História Entre Sem Bater - Capítulo 15


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Original, Romance, Slice Of Life, Yaoi, Yaoi Day 2014
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Palavras 6.561
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Seinen, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Era pra ser atualização dupla na quarta, pelo níver da Gi-chan, mas como ainda faltava um retoque no final do capítulo, resolvi deixar pra fazer no fim de semana, e aqui está ♥
Espero que curtam.
Boa leitura! o/

Capítulo 15 - Capítulo 15 - Mesmo quando a mãe está barrando a porta?


Entre Sem Bater

Por Andréia Kennen

Capítulo 15

Mesmo quando a mãe está barrando a porta?

 

Acordei sentindo uma dor de cabeça daquelas terríveis, meus olhos pesavam, o corpo doía e ao fundo eu ouvia uma conversa desconexa com vozes as quais eu certamente conhecia, mas precisava me focar para reconhecê-las.

Estava abrindo os olhos, mas voltei a fechá-los quando senti um contato diferente, uma mão morna, com adornos frios, possivelmente anéis, repousar sobre minha testa.

Então aquela voz, que há muito não ouvia, soou próxima e real o suficiente para fazer meu coração disparar.

— Você está bem, meu amor? — O timbre nitidamente feminino e adversamente materno me inquiriu preocupado. Antes que eu pudesse responder o questionamento foi voltado para o Thiago. — Ele está dormindo um tanto pesado, não está?   

— O médico do posto prescreveu uns comprimidos para dor muscular os quais ele disse que dariam sono — reconheci a voz do Thiago.

— Você pode me mostrar a receita?

— Está embaixo da caixa do anti-inflamatório. A senhora quer café? Acabei de passar.

— Não, querido, obrigada. Ando evitando o café por causa das crises de ansiedade.

Aquela conversa de tom amigável parecia tão surreal que imaginei estar dormindo ainda. Abri os olhos devagar, me acostumando com a claridade do dia e notando que a dor de cabeça se dissipara ou ficara esquecida devido a curiosidade sobre a visita.

Então vislumbrei com assombro aquela silhueta ainda embaçada, porém inconfundível diante de mim. 

— Mãe... ?

— Graças a Deus você acordou, Caio Henrique — ela exclamou aliviada. — Estava começando a pensar que tinha entrado em coma.

— É a senhora mesmo? Esse exagero... Fomos dormir tarde, foi só isso.

— Como está se sentindo?

— Dor de cabeça... — respondi, admirado de mim mesmo pela naturalidade do embalo daquela conversa. Era como se não tivesse havido um espaço de três anos entre nós. Como se eu a tivesse visto pela última vez na semana passada. Levantei o corpo o suficiente para me sentar e encostei à cabeceira da cama. Minha mãe tinha seus olhos verdes arregalados fixos em mim, acompanhando meus movimentos. Eu achei que ela estaria mais velha, mas ela aparentava estar mais jovem do que eu recordava, bem maquiada, perfumada, bonita. — O que está fazendo aqui? — procurei saber enquanto esfregava os olhos, mesmo que Cassiano tivesse me adiantado a surpresa da visita dela.

— Eu soube que sofreu um acidente de moto e vim o mais rápido que pude.

— Que exagero... Não foi nada grave. Somente arranhões. Não podia ter ligado apenas?

— Meu filho... — ela me chamou com um suspiro que parecia de alívio, e de repente fui pego de surpresa por um abraço. — Deus do céu. Eu não me acalmaria enquanto não o visse com os meus próprios olhos. Você está tão abatido. Tão magro. Morando nesse cubículo horrível. Olha como está cheio de machucados e olheiras — comentou, apartando o abraço para amparar meu rosto com ambas às mãos de unhas bem feitas.  

— Mãe, não exagera.

Eu olhei para o Thiago, que parecia sem saber o que fazer com as duas canecas de café, a dele e a recusada pela minha mãe, então ele me mostrou.

— Quer, amor? — ofereceu por fim, estendendo-a na minha direção, acabei aceitando e a apanhando assim que minha mãe me libertou do abraço.

— “Amor”? — ela se voltou curiosa para ele; impressionada com a forma de tratamento. — Então vocês são...

— Namorados — Thiago confirmou sem receio algum.

Minha mãe, por sua vez, me encarou com uma expressão de espanto, como se buscasse minha confirmação.   

— É isso mesmo — assenti também com a cabeça. — Thiago César Ribeiro de Souza, meu namorado. Thiago, essa é a minha mãe, Suzana Maria Nunes Alencastro Soares.

Thiago balançou a cabeça em cumprimento enquanto tomava seu café, achando graça de ser apresentado formalmente pelo namorado.

— Nós já nos apresentamos, Caio — ele observou em seguida.  

— Não apropriadamente — minha mãe contrapôs e se levantou para encarar Thiago melhor. Talvez, agora, como meu namorado. E a forma como ela o mediu de cima embaixo constrangeu até minha alma. — Prazer, meu filho — ela apanhou a mão esquerda dele e o cumprimentou de maneira extrapolada, usando as duas mãos para segurar a dele, visto que ele segurava a caneca de café com a direita. — Vocês estão morando juntos? Há quanto tempo? Quantos anos você tem? E o que faz da vida?

