História Entre Planetas - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Luta, Magia, Poder, Romance, Shoujo, Universo
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Palavras 2.373
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Terror e Horror, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Os corações representam tons de voz mais doces e fofos.

Capítulo 2 - Depois daquilo


           Depois da morte dos meus pais eu nunca mais fui a mesma. Me lembro que naquele dia, tudo que conseguia pensar era: aquela foi a última conversa que tivemos. E eu quero me vingar. Subi rapidamente ao terraço e peguei meu livro de anotações e alguns sacos de terra pequenos, comprimidos em um pequeno cubo que eu criei com o meu dom, que chamo de “cubo compacto”. Desci as escadas com cuidado para não fazer barulho e abri meu guarda-roupa: só vi vestidos, todos floridos ou de renda, e tudo que eu pensei foi em finalmente deixar aqueles trapos de lado e sair sem mala alguma. Lá fora, o monstro das sombras me aguardava. Respirei fundo e guardei o livro e os cubos no bolso da saia. Prendi rapidamente meu cabelo castanho em um rabo, com um caule recém-criado, e deixei meu dom consumir minha raiva, o que ocasionou numa destruição completa do meu quintal. O monstro se virou para mim com um sorriso sombrio, ele estava flutuando.

– Droga

Respirei fundo e saí na direção dele, com cuidado para não cair entre o vão e a plataforma (agora entendo os avisos nos metrôs do Planeta-comando). Tropecei e fiz força para me manter em equilíbrio, deixando com que um de meus cubos compactos caísse lá dentro. Rapidamente, observei o Umwerfend ser atraído pelo cubo, e usei essa oportunidade para cravar um caule de espinhos venenosos através de sua pele, a distância. Senti meu estômago remoer enquanto via o monstro expelir gosma verde e sangue, antes dele tentar caminhar sem sucesso e morrer há poucos centímetros de distância. Fiquei cerca de 10 minutos ali, parada e aterrorizada com o que acabei de fazer, mas me lembrei do papai: “ Você é mais forte do que todos aqui”. Levantei e embarquei na primeira nave. Decidi que iria enfrentar eles cara-a-cara...precisava ir ao treinamento.

– Olá fofinhos! – Diz a diretora, com uma alegria enjoativa em seu rosto – Espero que tenham feito uma ótima viagem! Quero que, por favor, deixem seus pertences com meus amados clones bem à sua frente. Elas irão lhes conduzir até sua dupla, com quem passarão o resto de seu treinamento, 24 horas por dia. Espero que se deem bem docinhos! Vemos vocês para o treinamento depois do almoço ♥

Me virei calmamente para o clone dela, enquanto estendia sua mão para pegar meus supostos pertences. Como não havia levado nada, e não queria deixar meu livro e meu único cubo compacto por aí, disse lentamente, como se ela fosse um alienígena (o que de fato era verdade, visto que era de outro planeta):

– Eu. Não. Trouxe. Nada.

– Ora ora, não seja mentirosa, querida ♥ eu sei que tem algo aí com você.

– Já disse uma vez, eu não trouxe nada! 

– Veja bem – sua expressão ficou séria – vou deixar você ilesa dessa vez porque não estou nem um pouco a fim do meu trabalho aqui – ela revirou os olhos – mas se você estiver carregando qualquer arma consigo, saiba que as consequências disso no futuro não serão nada agradáveis.

– Veja bem a senhora – Eu disse, impondo poder sobre ela – A única arma que eu tenho aqui sou eu mesma.

– Muito bem... vamos considerar isso como um simples “ok” por hora. Vou levar você até seu quarto, sua dupla já deve estar lá.

Seguimos por um corredor longo e prateado, todo moderno com sistemas de segurança complexos demais para mim, até que chegamos a uma porta marrom com uma trava digital. Ela agarrou a minha mão, repulsiva, e passou meu dedo indicador pela tela, que destrancou imediatamente. Dentro do quarto, um garoto loiro estava de costas olhando pela janela. Quando ouviu que entramos ele virou imediatamente e me encarou. Me senti perdida nos seus olhos azuis, eles pareciam...o mar.

– Jack, querido ♥ Essa é sua dupla, a Sarah do planeta de Terra. Sarah, esse é Jack, do planeta da água. Vou os deixar a sós e vocês tem uma hora antes do almoço. Só não esqueçam que, temos sensores de movimento em algumas áreas por todo o quarto. Não façam bobagem.

Dito isso, ela se retira do quarto, como se tivesse se teletransportado e nos deixa ali. Olho para o quarto, bem amplo, com uma beliche encostada na parede e uma TV do outro lado. No meio dele, uma mesa, perto da janela, com 3 cadeiras e uma fruteira vazia em cima. Na parede do canto superior esquerdo, uma porta para o banheiro do quarto, que possui uma tranca com digital. As paredes pintadas de marrom. Tento prestar atenção em cada detalhe e pensar como vou viver ali desde então, quando me lembro de que não estou sozinha e olho para a frente. O garoto dos olhos azuis olha para mim com um sorriso quase tão energético quanto o da Diretora, e estende sua mão. Olho para ela e a aperto, forçando um sorriso. Uso essa distração e tento perfurar sua pele com um caule envenenado, mas ele o congela antes mesmo de chegar a cravar. Em um segundo, ele me puxa com sua mão e sussurra no meu ouvido:

– Continue fazendo isso, é divertido!

