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História Entre reinos, lobos e cobras - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Os prometidos


Jane Snake, a mais velha das três filhas do rei Albert. Suas irmãs a chamavam de "princesa pálida", ela já era branca e, após a morte de sua mãe quando ela tinha cinco anos, ela não saia do castelo; seu pai logo se casou com uma bela princesa negra vinda do outro continente. Jane sentia muito carinho por sua madrasta, Marie, mas não a via como uma mãe. Marie deu a luz a duas gêmeas lindas que representava a miscigenação de seu sangue. 

- Princesa, está na hora. - Eloise, a dama de companhia da princesa herdeira falou com calma.

- Jane! Jane! - As gêmeas vinham correndo para abraçar a sua irmã mais velha

Jane se virou balançando seus cabelos castanhos ondulados para se entregar nos braços de suas irmãs.

- Calma, meninas, vejo vocês em um mês no meu aniversário. Tentarei mandar cartas e contar sobre tudo! - Jane sorriu exibindo seus dentes brancos, o que gerou a mesma reação nas irmãs com pele de caramelo, Jane tinha inveja da cor delas.

- Não se despedirá de nós? - O pai, que estava com uma barba longa grisalha e havia engordado um pouco desde o seu novo casamento, perguntou sorrindo e com os braços abertos do lado de sua esposa. Jane correu para abraçá-los - Não acredito que passou tão rápido. 

Antes que ele começasse a chorar, Jane se virou para a sua madrasta e disse:

- Cuide dele, em um mês nos veremos, mas você sabe como ele pode ser emotivo e exagerado. - ambas riram e Jane entrou em sua carruagem, aonde a sua prima Judith, que tinha uma certa rivalidade com Jane, e Eloise já estavam sentadas.

Jane decidiu sentar-se ao lado de sua amiga, Eloise, enquanto ficou observado a cara de nojo se sua prima. Judith era ruiva e, talvez, até mais branca que Jane, Judith era apenas dois meses mais nova do que a prima e isso a consumia porque queria casar com Eliot por causa do poder que teria e, segundo a mesma, ele era lindo. Jane não conhecia o noivo e isso a deixava receosa.

- Prima, - começou Judith - eu falei que você deveria emagrecer. Eliot não gosta de mulheres como você. - ela estava com um olhar venenoso e sorrindo exibindo os caninos.

- Mulheres como eu? Que são saudáveis e comem bem? Querida, eu não ligo para a opinião do meu noivo e futuro marido, nós iremos nos casar independente se ele gostar da minha aparência ou não. - Jane sorriu - Também não podemos nos esquecer de que seremos eternamente esqueletos.

Judith não alfinetou mais a prima, Jane agradecia pela viagem durar apenas cinco horas. Apesar de seu discurso mostrar que a princesa é uma mulher empoderada, ela tinha inseguranças em relação a seu corpo. Uma semana antes da viagem, Jane parou em frente ao espelho com apenas as roupas intimas e ficou observando que teria mais curvas do que as demais mulheres da realeza e isso a preocupava, porque sabia que para manter vivo o acordo de paz um casamento não bastava. Ela precisaria gerar um herdeiro e, pra isso, seu marido deveria se sentir atraído por ela. Outro pensamento que vinha em sua mente repetidas vezes era a sua prima tentando seduzir o seu noivo sem perceber que a união era para o bem dos dois reinos.

Após algumas horas de viagem, as três mulheres dormiram e só acordaram quando o cocheiro avisou que estavam a meia hora do destino.

- Agora não tem volta, minha amiga- Eloise disse pegando na mão da princesa.

-Engana-se se acha que um dia tive alguma opção de recusar tal união. Você sabe quantas noites passei acordada pensando sobre tudo isso.

A carruagem parou e o cocheiro abriu a porta.

-Princesa, chagamos. 

Jane viu dezenas de pessoas na frente de um castelo elegante e enorme, várias pessoas usavam azul e o brasão de lobo. Mas Jane também tinha vestido o orgulho da família: usava um belo vestido vermelho e uma capa que, nas costas, exibia a cobra de sua corte.