— Mãe, pare — eu pedi assombrado. Completamente desperto. Achando um absurdo aquele inquérito o qual era praticamente uma invasão de privacidade.  

— Eu perguntei algo de errado?

— Está constrangendo meu namorado com esse monte de perguntas desnecessárias.

— Desnecessárias? Estou apenas querendo conhecer a pessoa com quem está se relacionando.

— Mãe... — eu pausei, procurando a melhor forma de expressar minha decepção. — Por um mero instante eu realmente achei que a senhora tinha mudado.

— Não seja injusto comigo, Caio.

— Calma, meu amor. Relaxe — Thiago me pediu com uma tranquilidade de dar inveja. — São perguntas normais — ele afirmou e se voltou para minha mãe dando as respostas que ela aguardava. — Eu não moro aqui não, dona Suzana. Mas durmo com frequência. Estou namorando seu filho desde julho, são quatro meses. Aliás, somos colegas de classe, foi onde nos conhecemos. Eu moro com a minha mãe, Helena, ela lava roupa para fora, e com a minha irmãzinha, Vitória, que vai fazer cinco anos esse mês. Eu tenho 22 anos. Estou trabalhando como moto-entregador no momento.

Foi visível na face da minha mãe a decepção. Seus ombros pareceram ganhar um peso extra e a expressão de tensão transformou-se em algo triste, olhos vagos que brilharam com as lágrimas que ameaçavam vir. Era certo que durante aquele tempo em que estivemos separados ela sustentara uma esperança vã de eu não ser o adolescente homossexual que fora flagrado na cama do vizinho casado. De tudo aquilo ter sido um pesadelo, ou um mero mal entendido.

Eu abaixei minha face também, encarando minhas próprias mãos, sentindo-me incomodado pela primeira vez em três anos ao ser avaliado.

Não por mim, eu nunca me importei com o julgamento das outras pessoas sobre o que eu era. Mas eu ainda não tinha ideia de como seria lidar com o sentimento de estarem julgando a pessoa que eu amava. E exatamente o que a minha mãe estava fazendo naquele instante, avaliando, julgando e, pela mensagem explícita em sua fisionomia, condenando o Thiago como inadequado para estar comigo.

— Sabe, meu filho, eu vou confessar: não é fácil — ela começou depois de um tempo ponderando. — Eu me preparei muito para esse momento. Eu trabalhei muito meu psicológico para aceitá-lo. Eu vim disposta a passar por cima de todo meu aprendizado da igreja, da condenação da sociedade, das feridas que você causou a mim e ao seu pai ao cometer o pecado de deitar com outro homem e simplesmente aceitá-lo como o filho que Deus concebeu. Mesmo assim, em meu coração, resignar-me parecia tão errado. Você era nosso pequeno príncipe, nos preparamos tanto para recebê-lo, para criá-lo dentro dos preceitos do Senhor. Nós te oferecemos estabilidade, proteção. Você era tão lindo, gentil, educado, bom filho. Eu não consigo acreditar que se transformou nisso que é agora. Que vive em um cubículo horrível e que se deita com um rapaz que sequer é provido de recursos para te dar estabilidade de vida que merece, da qual dispõe comigo e com o seu pai — ela cobriu o rosto e começou a chorar copiosamente, chegava a soluçar. — Por Deus, Caio. Apenas pare com essa indecência e volte para nós.

Eu encolhi meus ombros e senti meu rosto queimar. Eu não consegui erguer meus olhos para encarar o Thiago tão grande era a minha vergonha pelas palavras ditas pela dona Suzana. Por mais que eu tivesse narrado parte do meu passado para ele, era impossível alguém estar preparado para ouvir aquele discurso injusto e que o denegria. Eu queria realmente ter tido o poder para evitar aquele momento.

Eu abri minha boca sem saber ao certo como me manifestar quando ouvi a voz do Thiago romper o silêncio, firme, potente, séria e fria, como costumava ser. Mesmo assim, era uma voz bondosa, justa, acalentadora.

