História Entre troféus e paixões - Capítulo 1


Escrita por: e mannikka

Postado
Categorias EXO
Personagens D.O, Kai
Tags Competição, Encontro, Esportes, Exonit, Exonitproject, Hóquei, Jongin, Kaido, Kainit, Kaisoo, Kyungsoo, Motivação, Romance, Soonit
Visualizações 158
Palavras 5.479
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Esporte, Fantasia, Ficção, Fluffy, Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oiiiii pessoas!!!!! Aqui é a Mannikka, trazendo mais uma fic nesse projeto lindo. Acho que eu fugi um pouquinho da ideia original, mas ficou legal. Quero dizer que eu amo Hóquei, e um dia adoraria jogar, mas esse dia não é hoje hehehe, leiam às notas finais.
E os créditos para a betagem da maravilhosa Ninikai17, e a capa ficou pela incrível Paskocima
Boa leitura.
Ps: punk, é o disco usado no hóquei, equivalente a bola nos outros esportes ;)

Capítulo 1 - Sobre patins


Fanfic / Fanfiction Entre troféus e paixões - Capítulo 1 - Sobre patins

JongIn estava esparramado no sofá após uma noitada — precisou sair para beber com os amigos, após quase ser preso por uma “briga boba”, como ele mesmo disse. Depois de vencer o campeonato estadual e dumas festinhas, o jogador se envolveu numa briga feia com os jogadores do outro time.

Park entrou no apartamento e quase teve uma crise. Havia roupas espalhadas por todo o lado, além de latas de cerveja e embalagens vazias de comida.

— JongIn! — chamou enquanto se aproximava do loiro desmaiado, sempre desviando do lixo. — JONGIN! — O jogador deu um pulo com o grito e caiu sentado no chão.

— Meu Deus do céu! O que é isso, Chan!? Alguém ‘tá morrendo? — Esfregou as mãos no rosto, despertando.

— Sim, eu vou morrer! A qualquer hora, o meu coração já não vai aguentar mais. Tem noção de como é ser seu agente? E o que ainda está fazendo aí deitado? Você tem que estar, em duas horas, no outro lado da cidade!

— Você está falando rápido demais... — O loiro esticou os braços num alongamento. — Eu nem sei do que você está falando. Cidades... horas... e, sem falar que, antes de ser meu agente, você é o meu melhor amigo — disse com um sorrisinho.

— O trabalho comunitário, esqueceu disso também? — Park cruzou os braços, encarando o jogador.

— O... trabalho comunitário? — Kai arqueou a sobrancelha, tentando se lembrar do que se tratava.

— Sim, o que você concordou em fazer para não ir à cadeia por perturbar a ordem pública.

— Uau, e eu precisa mesmo fazer isso? Tipo, não tem como...

— Não, não tem como. Sem falar que a imprensa vai estar lá, e você tem que passar uma boa imagem.

— Tudo bem, vamos fazer isso! — Levantou e sentiu sua cabeça doer terrivelmente. Sentou-se novamente. — Só preciso de uns minutos.

— Vai tomar banho logo!

 

(...)

 

ChanYeol parou o carro ao lado de um colégio fundamental, Pyeong-ai. Kai olhou sem entender. Era um bairro pobre e a tinta das paredes estava descascando, e, por sinal, não havia um único carro de imprensa ali.

— Chan, pode parar com a brincadeira agora. Eu já entendi que está bravo, mas agora podemos ir para–

— Pare você de brincadeira, é aqui mesmo o nosso destino. Este é o colégio Pyeong-ai, tem um time de hóquei e, para a sua sorte, os garotos são seus fãs. Vamos, desça logo. — O maior deixou o carro e logo foi acompanhado pelo moreno.

— Ah!, entendi! Vou dar autógrafos, certo?

— Não. Você vai ser treinador deles por algumas semanas.

— Pode parar aí! Eu não vou fazer isso! “Algumas semanas”! — Bufou. — Eu não vou ficar num lugar caído desses por algumas semanas, ainda mais com crianças...

— Com certeza seria melhor passar seu tempo em bares, brigando como um cão. — Uma voz áspera soou ao lado dos dois e, rapidamente, ambos se viraram para ver de quem se tratava. Em frente à porta, um rapaz de cabelo preto e expressão séria os olhava, nitidamente irritado com o comentário de JongIn.

— É... — Park começou um pouco constrangido pela situação — Kim JongIn, esse é o professor Do KyungSoo, o responsável pelo time de hóquei do colégio. Me desculpe por isso, ele está com alguns problemas, mas...

