História Entre teus Acordes - Capítulo 1


Escrita por: e jeonggvk

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), K.A.R.D
Personagens B.M, Jeon Jungkook (Jungkook), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bangtan Boys, Bts, Professor, Romance, Taekook, Taekookdocx, Tkdocx, Vkook, Yoonmin
Visualizações 343
Palavras 4.743
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção, Fluffy, LGBT, Musical (Songfic), Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


[ E Q U I P E ]
- Plotmaker: @jeonggvk
- Beta Reader: @jeonggvk
- Designer: @TchutchuGguk
- Ficwritter: @jeonggvk

[N O T A S]
Olááá! Eu estava tão animada com o debut do projeto, meu!
Como eu estava ahhhhhhhh

Enfim, quero agradecer à @taekookw por ter me ajudado com os gêneros/avisos da fanfic; te amo, minha embaixadora favorita<3

Essa fanfic é inspirada em uma música famosa, traduzida pra várias línguas, mas que, se eu não me engano, se chama “O Professor de Violino”.

Uma boa leitura a todos<3
(Aviso: contém violência verbal)

Capítulo 1 - Capítulo Único: Uma canção de amor.


Todo ser humano que se preze tem um objeto favorito, ou algo de sua preferência. Existem aqueles fascinados por pedras, outros que admiram discos de vinil; Taehyung amava relógios de bolso.

Eu me lembrava bem, e jamais esqueceria, daquele que ele carregava no bolso. Um redondo, dourado, os ponteiros com detalhes nas pontas — como os daqueles portões antigos —, os números escritos em romano. Ele me contava que todos os dias puxava a cordinha do bolso, no caminho para o trabalho, e o dava corda.

Taehyung, por si só, era um homem antiquado. Se vestia como um velhote, falava como um, tinha aquele ar de sabedoria mesmo que apenas tivesse 23 anos. Era admirável, porém.

Às vezes eu gostava de imaginar que ele havia vindo de outro século. Talvez um viajante do tempo, um imortal. Aquele Kim tinha uma aparência de deus e, quando exercia sua profissão, vingava meu pensamento.

Meus pais sempre gostaram de talentos. Minha irmã e meu irmão, ambos mais velhos, haviam feito mil e uma escolas de tudo o que fosse possível. Piano, cosa, dança, canto, tudo que você possa imaginar agora.

Eu, felizardo, fui o que eles menos investiram. Fiz taekwondo na infância, até os 12 anos, e estudei em um cursinho rápido de inglês — minha irmã me xingava de leigo por ser péssimo na língua, então a dominei em poucos meses.

Eis que decidiram: Jeongguk fará violino!

Primeiro, odiei a ideia. Considerava, eu, que violino era algo inútil. Que seria mais interessante aprender a tocar violão, talvez uma guitarra, até mesmo bateria. Meu estilo favorito de música era rock, então, quando soube da notícia de que seria matriculado em uma academia de música e que aprenderia a tocar violino, foi como dar de cara com o muro.

Comecei há três anos, com 16. Minha professora, Elizabeth — era uma estrangeira com um sotaque puxado e a péssima mania de me puxar as orelhas —, me fazia odiar as aulas, mesmo que eu tivesse pego certo gosto pelo instrumento.

Foi quando ele chegou.

Me lembro de comemorar a demissão da professora Eliza. De pensar que, talvez, meus pais me tirariam do violino e me dariam mais tempo para, sei lá, namorar. Uma pena que o substituto chegou logo.

Eu não sabia que era um professor novo, achava que a velha Beth ainda estava lá, que era apenas um rumor e que eu teria de levar mais alguns beliscões até aprender tudo que deveria. Contudo, a surpresa foi quase que inevitável ao vê-lo sentado sobre a mesa, as pernas cruzadas, me olhando com aquele olhar sereno.

Taehyung usava uma roupa social. Os sapatos pretos, a calça marrom, uma blusa verde escuro e uma gravata preta. Claro, haviam mais detalhes como, por exemplo, o cordão do relógio de bolso pendurado para fora do bolso; os óculos de armação redondos; alguns anéis nos dedos longos.

