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História Entre tapas (e beijos) - Capítulo 1


Escrita por: Ssinful

Notas do Autor


Oioi.

Bicho, vou falar, isso aqui tinha ficado mil vezes melhor na minha cabeça, mas juro que tentei.

Capítulo 1 - Único - Lembre-se de nós sob o sol



O alcunha "Cherry" era bastante comum aos seus ouvidos. Não somente porque não se via muitas pessoas na rua com cabelos longos tingidos de rosa vivo, mas sim também porque era um apelido que ele tinha dado à Cherry muito antes de até mesmo namorarem.

Por isso, foi impossível conter a vergonha e raiva quando Joe gritou seu nome em meio a fila gigante de virar a esquina da lotérica. Claro que aquele dissimulado não teria a menor noção do bom senso e faria gritaria onde estivesse. 

Não era do feitio de Joe agir com cautela, tampouco sutileza. Nem se a situação em questão fosse encontrar seu ex-marido. Na cabecinha oca e de visões deturpadas de Joe, Cherry fingia mais do que nunca seu ódio por ele.

Kaoru tinha certeza absoluta que não fingia nada. 

Certo, talvez uns 99% não fossem fingimento, mas o 1%...

— Pare de escândalo, seu Hétero Top desgraçado! — Kaoru bateu com o leque que segurava nos braços fortes de Kojiro.

— Sempre um prazer ver você, bebê. — ele piscou, sorrindo. — Quero dizer, satisfação, porque prazer é só na cama.

Era mesmo um babaca. Kaoru quase revirou os olhos até o cerebelo. 

Percebeu que algumas pessoas atrás e na frente deles murmuravam curiosas umas para as outras. Kaoru não tinha ideia de como Joe tinha conseguido furar uma fila inteira de pessoas irritadas apenas para atormentá-lo, mas ele sempre soube o quão astuto era seu ex-marido. O danado era bastante convincente de mil e uma maneiras, principalmente com as mulheres. O charme barato sempre foi um de seus dons.

E talvez tenha sido exatamente esse pormenor que tinha levado o coração de Kaoru para as mãos de Kojiro. Seu sorriso mole, suas cantadas ridículas. Ele se lembrava de cada uma delas como se tivessem sido jogadas por Joe ontem.

— Então — Kojiro o cutucou com o ombro. Kaoru franziu o nariz, dando um passo para o lado. — O que faz aqui?

— Não sei, acho que as pessoas vêm à lotérica para pagar contas, mas nem isso eu posso fazer mais. Nem a maldita conta de água eu posso pagar em paz.

— Usando esse cabelo preso assim, você me lembra como estava sexy no dia em que nos conhecemos. Procurando um novo amor na lotérica, Cherry? Eu tô solteiro. 

— Mas nem que você fosse o último pau desta terra, dissimulado. 

Kojiro escorou na parede, sorrindo brilhante e acenando de forma sedutora para uma velhinha que passava na rua. A mulher faltou derreter na calçada.

Como podia ser tão desprovido de noção?

— Você acabou de cantar uma senhora na rua, Kojiro? — perguntou ele, com o leque aberto perto do rosto. Silenciosamente, ele estava julgando Joe.

— Não tenho preconceitos com mulheres e homens acima dos vinte. Caiu na vila, o peixe fuzila. 

Kaoru tomou uma distância considerável de Kojiro, como se ele estivesse fedendo. Joe até mesmo se cheirou, pensando que aquele era o motivo.

— Meu Deus, onde eu estava com a cabeça quando me envolvi com você? 

— Isso é fácil — Kojiro cruzou os braços nas costas, de forma que seus músculos ficassem bastante proeminentes através da regata preta que usava. — Porque eu sou gostoso. 

Cherry sentou o leque no estômago dele mais uma vez, fazendo-o se contorcer. A visão por si só foi maravilhosa. 

— Lembrei porque separamos. Esse seu narcisismo exacerbado me enoja.

Kojiro fez uma expressão pautada em deboche, ainda que um de seus olhos estivesse em Kaoru e o outro em uma garota no começo da fila. 

