1. Spirit Fanfics >
  2. Entre o Desafio e a Consequência >
  3. Um passo de cada vez.

História Entre o Desafio e a Consequência - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


Hello people, como estão? 🤩

Eu estou boa e bonita 🤭

Bom, eu não pretendia postar um capítulo hoje mas eu sou muito ansiosa e já que estava pronto, por que deixar vocês esperando não é mesmo?

Nesse capítulo fiz a citação de algumas músicas. Eu deixei o link no final do capítulo com o vídeo das músicas junto com a legenda/tradução. Gostaria que vocês olhassem, para entender o que os personagens estão dizendo um para o outro. (Mas ninguém é obrigado a olhar tá? Dá para entender tudo sem as músicas também.)

Enfim, boa leitura 😘❤️

Capítulo 8 - Um passo de cada vez.





Nem preciso dizer que depois da nossa aventura da madrugada, passei o dia morrendo de sono. Só deu tempo de dormir por uma hora antes de acordar de novo e ir para o campus, e ainda cheguei atrasado. Queria muito poder faltar aquele dia para hibernar na minha cama mas estava próximo das férias e consequentemente das provas, eu não podia arriscar. Enchi a cara de cafeína para conseguir suportar as aulas mas não estava adiantando muito. Eu parecia um zumbi perambulando pelos corredores da Universidade, mas um zumbi feliz, eu poderia dizer.

Hoseok disse que ficaria com Yoongi no outro bloco, então na hora do intervalo busquei mais dois copos com café e fui até a laranjeira me encontrar com Jimin, porém quando eu estava quase saindo do refeitório, Nina se materializou na minha frente parecendo um fantasma de vestido rosa. Quase morri de susto.

– Oi Jk. - Ela jogou os braços ao redor do meu pescoço toda sorridente. Atrevida e linda como sempre.

– Ah… oi Nina. Você me assustou. - Tentei ajeitar os copos com café para que eles não derramassem e eu me queimasse, ou queimasse a macaquinha que adorava se pendurar em mim.

– Ainda estou esperando a sua ligação até hoje. - Nina sorria de modo travesso e eu me remexi para que ela tirasse os braços do meu pescoço.

– Estou andando muito ocupado. As provas estão aí, estou estudando muito para passar e ganhar uma viagem do meu pai.

– Hum, que excelente incentivo ein. - Ela finalmente tirou os braços do meu pescoço. Não que eu me importasse com aquilo, mas eu estava com pressa e… tem hora para tudo né, até para ser incoveniente.

– É, verdade. Eu preciso ir, tem uma pessoa me esperando. - Comecei a andar mas ela se colocou no meu caminho mais uma vez. Excesso de sono me deixava com um péssimo humor também.

– Espera. Quero te falar uma coisa. - Eu parei e suspirei exasperado. - Daqui há algumas semanas vai ser meu aniversário e vou fazer uma festinha particular, só para pessoas chegadas, e eu queria que você fosse. 

– Ah legal. - Bom, eu gostava de festas, mas imediatamente me lembrei de um loirinho de sorriso lindo. Dessa vez eu queria fazer alguém se divertir além de mim mesmo. - Posso levar algum dos meus amigos?

– Claro, pode sim. Quer dizer, menos aquele garoto que estava com você no sábado. Eu não vou com a cara dele. - Ela fez um cara de… nojo, eu acho. Perdi o sorriso lentamente. Meu raciocínio estava tão lento que custei a entender de quem ela estava falando.

– Está falando… do Jimin?

– É, do aluno de Artes. Aquele cara é tão esquisito que uma amiga que é colega dele me contou que o professor dividiu duplas para fazer um trabalho em sala de aula, e ele não quis fazer dupla com ela de jeito nenhum. Aquele arrogante.

– O quê? Como assim? - Aquele assunto com certeza chamou a minha atenção. Até a minha sonseira de sono me deu um tempo.

– Isso mesmo que ouviu, e quando o professor disse que ele perderia os pontos do trabalho se não aceitasse fazer em dupla, ele simplesmente saiu da sala ignorando o professor completamente. Que cara mais idiota.

Naquele instante senti meu sangue ferver. Tenho certeza que minha expressão se transformou quando ouvi Nina falando mal de Jimin. Eu sei que eu já falei mal dele, mas ouvir outra pessoa falando… não, não rolava não.