Ele era elegante, de fato. Tinha uma áurea calma, serena. Me olhou e sorriu.

— Eu tô... na sala errada? — Murmurei, indicando, com a mão apontando, a porta. — Me desculpe, ahn...

— Não. Creio que não. — O homem bonito disse. — Seu nome é Jeongguk, não é? Faz aulas de violino. Serei seu novo tutor. Prazer, meu nome é Taehyung.

Ele estendeu a mão para mim e, quando a peguei, senti a firmeza que gostava em um aperto de mãos. Ela era maior que a minha, a mão. Um pouco, não muito. Era bonita.

— Me mostre sua música favorita, que tal?

Eu me lembro de ter ficado nervoso. A presença dele me fazia perder a noção de como se batia o coração. Algo nele, até hoje, fazia com que eu me sentisse observado, em prova, como se qualquer deslize fosse um erro enorme. Diferente de quando Elizabeth me testava, os olhos de Taehyung, sobre mim, causavam um ar de aventura.

Rather Be? — O professor se pronunciou apenas quando acabei. — O que te motiva a tocar, Jeongguk?

Aquela pergunta me fez respirar fundo. Abaixei meu violino e o guardei em sua capa, sem de fato a fechar, apenas encostando. Um pouco do senso que ainda existia em mim dizia que não seria agradável dizer que eu tocava por simplesmente tocar.

— Eu meio que gosto do som. — Justifiquei, dando de ombros.

O Kim sorriu em pura satisfação. No fundo, eu sabia que não havia sido o motivo disto.

— Você toca muito bem. — Ele se aproximou, apoiando a mão esquerda sobre meu instrumento. — Vou ensiná-lo a tocar por outro motivo.

— Qual? — Ousei indagar, curioso.

— O seu coração. — Agora, sua mão direita tocou em meu peito. — Vou te ensinar a tocar por sentir o coração acelerar.

Naquele dia, depois de um “com licença”, vi meu professor tocar pela primeira vez. Foi lindo. Definitivamente, foi a primeira vez que ouvi alguém tocar com paixão, por amar isso e se amar por fazer isso.

Aliás, ele era ambidestro. E nossas aulas sempre começavam assim:

— Vamos começar?

— Sim, Taehyung-ssi.

Taehyung fez a diferença para mim. Ele fazia eu me sentir vivo. Me deixava mais animado. Fazia eu me sentir apaixonado. Pelo violino e por ele.

Foi estranho. Até então, a minha maior experiência com homens havia sido de um ou dois beijos. Eu nunca tinha me apaixonado e lá estava eu, me oferecendo para trocar a lâmpada do apartamento dele só para que eu pudesse flertar descaradamente quando Taehyung passava da terceira taça de vinho e já estava mais altinho.

Eu só tinha 19 anos, um histórico médico cheio de ossos quebrados e uns dois anos perdidos por depressão, enquanto ele tinha 23 anos, um histórico de instrumentos aprendidos, já havia viajado para tudo quanto era canto e jurava já ter sido noivo.

Nossos mundos eram diferentes demais. Nós éramos diferentes demais e isso me assustava, me incomodava, me fazia querer ser mais velho, mais sucedido, mais por ele.

Hoje estava sendo um daqueles dias em que eu me punha a suspirar.

— O que foi, Jeon? — Ele questionou, bem humorado. — Está triste hoje?

— Não, professor.

Taehyung me encarou como se duvidasse de mim. Não demorou muito para que ele voltasse a folhear as nossas partituras, ajeitando os óculos de grau no processo. Taehyung era delicado.

— Estava pensando em pedir pizza para o jantar. — Denunciou-se.

Um sorriso foi surgindo na minha boca.

— E?

— Não seja desrespeitoso comigo. — O Kim riu soprado, olhando para mim com o semblante carinhoso. — Quer vir, Jeongguk?

Senti meu coração acelerar. Não era a primeira vez que meu professor me chamava para que fosse ao seu apartamento. Mesmo assim, era a primeira vez que ele me convidava para jantar com ele… em seu apartamento!

— Claro, professor. — Confirmei. — Só preciso avisar minha mãe antes.