— Espero que deixe seus problemas aqui fora, as crianças não precisam ver esse lado do seu ídolo, e a imprensa também está aí. — JongIn abriu a boca para falar, mas KyungSoo não lhe deu tempo, apenas se virou e entrou.

— Por favor, não seja esse idiota de novo, ‘tá bem?! — ChanYeol seguiu o professor.

— Ainda dá tempo de ir para a cadeia? — perguntou para o nada, rindo em escárnio, pouco antes de segui-los.

 

(...)

 

Enquanto andavam pela escola, ChanYeol e o professor conversaram brevemente sobre as instalações do colégio e as atividades, sendo seguidos pelo jogador. Assim que chegaram na quadra, encontraram uma turma de doze garotos junto do repórter esportivo, Byun BaekHyun, que conversava com eles. Byun se virou para JongIn e ChanYeol, sorrindo, ao que os meninos pararam de falar quando avistaram o profissional.

— E aí está a nossa estrela! — disse com ironia. JongIn revirou os olhos e passou pelos dois à sua frente, chegando nas crianças com um largo sorriso.

— Então, vocês são os meus campeões? — Pôs as mãos na cintura de forma teatral e os garotos não conseguiram conter o sorriso.

— Meninos, cumprimentem o senhor Kim — o Do disse atrás do loiro e os garotos se alinharam rapidamente, falando em coro.

— Seja bem-vindo, senhor Kim!

— Olha só para vocês... Já até me sinto em casa.

— Senhor Kim, o senhor vai treinar a gente? — um menino da turma perguntou, animado.

— Sim, eu vou. Me disseram que estão participando de um torneio, é isso mesmo?

— Sim, é o intercolegial — um baixinho disse um pouco cabisbaixo. — Nós sempre perdemos.

— Então, temos que treinar mais! — Kai sorriu largo para eles. — Vamos jogar, preciso ver como vocês estão. — Eles correram para se preparar e BaekHyun se virou para o jogador.

— Então, senhor Kim, mesmo sendo um dos melhores jogadores da liga, ser treinador é algo bastante arriscado. O que está achando disso? — O loiro olhou para o amigo e, depois, voltou-se para o repórter.

— Vamos ter que descobrir isso, mas tenho certeza de que vou aprender muito com essas crianças.

— Acredita que pode fazê-los erguer a taça do intercolegial?

— Acredito que posso inspirá-los e ajudar durante o treino. E, se eles quiserem erguer essa taça, iremos atrás disso. Agora, se me permite, Byun, preciso dar atenção a eles. Você pode continuar essa conversa com o meu agente. — Fez um sinal para o Park antes de seguir ao encontro com os garotos, que calçavam os patins de gelo.

 

(...)

 

O punk ia rapidamente de um lado para o outro da pista. Os garotos tinham boa velocidade, mas pouca técnica. JongIn estava encostado na mureta, vendo-os jogar, quando KyungSoo parou ao seu lado.

— E então?

— Você é o treinador deles? — KyungSoo negou com a cabeça. — Tudo bem, então quem eu devo xingar por isso? — Virou-se para o menor, que revirou os olhos com o comentário.

— Lee MyeonBu. Faleceu por um infarto fulminante no mês passado e, por isso, pedimos um novo técnico ao Estado, e mandaram você.

— Ah... tudo bem, não vou xingá-lo então. — Apitou, parando o jogo, e os meninos vinham em sua direção.

— Por favor, seja gentil com eles — o Do disse sério.

— Vou ser. Isso, cheguem mais, vamos conversar. — KyungSoo ficou de olho. Apesar de ser um babaca na maior parte do tempo, o jogador realmente concentrava-se quando falava sobre o esporte com os alunos.

— Não estou falando para agradá-los, mas vocês têm, sim, muitas chances de vencer, mas vamos precisar melhorar bastante nossa estratégia.

— Mas, senhor Kim, nosso primeiro jogo é no sábado...

— Sábado, agora? — As várias cabecinhas concordaram. — Ok, primeiro, podem me chamar de “treinador” e, segundo, vamos treinar mais então! — disse animado, fazendo os pequenos rostos sorrirem.

 

(...)

 

Kai observava atentamente cada movimento na pista; os garotos realmente eram bons, e aprendiam rápido qualquer passe que fosse. Um novo sentimento crescia no jogador. Hóquei era, definitivamente, sua paixão e poder treinar os meninos deixava aquilo ainda mais satisfatório.

Depois de mais alguns comandos, o loiro foi até o bebedouro hidratar sua garganta já seca. Ele estava tão focado em seus pensamentos que não chegou a perceber a aproximação do professor Do.

— Treinador, está muito perto do jogo para eles gravarem uma nova estratégia — KyungSoo falou, parando ao lado do loiro no bebedouro.