Eu me afasto dele e o encaro, com expressão de raiva. Não esperava ter que dividir o quarto com alguém, ainda mais com um garoto.

– A cama de baixo é minha. Aquele canto do quarto é meu. Não mexa nas minhas plantas e não me atrapalhe.

– Ooh parece que alguém está animada aqui! – Ele diz, em um tom irônico – Sem problemas, minha flor, ficarei na cama de cima. Foi um prazer te conhecer, querida ♥

Deixo escapar uma risadinha. Aquela imitação da diretora foi perfeita! Penso em rebater sua resposta com algo do tipo: “Assim espero, docinho”, mas prefiro não me arriscar, afinal eu tinha acabado de tentar matar ele só por achar que ele era uma ameaça, assim como o Umwerfend. Eu ainda não estava preparada para aceitar a morte de Mamãe e Papai. Não ainda.

Criei pequenos vasos de folhas rígidas com o meu dom e abri o cubo compacto, com cuidado, sobre eles. A terra caiu como uma leve cachoeira e eu fiz um pouco de sujeira lá no chão. Limpei rapidamente aquilo e plantei algumas ervas medicinais e venenosas. Por mais que eu pudesse criá-las a qualquer minuto, eu preferia a plantação tradicional, sempre. Quando acabei, fiquei sem nada pra fazer e olhei para a beliche. Jack estava lá, brincando com uma bolha d'água que flutuava. Quando percebeu que eu estava olhando, ele a desfez rapidamente e cruzou seus olhos com os meus, e eu senti minha pele corando. Devo admitir que ele é muito bonito.

– Você...tá a fim de explorar por aí?

Ele se levantou lentamente e passou a mão pelos cabelos. Depois, concordou e saímos do quarto. Passamos pelo mesmo corredor e vimos o resto da escola: parques, lagos, áreas de treinamento...

– E então, Sarah né? – ele sorriu – Quantos anos?

– 16.

– Aah tão nova e tão inocente!

– E você?

– 17.

– Nossa, que velho! Já pegou a antiga dentadura da sua avó emprestada?

Nós rimos, em sincronia. Pela primeira vez nessa viagem, pude rir junto com alguém. Me senti como se nada tivesse acontecido, como se...eles ainda estivessem vivos. Ao lembrar disso, meu rosto passou de alegria para uma profunda tristeza. Ele deve ter percebido, pois me puxou para um abraço surpresa, o que era confortável e ao mesmo tempo, constrangedor. Eu me afastei.

– Estou bem – disse

– Sabe...faria bem se conversasse comigo sobre eles.

– Eles?

– Seus pais.

Como ele sabia?

– Eu fui informado sobre isso pelo clone. Ela me disse para não tocar nesse assunto com você, mas acho que é necessário.

Eu respirei fundo. Contei tudo, desde a conversa até ao que eu fiz ao Umwerfend. Ele suspirou, como se me entendesse e me puxou para um abraço de novo, mais apertado. Desta vez, eu não fugi. Fechei meus olhos e quando abri, já estava no refeitório, almoçando com todo mundo. Não me lembro de ter andado até lá. Olho para os lados e vejo Jack olhando repulsivamente para a comida.

– Isso é nojento, cara! – Ele disse e eu olhei para meu prato. Era carne, que sangrava. Carne pura, aparentemente assada, mas ainda assim era carne. Sem acompanhamento.

– Eu não como carne. Isso é...um lixo comestível.

– Não é?? – ele sorriu para mim, depois fez uma careta para a comida.

Pensei em lhe perguntar porque ele não come carne, já que o único motivo para eu não gostar disso é porque a minha vida toda numa experimentei, e se fosse experimentar, queria pelo menos uma decente. Em vez disso, fiquei perdida pensando em como tinha chegado no refeitório, já que não fazia ideia e isso era estranho. Abri a boca para falar quando um casal de gêmeos sentou em nossa mesa. Ambos eram ruivos, a menina tinha cabelos longos e bagunçados, soltos até a cintura.

– Olá! Podemos sentar com vocês? – Ela disse, se apossando da mesa sem escutar a nossa resposta.

Olhei para ela, toda alegre, se sentando na mesa levemente como uma pluma. Ao lado dela, o garoto ruivo já havia se sentado, os olhos baixos e calmos penetrados em seu livro. Fiquei alguns minutos parada, observando os dois. A garota devorava a comida como se fosse a melhor coisa do mundo e o garoto fritava a carne com seus dedos (o poder do fogo é bem útil nessas horas). Olhei para Jack e percebi que ele estava me encarando, os olhos fixados nos meus. Senti um vermelhidão em meu rosto e desviei o olhar.

– Desculpa! Eu precisava comer antes de me apresentar hehe ♥. Meu nome é Karol e esse boboca aqui é o Karl. Somos “quase” gêmeos.