— Tudo bem. — Seus olhos se voltaram ao portfólio. — Às 20h, sim? Precisa que eu te busque no metrô?

— Não, Taehyung-ssi. Posso ir andando.

— Te espero, então.

 

(...)

 

Descobri, depois de alguns meses de convivência, que a bebida favorita de Taehyung era vinho. Ele amava apreciar um bom e velho vinho com alguns pedaços de queijo e pão francês. Era o que mais tinha na casa dele.

Por isso, não hesitei em pegar um dos vinhos caros de meu pai e o levar comigo em uma sacola.

Queria que ele ficasse feliz.

— Já estou indo! — Taehyung anunciou por detrás da porta, assim que eu toquei a campainha. Pude ouvir uma série de ruídos até que ela fosse aberta. — Boa noite, Jeongguk.

— Boa noite, hyung.

Sorri para ele o meu melhor sorriso. Taehyung me retribuiu com um de seus mais bonitos.

— Eu te trouxe um vinho. — Estendi a sacola, sorrindo. — Espero que seja um que agrade o seu paladar.

— Ah! Não precisava… — Taehyung ficou sem graça, mas de um jeito bom. Ao pegar a garrafa, pude ver uma sombra de um sorriso na expressão de falsa reprovação. — Obrigado, Jeongguk.

— Não precisa agradecer.

Ajudei ele a arrumar a mesa. Taehyung estava de bom humor naquele dia, o que me fazia sorrir abobado. Eu adorava o ver assim, contente, expondo seu contentamento com a vida assim, sem medo de ser feliz.

— Eu já pedi a pizza, viu? — Me avisou.

— De quê? — Questionei.

— Metade mussarela e metade atum. — Respondeu-me. — É sua favorita, não é? A de mussarela.

— Sim. — Sorri. — E a sua é a de atum.

— Acho que sabemos bastante um sobre o outro, hm? — O Kim sorriu, brincalhão, sacando a rolha do vinho. — Servido?

— Sim, por favor.

Bebemos, jantamos e bebemos mais um pouco. No meio disso, muita conversa. Por mais que ele fosse meu professor, tínhamos muito assunto para colocar em dia, principalmente da parte dele.

Taehyung era uma pessoa aparentemente séria, mas extremamente falante e extrovertida. Já eu, não parecia assim tão sério, só que servia como um ótimo ouvinte mais tímido, mesmo que despojado.

Era assim que minha mãe me descrevia, ao menos…

Tanto eu quanto ele já estávamos um pouco bêbados. Claro, era muito bobo ficar embriagado por vinho, mas já havíamos tomado tanto, mas tanto, que deveria equivaler a uma boa dose de cerveja.

— Me diga algo que eu não sei. — Taehyung propôs num tom de pedido, mas que era uma ordem clara.

Ele adorava aquele tipo de papo sempre que ficava mais louquinho. O Kim era um estereótipo de velho, com assuntos mais conceituais e um jeito delicado para um homem. Era o que a minha mãe dizia…

— Você é lindo.

— Disso eu já sei. — Gabou-se por meio de um riso fraco. — Fala outra coisa.

— A sua boca fica ainda mais atraente quando está molhada de vinho. — Desviei o olhar, rindo nasalado.

— Você acha?

Acho.

Ficamos em silêncio.

— Olhe pra mim.

Encarei Taehyung e senti meu fôlego sumir quando o vi tão pertinho, apoiando a mão em meu peito, me sorrindo um sorriso sapeca.

O maldito era irresistível e sabia disso. Sabia que eu não conseguiria aguentar aquela proximidade e, como esperado, o beijei com tanto gosto que senti meu corpo leve demais.

Minha mão em sua cintura, os dedos dele em minha nuca, tudo estava tão perfeito… Nosso beijo era molhado e lento, desejoso; fazia estalinhos vez ou outra, principalmente quando separávamos os lábios e os uniamos novamente.

Ele mordeu meu inferior e sussurrou sacanagem no meu ouvido. Me convidou a ir ao seu quarto. Beijou minha bochecha. Pediu por colo.

E eu, enfeitiçado, não ousei negar.

 

(...)