– Nina você não deveria falar mal de quem não conhece. O Jimin é uma pessoa incrível, ele tem seus motivos para ser assim.

– Ah é? - Ela cruzou os braços e fez uma linda cara de deboche. - Ele pensa que é quem? Melhor do que os outros alunos para fazer o que quiser? Por acaso ele tem algum privilégio que eu não sei? 

– Eu tenho certeza que ele não se acha melhor que ninguém, é que…

– Acha sim. - Ela me interrompeu. Tinha ódio em sua expressão e sua língua estava pingando veneno. - Esse garoto vive de nariz empinado. Ele nem olha para ninguém e vive ignorando as tentativas das pessoas de se aproximarem dele. Essa amiga minha ficou super chateada porque ele se recusou a fazer dupla com ela e a garota é muito legal, e aliás, a idiota estava gostando dele, se sentiu rejeitada. Eu fiquei o observando desde segunda-feira e ele não passa de um garoto mimado, arrogante e prepotente. Não sei como uma pessoa incrível como você consegue andar com gente assim.

– Para com isso Nina! - Eu ordenei mas ainda consegui deixar a voz baixa para não chamar a atenção. Não queria um escândalo e nem ser grosso com ela, mas também não ia deixar ela fazer aquilo com Jimin, principalmente quando ele não estava presente para se defender. - Você não conhece o Jimin, não sabe nada sobre ele.

– E você sabe? - Opa! Ela me pegou. Pensei por alguns instantes e concluí que sabia muito mais que ela.

– Sei o suficiente. Sei que ele precisa de tempo e que as pessoas o respeitem. Se não gosta dele então se afaste e… quer saber? Não vou perder meu tempo com você, ele está me esperando. - Me virei e comecei a me afastar o mais rápido que minhas pernas longas permitiam.

– Jungkook, volta aqui… - Escutei Nina gritando mas não parei. 

Ora essa! Era só o que me faltava, alguém vir falar mal do Jimin para mim, logo para mim. Que palhaçada. Mas somente depois de me afastar eu me lembrei que a mãe de Jimin esteve com ele no campus no dia anterior, e ele estava chorando na segunda-feira. Talvez o motivo fosse esse problema que a Nina contou. Sei não. Não parecia um bom motivo para o deixar chorando daquele jeito.

Bom, não importa. Jimin vai me contar se quiser, ele está se abrindo por conta própria e isso me deixa mais aliviado.

Respirei fundo e tentei me recompor. Não sei o que Nina queria com aquilo mas uma coisa ela conseguiu, me deixar ainda mais cansado.

Quando vi Jimin sentado sob a laranjeira abri um sorriso. Estava bem arrumado como sempre, os cabelos impecáveis e eu, largado como sempre. Acho que nem penteei os cabelos naquele dia. Éramos muito diferentes no jeito de vestir.

– Oi. - Cumprimentei e já me sentei ao seu lado. Jimin tirou os olhos do seu celular e sorriu para mim.

– Oi. 

– Trouxe um café para você. - Lhe entreguei o copo e tomei um gole do meu.

– Hum, obrigado. - Jimin sorriu mais uma vez e tomou um gole do café, mas imediatamente começou a tossir espirrando o líquido para todo lado.

– O que foi? Está muito forte? - Ele ria enquanto enxugava a boca com as costas da mão.

– Está forte e sem açúcar. Desculpa, eu não consigo tomar assim. - Eita. Para mim estava perfeito.

– Bom saber, da próxima vez eu trago certo. - Eu peguei o copo de sua mão e derramei o resto do líquido negro no meu copo. - Você gosta então de café doce e fraco.

– É. Desculpa, você foi muito gentil em trazer, mas eu realmente não consigo. - Ele parecia constrangido, seu sorriso era tímido. Como Nina podia não gostar de alguém como Jimin? Ele era tão doce.

– Não tem problema, café é tão pessoal quanto roupa íntima. - Ele riu da minha declaração. Enquanto tomava o meu café, eu observei o seu rosto e só depois percebi que ele estava com fones nos ouvidos. Ele também estava com cara de sono, é claro, mas Jimin ainda dormiu um pouco mais que eu. - Acha que vai passar nas provas? Você chegou no fim do semestre.

