História Entre o amor e a razão - Capítulo 18


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Categorias A Seleção
Personagens Ahren Schreave, America Singer, Anne, Aspen Leger, Carter Woodwork, Celeste Newsome, Eadlyn Schreave, Gavril Fadaye, Kaden Schreave, Kile Woodwork, Lucy, Marlee Tames, Mary, Maxon Calix Schreave, Osten Schreave, Personagens Originais, Princesa Daphne, Princesa Nicoletta, Rainha Amberly, Shalom Singer
Tags A Seleção, Ahren, Camille, Romance
Visualizações 45
Palavras 2.138
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oiiiiiii!

Capítulo 18 - Conselhos


 

         Os dois pombinhos se separam ao notar que não estavam sozinhos, Camille havia fechado os olhos, envergonhada. Kile e Eady estavam obviamente desconcertados por terem sido flagrados.

─ Eu sabia que a implicância de vocês era só disfarce.

Comento rindo. As bochechas de Eady estavam vermelhas, ela tentava a todo custo se manter indiferente.

─ Com licença, eu tenho pendências para resolver. Vemo-nos depois.

Camille diz se retirando como uma dama.

─ Não é o que você está pensando!

Eadlyn protesta ajeitando seus cabelos. Kile fazia cara de paisagem.

─ Quer dizer que vocês não tropeçaram um no outro por acidente?

Ironizo.

─ Foi só para confirmar que não temos nenhuma afinidade.

Kile diz tentando convencer a si mesmo de sua resposta.

─ Bem, eu vou deixar vocês testarem a “afinidade” de vocês mais à vontade, com licença.

Digo com um sorrisinho debochado. Esses dois faziam teatro desde quando ainda usavam fraudas, sempre achei que iam acabar juntos depois de tanta implicância um com o outro, só não achei que fosse acontecer tão rápido. Kile é acomodado e Eady é cabeça-dura demais.

─ Tire esse sorriso. Não foi nada demais!

Eady diz tentando não parecer tão nervosa quanto estava.

─ É uma das poucas vezes que concordamos.

Kile complementa.

─ É a sua seleção, irmãzinha. Não deve explicações, divirta-se.

Respondo me retirando para deixar os pombinhos a sós. Se essa história chegasse nos ouvidos de minha mãe ou de minha madrinha, ambas iriam soltar até fogos de artifício de tamanha empolgação.

Horas depois...

Meus pais tinham funções, ritmos e temperamentos diferentes, de modo que preferiam trabalhar em lugares separados, cada um tinha seu próprio escritório. Mamãe havia mandado me chamar em seu escritório. Antes de entrar percebo que ela estava conversando com Eady.

─ Meu bem, não diga essas coisas. Eu vivia dizendo que odiava a monarquia, que nem na mais remota hipótese queria ser princesa, que jamais deixaria meu cargo na DEOE e que nem filhos queria ter. E aqui estou eu, casada com o rei de Illéa, mãe de cinco “anjinhos”, usando uma coroa no lugar de uma boina, sandálias salto quinze no lugar de minhas botas, maquiagem impecável e coberta de joias, tudo que eu não queria antes, mas hoje considero a perda da presidência um preço pequeno a pagar, você, seus irmãos e seu pai fazem com que eu me sinta imensamente feliz e realizada em todos os sentidos. As coisas mudam, filha.

─ Mas é diferente...

Eady começa.

─ Não, não é. Pare de drama que não dói tentar conhecer esses garotos, você é a princesa regente, você coordena o processo da forma como bem entender, nenhum deles é louco de fazer algo contra a sua vontade. O controle é seu.

Ouço-a dizer. Bato na porta antes de entrar. Tive vontade de dar meia volta e sair, mamãe está usando calça, sinal de que estava indignada com alguma coisa ou alguém. Tanto a calça quanto a camiseta Três Quarto eram brancas, a sandália de solto quinze que mencionara é dourada. As pessoas que dizem que branco é a cor da paz certamente não conhecem dona América.

         Ela digitava freneticamente alguma coisa no computador, os cabelos estavam presos em um coque pouco elaborado. Eadlyn folheava alguns papéis.

─ Acho que Kile esteja desocupado no momento.

Brinco. Eady me ameaça com o olhar.

─ Terão muito tempo para provocarem um ou outro depois. E concordo que Kile seja uma ótima opção. Mas, agora quero os dois apresentando as notícias no Jornal Oficial. Maxon está em reunião e eu quero ver pessoalmente cada segundo gravado pelas câmaras de segurança no dia do baile, além de ter uma conversinha com Camille. Portanto, estou lhes passando minha agenda de hoje, podem se divertir.