— Pode repetir?

— Você me ouviu! — Cruzou os braços, irritado.

— Tudo bem, eu repito então: como você mesmo disse, eu sou o “treinador”. Vi-os jogando e vi que eles não tinham uma estratégia, apenas batiam os tacos de qualquer jeito sobre o gelo.

— Está sendo soberbo. E, aliás, eles são apenas crianças, não vão desenvolver isso em três dias.

— Você está subestimando-os. Pare de reclamar um pouco e os observe jogando. — Os dois se encararam por alguns instantes até que Kai suspirou e pôs as mãos no rosto do menor, virando-o para a pista.

O alvo arregalou os olhos. As crianças estavam treinando há apenas um dia com JongIn e já tinham entendido a estratégia de ataque — os três atacantes formavam um “V” e desviavam da defesa.

— Como eu disse! — JongIn disse animado e o Do bateu em suas mãos, libertando seu rosto.

— Está bem, treinador, está fazendo um bom trabalho. — Afastou-se, indo até a tela de proteção, a fim de observar os garotos.

— Eles são bons, só precisam de fé e direção.

 

(...)

 

Ao fim do treino, os mais novos guardaram seus equipamentos e se despediram do treinador. Kai deu um abraço em cada um antes que saíssem. KyungSoo parou ao seu lado.

— Achei que não gostasse de crianças. Seu discurso...

— Eu nunca disse isso, você me interrompeu — disse com graça, virando-se para o vestiário.

— E o que pretendia dizer?

— Que eu sou um mau exemplo para crianças... — Entrou no vestiário e começou a olhar os patins dos garotos.

— Isso você é mesmo. — KyungSoo riu. — O que foi? O que está pensando em fazer?

— Nada! — Sorriu largo. — Nos vemos amanhã, professor Do. E, por favor, pare de bancar o irritadinho para cima de mim, porque, assim, eu me apaixono. — Deu uma piscadela e saiu.

— O quê?! — O alvo ficou parado, sem saber o que dizer.

 

(...)

 

— Park, preciso de uniformes novos — Kai disse ao entrar no apartamento do mais alto, que, diferentemente do seu, era limpo e organizado.

— Como assim, uniformes? Os seus são novos. — ChanYeol parou o que fazia e encarou o outro.

— É para o time da escola. Eu peguei o tamanho deles, a maioria é igual. — Tirou um papel dobrado do bolso.

— Tudo bem. — ChanYeol deu uma olhada na lista dos números. — Você quer comprar para eles?

— Acho que foi o que eu disse, não? — Sorriu.

— Sim, foi o que você disse, mas... você ‘tá bem?

— Chan... — sentou-se ao lado de ChanYeol — sim, eu estou bem. Os garotos precisam de equipamentos novos, e tenho certeza de que isso vai diminuir minha pena, não vai? — Deu alguns tapinhas no ombro do amigo e foi para a porta. — Ah! Eu preciso para amanhã. Quero que eles se acostumem com o uniforme antes do jogo.

— Tudo bem — concordou, ainda atônito, enquanto o loiro saiu animado. Seu celular logo tocou.

— Park! Oi... aqui é o professor Do, do colégio, você disse para ligar...

— Sim, o JongIn fez alguma coisa?

— Bem...

— Tipo, destruiu alguma coisa?

— Não, não!, podemos conversar pessoalmente?

— Claro.

 

(...)

 

ChanYeol entrou no café e KyungSoo, que estava sentado numa mesa, acenou para ele. O moreno deu alguns passos, logo chegando na mesa.

— Professor, vim o mais rápido possível. Aconteceu alguma coisa?

— Ainda não, mas... como posso dizer isso?... O senhor Kim não tem uma boa fama e confesso que fiquei preocupado em deixá-lo com as crianças. — Respirou fundo. — Mas ele tem sido bem cuidadoso.

— Então... ele não causou nenhum problema?

— Não, nenhum. Hoje ele estava olhando para os equipamentos do time e...

— Ah!, isso? Já resolvi. Vou levar os novos amanhã.

— Como? — O alvo ficou de boca aberta, ChanYeol sorriu diante da reação do professor.

— Ele decidiu dar equipamentos e uniformes novos ao time. Kai não é apenas um descontrolado que compra briga com todo mundo. O que acontece é que ele tem pavio curto e não gosta de injustiças, então é fácil brigar com ele.

— Então a briga no bar foi isso?

— Foi. Estavam implicando com a altura do goleiro do time.

— Bem, essa versão faz mais sentido agora que o conheço — o Do disse, olhando para a xícara à sua frente.