— Dona Suzana... — ele vocalizou e fez uma pausa para ajustar os óculos no rosto, buscando ter certeza que tinha toda nossa atenção. — Seu julgamento superficial baseado no pouco que expus e, obviamente, na minha aparência, que reflete sim “poucos recursos”, não me abalam nenhum pouco — ele afirmou com aquela fala intelectual que causava arrepios. — Relacionamentos não devem, apesar de muitos serem construídos assim, ter como base somente o poder monetário; o que não vou entrar em detalhes do quão nocivo pode se tornar para uma relação. Não que uma boa fonte de renda seja algo que nós, como seres humanos imperfeitos, não almejamos. Necessitamos sim de estabilidade financeira para não vivermos a mercê do que o poder público, precário e corrompido do nosso país, regido por uma classe imunda de bandidos, nos oferece. Eu não me orgulho de não dispor de estabilidade para oferecer ao Caio uma condição social mais favorável. Por isso eu também busco um melhor patamar. Todavia, batalhando, estudando, me especializando, com honestidade, dignidade e caráter, que foram os poucos, ainda assim, valiosos “recursos”, os quais minha mãe pode me proporcionar. Obviamente, em um país de desonestos engravatados, quem busca elevar-se de forma honesta, como é o meu caso, tem que se conscientizar que será em longo prazo. Ainda assim, prefiro recorrer ao tempo e viver com uma consciência limpa, contando com meus esforços, a ter que ir contra os meus princípios e ideologias para subir depressa na vida. E o Caio, apesar do pouco tempo que estamos juntos, tem ciência de como eu sou e me aceitou exatamente desta forma. E, para mim, o que importa, para progredirmos em uma relação digna e duradoura, é somente a opinião dele. Aliás, acredito que termos princípio parecidos, foi o que nos atraiu. Sei que a senhora, como mãe protetora que aparenta ser, se preocupa por seu filho estar perdendo tempo com quem, aparentemente, é um zero a esquerda. E, apesar de apresentar ser esse “zero a esquerda”, dona Suzana, eu jamais permitiria que alguém perdesse tempo ao meu lado se eu não estivesse sério, principalmente, ao que se refere ao amanhã. Contudo, a cada dia que eu passo ao lado dele, eu alimento com mais força o desejo de que o nosso futuro seja único. E se seguirmos lutando, como é o nosso intuito, tenho certeza que seremos gratificados com uma vida estável e com conforto no futuro. Talvez não cheia de luxos. Algo com que eu também não concordo, pois é graças ao consumismo desenfreado e ao exibicionismo causado pelo alto poder aquisitivo que o nosso planeta está cada vez mais doente. Aliás, o Deus que a senhora prega e venera, que andou entre os homens, pelo pouco que me interessei aprender de seus ensinamentos, pregava acima de tudo o desapego de tudo que é material, não é mesmo?

Enquanto o silêncio se fazia após o discurso do Thiago eu senti um forte arrepio e o coração acelerou impiedosamente, batendo depressa e forte contra meu peito.

Fora algo parecido com aquele dia em que o Thiago gritou na sala e chamou minha atenção. “Não é apenas por 20 centavos!”. A convicção que ele transmitia era arrepiante. Tive vontade de gritar de alegria, abraçá-lo, chorar. O Thiago discursou de forma bela, limpa, imponente, ainda assim com toda humildade da qual dispunha. Ele provou do que sua sensatez era feita. E de que ele não precisava ter medo de argumentar contra alguém que tinha status.

Eu vi minha mãe se encolher, engolir em seco e seus lábios tremularem. Ele a havia desarmado completamente. Melhor, “a chocado” seria a definição exata. Pois era nítido na mudança de expressão dela a perplexidade. Dona Suzana jamais esperaria que alguém como ele tivesse argumentos tão bem construídos e palavras tão bem colocadas. Além disso, Thiago sustentou seu olhar sério sobre ela, sem vacilar, tremer ou piscar, mostrando toda a convicção de qual era dotado em sua feição inexpressiva.   

Como eu amava aquele homem.

E ainda havia uma parte daquele discurso que me atingira em cheio e que me deixara em uma felicidade a beira da euforia. Todavia, o assunto não era o foco no instante, mas eu retomaria mais a frente, assim que a minha mãe se fosse.

Sem saber bem o que fazer a dona Suzana se voltou para mim sem graça e tentou abrir um sorriso, ela havia parado completamente o choro, mas as lágrimas ainda margeavam seus olhos.

— Mãe?

Ela esfregou o nariz com as costas da mão direita, deixando seu rosto avermelhado, e procurou se recompor.

— Ele discursa tão naturalmente assim sempre? — ela perguntou ainda mais envergonhada, levantando-se e buscando a bolsa que estava no apoio da cadeira de madeira onde tinha se sentado. — Eu estou hospedada na casa da Rosinda. Como parece bem, meu amor, vou ver com ela se podemos organizar um jantar e convidar você, o Thiago César, a mãe do Thiago César, a caçula Vitória, mais alguém? — ela direcionou a pergunta a ele.

— Não, senhora — Thiago respondeu. — Os membros da minha família são somente esses.

— Certo. Então seremos somente nós.

— Não deveria incomodar a tia Rosa com isso, mãe. Podemos fazer algo aqui mesmo, ou ir a um restaurante, o que me diz?  

— Não acho que a Rosinda se incomode com isso. Acredito até que ela ficaria triste se não fizéssemos algo e a incluísse. Ela é praticamente sua madrinha, não é?

— Tem razão — eu tive que concordar e recebi um beijo de despedida nos cabelos. — Estou tão feliz de poder te ver bem, e... — ela encarou Thiago de esguelha, querendo evitar que ele ouvisse seu comentário, cochichou para mim: — Agora sei que está em boas mãos.

Meus olhos se arregalaram, enquanto ela se voltava para se despedir dele.

— Estou indo, Thiago César. Cuide-se, meu amor.

— S- Sim...  

— Eu acompanho a senhora — Thiago se dispôs.

— Se você não aparentasse ser tão honesto, eu diria que daria um ótimo político pela forma que discursa — minha comentou, aparentemente recuperada. — Você se impõe incrivelmente bem. Mas com sua ideologia a única coisa que conseguiria nesse meio seria inimizades. E eu prezo pela integridade física do meu filho. Por isso, leve uma vida honesta como desejar, mas evite embates nesse meio. 