– Ah, não me diga! – Jack disse, com o tom irônico que estou aprendendo a me acostumar.

– Porque ênfase em “quase”? – Perguntei, curiosa.

– Porque meu irmão boboca aqui tem o poder mais incrível do mundo e não sabe usar. Ele tem o dom do...

– Fogo. Yeah, deu pra perceber!

Segui o olhar de Jack para o garoto, que finalizava o preparo da sua comida sem sequer olhar para ela. Acho que ele sentiu os olhos voltados em sua direção, pois desgrudou de seu livro e olhou para nós, o olhar cansado. Olhou para sua irmã como se estivesse mandando-a calar a boca, provavelmente por atrapalhar sua leitura.

– ...como eu dizia – Continuou Karol, ignorando o olhar fuzilante do irmão – Ele tem o dom do fogo e eu o do ar, superchato.

– Ei... Não é chato não, moça. – Jack disse fingindo estar bravo, atuando muito mal dessa vez.

– Haha, você também possui esse magnífico poder? Queria saber como você consegue achar algo legal nisso!

– Não é que eu ache algo legal...só não uso com frequência. Meu poder mais forte é o dom da água. Principalmente gelo.

– Ah...então estou em desvantagem aqui. – Ela bufou – E você, menina dos cabelos castanhos magníficos?

– Não chamaria de magníficos – Eu disse – Eles dão trabalho por serem tão lisos e longos... Admiro mais seu cabelo ondulado e ruivo. É uma cor linda.

– Ah obrigada --. Mas o seu cabelo é magnífico! As pontas são mais claras do que o resto, você já reparou?

Não havia reparado. Na verdade, nunca cuidei muito do meu cabelo, como se isso importasse no momento. Não queria trocar elogios e conversas de garotas com uma menina que mal conheço e pensando nisso agora, talvez tenha sido um erro ter contado dos meus pais para Jack assim, logo de cara. Ignorei essa conversa toda e resolvi responder a pergunta inicial, porém insignificante, sobre meu dom.

– Eu tenho o dom da terra.

– Ooh, o dom da terra! Ouvi dizer que é lindo! Adoraria ter o poder de fazer flores a qualquer hora, enfeitar meu cabelo e tudo á minha volta. Principalmente com lírios! Eles são lindos ♥.

– São lindos mesmo, mas não é só isso que eu sei fazer. – disse com um tom de raiva, surpreendendo o Jack que estava cada vez mais quieto, me observando. Porque ele tem que ser tão irritante? – Eu também consigo criar qualquer tipo de coisa que envolva a terra, por exemplo...

Estendi as minhas mãos e em questão de minutos, fiz uma fruta mista fresquinha. Enquanto fazia, observei Karl desgrudar os olhos do livro e olhar para mim. Senti um fogo em seu olhar, como se estivesse interessado naquilo ou estivesse de saco cheio daquela conversa entediante, que o atrapalhava. Quando acabei, ele já tinha recolhido sua comida e se isolado em uma mesa vazia, em um dos cantos do refeitório. Olhava pra ele, curiosa, pensando em como conseguia mergulhar em um universo totalmente seu com tanta facilidade. Me lembrei de que era isso que eu fazia todos os dias, no jardim de casa. Mergulhava em um mundo meu. Só meu.

– Magnífico! Incrível! Estupendo! Adorei!

– Obrigada Karol.

– Mas... Poderia me explicar o que é? É...redondo. Parece uma semente de flor gigante.

– É o meu almoço! – Jack disse, puxando-me para perto dele com a mão em minha cintura. Depois, pegou meu braço e levou a fruta mista até sua boca, e deu uma mordida.

– E-ei! – Disse, já vermelha como um tomate – Esse era o meu almoço! Solta. Agora!

– Não precisa ficar brava, tomate ♥. Eu só estava experimentando!

– Tá mais pra te paquerando, se me permite dizer – Afirmou Karol, que confesso, tinha esquecido que estava ali. – Querem que eu deixe os dois namorados sozinhos?

– NÃO SOMOS NAMORADOS! – Não preciso dizer que estava vermelha demais, prestes a explodir. – O Jack só é a minha dupla. Nada mais, nada menos.

– Ah poxa! Nem seu amigo eu sou, Sarah? Assim você ofende o seu namorado aqui ♥.

– Cala. a. boca.

– Jack e Sarah, né? Vou me lembrar desses nomes! E, ignora ele Sah, garotos tendem a ser assim, especialmente os bonitos.

“Sah?” Desde quando te dei essa intimidade?

– Bonito, eu? Obrigada pelo elogio, ruivinha.

– Não foi bem um elogio, querido ♥. Os mais bonitos são os que menos valem.

– Eu nunca disse que valia alguma coisa, querida ♥.

– Bom! Foi bom conhecer vocês, futuros escravos da mana Karol, hehe. E, Sah, se importa se eu te chamar assim?

– Não me importo. – O que não era verdade, claramente.

– Ótimo! Vou ver se o meu irmão boboca ficou mudo de vez! Vejo vocês por aí! – Dito isso, ela partiu e nos deixou lá. 



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