 

Pela manhã, acordei com uma pressão gostosa em meus lábios. Aos poucos eu ia recobrando a consciência, os sentidos; o cheiro de Taehyung invadia minhas narinas, eu podia sentir o calor humano que eu dividia com meu professor.

Quando abri meus olhos, apenas ao fim do selar, vi Taehyung sorrindo para mim. Ele vestia minha blusa vermelha, tinha os cabelos desgrenhados e uma carinha de sono um tanto inchadinha.

— Bom dia. — Desejou a mim, fazendo com que eu sorrisse. — Dormiu bem, Gguk?

— Sim. — Respondi-o, me virando de lado na cama, para que eu melhor o olhasse. — E você, hyung?

— Otimamente bem. — Suspirou calmo.

Taehyung deitou a cabeça na cama outra vez, guiando seus dedos até meu maxilar, dedilhando a linha como se fosse importante. Eu sorri para ele; ele sorriu para mim.

— Como as coisas vão ser agora? — Indaguei, realmente querendo saber. Taehyung franziu o cenho. — Entre nós.

— Como você quer que seja, Jeongguk?

Quando Taehyung me encurralava, eu ficava desnorteado. Ele sempre sabia o que dizer para me deixar sem palavras, perder a noção do que diria, tudo. Meu professor tinha um poder inexplicável sobre mim.

— Não quero que as coisas fiquem estranhas. — Falei baixinho, tímido. Ele sorriu para mim. — E não quero que isso tenha sido só por termos bebido de mais.

O rapaz se sentou, encaixando a palma no meu peito. Acho que eu nunca irei me esquecer do olhar que ele sustentava a mim, jamais. Era tão aconchegante, terno…

— Não precisa ser. — Prometeu-me. — Não beijei você porque estava bêbado.

Umedeci os lábios, me sentindo ansioso.

— Eu o desejo às escondidas. — Taehyung sorriu, tímido, abaixando o olhar enquanto desenhava figuras invisíveis e abstratas em meu peito, usando a ponta do dedo. — Há tempos.

— E por que não me disse? — Questionei, me sentando igualmente. — Hyung…

— Shhh. — O Kim pegou meu rosto, alisando minha bochecha com o polegar. Seus olhos brilhavam e aquilo era encantador. — Se eu tivesse dito, não seria como foi.

Respirei mais tranquilo ao ouvir aquilo, ajeitando a franja desgrenhada do Kim. Nós ficamos nos olhando em silêncio, em carícias inocentes, como se fôssemos dois amantes.

— Vamos fazer amor. — Meu professor convidou, alisando meu rosto com carinho. — Vamos, Jeongguk?

Ah, quando eu ouvi aquilo… meu coração disparou, minha respiração falhou e eu me senti em transe.

Na noite passada, Taehyung e eu não fizemos sexo. Nós nos beijamos, sim; nos apalpamos, sim; mas não chegamos a nos tocar tão intimamente a ponto de transarmos.

Só chegamos a tirar as nossas blusas, porque estávamos com muito sono. Foi engraçado, mesmo que um pouco trágico, mas agora era uma memória boa. Ao mesmo tempo que era frustrante, a sensação de ter tido Taehyung deitado em meu peito na noite passada, recitando poesia, jamais poderia ser comparada com sexo.

Eu não o respondi, porque fiquei tímido. Meu rosto deveria ter ficado mais do que vermelho, demonstrando o quanto aquilo me afetava de forma positiva. Mas, o respondi com ações: beijei sua boca e o puxei para perto pela cintura, aos poucos o deitando na cama, extasiado.

— Você não vai começar a rir de novo, vai? — Perguntei em uma tentativa de acalmar os nervos, brincando. Taehyung riu.

— Ah, não fale isso… — Ele segurou em meu rosto, me dando um selinho. — Jeongguk, vamos esquecer que noite passada eu tive um ataque de risos, tudo bem?

— Bom, depende do que eu vou ganhar em troca por esquecer isso. — Dei de ombros, sugestivo.

Meu professor sussurrou a resposta em forma de sacanagem em meu ouvido.

— É um bom pagamento. — Confirmei.

— Que bom que acha… — Pude ver seus olhos descendo pelo meu tronco, enquanto seus dedos serpenteavam meus músculos.