Ele sorriu com um repuxar de canto de lábios e balançou a cabeça positivamente.

— Tentarei fazer o meu melhor, senhora.

— Meu Deus. Não. Senhora não. Não me envelheça desta forma, por favor. E nada de “dona” também. Apenas Suzana.  

Ele concordou.

— Ok. Suzana.

— Muito melhor. Vou marcar com a Rosinda e entro em contato com vocês.

— Está bem.

— Tchau, Thiago. — Eu vi minha mãe beijar o rosto do Thiago e acenar por cima do ombro dele para mim. — Melhoras, meu amor.

— Tchau, mãe — eu acenei de volta. — Obrigada.

E só quando a porta foi fechada e ouvimos o barulho do carro saindo que eu vi o Thiago suspirar fundo como se estivesse relaxando.

— Não me diga que todo aquele discurso foi apenas uma fachada para esconder a tensão? — eu o alfinetei.

— Deus... — ele coçou a nuca. — Eu nunca pensei que conhecer a minha sogra seria algo tão assustador. Nunca fiquei tão tenso em toda minha vida. Nem consigo imaginar como será quando conhecer “nosso” pai — disse aquilo com um leve tom de brincadeira.  

Eu levantei da cama e me agarrei ao pescoço dele.

— Diga de novo.

— O quê?

— Que a minha mãe é sua sogra.

— E não é?

— Não foi só isso... — eu finalmente pude entrar naquele tópico que havia chamado mais minha atenção em todo discurso do Thiago. — Você percebeu que praticamente disse que vamos nos casar?

Ele arregalou olhos por trás das lentes dos óculos e eu me senti apreensivo por um instante. Talvez nem ele tivesse se dado conta que fizera aquilo ou... Fora apenas algo intencional, dito no impulso, para impressionar a minha mãe.  

— Eu não disse nenhuma inverdade — a resposta dele soou reconfortante, e um alívio para as inconstantes incertezas da minha alma. Achei que ficaria somente naquela resposta, mas ele continuou surpreendendo-me ao prosseguir. — Eu quero me casar com você, Caio — aquele complemento me pegou de surpresa, por mais que este fosse o assunto em pauta. — Sei que parece precipitado da minha parte, mas é o que eu penso desde que aceitou meu pedido de namoro. Eu sou do tipo antiquado, você sabe. Por isso não me agrada a ideia de apenas ficar com um e com outro. Eu prefiro estar sozinho ao ser o que chamam de “pegador da balada”. Também nunca me imaginei em um relacionamento vago, desses que você só está com alguém por comodismo. Acho covarde quem toma tempo do outro com a desculpa egoísta do tipo: “Vou ficando com fulano até encontrar coisa melhor” ou “Enquanto não encontro o certo vou me divertindo com os errados”. Por isso que, antes de formalizar meu pedido de namoro para você, eu havia ponderado muito se essa era atitude mais viável, levando em consideração o futuro: “Será que ele é a pessoa que eu quero ter ao meu lado para toda vida?” eu me questionei e...

Thiago parou, e eu me desvencilhei do seu pescoço. Minha ansiedade aumentava na mesma medida que os segundos corriam. E, pela primeira vez, eu vi o rosto dele ganhar um lindo e leve rubor de constrangimento. Como percebi que a conversa iria durar me sentei na cama e ele se acomodou na cadeira que a minha mãe ocupava há pouco, então ele continuou.

— Desde que entrei na faculdade eu não tive interesse de conquistar e aprofundar novas amizades. Talvez, por eu ter meu círculo de amigos fechado e fora dali, eu achei que não precisava de novos e não tive interesse em me aproximar dos meus colegas de classe. Os poucos com que eu conversava, aqueles que sentam perto de mim, não tinham nada em comum comigo, falávamos apenas coisas da faculdade. Todavia, ao que se refere a atração... — Thiago travou por um instante, parecendo ainda mais envergonhado por ter que confessar algo que ele fizera questão de guardar até ali. — Eu tinha olhado para você algumas vezes no começo, seu rosto e sorriso bonitos chamavam atenção. Você estava sempre bem vestido, mesmo quando usava o uniforme social do escritório em que trabalha. Além dos dentes, pele e cabelos bem cuidados. Sem dúvidas era outro distante do meu mundo. De novo, alguém com status, o que me preocupava, eu não queria um novo Guilherme na minha vida. Fora que nossas personalidades pareciam bem opostas. Você se enturmou depressa, apresentava ser alguém divertido, de bem com a vida, descontraído; estava sempre sorrindo na companhia das meninas, alguém com poucas preocupações. Foi o que imaginei. Confesso que fiz um julgamento precário, desses superficiais, exatamente como a sua mãe fez comigo agora pouco; por isso não a condenei. Acima de tudo, eu não tinha certeza sobre sua homossexualidade, apesar de desconfiar, devido aos seus trejeitos mais delicados. Decidi deixar quieto: “ele não é para o meu bico e não é o que estou procurando”, determinei antes sequer de pensar em nos darmos uma oportunidade. Passou-se o primeiro, o segundo, o terceiro semestre e entramos no quarto. Eu estava com a minha cabeça cheia de problemas e cada vez mais revoltado com a situação política do nosso país devido aos protestos que vinham ocorrendo e que a mídia distorcia descaradamente a favor de interesses maiores, foi quando o professor nos colocou para fazer aquele trabalho juntos. Eu realmente achei que havia sido uma péssima ideia. Eu não estava no meu melhor dia, tinha brigado com o Roberto na sala e passado o intervalo todo quebrando o pau com ele e com o coordenador para no fim de tudo levar uma suspensão por ter desrespeitado o Roberto na sala de aula.  