O cocheiro ajudou a princesa ao descer da carruagem, logo em seguida foi a vez de Judith e de Eloise. Assim que as três desceram, um casal mais velho veio ao encontro delas. O homem, já sem cabelo mas com uma barba mais branca do que preta mas com um corpo magro e alto, estendeu os braços e sorriu:

-Princesas e dama, sejam bem-vindas ao futuro lar de vocês. - O casal tinha, ambos, olhos azuis como o gelo. A mulher, com poucas rugas e começando a ter raízes brancas, sorriu com ternura como toda mãe sorri.

-Agradeço a recepção, Majestade Rodolf. - disse Jane, fazendo uma reverência.

-Minha querida, - a rainha começou - não se importe tanto com as formalidades. Nós, os Wolf, não ligamos para tanto. Venha, vou te apresentar a corte e o castelo.

Jane ficou animada, pensou que o seu noivo estaria logo atrás de seus futuros sogros, mas, cada vez que era apresentada por um jovem, a animação se dissipava.

-Senhora, não queria ser grossa - Jane começou falando com cautela, mas a rainha Evelyn não pareceu se importar - aonde está o meu noivo?

O rosto da rainha mudou, ela tentou disfarçar mas Jane já tinha notado.

-Sabe, Eliot preferiu escolher te conhecer após esse tumulto. E ele já tem obrigações como príncipe herdeiro, a princesa deve saber que o meu marido apenas esperou ele fazer dezoito para passar todas as suas obrigações. O rei acha mais prudente ele aprender enquanto o pai estiver vivo.

Jane concordou, mas achou estranho. No meio das apresentações da corte, um moço lhe chamou a atenção: ele devia ter altura mediana, lindos cabelos loiros e olhos pretos, ele era o irmão mais novo de seu noivo. O jovem príncipe se chamava August e era seis meses mais novo do que ela. 

-Princesa - August beijou a mão de sua futura cunhada - deixe-me desculpar pela ausência de meu irmão, prometo que o jantar irá recompensar.

Jane o cumprimentou e sorriu em agradecimento. Após a apresentação da corte ter terminado, as três subiram para os seus respectivos quarto: Judith ficaria em um, enquanto Eloise acompanharia a princesa em outro.

Já no quarto, Jane começou a bufar e a esbravejar:

-Como que o meu próprio noivo não me recebeu? - Jane andava pelo quarto emputecida. -E o irmão dele disse que só nos veremos no jantar. No jantar!

-Jane, talvez seja verdade o que disseram sobre ele. - Eloise falou com cautela - Pode ser que ele tenha um almoço de negócios ou ele nem almoce. - ela falou enquanto desarrumava as malas.

-Por favor! Você está tentando me acalmar, nós duas sabemos que isso não é verdade. Se o príncipe acha que, só porque não gosta dessa união, ele pode fazer esse topo de coisa ele está muito enganado. Nós duas sabemos que não conseguirei ser feliz nesse casamento e só estou aqui por obrigação. - Jane sentou na cama e suspirou. - Irei me arrumar para o almoço.

Após uma hora, um serviçal chamou a princesa e sua amiga para descerem para o almoço. As duas encontraram Judith na escada.

-Então, prima - Judith falava com malícia-, nem o seu noivo quis te conhecer. Eu avisei pra você começar uma dieta.

Jane não se deu ao trabalho de responder e logo chegou ao pé da escada, aonde August as esperava.

-Senhoritas, irei mostrar o caminho para a sala de jantar. - August ofereceu o braço a Jane que o aceitou. Os dois foram conversando até chegaram a sala de jantar, aonde já estava o rei e a rainha, ambos pareciam constrangidos.

-Fiquem a vontade- a rainha pediu

O almoço transcorreu muito bem, planejaram que iriam apresentar o restante do castelo na manhã seguinte, o que animou as três convidadas.

-O que farão agora? - perguntou o rei.

-Não temos planos - Jane respondeu esperançosa de poder ter alguma atividade para fazerem.