— Somos amigos há anos, posso te dizer, com toda a certeza, que ele é uma boa pessoa. Aconteceu mais alguma coisa?

— Não, já estou satisfeito com isso. — Levantou-se. — Obrigado por vir.

— É... Do...

— Sim?

— JongIn é bastante afetuoso, então não se assuste com... comentários aleatórios que ele faz...

— Não se preocupe. Não vou levar a sério. — Fez uma breve reverência e saiu.

— Por Deus, Kai, não apronte nada — disse para si mesmo, passando a mão pelo cabelo.

 

(...)

 

Assim que os garotos chegaram ao vestiário para se arrumarem para o treino, levaram um susto ao não encontrar os uniformes.

— Professor Do! — Um dos garotos correu para a sala do professor, onde este falava com o treinador e seu agente.

— O que foi, Lee? — JongIn perguntou animado para o garoto.

— Nossos equipamentos sumiram... — disse nervoso.

— Como assim? Acho que vocês não procuraram direito. — O Kim tinha um sorriso brincalhão no rosto.

— Por favor... — KyungSoo começou, mas logo foi interrompido pelo loiro.

— Não! Eu vou ajudar vocês. — Pegou na mão do garoto e seguiu para o vestiário.

— Ele precisa mesmo fazer isso? — O alvo se virou para o maior, indignado.

— Não tem como pará-lo depois que começa — Park disse com graça. — Mas, olhe pelo lado positivo, as crianças adoram.

 

(...)

 

Os garotos estavam no vestiário, ainda revirando os armários vazios. JongIn passou por eles e foi direto ao seu armário. Assim que o abriu, os mais novos soltaram vários “oh!” de espanto e surpresa. Lá estavam os uniformes novos.

— Eu disse que estava aqui. — Os meninos correram até ele.

— São novos? — Lee olhou assustado.

— Sim, são novos. Como vamos enfrentar o intercolegial com equipamentos velhos, hm? Vamos lá, se vistam logo... — Eles correram para abraçar o Kim.

— Obrigado, treinador!

— Tudo bem, agora vão, precisamos treinar! O jogo é em dois dias. Vamos amaciar esses patins! — Bateu palmas, animando-os.

 

(...)

 

Depois do treino, KyungSoo se certificou de que todos os equipamentos estavam guardados e trancou o vestiário. Já estava saindo quando deu de cara com JongIn.

— Imaginei que já tivesse ido — falou.

— Queria conversar com você.

— ‘Tá, tudo bem. Pode falar.

— Não aqui. Vamos para a pista. — O Do concordou e os dois seguiram para o ginásio. — Você patina, KyungSoo?

— Em? Não, é mais seguro do lado de fora — disse com um sorriso amarelo. Não diria que era um desastre total naquilo para um jogador profissional.

— Que número você calça?

— Não! Nem pensar. Eu não vou entrar ali. — Kai riu de canto, tirando um par de patins da mochila.

— Esse deve servir. Experimenta! — Mostrou os patins para o menor.

— Você não sabe o que é um não?

— Entendi, você não sabe colocar, não é? — questionou com um sorriso largo e rapidamente colocou o Do sentado, retirando seus sapatos e já colocando os patins.

— Ei!

— Não é tão difícil. É como se fosse um coturno, cheio de cadarços. Pronto! — Terminou de prender e já virou, colocando o próprio.

— Eu disse que não queria. Qual o seu problema?

— Presta atenção, Kyung. — Levantou-se e estendeu a mão para o menor. — Não pode ajudá-los se não os entender. Vem comigo. — O Do pegou na mão do maior e eles entraram na pista. O alvo se agarrou firme no braço do jogador.

— É sério... eu não...

— Não vira o pé. Tem que se equilibrar sobre as lâminas. Vamos lá, não é difícil.

— Claro que é!... ‘Tá... tudo bem... o que quer mostrar com isso? — Kai segurou o Do pelas mãos e, ao ficarem frente a frente, o menor conseguiu ficar parado, sem tremer.

— Aposto que já patinou em algum piso liso, só de brincadeira.

— Quando eu tinha 10 anos, você quer dizer? — falou irritado, ainda olhando para os pés.

— Aqui, olha para mim. — O Do levantou os olhos, encarando o loiro. Ainda estava assustado, as suas mãos suavam enquanto tentava se apoiar nas do outro. — Pronto?

— Pronto para quê? Eu quero sair daqui.

— Eu vou mexer o pé direito para frente, e você mexe o seu esquerdo para trás, como numa dança. Sabe dançar, não sabe? — O Kim, sem esperar uma resposta, fez o movimento e o outro o seguiu. — Viu? Foi muito bem. Agora o outro.

— Mais devagar...