– Eu já estava bem avançado na outra cidade onde eu morava. Acho que não vou ter problemas. - Ele começou a ajeitar meus cabelos distraidamente com as pontas dos dedos. Devia estar um verdadeiro ninho de passarinhos.

– Uau, que garoto inteligente. - Jimin começou a rir e deixou meus cabelos para me cutucar de leve nas costelas. Estava bem sorridente e isso era ótimo. - Hoje eu vou precisar dormir, mas amanhã eu vou ficar na biblioteca para estudar um pouco. Se quiser me fazer companhia.

– Eu vou ver se… eu posso. Quer dizer, vou… - Ele ficou visivelmente desconcertado, mas eu sabia o motivo.

– Você tem que falar com sua mãe primeiro?

– Sim, isso. Para não ter conflitos entende? Ela me busca quando está na cidade e eu preciso saber se ela pode me buscar mais tarde que o normal. - Balancei a cabeça positivamente e abri um sorriso. Meus olhos estavam muito pesados de cansaço, mas eu pude reparar naquele instante que Jimin me olhava com muito carinho. Acho que estava refletindo o meu próprio olhar.

– Eu poderia te levar em casa mas… 

– É, mas. - Nem precisava de palavras para saber que eu não podia, pelo menos não enquanto a mãe de Jimin estivesse na cidade. - Quer ouvir música? - Ele tirou um de seus fones sem fio e me ofereceu. Acho que notou que eu estava péssimo para conversas.

– Quero. - Na verdade eu preferia mesmo conversar com o loirinho, mas estava com muito sono então peguei o fone e o coloquei no ouvido, também curioso para saber que tipo de música Jimin ouvia.

Eu reconheci a música imediatamente. Se chamava Angel by the Wings da Sia. Devo dizer que essa música era mesmo a cara de Jimin, e bom, eu também gostava dela e da cantora, o baixinho tinha bom gosto.

– Eu gosto dessa música. - Comentei sonolento.

– Eu também gosto.

Ele se achegou um pouco mais à mim e deitou a cabeça em meu ombro. Eu deixei meu rosto descansar no alto de sua cabeça e fechei os olhos. A melodia e o perfume dos cabelos de Jimin me embalaram e rapidamente caí no sono, mas antes disso, eu pude ver Nina com uma amiga nos observando de longe. Ou será que foi só um sonho?



[...]




– Jungkook, acorda! - Senti duas mãos em meu rosto. Os dedos quentinhos tirando os cabelos dos meus olhos.

– Hum? - Abri as pálpebras devagar e vi um Jimin desesperado na minha frente. - O que foi?

– Nós dormimos e o sinal já tocou. Estamos atrasados, vamos.

– Ah, nossa. - Eu me levantei e peguei o copo de café, que aliás, tinha derramado completamente na grama. 

– Você tem um sono muito pesado. Custei a te acordar. - Ele riu e eu acompanhei.

– Meus amigos falam a mesma coisa.

Devolvi o fone para Jimin, joguei o copo no lixo no caminho e nós dois corremos em direção às salas de aulas. Todo mundo já tinha entrado.

Quando chegamos no corredor eu segurei o braço de Jimin antes que ele virasse na direção contrária. 

– Tem… algum jeito de te ver hoje? Depois das aulas?

– Ah… não, eu sinto muito, eu… estou me arriscando muito. 

– Tá, está bem. - Eu soltei o seu braço e cocei a cabeça. Você precisa dormir Jungkook, deixa o garoto descansar também, eu disse a mim mesmo.

Ele notou que eu estava decepcionado, mas eu compreendia a situação, é claro. 

– Minha mãe vai viajar de novo em breve. Tem um evento que ela vai precisar passar alguns dias então… eu te aviso. - Jimin sorriu e eu toquei o seu queixo de leve com o dedão e o indicador.

– Ok. - Ele se afastou com aquele sorriso lindo e eu fui para minha sala. Seria uma tarefa árdua não dormir, eu estava morto.



Ao chegar em casa depois das aulas, tomei um banho e capotei na cama. Dormi imediatamente e sonhei com cabelos loiros, árvores laranjeiras e café, a noite toda. E uma cobra, também tinha uma cobra intrometida no meu sonho.




[...]