-Bom, - August falou encolhido- vocês gostam de dama?

-Amamos! - Jane e Eloise falaram juntas. As duas não tinham uma aparência igual: enquanto Jane era considerada baixa e acima do peso. Eloise era magra e alta demais para os padrões da sociedade, mas os homens se encantavam pelos seus olhos e cabelos negros. Eloise foi escolhida como dama de companhia porque sabe lutas marciais, mas não deixa isso transparecer.

-Acho que irei descansar no meu quarto, a viagem exigiu muito de mim - disse Judith.

Todos subiram para o segundo andar do castelo, mas Judith foi para o seu quarto enquanto os três entraram no quarto de Jane e Eloise.

Enquanto se revezavam pra jogar, os três fofocaram e August não parava de falar da vestimenta das moças, de detalhes que nem elas sabiam. Jane achou interessante.

-Jane, eu sei que o meu irmão desapontou por não aparecer ainda. Mas aposto que o jantar será maravilhoso e sugiro que vá deslumbrante. - ele deu duas palmas- Deixe-me ver as suas opções para hoje a noite.

Jane e Eloise se entreolharam, mas Jane já abriu o seu armário recém posto, August começou a vasculhar e se deparou com um vestido preto rendado justo, que valorizava as curvas da princesa e foi decido que ela o vestiria. 

-Agora, os sapatos! - logo, ele viu um salto alto preto brilhante e o escolheu, aproveitou para ver os colares e escolheu um conjunto de colar e brincos de onix. -Minha cunhada, meu irmão vai se arrepender por não ter passado o dia com você.

Após a escolha das roupas, August se despediu para que cada um fosse se banhar e se arrumar para o jantar.

Após se aprontarem, as duas se olharam no espelho e Eloise voltou-se para sua amiga:

-Você será a rainha mais bonita que esse reino já viu. - elas se abraçaram e escutaram August bater na porta para acompanhá-las. Com cada uma em seu braço, eles desceram para o salão principal aonde a corte toda estava, incluindo Judith que conversava com um homem alto, corpo atlético, cabelos pretos e olhos azuis como os dos reis. 

Jane ficou sem ar ao perceber como aquele homem a olhava e August sussurrou em seu ouvido:

-Seu futuro marido.

Ela piscou e corrigiu a sua postura, eles chegaram ao chão e o príncipe veio cumprimentar-lhes:

-Princesa, - ele pegou a sua mão e a beijou, mas Jane não deixou ele a afetar - perdoe-me por não poder te receber. Tive muitos afazeres, mas adiantei o bastante para poder te acompanhar amanhã, o dia inteiro.

-Eu soube de suas obrigações, não precisa se desculpar. - Jane sorriu contra sua vontade, porque ela percebera o cheiro de álcool emanando sutilmente da boca de seu noivo.

Eliot ofereceu o seu braço a Jane e ela aceitou por cordialidade.

-Vejo que é próximo a minha prima. - Jane comentou sorrindo para os convidados.

-Sim, nos vimos uma vez em uma festa suponho. - ele acenou para outros convidados.

-O jantar está servido. - Um senhor anunciou.

Os noivos se sentaram um de frente para o outro, assim como o rei e a rainhas, mas esses se sentaram nas pontas.

-Você está muito bela, minha querida. - disse a rainha à princesa, que agredeceu.

-Com licença, peço a atenção de todos. - o rei de levantou- Nós recebemos hoje uma convidada muito especial: a futura rainha desse reino, sem ela a paz nunca reinaria novamente. - todos brindaram e Jane agradeceu.

O jantar decorreu bem, às vezes trocava alguma palavra com o seu futuro marido, mas ele preferia a sua prima, Judith e isso incomodou Jane e foi percebido por quase todos da corte. Após o jantar, todos foram ao jardim para admirar o céu, foi quando Eliot começou a beber e se tornar mais íntimo de Judith na frente de todos.