— Não olha para o chão, olhe para mim.

— Eu vou cair!

— Não vai! Eu ‘tô te segurando, relaxa. — Kai riu. — Tem que relaxar. — Começou a puxar KyungSoo pela pista. Aos poucos, o menor foi se soltando. — Patinar é como voar, deixe seu corpo solto e então vai sentir.

— É estranho ouvir isso de um jogador, parece papo de patinação artística. — O pequeno riu. Já não estava mais tão nervoso, apesar de ainda segurar uma das mãos do outro.

— Prefiro você assim do que tremendo de medo. — Também riu. — Mas parece mesmo, porém, eu tenho um bom motivo para isso.

— Ah, é? Qual?

— Você não pode voar quando pratica qualquer outro esporte, senão esse. Isso te dá poder, velocidade e força.

— É, isso é mais a cara desse esporte. Mas por que me trazer aqui era importante? Não sou o treinador deles. — Kai soltou a mão do menor. — Ei!

— Para você jogar! — Patinou até a borda da pista, pegando os tacos ali.

— Isso já é demais, não acha? — O Do patinava lentamente, fazendo pequenos círculos.

— Pare de se subestimar. Você pode fazer isso! — Deu um taco ao outro, que o segurou um pouco tenso.

— ‘Tá... se o treinador diz. — Suspirou, encarando o objeto em mãos. JongIn riu um pouco mais.

— Sim, o treinador diz. — Colocou o disco no chão. — Vamos lá. — O Do foi na direção do punk e bateu no disco de leve; ainda estava inseguro em perder o equilíbrio.

— Muito bem. Agora, bata com força.

— Você é muito apressado, sabia!?

— Vamos lá, Kyung, você consegue. Eu vou para o gol, e você marca. — Seguiu para o gol.

— ‘Tá... — O menor olhou fixamente para o disco sobre o gelo e bateu com mais força, fazendo-o ir para longe, e sorriu ao perceber que não tinha se desequilibrado como imaginava. Aquilo lhe deu um novo ânimo e, sem perceber, já estava correndo, logo disputando o disco com o profissional.

O tempo passou rápido enquanto jogavam. Logo já estavam cansados, encostados na baía.

— Eu preciso... de um tempo... — KyungSoo disse sem fôlego. Kai riu, encostando-se ao seu lado.

— É bom, não é? E, melhor do que isso, é muito mais fácil do que parece. Quando começa, não tem como parar.

— Acho que eu entendi. Eu vi os garotos jogando com a sua estratégia, eles aprenderam rápido.

— Não tem segredo, só temos que tentar.

— Você é surpreendente, treinador. Tenho que confessar que esperava algum idiota encrenqueiro. — Kai sorriu, ainda com a respiração agitada.

— Eu também sou isso, mas hóquei é a minha vida e eu adoro crianças.

— Fico feliz com isso, mas, de qualquer forma, acho que agora temos que ir. — KyungSoo saiu da pista para retirar os patins.

 

(...)

 

ChanYeol entrou no apartamento do amigo, que, como sempre, estava uma bagunça. Desviou de alguns lixos e seguiu para o quarto.

— JongIn! Tem jogo... hoje... — O moreno ficou paralisado ao ver o amigo, além de acordado, vestido e pronto para sair.

— Sim, eu sei! — Deu um tapinha leve no ombro do maior, seguindo para a sala. — Meus garotos vão jogar.

— Espera... te deixo uma semana numa escola e os alunos já são seus garotos? — Arqueou a sobrancelha, esperando uma resposta.

— Deixe-me ver... hm, sim. Chan, eles são incríveis. No carro, eu te conto tudo.

— ‘Tá bem. — Os dois seguiram para a rua, onde estava o automóvel.

— Então...?

— Eu estava sendo um babaca na segunda-feira quando fui até a escola. Mas os vi jogar, e falei com cada um deles. Sei até o nome de cada um! — contou animado, rindo. — A vida não tem sido fácil para eles, só têm o esporte para se agarrar.

— Estou com medo agora. Quem é você e o que fez com o Kai? — disse bobo e ambos riram.

— Sou a versão melhorada dele.

 

(...)

 

O jogo seria realizado em outro colégio, em melhores condições. O Do levou os garotos num micro-ônibus, alugado pela escola, e se encontrou com o jogador e seu agente lá.

JongIn entrou no vestiário, onde os alunos se arrumavam.

— Estão nervosos? — Kai perguntou aos garotos, que, rapidamente, se reuniram à sua frente. Eles concordaram. — Não tem porquê. Vocês vão entrar lá e fazer o que treinamos. Joguem com vontade e tudo vai dar certo. Agora, todos coloquem a mão aqui! — Esticou a mão ao centro da roda e as mãozinhas logo o cobriram. — Vai, time! — Eles ficaram mais animados com o grito e seguiram para a pista; o jogo logo iria começar.