Achei engraçado eu ainda não saber daquilo, visto que eu tinha ficado muito curioso na época.    

— Eu estava sem paciência quando cheguei na sala e o professor Rubens disse que teria trabalho em duplas — ele prosseguiu. — Eu nem consegui prestar atenção em você, pois tudo que eu queria era ir embora, comprar uma cerveja em qualquer conveniência no caminho, pegar um lanche na rua, tomar um banho, beber, comer e dormir. Mas você me quebrou pela primeira vez ao perguntar, mesmo depois do meu cumprimento indiferente, como eu estava. Achei que seria injusto dar uma resposta evasiva qualquer; então pensei antes de responder. Notei que, apesar de eu ter ficado estressado com a suspensão, ela havia sido dada somente por eu ter constrangido o Roberto na frente dos nossos colegas ao dizer que ele era “limitado” como educador. Porém, quanto aos meus argumentos sobre o aumento abusivo das tarifas do transporte público e das reinvindicações dos usuários, o coordenador me deu total apoio, dizendo que ele e os dois filhos também eram a favor das manifestações e do direito da população de não se calar. Acabou que o Roberto ficou com a cara de tacho e disse que iria repensar sua opinião sobre o assunto. O que de alguma forma me deixou satisfeito, apesar da revolta por ter sido mantida a punição pelo desrespeito. Contudo, ao fazer um apanhado geral, eu saí ganhando. E foi o que respondi, com um sorriso de quem tinha gostado de causar aquele incomodo: eu estava bem.

— Então era isso que significava aquele sorriso tão sacana? — eu perguntei ao me lembrar daquele sorriso que definitivamente mexeu comigo.

— Sim. Pensando bem, eu me lembro de que você gostou de me ver sorrindo como bobo, não foi?

— Pode parecer idiota, mas você quase não sorri, quase não muda a expressão. Então, eu gosto desse seu sorriso meio sádico, sacana, algo diferente do seu habitual e que tem um charme particular.

— É. Eu notei esse algo diferente na sua expressão naquele dia. E eu não soube bem identificar o que era, mas me encheu de algo bom. Tanto que resolvi baixar a guarda. Não muito, mas baixei. Depois você me quebrou de novo com suas atitudes. Apesar da sua dificuldade com a matéria, você aceitou minha divisão de tarefas e tentou fazer sozinho. Quando percebeu que sozinho não conseguiria você me pediu ajuda, mas de forma alguma, permitiu que eu fizesse sua parte. Honestidade. Eu entendi que você tinha aquele item raro no ser humano nos dias de hoje e o qual eu valorizava ao extremo. Além da dignidade ao assumir que, mesmo com a minha ajuda, não conseguiria terminar o questionário e entregou os pontos. Quando você permitiu que eu respondesse sua parte do questionário eu não o vi como um aproveitador oportunista. Eu tinha compreendido perfeitamente bem que você não era do tipo que gostava de se folgar em cima do colega nerd da turma. Afinal, você não tinha desistido sem tentar. Ao contrário, havia tentado e muito. E era claro que eu jamais pensaria em puni-lo por essa razão. No entanto, você se levantou com uma expressão destruída, de total derrota, alegando que não precisava colocar seu nome no trabalho porque eu o tinha feito sozinho. Eu nunca havia me impressionado com alguém tanto em um espaço tão curto de tempo. Suas palavras e sua expressão ficaram na minha cabeça pelos três dias de suspensão. Eu ficava tentando imaginar qual seria sua reação quando visse que eu coloquei seu nome no trabalho. Estava ansioso para retomar as aulas e poder te reencontrar, mas ao mesmo tempo preocupado. Eu não tinha sido nada amigável. Comecei a pensar que a primeira impressão que eu tinha deixado não fora nada boa e que eu tinha perdido a oportunidade de nos tornarmos próximos. Então acabei me desanimando sozinho e para escapar dessa sensação ruim me voltei completamente para os preparativos do primeiro manifesto que teria na cidade. Porém...

Houve uma nova pausa e um suspirar, então ele sorriu um pouco sem graça, mas deu continuidade.

