enchendo meu saco quando falo de outros caras na brincadeira. Fica longe de mim e de Loco também. - Ela põe o dedo na minha cara. - Ou juro por Deus que parto tua cara.

Ela sai andando pela porta, e, quando me recupero do choque, noto que várias pessoas estão olhando. Como isso aconteceu? Anos de amizade inseparável - eu limpei o vômito dessa garota quando ela teve intoxicação alimentar, meu Deus do céu! - e ela me descarta como pizza da semana passada.

Me sinto totalmente humilhada. Pego minha bolsa, fico de pé e saio da cafeteria.

...

Uma semana se passou desde o ocorrido. Uma semana em que tento desesperadamente falar com Hyejin, mas sempre acabo caindo na caixa postal.

Sábado fui com a minha mãe visitar o meu irmão na cadeia. Contra a minha vontade, obviamente. Durante a visita, não falei quase nada, e ele me ignorou também.

O dia em que tudo mudou foi ontem. 

Aquele formigamento no cérebro me forçou a levantar. E eu me levantei. Mandou que eu calçasse os sapatos e arrumasse uma mala com o necessário. E eu fiz tudo isso.

Não havia lógica nenhuma ou senso de propósito, a não ser que eu precisava fazer alguma coisa diferente do que estava fazendo, ou não conseguiria sobreviver. Ou acabaria como meus pais.

Desde que Eric morreu não consigo sentir mais nada. A não ser essa vontade de me libertar de tudo. Esse formigamento que me impele a obedecer. Não sei explicar, mas ele está lá e não consigo parar de dar ouvidos a ele.

Passei a maior parte da noite na rodoviária, sentada ali, esperando que o formigamento me dissesse o que fazer.

E então fui até a bilheteria.

- Pois não? - a mulher perguntou com voz neutra.

Pensei por um segundo e falei:

- Uma passagem pra Idaho, por favor.


Notas Finais


É isto gente. Agora vai começar a viagem e no próximo capítulo a Byul já aparece. Eu particularmente adoro o jeito da personagem dela e acho q combina muito com ela k


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