E então, nos amamos.

 

(...)

 

Jimin, meu irmão, me olhava desconfiado. Tanto por eu ter dormido fora noite passada, quanto por ter chegado aos sorrisos em casa antes do almoço.

Naquele dia, Jiwoo, a mais velha entre nós 3, havia vindo almoçar conosco. Ela tinha seu apartamento próprio, um carro, a faculdade de medicina quase finalizada e um estágio de auxiliar de enfermeira no hospital em que minha mãe trabalha como cirurgiã. Mesmo assim, ela vinha nos ver.

Já Jimin, o do meio, fazia faculdade de arquitetura e curso de desenho durante a tarde, onde ele estava prestes a se formar para dar aula ali. Ele sabia dançar, pintar, calcular, cozinhar…

Éramos uma escadinha: Jiwoo, 25; Jimin, 22; eu, 19.

Minha irmã não gostava muito de mim, ela me achava mimado. Só que Jimin era meu confidente; eu, o dele. Éramos dois parceiros do mesmo crime, sabíamos mais um do outro do que qualquer coisa, e isso incluía toda a minha paixão por Taehyung.

Senti o conforto de o contar no dia em que vi seu namorado escalando a janela para que eles pudessem namorar escondido. Nunca cheguei a conhecer Yoongi, mas Jimin me contou bastante sobre ele e sobre como se conheceram. Então, depois me senti confiante para contar sobre Taehyung. Ele achou fofo.

— Ok, desembucha. — Ele me pegou no corredor, quando eu saía do banheiro após escovar os dentes. — Entra aqui, a Woo tá na cozinha com o pai.

Passei pela porta do quarto, que ele segurava, ouvindo-a fechar logo em seguida. Me sentei na cama dele e logo ele me acompanhou, rindo da minha cara. Eu estava nervoso, ansioso.

— Fui na casa do Taehyung ontem de noite. — Contei. Ele já sabia que eu frequentava a casa dele, até minha mãe sabia. — Ele me chamou pra jantar.

Jimin puxou ar pela boca, surpreso.

— A gente bebeu e aí… nós nos beijamos…

— Vocês treparam?! Você dormiu lá! Jeongguk!

— Shhh! — Exclamei. — Fala mais baixo, hyung!

— Tá, foi mal. Continua.

Respirei fundo e o contei tudo o que aconteceu. Que nós fomos ao quarto, chegamos nas preliminares, até tiramos nossas blusas, mas que Taehyung começou a rir enquanto eu beijava a barriga dele e, bem, depois eu dei minha blusa a ele e dormimos abraçados.

— Ah, cara… Isso é broxante. — Jimin fez a observação, me fazendo rir.

— Eu sei. — Afirmei. — Depois, pela manhã, ele pediu pra fazermos amor.

Jimin imitou um som de vômito que me fez rir um pouco, achei engraçado. Eu sabia que não era do feitio dele ser assim… romântico. Jimin odiava frufrus e essas coisas, era um camarada estranho, por mais que tivesse uma aparência de anjinho. Ele me disse que ele e Yoongi, ao invés de verem filmes juntinhos, brincavam de luta.

Esquisito, mas era o que ele gostava.

— Ele é assim? Romântico? — Me perguntou.

— Bem, é… — Desviei o olhar, tímido. — Taehyung-ah gosta muito dessas coisas, pelo o que ele me disse. Ele adora Shakespeare.

Jimin se ajeitou na cama, se aproximando mais de mim. Sua expressão mudou. Pegou minhas mãos e me olhou bem nos olhos, concentrado, como se fosse me dizer algo muito importante. Fiquei nervoso. Ele percebeu.

— Jeongguk, — começou. — Você sabe que agora vai ser complicado, não sabe? Vocês são dois homens, têm diferença grande de idade, são professor e aluno… Talvez as pessoas não encarem bem. Vocês vão ter que manter isso em segredo.

— Sim, eu sei. — Suspirei, tristonho. — Mas eu faria isso por ele. Faria mesmo.