— No dia que coloquei os pés dentro da sala novamente, foi impossível evitar o frio na barriga. Eu queria olhá-lo, mas eu não consegui. Entrei na sala tão tenso que a única coisa que enxerguei foi minha carteira, e fui direto para ela. Tinha me esquecido da rixa com o Roberto e tentei não pensar em nada além da aula dele. Porém, quanto mais o horário de intervalo se aproximava, mais meu pensamento se embaralhava e se voltava para você no fundo da sala. Eu calculava que nossos olhares acabariam se encontrando em algum momento e eu me peguei pensando em como deveria corresponder. Se eu deveria sustentar o olhar e cumprimentá-lo, ou se deveria apenas manter-me imparcial e desviar a atenção. Sei que quando o sinal soou eu não aguentava mais. E, por sorte, suas amigas tomaram sua atenção e eu pude fugir ao notar que havia ligações perdidas da Fran. Saí para retornar a ligação do lado de fora e acabei alongando o papo com ela, que perguntou se eu tinha compromisso aquela noite, e se eu não queria me reunir com eles no Copo Sujo. Confirmei no mesmo instante e voltei para sala, bem menos nervoso. Foi aí que eu vi o trabalho em cima da minha mesa, eu tinha me esquecido dele também. Sentei e passei os olhos rápidos no bilhete que você deixou; com receio de que algum curioso espichasse os olhos para lê-lo, eu o amassei e coloquei embaixo da carteira. Fora simples. Direto ao ponto. “Não precisava ter colocado meu nome, mas foi legal da sua parte, obrigado”. Algo assim. Internamente eu ri de mim mesmo pelo meu medo de me aproximar. Depois daquele bilhete em tom tão amigável, eu percebi que bastava eu tentar e você abriria espaço para eu chegar. Foi uma injeção de motivação direto na veia, ao ponto de eu decidir que iria me aproximar de você naquela mesma noite e iria chamá-lo para ir comigo no Copo Sujo. Mas você saiu feito uma bala da sala assim que a aula terminou. Talvez por não ter a companhia das amigas, nem a carona da Laura e precisar pegar o coletivo. Eu corri logo atrás e tentei alcançá-lo. Procurei por todos os lados, perguntei para umas meninas da nossa sala se tinham visto você passar, somente uma respondeu que você costumava pegar ônibus na Ricardo Brandão, então eu peguei minha moto e segui por esse caminho. Realmente, você estava seguindo a pé para o ponto e eu o parei.

Eu cobri meu abrir de boca com as mãos, não conseguindo acreditar naquela versão da história narrada do ponto de vista do Thiago. Eu jamais teria pensado nos sentimentos dele daquela forma.

— Juro, meu coração batia exageradamente quando eu o parei. Acabei não conseguindo formalizar o convite para o bar diretamente, saiu somente um convite de carona, era algo. Respirei com alívio quando você aceitou o capacete que eu te estendia demonstrando que viria comigo. Mas foi você montar que eu lembrei que eu deveria estar fedendo do dia de trabalho, aí eu pedi para não encostar e achei engraçado você retrucar: “tem medo de gamar, é?”. Eu tive que rir internamente, porque eu já estava completamente gamado e aquele sentimento estava se fortalecendo a cada instante. Então quando parei no sinaleiro com você na garupa e vi a mensagem da Fran perguntando se eu estava a caminho, eu senti que não podia deixar aquela chance passar e o convite para bebermos saiu. Sabe, Caio... — ele tocou meu rosto e sorriu ternamente. — Eu nunca fiquei tão feliz em receber um sim. Acho que foi naquele instante que percebi que eu te desejava mais que tudo. Até mais que terminar a faculdade, quitar as contas, ter um emprego melhor remunerado ou um país mais justo. E, daquele dia em diante, até hoje, meus sentimentos vem apenas se intensificando. Eu amo você. E se você aceitar, eu quero sim me casar com você. Não agora, eu quero pelo menos terminar a faculdade para poder sobrar um dinheiro e te comprar um anel.

Eu comecei a tremer, senti um engasgo forte de comoção e senti meus olhos lacrimejarem.

— Você sabe que não precisamos disso, afinal somos...

— Nem continue — ele me pediu daquele jeito doce, acariciando o meu rosto. — E não chore também. Levando em consideração que é possível em nosso país de leis tão injustas algo tão raro como a união de dois iguais, eu quero formalizá-la perante o estado, Deus, e o que mais for necessário. Eu já disse que sou do tipo antiquado. Eu gosto de fazer as coisas da forma correta e mesmo que sejamos do sexo masculino, se tivermos nossos direitos civis garantidos da mesma forma que qualquer outra união, quero fazê-lo. Vamos nos casar da forma mais clichê possível.

Eu dei risada.

— Bobo. Não me diga que vai querer que eu me vista de noiva também?

— Noiva não — ele negou e também riu, retificando na sequência: — de noivo. O noivo mais lindo que essa cidade vai ver — complementou.  

Eu o abracei, sentindo uma imensa vergonha.

— Eu queria tanto beijá-lo, mas nem escovei os dentes ainda...

— Mas tomou café... — e antes de completar a frase ele avançou sobre a minha boca e me beijou. A força do seu corpo sobre o meu me empurrou de volta para cama e nossos corpos se encostaram, ascendendo como fogo depois de uma faísca os membros que se roçaram condenando o quanto haviam se estimulado. Ele apartou o beijo e eu gemi sentindo falta do contato dos seus lábios. Ficou mesmo o gosto do café. Estava prestes a seguir na direção dele para continuar, mas o Thiago me parou para declarar: — Farei o pedido formalmente quando tiver condições de comprar um anel, Caio. Então, até lá, por favor, espere por mim, está bem?