-Você está magnifica - ele dizia enquanto cheirava seu pescoço e ela ria. Jane suspirou e os ignorou o máximo possível. - Melhor do que a sua prima, eu te prometo: você será a minha amante oficial. -isso foi a gota num copo de água. Jane pegou o vinho oferecido pelos empregador, foi até o seu noivo e jogou a garrafa nele. Ele, que vestia uma camisa branca, ficou encharcado. Jane foi elegantemente para seu aposento, aonde se trocou e deitou em sua cama. Logo em seguida, duas pessoas entraram no quarto e cada uma deitou de um lado de Jane.

-Pode chorar se quiser, meu irmão foi um babaca - August abraçou a futura cunhada.

-Princesas não choram, muito menos as que serão futuras rainhas. - Jane levantou da cama num pulo, mesmo estando de camisola ela não tinha pudor com Eloise e August. - Terei uma reunião com Eliot, caso ele não tenha percebido eu não irei embora. Vou ficar pelo meu reino e ele vai me respeitar pelo menos na frente da corte.

Os três foram deitar em suas respectivas camas, Jane só conseguiu pegar no sono quando passara da meia noite, ela sabia que esse mês seria o pior de sua vida até o casamento.

De manhã, todos tomaram café juntos. Todos menos o príncipe.

-Seguiremos com a nossa programação, querida? -perguntou a rainha.

-Após eu ter uma reunião a sós com o meu noivo, majestade. - Jane se levantou - Suponho que ele esteja em seu quarto, vocês podem me esperar por meia hora para seguirmos com o passeio pelo castelo.

Assim, Jane seguiu em direção ao quarto de seu noivo que tinha a porta fechada. A princesa decidiu entrar sem pedir permissão, já pensando que o encontraria com alguma ou algumas mulheres, mas não, ele estava dormindo de bruço e o quarto estava totalmente escuro. Foi então, que ela decidiu ir abrindo as cortinas e se deparou com o seu noivo apenas de calça na sua cama, ela tentou não ficar vermelha. Eliot resmungava alguma coisa e depois se mexia.

-Eliot! - Jane falou com a voz firme, ela estava próxima a cama- Príncipe Eliot! - ele resmungou em resposta, o que a fez ficar mais aborrecida e resolveu cutucá-lo, mas com receio, quando ela foi tocá-lo novamente, ele pegou a sua mão, se virou e ficou por cima dela.

-Você é tão apressada assim? - ele estava sorrindo maliciosamente.

-Tenha modos- ela o empurrou e ficou de pé um pouco afastada da cama - Ainda bem que a porta está fechada.

-A minha porta só fica fechada por um motivo... - ele um olhar brincalhão.

-Eu não caio nessas... nesse joguinhos - ela ajeitou a saia do vestido.

- Veremos, tenho um mês para vencê-la, mas diga: o que a minha noiva quer? - ele estava sentando na ponta da cama

-Que você finja respeito por mim na frente dos outros, eu não ligo se você gosta ou não de minha pessoa, eu só ligo de manter a paz entre nossos reinos. Nós dois sabemos que esse casamento é apenas político, nós dois temos que casar e gerar um herdeiro. Apenas isso, não estrague um plano tão simples.

-Você acha simples casar com uma pessoa que você nunca viu? - ele estava colocando uma camisa - Eu sei que pra você deve estar sendo difícil também, sei que mulheres foram criadas imaginando um conto de fadas. Mas eu quero curtir a minha juventude e ser rei ao mesmo tempo. E, cá entre nós, tudo bem ficar debaixo do pano isso, certo?

-Em primeiro lugar, antes de ser mulher eu sou uma princesa herdeira. Eu não fui criada pensando em conto de fadas, eu fui criada pra ser rainha, pra governar. Eu não ligo de você sair com todas, contanto que não ponha a minha vida e as dos outros em risco. Acho que a minha mensagem foi dada. - ela foi em direção a porta, mas ele foi mais rápido e ficou em seu caminho.

-Princesa, e se você se apaixonar por mim? Ainda não ligaria para a minha libertinagem? - ele cruzou os braços em seu peito.

-Isso não é uma opção. - Ela saiu do quarto batendo a porta.



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