— Você está suando. — ChanYeol parou ao lado do jogador.

— É o primeiro jogo do meu time, queria que eu estivesse como? — O Do parou do outro lado do loiro.

— Eles se esforçaram bastante, mas lembre-se de que são crianças.

— Eu sei disso. — Foi dado o sinal e, como esperado, rapidamente os garotos de Pyeong-ai tomaram o disco e partiram para o ataque. O método estava perfeito e o outro time pareceu confuso, não estavam esperando a estratégia dos pequenos, que logo marcaram o primeiro ponto.

— Isso! — Kai vibrou animado. — Eu disse!, eles são bons.

— Estou impressionado. — KyungSoo sorriu ao seu lado.

Os adversários eram ligeiramente maiores e mais pesados. Seus movimentos eram mais lentos, porém o ataque compensava na agressividade.

Isso não demorou a transparecer — dois atacantes fecharam o pequeno Lee, que derrapou até a borda da pista. Continuaram avançando com o disco, partindo para o gol.

— Levanta, levanta!... — Kai resmungava, tenso, enquanto o garoto tentava levantar do outro lado do ringue, ele logo o fez, voltando para o jogo. — Tempo! — O loiro gritou para o árbitro.

— 1 minuto! — Os garotos se aproximaram.

— Tudo bem, Lee? Se machucou?

— Não, eu ‘tô bem.

— Tudo bem. Eles estão perdendo e vão pegar pesado agora. Vamos atacar com o “V”. Todos no ataque e todos na defesa, certo?

— Certo! — eles repetiram.

— Vão lá! — Os garotos voltaram ao campo e o jogo foi retomado. Os de Pyeong-ai começaram a nova estratégia e, mais uma vez, os de DongShin, a escola adversária, ficaram perdidos.

— Realmente, tem bons talentos aí — ChanYeol comentou enquanto assistia ao jogo. — O nº9 de DongShin é bem rápido em comparação aos outros, e também tem bastante força com a esquerda.

— É, ele tem. — Kai não tirava os olhos do jogo, praticamente ignorando o amigo.

— E ele tem pelo menos 3 centímetros a mais que os outros.

— Bacana, Chan, contrata ele no futuro.

— Relaxa. Só estou dizendo que, se ele começar a bater, vai ser melhor parar o jogo. HyunSeong tem a mesma tacada de esquerda e quase quebrou seu braço na temporada passada.

— Eles não vão fazer isso, quebrar uns aos outros, vão? — o Do perguntou ao lado dos dois.

— Não. — O Park sorriu amarelo. — São crianças, né? — Ele mal tinha terminado a frase e o camisa 9 riscou o gelo com o bastão, derrubando um dos garotos de Pyeong-ai com o próximo movimento.

— Droga! — Kai saltou a baía e foi, junto com a equipe médica, até o garoto caído.

— Minha nossa! — KyungSoo se assustou e quase correu para a pista também, mas ChanYeol o segurou.

— Espera, eles já estão cuidando dele. — Alguns minutos se passaram com o garoto no chão e a equipe em volta. O jogo estava parado e a arquibancada, silenciosa, até que, finalmente, o menino se levantou com a ajuda do treinador e seguiu para o banco.

— Shin! — Kai chamou. — Marca o 9.

— ‘Tá bem. — O camisa 6 de Pyeong-ai era o mais alto da turma e, apesar de isso não o tornar o mais forte, colocava alguma pressão.

— Como ele está? — O Do parou ao lado do loiro.

— Está bem, não foi grave. — O árbitro apitou e, dessa vez, ambas as equipes estavam agressivas. Logo o apito soou novamente, o segundo tempo havia chegado ao fim.

— E aí? Como vocês estão?

— Doídos — Lee respondeu.

— É, hóquei é um esporte de contato — JongIn falou a fim de animá-los. Deu uma olhada nos garotos, nenhum estava realmente machucado.

— Suas garotinhas estão caindo muito — o outro treinador disse com graça ao se aproximar. O loiro se levantou e encarou o professor; era mais baixo, e gordo.

— E os seus estão batendo sem necessidade.

— É um esporte de contato — gracejou.

— Tudo bem, Kai, deixa para lá — Park falou, indicando a imprensa do outro lado da pista disfarçadamente.

— É, deixa para lá. Não tem problema se “elas” caírem de vez em quando. Afinal, aquele placar está um pouco errado. — O loiro, respirando fundo, estava prestes a saltar sobre o treinador quando sentiu alguém segurar sua mão e entrelaçar seus dedos ali.