Meu irmão sorriu sapeca, me olhando como se eu não tivesse jeito. Em meio à isso, me olhava com um orgulho que escapava por entre os olhos bonitos. Eu sabia que ele estava tão feliz por mim, quanto temeroso pela minha felicidade.

Jimin e Yoongi eram dois homens, mas tinham a mesma idade e eram colegas de faculdade: mais fácil. Se para eles já era difícil, imagine para mim e Taehyung? Ele sabia disso.

E sabia que talvez eu não conseguisse aguentar.

— Ele é romântico que nem você, eu aposto… — Murmurou, me vendo assentir. — É sua cara metade, então.

— É… — Suspirei apaixonado. — Acho que é, sim.

 

(...)

 

Taehyung e eu estávamos nos beijando na sala de aula. Da 1 hora que tínhamos para a aula, estudávamos os primeiros 45 minutos e depois passávamos o resto da aula namorando.

Na verdade, a primeira vez que nos vimos depois da noite em que passamos juntos, há duas semanas, eu mal conseguia o olhar. Ele sorria diferente para mim. Parecia ainda mais alegre e falava mais metáforas do que antigamente. Foi depois que eu toquei uma música para ele — porque me fora pedido — que ele me segurou pela mão e me deu um beijo carinhoso.

Ele me fazia melhor. Minhas notas no último ano da escola subiram, passei a tocar o violino com maestria e agora meus amigos e família me viam sorrindo. Taehyung me deixava com vontade de escrever poesia, cantar e dançar na calçada e morrendo de saudades dele.

Minha mãe sequer suspeitou quando pedi por mais uma aula durante a semana. Quando eu saía mais vezes de noite e voltava com um sorriso bobo no rosto.

Eu amava Taehyung e Taehyung parecia me amar também. Nunca dissemos isso um ao outro, acho que porque nossas ações valiam mais do que qualquer “eu amo você” que pudéssemos segredar um ao outro.

Nunca fui tão feliz quanto estava sendo agora.

— Eu tava com vontade de comer petit gateau. — O Kim me disse, deitado no chão comigo, agarradinho em mim. — Hmmm, tem um lugar que vende um desses tão gostoso, Gguk…

— Você está me chamando pra sair? — Indaguei, erguendo uma sobrancelha.

— Aham. — Ele sorriu para mim. — Estou, querido aluno.

— Pois aceito, querido professor. — Dei um selinho nele. — Pode ser amanhã, no sábado de tarde? Eu até iria com você hoje, mas tenho um simulado de manhã…

— Não, tudo bem. — O hyung riu. — Por mim, está ótimo.

— Me passa o endereço, então. Por mensagem.

— Não! — Exclamou, apoiando a mão em meu peito. — Gguk, eu tenho carro. Eu te levo, dongsaeng. Para de ser teimoso, não me custa nada.

Suspirei derrotado, assentindo.

— Bom menino. — Sorriu. — Agora me dá um beijo.

Dei um selinho estalado na boca bonita, sorrindo cúmplice com ele conforme nos levantávamos do chão, arrumando nossas coisas. Infelizmente, nossa aula havia acabado. Passava tão rápido…

— Próxima aula a gente vai treinar música clássica. — Relembrou-me, entregando meu casaco. — Me manda mensagem quando chegar em casa, viu?

— Claro que sim. — O dei um último beijo. — Até amanhã, hyung.

— Até, Jeonggukie.

De lá, eu fui pegar o metrô para ir para casa. Não era muito longe, então não demorava muito… mas demorava o suficiente para que eu ficasse divagando sobre Taehyung e minha paixão não-tão-platônica por ele. Nossos momentos juntos. Os que teríamos em breve. Os que eu gostaria que tivéssemos.

Jimin estava certo: eu havia me perdendo entre os acordes de Taehyung e deixava ele me tocar da forma que quisesse, em seu ritmo e melodia, sem pestanejar.

Suspirei abobado quando desci da estação, andando para casa. Meu telefone vibrou no bolso algumas vezes, mas deixei de lado antes de chegar na esquina da minha rua. Quando o fiz, o puxei de onde estava e ri nasalado: era Taehyung.

“Cheguei em casa”, enviei a ele. “Tá tudo bem aí?”.