No dia seguinte eu acordei bem mais cedo que o normal. Mas também, eu dormi umas doze horas seguidas, deu para recuperar bem a noite de sono perdida. Vesti moletons, calcei tênis, coloquei os fones de ouvido e fui correr um pouco antes de ir para o campus. Estava cheio de energia.

Passei em um mercado na volta e comprei coisas para o café da manhã e chocolates. 

Quando voltei para casa e entrei na cozinha, dei de cara com Yoongi e Hoseok se pegando, ali mesmo na cozinha. Mas não era "pegando", era "PEGANDO", com direto à esfregada e mão na bunda. Quase morri de ataque no coração.

– Ei, vocês não têm quarto não? E tem que se pegar uma hora dessas? Eu ein, que tarados. - Eu resmunguei enquanto colocava as coisas em cima da mesa.

Meus amigos trocaram um olhar cúmplice e uma risadinha antes de se soltarem. Estavam com cara de quem estava tramando alguma coisa.

– Bom dia Jk. - Eles disseram em tom sarcástico.

– Bom dia seus safados sem vergonha. 

Escutei a risada deles enquanto eu me sentava para comer. Yoongi já tinha feito o café então me servi, tirei os fones dos ouvidos e desbloqueei o celular enquanto enfiava uma rosquinha na boca.

Respondi algumas mensagens da minha mãe e do meu pai, mas meu coração disparou quando vi uma mensagem de Jimin da noite anterior, por volta das onze horas. 

Tinha um link de uma música e uma pequena mensagem.


JM: Link//Rainbow//Sia

Tenha uma linda noite, sonhe com os anjos.


– Jk. Está tudo bem? - Ouvi a voz de Yoongi e as risadas de Hoseok. Pisquei os olhos várias vezes. Somente naquele instante percebi que eu estava de boca aberta encarando o celular.

– Ah estou, fica na sua. - Continuei mastigando mas não consegui impedir que um sorriso gigantesco surgisse em meu rosto.

Abri o link da música e coloquei os fones de novo. Era uma música da Sia chamada Rainbow. Ouvi a letra atentamente pois se Jimin me mandou o link, era porque queria me passar uma mensagem com a música. E de fato era uma mensagem, de superação. Talvez por causa das coisas que lhe contei sobre minha família. 

Acho que Jimin tinha problemas maiores e estava me ajudando a superar os meus. Ele era mesmo muito precioso.


JK: Não preciso sonhar com os anjos, sonhei a noite toda com você. Bom dia!


Eu respondi bastante atrasado, mas bastante sincero também. Jimin já era um anjo, um anjo muito doce e gentil, e mal compreendido.

– Por que você não pára de sorrir ein? Tá escondendo alguma coisa da gente. - Dessa vez foi o Hobi quem falou. Revirei os olhos e guardei o celular antes que eles vissem minhas conversas.

– Os pescoços de vocês estão cheios de chupões grotescos. Deveriam tomar conta da vida de vocês. - Eles voltaram a rir, estavam bem animadinhos aquele dia. Certeza que ia ter barulho no quarto deles a noite toda.



[...]




Consegui aproveitar bem melhor as aulas daquela quinta-feira, eu só estava muito ansioso para chegar logo o horário do intervalo. Durante uma das aulas eu peguei meu celular escondido por baixo da carteira e mandei uma mensagem para Jimin.


JK: Te encontro na laranjeira de novo?


Não demorou muito e a vibração do celular anunciou uma nova mensagem chegando.


JM: Oi, bom dia! Me desculpe mas preciso resolver uma questão com um professor sobre uma coisa que aconteceu na segunda-feira e vou aproveitar o intervalo para isso. Nos vemos depois, desculpa.


Ok. Ele estaria ocupado. Tudo bem, eu acho.


JK: Sem problema. Nos vemos depois então ^_^


Para quem mesmo eu estava tentando mentir? Ah, para você mesmo Jeon Jungkook. Idiota!

Respirei fundo e guardei o celular novamente com um bico do tamanho do mundo na cara.



[...]



No final das aulas fui para a biblioteca. Minha intenção era estudar mas como eu estava bastante enérgico, não consegui me segurar quando vi uma bagunça na sessão de livros didáticos. Peguei a escada e comecei a arrumar.

Estava cantarolando, bem distraído com meu trabalho quando escutei um pigarro bem próximo de mim. Olhei para baixo e abri um sorriso quando vi quem era.