— Thiago... — eu estava tão feliz, meu coração batia tanto, que não conseguia mais conter aquele desejo por sexo. — Eu irei esperá-lo o quanto for preciso. Mesmo que demore uma vida. E saiba que a resposta desde agora é SIM. Eu nunca pensei que você fosse me contar tudo que contou hoje e estou tão feliz que essa felicidade mal cabe dentro do meu peito. SIM, Thiago César Ribeiro de Souza. Serei a pessoa mais feliz do mundo em continuar sendo seu amigo, seu namorado, seu amante e no futuro ser seu marido. Mas, agora, por favor, só vamos fazer amor. Eu não estou mais aguentando, eu preciso exacerbar essa euforia que estou sentindo de alguma forma ou vou enlouquecer.

Prestativo ao meu apelo, Thiago desceu da cama e arrancou a camisa por cima da cabeça, baixou a calça com a roupa íntima e tudo e ficou completamente nu. Eu me apressei em fazer o mesmo, me livrei de toda roupa, inclusive a debaixo e o chamei de volta com um gesto de dedo. Ele se se aproximou e sua mão repousou sobre meu peito, como se estivesse conferindo meus batimentos cardíacos.   

Então o vi retirar os óculos de aros finos cuidadosamente e largá-los no chão rente a cama, para repousar aquele par de lindos olhos verdes diretamente sobre mim, senti meu estômago comprimir e engoli em seco.  

Os cabelos dele estavam presos em uma amarra lateral. Graças a minha ajuda agora o Thiago cuidava melhor dos fios longos, que haviam ganhado um corte e uma cor mais moderna e com uma franja de tamanho irregular, que pendia para o lado esquerdo do rosto, quase encobrindo o olho[1]. Os lábios dele estavam levemente inchados e rosados do beijo apetitoso que trocamos. Parecia loucura minha, ou de repente minha paixão havia aumentado um nível, mas o Thiago parecia extremamente lindo naquele instante e a minha excitação começou a ficar mais visível.

Ele me deu aquele sorriso sacana, que me desconsertava todo e me fazia perder o rumo.

— Você quer que eu o ame de uma forma mais bruta? — Thiago fez aquela pergunta repentina, me obrigando a retomar o nexo.

— C- como?

— Por tudo que narrou, parece que você gosta assim.

— Está pensando no Denis novamente, não é? Esqueça-o, Thi. Apenas seja você mesmo e eu ficarei satisfeito — tentei tranquilizá-lo, amparando o rosto dele e abrindo um grande sorriso. — Eu também adorei a forma comedida com que você fez amor comigo.

Aqueles olhos verdes sufocantes se fixaram em mim por mais um tempo e eu demorei um pouco para entender que...

— Você quer fazer desta forma? — dei voz a minha dúvida.  

— Não exatamente assim. Tem algo que eu gosto de fazer, mas não farei se não concordar.

Eu senti uma pontada de apreensão, porém, minha curiosidade era mais ágil.

— Diga o que é?

— Morder.

— Hã?

— Morder. Eu adoro morder. Principalmente as partes fofas, as quais você fez questão de desaparecer com elas.

— Está falando que queria morder minhas banhas?

Senti vontade de rir, mas ele ficou sério, deixando a atender que era aquilo mesmo.

— Você por um acaso é um vampiro disfarçado, meu amor? — Eu não segurei o riso e enlacei seu pescoço. — Eu sempre achei que essas suas presas charmosas fossem longas demais.

Ele também sorriu.

— Eu sinto algo peculiar quando mordo. Principalmente quando chega a perfurar.

— Só não beba o meu sangue e nem deixe marcas em lugares visíveis. Eu tenho que trabalhar, não posso aparecer no escritório com indícios do ataque de um ser noturno.

— Tem certeza? Vai doer. Não precisa fazer se não quiser.

— Se eu sentir que não vou suportar eu peço para parar.

— Combinado. Eu acho que vou começar por aqui então — ele correu as pontas dos dedos pelo meu peito, rodeou a aureola do mamilo esquerdo, até fazê-lo ouriçar, depois apertou a base, estufando-o para cima. Thiago então se aproximou com a boca cheia de saliva e lambeu o biquinho, logo o cobriu com a boca toda e chupou, alternando entre as lambidas. E quando a mordida veio, eu levei um susto e arqueei as costas para trás, gemendo alto. Ele realmente mordia com força e o ardor não se concentrou somente no mamilo, espalhou-se como uma corrente elétrica e provocando pontadas na virilha.   

A pontinha do mamilo foi puxada entre os dentes cerrados do Thiago com tanta força que achei que ele iria arrancá-lo.

— Ahhh! — acabei soltando um grito vergonhoso e meu rosto esquentou.

— Quer que eu pare?

— N- não... — eu respondi arfante. — De forma alguma. É estranhamento bom.

— Certo. Vou fazer no outro também — e apenas falar que repetiria o gesto fez meu corpo se retesar antes que ele colocasse sua boca no outro mamilo.

Quando Thiago repetiu o procedimento no mamilo direito, contorci até os dedões do pé e mais uma vez gemi de forma desavergonhada, alto, totalmente entregue. Era uma delícia aquela sensação e ficava difícil de reprimir a sensação de êxtase. Começava a acreditar que eu tinha uma inclinação forte para perversão.

