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História Entre o céu e o inferno - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Chicletando


Após a chegada à minuscula cidade, chegou também o primeiro dia de aula. Seu novo colégio nada mais era que uma casa dividida entre dois comodos para as salas de aula, um banheiro e uma cozinha improvisada. A pequena área gradeada em frente a  casinha amarela era utilizada como pátio, onde os alunos se revezavam em suas atividades recreativas. O portão era sempre aberto aos intervalos, possibilitando que qualquer um entrasse ou saísse. 

 A quantidade de alunos que já deveriam estar em outras séries era muito grande. Havia ali um adolescente já na casa dos seus 16 anos, sendo lecionado no "colégio" apenas a 4° série.

 Na primeira semana de aula, seu pai a levou à porta do "colégio". 1 Km sempre percorrido com o sol da manhã aquecendo as costas. A mochila já não trazia muitos livros, apenas o caderno e um estojo com alguns lápis.

 Em uma das aulas de portugues, diante de uma duvida sobre o porque utilizamos "eles estão aqui" ao invés de "elas estão aqui" quando nos referimos a um grupo de pessoas, mesmo que hajam garotas, a resposta da professora foi um simples:

-Por que deus criou primeiro os homens!!

Obviamente que não é por isso, e May sabia. Coisas que ela tinha aprendido nos primeiros meses da 4° série em São Paulo, seriam ensinados, naquela cidadezinha, na 7°  série.

 Quando seu pai finalmente a deixou ir sozinha ao colégio, para que ele pudesse começar a trabalhar na roça com o filho mais velho, e enquanto sua mãe se ocupava das tarefas de casa , May , ainda nova e meio alienada, tinha em seu íntimo o medo de se perder.

 Ora, tudo para uma criança parece dez vezes maior. Mesmo depois dos primeiros dias, ela sempre entrava em uma ou outra rua errada. Foi então que ela teve uma ideia "genial": Comprado alguns Bubbaloo's, a jornada se resumia a mastiga-los até acabar o sabor (o que acontecia em questão de segundos, sobrando só uma massa amarga e uma lingua colorida) e depois colar em algumas paredes para marcar o caminho.

 Durante 3 dias, a técnica foi perfeita e tudo ia de vento e popa. Mas seus pais acabaram comprando uma casa mais próxima do "colégio", facilitando a vida da garota. Com o dinheiro restante na poupança, seu pai realizou um dos sonhos dele: Comprar um carro.

Era um carro de 2 portas, usado. Na cor azul e de um modelo antigo, o carro foi usado para transportar, na maioria das vezes, as frutas que Eduardo colhia no terreno do seu pai. Eduardo, que nunca havia pego em um volante de carro, foi ensinado por um de seus irmão à dirigir, em um campo de futebol, com traves sem redes, descoberto e sem grama. Ali, não era raro ver pessoas se machucando, o que divertia May.

Rir da desgraça alheia, principalmente daquelas pessoas que não gostamos, sempre foi o passatempo mais usado da humanidade. Embora muitos morram jurando de pés juntos que não fazem isso, a verdade é que o fazem em seu íntimo, pois esse comportamento está ligado à natureza humana assim como a raiva, o amor ou qualquer outro instinto de sobrevivência !!!



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