Ela decreta dando uma prancheta para cada um de nós. “Sabia que lá vinha bomba”. Não pude evitar certo nervosismo quando ela disse que queria conversar com Camille, mas como minha mãe não faz rodeios, creio que a tal conversa seja apenas sobre a guerra.

■■■

Minutos depois

 

─ Vossa majestade mandou me chamar?

Pergunto tentando desvendar o que a rainha queria comigo, sei que ela e minha mãe haviam passado horas em teleconferência, então não fazia sentindo me chamar também, uma vez que todas as decisões são tomadas por minha dona Dafne e não por mim.

─ Sim, sente-se.

Ela pede. Acomodo-me de frente para ela. A rainha demostrava uma mistura de preocupação com ansiedade. Como se apesar de entender a gravidade da situação se divertisse calculado como moveria as pedras do tabuleiro. Ela digitava algo no computador.

─ O que vossa majestade e minha mãe decidiram?

Pergunto. Ela olha diretamente para mim pela primeira vez desde que eu entrara no escritório.

─ Como creio que você já saiba, tive uma longa reunião com Dafne algumas horas atrás. Receio que essa reunião não tenha sido produtiva. Desculpe a sinceridade, mas sua mãe é muito cabeça-dura. Eu não conheço você o suficiente para notar grandes diferenças entre você e ela, no entanto, creio que como futura rainha você deva saber com o que irá lidar.

Ela diz voltando sua atenção para o computador, seja lá o que fosse que ela estivesse fazendo com o aparelho, certamente não queria perder nenhum detalhe.

─ A rainha está me deixando curiosa.

Comento.

─ Quero destacar alguns pontos. Primeiro: Os russos não tardaram a bater em retirada, eles estão perdendo batalha sobre batalha, não tardaram a estiar a bandeira da paz.

Minha alegria ao ouvir isso foi imensurável, no entanto, sabia que ela tinha mais pontos a destacar.

─ Isso é bom.

Respondo.

─ Sim, mas não comemore ainda. Vamos para o segundo ponto: Para reconstruir um país com eficiência, é bom que se saiba como ele entrou em declínio. Muitas pessoas tendem a achar que a tomada de poder através de um golpe ou revolução armada seja efetivo, não é, muito pelo contrário. Quando se faz isso é questão de tempo até a população se organizar e revidar, já que eles não estão em suas zonas de conforto, não lhes é viável aguentar algo assim.  A forma perfeita para se deixar um país de joelhos não é um ataque ou revolução direta, é destruindo de dentro para fora, contamine as escolas, assole a cultura, destrua os pilares da sociedade aos poucos, quando você tiver tudo isso em suas mãos, aí sim, é hora de atacar, se fizeres isso verás o quão bem a técnica do “dividir para governar” funciona, está criada a ditadura quase perfeita. Uma na qual a população fique tão dividia ao ponto de ser praticamente impossível que se unam e deponham o governo, o chefe de Estado terá todos esses singelos peões em suas mãos. A Nova Ásia é um ótimo exemplo disso. Entende por que estou te dizendo isso?

─ Creio que porque ache que a Rússia não é o único grande problema da França. Falando em Nova Ásia, eles ainda não tiveram grandes progressos, né?

─ Analisando as circunstâncias em sua totalidade até que eles progrediram um pouco. Como percebes, o que eu lhe falei agora há pouco é o modelo quase perfeito. Se Quon não tivesse desafiado outros países, principalmente Illéa, eles continuariam no mesmo sistema, foi preciso uma intervenção internacional para que os cidadãos contrários ao governo pudessem se organizar e derrubar o imperador. Ainda assim, o país continua dividido. Admiro muito a imperatriz Elise, não é qualquer um que tem um psicológico forte o suficiente para aguentar toda a pressão que ela suporta ali dentro. Resumindo. Teve que ser de fora para dentro, do contrário eles ainda viveriam em uma sangrenta ditadura. Por isso digo que é o modelo QUASE perfeito.

Ela explica.

─ Vossa majestade está insinuando que a França caminha para isso?

─ Estou afirmando. Sei que não é essa a intenção de sua mãe, afinal ela é uma rainha absolutista, o poder já é todo dela, pelo menos em tese. Mas, a verdade é que ela foi conivente com o processo, confiou demais em quem não deveria, pessoas com ideias perigosas disfarçadas de democratas entraram na política de vocês, Dafne deu poder a elas ao invés de expulsá-los. Achou que estava agindo democraticamente, mas uma coisa é ouvir os anseios da população, outra é ouvir as ideias tendenciosas de uma minoria histérica. O resultando é uma eminente guerra civil.