Thiago prosseguiu. Largou os mamilos e correu a língua por minha barriga, dando alguns chupões certeiros e que faziam cócegas. Quando ele alcançou a parte interna das coxas ele repetiu o mesmo procedimento de lamber, chupar e prender a pele entre os dentes e puxar com força, ele se alongou na região dos dois lados, denunciando o quanto realmente gostava de morder o excesso de pele daquela parte do corpo.

Deu algumas engolfadas no meu membro e rastelou os dentes na glande, fazendo com que eu me contraísse de medo. Era óbvio que ele não morderia uma região tão sensível, mas deixar a intenção era suficiente para que os nervos aflorassem.

Depois ele pediu para que eu me deitasse de bruços e eu obedeci rapidamente, adorando aquela brincadeira.

Arrepios subiram e desceram por minha coluna conforme a ponta dos dedos dele percorriam a curvatura das minhas costas. Ele afastou meus cabelos e lambeu a nuca. Senti novos frissons se concentrarem naquela região que era extremamente sensível e quando ele cravou os dentes ali eu me empinei completamente, me contraindo com tanta vontade que achei que iria gozar sem sequer ser penetrado. Precisei respirar fundo para me acalmar.

Mas suas mãos continuavam agindo e seguiram para minhas nádegas, apartando-as. Senti a língua úmida dele estimular o orifício anal com lambidas e chupadas, nunca havia recebido um beijo grego antes e não fazia ideia do quão bom era. Era certo: eu não resistiria por muito tempo.

Eu estava tentando resistir, mas estava difícil.

O Thiago pareceu se esbaldar com as mordidas na minha bunda. Foram várias. Ele apertava o músculo da região e cravava suas presas sem piedade, causando dores agudas. Em um determinado instante senti que uma das mordidas perfurava minha carne e foi bem no instante em que ele usava os dedos para me penetrar.

Eu não queria gozar ainda e mordi com força o lençol da cama, eu queria aproveitar mais daquelas sensações e estava com raiva por não ser capaz de me conter.

— Thiago, por favor, pare. Coloca logo ou vou gozar antes que você entre — praticamente implorei.  

— Não me importo...

— Mas eu sim! Eu quero gozar sentindo você dentro de mim.

— Espera um pouco.

O corpo do Thiago se afastou do meu por um mero segundo, fora o tempo necessário para que ele fosse atrás do lubrificante que estava na gaveta da cômoda, então senti o líquido sendo despejado em abundância entre minhas nádegas. A sensação do gel frio entrando e escorrendo por minhas pernas foram suficientes para adensar minha ansiedade. Eu aproveitei para me posicionar, deitei a cabeça na cama, levantei o quadril e usei as mãos para eu mesmo separar as minhas nádegas e até mesmo o pequeno orifício entre elas.

— R- rápido, T- Thi... — eu demandei arfante.

— Essa visão é tão deliciosa... — ele disse roçando com a cabeça do membro a região. — Vou entrar.

— Enfie de uma única vez, por favor.

— Quer que eu meta todo de uma vez? Vai doer pra porra, Caio — ele alertou. — Você está muito apertado ainda, eu não preparei direito e meu pau tá inchado para caralho.

— Eu quero assim. Depois das dores das suas mordidas eu estou preparado.  

— Não diga que não avisei...

Depois daquele último alerta, o Thiago encaixou a cabecinha na entrada, ao terminar, ele buscou minhas mãos e puxou meus braços para trás. E, antes que eu pudesse inspirar e respirar, o golpe veio. Único. Certeiro. Ele se impulsionou ao mesmo tempo em que me puxou e fez com que seu membro atingisse o limite somente com aquele movimento. Seu membro entrou rasgando, queimando, e aquela sensação foi tão sadicamente maravilhosa, que me retesei por completo e permiti que os espasmos do orgasmo me tomassem.

Thiago soltou um gemido meio contido e passou a se mover depressa enquanto eu ainda gozava e dificultava a ação dele com minhas contrações internas.  Ele cavalgou em mim por um tempo naquela posição, para depois me deitar de lado, se acomodar atrás, levantar minha perna esquerda e continuar metendo com o mesmo vigor.

Quando eu senti os movimentos dele se intensificando, demonstrando que ele também estava gozando, eu entortei o pescoço para trás e encontrei sua boca, nos beijamos enquanto eu ouvia aqueles sons despudorados e molhados das investidas dele, devido ao sêmen que me inundava.

O Thiago prendeu meu lábio inferior entre seus dentes e passou a masturbar meu pênis. Ele arfava entrecortado e mantinha os movimentos vigorados.

Eu gozei novamente com ele gozando em mim.

Foi incrível.

Transar com quem se ama era realmente uma sensação incrível.

E saber que eu teria aquele prazer pela vida inteira, me embriagava ainda mais de alegria.  

Ao menos, eu esperava que tudo fosse simples assim.

Continua...

 

[1] Aparência do Thiago igual ao do fanart da capa.


Notas Finais


Já sabem, se puder, incentive a autora aqui deixando seu comentário!
Até o próximo! o/


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