— Precisamos discutir a estratégia — o Do disse ao seu lado.

— Claro. — Olhou do menor para o gorducho. — Espero que você tenha mais batedores no seu time. — Deu as costas e voltou para os garotos. O homem ficou sem resposta e voltou para a própria baía. — Obrigado, Kyung.

— Não me agradeça, só não queria que brigasse na frente deles — KyungSoo respondeu, soltando a mão do maior.

 

(...)

 

O terceiro período do jogo estava prestes a começar e os meninos já estavam prontos para retornar à pista.

— Vamos fazer esse tempo sem interrupções. Cada vez que eles perdem uma jogada, dão um jeito de parar o relógio. Então precisamos ficar atentos. Quanto menos tempo ficarmos lá, melhor.

— Certo.

— Ok, vamos usar o “V” e as marcações, derrubem todos os ataques. Lee e Shin, vocês são os pontas, mantenham-se juntos ao Ping, que é a ponta do V. Ping, mantenha-se na frente. Vamos acabar logo com isso.

— Sim! — Eles voltaram ao jogo e seguiram as instruções, conseguindo evitar os ataques violentos do outro time.

— Estou impressionado, Kai. Além de não se meter numa briga, ainda é um ótimo treinador.

— Obrigado, Chan. Mas, acho que eu entendi. — Deu uma olhada para o banco, onde estava o Do com os reservas do time.

— O quê? O que você entendeu?

— O que eu preciso para me acalmar.

— Um time?

— É, tipo isso... — Sorriu largo, voltando a atenção para o jogo.

 

(...)

 

O juiz apitou o fim do jogo — Pyeong-ai 6 x DongShin 3 — e os garotos correram animados para a baía. Era o primeiro jogo que venciam. Alguns choravam, outros riam, dançando animados.

— Nós vencemos!

— Sim, vocês venceram!

— Senhor Kim! — A voz aguda e conhecida se fez ouvir e JongIn se virou para o repórter Byun, que se aproximava.

— Senhor Byun — disse, com uma voz animada.

— Então, senhor Kim, está animado com a vitória de hoje?

— Claro, todos se esforçaram muito para isso.

— Então está confiante com a taça do intercolegial?

— Vamos jogar um jogo por vez. Mas, agora vamos comemorar nossa vitória. Park! — Escapou por trás do agente e seguiu com os garotos para o vestiário. Mais uma vez, ChanYeol sorriu para o repórter, seguindo com a entrevista.

 

(...)

 

JongIn levou os garotos para comemorarem a vitória numa pizzaria. Eles riram e comeram juntos. Ainda não acreditavam que tinham a primeira vitória em três anos de competições. Depois de levarem todos os meninos às suas casas, KyungSoo e JongIn retornaram ao colégio, deixando o ônibus ali.

— Quer uma carona? — Kai perguntou.

— Não precisa, eu moro aqui perto, são apenas duas quadras.

— De qualquer forma, eu posso te levar.

— Realmente, não precisa.

— Claro que precisa. Como vou te mostrar o ótimo motorista que eu sou se não entrar no carro? Você não me deixou encostar no volante do ônibus — disse com graça e fez o alvo rir.

— Tudo bem, mas saiba que é realmente perto.

— Ótimo! Por favor... — Correu para abrir a porta do passageiro. O Do entrou sem enrolação e o Kim seguiu rápido para o banco do motorista. — E então, para onde vamos?

— Siga em frente duas quadras, é a casa verde no fim da rua.

— Sim, senhor. — Arrancou com o carro. As quadras passaram rapidamente e Kai já podia ver a casa delicada. — É aquela?

— Sim, como eu disse. — Sorriu de canto.

— É perto mesmo.

— Eu disse — falou com graça, imitando todas as vezes em que já tinha ouvido o loiro dizer aquilo.

— Então vou ter que encontrar uma rota maior. — Acelerou.

— Ei! Aonde está indo? — O Do olhou confuso, vendo sua casa ficar para trás.

— Bem, eu sei onde fica a sua casa, nada mais justo do que você saber onde fica a minha. Depois voltamos.

— Ei, não!... — O Do segurou o riso. — Ok, por que está fazendo isso?

— Nessa semana, passamos um bom tempo juntos, mas não nos falamos muito. Eu gosto de estar com você. Então, acho que um tempo só para nós dois seria bom.

— Gosta, é? Você não sabe nada sobre mim.

— Sei, sim. É professor do ginásio, gosta de crianças, mora numa casa verde e, agora, sabe patinar. E tem uma queda por mim também.