Minha mãe escondeu bastante coisa, achei que era porque ela ainda não me via como adulta e não confiava em mim para saber dos detalhes, mas agora percebo que é porque ela não queria que eu soubesse os tais detalhes, deve ter achado que poderia consertá-los logo, ao menos antes de me entregar a coroa. Eu sabia que as coisas estavam ruins, só não imaginei que estivessem TÃO ruins.

─ A senhora é uma rainha adorada, pelo que vi aqui vocês são aprovados pela grande maioria da população, ainda não vi nenhum protesto ou reivindicação. Como consegue?

Pergunto. De fato, desde que cheguei a única coisa desagradável que presenciei foi a invasão ao castelo, mas essa tinha sido coordenada pelos russos em retaliação ao apoio de Illéa a nós. Eles queriam dados, provavelmente para reverter o desfecho da guerra.

─ Ninguém agrada gregos e troianos, Camille. Entender isso já é um grande passo. Eu sou a favor da liberdade de expressão, não censuro nem mesmo os canais, revistas, jornais, sites e etc, que me criticam ou satirizam, e acredite há um número consideráveis deles. O meu problema é com ideologias muito extremistas, digamos assim, que distorcem conceitos básico e fundamentais como ética e moral, certo e errado. Esses eu corto as asinhas de imediato se ousarem a se meter na política. Mas, não é todo mundo que gosta ou mesmo me tolera como rainha. Muitos nobres e até mesmo militares me odeiam por ter estragado o joguinho deles.

Fiquei surpresa com essa resposta. Eu não havia visto as tais críticas e sátiras.

─ Como assim?

Pergunto. Ela dá um sorrisinho nostálgico.

─ O simples fato de eu existir já é uma afronta muito grande para certas pessoas. No governo de Clarkson a monarquia e a DEOE simplesmente se odiavam, era um jogando a responsabilidade para o outro. Alguns oportunistas, de ambos os lados, se aproveitaram dessa situação. A taxa de corrupção na DEOE era bem pequena, mas existia, na nobreza o esquema era bem maior e não havia punições já que Clarkson os acobertava, coisa que o presidente não fazia. A estratégia era simples, fazer que a DEOE fosse desacreditada pelo povo, o exército era a única coisa que impedia meu sogrinho de ter o poder absoluto, uma vez que o parlamento já lhe pertencia. Como eu sou ex-militar e vim de uma longa linhagem de militares, tenho apoio da maior parte do exército. Fui responsável direta pela resolução das desavenças entre exército e monarquia. Para tal, entreguei todos os dados da DEOE para Maxon e todos os dados da monarquia para Aspen, funciona assim até hoje. Mantendo a transparência assim como manda a Constituição.

Ela explica enquanto seus dedos correm velozes pelas teclas do computador.

─ Entendo. Mas, se a senhora estivesse em meu lugar, o que faria?

Pergunto calculando como fazer para sair do fundo do poço. Minha mãe é teimosa, mas talvez eu consiga fazê-la mudar de ideia.

─ Primeiramente, mandaria todos os seus conselheiros para a estratosfera. São um bando de incompetentes. Depois seria a vez de averiguar a situação do exército, você precisa tomar muito cuidado com quem confia. Não dê asas às cobras. Em seguida, admitiria que errei e explicaria a real situação para a população e proporia um plebiscito. Eu particularmente, não acho a Monarquia Absolutista viável nos dias de hoje, mudaria para a Constitucional, é mais fácil de lidar e o povo tem mais segurança. Eles enfraqueceram as bases francesas, a confusão será grande, reúna personalidades influentes, as que estiveram do se lado, óbvio, de preferência filósofos, sociólogos, intelectuais em geral, de resto, paciência.

A palavra “paciência” parecia engraçada quando era proferida por América. Começo a pensar em seu conselho.

■■■

─ Ahren Schreave corrigindo planilhas sem reclamar e ainda de brinde com um sorriso no rosto? Está aí uma coisa que não se vê todos os dias...

Papai esnoba ao entrar no próprio escritório.

─ Estou de bom humor.

Respondo.

─ Posso saber o que o está alegrando tanto?

Ele pergunta. Penso em uma desculpa qualquer para não ter que dizer o nome de Camille.

─ O curso de tiros. Estou ansioso para começar.

Minto. Ele fixa seus olhos em mim.

─ É só isso mesmo?

Ele insiste.

─ O que mais seria?

Tento desconversar.

─ Não sei... Talvez uma bela moça de cabelos louros brilhantes, com um belo par de olhos azuis, que sempre aparenta estar de bom humor e que coincidentemente se encontra neste castelo. Acertei?

...

 

 


Notas Finais


Gostaram?
Maxon é tão "despercebido" né? kkkkk


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