O famigerado vesgo mulherengo.

— Isso não é verdade. 

— E você acha que eu te achava super incrível quando você voltava do cabeleireiro dizendo "o pai tá de celta" ou "o pai tá trajado"? — ele teve que baixar a voz ao perceber que estava gritando. — Você não tem noção do ridículo mesmo, não é, babaca? 

— Assim você machuca o meu pobre coração, Cherry~ 

Joe fez um bico nos lábios ameaçando ir para cima dele e beijá-lo. Cherry se esquivou, segurando o rosto dele com a mão. 

— Saaaai! Sai! Você nem deve ter escovado esse bafo de pica hoje, seu palhaço! — uma veia de nervoso saltou em seu pescoço enquanto ele tentava segurar Kojiro.

— Você gostava quando era o bafo da sua pica!

Kaoru abriu a boca, corando dos pés à cabeça. Kojiro deu risada.

— O que você…. seu… seu…

Ele começou a estapear Joe ali mesmo. Às vezes com as mãos, às vezes com o pobre leque. A fila toda virou para olhar aquela bagunça nada usual na lotérica. 

Não era todos os dias que você via dois homens brigando sobre tantos assuntos diferentes numa única conversa, certo?

Para a infelicidade de Kaoru, o segurança apareceu e os expulsou da lotérica. Ele não sabia se chorava ou ficava puto, porque estava na fila no sol quente há mais de uma hora, mas foi expulso porque o idiota do ex-marido resolveu encher a porra do seu saco.

— Que papelão foi esse, caralho… — Cherry trincou os dentes. Joe andava ao seu lado, com as mãos no bolso, assobiando como uma Língua-de-sogra. — E tira esse sorriso da cara, filho da puta. Isso é culpa sua! 

Kaoru bufou, notando que de nada adiantava ficar puto. Kojiro tinha dessas às vezes. Ele simplesmente agia como se nada fosse capaz de tirar sua calmaria. Nem mesmo Cherry. 

E isso irritava Kaoru. Era mais fácil lidar com o Kojiro tão bravo quanto ele, porque era fácil de ler a raiva. Contudo, quando Joe lançava a ele olhares calmos e cautelosos como o de agora, ele simplesmente não sabia lidar. Joe se tornava incognoscível, muito embora Kaoru fosse a pessoa que mais o conhecesse no mundo. 

Três anos de namoro e sete casado com a mesma pessoa tornavam conhecimentos como esse profundos e inflexíveis. 

— Eu odeio você — disse Cherry, escondendo metade do rosto sob o leque. — Quando chegar em casa eu vou acender uma vela de sete dias e desejar nunca mais te ver na minha frente.

Joe olhou-o de cima, parecendo se divertir com a situação. Mas… ele tinha algo intrínseco no olhar. Era desejo. Um quase palpável. 

Mas não um que ele lançava a qualquer pessoa na rua. Esse, Kaoru sabia, Kojiro só lançava a ele. Na verdade, doeu perceber isso, porque ele não podia negar o quanto Joe era bonito.

Mesmo que fosse um babaca narcisista.

— Claro que odeia.

Mesmo separados, uma hora ou outra o desejo presente entre eles sempre falava mais alto. Independente do resto, eles sempre voltavam um para o outro. Nunca tinham se separado de fato.

E bastou mais um olhar entre eles para que Kaoru passasse a torcer que o dia não terminasse com ele mais uma vez nu na cama de Kojiro Nanjo. Suas brigas sempre terminavam daquela forma: ele com as pernas para cima, suado, e com Joe entre elas. 

Joe o beijava como se fosse morrer no instante seguinte. Essa era a melhor parte. 

Ainda mais agora, que tinha o homem mais lindo do mundo ao seu lado. Olhando sua figura sob o sol e lembrando dos momentos que tiveram, Cherry notou que aquele 1% de amor era muito perigoso. Kaoru nunca duvidou disso.


Notas Finais


É isto.

Qualquer coisa, gritem. Tô sempre por aqui.

Beijão~


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