Haviam algumas mensagens de Jimin, mas eu optei por ignorar, já que logo estaria em casa e poderia falar pessoalmente com ele.

Quando abri a porta de casa, porém, me assustei ao ver minha família reunida na mesa de janta. Meu pai com a faceta irritada; minha mãe, decepcionada. Jiwoo empinava o nariz ao lado de seu noivo — que vegetava na mesa — enquanto Jimin parecia extremamente nervoso e ansioso.

— Jeongguk, — meu pai chamou. — Precisamos conversar.

Deixei minha mochila e meu violino sobre o sofá, me aproximando deles com receio. Me sentei, então, no lugar vago — na ponta da mesa, de frente para o senhor Jeon — enquanto olhava para todos com a expressão perdida.

— Sim…? — Balbuciei.

— Sua irmã disse que você está se relacionando com o senhor Kim.

Foi assim: na lata. Quando eu ouvi aquilo, foi como se algo tivesse morrido em mim. Desviei o olhar para Jimin e pude ver a mesma tristeza que eu esbanjava nos olhos dele.

— Isso é coisa que se faz, Jeongguk?! — Meu pai exclamou. — Um… um homem, Jeongguk! Um homem mais velho e seu professor, ainda por cima.

Minha mãe começava a chorar, soluçando.

— Qual o problema de ser um homem, pai?! — Jimin bradou. — Deixa de ser um preconceituoso de merda!

— Você não fale nada, Jimin, porque você ajudou o Jeongguk a esconder essa decepção! — Foi a vez de minha mãe gritar, aos prantos. — Como você pôde, Jeongguk? Você é um garoto tão lindo… que desperdício, meu filho. Não faz isso com a sua mãe, não.

Suspirei, abaixando o olhar. Minha garganta secou.

Agora Jimin brigava com o meu pai, defendendo com unhas e dentes um relacionamento homossexual; minha mãe era abraçada por Jiwoo, que me olhava mais do que feio, enquanto chorava todas as suas pitangas.

— Nós vamos te desmatricular dessa bosta, Jeongguk! Vamos processar esse professor por influenciar nosso filho!

Eu me levantei em silêncio, guardei a cadeira no lugar certo e fui para o meu quarto, ignorando toda a confusão que faziam no andar de baixo. Tranquei a porta, para que ninguém entrasse, me jogando debaixo dos meus cobertores assim que puxei meu celular, ligando para Taehyung.

Estava dando ocupado.

“Eu te amo”, enviei a mensagem. “Te amo, hyung”. “Te amo mais do que tudo”, nessa hora, eu já chorava. “Eu amo você”.

Depois de minha mãe bater na porta, minha irmã bater na porta e, por último, meu pai bater, a casa ficou em silêncio. Um silêncio tão desagradável, mas que era mil vezes melhor do que a catástrofe de antes.

Ouvi meu pai e Jimin conversando no quarto dele, mas não claramente. Depois, minha mãe e meu pai no corredor, achando que eu estava dormindo. Alguns minutos depois, ouvi ela ligando para Taehyung, gritando com ele por telefone, o que mais cortou meu coração naquela noite. Eu pensei que poderia ter um ataque.

Demorou uma hora para que eu conseguisse me acalmar depois disso. Uma hora chorando em silêncio antes de pegar meu celular e ter a boca amarga ao ver minhas declarações visualizadas e não respondidas. Aquilo doeu.

— Jeongguk… — Ouvi a voz de Jimin pela porta, bem abaladinha. — Deixa eu entrar, Jeongguk?

Engoli o choro goela abaixo, me levantando. Andei até a porta e a destranquei devagarinho, deixando Jimin entrar. A fechei e tranquei novamente, recebendo um abraço apertado do meu irmão, que chorava como um bebê.

Nunca o vi assim na minha vida. Nunca.

— Briguei com o pai. — Sussurrou para mim. — Vou sair de casa, Jeongguk. Eu e Yoongi já estávamos procurando um lugar pra ficarmos os dois, mas eu não vou levar ele ainda. Eu quero me mudar e quero que você vá morar comigo. Mas antes, você tem que esperar as coisas acalmarem.

Ele se afastou, me segurando pelos ombros.