– Jimin.

– Oi. - Ele me olhou com curiosidade, de cenho franzido. - O que faz aí em cima?

– Hum… - Olhei para a escada e para os livros que eu arrumava. - Eu trabalho aqui. - Vi a expressão de Jimin se tornar confusa. - Quer dizer, eu trabalho aqui como voluntário. - Deixei os livros no lugar e desci as escadas. - Meu pai não me deixa trabalhar para não me tirar o foco da faculdade então eu ajudo aqui como voluntário. Não gosto de me sentir inútil. - Dei de ombros.

Jimin balançou a cabeça concordando enquanto sorria. Parecia impressionado e é, eu fiquei me sentindo.

– Isso é muito legal da sua parte.

– É, e obrigado pela música de ontem. Eu amei, de verdade.

Jimin sorriu tímido e balançou a cabeça positivamente. Olhou para o chão e voltou a me olhar novamente.

– Você quer estudar? Eu… não tenho muito tempo.

– Ah sim, vamos. Só um instante. - Levei a escada para o seu lugar e peguei as minhas coisas no canto onde deixei. Depois acompanhei Jimin até uma das mesas. - Conseguiu convencer sua mãe a ficar um pouco mais?

– Bom, ela foi ao salão de beleza e disse que eu poderia ficar durante o tempo em que ela estivesse lá, então… - Jimin deu de ombros. Nos sentamos nas cadeiras que rodeavam a mesa. - vamos aproveitar porque ela vem me buscar daqui a pouco.

– Está bem. - Tirei meu livros de dentro da mochila e ele fez o mesmo, e também tirei uma coisa que comprei durante a manhã e não havia tido oportunidade de lhe entregar. - Trouxe pra você. Não sei se gosta.

Jimin arfou e sorriu imenso quando viu a barra de chocolate.

– Se eu gosto? Tá maluco? Eu adoro. - Comecei a rir de sua empolgação. Ele parecia uma criança fofa ganhando doce. Não podia julgar, eu ficava muito pior. - Obrigado. 

– De nada. - Abri a minha barra e ele abriu a dele. - O que vai estudar?

– Tenho um trabalho extra sobre Arte Moderna que preciso entregar amanhã depois do intervalo. Vou passar a noite trabalhando nisso e não sei se vou conseguir terminar a tempo.

Me lembrei do que Nina me disse no dia anterior sobre um problema com trabalhos em dupla relacionado à Jimin. Teria algo a ver?

– Você disse que ia conversar com um professor sobre um problema que aconteceu na segunda-feira. Está tudo bem? - Eu perguntei tentando parecer casual.

– A sua amiga te contou? - O olhei imediatamente mas Jimin parecia relaxado comendo o chocolate e folheando o seu livro.

– Que amiga?

– Aquela de sábado, que estava com você quando eu cheguei no parque. Acho que é Nina o nome dela.

Engoli em seco. Já me sentia nervoso. O que Nina aprontou dessa vez?

– O que tem a Nina?

– Ela me procurou para tirar satisfação porque eu não quis fazer dupla com sua amiga no trabalho de Arte Moderna.

– O quê? - Senti meu coração disparar no peito. Um instinto de proteção se apoderou de mim imediatamente. - O que ela disse? Ela maltratou você?

– Eu não sei, porque eu tampei os ouvidos e a deixei falando sozinha. 

Eu não acredito que Nina fez aquilo. Percebi que Jimin tentava parecer indiferente mas suas mãos estavam trêmulas. Peguei a sua mão livre e a segurei, então finalmente ele olhou em meus olhos e pude ver lágrimas discretas se formando.

– Jimin, me conta o que aconteceu. Conversa comigo, por favor.

Ele pensou por alguns instantes mas acho que dessa vez ele precisava mesmo conversar.

– Eu não quis parecer rude com a menina, ela tentava ser gentil comigo mesmo eu não dando moral, mas acabou saindo rude porque… algumas situações me deixam muito desconfortáveis e ansioso. - Ele começou a desabafar, como se quisesse se livrar de algum peso, e eu o escutei atentamente. - Eu… eu estou me tratando para me recuperar de um transtorno de ansiedade social e… - Caramba! - estar em uma Universidade já é um grande avanço para mim. Eu fazia faculdade à distância e já estava até mais avançado do que as aulas que tenho aqui mas… mas eu quero melhorar, nem que seja aos poucos. - Jimin respirou fundo e expirou lentamente, tentando se recompor. Eu apenas apertei a sua mão para lhe mostrar que eu estava ali. - Foi difícil convencer a minha mãe porque ela acha que as pessoas vão me machucar de novo, mas… eu preciso pelo menos tentar. - Ele parou de falar, pensou por um instante e mordeu um pedaço do chocolate.

