História Entre tintas e sentimentos. - Capítulo 2


Escrita por: e Izzy-Tan


Notas do Autor


⚠️ As frases escritas em itálico são citações do próprio Van Gogh.

Capítulo 2 - Sofrer sem se queixar.


Vincent deixou de lado as tintas e os pinceis, caminhou até a sacada, olhando as inumeras estrelas que brilhavam no céu, admirava da mais pequena e azul, até a mais grande e vermelha delas. A luz que reluzia da lua e de todas as suas pequenas companheiras faziam com que Van Gogh se sentisse confortável para descansar de todo o peso que carregara durante o dia.

Seus pensamentos iam a todo vapor, mesmo parecendo traquilo e sereno, por dentro se encontrava completamente bagunçado, como se uma furacão insistisse em desorganizar tudo. Uma lágrima escorreu de seus olhos, a madrugada se aproximava, já era de costume ele se desabar naquele horário, o qual ninguém estaria acordado para vê-lo ser fraco.

- Por que não consigo pedir ajuda?- Disse, encostando nas barras de ferro de proteção da sacada.- Paul pareceu adivinhar minha dor, mas por quê rejeito sua ajuda todas as vezes?- perguntava para se mesmo.

Voltou ao quarto, abrindo uma gaveta de sua cômoda, pegou um papel, uma caneta e um tinteiro, se sentou em frente a pequena mesa que se encontrava no canto do cômodo, e começou a escrever uma carta para seu irmão mais novo, Theodoro.

Somente naquelas cartas ele poderia ser verdadeiro consigo mesmo, escrevia facilmente os seus sentimentos, compartilhado cada detalhe de sua vida com Theo, aquele que mesmo longe servia de ombro amigo. Van Gogh não tinha essa abertura com Gauguin, mesmo sendo tão próximos, o holandês nunca se sentiu avontade para dizer o que sentia.

Ao escrever todas aquelas palavras, deixou cair uma ou duas lagrimas na folha de papel, era como uma assinatura que seus olhos deixavam em todas as cartas destinadas ao seu irmão.

"Quem não é senhor de seus próprios pensamentos, não é senhor de suas ações!". Nós últimos dias Vincent não estava sendo senhor de seus pensamentos, ações, nem mesmo do que falava ou deixava de falar, parecia que havia se perdido no meio do nada, ou talvez em certas palavras ditas por alguém.

"Cordialmente. Vincent Willem Van Gogh." Escreveu no final da folha, a colocando em um envelope, entregaria ao correio quando o dia amanhecesse. Guardou a carta na mesma gaveta em que pegara os itens para escreve-la, se dirigiu até sua cama, se deitando e olhando o teto, talvez demoraria para dormir, mas descansaria seus olhos antes do sol nascer.

(…)

O dia já estava claro, as pessoas seguiam suas vidas, aqueles importantes andavam pelas ruas com suas carruagens e charretes, outros de profissão pouco valorizada caminhava com suas próprias pernas como sempre, esse era o caso do ruivo.

Com a carta em seu bolso, seguiu em direção ao correio, não era muito longe dali, seria apenas quatro quarteirões para caminhar, com seu olhar distante e vazio, nem percebeu que uma conhecida vinha em sua direção, fora arrancado de seus devaneios por uma voz doce e suave que dirigia sua palavra a ele.

- Ora, se não é Vincent Willem?!- Disse a mulher com um sorriso no rosto. - A quanto tempo!

- Ah, como vai Elizabeth? Realmete faz um bom tempo.

- O que acha de irmos tomar um café?- perguntou a jovem moça.

- Claro!

Elizabeth Bourguereau também era uma pintora, fora colega de Vincent quando estudavam na Escola de Belas Artes, em Paris, eram bem próximos, mas perderam contato depois que Van Gogh se mudou para Árles.

Os dois adentraram em uma cafeteria próxima, não era a mais nobre, mas também não muito humilde, se sentaram próximo a vidraça, logo a garçonete veio atende-los, pediram suas bebidas e iniciaram um conversa.

- Como tem passado?- perguntou Vincent, não usando de total formalidade, afinal eram amigos.

- Bem, me mudei para essa cidade a poucos dias, soube que aqui tem muitas inspirações, então resolvi ver se era verdade.

- De certa forma é um lugar onde se pode encontrar muitas coisa em que se espelhar, com base no seu estilo para pinturas, acredito que irá achar muitas mulheres para se inspirar.

- Assim espero, mas e você, como tem passado durante esse tempo?- perguntou Elisabeth olhando pelo vidro o movimento da rua.

- Bem, na verdade ando pintando muito, embora não consiga vender tantas telas assim, estou dividindo um apartamento com Paul Gauguin para diminuir as despesas.

- Mas que notícia agradável, fico feliz em saber que Gauguin também está aqui em Árles, mas lamento por não conseguir vender suas tão impressionantes telas.

- Sejamos humildes, assim pois com paciência: Sofrer sem se queixar é a unica lição que se deva aprender nessa vida! A arte é um meio de consolo para aqueles que estão quebrados pela vida, portanto continuarei pintando mesmo não tendo sucesso nas vendas.


Notas Finais


⚠️As frases escritas em itálico são citações do próprio Van Gogh.


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