— O quê? Não tenho, não.

— Claro que tem. Quando segurou a minha mão hoje, deixou isso claro.

— Estava apenas protegendo meus alunos.

— Me diga, como entrelaçar nossos dedos faria isso?

— Você parou, não parou?

— Parei apenas porque te senti, e sua quedinha por mim. — Riu, parando o carro.

— Que lugar é esse?

— Minha casa, eu moro aí. — Apontou para o prédio à frente.

— Achei que morasse numa mansão dessas com piscina, pronta para festas exageradas.

— Chan achou que seria melhor assim, para que eu não desse essas festas.

— Ele é um bom agente.

— E amigo. Mas, Kyung... — Kai soltou o cinto e se virou para o pequeno.

— O que é?

— Eu também tenho uma queda por você.

— Eu já disse que não tenho– — Kai o calou ao selar seus lábios. Afastou minimamente o rosto.

Os dois se olharam e o loiro tornou a beijá-lo. Um beijo calmo teve início. JongIn segurou o rosto do menor com uma das mãos, fazendo um carinho singelo. Afastaram-se quando o ar fez falta.

— Eu disse. — Sorriu.

— ‘Tá... — Engoliu em seco. — Eu tenho, mas pode me levar para casa agora. Eu não vou entrar no seu apartamento, se era esse o seu plano! — KyungSoo tinha as bochechas vermelhas e evitava encarar o loiro.

— Não, esse não era o plano. Só vou te chamar para subir quando eu contratar uma faxineira. — Riu alto, tentando aliviar a tensão e voltando a acelerar o carro.

— Então é pior do que eu imaginei.

— Tem que me pôr na linha, professor — disse com uma voz mais sensual, causando um arrepio no outro.

— Eu vou pôr, acredite. — Mordeu o lábio, olhando para o Kim, que agora tinha os olhos fixos na pista.

 

(...)

 

Dois meses depois, ChanYeol entrou no apartamento de Kai. A bagunça típica — caixas de pizza, latas de cerveja e até roupas espalhadas — ainda estava presente.

— JongIn? — Desviou de alguns montinhos. — JongIn!?

— Ele ‘tá no banho. — O Do veio do banheiro de roupão, escovando os dentes.

— Oi, KyungSoo, outra festa? — perguntou, olhando a bagunça.

— Não, a faxineira fugiu. Elas olham para o Kai e seu apartamento e saem correndo — disse com um sorriso malvado.

— Eu ouvi isso! — o Kim gritou do banheiro.

— Era para ouvir mesmo! Anda logo, temos muito o que fazer hoje!

— ‘Tá! Já vou!

— E as crianças? — ChanYeol perguntou enquanto procurava um lugar no sofá para sentar.

— Estão bem. Depois que ganhamos o interestadual, mandaram um novo treinador.

— E ele é bom?

— Não tem acessos de raiva. — Os dois riram. Kai veio pelo corredor, secando o cabelo.

— Eu ‘tô vendo vocês rindo de mim, para onde vamos hoje, Chan? — KyungSoo foi para o quarto se trocar.

— Canal de esportes.

— Deixa eu adivinhar, aquele com o repórter ruivo.

— Sim, BaekHyun adora seus comentários profundos e sábios — disse com um sorriso largo no rosto.

— Sei, ele gosta mesmo é de secar o namorado enquanto eu sirvo de desculpa. 

— Para de choramingar, Kai, e vai logo. — KyungSoo veio do quarto, já pronto para sair. — ‘Tô indo para a aula! — Deu um selinho no loiro. — Até depois.

— Até, amor. Pronto, Chan, agora sou todo seu.

— Vai se trocar logo, então.

— ‘Tô indo!

— Tem que aprender a se vestir como o seu namorado, em menos de cinco minutos.

— Com aquele tamanico, é fácil! — Os dois riram e o loiro seguiu para trocar de roupa.


Notas Finais


Dae???????????? o que acharam comentem ai!!!! Eu sei faltou um lemon neh hehehehe
Mas eu achei que ficou legal, mesmo sem. Ah! Queria dizer que me inspirei em um filme, “Nós Somos os Campeões (Ducks )” de 92, passava muito no extinto cinema em casa do SBT. Pesquisem é bem legal. Mas como faz muito tempo que eu vi esse filme, fui pesquisar um pouquinho sobre Hóquei, e tem muita coisa interessante, é o esporte oficial do Canadá, e quase todo mundo joga lá, e tem muitos times não oficiais, que nem aqui, os amigos se juntam pra uma pelada, lá vão jogar hóquei. É isso ai já falei demais Beijinhos e comentem ai o que acharam! Até a próxima.


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