Transtorno de ansiedade social. Cara, isso explicava muita coisa.

– Foi por isso que estava chorando na segunda-feira?

– Não. - Ele balançou a cabeça em negativa para enfatizar. - Eu tive um problema no final de semana com a minha mãe. 

– E… foi por causa desse problema na aula que sua mãe veio aqui na terça-feira? - Jimin me olhou com curiosidade, como se perguntasse "como sabe que minha mãe veio aqui na terça-feira?". Mas logo sua expressão se suavizou, ele devia saber que eu o observava.

– Sim. O professor não foi avisado de algumas coisas a meu respeito, ou talvez não se interessou. Teve uma pequena discussão na sala e ele me mandou para a diretoria, porque pensou que eu não aceitei o trabalho em dupla por desacato. Minha mãe veio conversar com o diretor e… somente hoje o professor aceitou que eu fizesse o trabalho individual, mas me passou outro trabalho extra… acho que para me mostrar quem manda. Ele ficou com raiva e… meus colegas também.

– Que filhos da puta! - Senti a raiva subir de forma irracional, me senti impotente de novo. Por que estavam sendo tão injustos com Jimin? Onde estava a droga da empatia?

– Não fale assim. As pessoas não têm culpa dos meus problemas e não são obrigados a saber de tudo. Além do mais… todos pensam que o fato de eu ser um garoto, me fazem ser imune a certos tipos de coisas mas… quem me dera. - O encarei incrédulo. Eu queria socar a cara das pessoas que foram insensíveis com ele e Jimin estava os defendendo? Mas sua expressão estava tão assustadora que eu não me atrevi a dizer nada. -  Não quero que tenha pena de mim e não quero que fale com a sua amiga sobre isso. Apenas esqueça eu… só queria desabafar um pouco, mas está tudo bem. Isso não é nada em comparação aos problemas que eu tenho em casa.

Notei que ele começou a ficar nervoso de novo, da mesma forma que ele fica quando me conta  alguma coisa muito pessoal. Agora eu podia entender melhor porque ele tinha tanta dificuldade em se aproximar das pessoas, em fazer amigos ou conhecer os meus próprios amigos, mesmo sabendo que eram pessoas legais.

– Está tudo bem, não se fala mais nisso, mas… saiba que pode contar comigo.

Jimin balançou a cabeça positivamente enquanto sorria, a expressão bem mais leve.

– Você foi a primeira pessoa que não se intimidou com minhas tentativas de me manter afastado do mundo. É muito corajoso. - Ele começou a rir e eu também, mas confesso que estava pensando nos motivos para Jimin ter desenvolvido fobia social, e porque sua mãe teria medo das pessoas lhe machucarem… de novo.

– É, sou mesmo. Você fica assustador quando está bravo. - Jimin riu novamente e depois mordeu outro pedaço de sua barra de chocolate. 

Como eu queria fazer algo para o ajudar. Mas o que eu poderia fazer?

– Vamos estudar, não temos muito tempo. - Ele soltou minha mão e se concentrou em seu trabalho. Também me concentrei em meus estudos e terminei de comer a minha barra de chocolate.

Depois de mais ou menos trinta minutos o celular de Jimin tocou. Ele atendeu e respondeu um "ok, estou indo", depois guardou o celular novamente.

– Eu preciso ir, minha mãe veio me buscar. - Jimin começou a arrumar as suas coisas e eu comecei a arrumar as minhas também.

– Ok. Eu vou estudar em casa também. Hum… você pode vir amanhã de novo?

– Eu tenho terapia amanhã depois da aula. Desculpa.

– Tá, tudo bem. - Abri um sorriso mas ele parou e ficou me observando, de uma forma muito enigmática. Depois se levantou e colocou a mochila no ombro. - Vou te acompanhar até o portão.

– Ok.