— Tudo bem?

— Tudo bem, hyung. — Minha voz saiu quebradiça. — Obrigado. Obrigado por me apoiar.

 

(...)

 

Demorou quatro meses para que meus pais me deixassem sair de casa sozinho novamente, mais dois para eu me mudar. Antes disso, só acompanhado deles ou da minha irmã — coisa que eu realmente não queria.

Depois da nossa briga, eles tiraram meu celular, cancelaram minhas aulas de violino e até mesmo esconderam o instrumento de mim, deixando ele em algum lugar que, mais tarde, Jimin achou e levou para a nossa casa.

Procurei por Taehyung em todos os lugares, mas não achei. Ele não dava mais aulas na academia de música, soube que foi demitido por “comportamento indevido” e aquilo me deixou chateado. O procurei nos metrôs que ele me dizia frequentar, até mesmo fui até seu prédio para conseguir falar com ele, mas nada. O porteiro me contou que ele havia se mudado e eu pude ter a certeza quando toquei a campainha do apartamento em que ele morava e quem abriu a porta foi uma tal de Somin.

Eu ainda o amava. Demoraria muito tempo, eu tinha certeza disso, para que eu deixasse de o amar, como demoraria…

Estava sendo difícil esquecer dos acordes de Taehyung, mas eu me esforçava dia após dia.

Saí de casa, felizmente, e fui morar com Jimin. Conheci Yoongi, que me adotou quase como um filho, passei na faculdade de música e agora estudava para, quem sabe um dia, me tornar produtor e poder passar adiante tudo que eu aprendi com meu amado professor de violino.

Sorri satisfeito. Foi um fim trágico, mas digno de um amante de Shakespeare. Tudo o que passei com ele foi inesquecível. Ele havia sido parte dos meus melhores dias e jamais sairia das minhas memórias felizes. Ir ao metrô ainda me fazia lembrar de meus dias de moleque fantasiando com ele, porque era exatamente isso que eu sempre fazia e fazia agora: sentar no vagão e pensar em Kim Taehyung.

Às vezes eu ouvia coisas que me remetiam a ele. Sua voz me chamando. Sentia seu cheiro. Ouvia as melodias que ele tocava para mim no violino. Eram sensações especiais para mim. Naquele dia, eu ouvia o tiquetaquear de um relógio sendo ajustado.

Curioso, me levantei de onde estava sentado, em uma linha que eu não costumava pegar, mas que pegava hoje para que fosse ver Yoongi em seu aniversário. Segui o som até um homem com roupas largas, cabeça baixa e fios loiros, ajustando seu relógio de bolso no colo.

Nostálgico, eu sorri; me sentei ao lado dele e perguntei:

— Você dá corda nele todo dia?

O homem me olhou.

— Sim. — Era Taehyung.

Nós ficamos em silêncio, apenas nos olhando. Um mais desacreditado que o outro. Um turbilhão de emoções me pegou e, por conhecê-lo tão bem, eu sabia que o pegava também. Ele ainda me olhava com aqueles olhos brilhantes e apaixonados. Suas bochechas enrubesceram.

— Você pintou o cabelo. — Constatei, rindo tímido.

— E você está com mais rosto de moço.

Ficamos em silêncio, até que eu ousei brincar com algo que ele me disse em nossa primeira aula:

— O que te motiva a dar corda no relógio, Taehyung?

Ele sorriu tímido, abaixando o olhar.

— Hoje em dia, você.

Sorri aberto, feliz. Eu não conseguia aguentar a euforia que sentia, sentia o sentimento explodindo meu peito em uma sensação maravilhosa. Incrível. Sensacional.

— Eu não cheguei a te responder, Gguk, porque fiquei acanhado depois da conversa que tive com a sua mãe… — Ele desviou o olhar, depois voltou a me encarar. — Mas, eu também amo você. Espero que seja recíproco…

— É sim, professor.


Notas Finais


Espero que tenham gostado, amiguxos<3
Deem muito amor ao perfil e é isto.
Aos que se inscreveram pra beta e capista: reconhecem o plot? Hmmm talvez eu não seja criativa rrsrsrsrsrs mentira

Paz e amor~


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