Fomos em silêncio. Já era noite e o clima estava mais frio. A turma noturna já estava chegando portanto o campus estava abarrotado de gente. Quando estávamos próximo do portão, Jimin pegou o meu braço de repente e me puxou para a sombra de um carvalho que tinha próximo da saída.

– Você sonhou mesmo comigo ou só estava tentando ser gentil? - Sua expressão era séria e sua voz inquisidora e desconfiada. Juro que fiquei até um pouco assustado com aquela hostilidade repentina.

– Eu estou sonhando com você desde o dia que fomos ao parque. Isso é ruim?

Vi sua expressão se suavizar, mas ainda estava séria. Eu falei a verdade, não teria porque ele estar daquele jeito. Jimin pensou sem desviar seus olhos dos meus. Senti um arrepio gélido na espinha.

– Promete que nunca vai mentir para mim? - Ele perguntou de repente.

Senti meu coração bater muito forte. Por que será que tudo relacionado à Jimin se refletia de forma tão intensa em mim? Nunca fui daquele jeito, mas eu estava me sentindo um escravo das emoções que esse garoto despertava em mim.

– Eu prometo, se você prometer que vai confiar em mim também, sem hesitação.

Jimin sondou os meus olhos profundamente. Eu me senti nu, como se ele tivesse o poder de sondar a minha alma. Seus olhos eram perturbadoramente intensos.

– Eu prometo. - Ele disse com firmeza na voz e na expressão.

– Então eu prometo também. - Eu respondi também sinceramente. Naquele instante eu senti que estava me esquecendo de alguma coisa, algum detalhe importante, mas Jimin era ainda mais importante, então não dei importância aos meus pensamentos.

Ele sorriu e soltou um suspiro de alívio. Seu celular voltou a tocar e eu sabia que ele precisava mesmo ir embora naquele instante. Mas antes eu me aproximei e lhe dei um abraço apertado e aconchegante. Jimin correspondeu imediatamente.

– Seu abraço é muito gostoso. - Ele sussurrou no meu pescoço e pude sentir os seus lábios molhados ali na minha pele. Caramba, eu senti um arrepio percorrer todo o meu corpo, do dedão do pé até o último fio de cabelo da minha cabeça. Foi só um beijinho singelo no pescoço, mas eu fiquei completamente eriçado. Se Jimin soubesse que beijos naquele lugar me deixava completamente louco...

Eu puxei seu rosto para lhe dar um selinho mas ele desviou um pouco e acabou pegando no cantinho da sua boca. Que maldade!

– Eu tenho que ir. Minha mãe vai me matar. - Ele se soltou de mim e olhou os meus lábios antes de olhar os meus olhos. - Tchau!

– Tchau! - Mordi meu próprio lábio inferior para conter a vontade que me deu de dar um beijo de verdade naquela boca linda, e pela forma que ele mordeu o próprio lábio também, ele compartilhava o mesmo desejo.

Jimin se afastou meio apressado até a saída. Eu respirei fundo, passei as mãos nos cabelos e comecei a caminhar também. Ainda tinha que estudar muito naquele mesmo dia.



[...]




Já próximo da meia noite quando me deitei para dormir, decidi retribuir o gesto de Jimin da noite anterior. Eu esperava que ele entendesse a mensagem daquela música e que ele pudesse seguir em frente, independentemente dos motivos que ele tivesse para não seguir, mesmo que ele nunca me contasse os motivos. Tenho certeza que Jimin merecia ser feliz de verdade. 

Lhe enviei o link da música Flames, da Sia também porque eu já sabia que ele amava, e junto, uma mensagem de boa noite


JK: Link//Flames//Sia

 Tenha uma noite linda, sonhe comigo.


Um passo de cada vez Jimin, apenas siga em frente.




Notas Finais


Segue as músicas que eu citei no capítulo de hoje. Todas são da Sia. No vídeo tem a tradução da letra também:

Angel by The Wings:
https://youtu.be/i6YS3ITmq84

Rainbow (Vejam a letra/ Mensagem do Jimin para o Jungkook):
https://youtu.be/WBlXssEqJ-Y

Flames (Vejam a letra/ Mensagem do Jungkook para o Jimin):
https://youtu.be/93ZM8OjgHQg


Espero que tenham gostado ❤️

Beijos e até o próximo 😘


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...